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Pará: 8° Festival de Carimbó

Dias 19 e 20 de dezembro em Santarém Novo, no Pará

Acontece, nos dias 19 e 20 de dezembro, na cidade de Santarém Novo, na região do Salgado paraense, o 8° Festival de Carimbó.

O Festival tem como bandeira principal ‘o reconhecimento do Carimbó como Patrimônio Cultural Brasileiro’, revelando ao Pará e ao Brasil toda a beleza, força e originalidade do Carimbó, apresentando as suas diversas expressões, ricas em timbres e estilos, dando visibilidade aos mestres tradicionais e estimulando os jovens músicos e dançarinos que são a garantia de sua continuidade e renovação.

Realizado desde 2002 pela Irmandade de Carimbó de São Benedito, o evento é fruto de uma parceria entre Ponto de Cultura Iaçá e o Centro Cultural Solidariedade, com o apoio da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, por meio do Programa Cultura Viva, da Secretaria de Estado de Cultura-SECULT, da Fundação Curro Velho, do Instituto de Artes do Pará, do SESC Regional Pará, da Câmara Municipal de Santarém Novo e da Secretaria Municipal de Educação.

A programação de 2009 inclui a 8ª versão do Concurso Regional de Carimbó, agora chamado Troféu Mestre Celé em homenagem a um dos mestres da Irmandade já falecido, que é aberto para grupos de todo o Pará nos estilos raiz (ou tradicional, pau-e-corda) e o livre (que permite releituras e fusões). As composições inscritas no concurso são todas originais e inéditas, contribuindo para estimular a renovação do repertório de Carimbó da região.

O Festival oferece ainda Oficinas de Saberes e Fazeres do Carimbó, ministradas por mestres da Irmandade, que se inserem no esforço da comunidade em transmitir sua tradição oral aos mais jovens e assim assegurar sua preservação e continuidade.

Entre a programação do festival estão inseridas atividades como Arrastões de Carimbó e Roda de Tambores, Festa no Barracão, Alvoradas, Taberna da Cultura Popular, Cine-clube Comunitário e animados bailes e shows com grupos regionais, como o Grupo Iaçá (Belém) e locais, como o Grupo Os Quentes da Madrugada.

 

As inscrições para o “Troféu Mestre Celé”- 8º Concurso Regional de Carimbó e para as demais atividades ficam abertas até o dia 15 de dezembro e  podem ser efetuadas nos seguintes endereços e telefones:

 

Em Santarém Novo:

Secretaria do Festival: Centro Solidariedade, Centro, CEP 68.720-000, Santarém Novo/PA

Telefone: (91) 9995-4422 ou 9623-6878

Correio eletrônico: carimbopatrimonioculturalbr@gmail.com ou

quintino_vive@yahoo.com.br

 

Contatos da Coordenação:

Isaac Loureiro (9998-5321)

Solange Loureiro (9623-6878)

Correio eletrônico: carimbopatrimonioculturalbr@gmail.com

 

Confira a programação completa:

 

PROGRAMAÇÃO GERAL

 

Dia 19/dez – Sábado

06:00 – Alvorada do Festival com fogos e cantorias;

09:00 às 14:00 – 5º Seminário da Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro”.

Tema: Carimbó e Natureza.

Convidados: Prof. Dr. Antônio Francisco Maciel (pesquisador e educador/Belém), Esperança Alves (Mana-Mani/Belém), Mestre Maninho (Resex Mãe Grande/Curuçá), Isaac Loureiro (Irmandade de S. Benedito/Santarém Novo), Dorotéa Lima (IPHAN/Belém), Lélia Fernandes (DPAT-SECULT/Belém);

17:00 – Arrastão do Carimbó – grande cortejo cultural de abertura do Festival com todos os grupos presentes;

18:00 – Mística de Chegança – Grupo Os Quentes da Madrugada/Irmandade de São Benedito (Santarém Novo) e grupo de idosos “Reviver” (Maracanã);

18:30 – Mini Festival – Mostra de Grupos Mirins de Carimbó – Grupos Trinca Ferro Mirim (Santarém Novo) e Tio Milico (Fortalezinha);

19:30 – Etapa Eliminatória do Troféu “Mestre Celé” de Carimbó (Estilo Raiz);

22:30 – Etapa Eliminatória do Troféu “Mestre Celé” de Carimbó (Estilo Livre);

00:00 – Festa de Carimbó no Barracão da Irmandade – Grupos Os Quentes da Madrugada (Santarém Novo) e Sancari (Belém).

 

Dia 20/dez – Domingo

06:00 – Alvorada do Festival com fogos e cantorias;

09:00 às 14:00 – 5º Encontro dos Mestres de Carimbó: Roda de Saberes e Fazeres – Lançamento da Campanha pela Lei Griô Nacional e pela Lei dos Tesouros Humanos do Pará;

Convidados: Mestres e Mestras, Ação Griô Nacional, Delson Cruz (Ministério da Cultura), Prof. Edilson Moura (SECULT/Belém);

16:00 – Arrastão Cultural “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro: nós queremos!”;

17:00 – Roda de Carimbó com Mestres do Salgado e grupo de idosos “Reviver” (Maracanã);

17:30 – Cordão Tradicional “Os Pretinhos” (S. Novo);

18:00 – Orquestra de Carimbó de Santarém Novo;

18:30 – Mini Festival – Grupos Alegria Mirim (Cafezal) e Zimba Mirim (Maracanã);

19:30 – Entrega da chama da Lei Griô Nacional a todos os(as) mestres(as) presentes;

20:00 – Etapa Final Troféu “Mestre Celé” de Carimbó (Estilos Raiz e Livre);

00:00 – Show do Grupo de Cultura Regional “Iaçá” (Belém);

00:40 – Resultado e Premiações do Festival;

01:00 – Encerramento do 8º FEST RIMBÓFesta de Carimbó no Barracão da Irmandade;

OUTRAS ATIVIDADES

Oficinas de Saberes e Fazeres do Carimbo

Parceria com a Fundação Curro Velho

1. Confecção de Instrumentos Tradicionais do Carimbó

  • Instrutor: Mestre Sabá (Irmandade de S. Benedito/S. Novo)
  • Período: 09 a 18/dezembro/2009
  • 15 vagas

2. Danças Tradicionais de Carimbó

  • Instrutora: Solange Loureiro (Irmandade de S. Benedito/S. Novo)
  • Período: 14 a 18/dezembro/2009
  • 20 vagas

3. Percussão Tradicional do Carimbó

  • Instrutor: Mestre Dico Boi (Irmandade de S. Benedito/S. Novo)
  • Período: 14 a 18 de dezembro/2009
  • 15 vagas

 

 

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FSM aborda impactos e disputas no território quilombola

“A política para os negros no Brasil e no mundo e os impactos causados no território quilombola” foi o tema de uma palestra ontem (29), na Universidade Rural do Pará (UFRA). A atividade reuniu entidades negras de todo o país, como a Associação das comunidades negras rurais quilombolas do Maranhão (Aconeruc-MA) e o Quilombo de Jambuaçú, do município paraense de Mojú.

Durante o evento o professor Kabemgele Munanga, que nasceu na República Democrática do Congo e que há 35 anos vive no Brasil e ministra as disciplinas de Antropologia e Relações Raciais na Universidade de São Paulo falou sobre a demarcação do território quilombola e das leis que legitimam a posse dessas terras, ressaltando que a questão é polêmica.

“Entre a lei e o cumprimento existe um abismo, apesar de em alguns estados as famílias já terem a titulação. Mas, existem cerca de 2000 comunidades quilombolas no Brasil e menos de 10% tem o registro das terras. Ter o registro da terra não resolve muita coisa porque faltam escolas, saneamento básico, energia elétrica e muitos já foram expulsos por falsos donos e vivem sob ameaças de empresários”, conta.

De acordo com Benedito Cunha, coordenador da Aconeruc-MA, nos anos 80 o governo federal desapropriou do município de Alcântara terras de 300 famílias de 10 comunidades, para a implantação de um centro espacial. Atualmente, existem 22 mil habitantes distribuídos em 162 comunidades quilombolas nas imediações do centro, que lutam para receberem o título das terras, já que existe o projeto para a construção de uma base para lançamentos de foguetes no local.

Benedito Cunha, Coordenador da Aconeruc, falou sobre a luta pelas terras das comunidades quilombolas do Maranhão:

“Várias famílias foram deslocadas para propriedades menores e inférteis e sem terem emprego tiveram que ir para a capital morar em bairros periféricos. Interditamos as obras da base, tirando as máquinas e o Incra já fez o levantamento e nos deu a possa das terras, mas nosso medo é que tenhamos que sair por causa dos impactos, já que o centro fica praticamente nos nossos quintais”, esclarece.

Benedito Cunha ressalta ainda que “a empresa responsável pelas obras da base culpa as comunidades quilombolas, dizendo que elas atrasam o desenvolvimento do país”. “O Roberto Amaral, que é dono da empresa binacional ACS, que surgiu por causa de uma acordo firmado entre o Brasil e a Ucrânia tem espaço na mídia para dizer que somos culpados pelo atraso nas obras, mas queremos apenas nossos direitos”, destaca.
 
 
Texto e Fotos: Emanuelle Oliveira
Jornalista e integrante da Cojira-AL

Fonte:  www.cojira-al.blogspot.com

Tambor de Crioula do Maranhão é reconhecido como patrimônio imaterial

Maranhão: Um show de cultura…
 
Cultura são todos os traços, os costumes, as práticas, e também o folclore. A formação cultural do Maranhão está bem servida, pois tem influência das raças indígena, negra e branca (predominantemente portugueses).
 
O Maranhão conserva muitas tradições folclóricas, como o Bumba-Meu-Boi e o Tambor-de-Crioula, mas não deixa de assimilar o moderno: São Luís é considerada a capital brasileira do reggae.
 
O Convento das Mercês,situado na Praia Grande, é uma grandiosa obra da arquitetura religiosa mercedária inaugurada em 1654 pelo Padre Antônio Vieira.
 
O Convento abriga a Fundação da Memória Republicana, o Memorial José Sarney, o Centro Modelador de Pesquisa da História Republicana e o Instituto da Amizade dos Povos de Língua Portuguesa.
 
O Convento abriga a Fundação da Memória Republicana, o Memorial José Sarney, o Centro Modelador de Pesquisa da História Republicana e o Instituto da Amizade dos Povos de Língua Portuguesa.
 
O Maranhão abriga o primeiro teatro multimídia do país, equipado com aparelhos de som, iluminação e vídeo de última geração. Estamos falando do Teatro Arthur Azevedo, um dos maiores espetáculos de São Luís. Restaurado e todo reformado, sua fachada é digna do rico projeto arquitetônico clássico.
 
Este é o Maranhão, um Estado onde o passado se confunde com o presente e o progresso não apaga o brilho da tradição.

Manifestação popular é executada há mais de 300 anos por dezenas de grupos maranhenses
 

 

Brasília – O Maranhão está em festa, dia 18 de junho, o Tambor de Crioula, uma das manifestações culturais mais antigas, autênticas e originais do Estado e do País, passa a ser reconhecido como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
 
"Será a realização do sonho de nossos antepassados", afirma Paulinho di Maré, presidente da Associação Cultural de Tambor de Crioula do Estado do Maranhão (Actasema), criada em janeiro deste ano.
 
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, participará da solenidade de entrega do registro aos grupos de Tambor de Crioula pelo Iphan. Também estarão presentes no evento, que acontece a partir das 15 horas na Casa das Minas: o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida; o governador do Maranhão, Jackson Lago; o prefeito de São Luís, Tadeu Palácio; e representantes de mais de 80 grupos da capital maranhense e do Estado.
 
Os mestres mais antigos de São Luís vão apresentar o Tambor de Crioula na solenidade. Na ocasião também será lançado pelos Correios um selo comemorativo ao reconhecimento.
 
Após a cerimônia, 62 grupos realizarão cortejo em homenagem a São Benedito – os tocadores e dançarinos são devotos desse santo – na Rua de São Pantaleão. O local será fechado e estará decorado com flores, chita e 50 painéis fotográficos com os principais mestres e integrantes dos grupos do Tambor de Crioula.
 
Em seguida, as autoridades vão visitar o Centro de Referência Azulejar e a Oficina-Escola São Luís, onde estudam jovens em situação de risco social, entre 18 a 25 anos. Ao longo de dois anos, esses jovens recebem bolsa mensal de R$ 300, formam-se no ensino médio e tornam-se profissionais de marcenaria, carpintaria, azulejaria e alvenaria. Depois de receber o certificado, começam a trabalhar na restauração do centro histórico da capital maranhense.
 
Raízes africanas – Fruto do sincretismo religioso, o Tambor de Crioula é uma louvação a São Benedito no Maranhão, praticada há mais de três séculos pelos descendentes dos negros, sob a forma de canto, toque de tambor e dança. Os ritmos e as danças têm identidade e estilo próprios. As variações rítmicas ocorrem entre os grupos, que são compostos por 'coreiros' – os tocadores de tambor e as dançarinas.
 
Costuma-se dizer que seus integrantes 'brincam', em vez de tocar, cantar e dançar. A data tradicional da homenagem a São Benedito é a segunda-feira de Aleluia, isto é, depois do domingo de Páscoa. Devido ao sucesso do Tambor de Crioula, os grupos têm sido contratados para apresentações a turistas e em eventos diversos.
 
Para alguns membros dos grupos, receber dinheiro é uma profanação. Foi preciso tempo para aceitarem pagamento pelas apresentações fora da época da festa de São Benedito. Muitos grupos surgiram como parte de promessa feita por seus fundadores ao santo.
 
Novos negócios e mais renda – O Sebrae no Maranhão apóia e trabalha para fortalecer os grupos de Tambor de Crioula.
 
Nos últimos três meses, eles foram mapeados pelos técnicos da Instituição. Estima-se que, somente em São Luís, existam 86 deles, integrados por 3,6 mil pessoas.
 
Inicialmente, o Projeto de Cultura do Sebrae/MA capacitará 28 grupos da ilha, composta pelos municípios de São Luís, Raposa, Paço do Lumiar e São José de Ribamar. Grupos de Alcântara, localizado no continente, também serão apoiados.
 
A partir de julho, a Instituição vai levar oficinas sobre cultura, artesanato, turismo, história do Tambor de Crioula, empreendedorismo e gestão de negócios aos 'coreiros', tanto nas cidades como no meio rural.
 
"Nosso objetivo é apoiar os empreendimentos que vão surgir e gerar renda para as comunidades de Tambor de Crioula", explica Keila Pontes, gerente do escritório regional do Sebrae em São Luís. As apresentações da dança para turistas, a venda da indumentária (saias, blusas, turbantes) e do artesanato em cerâmica, feito nas comunidades, são alguns dos produtos a serem organizados e comercializados.
 
"O apoio do Sebrae é promissor. Acredito que novas fontes de renda vão surgir nas comunidades apoiadas", prevê o presidente da Actasema, Paulinho di Maré. Nas oficinas da Instituição, será possível formar novos produtores dos tambores de madeira. Atualmente os instrumentos são feitos apenas no interior do Estado.
 
A confecção das saias coloridas e blusas das 'coreiras' (dançarinas) para venda é outra atividade produtiva a ser desenvolvida nos grupos com a consultoria do Sebrae/MA. As saias são em chita florida. As blusas brancas, com seus babados e acabamentos em finas rendas de bilro e bordado richelieu, encantam as platéias. Os turbantes usados pelos integrantes dos grupos de Tambor de Crioula também são desejados pelos que conhecem a dança. Segundo Paulinho di Maré, esses produtos já são demandados, principalmente pelos turistas.
 
Mestre Felipe – Mestre Felipe será um dos que vão se apresentar na solenidade desta segunda-feira. Ele é o segundo mais velho dos mestres de São Luís. Com 83 anos, está muito feliz devido ao reconhecimento do Iphan à cultura negro-maranhense. Conta que 'brinca' de Tambor de Crioula desde os três anos. "Aprendi com minha avó, meu pai e minha mãe", revela.
 
Ele revela que foi carpinteiro e lavrador durante toda a vida. Criou sete filhas e um filho e nunca ganhou dinheiro com o Tambor de Crioula. Havia só nove grupos em São Luís até alguns anos atrás, lembra o mestre, que fica surpreso ao saber que, atualmente, existem mais de 80.
 
Hoje Mestre Felipe só canta, por causa da idade. "Não bato mais", comenta, explicando que não toca mais tambor. Em sua casa, no bairro Vila Conceição, se reúne o grupo União de São Benedito, um dos mais antigos da capital maranhense.
 
"Meu ritmo é de São Vicente de Ferro, da baixada maranhense", informa, referindo-se a sua cidade natal. Mestre Felipe ensinou sua arte para tanta gente, que perdeu as contas. Antigamente o Tambor de Crioula só podia ser tocado, cantado e dançado por afro-descendentes.
 
"Hoje é tudo misturado, branco e preto tocam. Tem branco que toca melhor do que preto", observa. O mestre fala que já ensinou o ritmo do seu grupo até para duas japonesas e uma suíça.

Segundo o mestre, outra diferença dos dias atuais é a participação feminina. Antes, os homens cantavam e tocavam tambores e as mulheres cantavam e dançavam. "Agora, tem umas mais salientes que batem tambor", conta, admirado. "As coreiras também eram mais graúdas", comenta. "Elas rodavam as saias coloridas com tanta força, que se a gente encostasse, era capaz de nos derrubar". "Hoje, as mulheres são miúdas", compara.
 
Iphan/MA – (98) 3231-1388 / 1295| Por: Vanessa Brito/Sebrae Nacional
 
Fonte: Revista Fator – Sao Paulo