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Jovem cria jogo de tabuleiro para ensinar história da capoeira a alunos do fundamental

Jovem cria jogo de tabuleiro para ensinar história da capoeira a alunos do fundamental

Jogo discute cultura negra por meio da capoeira

Valores como disciplina, companheirismo e respeito são transmitidos de forma lúdica a estudantes de escolas públicas de Campina Grande

Já pensou em aprender a história da capoeira por meio de um jogo de tabuleiro? Pois é exatamente isso que está acontecendo em algumas escolas da rede pública de Campina Grande (PB). A iniciativa partiu de uma pesquisa acadêmica e mistura arte marcial, dança, música e cultura popular. Essa história você escuta nesta semana no Trilhas da Educação, programa produzido e transmitido pela Rádio MEC.

O projeto, do designer Wagner Porto Alexandrino da Silva, debate a representatividade negra de forma lúdica e intuitiva com os jovens do ensino fundamental. Tudo começou em 2018, quando Wagner estava envolvido com o trabalho de conclusão do curso de design, na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

A partir do trabalho, surgiu a vontade de colocar em prática um projeto sobre representatividade negra. Foi quando ele mergulhou, por meio de pesquisa, no universo da capoeira – e desse contato com a história e tudo que a cercava, teve início a produção do material.

“Pesquisando temas, eu decidi que ia trabalhar com a representatividade negra. Eu sei a importância disso e o quanto isso tem que ser discutido em nosso país”, conta o designer. “Resolvi focar na capoeira. Eu não conhecia a capoeira, não pratico a capoeira, e pesquisando eu vi ainda mais o valor que ela tem para o nosso país, para nossa cultura e para a cultura afro-brasileira.”

Em 2008, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou a capoeira como uma forma de expressão e, em 2014, como Patrimônio Imaterial da Humanidade. A capoeira reúne cantigas, movimentos, músicas e símbolos da herança africana. É na roda de capoeira que os iniciantes são batizados, consagrados e onde se formam os grandes mestres.

Jovem cria jogo de tabuleiro para ensinar história da capoeira a alunos do fundamental Curiosidades Portal Capoeira

Wagner é aluno do curso de Design da UFCG (Foto: Arquivo pessoal)

“Quando entrei em contato direto com a Capoeira, especialistas na área, professores, pesquisadores e obras sobre o assunto, fiquei fascinado. O valor da Capoeira é imenso para o nosso país e para os seus praticantes. Todos deveríamos conhecer ao menos um pouco sobre o que ela representa. Não só a Capoeira como luta, como é abordada tantas vezes, mas, sim, os valores educacionais ali presente, seu contexto histórico, sua musicalidade, as modificações causadas em quem a pratica”.


Paranauê – E foi assim que surgiu o Paranauê. Um jogo que se passa no século dezoito, quando a capoeira era perseguida no Brasil. Para jogar, cada participante assume a identidade de um mestre que precisa montar a sua própria roda de capoeira. Para testar a ideia, Wagner convidou os amigos, vizinhos e crianças conhecidas para jogar. Dessa forma, foi adaptando o jogo até chegar ao conceito final.

Com a metodologia definida, partiu para a prática e apresentou a proposta aos alunos da rede pública de Campina Grande. “Eu levava para as salas de aula. Muitos já tinham tido contato com a capoeira, algumas crianças já a praticavam, e elas se identificaram muito com o projeto”, conta.

Além dos estudantes, os professores e diretores também ficaram encantados com o jogo. Agora, Wagner estuda a viabilidade de produção do material para distribuição nas escolas que se interessarem pela ideia.

 

Fontes:

Portal Correio – https://portalcorreio.com.br/

Assessoria de Comunicação Social – http://portal.mec.gov.br

 

Sugestão de Pauta: Luiz Schumann (Prof. Coqueiro – Senzala)

Escola utiliza capoeira como forma de incentivo ao esporte em Porto Calvo

Alunos realizaram um apresentação do jogo no pátio da escola.
Eles apresentaram ainda o que aprenderam sobre alimentação saudável.

Os alunos da Escola Municipal Domingos Fernandes Calabar, localizada no povoado Mangazala, na cidade de Porto Calvo, vem utilizando a capoeira como forma de incentivo ao esporte. Como parte do projeto ALTV na Sala de Aula, os estudantes realizaram uma apresentação no pátio da escola e apresentaram o que aprenderam sobre a importância de uma alimentação saudável.

Para montar o grupo de capoeira existente hoje na escola, os professores convidaram um mestre. Como a escola fica localizada em uma comunidade remanescente de quilombolas, os elementos que remetem a origem do jogo estão por todos os lados. Já a apresentação, realizada no pátio da escola, contou com a presença dos alunos de ensino fundamental.

“No início ninguém queria fazer, mas com o tempo fomos aprimorando. A capoeira não é só um prática esportiva, mas também uma filosofia de vida.” conta o aluno Jadson Oliveira. Segundo a coordenadora Magda Vanderlei, a ideia era trazer a identidade local à tona junto a prática de exercícios. “Trouxemos também os pais para dentro da escola e eles estão encantados com a participação de seus filhos neste projeto”, afirma Magda.

A prática tem deixado bons frutos entre os alunos da Educação de Jovens e Adultos, que também participam das aulas. “A capoeira é uma dança, não é para praticar o mal, apesar de ser uma luta. A capoeira também é educação, aprendi coisas boas com ela.” partilha o aluno José Márcio César.

Os alunos também apresentaram o que aprenderam sobre o papel das vitaminas e a importância de uma alimentação saudável. “Temos sempre que nos alimentar bem para praticar uma atividade física melhor”, diz um dos alunos. “Estamos aprendendo a importância de cada tipo de vitamina”, conta a aluna Vanessa Maria Gomes dos Santos, do 9º ano.

 

http://g1.globo.com/

Brasileiros revelam como é viver no Havaí e mostram suas atividades

Brasileiros revelam como é viver no Havaí e mostram suas atividades

O que dizer da batucada no Havaí? São alunos de capoeira do paulista Leonardo Naito, que vive no Havaí há 15 anos.

Bem vindos a Waikiki! Conhecida no mundo todo, a praia de Honolulu é também a mais moderna, elegante e cosmopolita do Havaí.

Com mar calmo, hotéis de luxo e inúmeras lojas de grife, Waikiki é sonho de consumo para turistas do mundo todo.

Especialmente os japoneses que estão quase à mesma distância do arquipélago que os americanos do continente.

O que é a bandeira do Brasil está fazendo na areia da praia? A canga foi comprada no Brasil, mas os amigos Maitê e Enos são espanhóis.

E o que dizer, então, da batucada? Agora sim estamos falando português. Mas, entre tantos brasileiros, tem americano no samba.

São alunos de capoeira do paulista Leonardo Naito, que vive no Havaí há 15 anos. Todo fim de semana, chova ou faça sol, o grupo se reúne para treinar.

Edward, o periquito, começou a fazer capoeira a convite de um amigo. Shalina buscava uma atividade para aliviar o estresse das provas da faculdade. Os dois se apaixonaram. E não foi só pela capoeira. Durante os treinos, o casal se reveza para cuidar do filhinho de 11 meses.

Hoje, Leonardo está casado com Patrícia, que nasceu nas Filipinas. E quem vê não imagina. Uma das maiores dificuldades que ela teve na capoeira foi vencer a timidez.

Para Leonardo, mais do que deixar os alunos em forma, a capoeira serve para ensinar um novo estilo de vida.

Uma vez por semana, a rádio estatal do Havaí abre espaço para a música popular brasileira.

Apesar do jeitão e do português perfeito, Sandy não é brasileira. É havaiana. A paixão pelo Brasil começou na infância quando ela ouviu pela primeira vez a música garota de Ipanema.

Depois da faculdade, Sandy foi adiante. Morou três anos no Brasil, quando se casou com o ritmista Carlinhos Pandeiro de Ouro e chegou a cantar nas noites do Rio de Janeiro.

Sandy retornou aos Estados Unidos e não voltou mais a pisar em solo brasileiro. Mas nunca mais perdeu os laços com o Brasil e a paixão pela nossa cultura.

 

Fonte: http://g1.globo.com/

Boas Festas: Mestre Gladson e alunos da Projete Liberdade Capoeira

Queridos amigos Mestres, Contra-Mestres, Professores, alunos e demais entusiastas da nossa CAPOEIRA,

“Desejamos a todos, um findar de ano, onde possamos, de olhos cerrados, olhar para dentro e, fazer um retrospecto de tudo que nos foi oferecido de bom e necessário para o nosso crescimento físico, espiritual e material e, do muito, que pudemos externar aos nossos companheiros desta jornada terrena. Tomara que, na contabilidade divina, não tenhamos débito nos nossos cartões de Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Caridade. E, se assim for, tenhamos em 2014, mais um ano repleto de LUZ DIVINA, onde o DEUS de cada um, nos mostrará sempre, que, não existe pobre tão pobre, que não tenha nada para DOAR e, rico tão rico, que não tenha nada para PEDIR. Portanto, que nos seja dada a possibilidade de olhar ao nosso entorno e, podermos CREDITAR a todos os nossos Irmãos, as benesses iluminadas, que sempre estão ao nosso dispor e, as vezes não conseguimos enxergar. Digo no mais alto brado: Tudo que precisamos enxergar, para a realização do especificado, está no contexto de uma RODA DE CAPOEIRA, onde o ditar do ritmo de nosso Mestre Maior, sempre nos mostram o que é: PAZ, AMOR, CARIDADE, DIGNIDADE, AFETO, RESPEITO, HONESTIDADE, HARMONIA, COMPREENSÃO e, outros quesitos mais, que nos ajudarão a melhorar a Qualidade de Vida do Universo como um todo. ACREDITEMOS.”

Um Feliz Ano Novo, extensivo a todos os seus Familiares,

Grande Abraço e Beijos a todos,

Gladson e alunos da Projete Liberdade Capoeira

 

* Dica do editor:

Visite: http://projeteliberdadecapoeira.com.br/

Bragança Paulista: Projeto Municipal de prática e de Capoeira na rede Municipal de Ensino

Capoerira – Projeto Municipal de prática e de Capoeira na rede Municipal de Ensino termina o ano envolvendo 350 alunos

No último sábado, dia 7, a Prefeitura de Bragança promoveu o encerramento do Projeto Capoeira, desenvolvido em 12 escolas da rede municipal, envolvendo uma média de 350 alunos.

A cerimônia foi realizada no Ginásio Municipal de Esportes Francisco Virgili, na Vila Garcia, e contou com a presença da vice-prefeita e secretária de educação Professora Huguette.

O  evento marcou o batizado, ou seja, a entrega do primeiro cordão aos novatos, além da troca de cordões para os que já foram graduados. Dentro do projeto desenvolvido nas escolas são quatro graduações: cordão verde, amarelo, azul e verde-amarelo.

De acordo com o contra-mestre Mortal, que comanda os trabalhos na rede, este foi o melhor evento desde que começaram as graduações na capoeira, há 4 anos, e enalteceu a presença da vice-prefeita. “É importante salientar e valorizar o apoio que o esporte vem recebendo da atual administração, pois  isto com certeza se reflete no sucesso do projeto e principalmente numa maior participação dos alunos”, reforçou.

As atividades são desenvolvidas no contra-turno das aulas e em sua fala Professora Huguette reafirmou o compromisso com o projeto salientando os benefícios do esporte. ”É uma oportunidade ímpar para que esses alunos entrem em contato com uma parte importante da cultura brasileira, usufruindo dos benefícios da prática de capoeira, que desenvolve a disciplina e o respeito, além de estimular a coordenação motora”, enfatizou a vice.

 

Fonte: http://portalbraganca.com.br

Projeto “Capoeira na escola” comemora 16 anos em Piumhi

Durante esse mês, o Projeto “Capoeira na Escola” comemora 16 anos de existência em Piumhi. O feito surgiu de uma iniciativa do Mestre Zé Reis, vindo de Brasília, e com o apoio do prefeito da época, João Batista Soares, que aceitou o desafio e implantou a novidade.

Zé Reis, na atualidade, ministra aulas de capoeira gratuitamente para as crianças nas escolas municipais de maneira a resgatar a autoestima e cidadania.

No próximo dia 30, a partir das 13h, no Poliesportivo de Piumhi, acontecerá a 10ª Olimpíada Escolar de Capoeira, onde, todas as Escolas Municipais participarão, além da Escola Estadual José Vicente e também do Ciame, de maneira a comemorar a data da iniciativa do projeto.

Esse projeto surgiu devido à necessidade da manifestação de liberdade do cidadão e tem o objetivo de desenvolver ritmo em todas suas formas, bem como trabalhar a desinibição e autoconfiança dos alunos, de maneira a utilizar a capoeira no processo de alfabetização e no aprimoramento da psicomotricidade dos alunos.

Esta proposta fundamenta-se no fato de que a capoeira é um instrumento de educação, privilegiadamente também aborda a cultura nacional.

 

Fonte: Clic Folha – http://www.clicfolha.com.br

Bahia – Histórias de Resistência: Mestre de capoeira enfrenta desafios para preservar herança africana

João Carlos Lopes Almeida é o cordão branco do grupo Kilombolas, nome que faz referência a outro tipo de resistência do povo negro

João Carlos Lopes Almeida, 47 anos, funcionário público, ou simplesmente João do Morro, mestre de capoeira. O cordão branco do grupo Kilombolas abriu as portas de um dos seus núcleos, na escola Madre Judite, no Alto da Bola, no bairro da Federação, para o iBahia e contou as dificuldades que enfrenta todos os dias para manter o projeto social e fazer com que uma das maiores heranças africanas no Brasil resista ao tempo.

“Nasci no bairro da Fazenda Garcia e tive pais linha dura. Só pude praticar capoeira quando tive meu primeiro emprego, já que, enquanto eu era dependente deles, era regulado para onde eu iria. Minha liberdade eu só conquistei quando passei a trabalhar”, apresentou-se.

Para a capoeira, ele se apresentou aos 18 anos e, desde então, não se vê sem a roupa branca. O agente de fiscalização de meio ambiente já está à frente do projeto Kilombolas há 23 anos, mas tornou-se mestre apenas em 2013. Segundo João do Morro, o trabalho é árduo e por vezes já pensou em desistir, mas a consciência e a necessidade de resistir sempre falou mais alto. “Eu fui convidado por alguns amigos para participar de uma lavagem aqui no Alto da Bola, que existia na época. Dessa lavagem, o pessoal gostou e quis colocar a capoeira em um patamar mais sério dentro da comunidade, por não existir nenhum tipo de cultura do gênero. Eu aceitei e fui ficando, ficando. Não vivo da capoeira, o que é até bom para mim. Se eu vivesse talvez não desse para fazer isso com o amor que eu faço. Saio da minha casa todos os dias para dar aula às crianças às 18h e só retorno às 22h, então é cansativo, mas é gratificante”, diz.

Para João, o tempo no projeto foi importante para ele entender a importância da sua presença na vida dos seus alunos. O mestre do Morro viu de tudo em seu centro cultural — nome dado por ele mesmo —, mas graças a sua persistência e resistência, pôde participar ativamente da formação de jovens que hoje já cursam o nível superior. 

“A estrada foi longa e encontrei muitas pedras. Comecei novo com esse trabalho e foi muito difícil porque a área aqui é muito violenta. Perdi alunos por causa das drogas, com os policiais agindo, às vezes, até de forma truculenta. Isso me fez pensar por vezes em desistir. Muitas vezes, eles se envolvem [com o crime] porque dá o que a capoeira não dá, que é a parte financeira, aí o aluno cai no erro. Isso me deixava muito triste, então foi difícil segurar isso. Hoje, sou feliz porque tenho alunos que estão em faculdade federal, estadual. Para mim, isso é gratificante porque quer dizer que mudei um pouco a visão da comunidade aqui”, revelou.

Consciência x Preconceito

Para João, o Dia da Consciência Negra representa mais um dia de reflexão e resistência aos preconceitos e dificuldades enfrentados pelo povo negro até aqui. “A consciência está na cabeça de cada um. Temos que ter consciência do que é certo e do que é errado, mas no geral, só é certo quando não afeta negativamente uma outra pessoa. É uma data simbólica, que está aí para a gente lembrar e está cada vez mais alerta. A gente precisa refletir. Não é só esse momento de euforia, de festa, como muitos estão vivendo a data. É o ano todo, todos os dias, temos que ter consciência e buscar fazer sempre o melhor. Se todos buscarem o seu objetivo, como eu tive o da capoeira, não tem preconceito que derrube”, analisa.

“A capoeira me fortaleceu muito em relação ao preconceito, pois é o local onde eu sinto que tenho mais valor. Onde eu chego sou respeitado. Ganhei um título através da capoeira e me sinto potente por causa dela. Sempre que presencio uma atitude racista eu penso: ‘poxa, sou um mestre de capoeira’. Isso tem valor para mim, então preconceito nenhum me abate”, acrescentou. A luta do Mestre João do Morro não acontece dentro da roda de capoeira. Na opinião dele, uma das grandes brigas que ele tem é com o preconceito de outras classes sociais à prática: “eles gostam do esporte, da luta, da dança, mas tem medo da origem. O que gera medo ou receio é de onde a capoeira vem”, opina.

Dificuldades

Sem muitos recursos para melhorar o projeto, João conta que a união sempre fez a força no grupo. “O projeto é de graça para todos os alunos. O pessoal não paga nada, mas muitas vezes arrumei um parceiro que arrumava as calças, as camisas. Hoje em dia, treinam filhos de ex-alunos meus e eles têm uma consciência. Eles viraram homens aqui, começaram a trabalhar. Não vou dizer que eles pagam, mas colaboram sempre para manter a escola. O que a escola nos oferece é apenas o espaço físico. Tudo o que temos é com o nosso próprio custo. Tem a manutenção no banheiro, água para os meninos beberem, instrumento para eles aprenderem a tocar e tudo isso é com o nosso próprio bolso. Eu, quando posso, compro, mas geralmente chamo os meus alunos mais antigos, fazemos uma vaquinha e compramos os materiais”, revelou.

O mestre acredita que o esporte pode tirar as pessoas da criminalidade e das drogas, mas finalizou a conversa com o iBahia fazendo uma crítica à falta de apoio do poder público aos projetos sociais. “A capoeira já está no mundo todo. Fiz um evento que a Bahia toda estava lá, mas isso ainda não foi visto pelos órgãos públicos. Acho que está faltando um apoio. O povo criou uma consciência aqui de que eu estou contribuindo para a formação desses jovens, mas eu não sei até quando eu vou aguentar isso. Tenho a minha vida particular, que às vezes fica até à parte. Posso até não chegar em casa porque, infelizmente, a violência está aí, mas sinto que se eu não estivesse aqui seria pior. Então queria que existisse um apoio dos órgãos públicos, para que isso se torne maior e melhor ainda”, pediu.

Mestre João do Morro segue em frente com duas certezas: o trabalho desenvolvido por ele é de fundamental importância para os jovens da comunidade e tem papel fundamental na preservação da cultura negra ao resistir a qualquer tipo de dificuldade financeira e ao mais perverso preconceito. Mais um exemplo de resistência e consciência a ser aplaudido.

*Sob a orientação de Diego Mascarenhas e Rafaele Rego.

Fonte: http://www.ibahia.com/

A Origem do Escudo do Centro de Cultura Física Regional

Durante o longo período de luta pela regulamentação da capoeira pela FBP, para enquadrar a “academia” na legislação vigente, que não permitia o uso do termo academia, bem como de escola, em entidades esportivas sugeri a substituição do nome clássico para “Centro de Cultura Física”, mais expressivo e abrangente, complementado pelo atributo de “Regional Baiano”, alusivo à luta regional baiana.
Por ocasião da formatura da minha turma (Decanio, Nilton, e Maia) o uniforme de formatura da academia de Mestre Bimba era calça branca, camisa listada azul e branca e sapato de tênis branco, como se pode observar numa fotografia publicada em vários clássicos da literatura do nosso esporte.

Nota


Nosso quadro de formatura  incluiu o meu compadre Luizinho, servente de pedreiro, com a mão esquerda esmagada por acidente de trabalho, pertencente ao grupo de alunos do mato , mais antigo, formado sem solenidade.

Escolhemos como padrinho o nosso contramestre, Ruy Gouveia.
Compadre Luizinho era um testemunho vivo de que os defeitos físicos não impedem a prática da capoeira desde que podem ser contornados pela vontade do praticante.
Morreu tragicamente em acidente de trabalho, durante pintura do Elevador Lacerda, ao cair do andaime sem a proteção do cinto de segurança…

… na tentativa desesperada para se agarrar…
… às paredes ásperas da construção…
… desgastou os dedos e carpo…
… chegou à marquise onde encerrou sua carreira…
… de operário e de atleta…
… sem as mãos…
… cujos fragmentos marcaram….
… com sangue e pedaços de carne…
o seu protesto no concreto do edifício…

A dificuldade em aquisição das camisas listadas; vendidas em lotes de 11 jogadores, alguns reservas e goleiros, sem opção de escolha de tamanho por serem usadas pelos times de futebol, nos obrigou a procurar uma solução menos penosa.

Em torno de 1945 Mestre Bimba, atendendo a sugestão que lhe fiz, decidiu adotar a camisa de malha de algodão branca para os formados, conservando a antiga camisa listada azul e branca como distintivo para o mestre.

Para completar o uniforme e quebrar a monotonia da camisa branca, desenhei então um escudo com o signo de São Salomão consoante a tradição dos capoeiristas, que me acostumei a ver gravado pelos carroceiros na estrutura dos seus veículos de carga, com a troca da estrela de cinco pontas pela de seis pontas, para melhorar o efeito estético, acrescentando na área central, um pequeno círculo contendo a letra R, abreviação de Regional.

Optei pela estrela de seis pontos, formada pela superposição de triângulos equiláteros, pela simetria dentro do campo circunscrito pelo escudo ogival, forma que melhor se prestava ao efeito estético desejado.
Nos intervalos entre as pontas das estrelas apliquei traços arciformes azuis, circunscrevendo a estela central e, na parte superior da ogiva, dois traços verticais para quebrar a monotonia do fundo branco.
Naquela ocasião desenhei vários modelos, com molduras diferentes, bem como símbolos e siglas, dos quais as mãos habilidosas de Da. Berenice, minha Mãe Bena ( então Rainha e Senhora da Casa de Bimba) confeccionou os protótipos; modelos em tamanho natural, bordados em azul à mão, sobre tecido branco; dentre os quais a escolha do Mestre, e dos alunos consultados, recaiu, por unanimidade, no atual escudo.

Reforçava a escolha do signo de São Salomão como símbolo da regional o desenrolar da lenda da capoeira conforme Cisnando.
Para melhor efeito estético o escudo deve ser usado na região peitoral, e à esquerda, “do lado do coração”, pelo simbolismo sentimental!

A cruz desenhada acima da imagem estelar é a demonstração da aptidão inata da cultura africana para aceitar os conceitos estranhos sem perder  sua autenticidade  e assim sobreviver dentro dum ambiente hostil !

Cristianizando a Sabedoria de Salomão pela coroação crucial, o povo brasileiro criou um símbolo, a “Estrela de São Salomão”, capaz de pacificar o encontro de duas culturas conflitantes e que pode unir todos os capoeiristas do mundo!

Mestre Bimba

 


41-Quadro com os retratos e os nomes dos formados, paraninfo e homenageados, de modo similar ao costume das escolzs superiores. Nem sempre correspondem ao ano da graduação, pois esperavamos juntar 4 a 5 para completar o elenco, deste modo num mesmo quadro podemos encontrar alunos de diversas turmas.

 

42-Que não pertenciam a escolas superiores

 

Texto retirado do Livro:
A Herança de Mestre Bimba
Filosofia e Lógica Africanas da Capoeira
COLEÇÃO SÃO SALOMÃO

Donwload: http://portalcapoeira.com/Downloads/View-document-details/23-A-Heranca-de-Mestre-Bimba

 

Angelo A. Decanio Filho – Mestre Decanio

 

Alagoas: Capoeiristas protestam contra proibição de aulas no Cepa

Eles reclamam que aulas foram suspeitas sem justificativa. Grupo bloqueou avenida e afirma que está sendo vítima de discriminação.

Capoeiristas de Alagoas bloquearam um trecho da Avenida Fernandes Lima, em frente ao Centro Educacional de Pesquisas Aplicada (Cepa). Eles protestam contra a proibição das aulas de capoeira que eram ministradas gratuitamente na Escola Estadual Afrânio Lages, que fica nas dependências do Cepa.

A mobilização, denominada “Protesto do Berimbau Contra a Discriminação Institucional”, denuncia que a proibição é um preconceito à manifestação cultural. Segundo os capoeiristas, a atividade era oferecida de forma voluntária e foi proibida pela sem que houvesse uma justificativa para a medida.

O presidente da Federação de Capoeira do Estado de Alagoas, José Carlos Pereira, disse que o trabalho com cerca de cem alunos estava sendo feito há dois anos pela Associação Cultural Capoeira Brasil, entidade legalmente constituída. No dia 19 deste mês, eles foram informados pela diretora da escola que as aulas teriam que ser suspensas.

“As aulas eram voluntárias e ministradas por um professor formado em Educação Física e em escola de capoeira. Esse trabalho estava sendo muito importante para os alunos que passavam parte do tempo ocioso aprendendo uma arte. Não podemos admitir que atos de discriminação como esse aconteçam”, reclamou Pereira.

O professor Rodrigo Pedrosa de Freitas, conhecido por “Arapuá”, disse que quer um pedido de desculpa por parte da direção da escola. “Iremos ao Ministério Público denunciar essa situação. Desde que a Capoeira começou a ser difundida no estado sofre preconceito. Não vemos isso com outras atividades”, disse.

A técnica auxiliar do Núcleo de Rede do Cepa, Vânia Marciglia, informou que os capoeirisas não tinham autorização para ministrar aulas na escola. Ela disse ainda que os alunos da escola não participavam das aulas. “Eles têm que fazer uma proposta para a Secretaria de Educação. As aulas estavam acontecendo sem autorização e isso e ruim porque qualquer coisa que acontecesse não havia quem respondesse por isso”, falou.

A assessoria da Secretaria de Estado da Educação (SEE) informou que já está ciente do protesto e que vai encaminhar uma nota à imprensa.

Sorocaba: Suspensão de aulas de capoeira provoca manifesto

Projeto da Prefeitura atendia cerca de 5 mil estudantes

Inconformados com a suspensão das aulas de capoeira do programa Oficina do Saber, oferecido em escolas da rede municipal de ensino de Sorocaba, a Associação Sorocabana de Capoeira (Asca) realizou ontem pela manhã, na praça Coronel Fernando Prestes, uma manifestação contra a medida. Ao som de berimbau e músicas típicas, alunos e instrutores fizeram uma apresentação do jogo para sensibilizar a comunidade sobre o impacto negativo que essa suspensão poderá gerar para os cerca de 5 mil estudantes que participam atualmente das atividades. 

O mestre capoeirista Jaime Balbino disse que o fim das aulas de capoeira nas Oficinas do Saber foi comunicado aos instrutores na semana passada sem nenhuma justificativa ou explicação, o que causou uma comoção das crianças que participam do projeto. Ele disse que a atividade da capoeira está integrada às unidades escolares desde 2007, sendo que atualmente 19 oficinas eram ministradas por 10 instrutores, que atendiam cerca de 5 mil estudantes do 1º a 5º ano. “Não se trata apenas de uma atividade de lazer, mas sim uma prática que representa a cultura genuinamente brasileira, que é composta por inúmeros benefícios físicos, psíquicos e educacionais”, disse.

A Asca informou, por meio de manifesto, que para integrar o programa teve o cuidado de se organizar e envolver todos os grupos de capoeira em atividade na cidade para a divisão de aulas e a preparação dos profissionais para que fosse trabalhada a sequência didática, o monitoramento, o planejamento e o seu alinhamento com o corpo docente. A Asca criticou o interrupção do contrato vigente durante o ano letivo, o que interrompeu o vínculo que os instrutores haviam desenvolvido com o alunos. “Essa decisão ao nosso ver é injusta. A nossa indignação é muito grande, pois não entendemos o critério para a exclusão de uma atividade com tanto sucesso.”

Pais reclamam

A manifestação da Asca contou com o apoio de pais de alunos que frequentavam as aulas de capoeira. A dona de casa Valquíria Sampaio, 33 anos, disse que desde o ano passado o seu filho, Richard Sampaio, de 10 anos, frequenta as aulas e desde então ele só vem melhorando a sua convivência social e também a saúde física. “Ele faz tratamento com fonoaudióloga e a atividade tem ajudado muito no seu desenvolvimento. Ele adora as aulas e ficou muito abalado quando soube que iria acabar.” O supervisor de manutenção Ailton Silva, 48 anos, conta que nunca viu a sua filha se interessar tanto por algo como ela faz com a capoeira. 

“Tanto que ela me fez acompanhá-la hoje aqui na praça para que a gente participasse dessa manifestação”, diz. A dona de casa Denise de Souza Leopoldo, 25 anos, também fez questão de participar da mobilização. Mãe de Gabriel, de 9 anos, ela diz que desde que o filho começou a participar das aulas ele passou a se sociabilizar mais com os amigos e se tornou muito mais disciplinado. “Quando souberam que não teriam mais as aulas, eles se sentiram sozinhos, pois já faziam parte de um grupo”, ressaltou.

Essa mesma indignação foi demonstrada pela auditora da qualidade Míriam Moron, 29 anos. O seu filho João Pedro, de 7 anos, começou neste ano com as aulas de capoeira e não perde uma aula. “Não podemos deixar que simplesmente acabe”, criticou.

Remodelação

A Secretaria da Educação (Sedu) informou, por meio de nota, que a estrutura do programa Oficina do Saber foi remodelada para aprimorar os processos de formação escolar dos alunos da rede de ensino, que serão baseados nos eixos da leitura, escrita, formação de leitores, jogos de raciocínio, pensamento científico, educação ambiental, esportes e artes. “Desse modo não houve redução das atividades para os alunos e sim uma remodelação e organização dos conteúdos”, citou. 

Segundo a Sedu, tanto diretores quanto as empresas contratadas para a prestação do serviço foram comunicados com antecedência. “O objetivo da Sedu é a garantia da aprendizagem escolar e, portanto, as atividades culturais e artísticas, caso sejam aprovadas em licitação, se farão presentes na escola aos finais de semana, no Programa Clube da Escola”, finalizou.

 

* Notícia publicada na edição de 25/08/13 do Jornal Cruzeiro do Sul – http://www.cruzeirodosul.inf.br