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Quilombos, terreiros, juventude e alternativas para erradicação da pobreza e desenvolvimento sustentável

O lugar das práticas culturais afrodescendentes e os modelos de desenvolvimento que delas se originam, funcionando como alternativas para a erradicação da pobreza e a preservação do meio ambiente. Este foi o eixo do diálogo promovido pela Fundação Cultural Palmares na tarde do último sábado (16), na programação da Rio+20, no Galpão da Cidadania, um dos espaços preparados pelo Ministério da Cultura, na Zona Portuária da capital fluminense.

Para favorecer o tom mais informal, o diálogo foi organizado no estilo de talk show, para o qual foram convidadas personalidades expoentes nos temas diversidade, justiça social e exclusão – atributos diretamente relacionados à população e à cultura afro-brasileira. Assim como no debate sobre a Convenção 169 da OIT, realizado pela manhã, o público superlotou o auditório. Quilombolas, indígenas, lideranças jovens discutiam sobre as práticas culturais tradicionais, não ocidentais e não eurocêntricas como elementos que merecem lugar acentuado na definição de sustentabilidade. Também entraram em pauta as ações efetivas que são necessárias para promover justiça ambiental em favor desses grupos populacionais.

Quilombos e terreiros – Constituídas sobre o legado dos negros escravizados no Brasil, seja sob o aspecto familiar ou religioso, as comunidades remanescentes de quilombos e os terreiros religiosos de matriz africana tradicionalmente primam pelo respeito à natureza e, consequentemente, pela sua conservação. Valores associados à economia e ao mercado vêm se incorporando à discussão ambiental. Apesar da pouca visibilidade, não são poucos os produtos, espalhados pelo país, gerados a partir de práticas ancestrais. Um simples exemplo foi apresentado por Maria Rosalina dos Santos, que trouxe para a Rio+20 sabonetes de aroeira produzidos em sua comunidade quilombola no Piauí. Esta e outras práticas têm potencial estratégico para a redução da pobreza, com impacto expressivo sobre as relações comerciais que envolvem serviços e bens culturais.

Como destaca o presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, os quilombos e terreiros são segmentos com pouco acesso a bens culturais e econômicos, mas também os que menos agridem o meio ambiente.

Juventude – Na linha de frente do “rolo compressor desenvolvimentista” e das desigualdades sociais para as quais uma conferência como a Rio+20 busca resoluções, são os jovens que sofrem os efeitos mais perversos. Os impactos sobre a juventude abrangem oportunidades de educação e trabalho, atividades produtivas sustentáveis, participação comunitária e fragmentação identitária, e os resultados variam entre dependência química, perda do vínculo com seu território, êxodo rural, expropriação, perda da cultura e identidade, violência social e de gênero.

Os participantes do debate foram praticamente unânimes em apontar que a padronização de espaços e territórios, simbolizadas por usinas, minerações e monoculturas, por exemplo, resultam em injustiças ambientais, o que significa riscos e danos para as camadas sociais mais vulneráveis, que, assim, não só são excluídas do que se propõe como desenvolvimento, como também capitalizam os ônus decorrentes.

O Talk Show da FCP teve como moderadora a coordenadora municipal de Igualdade Racial em Guarulhos (SP) e especialista na implementação da Declaração e Programa de Ação de Durban, Edna Roland. Como demais convidados, participaram o professor Robert Bullard, da Texas Southern University Houston (EUA); Tânia Pacheco, da Fiocruz; Maria Rosalina dos Santos, vereadora quilombola do Piauí; babalaô Ivanir dos Santos, do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas – CEAP; e Bruno Pinheiro, da Rede de Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade – Rejuma.

Por Jacqueline Freitas
Com colaboração de Daniel Brasil

http://www.palmares.gov.br

Escola Aberta Trabalha a Educação Ambiental por meio da Capoeira

Trabalhar em prol do fortalecimento cultural e da preservação e Educação Ambiental. Esta foi a meta da Escola Estadual Professora Hilda Miranda Nascimento, em Serra, em parceira com um grupo de Capoeira, que promoveu no último fim de semana o I Ecoberimbau 2010.

Foram três dias de apresentações, oficinas e atividades, para mais de 50 pessoas que passaram pela escola. O curso de fabricação de berimbau ecológico foi o que mais chamou a atenção.

Além do incentivo à prática esportiva da capoeira nas comunidades, os oficineiros ensinaram aos participantes como é a confecção de berimbaus e a preservação da biriba, matéria-prima do instrumento.

“O objetivo principal do nosso encontro foi conscientizar as pessoas sobre a correta utilização desta madeira, para que não venhamos prejudicar o meio ambiente”, explicou o supervisor estadual do programa nas escolas localizadas no município de Serra, Amaury Motta da Silva Lamas.

Em meio às atividades, alguns alunos participantes do Escola Aberta e do grupo de capoeira seguiram para uma mata aberta, que fica próximo da escola, para conhecer a biriba e recolher sementes para replantio.

“Trouxemos para a escola muitas sementes e muitos ainda levaram para casa. Nossos objetivos em plantá-las são dois: devolver para a natureza a madeira e fazer nosso próprio estoque para confecção dos berimbaus. Tudo isso para incentivar as pessoas que trabalham com capoeira a serem mais conscientes”, conta o professor de capoeira Haroldo Bonfim Alves Santos.

De acordo com o professor, a expectativa é ampliar o projeto para as disciplinas da escola. “Queremos abranger esta iniciativa. Pretendemos até fazer uma coleta seletiva na mata, já que quando fomos recolher as sementes observamos muito lixo no local, como garrafas plásticas e papel”, finaliza.

 

Fonte: http://www.folhaes.com.br

Bahia: Grupo de capoeira desenvolverá atividades ambientais

Salvador – Aliar capoeira a educação ambiental. Este é o objetivo da parceria entre a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e o Grupo de Capoeira Ginga e Malícia. Com duração de três meses, o convênio vai permitir ao grupo – que atua há 18 anos com aulas de capoeira – desenvolver atividades socioambientais para jovens e crianças do Engenho Velho da Federação e bairros vizinhos.

De acordo com Valcir Batista Lima, conhecido como Mestre Marinheiro, o objetivo é despertar nos jovens a importância da preservação do meio ambiente através da capoeira.

“A idéia é retirar eles das ruas e integrá-los a uma iniciativa para que tenham noções básicas de educação ambiental. Preservar o meio ambiente é uma base para o viver. Quem cuida garante uma qualidade de vida melhor”, expressou Mestre Marinheiro, fundador do grupo de Capoeira Ginga e Malícia.

No grupo, a produção do berimbau – instrumento básico da capoeira – é feita pelos próprios jovens. Segundo Marinheiro, a biriba é a melhor madeira para fabricação do berimbau e é no Recôncavo que se encontra a de melhor qualidade.

Por conta disso, ele pretende expandir a iniciativa para a região. “No local, a procura pela madeira é grande e as pessoas irão entender a importância de retirar e manusear a madeira de forma correta, sem provocar agressões ao meio ambiente”, disse.

Segundo Tatiana Matos, assessora especial da Sema, o objetivo pretendido pelo convênio é formar uma consciência socioambiental junto à comunidade do Engenho Velho da Federação e bairros vizinhos.

Instrumento de educação – Criado em 1992 pelo Mestre Marinheiro, o grupo de Capoeira Ginga e Malícia, além da capoeira, disponibiliza em sua sede aulas de capoeira, teatro, inglês, artes plásticas, e artesanato, além de palestras educativas.

De acordo com o Mestre Marinheiro, a proposta é democratizar o acesso ao conhecimento, trabalhar a cidadania, disciplina, companheirismo e envolver crianças e adolescentes em atividades socioeducativas. Na sede, são ministradas ainda aulas de informática para as crianças do Engenho Velho e bairros vizinhos.

Fonte: http://www.jornaldamidia.com.br

Permangola : II Reunião Agropecologíca (Agricultura,Permacultura,Construção Ecologíca e Capoeira Ang

 

A semente do Kilombo Tenondé esteve sendo plantada a séculos nos Quilombos brasileiros. Reconhecemos as novas formas de opressão na sociedade moderna e industrial. Usando de espaço e de atividade, o Kilombo Tenondé promove a regeneração da criatividade, do pensamento e de ideais; busca a reconstrução da estrutura comunitária, hoje enfraquecida.E aqui estamos hoje "Ação no Kilombo" são uma série de práticas e palestras sobre sistemas alternativos de construção, agricultura e energia. Estaremos desvendando os primeiros passos para a sustentabilidade, aqui em Coutos Salvador/BA no Subúrbio Ferroviário, em Valença Salvador/BA e no restante do mundo.

Agrofloresta: é um dos mais eficientes métodos para revitalização e diversificação de campos, produzindo alimentos e resultando em áreas verdes.
Tópicos: Tipos de Agrofloresta- Organização e preparação de sementes e mudas- Prática de campo.

Permacultura: Criada na Austrália na década de 70 e atualmente difundida pelo mundo, Permacultura reúne conhecimento tradicional e novas técnicas no intuito de criar soluções permanentes, baseando-se na inteligência natural.
Tópicos: Design e Zoneamento- Água: coleta, armazenamento e reciclagem- Manejo do solo.

Bioconstrução: Usando materiais de baixo impacto ambiental (terra, bambu, reciclagens, etc), a Bioconstrução conjuga técnica e criatividade no desenvolvimento de habitações humanas e animais, criando sistemas naturais para tratar água e resíduos, estruturando o sítio para produção ou mesmo conectando funcionalidade e conforto nas casas e jardins.
Tópicos:Bambu- manejo e uso Adobe: técnica e construção, Biorremediação de água.

From:Aranha Mansa (Chokoleite)

A verdade é que todo mundo vai te machucar.Você só tem que decidir por quem vale a pena sofrer!!!

 

www.kilombotenonde.com

Rio Grande do Sul: Capoeira foi tema do Patrulha Ambiental Mirim

Integrando as atividades do projeto, as ações do Patrulha Ambiental Mirim foram desenvolvidas na tarde de ontem com idosos e crianças. Eles receberam noções teóricas e práticas sobre capoeira da equipe da Associação de Capoeira Zumbi dos Palmares.

Os participantes aprenderam sobre a capoeira, a música e os instrumentos – berimbau, pandeiro, agogô, atabaque – bem como sobre a cultura geral. As atividades envolveram palestras, jogos, aulas práticas e teóricas de integração de grupo e fabricação de berimbaus.

O coordenador da Associação de Capoeira, Cláudio Pereira Oliveira, conhecido como Mestre Saci, disse que trabalha há 10 anos com projetos ligados à capoeira. O Mestre desenvolve também o Projeto Capoeira em Cena, com crianças do Bairro Getúlio Vargas objetivando a integração social, melhorando a auto estima dos pequenos.


A capoeira é um esporte que trabalha corpo e mente.

"Os praticantes aprendem a controlar o próprio corpo", diz o mestre Saci. "A idéia de realizar o projeto surgiu da necessidade de preservar a cultura da capoeira no Brasil que estava sendo deixada de lado", explica ele. É a primeira vez que o Mestre participa do Patrulha Ambiental Mirim e considera uma "experiência maravilhosa mostrar para esses idosos e acrianças o que é a capoeira de verdade", finaliza.

O Projeto Patrulha Ambiental Mirim é da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) e tem a colaboração da Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social (SMCAS), através do Programa Municipal de Apoio ao Idoso. As atividades são desenvolvidas todas segundas e sextas-feiras, na rua Maria Araújo, 470, no Cassino.

Fonte: http://www.jornalagora.com.br

Paraná: Crianças se encantam com capoeira no Viva o Verão

Entre as diversas atividades artísticas, culturais e esportivas da programação da Paraná Esporte no Viva o Verão, a aula de capoeira, todas às terças, quintas-feiras e aos sábados, na arena em Caiobá, tem chamado a atenção do público, principalmente o infantil.

Alguns participantes estão presentes nas aulas de capoeira desde o início de janeiro e já pensam freqüentar uma academia, ao retornar das férias. Este é o plano de Patrícia Beatriz, de 7 anos e que se diz muito feliz por ter conhecido a capoeira. “Nunca imaginei que era fácil e que exige da gente concentração e persistência para gingar o corpo conforme o ritmo da música”, disse.

O professor de educação física e capoeirista Adegmar José da Silva, conhecido como Candieiro, participa do Viva o Verão pela primeira vez e afirma estar satisfeito com os resultados obtidos das aulas de capoeira, implantadas este ano nas ações do Viva o Verão.

“A capoeira é mais que uma luta marcial, é uma arte que engloba várias artes como a música, a dança, o canto, construção de instrumentos musicais, história, cultura etc.”, destaca o Candieiro.

“A Paraná Esporte, através do seu diretor-presidente, Ricardo Gomyde e toda a equipe, está de parabéns pela implantação da capoeira na programação do Viva o Verão, pois tem sido um sucesso junto ao público e uma forma de quebrar o preconceito que existe por parte de algumas pessoas”, enfatiza Candieiro.

MEIO AMBIENTE – “Não jogue lixo nas praias, jogue capoeira”, este é o slogan da campanha de conscientização ambiental do Centro Cultural Humaitá, em parceria com o IAP (Instituto Ambiental do Paraná), no projeto Viva o Verão.

A ação tem o objetivo conscientizar as pessoas da necessidade em preservar e cuidar do meio ambiente. Dia 3 de fevereiro, a partir das 9 horas da manhã, na frente do palco em Caiobá, haverá uma conversa sobre conscientização ambiental e um aulão de capoeira com grupos do litoral, Curitiba e região metropolitana. Após isso, sairá um mutirão para recolher lixo em toda a orla, de Matinhos a Caiobá”.

“A idéia é repetir esse aulão e mutirão todos os anos, no mês de fevereiro. Queremos que isso tenha um efeito multiplicador e se estenda para as outras praias”, espera o professor Candieiro.

O evento estima reunir aproximadamente 300 pessoas e contará também com a presença de mestres da velha-guarda da capoeira paranaense como Sergipe, Kuntakinté da Bahia, Bacicco, Kuinkas e Pitón.

Fonte: Agência Estadual de Notícias – Curitiba – BR
http://www.aenoticias.pr.gov.br

Água: Direito Humano Inalienável

Antonio Carlos de Mendes Thame1
24/03/2005
Acessado em 27/3/2005 09:54
Redação/Editoração/Formatação modificadas por AADF

O alerta tem sido repetido, cada vez com mais intensidade, no mundo inteiro:
 
Ø      a escassez de água é um dos maiores desafios do nosso século.
o        Parece mentira, já que ¾ do planeta são ocupados por água.
o        Só que é quase toda (97%) salgada e 2% formam as geleiras, inacessíveis.
§         Pior ainda: a exploração irracional da água doce dos rios, lagos e lençóis subterrâneos está ameaçando a magra fatia de 1% da água que pode ser usada pelo homem.
 
Hoje, mais de 70% da água doce utilizada no mundo vai para a agropecuária, ou seja para a produção de alimentos.
Em diversos países, depois de se chegar ao limite máximo de utilização da água superficial disponível, vem-se procurando usar a água subterrânea, através da perfuração de poços. O bombeamento é tamanho, que a água não se renova.
Como não se consegue regenerar toda a água retirada, os aqüíferos vêm sofrendo depleção e gerando rebaixamento do solo em muitas regiões. Somente na Índia, no norte da África , Arábia Saudita, Paquistão, Iêmen e México, retiram-se e não se renovam quase 200 bilhões de toneladas de água por ano.
 
É a água necessária para se produzir 200 milhões de toneladas de grãos, suficientes para alimentar aproximadamente 600 milhões de pessoas por um ano. Ou seja, mais de meio bilhão de pessoas consomem alimentos produzidos com água retirada do solo de forma insustentável, predatória.2
Como essa água não está sendo reposta, deixa de ser um bem natural renovável, infinito. Passa a ser um bem finito, cada vez mais escasso.3
Não é somente a água necessária para produzir alimentos que está no limite da exaustão. Falta água para beber.
 
O Projeto do Milênio, plano de ação para combater, a pobreza, a fome e doenças opressivas que afetam milhões de pessoas, lançado em 2002 pelas Nações Unidas, divulgou em janeiro passado seu último relatório, em que acusa a existência de mais de 1 bilhão de pessoas no mundo sem acesso à água potável e 2,6 bilhões (mais de 40% da população mundial ) sem coleta ou tratamento de esgoto, ou seja, sem saneamento básico.
 
E justamente esta ausência de saneamento é responsável não somente por mais de 80% da mortalidade infantil, como também pela ocupação de mais de 50% dos leitos dos hospitais brasileiros por pessoas acometidas de doenças de veiculação hídrica, ou seja, de enfermidades transmitidas pela água.
Na realidade, este imenso desastre, ao mesmo tempo ambiental e de saúde pública,  é fruto não somente do crescimento e adensamento populacional, mas também  do despejo indiscriminado de esgotos domésticos e industriais, dos lixões, do entulho jogado nas margens dos cursos d’água, da ocupação e impermeabilização das margens dos rios , do desmatamento irresponsável, deixando as águas inservíveis para consumo humano.
 
O item 42 do documento "ÁGUA, FONTE DE VIDA", da CAMPANHA DA FRATERNIDADE-2004, destaca:
 
Ø      "Se existe uma escassez progressiva, ela é fruto da depredação causada pela mão humana. O problema da água é mais uma questão de gerenciamento que de escassez".
No Brasil, as preocupações de cientistas e ambientalistas nem sempre são levadas a sério. Afinal, temos mais de 12% da água potável do globo.
Uma riqueza, porém, extremamente mal distribuída: cerca de 80% estão na região amazônica; os 20% restantes se distribuem desigualmente pelo país, atendendo a mais de 90% da população.
 
Ø      Em 9 regiões metropolitanas, a situação é crítica: os sistemas de abastecimento de água ficam contando com o beneplácito do clima ( torcendo por chuva), para fugir do desabastecimento. Nem sempre conseguem, e a saída, onerosa e tremendamente desgastante, é apelar para o racionamento, tentando evitar o rodízio.
 
Revertendo a situação
 
Há décadas, países que já vinham sentindo a escassez de água instituíram instrumentos de gestão para assegurar a integridade dos ecossistemas, com base em três diretrizes:
 
a) utilizar o caráter indutor da legislação ambiental;
b) alocar recursos dos orçamentos públicos, considerando a água como um valor coletivo; e c) instituir a gestão compartilhada da água.
Ø      Primeiro: atualizaram a legislação, adotando não apenas leis de comando e controle, como a Lei dos Crimes Ambientais, e leis de prevenção, mas também leis que inibam comportamentos indesejáveis e incentivem procedimentos ambientalmente corretos, como é o caso da LEI DE COBRANÇA PELO USO DA ÁGUA.
 
        Pela LEI DOS CRIMES AMBIENTAIS, quem polui, despejando nos cursos d’água resíduos ou efluentes com níveis de toxidez que extrapolem os índices máximos permitidos por lei, comete crime e pode ser preso ou ter a empresa fechada.
        Pela LEI DE COBRANÇA, quem polui, mas dentro dos limites fixados por lei, passa a pagar pelos danos causados. Ou seja, o custo de reverter os estragos causados deixam de ser arcados pela sociedade e passam a ser assumidos por quem os gera, dentro da clara aplicação do princípio poluidor-pagador.
 
§         É preciso, porém, destacar o caráter direcionador da LEI DE COBRANÇA PELO USO DA ÁGUA:não é um simples instrumento arrecadatório. É um instrumento de gestão. Melhor do que ter os recursos cobrados de quem polui, para investir na reversão da degradação por ele causada, é induzir quem polui a deixar de fazê-lo. Por isso, o mais importante é forçar os poluidores a tratar seu esgoto, para ficarem livres do pagamento da cobrança pelo uso da água. Para tanto, é preciso "internalizar" os custos para os geradores de poluição, cobrando um alto preço pela poluição da água, a fim de que se torne economicamente compensador tratar os esgotos e resíduos, deixando de poluir4. Este ponto é chave: se o valor a ser cobrado dos poluidores for menor do que o custo de instalar suas próprias unidades de tratamento, estes agentes degradador não mudarão seu comportamento e vão preferir pagar e continuar poluindo.
 
§         O item 51 do documento "Água, fonte de vida", da Campanha da Fraternidade-2004, ressalta que se os valores forem baixos, acabam se tornando um direito de "pagar para poluir".  Por outro lado, os itens 48 a 50 do mesmo documento destacam que a cobrança pelo uso da água deve levar em conta o conceito de "vazão insignificante", com preços diferenciados (por volume e por destinação), para facilitar o acesso dos pequenos usuários. Caso contrário, a cobrança estaria provocando o surgimento dos "excluídos da água", o que seria eticamente inaceitável.
 
Ø      Segundo: a destinação e aplicação de recursos dos orçamentos públicos é indispensável para acelerar as intervenções que possibilitem reverter a degradação das águas.5 Não é possível realizar todas as obras necessárias somente com recursos advindos da tarifa. Para que isso fosse viável, a água precisaria ficar extremamente cara e seria inacessível aos mais pobres. Água tratada interessa a todos, é uma questão de saúde pública, por isso tem valor coletivo, o que justifica a destinação de recursos públicos, através de empréstimos ou mesmo a fundo perdido.
Ø      Terceiro: garantir a participação dos envolvidos nas decisões, através dos comitês de bacia, instituindo a gestão (e a responsabilidade) compartilhada da água. Os comitês, estruturas partidárias com participação dos representantes da União, dos Estados, dos Municípios e da sociedade civil organizada, têm poder de decisão: determinam quais obras serão prioritariamente realizadas na bacia hidrográfica. Dessa forma, estimulam a descentralização, a participação e a conscientização ambiental.
A aplicação conjunta destas três diretrizes significa mais do que oferecer aos cidadãos condições de participar do gerenciamento da água. Implica adequar um valor que reflita os custos de sua provisão, mas que não deixe de levar em conta, eqüitativamente, as necessidades dos mais pobres e vulneráveis. Significa considerar a água como bem público, incluindo-a no universo de interesse da gestão governamental, não ficando sujeita estritamente às leis de mercado.
 
O Fórum Alternativo Mundial da Água
 
Para os Deputados e representantes das ONGs. participantes do 2° Fórum Alternativo Mundial da Água, que acaba de realizar-se  na Suíça, em Genebra, de 17 a 20 de março, é preciso fazer mais.
Ø      Não basta que se considere a água como um direito humano universal inalienável, é preciso que a lei:
 
o        a) determine, dentre os usos múltiplos da água,a prioridade para o abastecimento da população;
o        b) possibilite de fato a universalização do acesso à água, explicitando subsídios ou mesmo a gratuidade dos primeiros 50 litros consumidos por pessoa/dia.
 
Ø      Não basta que a legislação consagre a água como um bem público, é necessário tomar medidas efetivas para restringir sua mercantilização, sua caracterização como "commodity", começando por proibir a comercialização dos direitos de uso advindos de outorgas.
 
Ø      Não basta criticar as privatizações , é preciso mais:
o        a) que a lei proíba expressamente as concessões onerosas , em que o concessionário fica com o direito de fixar as tarifas;
o        b) que se imponham limites à elasticidade das regras das parcerias público-privadas, que privilegiam a proteção dos interesses do setor privado e não a defesa dos usuários-consumidores;
o        c) que se proteste veementemente contra as exigências do Banco Mundial e de bancos regionais, que condicionam a concessão de financiamentos à privatização de sistemas públicos de abastecimento de água.
 
Ø      Não basta defender os imprescindíveis direitos à educação ambiental e à informação, urge que se institucionalize a adoção de mecanismos permanentes de participação popular, com poder de decisão, segundo a concepção bem sucedida dos comitês e das agências de bacias hidrográficas.
 
Ø      Por último, não é suficiente que estas medidas propostas sejam facultativamente implantadas pelos países, a seu critério.
o        É indispensável, haja vista a gravidade, relevância e urgência da matéria, que:
§         a) seja votada e implantada uma COVENÇÃO DAS PARTES, atualizada e eficaz, contemplando estes direitos, a qual, aprovada pelos países signatários da ONU, seja transformada em lei internacional;
§         b) seja criado um fundo para alavancar ou suplementar inversões nos países com menor ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO_ IDH;
§         c) seja criada uma autoridade internacional, no mesmo nível da ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TRABALHO_OIT ou do ALTO COMISSARIADO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA OS DIREITOS HUMANOS_ UCDH, para cuidar especificamente das questões atinentes à prevenção e resolução de conflitos relativos ao acesso à água.
 
Sem dúvida, estas propostas, aprovadas no FÓRUM DA ÁGUA, constituem um conjunto ambicioso de medidas, todas na mesma direção: antecipar a solução definitiva de uma carência social de conseqüências fatais, já que negar o direito de acesso à água é negar o direito à vida.
Por outro lado, cabe uma ressalva: o direito universal de acesso à água, com o qual todos concordamos, não pode se transformar em alvará para atropelar o direito de cada nação soberanamente decidir sobre suas reservas e sobre a gestão de seus recursos naturais.
 
De toda forma, as conclusões do 2° FÓRUM ALTERNATIVO MUNDIAL DA ÁGUA demonstram uma crescente percepção e conscientização com relação a este vital problema. Conscientização que é essencial para induzir à organização e à mobilização, capazes de gerar pressão popular suficiente para fazer surgir a "vontade política" (que não nasce por geração espontânea6), que fará com que temas ambientais, como é o caso da escassez de água, passem a fazer parte da agenda dos Parlamentos e dos Governos.7

1 -Deputado Federal (PSDB/ SP). Foi Secretário Estadual de Recursos Hídricos (gestões Covas e Alckmin) e 1° presidente do 1° comitê de bacias hidrográficas (Piracicaba, Capivari e Jundiaí) implantado no Estado de São Paulo.
2 -Grifo AADF
3 -Idem
4 -Grifo AADF
5 -Idem
6 -E sim por pressão popular… Addendum de AADF
7 -Grifo AADF