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Gerontocapoeira: Conhecendo as vivências

Uma abordagem da Educação Física Gerontologica no município de Tabatinga-Am.

 

Nos últimos anos, profissionais de diversas áreas da ciência interessam pela Gerontologia. Na Educação Física, estudar e entender o idoso com qualidade e respeito é uma “nova tendência”. Na Capoeira temos muitos praticantes com mais de 60 anos de pratica e outros que estão apenas iniciando no mundo da Capoeira, agora na terceira idade. A novidade agora é que os da idade tardia podem iniciar a arte da Capoeira de acordo com as suas qualidade física e habilidades, aqui considerados Gerontocapoeiristas.

A contribuição relevante a este tema, foi a minha observância quanto praticante desta modalidade desportivo-cultural, a capoeira, por mais de 24 anos de pratica no ano de 2009, onde dos 24, há 14 anos ensinando a arte da capoeira, nesta caminhada tive vários alunos idosos, mesmo empiricamente mantive todos os cuidados necessários e não tive problemas com nenhum deles. Agora há uma necessidade de ampliar há mais idosos interessados, já com uma visão cientifica na área de Educação Física enquanto acadêmico (LIBEF/UEA 2008-2011) e abrir vagas para aqueles que não tiveram a oportunidade de aprender e conhecer profundamente a arte da Capoeira.

Segundo Puga Barbosa (2003, p. 21), “como conceito total de gerontologia temos o estudo do envelhecimento em toda e qualquer enfoque. É necessário bojo que temos subdivisões a Educação Física, desta feita adaptada a pessoa em fase de envelhecimento”.

Ao observar um Mestre de Capoeira de vanguarda jogar capoeira é admirável, encanta e assusta, devido a grande saúde corporal mostrado por ele. Temos como exemplo o Mestre de Capoeira Angola João Pequeno de Pastinha, com 92 anos de idade (uma criança de 92 anos), deixa muitos jovens para trás e no chão. Suas histórias e experiências fazem e dão vontade de promover a gerontocapoeira como uma alternativa para aqueles que muitas vezes tem obstáculos sociais e familiares. Mestre João Pequeno tem uma vasta experiência e é um grande exemplo de vida para muitos praticantes de Capoeira.

Para Puga Barbosa (2000) apud Puga Barbosa (2003, p. 21):

educar para o envelhecimento, e a da base da educação física gerontologica, preocupa-se em adequar a seus clientes, cada vez mais individuais em suas características heterogêneas, os conteúdos da profilaxia e das questões sociais do envelhecimento se aliando a dança, ginástica, jogo, recreação e esporte, acatando os princípios pedagógicos e biopsicossociais.

Há uma preocupação muito grande com os gerontocapoeiristas, por isso é necessário antes de tudo observar o acompanhamento médico para prevenir qualquer situação e uma integração de vários profissionais que trabalham com os idosos. Como exigência, o exame de saúde e o acompanhamento médico se fazem necessário, pois assim, poderemos verificar o tipo de atividade capoeirística e as limitações para cada indivíduo.

Já Moreira (2001, p. 17) afirma que,

o envelhecimento e a expectativa de vida, em todas as populações do mundo, constituem um problema emergente nos vários segmentos sociais. O ritmo de crescimento na população idosa, segundo Passarelli (1997, p. 208), relaciona-se diretamente com a diminuição das taxas de natalidade e mortalidade infantil, a melhoria no tratamento das doenças infecciosas e condições de saneamento básico, e o acesso aos serviços de saúde para um número maior de indivíduos.

Toda segurança possível é necessário. Por isso, qualquer atividade deve ser planejada e observada as restrições. O aquecimento – alongamento antes do treino é sempre necessário, essas aulas de gerontocapoeira devem sempre esta ligada as áreas abertas de boa circulação de ar, com uma preocupação planejada de exercícios físicos antes, durante e depois do treino (aula de gerontocapoeira). O lugar onde é feito os movimentos (chão) deve ser acolchoado ou um lugar com grama macia.

No projeto de pesquisa antes da aplicação da gerontocapoeira em 2008, na cidade de Tabatinga, Estado do Amazonas, com o apoio da Associação de Capoeira Ave Branca e de Estudantes do Curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física da Universidade do Estado do Amazonas, o objetivo maior foi entender quais os níveis de flexibilidade que dependem da articulação para a pratica da gerontocapoeira, sem lesões aos ligamentos dos tendões, músculos e pele.

Observamos também, a mobilidade articular e a elasticidade muscular durante a pratica da capoeira para a terceira idade; a realidade de cada indivíduo; se os requisitos práticos da capoeira poderiam ou não prejudicar o iniciante; verificamos até que idade cada idoso poderia realizar determinado movimento e a sua motricidade do idoso. Foi assim observamos as vontades, as evoluções de cada praticante e que tudo depende da individualidade biológica para cada idade.

Como metodologia, tivemos o desenvolvimento do projeto inicialmente por meio de reconhecimento ao espaço físico e primeiro contato com os idosos. Depois construímos uma seleção de movimentos de capoeira de maneira gradual e com bastante observação na execução de cada movimento de acordo com a motricidade de cada indivíduo e foi uma grande experiência.

Apresentamos aqui nosso programa de Gerontocapoeira está fixado nas seguintes situações: Fundamentos; Técnicas e Exercícios de respiração; Relaxamento; Alongamento e Etc.

O objetivo da Gerontocapoeira é a valorização da idade tardia, onde todos participam integralmente, integradamente e gradualmente das técnicas de estimulação no jogo de capoeira (gerontocapoeira), a percepção de si próprio e a relação interpessoal, com base nos fundamentos apresentados.

 

Fundamento teórico biológico:

– Sistema muscular;

– Sistema ósseo;

– Sistema nervoso;

– Sistema cardiorrespiratório (freqüência máxima e mínima);

– Sistema circulatório;

– Degeneração articular;

– Prevenção de acidentes na Capoeira (na Gerontocapoeira).

 

Fundamento teórico social:

– Conceituação;

– Fatos da diminuição das costelas sociais;

– Independência social;

– Expectativa da sociedade.

 

Fundamentos teóricos capoeirísticos:

– Conceituação;

– O que é Gerontocapoeira;

– História da Capoeira;

– Grandes nomes da Capoeira;

– Musicalidade da Capoeira (Cânticos e instrumentos musicais da capoeira);

– Estilos de Capoeira (Angola e Regional);

– Roda.

 

Técnicas individuais e interpessoais:

– Avaliação do seu EU;

– Dificuldades em relação ao quadril, joelho e tendões;

– A importância do trabalho de flexibilidade, habilidade e força;

– Situação físico-motor;

– Níveis de flexibilidade que depende da articulação para a pratica da gerontocapoeira sem lesões aos ligamentos dos tendões, músculos e pele;

– Ginga; golpes, esquivas e movimentos capoeirísticos.

Os itens expostos acima devem ser indicados com base em exames médicos e acompanhamento por um profissional da educação física.

Portanto, para entender melhor o tema é necessário fazer uma vivencia pratica com os anciãos, onde proponho a pesquisa e a implementação nos Programas da Terceira Idade em todo o Brasil, como exemplo da cidade de Tabatinga. È necessário essa aplicação para que mais pessoas possam ter um envelhecimento saudável através da pratica da capoeira, mais precisamente da gerontocapoeira.

As entidades capoeirísticas também podem adotar este sistema de ensino de capoeira (gerontocapoeira) para a terceira idade em seus estabelecimentos, não esquecendo de buscar integrar outros profissionais, como médicos, psicólogos, assistentes sociais, profissionais da educação física, nutricionistas, mestres de capoeira e outros que poderão contribuir com os nossos anciãos.

 

Referencias

CAPOEIRA, Dedão. Gerontocapoeira: Capoeira para a terceira idade. Tabatinga: Associação de Capoeira Ave Branca, 2008.

PUGA BARBOSA, Rita Maria dos Santos (Org.). Educação Física Gerontologica: Construção sistematicamente vivenciados e desenvolvidos. Manaus: EDUA, 2003.

MOREIRA, Carlos Alberto. Atividade Física na Maturidade: avaliação e prescrição de exercícios. Rio de Janeiro: Shape, 2001.

 

* Edney da Cunha Samias, é Licenciado em Geografia pela Universidade do Estado do Amazonas; é Pesquisador amazonólogo pelo Núcleo de Estudos Estratégicos Pan-Amazônicos; é estudante de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física na Universidade do Estado do Amazonas; é Mestre de Capoeira pela Associação de Capoeira Ave Branca do Distrito Federal do Mestre Kall; conhecido no mundo da Capoeira como Mestre Dedão; E reconhecido por muitos Mestres de capoeira como Pai da Gerontocapoeira. Atua na cidade de Tabatinga-Amazonas e faz supervisão nas filiais da Associação de Capoeira Ave Branca na Colômbia e no Peru.

Contato: Celular: (97)9153-4944       E-mail: edney_cunha@hotmail.com

Web: http://www.avebrancacolombia.es.tl

http://avebranca.esporteblog.com.br

Endereço para correspondência:

Beco Marechal Rondon, 5, Portobras, CEP 69640-000, Tabatinga-Am.

Artigo apresentado a Associação de Capoeira Ave Branca, 2010.

CAPOEIRA: Origem e Significado do Vocábulo

Matéria retirada do Jornal do Capoeira, www.capoeira.jex.com.br
Mantendo a colaboração e a parceria estabelecida entre estes dois meios de comunicação, o Portal Capoeira selecionou uma matéria interessante… vale a pena conhecer… e refletir…
Luciano Milani

Esta crônica foi a primeira enviada pelo Capoeira-Pesquisador Raphael Pereira Moreno, de São Carlos-SP. Na verdade é ela que inaugura a série “Toques de Capoeira”, que o autor, gentilmente, estará enviando para nosso “Jornal do CAPOEIRA”.
Do minidicionário de língua portuguesa Aurélio Buarque de Holanda Ferreira:

ca.po.ei.ra.1
s. f. 1. Gaiola grande onde se criam e alojam capões e outras aves domésticas. 2. O conjunto das aves domésticas.
ca.po.ei.ra.2
Bras. s. f. 1. Terreno onde o mato foi roçado e/ou queimado para cultivo da terra, ou outro fim. 2. Jogo atlético individual, com um sistema de ataque e defesa. * S2g. 3. Quem o pratica.
Do dicionário eletrônico Michaelis:

ca.po.ei.ra.1
s. f. 1 Mato de pequeno porte que nasceu nas derrubadas da mata virgem. 2. Esp. Jogo atlético de ataque e defesa.
ca.po.ei.ra.2
s. f .2. Jacá para transportar galinhas.

José de Alencar, primeiro estudioso a analisar a palavra CAPOEIRA, em 1865, propôs para a origem do vocábulo o tupi CAA-APUAM-ERA, traduzido por ilha de mato já cortado. A composição da palavra ainda não foi totalmente esclarecida existindo diversas possibilidades para a montagem do vocábulo. Seguindo na proposta de origem em um vocábulo tupi-guarani, as opções mais aceitas pelos pesquisadores são CAÁPUÊRA e COÓPUERA.
Analisando CAÁPUERA, origem proposta em 1880 por Macedo Soares, nas palavras portuguesas de origem guarani, a sílaba CÁ, do guarani CAÁ, significa coisa de mato, planta, floresta virgem ou erva. Enquanto que o adjetivo PUÊRA significa a expressão do pretérito, que quer dizer o que foi, não existe mais. Portanto, pode-se aceitar como significado para a palavra capoeira mato extinto.
Tomando como partida a palavra COÓPUERA,onde COÓ significa roça, a palavra CAPOEIRA tem como significado roça abandonada. Para quem defende essa segunda versão, a palavra passaria de coópuera para capoeira, como evolução natural, assim como já aconteceu com outras palavras.
Também se atribui a palavra CAPOEIRA ao nome popular de uma ave (Opontoohorus Capueira, Soix), também conhecida por URU ou URU-DO-NORDESTE. É uma ave que vive no chão, muito semelhante ao faisão e CAPOEIRAS também eram chamados os caçadores desta ave. Em outro sentido para capoeira, Macedo Soares nos conta que os moleques ou pastores que vigiavam gado, para chamarem uns aos outros e também ao gado, reproduziam o canto da capoeira (URU) assobiando. Dessa forma o moleque que tinha essa missão era chamado capoeira.
Hoje em dia, existem mais de 25 definições para a palavra capoeira, porém na grande maioria, com significados em algum tipo de mato ou ave.
Aqui também podemos abrir um espaço para uma outra face interessante dessse assunto, que são as diferentes formas faladas ou escritas, já com a intenção de designar a arte da Capoeira. Em registros do início do século passado e em alguns nem tão antigos (anos 60) encontramos as formas CAPUEIRA, CAPUERA, CAPOERA e CAPOEIREIRO designando o jogo ou os praticantes. CAPOEIRAGEM é outra forma bastante utilizada, principalmente ao analisar os registros do Rio de Janeiro antigo.
Com a origem e o significado morfológico da palavra CAPOEIRA não completamente resolvidos, porém em parte entendidos, podemos começar a analisar a ligação entre o nome tupi-guarani e o nosso “jogo de pernas pro ar”.
Ainda que existam pesquisadores que relacionem o jogo da capoeira que nós conhecemos com o comportamento ciumento da ave protegendo seu território, de todas as definições já apresentadas por folcloristas e estudiosos, acredito que duas podem realmente nos levar a origem do nome dessa nossa luta-dança-esporte-música afro-brasileira.
Na primeira delas, os negros escravos, durante suas horas de folga (que de fato eram muito poucas) se reuniam num local de mato rasteiro, já cortado, onde realizavam suas danças, resquícios de um passado livre na África. Danças inofensivas aos olhares dos ioiôs, iaiás e feitores. Nesse ritual, os negros camuflaram um treinamento de luta, e mais do que isso, mantiveram uma ligação entre o processo de aculturação – os horrores na senzala – imposto pela escravidão e as manifestações culturais nativas de seus  povos.
Na segunda, os negros escravos ou forros levavam gaiolas de aves para serem vendidas nos portos e mercados, e enquanto estes não abriam suas portas, os negros se divertiam numa brincadeira de pernadas e cabeçadas.
Neste momento chegamos a um conflito histórico e muito discutido pelos capoeiras e historiadores. Se seguirmos a primeira ligação, onde o negro escravo na senzala se utilizava da dança como um treinamento camuflado visando a liberdade, acabamos por definir o surgimento da capoeira como um fenômeno estritamente rural que foi se expandindo até atingir as cidades. Em contrapartida, adotando a explicação das brincadeiras nos portos, chegamos a um surgimento urbano da capoeira.
Há também quem diga que na origem da capoeira existiu forte influência indígena… mas é inegável a presença dos valores africanos nos rituais… porém, essa discussão já é assunto para um próximo texto! (ler: Brasil ou África: onde nasceu a capoeira?)
Sagu ” raphaelmoreno@yahoo.com.br
São Carlos – 20/09/2004
Fontes consultadas:
1. Waldeloir Rego. “Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico”, Ed. Itapoan, Salvador, 1968.
2. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Mini dicionário da língua brasileira Escolar.
3. Michaelis. Dicionário eletrônico.
4. Alceu Maynard Araújo. “Folclore Nacional”, 1967.
Aproveite e consulte o Dicionário da Capoeira, uma ferramenta interativa com vocábulos pertencentes ao mundo da capoeira

JOÃO GRANDE

João Oliveira dos Santos – Mestre João Grande, PHD Honoris Causa.

Um dos principais díscipulos do mestre Pastinha. Por mais de 40 anos o Mestre João Grande tem praticado e ensinado Capoeira Angola. Ele viajou para África, Europa e América do Norte, onde ensina atualmente, em sua academia na cidade de New York.
De lá ele continua mantendo o intercâmbio com a Bahia e acompanhando a movimentação da Associação Brasileira de Capoeira Angola.
The Capoeira Angola Center of Mestre João Grande. 69 West 14th St. 2nd flr. NEW YORK, NY 10011 – Near 6th Ave. Tel: (212) 989 6975

Iúna

Este toque foi criado por Mestre Bimba e comanda um jogo a ser executado exclusivamente por alunos formados e mestres.
Era costume, na academia de Mestre Bimba, que os alunos aplaudissem um companheiro, depois que este realizasse um jogo de iúna. O jogo é acrobático e técnico e os capoeiristas devem explorar a beleza dos golpes e movimentos, integrando-se e respeitando-se dentro da roda. Não há canto, nem palmas durante a execução deste toque.

* Dizem os antigos que neste toque ressoa o canto da ave Inhuma (ou Anhuma) e conta a lenda que ela é portadora de uma força mágica. Encantada, dos seus pios de desprende a magia dos deuses…