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Grupo “Capoeira Vip” convida cuiabanos para evento no colégio Presidente Médici

Fim de tarde. Pessoas saindo do trabalho, trânsito frenético, pontos de ônibus lotados, a cidade iluminada apenas pelos postes de luz. E em frente ao Colégio Presidente Médici, um tipo de rotina peculiar se desenvolve por volta deste horário.

Jovens, adultos, senhores, todos em frente à construção histórica andam de um lado para o outro ou ficam em rodas e grupos, seja esperando o transporte público, indo para casa, matando o tempo até uma apresentação ou participando do que podemos chamar de festa particular no posto do outro lado da rua. Mas no espaço redondo próximo a estrutura metálica precária que usamos como ponto de ônibus, um grupo com calças brancas, tocando berimbau, faz um tipo de dança, um tipo de luta, uma confraternização.

É o grupo “Capoeira Vip”, que em roda e cantando, praticam os movimentos harmônicos e sincronizados da capoeira. O que começou como uma arte própria dos descendentes de escravo agora convida a todos, independente de cor, classe ou ascendência para a sétima edição do “Fest Capoeira Vip”.

Neste sábado (23), com a presença de mestres que alcançaram a fama internacional, como Moreno e Juju, o grupo fará apresentações durante o dia todo, começando às 8h, no mesmo colégio onde praticam a capoeira. O evento também inclui oficinas sobre movimento e musicalidade da capoeira.

No período da tarde, com início às 15 horas, haverá show de maculelê, dança afro, dobradinha de berimbau com viola de cocho, roda de apresentações dos mestres de capoeira, formaturas e batizados.

O organizador do festival, professor Visk, acredita que a capoeira é uma arte que forma cidadãos e que hoje alcança todas as classes sociais. “Os festivais proporcionam maior credibilidade aos participantes da arte capoeira, mostrando ao público o passado, o presente e o futuro”, destaca.

A origem da capoeira

No século XVII, era costume dos povos pastores do sul da atual Angola, na África, comemorar a iniciação das jovens à vida adulta com uma cerimônia chamada n’golo (que significa “zebra” nalíngua quimbunda). 

Dentro da cerimônia, os homens disputavam uma competição de luta animada pelo toque de atabaques em que ganhava quem conseguisse encostar o pé na cabeça do adversário. O vencedor tinha o direito de escolher, sem ter de pagar o dote, uma noiva entre as jovens que estavam sendo iniciadas à vida adulta. 

Com a chegada dos invasores portugueses e a escravização dos povos africanos, esta modalidade de luta foi trazida, através do porto de Benguela, para a América, especialmente para o Brasil, onde se fixou a maior parte dos escravos africanos trazidos à América.
No Brasil, assim como no restante da América, os escravos africanos eram submetidos a um regime de trabalho forçado. Eram também forçados à adoção da língua portuguesa e da religião católica.

Como expressão da revolta contra o tratamento violento a que eram submetidos, os escravos passaram a praticar a luta tradicional do sul de Angola nos terrenos de mata mais rala conhecidos como “capoeiras” (termo que vem do tupi kapu’era, que significa “mata que foi”, se referindo aos trechos de mata que eram queimados ou cortados para abrir terreno para as plantações dos índios).

A capoeira ainda é motivo de controvérsia entre os estudiosos de sua história, sobretudo no que se refere ao período compreendido entre o seu surgimento e o início do século XIX, quando aparecem os primeiros registros confiáveis com descrições sobre sua prática.

Serviço

Fest Capoeira Vip
Local: Colégio Presidente Médici
Horário: A partir das 8h
Data: Sábado (23)
Entrada: 3Kg de alimentos não perecíveis.

 

http://www.olhardireto.com.br

FCP promove a exposição “Arte e Cultura Africana”

Com abertura agendada para a próxima segunda-feira (27), às 17h30, a exposição Arte e Cultura Africana traz 130 peças, entre artefatos, quadros, móveis e esculturas do acervo de 19 embaixadas do Continente Africano no Brasil. A mostra, que também marca o 24º aniversário da FCP, é um dos eventos da instituição na preparação da Década dos Povos Afrodescendentes, que terá início em dezembro deste ano, conforme Resolução Organização das Nações Unidas (ONU). Até o dia 6 de setembro, as obras podem ser vistas no Salão Negro do Ministério da Justiça.

Para o presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, a mostra consegue reunir o encanto e a criatividade da cultura africana. “A exposição fará com que a distância física imposta pelo Atlântico seja superada, aproximando assim as identidades que valorizam as culturas brasileira e africana”, afirma, “Com certeza, os visitantes vão ficar maravilhados”, garante.

O curador da exposição, Carlos Eduardo Trindade, explica que a exposição levará o público a um passeio panorâmico sobre as bases constitutivas da vida comunitária, do trabalho, do lazer, das relações familiares, da religiosidade e do cotidiano dos vários povos que formam a África. “A heterogeneidade das práticas culturais existentes em solo africano é marcante e, talvez, a principal contribuição ofertada pelos seus habitantes à humanidade”, conta.

A exposição Arte e Cultura Africana foi desenvolvida pelo Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra da Fundação Palmares e contará com peças que retratam a cultura de África do Sul, Angola, Argélia, Benin, Burkina Faso, Botsuana, Cabo Verde, Cameroun, Etiópia, Gana, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Mauritânia, Marrocos, Moçambique, Nigéria, Sudão, Zâmbia e Zimbábue.

Arte africana – A arte africana reproduz os usos e costumes dos povos africanos. Nas pinturas, como nas esculturas, a caracterização da figura humana mostra uma preocupação com os valores morais e religiosos. A escultura, forma de arte muito usada pelos artistas africanos, utiliza-se de ouro, bronze e marfim como matérias primas. As máscaras são as mais conhecidas da plástica africana e constituem uma síntese dos vários elementos simbólicos. São confeccionadas em barro, marfim, metais, mas o material mais utilizado é a madeira.

 

Serviço

Exposição Arte e Cultura Africana

Onde: Salão Negro do Ministério da Justiça – Esplanada dos Ministérios, Bloco T, Edifício Sede

Quando: De 27 de agosto a 6 de setembro de 2012

Visitação: Segunda à sexta-feira, das 9h às 18h – Entrada franca

 

Fonte: http://www.palmares.gov.br

Palmares promove exposição de arte africana

Em comemoração ao Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, a Fundação Cultural Palmares promoverá, de 13 a 20 de outubro, a exposição Expressões Africanas, com o acervo de 15 embaixadas do Continente Africano. Serão expostas peças artesanais, artefatos, quadros, móveis e esculturas que retratam a cultura da África do Sul, Angola, Botsuana, Benin, Cabo Verde, Cameroun, Costa do Marfim, Egito, Gana, Guiné-Equatorial, Guiné-Bissau, Mauritânia, Moçambique, Namíbia e Quênia.

O curador é o professor do Instituto de Artes e Coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade de Brasília, Nelson Inocencio. Segundo ele, as peças que compõem a exposição foram escolhidas de acordo com o que cada objeto representa para o seu país e o significado de cada uma. A intenção é explorar o sentido dos objetos para cada uma das sociedades representadas.

“Existe uma ideia de que a arte africana é uma arte primitiva. Nosso propósito é defender um outro olhar, proporcionar uma perspectiva didática e educativa com suas características e referências estéticas”, disse.

Além de celebrar o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, a exposição pretende mostrar que a África não é uma referência somente para os africanos. “Divulgar a África é promover a pluralidade, a diversidade e importância da Diáspora Africana, que tanto contribuiu para a formação da identidade de vários países”, explica Inocencio.

Para o presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Araujo, a exposição se destaca por ser uma das principais ações da Palmares, dentro do Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, e conta com a participação do Ministério da Cultura (MinC), da Câmara dos Deputados e das Embaixadas dos países africanos no Brasil. “ Esta mostra terá a riqueza, a beleza, a criatividade de artistas africanos, cuja criação encanta e sensibiliza povos de todos os matizes”, destaca.

A exposição Expressões Africanas foi desenvolvida pelo Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra da Fundação Cultural Palmares e será aberta no dia 13 de outubro, às 17 horas, no Salão Branco do Congresso Nacional, em Brasília.

Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes – Essa proposta está de acordo com o fato de que o ano de 2011 foi eleito pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, com o objetivo de erradicar a discriminação racial contra o africano e seus descendentes, que são os povos mais vitimados pelo racismo. Neste ano, ganham destaque as medidas relacionadas à maior participação do negro nas políticas públicas, bem como as ações que têm por objetivo fornecer uma maior informação cultural sobre os povos, as tradições e a diversidade cultural da África e seus descendentes.

Serviço

O quê: Exposição Expressões Africanas
Onde: Salão Branco do Congresso Nacional
Quando: de 13 a 20 de outubro
Visitação: A partir do dia 14/10 (Segunda à sexta-feira, das 9h às 19h / Sábados e domingos, das 9h30 às 17h30. Entrada Franca)
Mais informações: (61) 3424-0165/ 3424-0166

MS: Crianças de CG aprendem a ginga e a história da capoeira

A Legião da Boa Vontade na capital sul-mato-grossense realiza o projeto Capoeira no Brasil. Na atividade, os meninos e meninas atendidos pela Instituição, por meio do programa LBV: Criança – Futuro no Presente!, fazem pesquisas sobre a forte influência histórica dos africanos no Brasil. Ao todo, 200 crianças com a faixa etária entre 6 e 12 anos participam da iniciativa, que será desenvolvida durante o ano todo.

A proposta da LBV é relacionar os conhecimentos do grupo sobre o tema, promover o respeito mútuo quanto à cultura de cada participante, produzir peças visuais, estimular a interpretação individual e conjunta do assunto proposto, além de ressaltar a herança cultural deixada pelos africanos.

Durante a atividade, meninos e meninas, interessados e com muita disposição, conheceram o gingado da capoeira. Porém, a educadora social da LBV Fabiana Leopoldina acrescenta: “Não basta ter ginga; é importante que as crianças saibam a origem da dança, que conheçam seus instrumentos musicais, ritmos e movimentos para um bom desempenho na atividade”.

É notório o entusiasmo das crianças não só pela capoeira, mas também por conhecer outras importantes contribuições dos negros à sociedade em que vivemos. “Foram os negros que nos ensinaram a fazer arroz-doce, tapioca, bobó, feijoada, arroz, milho e outros pratos. A criatividade dos povos escravizados contribuiu para melhorar nossas refeições. Eles nos ensinaram a utilizar os cereais”, diz, eufórica, a atendida Cibele, de 11 anos.

Vitória, de 10 anos, ressaltou: “O estudo sobre a capoeira é muito divertido”. Ela conta que, com a ajuda das educadoras, fizeram “alguns pratos para nossa própria degustação”.

Em Campo Grande, MS, a Legião da Boa Vontade está localizada na Av. Marechal Deodoro, 5.055, Conjunto Aero Rancho — Setor VII. Para outras informações, ligue: (67) 3378-1700.

 

Fonte: http://www.msnoticias.com.br/

III Festival Alagoano das Palavras Pretas

A 3ª edição do Festival Alagoano das Palavras Pretas acontece no Dia Internacional de Luta Contra o Racismo, o 21 de março, como um prosseguimento da experiência de plantar espaços mais amplos e democráticos, para a palavra despir-se da roupagem convencional, invadindo continentes alheios ao nosso conhecimento cotidiano, criando sinergias, articulando as muitas e diversas gentes que gostam de gostar da emoção do encontro com poesia.

Será mais uma noite especialmente poética de uma segunda-feira, 21 de março, com o cheiro e sabor das palavras despindo as amarras: “minha-mãe-não-deixa-não”, rasgando alguns silêncios sociais.

III Festival Alagoano das Palavras Pretas conta com o “apadrinhamento artístico” do ator e militante do movimento negro, Milton Gonçalves e experimenta algo novo. 
O novo assusta?

O Festival tem a intenção de criar uma maior intimidade com os diversos mundos existentes na palavra-poesia. Mundos que quebram barreiras,promovem a abolição de códigos caducos, racistas e sexistas, renovam a arte de poetar.

Mundos que propõem formas alternativas de “pensar” o racismo brasileiro, potencializando a diversidade de poemas africanos e afro-brasileiros ou de gente que escreve sobre a questão afro alagoana ou brasileira.

Quantos poemas africanos ou afro-brasileiros você conhece?

Ficou na dúvida? Pois é, está aí um momento ímpar para conhecê-los.

Como estamos em marçoIII Festival Alagoano das Palavras Pretas terá o sugestivo título de “Palavras com Cor e Gênero” e nesta noite a grande protagonista é a mulher que cerze o verbo, bordando histórias de determinação, possibilidades, oportunidades, continuidade… 
Poetisas que em seu lugar e tempo, são marcos de referência.

Você escreve sobre a temática?

Manda seu poema para gente divulgar no Festival, ou caso não, venha participar da oportunidade de raptar a palavra do papel dando-lhe voz e vida.
O palco do III Festival das Palavras Pretas: Palavras com Cor e Gênero é o Teatro Abelardo Lopes/SESI- Galeria Arte Center. Av. Antonio Gouveia, 1113, Pajuçara.

Ah! nessa terceira versão teremos um olhar especial para os poemas estrategicamente espalhados ao longo do Teatro para serem colhidos por você. É que no II Festival eles simplesmente sumiram.

Após uns dias de encucação-o-que-foi-que-aconteceu?-uma senhora nos ligou agradecendo pelo convite, teceu elogios e afirmou que graças ao II Festival ela agora tinha um “monte” de poemas africanos e afrobrasileiros colados em um caderno.
Como um livro!

Que bom!

Para inscrever-se basta enviar um e-mail para raizesdeafricas@gmail.com dizendo: quero-participar-do-III-festival-das-palavras-pretas, com os seguintes dados: nome, instituição, celular, endereço.

Até lá!

 

http://www.cadaminuto.com.br/blog/raizes-da-africa

Capoeira “Enredo de Carnaval”

E. S. DEU CHUCHA NA ZEBRA – ENREDO 2011: “N’golo, a Dança da Zebra virou Capoeira?”

A E.S. DEU CHUCHA NA ZEBRA, do grupo especial do carnaval de Uruguaiana, Rio Gande do Sul, na fronteira do Brasil com a Argentina, que realiza o terceiro maior carnaval brasileiro, com vários profissionais do carnaval carioca, estará desfilando como tema o enredo: N’golo, a dança da zebra virou capoeira?
É a primeira grande homenagem ao maior “embaixador” cultural nacional feita pelo SAMBA e suas escolas e gostariamos de poder contar com a participação desse portal no projeto.

As noticias podem ser encontrados no site especializado em carnaval: www.sambasul.com , a sinopse estou enviando em anexo e ficaria honrado se pudessem nos oferecer um e-mal direto para intelocução ou MSN.
Me disponibilizo pelo e-mail e MSN walter_nicolau510@hotmail.com e fico no aguardo de um retorno dos senhores, certos de que iram reconhecer nossa intenção de exaltar e difundir a importancia da CAPOEIRA.
O samba enredo para esse desfile, que se realizará nos dias 24 e 26/03/2011, pode ser ouvido no video :

{youtube}7eHW4OxaVQg{/youtube}

Justificativa

Diante de um questionamento cultural, a DEU CHUCHA NA ZEBRA vem, no carnaval 2011, prestar homenagem a um dos mais importantes registros de grandeza nacional, a CAPOEIRA. Esta, de mãos dadas com o SAMBA e o CARNAVAL, é uma das maiores expressões de brasilidade, partindo dos nossos laços com a MÃE ÁFRICA. Evoluindo na Avenida Presidente Vargas, cantando e dançando uma das vertentes da natalidade da arte marcial do NOVO MUNDO, através do nosso samba-enredo, nossas alegorias e adereços, na fantasia que vestirá cada um de nossos componentes, levaremos o público a uma viagem desde as savanas africanas, passando pelas senzalas na escravidão, pelos portos do Rio de Janeiro, pelo Pelourinho em Salvador, até chegar à conclamação da capoeira angola como marca cultural do nosso país.

É a partir dessa importância cultural que nossa escola atravessa o tempo e vai buscar na Angola pré-colonial uma das vertentes históricas contadas para a origem da capoeira, a transformação da dança ancestral N’golo na arte marcial brasileira.
Além disso, assim como o N’golo e a Capoeira, essa história tem total identificação com a alvinegra de Uruguaiana, que tem no seu nome e em seu símbolo, exatamente a ZEBRA, que é N’golo num dos mais importantes dialetos africanos.

Sinopse do Enredo

É noite na savana africana.

Brilha a lua no céu da Ilha de Lubango para o ritual começar. Está tudo pronto na aldeia dos “Mucopes”. “Efundula”, eis a festa da puberdade, hoje é dia de menina virar mulher. Vamos beber e comemorar, que a dança das zebras já vai começar!
“N´golo”! Uma roda de meninos é formada e quem a luta vencer, a menina que quiser poderá escolher. A luta se inicia! Coices e cabeçadas, golpes singulares aos movimentos das zebras, são aplicados no adversário. O verdadeiro guerreiro triunfará, podendo assim, o coração de sua virgem preferida, conquistar.

Um dia, porém, o povo africano vê a sua vida mudar. Por volta de 1484, os portugueses se instalam na região e, já em 1559, unem os reinos de Matamba e Ndongo para a fundação do Reino de Angola. Exploradores caçam recursos, e encontram o bem mais valioso da Mãe África, seus negros filhos.
A partir de então, os africanos foram escravizados e trazidos para o solo brasileiro por navios que rasgavam mares de incertezas. Traziam em seu peito as festas, tradições, rituais e religiões, buscando adaptá-los da melhor maneira possível à realidade a qual estavam vivendo.
Portanto, trouxeram também para o Brasil resquícios do N´gobo, o qual passou a utilizar como uma forma de defesa à escravidão. A dança das zebras se transforma! É luta pela honra e pela dignidade do negro sangue africano! Era preciso saber se defender, tanto na chegada aos portos de Salvador e do Rio de Janeiro, quanto nas plantações e engenhos de açúcar.

A prática das manifestações culturais dos negros africanos estava sofrendo diversas imposições dos senhores de engenho, o que os levou a buscar um espaço mais escondido para a prática do N´golo e outras danças. Buscaram inspiração na herança deixada pelos índios, os quais possuíam uma técnica agrícola chamada de Kapu’era, que significava cortar bem baixo o mato para uma próxima plantação, “mato que foi e nasce de novo”, em Tupi. Os africanos, então, elegeram a área da Kapu’era para a realização do N´golo.

A partir dessa mistura, da cultura indígena com uma manifestação africana, surge a Capoeira, a arte marcial brasileira.
Essa história só pôde ser conhecida através do encontro no Pelourinho entre Mestre Pastinha, um dos mais famosos capoeiristas de Salvador, com um pintor de Angola, Neves e Souza. Este afirmava a existência de uma dança semelhante à capoeira na África, explicando toda essa história que fora contada. O encontro, porém, não obteve a repercussão esperada por Mestre Pastinha, já que, com seu falecimento, não conseguira deixar registros da história N´golo da Capoeira Angola.
Entretanto, o pintor transfere seus conhecimentos para Câmara Cascudo, pai do folclore brasileiro, que passou a divulgar em seus livros a, até então desconhecida no Brasil, teoria da influência do N´golo na capoeira.

Os esforços de Mestre Pastinha, do pintor Neves e Souza e do folclorista Câmara Cascudo não foram em vão. Já a partir da década de 80, há um crescimento dos capoeiristas “angoleiros”, que elegiam a dança da zebra o seu estilo, reafirmando a força ancestral angolana.
As listras das zebras conquistam o país, e o mundo passa a ver a Capoeira Angola como uma marca cultural de nossa nação.
Então, venha com a Deu Chucha na Zebra aplaudir a união Brasil e Angola na celebração da cultura afro-brasileira.
Para festejar, entre nessa roda! Toque o atabaque e o berimbau!

É N’golo! É a Capoeira Angola!
É a Dança da Zebra!

Autoria: Walter Nicolau
Texto e Desenvolvimento: Walter Nicolau e Gabriel Haddad

Setorização do Enredo

Abertura – “N´golo”! A Dança das Zebras
2º Setor – De Angola ao Brasil
3º Setor – E a mistura deu…Capoeira!
4º Setor – Capoeira Angola, marca cultural brasileira.

Referências Bibliográficas

  • www.angolangolo.com/textos/texto_01.htm
  • http://www.cordaodeourokino.com.br/ngolo.html
  • http://www.enciclopedia.com.pt/articles.php?article_id=1218
  • http://www.girafamania.com.br/africano/materia_angola.html
  • http://www.portalcapoeira.com
  • http://www.rabodearraia.com/capoeira/textos-artigos-capoeira/n-golo-ou-danca-da-zebra.html
  • http://www.suapesquisa.com/educacaoesportes/historia_da_capoeira.htm

África por ela mesma

Em parceria com a Unesco, governo brasileiro lança programa de ensino da história do continente baseado na primeira obra de referência escrita por especialistas africanos

A história da África contada pelos próprios africanos. Esse é o ponto de partida dos novos projetos pedagógicos que pretendem mostrar aos estudantes brasileiros como a trajetória de nosso país está ligada à dos povos que habitam a outra margem do Atlântico.

Em parceria com a Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o governo federal está lançando um programa de ensino baseado na História geral da África, coleção em oito volumes lançada pela Unesco em 1981. A obra coletiva foi escrita por mais de 350 especialistas, dois terços deles africanos, e é o mais completo estudo sobre o passado do continente já publicado. 

A série já foi traduzida integralmente para o inglês, o francês, o árabe e o espanhol. Uma versão resumida foi lançada no Brasil entre 1982 e 1985, mas a edição está atualmente esgotada no país. Para suprir essa carência, os oito volumes da coleção estão sendo traduzidos e reeditados no Brasil e não serão vendidos, mas distribuídos para bibliotecas, universidades públicas e outras intituições de ensino. Uma versão digital da obra em breve estará disponível na internet. 

A coleção vai servir de fonte para a formação de educadores responsáveis por difundir o conhecimento sobre o assunto para estudantes brasileiros desde a educação básica até o ensino superior. “A obra é de grande importância e peculiaridade”, diz Marilza Regattieri, oficial de projetos em educação da Unesco. Ela lembra que a Lei 10.639, que tornou o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana obrigatório nas escolas, foi sancionada em 2003.

 

* Heloísa Broggiato é jornalista, tradutora, cientista política e mestre em política internacional e segurança pela Universidade de Bradford, na Inglaterra

LIVRO BRASIL, NEGRO POR DECENDÊNCIA

Esta obra, visa levar ao conhecimento dos leitores, acontecimentos que marcaram nossa cultura, durante o período escravista e visa esclarecer o comportamento estabelecido pelos colonos portugueses, políticos, e ate mesmo pela igreja. Atos e conseqüências que levou a construção de projetos de leis, algumas aprovadas e cumpridas, outras vetadas. Leis estas contraditórias que gerou atos enlouquecentes para com a sociedade constituída por afro-descendentes.

Povo guerreiro, enviado ao Brasil como escravos, foram vendidos como mercadoria, procedentes de países como Angola, Benguela, Cabinda e Moçambique entre tantos outros. Ao chegar aqui, construíram historia, incrementaram a culinária brasileira, trouxeram alimentos como; a manga, o coco, o jerimum, a galinha d’angola, o azeite de dendê entre tantos outros que constitui necessários ao padrão de vida do consumidor brasileiro. Inovadores e criativos eles foram. Adaptaram aqui, formas de sobrevivências, como por exemplo: as vendas ambulantes, de verduras, peixes, roupas, calçados e artesanato. Costumes que ainda podem ser vistos pelas ruas do Brasil. Tudo isso se da devido à herança cultural deste povo.

Colaboradores da colonização do país, e com a miscigenação dos brasileiros, a constituição do mulato, cor em que o brasileiro é identificado quase em toda sua maioria. Introduziram palavras dos dialetos africanos na língua portuguesa, herdada da presença dos portugueses no Brasil em seu descobrimento no século XV.

Salve! Salve! Os índios, importantes edificadores de nosso país, grande influenciadores na culinária brasileira, com diversos alimentos como; a mandioca, o milho, a batata-doce, o cará, pinhão, cacau, amendoim, palmito, mamão e o caju, estas são parte das influências indígenas na alimentação brasileira.

Foram escravizados antes dos negros africanos, forçados ao trabalho escravo, no período do pau-brasil. Grandes contribuintes com nossa cultura brasileira, suas danças, lutas, costumes, culinária e até mesmo a língua, titulada “tupi-guarani”, que nomeou uma das maiores expressões culturais brasileira, hoje reconhecida internacionalmente, a caa-pu-eera (mato ralo) hoje introduzida como “a capoeira”.

Axé a todos os capoeiras, que bravamente escreveram sua historia no cenário brasileiro, em meio as dificuldades impostas pelo império, e mais tarde, pelo próprio governo, ainda sim sobreviveram e enrriqueceram a nossa cultura, hoje patrimônio do nosso Brasil, e de todos os que se orgulham de ser brasileiros.

Salve! A todos que lutaram bravamente em todas as guerras, como a do Paraguai, e em todas aquelas que passaram despercebida pela sociedade, e que nunca foram reconhecidas pelo poder público. Guerra essa travada entre si próprio, pelo fato de ser descendente de uma classe social menos favorecida, parabéns a todos os brasileiros, índios , africanos e descendentes, que moram nas favelas, nos morros, e que com unhas e dentes, sobrevivem a guerra do dia a dia e da descriminação.

 

Darcy Junior de Aguiar (Cascão)

Cultura e Tradição: Capoeira muda a vida de crianças em Fortaleza

“Exu é o senhor do movimento, então tudo que está quieto e parado ele tenta movimentar, assim é o próprio mundo. Ele tem um chapéu metade preta e metade vermelha”.

O relato continua. “Dois reis que se tratavam como irmãos realizavam sempre um festival de confraternização entre os reinos e Exu passava e presenciava sempre a mesma coisa, todos amigos a vida toda. No festival, os tronos ficavam lado a lado e o povo confraternizando. Em uma festa, Exu se traveste de príncipe e passa no meio dos dois tronos, cumprimenta os reis e some no meio da festa. Eles comentam sobre a beleza e o chapéu do príncipe, no caso Exu disfarçado, e divergem das cores que cada um viu. Para os reis a palavra era incontestável e um deles ficou ofendido daí se agridem e começam um embate que vira uma guerra que dura anos. Quando os dois reinos estão quase destruídos, os reis sentam para negociar uma trégua e Exu refaz o trajeto ao contrário e cumprimenta novamente. Os reis vendo cores contrárias do que viram da primeira fez, se voltam um ao outro pedindo desculpas e selando a paz novamente”. Essa história reflete a composição da dialética, a tese, a antítese e a síntese. É a sabedoria africana contada pelo Mestre Armando Leão ao grupo de crianças que fazem parte da Capoeira Angola e moram no Campo do América em Fortaleza.

Angola no Campo do América

Os instrumentos são os mesmos, mas a dança da Capoeira Angola é diferente da Capoeira Regional. A Angola é constituída por movimentos complexos misturando ritmo e luta, sendo o estilo que mais se aproxima da forma dançada pelos negros africanos. A expressão cultural chegou ao Campo do América após relatos da realidade vivida pela comunidade, que é cercada pelos prédios de luxo da Aldeota e que divide espaço com alguns problemas sociais como drogas, exploração sexual na Avenida Beira-Mar. A atividade despertou a curiosidade entre as crianças que além de aprender Capoeira, têm também aulas de arte e cultura africana através de uma linha pedagógica, com base na contação de histórias.

O Mestre Armando afirma que muitos quando chegam pra conhecer a Capoeira Angola, trazem a ideia do senso comum da existência de uma única capoeira e alguns se decepcionam porque querem dar saltos entre outros golpes, então quando percebem que o ritual é diferente ficam frustrados.

Durante as aluas, as crianças aprendem a tocar os instrumentos de percussão (reco-reco, agogô, pandeiros, berimbaus – gunga, médio, viola – e atabaque). A ladainha cantada e a dança são ensaiadas e assim se preparam para além de viver com a influência dos ensinamentos africanos também se apresentarem em eventos.

Adversidade para a realização do trabalho

A iniciativa de ensinar esses valores não é algo fácil, já que a realidade de Fortaleza se configura em um cenário em que igrejas católicas e protestantes disputam os fiéis e criticam a prática da Capoeira Angola atribuindo ser “coisa do demônio”. Além disso, existem as dificuldades financeiras que o grupo enfrenta para manter o mínimo de estrutura. Mestre Armando diz que não existe perspectiva de ser um projeto social com apoio institucional. O que conseguiram até agora foi resultado da coletividade e algumas atividades financeiras que propiciaram a compra dos uniformes padronizados da Capoeira Angola (calça preta e blusa amarela). O grupo realizou passeios culturais onde as crianças já conheceram os museus ao redor do Dragão do Mar, visitaram um projeto no bairro Serviluz que desenvolve trabalho de fotografia com crianças, Praça Adahil Barreto e a Praça Luiza Távora (Pracinha da Cearte).

Histórias de infâncias roubadas

Algumas realidades vistas no local são de abandono. Porque os pais têm que trabalhar, muitas crianças passam parte do dia nas ruas por não ter nenhuma atividade e ficam sujeitas a todos os tipos de violências e assédios. Há muitas crianças com um potencial de agressividade por consequência da falta de oportunidade ou por não conhecer carinho familiar. Todas, porém, convivem com a propaganda da vida de luxo de alguns que moram nos prédios da vizinhança. São relatos que para o Mestre “afasta o diálogo entre os pais e filhos e com as rodas de conversa durante a Capoeira aos poucos vai contribuindo para o retorno dessa aproximação, tendo em vista uma convivência mais harmoniosa e respeitável,” enfatiza.

Após as aulas que acontecem na Matriz Criativa Núcleo de Ação e Desenvolvimento, as crianças são levadas em casa e o Mestre conversa com os pais sobre a criança ou sobre algo que possa vir a contribuir com o desenvolvimento psicológico e afetivo. O Mestre relata que uma vez foi à casa de uma aluna que, por volta de três horas da tarde, estava sem ter ingerido nenhum alimento. Ao perguntar por que ela ainda não tinha se alimentado, ela respondeu que se alimentava sempre depois que a mãe chegava do trabalho após as cinco horas ou quando um tio levava alguma coisa. Histórias de vida como essa, de crianças que crescem com dificuldades em meio às ofertas do tráfico, fazem parte do cotidiano do Campo do América. Isso para o Mestre Armando é um desafio para se desconstruir e é possível através dos ensinamentos africanos e da prática da capoeira.

Absorção de conhecimento

Além da dança e da música, as crianças escutam as histórias e podem recontar em outras aulas e assim os conhecimentos são repassados. E uma dessas ferramentas é a encenação, metodologia que, segundo o Mestre Armando, contribui para estimular a imaginação infantil. Ele relata que muitos quando escutam histórias sobre Ogum, Olorum entre outras, identificam-se e isso faz com que eles entendam a dinâmica do mundo a partir de outra visão.

Para o Mestre Armando o trabalho por ele desenvolvido é uma necessidade religiosa e ancestral, um dever que tem de repassar os seus conhecimentos. “Os alunos precisam saber viver bem, concebendo a capoeira. Todo esse esforço é para que isso influencie na vida das crianças e que elas consigam viver daqui pra frente a partir da tradição da Capoeira Angola”, conclui.

De Fortaleza,
Ivina Carla (Acadêmica de Jornalismo)

http://www.vermelho.org.br

A dança da zebra

As semelhanças são impressionantes. Será que foi do  “n’golo” jogo de combate angolano, que nasceu a nossa capoeira?

A origem da capoeira sempre foi controvertida. Mestre Pastinha (1889-1981), um dos mais famosos capoeiristas da Bahia, durante muito tempo pensou que a ginga que aprendera desde criança provinha de uma mistura do batuque angolano e do candomblé dos jejes, africanos da Costa da Mina, com a dança dos caboclos da Bahia. Mas, por falta de mais conhecimentos, não podia ir muito além dessa afirmação.

Isso até a década de 1960. Foi quando uma revelação mudou completamente suas idéias sobre as origens da capoeira. À frente de sua academia, situada no Pelourinho, em Salvador, Pastinha recebeu a visita de um pintor vindo de Angola. Chamava-se Albano Neves e Sousa e afirmava que tinha visto na África uma dança semelhante ao tipo de capoeira que o mestre baiano ensinava. Só que lá chamava-se n’golo.

Até então, ninguém por aqui tinha ouvido falar de nada semelhante. A memória oral não registrava nenhuma prática ancestral específica. Muitos afirmavam, e continuam afirmando, que a capoeira teria sido inventada pelos escravos nas senzalas. Outros, que teria sido criada pelos quilombolas em sertões distantes. Estudiosos têm ressaltado o caráter urbano da capoeira, pois as fontes do século XIX só  documentam sua prática por escravos africanos e crioulos (negros nascidos no Brasil) em cidades portuárias, como Rio de Janeiro e Salvador. Naquela época, era uma “brincadeira” proibida, e a grande maioria dos africanos presos por “jogar” capoeira no Rio de Janeiro era originária da África centro-ocidental, das “nações” Congo, Angola e Benguela. Em Salvador, a capoeira também era identificada como uma “brincadeira dos negros angola”. Por essa razão, faz realmente sentido buscar as raízes da capoeira na região dos atuais Congo e Angola.

O n’golo, explicou Neves e Sousa ao velho capoeirista, é dançado por rapazes nos territórios do sul de Angola, durante o ritual da puberdade das meninas. Chamado de mufico, efico ou efundula, esse ritual marca a passagem da moça para a condição de mulher, apta a namorar, casar e ter filhos. É uma grande festa em que se consome muito macau, bebida feita de um cereal chamado massambala. O objetivo do n’golo é vencer o adversário atingindo seu rosto com o pé. A dança é marcada pelas palmas, e, como na roda de capoeira, não se pode pisar fora de uma área demarcada. N’golo significa “zebra” e, de fato, alguns movimentos, em particular o golpe dado pelo pé, de costas e com as duas mãos no chão, parecem mesmo com o coice de uma zebra.

Os registros e a argumentação de Albano eram bastante convincentes. Se os africanos escravizados nas Américas lograram, apesar de condições terrivelmente adversas, adaptar suas religiões e seus rituais, assim como suas festas e danças de umbigadas, não seria lógico que também trouxessem para cá seus jogos de combate e suas artes marciais? Sabe-se que os exércitos congolês e angolano eram formados por guerreiros exímios na luta corporal. Vários cronistas destacaram a habilidade com que eles evitavam golpes, jogando o corpo para o lado de maneira imprevisível e confundindo o adversário.

Ainda que muitos dos africanos escravizados conhecessem as artes da guerra, a maioria se dedicava à agricultura ou à pecuária antes de ser aprisionada e embarcada à força para as Américas. Os povos pastores de Angola, em particular, por causa da necessidade de proteger o gado que tangiam contra eventuais gatunos,  desenvolveram técnicas de combate individuais, sabendo manejar paus e outras armas contundentes contra os inimigos.

Os cronistas coloniais não forneceram descrições pormenorizadas das técnicas nem dos rituais desses antigos jogos de combate, o que torna impossível qualquer tentativa de aproximá-los da capoeira como hoje a conhecemos. Os significados culturais desses rituais também mudaram ao longo dos séculos, acompanhando a intensa transformação socioeconômica  e cultural por que passou a África a partir do século XVII. Até as fronteiras étnicas foram redesenhadas antes que se chegasse à configuração atual. Assim, todas as manifestações que porventura existem hoje em Angola são expressões contemporâneas, e só  têm relações tênues com os jogos de combate do tempo do tráfico negreiro.

Infelizmente, Mestre Pastinha, por ocasião da visita de Albano Neves e Sousa, já estava com a vista comprometida por uma catarata – aliás, nunca operada por falta de recursos. Isso limitava muito qualquer plano seu de divulgar a recente descoberta. Chegou a contar a história que ouviu para seus alunos mais próximos, mas não deixou nenhum registro escrito sobre o n’golo. Nem seu livro Capoeira Angola, publicado pela primeira vez em 1964, nem seus diversos manuscritos, por serem anteriores ao encontro com o pintor luso-angolano, mencionam a “dança da zebra”. Mas Albano Neves e Sousa conseguiu convencer outros brasileiros de sua teoria, entre eles o então presidente da Sociedade Brasileira de Folclore, Luís da Câmara Cascudo (1898-1986).

De volta a Angola, Neve e Souza organizou, em 1966, a exposição “…Da minha África e do Brasil que eu vi…”, com o material de suas viagens aos países de língua portuguesa dos dois lados do Atlântico, apontando semelhanças entre expressões culturais africanas e dos negros brasileiros. No prefácio do catálogo da exposição, Câmara Cascudo mencionava que o pintor “viu a ginástica do n’golo, batizada em ‘capoeira’”. O renomado folclorista seria o primeiro a divulgar no Brasil a teoria do n’golo como luta ancestral da capoeira. Ele conhecera Albano Neves e Sousa durante uma viagem a Angola em 1963, e daí nasceu uma amizade cultivada por correspondência durante muitos anos.

Depois de sua viagem ao Brasil e de seu encontro com a capoeira, o pintor explicou a Cascudo, numa longa carta, suas idéias sobre as origens dessa arte. O folclorista potiguar encampou a teoria, tanto que citou longos trechos da carta do pintor no seu livro Folclore do Brasil (1967) e incorporou a explicação no seu Dicionário de Folclore (1972, 3ª ed.). Baseado nas informações fornecidas pelo amigo, Cascudo deu mais detalhes sobre a dança da zebra e sua trajetória até se transformar em capoeira. Explicou que o n’golo seria típico entre os povos pastores do sul de Angola. O ritual era precedido por uma luta de mãos abertas, a liveta. O jovem que ganhasse no n’golo teria o direito de escolher sua noiva entre as meninas recém-iniciadas, sem ter de pagar dote. Cascudo sugeriu que o n’golo teria chegado ao Brasil através do porto de Benguela.

Aqui, essa tradição tribal se transformara em instrumento de defesa e ataque de bandidos. Na edição, ele incluiu três desenhos do n’golo, feitos por um artista de Natal com base na obra de Neves e Sousa. Os esforços conjuntos do pintor, do folclorista e do velho capoeirista para resgatar o vínculo ancestral ligando a capoeira a Angola acabaram dando resultado.

Os desenhos originais de Neves e Sousa só foram publicados em 1972, num livro com o mesmo título da exposição de 1966. A epígrafe é significativa: “Digam o que disserem… Se Portugal foi o Pai do Brasil, Angola foi a Mãe Preta que o trouxe ao colo!” Reúne elaborados a partir dos esboços e aquarelas feitos no campo durante vinte anos, acompanhados de pequenos textos explicativos.

Algumas imagens evidenciam semelhanças surpreendentes entre a capoeira e o n’golo, como o uso de golpes com os pés enquanto as mãos se apóiam no chão (chamado na capoeira de “meia lua de compasso” ou “de rabo-de-arraia”), muito raro em outras artes marciais. Recentemente, surgiram mais evidências desse parentesco. A viúva de Albano revelou esboços e aquarelas inéditos, que ilustram estas páginas. Eles mostram detalhes adicionais do n’golo: o apoio nos braços com uma perna dobrada e a outra esticada para dar um golpe, por exemplo, é idêntico à movimentação na capoeira. E a postura de defesa, com um joelho dobrado e outro esticado, é muito parecida com a “negativa” dos nossos capoeiristas. Como esses movimentos parecem existir somente em jogos de combate da diáspora dos povos bantos, permanece relevante o vínculo ancestral entre o n’golo e a capoeira brasileira.

O livro de 1972 foi publicado numa pequena edição caseira e circulou pouco na época. Mas as imagens do n’golo – muitas vezes circulando via fotocópia de fotocópia – ficaram famosas entre os capoeiristas. O estilo de capoeira angola, que chegou a ser considerado em extinção na década de 1970, experimentou um extraordinário crescimento depois da morte de Mestre Pastinha. Uma nova geração de capoeiristas “angoleiros”, liderados por Mestre Moraes e o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho – GCAP, revigorou o estilo a partir de 1982. Alunos mais antigos de Pastinha, como os mestres João Pequeno e João Grande, lembravam ocasionalmente a história do n’golo, mas não de maneira categórica, como seria feito por Moraes e seu grupo. O GCAP escolheu a dança da zebra como símbolo do estilo, porque representava bem a ancestralidade angolana da sua arte e também ia ao encontro das afirmações do movimento negro sobre a importância da cultura africana na formação do Brasil.

A partir da década de 1990, o n’golo e as listras da zebra têm figurado nos logotipos e nos websites de muitos grupos de capoeiristas, assim como nas camisas e nos brindes distribuídos em seus eventos. Os detalhes fornecidos por Cascudo e os desenhos de Neves e Sousa, repetidos e reproduzidos inúmeras vezes,viraram referência obrigatória no meio. O n’golo acabou por transformar-se num mito de origem, numa “tradição ancestral”.

No entanto, trata-se de um mito no mínimo questionável. Para começar, não foi transmitido pelos mestres africanos aos seus alunos brasileiros via tradição oral. Aceitar literalmente o mito implica, além disso, um tremendo anacronismo, ou seja: como pode uma manifestação documentada apenas no século XX ser “a origem” de uma capoeira que existe pelo menos desde o início do século XIX? Pensar que o n’golo teria sobrevivido inalterado  desde a época do tráfico negreiro é ignorar as profundas mudanças pelas quais passaram as sociedades do território angolano nesse período.

Surpreende que hoje, em Angola, o n’golo seja completamente desconhecido, assim como seu papel como mito fundador da capoeira. Devido à longa guerra civil que vitimou o país e todas as transformações das últimas décadas, ninguém mais dança, por exemplo, o n’golo de tchincuane (tanga de couro), como foi retratado por Neves e Sousa meio século atrás. Talvez o mais correto seja imaginar o n’golo e as outras lutas e jogos de combate ainda existentes na Angola contemporânea como primos mais ou menos distantes da capoeira brasileira. Findo o tráfico negreiro, as técnicas de combate corporal que existiam dos dois lados do Atlântico teriam evoluído em direções diversas, o que explicaria não só suas semelhanças, mas também suas tremendas diferenças.

MATTHIAS RÖHRIG ASSUNÇÃO é professor de História na Universidade de Essex, Inglaterra, bolsista da CAPES em 2007 e autor de Capoeira. The history of an Afro-Brazilian martial art (Routledge, 2005).

COBRA MANSA (CINÉSIO FELICIANO PEÇANHA) é mestre de capoeira angola e criador da Fundação Internacional de Capoeira Angola (Fica).

 

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional – http://www.revistadehistoria.com.br/

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