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Fabricando uma estética da Capoeira : uma visão do documentário Fly Away Beetle

Verificamos que tem havido, nos últimos anos, uma produção crescente de documentários e filmes sobre a capoeira. Contudo, essa produção desde sempre existiu, embora circunscrita ao âmbito nacional e quase sempre envolta a outras temáticas da cultura afro-brasileira. Não era de espantar que esse crescimento exponencial se verificasse se tomarmos em conta o processo acelerado de globalização da capoeira e as apropriações diversas que a indústria cultural faz da cultura popular no mundo.

Um dos melhores exemplos de difusão da capoeira através dos meios audiovisuais foi o filme Only the Strong, lançado em 1993 e que no Brasil ganhou o nome de Esporte Sangrento. Visto em todo mundo, por milhares de jovens, o filme inspirou uma geração de praticantes que, não tendo acesso ao ensino formal da capoeira, deram início à sua prática através do filme. Mas não é isso que nos interessa de todo no filmes sobre a capoeira, se não a sua capacidade de gerar uma estética performativa que prende-se à invenção de um certo exotismo, de uma etnicidade, de uma tradição e uma certa tropicalidade que se reinventa ao longo dos tempos. O que seria do samba sem a figura eminente de Carmén Miranda, que ajudou a projetar o estilo musical por além-fronteiras e subscrever-lhe a certidão de nascimento como símbolo nacional brasileiro. Na década de trinta a cantora realizou, entre outros, dois filmes importantes, A voz do Carnaval e Banana da Terra, onde canta a celebre canção “O que é que a baiana tem?”, de Dorival Caymi. O mesmo ocorreu com o tango, que reforçou a sua argentinidade com os filmes realizados por Carlos Gardel na primeira metade do século XX. Nos exemplos citados do samba e do tango, observamos que, já em tempos idos, as indústrias cinematográfica e fonográfica andavam de braços dados na fabricação de símbolos e imaginários de uma certa estética da cultura popular que se, por um lado, levava audiências ao cinema, por outro, vendia discos. No que toca a capoeira, as trocas simbólicas tem favorecido, por conveniência, ambas as partes. Em verdade, podemos dizer que, de uma maneira geral, as artes visuais sempre se valeram da capoeira como elemento de exploração artística e estética ao mesmo tempo que fabricavam uma esteticidade para a capoeira. Veja-se os exemplos das pinturas de Carybé e as fotografias de Pierre Verger, tão famosas, hoje, em todo mundo.

Poderíamos aqui trazer um elenco muito vasto de filmes nacionais e internacionais que trataram a capoeira: Barravento, O pagador de Promessas, Dança de Guerra, Cordão de Ouro,, Pastinha: uma vida pela capoeira, Capoeira Iluminada, Mandinga in Manhattan, Besouro, entre outros tantos que escapam a essa lista. Fly Away Beetle surge na sequência desses filmes e, de uma certa forma, como uma extensão de todos, sobretudo os de caráter documental, embora na sua linguagem estética se afaste deles.

O documentário traz o depoimento de alguns mestres respeitados como guardiões, ainda vivos, da capoeira, a exemplo de Boca Rica, Olavo dos Santos e Cobra Mansa. Para além disso, traça o percurso de vida de Roque Batista, jovem que tendo saído dos meios mais desfavorecidos da capital baiana, foi resgatado da marginalidade para tornar-se um professor de capoeira. O enredo não é de todo desconhecido para nós capoeiristas: a capoeira como prática de resgate dos mais desfavorecidos e a capital baiana, abrigo dos principais interlocutores da tradição da capoeira, em verdade a Meca da capoeira para alguns e epicentro da cultura afro-brasileira.

Para além dos renomados mestres e de Roque Batista, destacamos que o filme tem muitos outros personagens secundários que, apesar da sua pouca visibilidade, desempenham um papel importante no discurso que o filme apresenta em suas entre-linhas. Falo dos capoeiristas que, em visualização mais acelerada, deferem golpes num bailado típico da capoeira contemporânea. A exibição dos corpos e dos cenários urbanos da capital baiana ressaltam uma estética da capoeira morena e tropical. Chama a atenção que grandes partes das tomadas são feitas ao ar livre, nas praças, Igrejas e locais públicos onde se joga bola, onde a baiana vende seus produtos e coexiste a capoeira. São essas mesmas cenas que, em  Fly Away Beetle, contrastam com os depoimentos dos mestres mais antigos, Boca Rica e Olavo dos Santos, os quais, por meio de suas próprias histórias, nos transportam para uma época de uma capoeira marginal, violenta, perseguida, desvalorizada, repudiada pela sociedade. É através dessa relação que Fly Away Beetle nos apresenta um paradoxo e ,certamente, o que o filme trás de mais importante. A capoeira, prática desenvolvida no Brasil por escravos africanos e seus descendentes diretos – assim como o samba e outras manifestações de matrizes africanas, até pouco tempo relegadas ao status de “coisa de preto” – completou a sua transição entre polos opostos, deixando de ser vista pelas elites como “um dos fatores da nossa inferioridade como povo”, alcançando os meios artísticos e constituindo, hoje, um dos símbolos da nossa identidade nacional. No entanto, a história de Roque Batista aparece no filme para nos lembrar que, apesar da capoeira ter chegado em Hollywood, a população afro-brasileira continua confinada à marginalidade, à pobreza e à miséria, carentes de projetos sóciais ou de uma tábua-de-salvação como o samba, o futebol ou a capoeira, que lhes resgate da exclusão social.

No mais, vale a pena estabelecer uma relação entre Fly Away Beetle e o filme Besouro, lançado no ano passado. Besouro, cuja história se passa na velha Bahia, trás a figura de Mestre Alípio, que tal como os Mestres Olavo, Boca Rica e Cobra Mansa, representam o mestre ancião, guardião das tradições, mestre de Besouro. Recordamos também que Besouro passa grande parte do tempo na mata selvagem, onde entranha-se com os seres da floresta e a sua tropicalidade espiritual. O Besouro de Fly Away Beetle é Roque e a sua mata é a selva urbana de Salvador, recheada de perigos que conduzem o homem a desordem social, ao caos e a entropia. O seu elemento de metamorfose de homem em inseto voador é a capoeira, mágica, negra, mestiça, tropical, ancestral, ritualizada num mundo cada vez mais secularizado.

Apesar da obviedade e da natural desconstrução que se impõe, não posso deixar de enfatizar que em grande parte a capoeira tem de fato estado a serviço da cidadania e do resgate da cultura afro-brasileira. Roque Batista é um entre tantos brasileiros a quem a capoeira deu existência, seja por que tornou-se um dos divulgadores da arte, seja por que o filme inventou-lhe o personagem na vida e em particular no mundo da capoeira.

A conversão do popular em objeto estético é uma magia que o cinema bem sabe fazer, adoçada pelas imagens da não menos mítica capoeira, em tempos pós-modernos. Não espanta que a estreia do filme na Europa fez-se em duas grandes metrópoles pós-coloniais como Lisboa (Universidade de Lisboa) e nos auditórios de Londres, onde as platéias globalizadas consomem o que na periferia mundial se produz. Roque and roll, afinal, são produtos globais.

Ricardo Nascimento

Geógrafo

Mestre em Sociologia da cultura

Doutorando em Antropologia

Professor de capoeira

Rio Pardo: Batizado de capoeira une gerações

ASSOCIAÇÃO PRETO RICO DE OXÓSSE FAZ, NESTE DOMINGO, TROCA DE CORDAS DE 70 ALUNOS DE PROJETOS SOCIAIS

Liberdade. Com essa palavra Genésio da Rosa Batista, popularmente conhecido como Mestre Jararaca, define o que a capoeira representa para as pessoas que a ela se dedicam. Em Rio Pardo, não são poucos os alunos atendidos pelo projeto da Associação Preto Rico de Oxósse. Aproximadamente 70 capoeiristas serão batizados neste domingo, depois de muitos anos de dedicação e força de vontade. O evento, que reunirá professores, mestres e contramestres de todo o Estado, será realizado no Ginásio Guerino Begnis, o Guerinão, a partir das 14 horas. Entre as pessoas que receberão novas cordas para designar o grau atingido, estão 15 alunos da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e Escola Especial Renascer, de Rio Pardo.

Segundo Genésio da Rosa Batista, as atividades terão a participação de mestres de várias cidades do Estado, entre eles Carcará (Lajeado), Pelé da Bomba (Porto Alegre), Pola e Ademir (ambos de Santa Cruz do Sul) e Neri Saldanha (Rio Pardo). “Esperamos que o público compareça, pois se trata de um momento único para esses dedicados alunos”, diz Batista. Além do batismo, haverá apresentações folclóricas da Associação Beneficente Reino de Oxum. “Faremos a troca da primeira corda até o nível de monitor”, explica Mestre Jararaca. Ele destaca que o esporte é muito bem aceito em Rio Pardo, sobretudo pelo trabalho desenvolvido ao longo de pelo menos 20 anos. “Temos de mostrar que é preciso valorizar a nossa cultura”, afirma. 

Para se tornar um aluno, salienta Genésio, é preciso somente boa vontade. “Aproveito a oportunidade para agradecer aos colaboradores e à Prefeitura, que sempre nos ajuda quando precisamos.” Para a professora de educação física da Escola Especial Renascer, Sandra Eisenhardt, o projeto de capoeira é importante para os alunos porque desenvolve habilidades físicas e motoras. “O aumento da sociabilidade é um dos pontos relevantes nesse aprendizado”, explica. O grupo de 15 estudantes da Apae já conseguiu, em 2008, um ótimo resultado dentro das Olimpíadas Especiais Estaduais, quando trouxe a Rio Pardo o primeiro lugar em capoeira. “A expressão corporal proporcionada pela dança e pela música é uma ferramenta ótima para esses educandos”, frisa Sandra. 

Para o estudante rio-pardense Lucas Azeredo, 20 anos, a capoeira é bem mais do que um simples esporte. Há oito anos, com bronquite, ele nem se imaginava fazendo tantos movimentos acrobáticos. “Depois que entrei no grupo, além de me tornar uma pessoa mais disciplinada também me curei dessa doença. É por isso que só tenho a agradecer.” Azeredo treina duas vezes por semana, mas diz respirar a arte até em casa. “A gente coloca as músicas típicas e fica brincando. Durmo e acordo pensando em capoeira”, diz. Todos os domingos, ele vive momentos especiais. “Nos reunimos e promovemos rodas de capoeira. Começo a semana muito bem.”

  • ALUNOS da Escola Especial Renascer desenvolvem atividades físicas com a participação no projeto e já conseguiram um prêmio em olimpíada estadual

Missão de viver e aprender

Uma das apoiadoras do projeto de capoeira é a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Viver e Aprender, com cinco anos de atuação em Rio Pardo. Além da capoeira, a instituição desenvolve atividades de ecoterapia, reciclagem, fabricação de bolas, entre outras. Segundo a presidente, Regina Tarantino, em dezembro a Viver e Aprender lançará um novo projeto, com o objetivo de reformular sua ação social por meio de uma nova estratégia de obtenção e gerenciamento de recursos. Trata-se de um plano voltado para a comunidade, com a geração de emprego e renda, além da divulgação das belezas do município. “O Clube do Bem Viver desenvolverá marcas baseadas na história de Rio Pardo”, salienta Regina. 

O gestor de projetos da Oscip, Magno Ferreira, lembra que a renda obtida com a venda de produtos da grife Rio Pardo será revertida aos outros projetos da entidade. “Não podemos depender somente de recursos públicos, pois as atividades não podem parar”, diz.

 

Fonte: www.gazetadosul.com.br

Microprojetos Mais Cultura Mais oito cidades realizam oficinas sobre o edital

Representantes do Ministério da Cultura (MinC) estarão nesta semana em Roraima, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins para dar prosseguimento às oficinas Microprojetos Mais Cultura na Amazônia Legal. Esta é uma oportunidade para jovens, artistas, grupos artísticos e produtores culturais terem conhecimento de como apresentar projetos e concorrer ao edital inédito que destina R$ 13,8 milhões para financiar projetos culturais da região amazônica.

As oficinas serão ministradas nas cidades de Rorainópolis e Boa Vista, em Roraima; Peritoró e Viana, no Maranhão; Rondonópolis, no Mato Grosso; e nos municípios de Gurupi, Araguaína e Augustinópolis, no Tocantins.

O prazo final para o envio de projetos é o dia 11 de junho (veja o edital). As inscrições são gratuitas e podem participar pessoas físicas com idade superior ou igual a 18 anos completos e pessoas jurídicas sem fins lucrativos que desenvolvam projetos socioculturais nas seguintes áreas: artes visuais, artes cênicas, música, literatura, audiovisual, artesanato, cultura afrobrasileira, cultura popular, cultura indígena, design, moda e artes integradas (ações que não se enquadrem nas áreas anteriores ou que contemplem mais de uma área artística na mesma proposta).

Os projetos devem ser enviados pelo correio para o seguinte endereço:  Programa Mais Cultura – Ação Microprojetos Amazônia Legal, Coordenação de Difusão Cultural da Funarte – Brasília, Eixo Monumental, Setor de Divulgação Cultural, Lote 02, CEP 70.070-350, Brasília, DF.

Microprojetos Mais Cultura

Esta é a segunda edição do Microprojetos Mais Cultura. A primeira, executada em 2009, financiou 1.200 projetos da região do semiárido com valores entre 1 e 30 salários mínimos. Em 2010, o teto por projeto foi ampliado para 35 salários mínimos, a fim de atender o “custo amazônico”. A ampliação de recursos visa amenizar as dificuldades de logística e infraestrutura da região, o que encarece a circulação de bens, serviços e produtos culturais.

Outra novidade do Microprojetos para Amazônia Legal é a possibilidade de inscrição oral de projetos. A medida visa facilitar e democratizar o acesso ao edital. Serão aceitas inscrições gravadas em meio digital ou fica cassete.

Oficinas desta semana:

Roraima:
25/05 – Rorainópolis, das 9h às 13h – Local a confirmar (oficineiro: Pedro Domingues)
27/05 – Boa Vista, das 9h às 13h – SEBRAE de Boa Vista (oficineiro: Pedro Domingues)

Maranhão:
24/05 – Peritoró (oficineiro: Selma Santiago)
25/05 – Viana (oficineiro: Selma Santiago)

Mato Grosso:
29/05 – Rondonópolis, das 8h às 12h – Auditório do Centro Cultural José Sobrinho (oficineiro: Pedro Domingues)

Tocantins:
26/05 – Gurupí, das 14h às 18h – Centro Cultural Mauro Cunha (oficineiro: Alberdan Batista)
28/05 – Araguaína, das 14h às 18h – Espaço Cultural Agnaldo Borges Pinto (oficineiro: Alberdan Batista)
29/05 – Augustinópolis, horário e local não confirmado (oficineiro: Alberdan Batista)

Comunicação SID/MinC

Telefone: (61) 2024-2379

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Adeus, adeus: mestre Chico Batista, o Chico Calungueiro

No último dia 10, o Ceará perdeu o talento de mestre Chico Batista, o Chico Calungueiro. Artesão e entusiasta do maracatu, criador de figuras da cultura cearense na versão calunga, como Cego Oliveira, Patativa do Assaré, Muriçoca e Irmãos Aniceto ele será lembrado hoje, às 19h, na Igreja de N. Sra. de Nazaré, no Montese. O pesquisador Calé Alencar dá seu depoimento sobre o artista de múltiplos talentos

Conheci Chico Batista em 1999, quando iniciei minha participação como brincante e membro da diretoria do Maracatu Az de Ouro. Sua figura franzina, lembrando um Dom Quixote cearense, em nada se assemelhava ao seu imenso talento para artes e ofícios na feitura de alegorias, adereços e muitas outras demandas de maracatus, blocos e escolas de samba de relevante presença no carnaval de Fortaleza. Seu porte magrelo logo me chamou a atenção pelo contraste entre o calibre de menino nascido em Senador Pompeu e os afazeres estafantes dos desfiles carnavalescos.

Descobri em Chico Batista um artista para muito além de cocares, saiotes, esplendores, cetros, estandartes, penachos e coroas. A um meu pedido, feito em tom de sugestão com o objetivo de preencher a necessidade de termos, no maracatu, uma representação a nos servir de produto revelador do folguedo, respondeu-me com uma miniatura de rainha, logo seguida de um conjunto completo, representando o figural desta expressão afro-brasileira tão bem assentada no corso carnavalesco. Desde os maracatus do Morro do Moinho, da Apertada Hora, da rua de São Cosme, do Outeiro e do Manoel Conrado, registrados em ´Através dos Folk-lores´ por Gustavo Barroso, passando pelo pioneirismo de Raimundo Alves Feitosa, no corso fortalezense a partir de 1937, até os cortejos atuais.

Exímio jogador de futebol nos rachas dos times de subúrbio, onde fez fama e muitos gols pelos campos do Montese, Itaoca, Jardim América e Bom Futuro, Chico foi também craque na linha de frente do grupo fundador do Maracatu Nação Fortaleza, ocupando cargo na diretoria desde o início das atividades do Nação. E concorrendo com criatividade e suor para construir um abrigo acolhedor do nosso brinquedo, emprestando sua sensibilidade na montagem das exposições de adereços, figurinos, instalações e fotografias do maracatu.

Aos seus diminutos bonecos, confeccionados em madeira, fio de cobre, alumínio, algodão, durepox, tecidos, agulhas, linha, plástico e cola quente, dei o nome de calungas. E aí virou Chico Calungueiro, meu estimado mano Pichico. Criador de figuras representativas da cultura cearense na versão calunga, a exemplo de Cego Oliveira, Patativa do Assaré, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Muriçoca e Dragão do Mar, além de sua marca registrada – o maracatu e os estandartes dos grupos participantes do carnaval de rua.

Amigo, moleque, irmão, companheiro, confidente, presepeiro, camarada, um dia me trouxe um seu irmão, de nome Carlos, meu xará e ainda por cima nascido em 20 de outubro, mesma data de meu aniversário. Colega de café, cajuína, refresco de murici, gomos de ata e tangerina, Maria maluca, sarrabulho e panelada com arroz e muito caldo, em apenas um aspecto divergimos, enquanto estivemos pisando o mesmo chão, com a força de Oxum, Xangô, Oxalá, Pomba Gira, Jurema e Zé Pilintra: em seu coração batia um tambor alvinegro, enquanto o meu não sabe bater outra coisa a não ser um batuque tricolor de aço.

Obras e acervo

Chico Batista, mestre artesão registrado e freqüentador das feirinhas do Sesc, nas praças São Sebastião, Murilo Borges e do Ferreira, tem peças espalhadas por casas de amigos e admiradores. Destacadas personalidades do mundo das artes e da política foram agraciadas com seus trabalhos, a exemplo de Fernanda Montenegro, Matheus Nachtergaele, Ednardo e Raimundo Aniceto. Eu mesmo entreguei ao presidente Lula, na solenidade de outorga da Medalha da Ordem do Mérito Cultural, em 2007, uma réplica da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto.

Outras peças de sua autoria enfeitam estantes no Memorial da Cultura Cearense, do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, e em São Paulo, Rio, Porto Alegre, Olinda, Santana do Acaraú, Nova Iorque, Paris, Buenos Aires, Pequim, Ilha do Sal, Roma, Salvador, Crato e Juazeiro do Norte. O acervo da Casa da Memória Equatorial tem algo em torno de 300 peças, adquiridas desde o início de Mestre Chico na confecção das calungas.

O Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza abriu espaço para exposição de seu trabalho em 2001, época em que Tibico Brasil realizou oportuno registro fotográfico do material exposto. Em 2005, conquistou o primeiro lugar no I Salão Municipal de Artesanato, realizado pela Prefeitura de Fortaleza, ocasião na qual fez jus a um prêmio jamais recebido, apesar de idas e vindas à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, responsável pelo concurso.

Despedida

Pai do Alexandre, primogênito herdeiro de seu talento, da Sandra e do Lucas, avô da Maiara e do Pedro Alex, a quem chamo Chico Neto, Francisco Batista de Oliveira, o mestre artesão das calungas, completava seus ganhos levantando paredes, pintando portas, caiando muros, consertando canos, instalando redes elétricas e jogando no bicho, quase todo santo dia. Na quinta-feira, dia 9 de outubro do ano da graça de 2008, cinco dias após haver completado 54 anos, pisou em falso no alto do telhado de uma casa onde trabalhava, no Montese, nas proximidades da igreja de Nazaré, perdeu o equilíbrio e a vida, pelo menos esta vida compreendida no plano material, real e visível. No plano dos encantados, virou luz. Vestiu-se com o estandarte do Maracatu Nação Fortaleza, uma de suas mais belas peças, e foi entrar na morada de Olorum.

Axé, querido amigo. Até um dia. Saravá, meu querido irmão e mestre. Mestre Chico Batista. Prometo a você fazer soarem os tambores como saudação à sua chegada na nova casa. Receba meu abraço musical e alencarino e os aplausos de todos os brincantes do Maracatu Nação Fortaleza, a calunga mais bonita feita com a arte de suas mãos.

P.S.: Quem sabe os organizadores do carnaval de rua em Fortaleza acolham a idéia de trabalhar com a arte de Chico Batista para ilustrar o tema do desfile em 2009. Será uma preciosa oportunidade de fazê-lo permanecer lembrado e presente no ambiente ao qual dedicou a vida.

CALÉ ALENCAR
especial para o Caderno 3
(*) Cantor, compositor, produtor musical, fundador do Maracatu Nação Fortaleza.

REPERCUSSÃO
"A partida de mestre Chico Batista foi uma surpresa pra todos. Ele fazia todo o material do Az de Ouro, junto com Mestre Juca. Tinha um talento enorme, para o maracatu e outros trabalhos".
Pingo de Fortaleza
Cantor, compositor e produtor

"Chico Batista começou no maracatu ainda nos anos 70. Deu uma enorme contribuição com sua inteligência. Era um grande apaixonado pelo maracatu, independente de agremiações"
Marcos Gomes
Presidente do Maracatu Az de Ouro

(Foto: ACERVO CALÉ ALENCAR/KARLO KARDOZO)

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/

Bauru: Com ginga e votos, Casa da Capoeira é destaque

Prestes a completar 1 ano, ONG ganha arrancada em eleição do BOM DIA

Arte, jogo, esporte, dança, luta, festa. A capoeira é um pouco de tudo. E seus adeptos são rápidos no gatilho: prestes a completar um ano, a Casa da Capoeira aparece em terceiro lugar na lista das maravilhas de Bauru em eleição promovida pelo BOM DIA desde domingo.

“É até uma surpresa para nós”, diz o responsável pela casa, Alberto de Carvalho Pereira Sobrinho, 42 anos. “O trabalho é recente, mas muito promissor.”
Todos os dias, parte dos 50 associados-praticantes vão até o local para treinar. Seis deles estarão competindo nos Jogos Regionais de São Manuel, abertos ontem à noite.
“Agora queremos ter sócios-mantenedores, com participação direta de empresas e instituições”, acrescenta Sobrinho.
Ex-bancário, nascido em Pernambuco, ele deixou para trás uma carreira bancária em São Paulo e chegou a Bauru há 14 anos.
A poupança dos tempos de banco foi empregada na casa, hoje uma ONG (Organização Não-Governamental) fundada em 1º de Agosto, dia do aniversário de Bauru. Também professor de educação física, Sobrinho joga capoeira desde os 12 anos e é enfático: “A capoeira só vai sair da minha vida no dia em que a vida sair de mim.”
 
Projeto pioneiro
 
Advogado prestes a prestar concurso para delegado no Paraná, o professor de capoeira Danilo Zarlenga Crispim votou na casa.
 
“É, sim, uma maravilha porque se tornou um espaço pioneiro no Estado”, explica. “É difícil achar um espaço que concentre treino e difusão da cultura afro-brasileira ao mesmo tempo.” Crispim se refere ao acervo de livros do local, com 50 títulos específicos sobre capoeira. Um deles é raro, de 1933. Medalhista em jogos regionais, Crispim lembra que começou a gostar de capoeira influenciado por amigos. “Hoje, também ajudo a levantar essa bandeira. Até porque a capoeira só pode fazer bem, inclusive para manter a forma.”
 
Pelo celular
 
Não há telefone na Casa da Capoeira, mas informações sobre como participar dos treinos podem ser obtidas pessoalmente à rua Sebastião Pregnolatto, 4-86, Jardim do Contorno. Ou pelo telefone celular: (14) 9711 8798.
 
‘Batista é a rua do progresso’
 
Um dos pontos destacados por José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, é a Batista de Carvalho, que para ele deve ser considerada a “rua do progresso”. “Ela começa na Praça Machado de Melo e desemboca na Praça da Matriz. No passado, o seu coreto, o lago, as árvores com suas belezas naturais e até animais, como bicho preguiça, encantavam as famílias”, diz. Já Ana Maria Pinho diz que Bauru tem coisas boas que muitas vezes não são lembradas. “A oportunidade de eleger as maravilhas de Bauru é uma forma de pensarmos nisso.”
 
Top 20
As mais votadas
 
* Vitória Régia – 13,01%
* Zoológico – 9,09%
* Casa da Capoeira – 8,84%
* USC – 8,21%
* Estação Ferroviária – 6,94%
* Centrinho – 6,57%
* Automóvel Clube – 4,55%
* Templo Tenrikyo – 4,29%
* Jardim Botânico – 3,54%
* Confiança Max – 3,41%
* Praça da Paz – 3,03%
* Aeroclube – 2,78%
* Noroeste – 2,78%
* Bauru Shopping – 2,65%
* Bosque Comunid. – 2,40%
* Calçadão – 2,40%
* Av. Nações Unidas – 2,40%
* Praça Portugal – 2,02%
* Teatro Municipal – 1,77%
* Bar do Dito – 1,39%
 
Classificação atualizada às 18h de ontem. Até agora, 105 maravilhas receberam indicações.
Já estão computados 792 votos.
 

Oficina de Capoeira Angola com Mestre Deraldo

De Santos, mais precisamente do camarada Idylio Matheus, recebemos informações de que o Terreiro de Mestre Valtinho está se preparando para realizar uma oficina de Capoeira Angola.
 
Mestre Deraldo Ferreira, hoje radicado na cidade de Boston, EUA, será o responsável por aquela vivência de Angola. Deraldo é "filho" de Santos, começou Capoeira com Mestre Sombra, aos 14 anos de idade, e em 1984 recebeu seu certificado de Mestre. Na seqüência , Deraldo seguiu para a América do Norte, sendo um dos primeiros a ensinar Capoeira nos Estados Unidos e Canada.
 
A oficina de angola foi realizada dia 28 de Abril de 2006, na Associação de Capoeira Valtinho da Senzala, à partir das 20h00.
 
Informações podem ser obtidas pelo telefone (13) 9115-7087, ou pelo e-mail idylio@uol.com.br.
 
SOBRE MESTRE VALTINHO
 
Mestre Valtinho, José Valter Batista Santos é Sergipano, nasceu em 1957 e chegou em Santos-SP no ano de 1970. A Associação de Capoeira Senzala-Santos foi onde iniciou-se na Capoeira, no ano de 1975, formando-se em 1978. Em 1983 recebe a graduação de Mestre. Em 1993 é reconhecido pela CBC, recebendo o cordão Branco.

 

Valtinho foi contramestre de Mestre Sombra, um dos precursores da Capoeira Santista.
 
A Associação de Capoeira Valtinho da Senzala foi fundada no ano de 1983. Em 1998 fundou-se também a Associação de Capoeira Valtinho da Senzala ADC.