Vivendo do Escambo
13 Jan 2010

Vivendo do Escambo

Da terra quente e seca, os artistas viram colorir com suas fitas imaginárias uma cidade em calamidade. Era em 1991 em Janduís-RN,

13 Jan 2010

Da terra quente e seca, os artistas viram colorir com suas fitas imaginárias uma cidade em calamidade. Era em 1991 em Janduís-RN, quando um grupo de atores, bailarinos e músicos tiveram a ideia de trocar água por arte. E trocaram mais. Além das gotas que encheram baldes e esperanças, os artistas criaram o Escambo. O movimento artístico que virou referência Brasil afora, acontece esta semana, de 15 a 18, em São Miguel do Gostoso, município do litoral norte potiguar, a 90 km de Natal.

“O movimento é a troca de experiências, de arte, de oficinas. É quando podemos apresentar nossos trabalhos e ter acesso a outros. Estamos aguardando 300 artistas vindos de diferentes partes do Brasil como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Maranhão”, contou Filippe Rodrigo, ator e organizador do Escambo. Filippe já nasceu no Escambo. Filho de Santos, fundador do grupo Alegria Alegria, o artista não lembra de outra forma de trabalhar com arte que não seja através da troca.

O Escambo segue a filosofia de troca de serviços. Por exemplo, quando o grupo faz uso de uma escola pública para se instalar, no lugar eles consertam os encanamentos, a parte elétrica e o que puderem fazer para aquele espaço melhorar. “Tudo é possível no Escambo. E a troca é o grande trunfo. É quando podemos experimentar a arte e recebê-la”, contou Rodrigo.

Ele lembra que até hoje já foram realizados 14 escambos, desde 1991, inclusive fora do Rio Grande do Norte quando aconteceram escambos no Ceará.

Como em São Miguel do Gostoso, o escambo acontece geralmente em quatro dias, período em que os artistas participam de oficinas, cortejos, apresentações e discussões sobre a arte e suas perspectivas. “Eles estarão aqui durante quatro dias realizando vivências, rodas de filmes, música, dança. Mesmo o movimento tendo começado com teatro, o que mais reúne gente nas praças é o cinema”, disse o organizador.

O VIVER conversou com Rodrigo uma semana antes do início do Escambo e constatou que mesmo com um aparente “deixe acontecer”, o Escambo é um movimento organizado e planejado. “Sempre seguimos um esquema de chegar antes na cidade e conhecer a comunidade e os possíveis lugares para instalações. Aqui em São Miguel estamos em parceria com a prefeitura que nos cedeu as escolas. E além da estrutura, esse primeiro contato é importante para conhecermos melhor as atividades culturais da cidade”, conta o artista.

Em São Miguel, a capoeira é um dos pontos fortes da comunidade, por isso o Escambo dará atenção especial ao grupo já formado. “É quando poderemos levar um outro grupo de capoeira com linguagem diferente para discutir sobre a atividade”.

Toda preocupação do Escambo vai além da arte. Junto às oficinas, as discussões e as aulas teóricas e práticas fazem parte da programação. Além dos grupos e mestres de folguedos, o convidado do Escambo desta temporada é o ator Ami Haddad, do grupo “Tá na Rua” do Rio de Janeiro. “Ele fará rodas de conversa com a comunidade e com os artistas e ficará em São Miguel até o dia 20 de janeiro.

Depois de tanta troca e de ecoar pelo Brasil inteiro, o movimento foi homenageado recentemente em São Paulo e tem em seu cadastro mais de 1.500 artistas de rua. Na visão de Rodrigo, o movimento é transformador de mundos e lembra muito a chegada do circo nas cidades. “É uma mudança interior”.

Ele lembra que muitas pessoas das comunidades visitadas ensaiam em fugir com os grupos de teatro. “Até hoje ninguém teve coragem, mas o interessante é quando a gente volta aos lugares e percebe que aquelas pessoas que desejavam sair, hoje transformam suas cidades com arte. Por isso é um movimento infinito”, finalizou Rodrigo.

Programação

15/01 sexta-feira
12h Chegada do grupo
14h grande reunião que é a chamada saudação e o fechamento de algumas comissões, organização e segurança;
16h30 – cortejo
17h20 – espetáculos que são três por noite
20h00 – mostra de filmes
Escambar – movimento da chegada nos bares com leitura de poesia,
música, até 2 da manhã

Dia 16/01 sábado
8h até 12h – vivências até
tarde: reunião de avaliação
16h – deslocamento dos grupos para comunidades vizinhas e assentamentos
Centro: espetáculos, mostra de filmes.

Dia 17/01 domingo:
8h30 até 12h – Vivência com Amir Haddad
13h30 – Vivência
16h40 – cortejo, espetáculos
20h00 – mostra de filmes

Dia 18/01 – segunda-feira
08h00 – Feira com espetáculo de teatro, música e bonecos
Roda de avaliação
Finalização dos Escambos

 

Fonte: Tribuna do Norte – http://tribunadonorte.com.br/

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