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Besouro Mangangá: o bamba da capoeira

Besouro Mangangá: o bamba da capoeira

Por: Letícia Vidor de Sousa Reis

Manuel Henrique Pereira, conhecido por Besouro, Besouro Preto, Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro é atualmente considerado como um mito no meio da capoeiragem. Nasceu em 1895 na cidade de Santo Amaro da Purificação (BA). Lá nasceram também artistas famosos, como Caetano Veloso e Maria Bethânia. Filho de João Martins Pereira e Maria Auta Pereira, ambos africanos escravizados, aprendeu capoeira com Mestre Alípio, também africano escravizado, que o batizou como Besouro Mangangá (um gênero de besouro venenoso).

De acordo com a tradição oral (uma das principais fontes históricas da capoeira), este nome de capoeira lhe foi dado porque, quando se via cercado de policiais, ele “desaparecia”. Nas rodas de capoeira, Besouro até hoje é lembrado, por meio de muitas cantigas, como, por exemplo: Besouro Mangangá/era homem de corpo fechado/Bala não matava navalha /não lhe feria/Sentado ao pé da cruz/quando a polícia lhe seguia/desaparecia/enquanto o tenente dizia/Cadê o Besouro?/Chamado Cordão de Ouro? (Autoria: Fanho)….

Fly Away Beetle (O Voo do Besouro) disponível no i-Tunes

Fly Away Beetle (O Voo do Besouro)

Finalmente disponível no i-Tunes o premiado filme Capoeira: Fly Away Beetle!

Sinopse:

Três renomados mestres (Olavo dos Santos, Boca Rica e Cobra Mansa) reúnem-se neste documentário para contar sobre as condições histórico-culturais que ajudaram a dar forma à Capoeira. Apresentando diferentes perspectivas, seus depoimentos falam desde a violência na Capoeira durante os seus primórdios até os benefícios que a mesma oferece na atualidade à jovens vítimas da exclusão socioeconômica.

O documentário também conta a história real de Roque Batista, um ex-menino-de-rua que encontrou na Capoeira a chance de escapar da pobreza e da violência das ruas. Em sua luta para melhorar de vida, Roque se torna um professor de Capoeira com a missão de ajudar outros jovens em situação de risco.

Alternando entre entrevistas, filmagens raras e exibições contemporâneas de Capoeira, Fly Away Beetle conta as histórias desses indivíduos e, ao fazê-lo, conexões com a escravidão, Candomblé e magia são trazidas à tona. Alusões ao legendário Besouro Preto nos levam a um encontro com esta figura mística e enigmática, tão lenda quanto personagem histórico, detentor dos segredos da magia africana.

Fly Away Beetle é um daqueles filmes que mescla lindas imagens, ação e documentação à uma mensagem relevante e pertinente, não só aos capoeiristas, mas à sociedade como um todo. Para além de um documentário em formato tradicional, Fly Away Beetle nos leva para dentro da vida desses indivíduos, de forma que possamos perceber, ao menos por um breve momento, o que realmente é a Capoeira. Mais do que um relato histórico, é uma penetração artística na Capoeira.

O filme pode ser adquirido via i-Tunes no seguinte link:

https://itunes.apple.com/us/movie/capoeira-fly-away-beetle/id619870821

Barbacena sedia o I Fórum Regional de Capoeira

De sexta-feira (28) a domingo (30) Barbacena sedia o I Fórum Regional de Capoeira. A abertura acontece às 19h na UEMG, campus Barbacena, com uma palestra do Mestre Ray, de Belo Horizonte.

No sábado (29), rodas de capoeira no centro da cidade. A partir das 15h, cursos de capacitação de capoeira no Cefec com a presença de vários grupos da região e de outros estados.  As inscrições podem ser feitas no dia e no local do evento.

O ponto alto do sábado será a presença do ator e capoeirista Ailton Carmo, protagonista do filme “Besouro”. O longa conta a vida de Besouro Mangangá, um capoeirista brasileiro da década de 1920 a quem eram atribuídos feitos heróicos e lendários. A exibição gratuita do filme será no auditório da Fundac, a partir das 19h.

O encerramento do festival será no domingo  (30), a partir das 10h, na Epcar, com entrada gratuita. Na oportunidade serão graduados cerca de 30 novos alunos. A promoção é da equipe Oficina da Capoeira Barbacena. De acordo com Nicollas Guilarducci, o objetivo do festival é “divulgar a capoeira e a cultura afro-brasileira na cidade”.

 

BARBACENA

Conhecer Barbacena é conhecer uma das regiões mais importantes de Minas Gerais. A mais de 300 anos, Barbacena marcou presença em momentos decisivos na História.
A cidade possui uma média térmica de 17º C, um clima agradável, favorecendo a fruticultura e a floricultura, especialmente a de rosas.
Barbacena é conhecida em todo o Brasil, e também no exterior, como a “Cidade das Rosas”, em função da grande produção de primeira qualidade desta flor. No Brasil, o município também é conhecido como a “Cidade dos Loucos”, pelo grande número de hospitais psiquiátricos instalados no local. A cidade atraiu esses manicômicos em decorrência da antiga idéia, defendida por alguns médicos, de que seu clima ameno, com temperaturas médias bem baixas para os padrões brasileiros, faz com que os ditos “loucos” fiquem mais quietos e menos arredios, supostamente facilitando o tratamento.
Além disso abriga a EPCAR (Escola Preparatória de Cadetes do Ar), várias pousadas e chalés na Serra da Mantiqueira, além de um parque industrial bastante diversificado.

Fabricando uma estética da Capoeira : uma visão do documentário Fly Away Beetle

Verificamos que tem havido, nos últimos anos, uma produção crescente de documentários e filmes sobre a capoeira. Contudo, essa produção desde sempre existiu, embora circunscrita ao âmbito nacional e quase sempre envolta a outras temáticas da cultura afro-brasileira. Não era de espantar que esse crescimento exponencial se verificasse se tomarmos em conta o processo acelerado de globalização da capoeira e as apropriações diversas que a indústria cultural faz da cultura popular no mundo.

Um dos melhores exemplos de difusão da capoeira através dos meios audiovisuais foi o filme Only the Strong, lançado em 1993 e que no Brasil ganhou o nome de Esporte Sangrento. Visto em todo mundo, por milhares de jovens, o filme inspirou uma geração de praticantes que, não tendo acesso ao ensino formal da capoeira, deram início à sua prática através do filme. Mas não é isso que nos interessa de todo no filmes sobre a capoeira, se não a sua capacidade de gerar uma estética performativa que prende-se à invenção de um certo exotismo, de uma etnicidade, de uma tradição e uma certa tropicalidade que se reinventa ao longo dos tempos. O que seria do samba sem a figura eminente de Carmén Miranda, que ajudou a projetar o estilo musical por além-fronteiras e subscrever-lhe a certidão de nascimento como símbolo nacional brasileiro. Na década de trinta a cantora realizou, entre outros, dois filmes importantes, A voz do Carnaval e Banana da Terra, onde canta a celebre canção “O que é que a baiana tem?”, de Dorival Caymi. O mesmo ocorreu com o tango, que reforçou a sua argentinidade com os filmes realizados por Carlos Gardel na primeira metade do século XX. Nos exemplos citados do samba e do tango, observamos que, já em tempos idos, as indústrias cinematográfica e fonográfica andavam de braços dados na fabricação de símbolos e imaginários de uma certa estética da cultura popular que se, por um lado, levava audiências ao cinema, por outro, vendia discos. No que toca a capoeira, as trocas simbólicas tem favorecido, por conveniência, ambas as partes. Em verdade, podemos dizer que, de uma maneira geral, as artes visuais sempre se valeram da capoeira como elemento de exploração artística e estética ao mesmo tempo que fabricavam uma esteticidade para a capoeira. Veja-se os exemplos das pinturas de Carybé e as fotografias de Pierre Verger, tão famosas, hoje, em todo mundo.

Poderíamos aqui trazer um elenco muito vasto de filmes nacionais e internacionais que trataram a capoeira: Barravento, O pagador de Promessas, Dança de Guerra, Cordão de Ouro,, Pastinha: uma vida pela capoeira, Capoeira Iluminada, Mandinga in Manhattan, Besouro, entre outros tantos que escapam a essa lista. Fly Away Beetle surge na sequência desses filmes e, de uma certa forma, como uma extensão de todos, sobretudo os de caráter documental, embora na sua linguagem estética se afaste deles.

O documentário traz o depoimento de alguns mestres respeitados como guardiões, ainda vivos, da capoeira, a exemplo de Boca Rica, Olavo dos Santos e Cobra Mansa. Para além disso, traça o percurso de vida de Roque Batista, jovem que tendo saído dos meios mais desfavorecidos da capital baiana, foi resgatado da marginalidade para tornar-se um professor de capoeira. O enredo não é de todo desconhecido para nós capoeiristas: a capoeira como prática de resgate dos mais desfavorecidos e a capital baiana, abrigo dos principais interlocutores da tradição da capoeira, em verdade a Meca da capoeira para alguns e epicentro da cultura afro-brasileira.

Para além dos renomados mestres e de Roque Batista, destacamos que o filme tem muitos outros personagens secundários que, apesar da sua pouca visibilidade, desempenham um papel importante no discurso que o filme apresenta em suas entre-linhas. Falo dos capoeiristas que, em visualização mais acelerada, deferem golpes num bailado típico da capoeira contemporânea. A exibição dos corpos e dos cenários urbanos da capital baiana ressaltam uma estética da capoeira morena e tropical. Chama a atenção que grandes partes das tomadas são feitas ao ar livre, nas praças, Igrejas e locais públicos onde se joga bola, onde a baiana vende seus produtos e coexiste a capoeira. São essas mesmas cenas que, em  Fly Away Beetle, contrastam com os depoimentos dos mestres mais antigos, Boca Rica e Olavo dos Santos, os quais, por meio de suas próprias histórias, nos transportam para uma época de uma capoeira marginal, violenta, perseguida, desvalorizada, repudiada pela sociedade. É através dessa relação que Fly Away Beetle nos apresenta um paradoxo e ,certamente, o que o filme trás de mais importante. A capoeira, prática desenvolvida no Brasil por escravos africanos e seus descendentes diretos – assim como o samba e outras manifestações de matrizes africanas, até pouco tempo relegadas ao status de “coisa de preto” – completou a sua transição entre polos opostos, deixando de ser vista pelas elites como “um dos fatores da nossa inferioridade como povo”, alcançando os meios artísticos e constituindo, hoje, um dos símbolos da nossa identidade nacional. No entanto, a história de Roque Batista aparece no filme para nos lembrar que, apesar da capoeira ter chegado em Hollywood, a população afro-brasileira continua confinada à marginalidade, à pobreza e à miséria, carentes de projetos sóciais ou de uma tábua-de-salvação como o samba, o futebol ou a capoeira, que lhes resgate da exclusão social.

No mais, vale a pena estabelecer uma relação entre Fly Away Beetle e o filme Besouro, lançado no ano passado. Besouro, cuja história se passa na velha Bahia, trás a figura de Mestre Alípio, que tal como os Mestres Olavo, Boca Rica e Cobra Mansa, representam o mestre ancião, guardião das tradições, mestre de Besouro. Recordamos também que Besouro passa grande parte do tempo na mata selvagem, onde entranha-se com os seres da floresta e a sua tropicalidade espiritual. O Besouro de Fly Away Beetle é Roque e a sua mata é a selva urbana de Salvador, recheada de perigos que conduzem o homem a desordem social, ao caos e a entropia. O seu elemento de metamorfose de homem em inseto voador é a capoeira, mágica, negra, mestiça, tropical, ancestral, ritualizada num mundo cada vez mais secularizado.

Apesar da obviedade e da natural desconstrução que se impõe, não posso deixar de enfatizar que em grande parte a capoeira tem de fato estado a serviço da cidadania e do resgate da cultura afro-brasileira. Roque Batista é um entre tantos brasileiros a quem a capoeira deu existência, seja por que tornou-se um dos divulgadores da arte, seja por que o filme inventou-lhe o personagem na vida e em particular no mundo da capoeira.

A conversão do popular em objeto estético é uma magia que o cinema bem sabe fazer, adoçada pelas imagens da não menos mítica capoeira, em tempos pós-modernos. Não espanta que a estreia do filme na Europa fez-se em duas grandes metrópoles pós-coloniais como Lisboa (Universidade de Lisboa) e nos auditórios de Londres, onde as platéias globalizadas consomem o que na periferia mundial se produz. Roque and roll, afinal, são produtos globais.

Ricardo Nascimento

Geógrafo

Mestre em Sociologia da cultura

Doutorando em Antropologia

Professor de capoeira

CD “CAPOEIRA DE BESOURO” vence 2 categorias no Prêmio da Música Brasileira

CD “CAPOEIRA DE BESOURO” de Paulo Cesar Pinheiro vence 2 categorias no Prêmio da Música Brasileira

A CAPOEIRA se fez presente e vencedora no tradicional e respeitado PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA que em sua 22a edição premiou o cd “CAPOEIRA DE BESOURO” de Paulo Cesar Pinheiro como vencedor das duas categorias a que concorreu: Melhor Álbum Regional e Melhor Projeto Visual.

A cerimônia de premiação aconteceu no último dia 6 de julho no Teatro Municipal do Rio de Janeiro onde Paulo Cesar Pinheiro recebeu os troféus ao lado de Zeca Pagodinho, Monarco, Mauro Diniz, Emílio Santiago, Alcione, Elba Ramalho, Arnaldo Antunes, Lulu Santos, Vanessa da Mata, Roberta Sá, Zezé Di Camargo e Luciano entre outros vencedores das demais categorias.

O cd “CAPOEIRA DE BESOURO” produzido por Luciana Rabello, é uma homenagem a Besouro Mangangá, à capoeira, à Bahia, ao Brasil. Nada mais natural e bonito que tenha sido abraçado e apresentado ao mundo através do olhar e das bênçãos de Maria Bethânia – legítima e fiel filha de Santo Amaro da Purificação, que lançou o cd através de seu selo/gravadora QUITANDA.

O cd “CAPOEIRA DE BESOURO” contou com a participação dos capoeiristas Victor Lobisomem e Mestre Camisa que tocaram os berimbaus ao lado dos renomados músicos Maurício Carrilho(violão), Celsinho Silva(pandeiro), Paulino Dias(atabaque e percussão) e Luciana Rabello(cavaquinho).

A carreira de Paulo Cesar Pinheiro teve inicio com Besouro, quando o poeta em parceria com Baden Powell venceu a Bienal do Samba com “Lapinha” – samba imortalizado na voz de Elis Regina, composto sobre refrão recolhido em rodas de capoeira:

“Quando eu morrer me enterrem na Lapinha/Calça-culote, paletó-almofadinha.”

Assim, sem ter idéia da carreira que iniciava e da grandeza do que iria construir na nossa música, Paulo adentrava os portais da música e da poesia, aos 16 anos, conduzido pelas mãos da CAPOEIRA e de Besouro Mangangá.

Em 2006, foi montado o musical “Besouro Cordão de Ouro”. As músicas do cd foram feitas originalmente para esta peça que também Recebeu o Prêmio Shell de Teatro na categoria Melhor Música e Direção Musical! E o Besouro continua seu voo.

A comunidade da CAPOEIRA agradece a PAULO CESAR PINHEIRO a oportunidade de levar nossos BERIMBAUS e a música da nossa arte a mais um reconhecimento de nosso valor através do PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA !

Europa: Fly Away Beetle – O Voo do Besouro

Três renomados mestres (Olavo dos Santos, Boca Rica e Cobra Mansa) reunem-se neste documetário para contar sobre as condições histórico-culturais que ajudaram a dar forma à Capoeira. Apresentando diferentes perspectivas, seus depoimentos falam desde a violência na Capoeira durante os seus primórdios até os benefícios que a mesma oferece na atualidade à jovens afetados pela exclusão sócio-econômica.

O documentário também conta a história real de Roque Batista, um ex-menino-de-rua da cidade de Salvador, Bahia, que se voltou para a Capoeira numa tentativa de escapar da pobreza e da violência das ruas. Em sua luta para melhorar de vida, Roque se torna um professor de Capoeira com a missão de ajudar outros jovens em situação de risco.

Alternando entre entrevistas, filmagens raras e exibições contemporâneas de Capoeira, O Voo do Besouro conta as histórias desses indivíduos e, ao fazê-lo, conexões com a escravidão, Candomblé e magia são trazidas à tona. Alusões ao legendário Besouro Preto nos levam a um encontro com esta figura mística e enigmática, tão lenda quanto personagem histórico, detentor dos segredos da magia africana.

O Voo do Besouro trata, principalmente, de uma das características mais marcantes da Capoeira: a sua capacidade de mudar de maneira positiva a vida das pessoas. Por essa razão, o filme terá a sua estréia internacional em associação com espaços, organizações e eventos compromissados em difundir o potencial de transformação social e cultural inerente à Capoeira. O documentário irá estrear dia 30 de Junho na abertura do Movement for Change: The Capoeiragem Conference, em Londres, e  no dia 20 de Julho como parte da programação do Gingando para a Cidadania, na cidade de Lisboa. Ambos os eventos irão reunir capoeiristas, intelectuais, artistas e indivíduos de origens diversas com o objetivo de trocar conhecimento, discutir possibilidades e, com certeza, jogar muita Capoeira.

O Voo do Besouro é um daqueles filmes que mescla lindas imagens, ação e documentação à uma mensagem relevante e pertinente, não só aos capoeiristas, mas à sociedade como um todo. Para além de um documentário em formato tradicional, O Voo do Besouro nos leva para dentro da vida desses indivíduos, de forma que possamos experienciar, ao menos por um breve momento, o que realmente é a Capoeira. Mais do que um relato histórico, é uma penetração artística na Capoeira.

 

Serviço:

  • 30 de Junho na abertura do Movement for Change: The Capoeiragem Conference, em Londres
  • 20 de Julho como parte da programação do Gingando para a Cidadania, na cidade de Lisboa

 

www.flyawaybeetle.com

Uma realização Bluedot Productions

Duração: aprox. 80min.

Cobrinha Verde: o discípulo de Besouro

Muito se diz sobre Besouro Mangangá. Muitas histórias, feitos, crendices. Pouco se sabe sobre sua vida de capoeirista, se procurava transmitir seus conhecimentos na capoeiragem, se tinha alunos. Muitos mestres antigos reivindicam inclusive parentesco com Besouro. Porém, do que se tem conhecimento, somente um reivindica ter sido seu aluno. Estamos falando do famoso Cobrinha Verde.

 

Em Santo Amaro, onde nasceu e cresceu, muitas outras pessoas o ensinaram capoeira, entre eles também os famosos Espinho Remoso, Canário Pardo e Siri de Mangue, mas segundo ele, foi com Besouro que aprendeu o principal. Nascido Rafael Alves França, Cobrinha Verde recebeu esse apelido de Besouro pela sua agilidade e destreza com as pernas, que era tanta que, em certa feita, ele enfrentou sozinho oito policiais com um facão de 18 polegadas, segundo conta o próprio.

 

Cobrinha Verde sai de Santo Amaro e ganha o mundo, mudando de cidade em cidade, procurando pouso em casas de parentes e em bandos de cangaceiros do sertão, como o de Horácio de Matos. Muitas aventuras, muitas cidades e amores até voltar para a Bahia

 

E, como todo mundo sabe, capoeira é boa pra se defender, mas não livra ninguém de bala, nem de morte, por isso fortalecer suas defesas com fé e orações foi o caminho escolhido por Cobrinha Verde. Conta Cobrinha que ele possuía um breve, também conhecido como patuá, que o livrava de muitos problemas. Como da vez que dispararam contra ele uma enorme quantidade de balas, e ele desviou todas na ponta de seu facão. Essas mandingas ele aprendeu em Santo Amaro com o velho Pascoal, um africano que era vizinho da sua avó, e segundo contava Cobrinha, esse breve que possuía era vivo e ficava pulando, quando era deixado num prato virgem, depois de utilizado por ele. Mas certo dia, conta Cobrinha, que o breve foi embora e o deixou, depois de um erro que ele havia cometido

Ter sido aluno de Besouro Mangangá é um privilégio para poucos, e assim ensinar se tornava um chamado da arte. Em 1937 começa a ensinar de graça, como gostava de enfatizar, na Fazenda Garcia, depois de ter saído do exército. Nessa época convivia com Bimba e outros capoeiras famosos como Aberrê. Mas com o passar dos anos e morte de muitos dos seus contemporâneos, ele foi o mais velho capoeirista em atividade no Brasil, e um dos únicos a conhecer a técnica de jogar com navalhas entre os dedos do pé.

Na sua vida de professor, muitos capoeiras famosos beberam na fonte desse mestre; João Grande é um deles, que diz ter treinado com ele no Chame-Chame nos domingos pela manhã. Como dividia trabalhos com Pastinha, outros capoeiras como João Pequeno também beberam da fonte desse mestre. Como conta mestre João Grande, freqüentavam esses treinos também Gato Preto, Didi, Bom Cabrito, Rege de Santo Amaro, entre outros.

Vida e obra de um capoeira nesse mundo não são reconhecidas, então o maior medo de um capoeira como Cobrinha Verde, era morrer a míngua como Pastinha e Bimba. Sua profissão de pedreiro tinha rendido uma mísera aposentadoria, que não dava pra nada, mas que pelo menos não o deixava na mão. Sua fé também ajudava a não adoecer. O capoeira pra ter uma boa velhice, tem que trabalhar com outras coisas e não só viver da arte… Ô mundo injusto!

Besouro – Fly Away Beetle

Besouro mangangá, ou se preferirem Besouro Preto, Besouro Cordão de Ouro, está mais uma vez sob as “luzes da ribalta”. Depois de fantástico documentário de amigo e colaborador Pedro Abib: “Memórias do Recôncavo: Besouro e Outros Capoeiras”, depois do exelente longa-metragem do diretor João Daniel Tikhomiroff Besouro : Nasce um herói”, nosso exaltado “herói”, Manoel Henrique (1897-1924), está novamente na grande tela, desta vez em um novo documentário produzido pela Bluedot Productions, rodado nas ruas de Salvador – Bahia.

Desejamos a toda a equipe de Besouro – Fly Away Beetle, muito sucesso e felicidade e que seja mais uma grande valia para a nossa capoeira.

Luciano Milani

Besouro – Fly Away Beetle

Pode um ritual nascido da escravidão tornou um movimento moderno?

Capoeira, dança composta de combate, ritual estilizado e segue a música sacra do berimbau. Nascida na escravidão e renasce nas ruas modernas do Brasil, o produto Capoeira do desejo incessante de liberdade. Com fotografia deslumbrante este documentário de longa metragem de BlueDot capta a beleza da dança, como Capoeira e ao mesmo tempo a explorar a história, mito e simbolismo atrás de seus movimentos graciosos.

Através de entrevistas, exposições e seguimos a vida de três renomados Mestres de Capoeira de Salvador, Brasil, casa de grande parte da história controversa da arte. Nós vemos como o seu trabalho, juntamente com a dos seus colegas e alunos estão trazendo esperança para as suas comunidades, ea libertação eo respeito a uma geração sem direitos. A fim de melhor compreender o estado actual da Capoeira O filme traça-lo de volta às suas raízes Africano.

Ao fazê-lo, encontramos os Africanos deuses do candomblé (religião indígena animista do Brasil), o cristianismo, bem como a escravidão a partir da qual surgiu a Capoeira. Ouvimos histórias místicas do Besouro lendário (o capoeirista que vôo), bem como as contas do homem histórico por trás dos contos. Encontramos um jovem estudante que ela navega os perigos do seu bairro, transformando a arte da Capoeira.

Em caso de necessidade um é atirado para a luta. No âmbito da luta alguns aprendem a dançar.

(Tradução google)

Fonte: Blog Rabo de Arraia – http://www.rabodearraia.com/capoeira/blog/

 

Can a ritual born out of slavery become a modern day movement?

Capoeira, comprised of stylized dance and ritual combat takes its cue from the sacred music of the berimbau. Born from slavery and reborn on the modern streets of Brazil, Capoeira proceeds from the timeless urge for freedom. With stunning cinematography this feature length documentary film from BlueDot captures the ballet-like beauty of Capoeira while also exploring the history, myth and symbolism behind its graceful moves.

Through interviews, and exhibitions we follow the life of three renowned Capoeira Mestres from Salvador, Brazil; home to much of the art’s contentious history. We see how their work, together with that of their colleagues and students are bringing hope to their communities, and liberation and respect to a disenfranchised generation.

In order to better understand the present state of Capoeira the film traces it back to its African roots. In so doing, we encounter the African gods of Candomble (the indigenous animistic religion of Brazil), Christianity as well as the slavery from which Capoeira has emerged. We hear mythic stories of the legendary Besouro, (the flying capoeirista); as well as accounts of the historical man behind the tales. We meet a young student as she navigates the dangers of her neighborhood by turning to the art of Capoeira

Out of necessity one is thrown into the fight. Within the fight some learn to dance.

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Teatro: Homenagem ao Capoeirista e Herói Popular Besouro Cordão de Ouro

Depois de ler ‘Mar Morto’, livro de Jorge Amado, Paulo César Pinheiro se apaixonou pela história de Besouro, um dos maiores capoeiristas de todos os tempos.
O músico, que já compôs várias canções sobre o mito, como ‘Lapinha’, eternizada na voz de Elis Regina, estréia como autor teatral no dia 15, no Centro Cultural Banco do Brasil, com o musical ‘Besouro Cordão-de-Ouro’. “É um personagem riquíssimo, e acho interessante recuperar a história de um ícone tão brasileiro”, conta Paulo César.

BESOURO CORDÃO-DE-OURO

Espetáculo musical em homenagem ao capoeirista e herói popular Besouro Cordão-de-Ouro, que viveu e construiu sua legenda em terras baianas no final do século XIX e início do século XX. O palco se transforma numa roda de atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis, uma valorização da cultura negra.

Autoria de Paulo César Pinheiro.

Ana Paula Black
Cridemar Aquino
Maurício Tizumba
Raphael Sil
Sérgio Pererê
William de Paula
Wilson Rabelo
Gilberto Santos da Silva “Laborio”
Letícia Soares
Marcelo Capobiango
Valéria Monã
Victor Alvim “Lobisomem”
Alanzinho Rocha
Iléa Ferraz

Direção:João das Neves
Direção musical: Luciana Rabello
Coordençaõ de capoeira: MESTRE CAMISA

5/março a 25/abril/2010
6a a domingo, 20h.

R$ 4 (comerciários), R$ 8 (estudantes, idosos), R$ 16. [livre]

Sesc Tijuca

Endereço
Rua Barão de Mesquita, 539

Telefone
(21) 3238-2100/Fax: (21) 2570-4178

Capoeira e Arte

A capoeira como expressão da cultura afro-brasileira é considerada por muitos também como arte. Uma manifestação que reúne tantos elementos estéticos como a música, as artes do corpo (dança, expressão corporal, acrobacia, etc…), a teatralidade, o artesanato, a pantomima entre outros, sem dúvida nenhuma reúne características suficientes para ser considerada uma atividade artística.

Como não reconhecer um verdadeiro artista, naquele capoeira que toca um berimbau com requinte e talento; naquele que canta com extrema afinação, expressando profundo sentimento através da voz; naquele que constrói os próprios instrumentos baseados nos conhecimentos passados de geração em geração; naquele capoeira que faz do seu corpo uma obra de arte e se transforma num virtuoso dançarino ao movimentar-se; ou ainda naquele que dramatiza com perfeição durante um jogo, cenas quase teatrais, que arrancam gargalhadas e aplausos da platéia ?

A arte busca, entre outras coisas, alcançar o belo, o deleite, o prazer, a reflexão, a sensualidade, a emoção, e encontra na capoeira uma interessante forma de expressão, que se baseia nos conhecimentos ancestrais e na tradição, construindo todo um universo de sentidos e significados que acabam, em última instância, atingindo muitos dos objetivos que uma atividade artística procura, seja para os capoeiristas que a praticam, seja para o público que a assiste.

Além disso, a capoeira é também retratada como tema de várias atividades artísticas. Na pintura, as obras de Carybé são a sua maior expressão, na fotografia, não há quem não admire o belo trabalho de Pierre Verger e na literatura, as obras de Jorge Amado descrevem com precisão cenas e personagens da capoeiragem de outrora. Mas também a capoeira é tema de uma grande quantidade de espetáculos de dança já há várias décadas. Tantas e tantas músicas do nosso cancioneiro popular falam da capoeira, e outras tantas peças de teatro, em muitas ocasiões já retrataram a capoeira direta ou indiretamente.

Porém de todas as artes, o cinema tem sido o que mais tem dado espaço para a capoeira. Temos uma grande quantidade de filmes que marcaram época e que retratam essa manifestação, seja como tema central ou como pano de fundo. Desde os clássicos “Veja o Brasil” (1948) de Alceu Maynard; “Vadiação” (1954) de Alexandre Robatto, “O Pagador de Promessas” (1962) de Anselmo Duarte, “Barravento” (1963) de Glauber Rocha, “Dança de Guerra” (1968) de Jair Moura, e “Jubiabá” (1984) de Nelson Pereira dos Santos, até os mais recentes “Pastinha, uma vida pela capoeira” (1998) de Toninho Muricy, “O Velho Capoeirista” (1999) de Pedro Abib, “A Capoeiragem na Bahia” (2001) de José Umberto; “Mandinga em Manhattan” (2004) de Lázaro Farias, “Leopoldina, a fina flor da malandragem” (2006) de Rose La Creta; “Mestre Bimba: a capoeira iluminada” (2007) de Luis Fernando Goulart; “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros capoeiras” (2008) de Pedro Abib e “Besouro: da capoeira nasce um herói” (2009) de João Daniel Tikhomiroff, só para citar alguns, pois atualmente, uma quantidade muito grande de documentários sobre capoeira têm sido produzidos. Até produções internacionais tem retratado a capoeira, como no caso dos filme norte-americanos “Besouro Preto” (2001), um documentário de Salim Hollins ou “Esporte Sangrento” (1993) de Sheldon Letich, se bem que esse último traz uma visão um tanto deturpada da nossa arte, como é de costume dos filmes comerciais feitos nos Estados Unidos, ao retratarem realidades que não fazem parte de sua cultura.

Por todas essas razões, sem nenhum receio, todo capoeirista pode se considerar também, um artista !!!


Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

 

Texto Recomendado:

O pulador de facas da Praça Dante

A Ginga e a sabedoria do Capoeira: Antônio  Martins  usa de toda a sua mandinga e carisma para sobreviver…de praça  em praça  e utilizando os recursos adquiridos na escola da vida e na capoeiragem o baiano  é mais um “Brasileiro” lutador e criativo!!!

Luciano Milani