Blog

angola

Vendo Artigos etiquetados em: angola

Projeto Angola Para Todos oferece 100 vagas de capoeira em Taubaté

Projeto Angola Para Todos oferece 100 vagas de capoeira em Taubaté

A Secretaria de Turismo e Cultura de Taubaté oferece 110 vagas de capoeira, para todas as idades, no projeto “Angola para todos”. As inscrições estão abertas até o preenchimento das vagas e sua efetivação deve ser realizada, pessoalmente, com o professor Marcelo Garcia, às segundas-feiras das 8h às 12h e das 14h às 17h ou às quintas-feiras, das 19h às 22h no Centro Cultural Toninho Mendes.

As turmas são para crianças de 2 a 3 anos; de 4 a 5 anos; de 6 a 7 anos; de 8 a 11 anos; adolescentes e adultos, além de turmas para autistas, portadores de TDAH, síndrome de Down e deficiência intelectual.

O projeto “Angola para todos” tem como objetivo esclarecer que a capoeira Angola não é limitada ao movimento corporal com ginga, golpes e esquivas. Busca ampliar essa concepção, transmitindo que a capoeira é cultura, arte e educação. Desmistifica a ideia de que limitações físicas ou mentais impendem a prática da modalidade. As aulas se tornam momentos de libertação, em que o praticante pode se expressar, sendo valorizado em sua individualidade.

Projeto Angola Para Todos oferece 100 vagas de capoeira em Taubaté Capoeira Portal Capoeira

O Centro Cultural Toninho Mendes fica à Praça Coronel Vitoriano, 1 no Centro.

Confira abaixo as turmas, horários e números de vagas:

Segunda-feira

8h às 12h: inscrições e atendimento aos pais.

16h às 17h20: adolescentes e adultos (15 vagas);

Terça-feira

14h30 às 15h30: turma de 4 a 5 anos (8 vagas);

18h às 19h: turma de 6 a 7 anos (12 vagas);

19h às 20h20: adolescentes e adultos (15 vagas);

Quarta-feira

10h às 12h: adolescentes e adultos avançados (para alunos já praticantes);

13h às 16h: turma de crianças portadoras de necessidades especiais – autistas e TDAH (3 vagas);

18h às 19h: turma de 4 a 5 anos (6 vagas);

19h às 20h20: turma para portadores de síndrome de Down (4 vagas);

Quinta-feira

8h20 às 09h20: turma de 6 a 7 anos (4 vagas);

9h30 às 11h: turma de adultos com deficiência intelectual (2 vagas);

14h50 às 15h50: turma de 6 a 7 anos (13 vagas);

16h30 às 17h30: turma de 8 a 11 anos (8 vagas);

18h às 18h50: Turma de 2 a 3 anos (5 vagas);

19h às 20h: turma de 8 a 11 anos / adolescentes (7 vagas);

20h20 às 22h: adultos (6 vagas);

Sexta-feira

9h às 11h30: adultos (5 vagas)

 

Fonte: https://www.agoravale.com.br/

Auetu! A Capoeira Angola No Fio Da Navalha

Auetu! A Capoeira Angola No Fio Da Navalha

“o documentário apresenta entrevistas com inúmeros mestres, amigos e camaradas apreciadores da luta que virou arte”.

A Capoeira Angola é uma grande árvore nascida no Brasil, com longas raízes que se alimentam na África, continente que viu seus filhos serem capturados e comercializados pelos brancos do Velho Mundo. Nas voltas que o mundo deu, essa triste história gerou frutos de resistência e alegria até onde a diáspora alcançou. A Capoeira Angola foi a tática que os negros escravizados criaram para lutar pela liberdade no Brasil. Sábios, souberam fazer do corpo, arma; da vivência, filosofia; do pouco, muito, como diz a ladainha.

Auetu! A Capoeira Angola No Fio Da Navalha Capoeira Portal Capoeira 1

“Auetu! A Capoeira Angola No Fio Da Navalha” trata, ao resgatar as origens desta arte até os dias de hoje, na Região da Grande São Paulo.

O pano de fundo é a Casa de Capoeira Angola No Fio Da Navalha, localizada na cidade de Santo André, entretanto, como o próprio grupo afirma, são apenas um pequeno galho dessa majestosa árvore. E como não se pode compreender um galho sem olhar para seu tronco, o documentário conta essa história pelas vozes de grandes Mestres, e também de alunos, discípulos e camaradas.

Auetu! Significa “e quem assim seja” em Kibundu, dialeto Bantu. E é com a intenção de olhar para o presente sem esquecer do passado que o filme procura celebrar esta rica herança deixada pelos nossos antepassados.

 

 

Ficha técnica

  • Direção: André Silvério [ Iso ]
  • Argumento e Ass. de Direção: Alan Oju
  • Produção: Zé Pedro
  • Produção Executiva: André Silvério
  • Fotografia: André Silvério [Isografia]
  • Som direto e mixagem: Raoni Gruber
  • Ilustrações e Capa: Victor Fão
  • Edição, Animação e Finalização: André Silvério

 

Santo André, Brasil, 2014

VI Mostra Itinerante de Capoeira Angola em Porto Alegre

VI Mostra Itinerante de Capoeira Angola em Porto Alegre

De 14 a 17 de março acontecerá a VI Mostra Itinerante de Capoeira Angola em Porto Alegre, uma proposta cultural que tem por objetivo promover a prática e a preservação desta cultura e arte ancestral afro-brasileira, ampliando seu acesso através de palestras, oficinas, exibições de vídeos e muitas rodas abertas de Capoeira Angola em diversos espaços públicos da nossa capital.

Este ano, contaremos com a presença de Mestre Renê (BA), Mestre Kunta (PR), Mestre Dindo (RS) e Contramestre Xandão (SP) para refletirmos sobre o tema: A capoeira angola enquanto instrumento de educação social e transformação pessoal.

O evento é uma iniciativa do Africanamente Escola de Capoeira Angola, organização autônoma e independente que há quase duas décadas atua na preservação e divulgação da filosofia da Capoeira Angola como instrumento de cidadania e educação social.

Africanamente Escola de Capoeira Angola

Centenário: Neta relembra histórias de João Pequeno

Neta relembra histórias de João Pequeno, que faria 100 anos nesta quarta

Nani de João Pequeno também é capoeirista e professora de Educação Física

“Eu sou um patrimônio da capoeira.” Essa frase, que foi uma das últimas de João Pereira dos Santos, mais conhecido como João Pequeno, é a que a sua neta mais velha, Nani de João Pequeno, mais tem orgulho de relembrar. Nani é Cristiane dos Santos Miranda, a primeira neta de João Pequeno de Pastinha, capoeirista angoleiro da segunda geração do mestre Vicente Ferreira Pastinha.

Centenário: Neta relembra histórias de João Pequeno Capoeira Portal Capoeira

Nascido no dia 27 de dezembro de 1917 – amanhã faria 100 anos -, ele foi o capoeirista mais velho a praticar a capoeira, e o fez até o último dia de sua vida, em 9 de dezembro de 2011, no mês em que completaria 94 anos de idade. “Ele fez a sua passagem no mesmo mês em que veio à vida”, diz Nani, no pátio do Forte da Capoeira, em Santo Antônio Além do Carmo, onde fica a Academia de João Pequeno de Pastinha, lugar sagrado para os capoeiristas do mundo inteiro.

“Eu sou um patrimônio da capoeira.” Essa frase, que foi uma das últimas de João Pereira dos Santos, mais conhecido como João Pequeno, é a que a sua neta mais velha, Nani de João Pequeno, mais tem orgulho de relembrar. Nani é Cristiane dos Santos Miranda, a primeira neta de João Pequeno de Pastinha, capoeirista angoleiro da segunda geração do mestre Vicente Ferreira Pastinha.

Nascido no dia 27 de dezembro de 1917 – amanhã faria 100 anos -, ele foi o capoeirista mais velho a praticar a capoeira, e o fez até o último dia de sua vida, em 9 de dezembro de 2011, no mês em que completaria 94 anos de idade. “Ele fez a sua passagem no mesmo mês em que veio à vida”, diz Nani, no pátio do Forte da Capoeira, em Santo Antônio Além do Carmo, onde fica a Academia de João Pequeno de Pastinha, lugar sagrado para os capoeiristas do mundo inteiro.

 

Saudade

No centenário do avô, o sentimento é uma mistura de saudade e reconhecimento. “Ele era um homem de poucas palavras. Costumava dizer: ‘fale pouco, olhe mais e ouça mais’. A simplicidade, o modo de falar, o jeito de cantar e o conhecimento que tinha estão guardados: “Ele nunca forçou ninguém a ser igual a ele. Mestre Zoinho, Mestre Aranha, Mestre Pé de Chumbo, Mestre Jogo de Dentro. Você consegue sentir a presença do meu avô, mas eles são autênticos, cada um tem seu jeito de ser, de levar e transmitir o conhecimento que o mestre deu para cada um”, diz Nani. Quando está em um jogo de capoeira, ela diz que a própria ginga a faz lembrar o seu avô.

 

Cobra mansa

O mestre João Pequeno seguia os ensinamentos de Vicente Ferreira de Pastinha, também baiano e conhecido por ser o maior propagador da capoeira angolana no Brasil. Pastinha costumava chamar João, seu aluno, de Cobra Mansa. O motivo do apelido, segundo Nani, é porque existiam dois ‘Joãos’ na academia dele: “Um João era alto e o outro era baixo, que era o meu avô. Enquanto um jogava mais embaixo, o outro jogava mais no alto. Mestre Pastinha dizia: ‘Na minha academia,  eu tenho dois Joãos. Um é cobra mansa e o outro é gavião. Enquanto um anda pelos ares, o outro enrosca pelo chão’”, explica ela.

Entre os diversos momentos vividos com o avô, Nani relembra o Carnaval de 2008, quando a capoeira foi homenageada. “Uma repórter perguntou sobre o que ele achava da homenagem e ele disse: ‘Ótimo. Tudo que é bom para a capoeira é bom pra mim. Se tá bom para a capoeira, tá bom pra mim’. Ele era muito espontâneo, acessível, aberto e sereno. Lembro desse momento com carinho, porque ele falava coisas que, muitas vezes, a gente desacreditava.”

 

Recomeço

Foi em 1952 que João Pequeno conheceu a sua “mãezinha”, a esposa, dona Edelzuíta. O mestre tinha acabado de perder a mulher devido a um parto complicado e, em Edelzuíta, encontrou uma forma de recomeçar no amor: “Eles se conheceram na academia do mestre Pastinha. Chamou minha avó para lavar as suas roupas de capoeira e aproveitou para convidá-la para ir ao cinema. Minha avó diz que eles não foram para cinema coisa nenhuma, foram logo para o barraco dele, e lá mesmo ela ficou”, relembra Nani, que sempre morou com os dois, no bairro de Fazenda Coutos.

Nani começou a praticar a capoeira com o avô aprendendo a ensinar, como ela mesma diz, nos anos 90, na academia de Fazenda Coutos, cuja construção foi um sonho do mestre João Pequeno.

“Ele me passou o método de ensino, as sequências de aula que eu deveria seguir. Ficava do meu lado e eu ia ensinando aos meninos na comunidade”, conta.

Em 2008, Nani começou a dar aulas profissionalmente em uma escola na Ribeira, mas foi no projeto Pequenos de João, encabeçado pelo seu avô, que ela começou a colocar em prática os ensinamentos.

 

 

Mulheres no jogo

No início, o mestre João Pequeno achava que mulher não poderia segurar o berimbau gunga – instrumento que comanda a roda, normalmente sendo tocado por um capoeirista mais antigo ou um mestre. Depois, enquanto treinava para seguir os seus passos, Nani perguntou a ele sobre segurar o gunga, e a resposta foi: ‘É claro. Você vai deixar um homem comandar a sua roda?’”.

“Não existe diferença entre um jogo de uma mulher ou de um homem, e nem deve ter. A palavra de ordem sempre foi respeito”, disse Nani, em tom sério. O mestre João Pequeno acreditava que a educação era para todos. Costumava questionar os seus discípulos: “Se você jogar com uma criança, você vai bater nela?”, dizia, pois, para ele, todo capoeirista iniciante era como uma criança que se desenvolveria através do jogo: e essa lição servia para ambos os sexos.

Sobre a presença feminina no esporte, Nani afirma que a mulher sempre esteve presente na capoeira, mas ‘escondida’ nos bastidores: “São as mulheres que fazem tudo acontecer. Todos os eventos e trabalhos que envolvem a capoeira, somos nós que organizamos. Minha avó sempre foi a capoeirista por trás das rodas e eventos do meu avô. Era ela quem trazia as comidas, as panelas, quem estava no fundo do quintal construindo os berimbaus, lixando as cabaças…”, afirma ela.

 

 

Presente

Nani é mãe de Gustavo e João, que nasceu após a morte do avô. “Nem pensei em outro nome. Foi um presente que eu ganhei logo após o falecimento dele”, conta ela. Assim como foi com Nani, os seus filhos aprendem a capoeira de forma natural: participando das rodas.

“Ele dizia que eu era a menina dos olhos dele. Eu fui a única que continuou na capoeira, meus irmãos pararam. De vez em quando até tentam, eu ainda não desisti deles”, compartilha ela, aos risos.

Nani completa que conheceu o lado familiar, pessoal de João Pequeno e só viu o lado capoeirista dele nos anos 90. “Ele já era muito sábio, mas tranquilo. Teve muita luta e nunca se deslumbrou nos meios em que andava.” João Pequeno e outros mestres cumpriram o seu legado. Agora, é fazer a capoeira se perpetuar.

* Renata Oliveira é integrante da 12ª Turma do Correio de Futuro, orientada pela editora Mariana Rios.

 

Fonte: http://www.correio24horas.com.br/

Capoeira Angola e Regional

CAPOEIRA ANGOLA E REGIONAL

Fugindo da aparência e ressaltando a essência.

 

O diálogo que propomos aqui faz referência ao universo das aparências no mundo da capoeira, ou seja, queremos tratar sobre os equívocos em relação à tradição herdada da obra de Bimba e Pastinha, que vez ou outra, são citadas como forma de justificarem ou validarem práticas que em muito se distanciam da realidade dos estilos desenvolvidos no processo histórico da capoeiragem.

Iniciaremos abordando um pouco sobre o conceito de “Tradição em Capoeira”, pois este tem sido mal compreendido e utilizado de forma errônea para validar posturas que em nada se relacionam com os ensinamentos básicos da arte. Neste sentido, precisamos entender que a tradição não pode ser encarada como algo imutável e/ou verdade única, pois sempre estará se desenvolvendo como fruto de cada tempo histórico e suas necessidades. Assim, em se tratando da capoeira, a grande maioria das coisas que chamamos de tradição atualmente foi inventada por volta da década de trinta, fato que comprova a mutabilidade do tradicional, contudo, não podemos negligenciar o valor destas transformações, ainda que recentes, para justificar inovações atuais incoerentes com os princípios capoeiristicos, pois aí estaríamos cada vez mais nos distanciando do potencial educativo simbólico de nossa arte.

Grupos intitulados atualmente de Angola ou Regional, tem apresentado um disparate metodológico e de fundamentos, quando investigamos a matriz do estilo que se dizem defensores, pois estes tentam fundamentar suas práticas em uma simbologia superficial e negligenciam princípios fundamentais das escolas tradicionais, ou seja, temos observado situações absurdas que estão paulatinamente confundindo os mais jovens e ainda criando paradigmas e verdades absolutas que em nada se relacionam com os trabalhos de Bimba, Pastinha e outros antigos mestres.

bimba_cocada_2

No caso da Regional, temos observado a redução deste estilo a simples utilização das seqüências, da bateria com um berimbau médio e dois pandeiros surdos, balões, uso da marca alusiva ao signo de Salomão numa camisa e principalmente ao “abuso” em relação aos ensinamentos de Bimba e outros fatores, fato que consideramos lamentável, pois não vemos os mesmos grupos preocupados em desenvolver os laços afetivos entre seus membros da mesma forma fraterna e respeitosa da tradição Regional, sendo seus praticantes apenas “peças” da engrenagem de negócio no mundo atual. Os capoeiristas desta “New Regional” esquecem de investigar a sistematização do estilo e a relevância oral dos mais antigos que fizeram parte da convivência para construção deste processo, desconsiderando que cada símbolo estrutural da Regional só ganhará sentido se considerado num determinado contexto e quando associado a todo o conjunto da obra, ou seja, usar a bateria não basta, usar as seqüências não basta, falar de Bimba todo o tempo não basta, pois a verdadeira forma de revitalizar seu legado seria, em minha humilde opinião, considerar toda a complexidade daquilo que não está descrito no manual da Luta Regional Baiana e sim na subjetividade das relações sociais dos praticantes e nos fundamentos iniciáticos dos ancestrais mantidos por Manoel dos Reis Machado.

Na Angola, o processo não está muito diferente da Regional, pois se vestir amarelo e preto, mesmo sem saber de onde vêm estas cores, jogar de forma acrobática e sem gingar muito, cantar de forma difícil de decifrar a letra e ainda ficar com trejeitos exóticos com “caras e bocas”, talvez só assim você seja considerado um “New Angoleiro” e possa vender o seu “produto” para alguém alienado por sua propaganda falaciosa. Absurdo, mas este tem sido o retrato da Angola no mundo, salvo os grupos sérios existentes e seus grandes mestres, que na maioria das vezes não estão no circuito internacional espetacularizado dos mega grupos.

velhos-mestre-ceca

Alguns grupos de angola, tem se comportado metodologicamente, como aqueles ditos “contemporâneos”, espetacularizando à prática, mercadorizando as vivências sob a forma de seqüências, que de tempos em tempos são modificadas como uma aeróbica na academia de ginástica, garantindo aos mestres/mercado o dinheiro do circuito internacional. Assim, pouco a pouco, a arte capoeira tem perdido lugar para uma prática “DENOREX”, ou seja, aquilo que parece ser e não aquilo que de fato representa, pois hoje existe uma “indústria” estereotipada de modelos de mestres e praticantes, que tem transformado tudo e todos em algo possível de ser consumido, desvalorizando, o aprender-fazendo, o respeito, a diversidade e a valorização do Ritmo, Respeito e Ritual como princípios geradores da vadiagem.

Queremos ressaltar que nossa intenção não se articula com a depreciação da capoeira Angola e Regional, mais sim pela reafirmação da beleza e contribuição destes estilos para capoeiragem, pois acreditamos que o potencial simbólico da capoeira tem sido negligenciado pelas armadilhas da busca desenfreada por notoriedade e concorrência de mercado de grupos perdidos/encontrados na total obscuridade das perspectivas transformadoras para um mundo mais crítico, criativo e autônomo.

Acreditamos que existem sim possibilidades a luz dos mais antigos e da obra dos que já se foram deste plano de existência, pois trabalhos como da FUMEB, do Mestre João Pequeno, Lua de Bobo e muitos outros, ainda representam um repositório dos fundamentos de nossa arte e neste sentido convocamos toda comunidade para um pensamento crítico e investigativo sobre as “verdades” da capoeira e seus falsos detentores, os quais lamentavelmente têm se multiplicado pelo mundo, considerando principalmente nossa inércia subserviente e desinformação sobre os princípios da capoeiragem na Bahia.

Capoeira e Suas Gravações Sonoras Históricas

Capoeira e Suas Gravações Sonoras Históricas

Regional, São Bento Grande de Angola e Reco-Reco

O fenômeno da capoeiragem é algo fascinante. Enquanto a parte da musicalidade avança cavalarmente, com novas roupagens rítmicas e cantadas – nem a Capoeira Angola escapa– vamos deixando para trás muitos registros sonoros históricos inexplorados. Na região de Rio Claro (SP), os amigos Prof. Pelicano e Prof. Guerreiro (Luis Lima), ambos do Grupo Muzenza, iniciam uma importante conversa em torno de uma dessas preciosidades sonoras: a gravação de Lorenzo Dow Turner [1]: “Então, São Bento Grande de Angola faz parte da Regional ou não?”. Segundo matéria do Portal Capoeira do camarada, de autoria do camarada Teimosia [2], além de Lorenzo Dow Turner, Franklin Frazier também foi responsável pelas gravações. Os registros foram feitos por volta de 1940, quando, em tese, a Luta Regional Baiana já estava “formatada”. Abem da verdade, meu primeiro contato com esses registros foi em 2006, quando a Dra. Leticia Vidor e colaboradores organizaram um curso de Extensão Universitária “A Capoeira na Academia”. Foi um curso fantástico, onde semanalmente vários temas eram exaustivamente debatidos por mestres e simpatizantes da capoeiragem em geral. Participaram Mestres Kenura, Alcides, Eli Pimenta, Janja, Emilio Careca, Cm Cenorinha, o saudoso Mestre Ananias, Mestre Marrom de Taboão da Serra, além de diversos representantes da “academia”. Até o Brincante Antonio Nobrega nos brindou com uma excelente palestra teórico-prática sobre a manifestação cultural “Cavalo Marinho”, e sua rica musicalidade e gestualidade. Foi emocionante ver como representantes de nossa cultura e arte podem alavancar toda uma trajetória cultural. Sem exaurir a lista de participantes, tivemos uma excelente aula de musicalidade com Mestre Dinho Nascimento, o Berimbau Blues do Morro do Querosene, região do Butantã, São Paulo.

Pois bem, retornando ao tema central dessa crônica, as gravações de Lorenzo e Franklin trazem reflexões interessantes. Para começar, tal registro apresenta Mestre Bimba e sua charanga cantando a Capoeira Regional, mas também conta com a participação do Mestre Cabecinha do grupo Estrela Capoeira Angola. Talvez uma das primeiras vezes em que Angola e Regional compartilham – de forma harmoniosa – um mesmo palco nos tempos antigos. Tempos em que a Regional buscava se firmar como uma nova forma de se praticar a capoeira da Bahia. Quando digo da Bahia é porque considero que também aconteceram outras Capoeiras, como a Capoeira-Luta de Sinhosinho no Rio Antigo, a de Pernambuco, que acabou enveredando para o Frevo, a Tiririca de Geraldo Filme, Toniquinho Batuqueiro, Pato Nagua em São Paulo, e outras que devemos tê-las perdido ao longo do tempo antes mesmo de ter a chance de conhece-las melhor.

Mestre Bimba e seu conjunto contribuiu com 4 faixas registradas no documentário e Mestre Cabecinha completou adicionando outras 6 contribuições, num total de 10 faixas.

 

A charanga da Regional sendo lapidada

Algo que também chamou a atenção é que, na época, as 4 faixas de Mestre Bimba utilizaram o São Bento Grande de Angola como base principal de ritmo. Inexplicavelmente, mais tarde – principalmente em seus 2 discos (1962 e 1969) – este toque deixaria de fazer parte do cardápio de Mestre Bimba, quando o mesmo introduz seus “7 toques da Regioná”. O amigo Prof. Verga (Ederson Renato), exímio pesquisador e responsável pelo grupo Capoeira Fundamento Ancestral de São Pedro (SP) avaliou minuciosamente os registros, e também concluiu que a base das gravações de M. Bimba foi SBG de Angola. Aliás, Prof. Verga tem algumas teorias interessantes sobre o que pode ter acontecido na época. Sugiro aos amigos da região convidá-lo para uma Surra de Arame, e ouvi-lo a respeito.

Sobre as gravações, a própria charanga de Mestre Bimba tem uma peculiaridade. Diferentemente do que hoje se vende como “Charanga da Capoeira Regional”, os instrumentos não se limitavam a 2 pandeiros e um berimbau. Tanto é que um dos instrumentos marcantes nas gravações é o reco-reco, que pode ser observado nitidamente em todas as faixas. Confirmando como a cultura é algo sempre em transformação, e no caso da “Regioná”, a mesma ainda estava em “formatação” por volta dos 1940.

Um outro ponto interessante é velocidade da charanga. Observando a faixa 1 da gravação é possível contar pelo menos 63 marcações completas do “tá tum tá” do pandeiro por minuto. Já nas gravações dos 2 discos de Mestre Bimba, os ritmos são bem mais cadenciados (por exemplo, o São Bento Grande do disco de 1969 tem 48 batidas de “tá tum tá” do pandeiro por minuto, sugerindo que ao longo do temo a Regional pode ter curiosamente “desacelerado”, adotando um ritmo mais manhoso e cadenciado. O que contraria muitos discursos de jovens mestres que advogam que a Regional veio para subir o ritmo porque a Angola era muito lenta.

Mas Mestre Bimba dá uma lição para não ser esquecida. Lá pela faixa 4, assim fala o narrador:

Ao som do Pandeiro, e do Berimbau e do Caxixi, cantará Bimba e seu conjunto, interpretando Angola, num momento em que relembra seus antepassados.

O mestre sabia muito bem suas origens, e não teria porque negar a importância da capoeira angola na base fundamental de sua luta regional baiana. Boa parte das próprias “quadras” e “corridos” entoados por Mestre Bimba nessa gravação, e mesmo suas “louvações”, se confunde com a musicalidade corrente da época – ver os registros de Mestre Cabecinha e do Mestre Juvenal.

 

O que chama ainda mais a atenção é que, se compararmos a musicalidade, cadência, e a forma de “louvação” que Bimba utiliza na gravação, Mestre Cabecinha vai na mesma toada, demonstrando o quanto aquelas capoeiras ainda não estavam tão dissociadas.

É hora de mergulharmos em águas mais profundas da história da capoeiragem. E é com alegria que vejo localmente os Capoeiras se reunindo para debater o universo de nossa arte, o que deve ser feito de forma tranquila e aberta, sem amarras e despidos de pré-conceitos (pré no sentido de conceito a priori). Vai daí que iniciativas como esta da Confraria Rioclarense de Capoeira pode ser um ótimo palco para tais conversas. Com certeza os Mestres da região de Rio Claro estão pensando nas principais temáticas a serem discutidos. E a musicalidade está, sem dúvidas, no cardápio. Parabéns Prof. Guerreiro, Mestre Cuica (Wilson Santana), Prof. Maxi, Prof. Milton Soares e demais “confrários” pela iniciativa. Todos ganharão muito com esta iniciativa.

Capoeira e Suas Gravações Sonoras Históricas Capoeira Portal Capoeira 1

Aproveitando o “adeus adeus” desta crônica, se preparem que logo o Prof. Pelicano, de Santa Gertrudes-SP, vai nos brindar com um novo livro. O tema não é outro senão possíveis origens indígenas de algumas vertentes de nossa arte. Com certeza, uma obra para ler na reguinha. E claro, tudo que é novo amplia debates e suscita novas discussões. Prof. Pelicano, estamos no aguardo do lançamento do livro. Tanto a Confraria Rioclarense, quanto o Vadiando Entre Amigos serão palcos para os primeiros eventos de lançamento do livro.

 

Sobre as gravações sonoras históricas, logo voltamos ao assunto. Tem muito tempero neste guisado para ser apreciado.

 

Referências:
[1] https://www.youtube.com/watch?v=65SGEOFow7I
[2] http://portalcapoeira.com/tag/lorenzo

AS CHAMADAS OU PASSO A DOIS

AS CHAMADAS OU PASSO A DOIS

ALGUMAS COISAS NA CAPOEIRA, SĀO VISTAS COMO FUNDAMENTO.

MAIS NA VERDADE SĀO NORMAS OU PROCEDIMENTOS INTERNOS E/OU PESSOAIS, QUE TAMBEM DEVEM SER RESPEITADOS.

SENĀO VEJAMOS : SEMANA PASSADA FUI QUESTIONADO SOBRE O SEGUINTE.

SE ALGUEM QUE NĀO É MESTRE, ESTIVER JOGANDO COM UM MESTRE.

DURANTE O JOGO PODE FAZER UMA CHAMADA PARA O MESTRE ?

A CHAMADA OU PASSO A DOIS ESTA INCLUIDA EM UM JOGO SENDO UMA DAS CARACTERISTICA DA CAPOEIRA ANGOLA. PORTANTO SE ALGUEM ESTA JOGANDO COM UM MESTRE É POR TER CONDIÇOES DE ALI ESTAR… E SENDO A CHAMADA PARTE DO JOGO, LOGICO QUE PODE CHAMAR O MESTRE SIM.

MESTRE GENI

QUANDO EU AINDA NĀO ERA MESTRE E ALGUM MESTRE ME DAVA A HONRA DE JOGAR COM ELE, ESTE DE UM CERTO MODO, ME INCENTIVAVA A TAMBEM FAZER A CHAMADA.

POIS SE EU SOMENTE FOSSE CHAMADO NĀO APRENDERIA A MANEIRA CORRETA DE CHAMAR.

POIS O MESTRE ATENDENDO A CHAMADA, ESTARIA TAMBEM ME ENSINANDO COMO EU ATENDER DE MANEIRA CORRETA E SEGURA..

POREM SE ALGUM MESTRE OU NUCLEO DE CAPOEIRA DIZ QUE SOMENTE O MESTRE DEVE FAZER A CHAMADA É UM PROCEDIMENTO E NĀO UM FUNDAMENTO.

QUE TAMBEM DEVE SER RESPEITADO POIS CADA UM MANDA EM SUA CASA, ONDE DITA SUAS NORMAS E PROCEDIMENTOS !

Mestre Geni

https://www.facebook.com/profile.php?id=100004297996124&fref=ufi

Os Manuscritos do Mestre Pastinha

Durante a visita do camarada Bruno Souza (Teimosia), ao Mestre Decanio, em 2003, eles se encaregaram de nos presentear com uma raridade… uma verdadeira jóia da capoeiragem… digitalizaram todos os manuscritos de Vicente Ferreira Pastinha, para garantir a preservação do material histórico.

Os manuscritos do Mestre Pastinha. O famoso “caderno-albo”, onde Pastinha deixou sua poesia, desenhos, sabedoria e experiências de vida, é um calhamaço de 200 e poucas páginas – já amarelecidas pelo tempo.

A letra e a prosa são rebuscadas, mas é um prazer ver destiladas ali a sabedoria simples e profunda do mestre.

A leitura é boa para capoeiristas, historiadores e qualquer pessoa que acredite que se pode aprender com o passado.

As páginas foram digitalizadas em alta resolução (formato JPG), permitindo uma boa impressão.

Cortesia: Mestre Decanio e Teimosia

Capoeira Angola por Mestre Pastinha

O livro: “Capoeira Angola“, com prefácio de Jorge Amado foi originalmente lançado em 1964, pela Gráfica Loreto. A edição disponivel para download é datada de 1988, já em sua 3ª edição. Capa: Carybé

“É muito raro sair acidentado algum capoeirista em conseqüência da prática da Capoeira em demonstrações esportivas, porém, tratando-se de enfrentar um inimigo, a Capoeira não é dotada somente de grande poder agressivo, mas possui uma qualidade que a torna mais perigosa – é extremamente “maliciosa”.

O capoeirista lança mão de inúmeros artifícios para enganar e distrair o adversário: Finge que se retira e volta rapidamente; deita-se e levanta-se; avança e recua; finge que não está vendo o adversário para atraí-lo; gira para todos os lados e se contorce numa “ginga” maliciosa e desconcertante.

Não tem pressa em aplicar o golpe, ele será desferido quando as probabilidades de falhar sejam as mínimas possíveis.

O capoeirista sabe aproveitar de tudo o que o ambiente lhe pode proporcionar”.

  • fonte:texto extraído do livro “Capoeira Angola”, de Mestre Pastinha

 

Agradecimentos:

Bruno Sousa – Teimosia

Escola de Capoeira Angola Resistência comemora os 125 anos de história do Mestre Pastinha

Entre os dias 31 de março e 6 de abril, a Escola de Capoeira Angola Resistência comemora os 125 anos de história do Mestre Pastinha, um dos principais mestres de Capoeira da história, com uma semana de diversas atividades.

Na programação da semana está uma exposição de fotos retratando um pouco da vida do Mestre Pastinha, a exibição do filme “Mestre Pastinha, Uma vida pela capoeira”,  roda de conversa, aula aberta de Capoeira Angola com professores, além de muita roda de capoeira.

As atividades acontecem em diferentes locais da cidade de Campinas e também em Hortolândia. Haverá rodas de capoeira na Praça Rui Barbosa, na Lagoa do Taquaral, na Estação Cultura, onde fica a sede da escola em Campinas, e nos núcleos de Hortolândia, Pirassununga e Barão Geraldo.

Mais informações em nosso site: www.escolaresistencia.com.br