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Capoeira: Esporte Olímpico ???

A capoeira como sabemos, não pode ser interpretada de forma simplista e reducionista. Dentre as suas várias possibilidades, ela pode ser caracterizada como jogo, luta, brincadeira, dança, arte, cultura, filosofia, educação. Alguns a consideram também como esporte. A riqueza de referências contidas na capoeira, permite essa diversidade de interpretações.

Gostaria de tecer aqui, algumas considerações sobre a caracterização da capoeira como esporte. Antes de mais nada, é preciso também esclarecer que o fenômeno “esporte” também possui vários sentidos e possibilidades de interpretação. O esporte tanto pode ser visto como atividade voltada para o lazer, visando a busca pela saúde e a educação das pessoas, o desenvolvimento da cooperação e da sociabilidade daqueles que o praticam, como também pode ser visto como uma prática altamente competitiva, excludente, discriminatória (pois só os mais fortes e habilidosos tem vez) em busca da vitória “a qualquer custo”, ou seja, mais um produto dessa nossa cruel sociedade capitalista.

Pois é, aqueles que defendem a capoeira como esporte, têm que deixar claro a que tipo de concepção de esporte estão se referindo. Se for a uma concepção de esporte que busque a integração, o prazer, a inclusão, a socialização das pessoas, aí então posso concordar com essa visão. Mas do contrário, sou muito crítico àquela visão que associa a capoeira ao esporte competitivo, onde campeonatos são organizados para se eleger o melhor, o mais forte, o mais habilidoso, o mais acrobático, onde juízes e regras vão transformando a alegria e espontaneidade de um jogo de capoeira, num clima tenso e pesado onde é travada uma batalha feroz e muitas vezes violenta.

A capoeira não pode ser reduzida a isso !  Gosto de ver um jogo de capoeira onde as pessoas sorriem e se divertem jogando. Onde há espaço para uma brincadeira marota, uma dissimulação, uma mandinga, uma “gaiatice” como se diz aqui na Bahia. Me pergunto como isso seria julgado por um juiz num desses campeonatos ? Quantos pontos valeria uma mandinga ou uma gaiatice de um capoeira malandro ? Por que um jogo de capoeira tem que ter um perdedor e um ganhador ?  Quem vai estabelecer os critérios do que é bom e o que é ruim num jogo de capoeira, para se definir a pontuação ?  É possível alguém definir isso em se tratando de uma prática tão complexa, rica e diversa como a capoeira ???

Nessa direção, muito me preocupa um certo movimento de querer transformar a capoeira em esporte olímpico. Aí seria, na minha opinião, a sentença de morte para a capoeira enquanto livre expressão do povo brasileiro. A capoeira tem beleza e valor, justamente por possuir essa diversidade, essa espontaneidade, essa alegria. No momento em que enclausurarmos a capoeira dentro de regras internacionais rígidas e competitivas – pois é isso que se exige de um esporte olímpico – a capoeira estará sendo destituída de seus elementos mais ricos, mais belos, estará perdendo a sua alma !!! Se o saudoso mestre Pastinha por aqui estivesse, certamente iria bradar contra isso.

Certo dia desses, fui convidado a um evento de capoeira onde, entre outras atividades, houve um campeonato. Fiquei observando de longe as reações, o clima de tensão, os semblantes fechados, as adversidades e as animosidades que aquilo tudo produzia nas pessoas que participavam do tal campeonato. Mas tive certeza mesmo dos malefícios que aquilo trazia, quando presenciei o choro inconsolável de uma menina de 10 anos, que perdera a final para uma outra menina um pouco mais velha. O jogo bonito que ela apresentou não lhe serviu de nada. A garota mais velha, para os juízes, foi mais “agressiva”. A medalha foi para ela !!!

É nisso que queremos que a nossa capoeira se transforme ????

Nota de Falecimento: Mestre Negão

Domingo, dia 29 de agosto, partiu para outro plano o querido Mestre Marcio Alexandre Sebastião, mais conhecido como mestre Negão.

Foi um dos precursores da capoeira e Dança Afro em BH/MG.

Fica aqui nossa homenagem a este senhor que nos ensinou a ter garra, fé e alegria na vida, apesar dos obstáculos.

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O Canto da Mulher na Capoeira

Está em fase de produção o CD O Canto da Mulher na Capoeira, gravado exclusivamente por mulheres capoeiristas, professoras e alunas da ABADA Capoeira.

A idéia pioneira surgiu durante o Encontro Feminino ABADA Capoeira, realizado em maio deste ano e, graças a união e a determinação das mulheres envolvidas, a iniciativa foi levada a diante, com a escolha das letras, ensaios e, enfim, a gravação do CD em estúdio, no último sábado, dia 24 de julho, conforme informação do blog oficial da ABADA. 

O Canto da Mulher na Capoeira vem reduzir a lacuna que tanto lamentei no início do mês no texto A ausência de vozes femininas na Capoeira, portanto é com muita alegria e satisfação que recebi e repasso esta notícia, na expectativa de muito sucesso para as novas cantadoras.

Ainda não foi informada uma data para o lançamento do CD, mas após lançado, O Canto da Mulher na Capoeira poderá ser adquirido a R$ 30 cada.

 

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

A mão que afaga é a mesma que apedreja – Ascensão e decadência do trio elétrico

Fim do século XIX, a Bahia testemunha uma mudança de costumes na sua maior festa popular. Estou me referindo ao nascimento do carnaval e à morte do entrudo. Se o preconceito e a segregação social além da violência física eram as notas destoantes desta manifestação de origem portuguesa, o carnaval recebe este dote como herança e até intensifica o seu caráter hierarquizado concebendo, porém, novos paradigmas lúdicos, estéticos e capitalistas. No entrudo, negros “brincavam” ao lado de brancos, e estes podiam atingi-los com as famosas laranjinhas, farinhas, água fétida e toda a sorte de armas podres, enquanto aqueles só poderiam fazê-lo entre si. Já no carnaval do início do século XX, a “inconveniente” presença dos afrodescendentes e pobres foi alijada do nobre circuito do corso, (onde o préstito trazia a “nata” da sociedade baiana em suntuosos desfiles), e nem sequer imaginada nos seletivos bailes dos salões do Teatro São João, Teatro Politeama, Cruz Vermelha e Fantoches da Euterpe. Formaram-se (a exemplo de hoje) dois circuitos distintos no carnaval de Salvador.

Na Rua do Palácio (hoje Chile) acontecia bem comportado o desfile eurocêntrico dos citados clubes e na Baixa de Sapateiros a farra de entidades negras como Guerreiros d´África, Embaixada Africana, Pândegos d´África, evocando e reverenciando suas origens. Dentro deste contexto é que surge em 1950 um elemento que vem promover uma mudança radical na forma de se brincar o carnaval: o trio elétrico. Fruto da musicalidade baiana vindo através da genialidade inventiva da dupla Dodô e Osmar, ele é concebido no início da década de 50. Esta genial criação mais tarde viria a se tornar a marca registrada do carnaval de Salvador, e modificaria por completo e para sempre a estrutura da folia. Sem pedir licença, de forma irreverente e tendo um forte compromisso com a alegria, a dupla Dodô e Osmar à revelia de tudo e todos destrói o “status quo” vigente e decreta a democracia no carnaval através da participação coletiva simultânea onde negros e brancos, ricos e pobres tinham algo em comum: pulavam atrás do trio.

Como bem colocado pelos seus próprios criadores referindo-se à multidão que o acompanha, “pula gente bem, pula pau-de-arara, pula até criança, e velho babaquara” ou mais sinteticamente como Caetano “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”. Este caráter libertário e unificador lhe confere a primazia de efetivamente ter uma atitude conseqüente contra o preconceito e a segregação social e racial no nosso carnaval ainda que não de forma intencional, pois, o único objetivo dos seus criadores era o entretenimento pessoal e a diversão da massa.

A preferência por essa nova forma de se brincar no outrora plural carnaval de Salvador veio se acentuando a partir da década de 50 atropelando tudo e todos que não se rendessem aos seus acordes contagiantes. Entidades carnavalescas como Escolas de Samba, Blocos de Índio, Afoxés, Cordões e Batucadas foram gradativamente se não extintas, quase desaparecidas. Sua atuação quase hegemônica, monopolizando a preferência e atenção popular e divulgando nacionalmente o carnaval de Salvador, veio em fins da década de 70 e início de 80, aprisioná-lo nas cordas dos blocos que já vislumbravam o seu poder como elemento facilitador de apropriação de capital. Estes, em seu favor, abdicaram no tradicional sopro e percussão, iniciando um processo no qual o trio passaria a ser uma propriedade particular, reconduzindo às ruas uma hierarquia social, econômica e racial perdida no tempo, contribuindo sobremaneira para a atual privatização desregrada do espaço público. O trio libertário, servo e promotor do prazer, passou a ser refém da sua própria alegria e reescreveu a história dividindo de novo os foliões que outrora ele juntou num caldeirão de euforia, em associados e pipocas, pobres e ricos, negros e brancos. Virou passarinho cantando na gaiola para quem poder pagar mais.

Dentro desta lógica capitalista, os antigos grilhões por ele arrebentados na década de 50 são, por seu intermédio, recolocados no povo. O trio ocupou o lugar de agente da discriminação, da segregação e do preconceito a serviço das elites econômicas e seus “podres poderes” legalmente constituídos. Perde o significado a assertiva de Moraes Moreira, quando este diz em uma das suas composições em comemoração aos 25 anos do trio, se referindo ao nosso carnaval “É o lugar do mundo inteiro que se brinca sem dinheiro, basta só existir e na vida passar um Trio Elétrico de Dodô e Osmar”. A cor da pele, a posição social, endereço nobre (ou pobre) voltaram a fazer diferença. A alegria do trio agora tem preço (caro) e nome: Eva, Cheiro de Amor, Camaleão… Ele que antes era do povo, para o povo e pelo povo, hoje é classificado como “de bloco” e “independente”. Independente… Porreta essa!!! É de fazer Dodô e Osmar se arrepiarem e revirarem no túmulo.

Início do século XXI, o “agente da alegria”, refém (sem direito a resgate) do poder econômico, massifica uma padronização estética que empobrece e privatiza a festa e sufoca, ou melhor, aniquila a criatividade popular. Esta padronização é responsável pelo que o Profº Joaquim Maurício Cedraz Nery chama de militarização do carnaval, que se caracteriza pela presença do uniforme (abadá), da quase uniformidade do ritmo (axé, pagode), das evoluções coreografadas no percurso, da posição na fila e revezamento do comando (mesmos “cantores” atuando em todos os “regimentos”, digo, blocos). Este novo modelo de carnaval tem no turismo seu mais recente e rentável filão econômico, um promissor caminho para a sua esclerose e autofagia.

Pois é leitores, o paraibano Augusto dos Anjos (chamado o poeta do mau gosto) está coberto de razão quando diz: “O beijo, amigo, é a véspera do escarro, a mão que afaga é a mesma que apedreja”. Está aí o trio elétrico que não lhe deixa mentir… Já se disse que o mundo dá voltas, que a história se repete, é cíclica etc., e nós estamos vivos para testemunhar mais uma vez o povo ser usurpado de mais um patrimônio cultural em favor da elite. Pobre folião de Salvador. Pobre carnaval da Bahia!

* O professor Acúrsio Esteves pertence ao quadro da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Salvador – SECULT, e também leciona na Universidade Católica do Salvador

Mande também o seu texto, foto, áudio ou vídeo sobre o Carnaval da Bahia. Pode ser para expressar sua paixão pela festa, mostrar histórias de outros anos ou indicar problemas da folia. Participe!

Acesse: http://www.atarde.com.br/carnaval/foliaoreporter/index.jsf

Nota de Falecimento: Mestre Docinho

Transcrevo,  com tristeza, notícia da morte do amigo Mestre Docinho (Eudóxio Leunir Matos Santos Barbosa), um dos grandes baluartes da organização desportiva da Capoeira no Estado do Pará.
 
Foi professor de Capoeira durante alguns meses no Grupo Rei Zumbi de Capoeira, em  1989, no antigo DEFID, hoje DEAFI, aqui em Belém do Pará.
 
Faço minhas as palavras de despedida do meu amigo Mestre Ferro do Pé: 
 
“Bom dia Mestre Fernando,
É com tristeza (porém tenho multiplicar esta informação), que informo o falecimento de modo súbito, vítimado por ataque cardíaco, do Mestre Docinho no último domingo dia 29.03.2009, sendo que o sepultamento ocorreu no dia 30.03.2009 às 11:00h no cemitério parque das palmeiras em Marituba – Pa.
 
Momentanêamente o Berimbau se cala e o atabaque não ecoa o seu toque, mas, a alegria não pode morrer.   A vida segue seu curso apesar da dor e do lamento,  o toque de Iúna dará lugar a outros toques mais festivos e a irreverência as controvérsias e os saberes do Mestre Docinho embalararão conversas e contos, e a lembrança não morrerá jamais.
 
Axé e crescimento espiritual ao Mestre Docinho.”
 
Ferro do Pé.

Aconteceu: 14 anos de Associação Brasileira de Capoeira Nação Dom Bosco

Dia 26 de abril de 2008, ocorreu o aniversário de 14 anos de Associação Brasileira de Capoeira Nação, no Colégio Dom Bosco em Porto Alegre.

O evento foi organizado pelo Mestrando Paulo Grande, e estiveram presentes seus alunos do colégio Dom Bosco, Maria Auxiliadora, Migrantes, dos projetos sociais Escola Aberta, na Vila Dique e o pessoal do Educandário São Luís, Além de pais e outros convidados. Como Padre Lino da Congregação Salesiana, que prestigiou o evento e ressaltou a importância do trabalho da capoeira na formação e trajetória no desenvolvimento dos alunos no colégio.

Também comemorando 14 anos de capoeira, estiveram presentes os Graduados Cabeleira e Coelho, que começaram com Mestrando Paulo Grande no mês de Abril de 1994 no próprio Dom Bosco.

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A festa foi muito bonita e a empolgante os recém chegados trouxeram alegria e grandes promessas a Capoeira Nação.

Depois de uma roda muito descontraída, a comemoração foi na sala onde são feitos os treinos de capoeira com direito a bolo de aniversário, refrigerantes e muitos sorrisos!

Parabéns ao mestrando Paulo Grande pelo bonito trabalho no colégio Dom Bosco, aos Graduados Cabeleira e Coelho e as crianças que se divertiram e vivenciaram a capoeira!

Axé Nação…

Nota de Falecimento: Vanderley Monteiro Silva (Cabo 7)

Bom dia!

Meu nome é Walace Rocha, capoerista batizado como 100% pelo Mestre Pelé (Associação de Capoeira Casa do Engenho), de Duque de Caxias, Rio de Janeiro.

É com pesar que solicito a este sério site, a informação do óbito de uma das maiores promessas da capoeira carioca no dia 27/10/07, vítima de acidente automobilístico na Estrada de Três Rios. O jovem professor Vanderley Monteiro Silva, 33 anos, muito conhecido no meio da capoeiragem como Cabo 7, motivo de luto e registro, que pelo atropelar dos fatos, muitos de seus admiradores e amigos ainda não sabem.
Que a sua memória seja resgatada em cada roda; que seus amigos tenham sempre a sua alegria e espontaneidade nos treinos e apresentações.

Vanderley Monteiro Silva, 33 anos, muito conhecido no meio da capoeiragem como Cabo 7
Clique para ampliar as imagens…

Desde já agradeço a colaboração, em nome dos Mestres Levy, Pelé e da Associação de Capoeira Casa do Engenho/RJ.

Axé,
100%

Desejamos a toda família e amigos do Cabo 7 muito força e união neste momento delicado da caminhada do ser humano…

Um grande abraço, repleto de muito axé de toda equipe do Portal Capoeira.

Homenagem: Mestre Canjiquinha: “A Alegria da Capoeira”

Homenagem Portal Capoeira

"A Capoeira é alegria, é encanto, é segredo"

Em homenagem à Washington Bruno da Silva (Mestre Canjiquinha), o Portal Capoeira exalta o Mestre, propondo a toda comunidade capoeirística "A ALEGRIA NA CAPOEIRA"

Um mês dedicado a Vida e Obra deste Grande Homem e Mestre de Capoeira.

Dia 25 de Setembro, Canjiquinha iria completar 82 anos, se estivesse "fisicamente vivo"…

Washington Bruno da Silva, nasceu em Salvador (BA), em 25 de Setembro de 1925, filho de D. Amália Maria da Conceição. Aprendeu Capoeira com Antônio Raimundo – o legendário Mestre Aberrê. Iniciou-se na Capoeira em 1935, na Baixa do Tubo, no Matatu Pequeno. "No banheiro do finado Otaviano" (um banheiro público). Filho de lavadeira, Mestre Canjiquinha foi sapateiro, entregador de marmita, mecanógrafo. Dentre outras atividades foi também jogador de futebol (goleiro) do Ypiranga Esporte Clube, além de cantor de boleros nas noites soteropolitanas.

 

Leia mais sobre o Mestre Canjiquinha…

Outras Referências Importantes:

Documento Histórico: Canjiquinha a Alegria da Capoeira

Videos: Aula de Mestre Canjiquinha – 1ª Parte e 2ª Parte

Galeria de Videos:

Mestre Canjiquinha: Circo Voador, Rio de Janeiro, 1984

Entrevista curta com o Mestre Canjiquinha

Capoeira em cena – Mestre Canjiquinha

Na semana de 25 de Setembro, vamos todos formar uma grande roda… Vadiar em homenagem ao Mestre e celebrar os 82 anos de sua "Vida e Alegria para a Capoeira"

É assim que devemos ver… apesar de não estar neste plano, ele continua vivo, na essência da própria Capoeira!!!

Sugestão do Portal Capoeira: Na caixa de Pesquisa do site (localizada na parte superior esquerda) digite: Mestre Canjiquinha e na próxima tela selecione o campo "todas as palavras"

Pernambuco: 10 anos do Centro de Capoeira São Salomão

Quinta-feira (28/06) a partir das 19h00 terá início a mostra de 10 anos do Centro de Capoeira São Salomão na Torre de Malakof. Haverá também uma roda comemorativa com os integrantes do centro e convidados. A mostra ficará até domingo dia 01/07 aberta ao público.
 
Sexta-feira (29/06) a partir das 21h30 teremos um grande arraial no nosso Centro, com o Trio Estrela do baião, um forró pé de serra autêntico para ralar o bucho até de manhã… A entrada é um quilo de alegria (FREE).
 
Levem seus amigos, suas bebidas e comidas. Todos serão muito bem vindos… até lá!
Mestre Mago

PALMARES 18 ANOS: Comemorações e Orquestra de Berimbaus – “Luta pela valorização da cultura afro”

Comemorações oficiais reforçam a luta pela valorização da cultura afro
 
Brasília, 7/11/06 – Com poesia, música e reflexões sobre as conquistas e dificuldades que enfrenta desde a sua criação, a Fundação Cultural Palmares começou, nesta segunda-feira, a comemoração de seus 18 anos. Funcionários, integrantes do movimento negro, políticos e autoridades religiosas compareceram à cerimônia de abertura da festa, chegando a quase 300 pessoas.
 
O diretor de promoção, estudos, pesquisa e divulgação da cultura Afro-brasileira da FCP, Zulu Araújo, foi o primeiro a discursar e ressaltou a importância de a Fundação Cultural Palmares chegar à maioridade, com a conquista de ter “saído das paredes burocráticas” e chegado à Mãe-África. “Apesar de tanto não e de tanta dor que nos invade, somos nós alegria da cidade”, terminou ele, com a poesia de Jorge Portugal Lazzo.
 
Integraram a mesa, representando o ministro Gilberto Gil, o presidente do IPHAN, Luis Fernando; o presidente da Fundação Cultural Palmares, Ubiratan Castro de Araújo; a ministra da Secretaria Especial de Políticas de Igualdade Racial (SEPIR), Matilde Ribeiro; a embaixadora da África do Sul, Linduii Zulu; a desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Neuza Maria Alves da Silva; o deputado federal do PT, Zezéu Ribeiro; e a presidente da Federação Brasiliense e Entorno de Umbanda e Candomblé, Marinalva dos Santos Moreira.
 
“Estamos em família, estamos felizes, porque nós viemos de uma grande vitória”, falou o professor Ubiratan em seu discurso, demonstrando a alegria pelo resultado das eleições. Dos 18 anos de existência da FCP, o professor ressaltou os últimos quatro anos, em que o Brasil teve uma política de solidariedade com a África.  A promulgação do decreto 4.887, que possibilitou o reconhecimento de quase 900 comunidades remanescentes de quilombos até hoje e da lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da história da África nas escolas brasileiras, foi o principal exemplo dado pelo professor.
 
As dificuldades de se trabalhar com um número reduzido de funcionários e de verba não deixaram de ser mencionadas. Mas, acima de tudo, ficou a alegria das conquistas e a certeza de ter mais responsabilidades. “Os 18 anos tem um caráter simbólico. É um momento que se atinge a maioridade e por isso, você passa a ser mais respeitado e mais exigido”, observou Zulu.
 
Depois de seu discurso, o professor Ubiratan entoou a canção “Sorriso Negro” de Dona Ivone Lara, também tocada pelo DVD que contou a história da FCP com fotos do acervo. A noite terminou com o som da orquestra de berimbaus do grupo Nzinga de Capoeira Angola e com o sabor da culinária afro-brasileira.
 
Orquestra de Berimbaus encanta público na abertura oficial
 
ACS/FCP/MinCA orquestra que abriria as comemorações dos 18 anos da Fundação Cultural Palmares só poderia ser a de berimbaus. Nada melhor do que o som que dá o gingado da capoeira para celebrar a cultura afro-brasileira no aniversário da FCP. Assim, após a cerimônia no auditório, todos os presentes puderam assistir à apresentação do grupo Nzinga de Capoeira Angola.
 
Eram 14 pessoas, tocando três tipos de berimbau. O grave, chamado de gunga, que tem a função de comandar a roda; o médio, que não tem nome específico; e o agudo, conhecido como viola ou violinha, que tem a liberdade para improvisar. Além dos berimbaus, compõem a orquestra outros instrumentos de percussão, como o atabaque, o agogô e o pandeiro. O grupo não apenas tocou berimbau, como jogou capoeira durante a apresentação, enchendo a Fundação Cultural Palmares de muito som e ginga.
 
Fundado em São Paulo, há 11 anos, o grupo Nzinga de Capoeira Angola começou apenas se dedicando à capoeira. Mas logo se tornou o Instituto Nzinga de Capoeira Angola e Tradições Educativas Banto no Brasil. O instituto está em Brasília há cinco anos e em Salvador há quatro. Também existem núcleos no México, na Alemanha e em Moçambique.
 
“O objetivo do instituto é de se engajar na luta contra o racismo, promover os direitos humanos e divulgar a cultura afro-brasileira, particularmente a cultura banto”, disse o treinel do grupo de Brasília, Haroldo Guimarães. Ele explica que quando o aluno já tem mais tempo no grupo e mais dedicação, ele se torna um professor, também chamado de treinel, e depois contra-mestre e mestre. “Isso pode ser um caminho de 20 a 30 anos”, disse.
 
Marília Matias de Oliveira, ACS/FCP/MinC – http://www.palmares.gov.br