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Chegou a hora dessa gente “BRASILEIRA” e bronzeada mostrar seu valor…

Chegou a hora dessa gente “BRASILEIRA”
e bronzeada mostrar seu valor…

Homenagem de Natal à toda comunidade de capoeiras que esta longe do seu país… A todos aqueles que de forma direta ou indireta, disseminam a nossa arte luta, nossa cultura, nosso legado… pelos 4 cantos do mundo, com carinho, amor e respeito a ancestralidade afro-brasileira.

 

Vídeo revela compositores, cantores e instrumentistas populares que interpretam uma versão criativa do clássico ‘Brasil Pandeiro’ na primeira edição do projeto Quatro Cantos, inspirado no americano “Playing For Change”

 

Que o povo brasileiro é um poço de diversidade cultural, musical e criatividade, ninguém pode negar!

Então, um viva pra nossa terra e também pra quem sambe diferente noutras terras, noutra gente, num batuque de matar…

 

Esse vídeo foi gravado com músicos dos quatro cantos do país e é parte integrante do DVD exclusivo do projeto Quatro Cantos da marca Luigi Bertolli. A primeira edição do projeto lançou essa versão do clássico do cancioneiro popular nacional “Brasil Pandeiro”, de Assis Valente (que já era uma lindeza só na interpretação dos Novos Baianos e que aqui ganhou uma nova cara com a nossa gente brasileira, talentos espalhados pelos quatro cantos do país).

Produzido pelo pesquisador e produtor musical Betão Aguiar, o vídeo conta com a participação de cerca de 25 artistas e atrações dos quatro cantos do país.

A proposta da ação, idealizada pela marca Luigi Bertolli e concebida por Betão (que também é filho de Paulinho Boca de Cantor, um dos membros dos Novos Baianos) e Dipa Di Pietro (Diretor de branding da LB), é dar espaço e visibilidade para artistas pouco conhecidos do grande público ou até mesmo anônimos, como artistas de rua, ligados à cultura popular nacional.

O vídeo ‘Brasil Pandeiro’ oficializa o apoio do grupo GEP – responsável pelas marcas Luigi Bertolli, Emme + Estúdio Emme e Cori – às práticas de valorização da cultura nacional.

 

Confira a lista dos artistas participantes do projeto Quatro Cantos:

  • Orlando Costa (Bonfim, Salvador/ Bahia): pandeiro e tamborim de dedo
  • Di Freitas (Juazeiro do Norte/ Ceará): rabecão
  • Marinez e Marias do Coco Frei Damião (Bairro João Cabral, Juazeiro do Norte/ Ceará): voz e coro
  • Luê Soares (Belém do Pará/ Pará): voz
  • Wem (São Paulo/ SP): voz e violão
  • Samuel Macedo (Nova Olinda/ Ceará): violão
  • Bule Bule (Salvador/ Bahia): voz e prato
  • T-Kaçula (Casa Verde, São Paulo/ SP): voz e cavaquinho
  • Calixto (Campo Limpo, São Paulo, SP): voz e dança
  • Renato Dias (Vila Madalena, São Paulo/ SP): voz e caixa de fósforo
  • Guilherme Kastrup (São Paulo/ SP): percuteria reciclada, MPC, cajon, galão e tamborim
  • Abará (Salvador/ Bahia): surdo ruber nose
  • Dú e Jô (Salvador/ Bahia): pandeiro e xequeré
  • Percussionistas do Candeal (Candeal, Salvador/ Bahia)
  • Mestre Bigode e Antonio Contramestre (Juazeiro do Norte/ Ceará): ganzá e pandeiro
  • Mestre Cirilo do Maneiro Pau (Vila Padre Cícero/ Ceará)
  • Lívia Mattos (Salvador/ Bahia): voz e sanfona
  • Didi Moraes (Fortaleza/ Ceará): cavaquinhoPalhaça Rubra (São Paulo/ SP): voz e carrinho de brinquedos
  • Juninho Costa (Salvador/ Bahia): guitarra
  • Maneiro Pau do Mestre Raimundo (Bairro João Cabral, Juazeiro do Norte/ Ceará): coro e bastão
  • Trio de Sopros (São Luiz do Paraitinga/ SP)
  • Ciço Gnomo (Juazeiro do Norte/ Ceará): voz e violão
  • Zé Matias do Cavaco (Juazeiro do Norte/ Ceará): voz e cavaquinho elétrico

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial

Anne Nathielly subiu ao pódio no 9º Campeonato Mundial de Capoeira do Muzenza

Pouco depois de uma semana que o Piauí virou notícia nacional com a escolha de Monalysa Alcântara como Miss Brasil, outra piauiense eleva o nome do Estado ao se tornar vice-campeã no 9º Campeonato Mundial de Capoeira Munzenza.

 

A jovem capoeirista Anne Nathielly, a Boneca, como é conhecida no mundo da capoeira, integrante do grupo Raízes do Brasil/JF-PI, competiu neste sábado 26 de Agosto no 9º Campeonato Mundial de Capoeira realizado pelo Grupo Muzenza, que aconteceu em Fortaleza-CE, com atletas do mundo inteiro.

 

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial Capoeira Mulheres Portal Capoeira

Maria Clara Melo acompanhada das capoeiristas que ficaram em 1° e 3° lugar na competição (A direita com a medalha de 2° lugar)

 

Boneca esteve representando José de Freitas a nível mundial e não voltará a sua terra de mãos vazias, pois a mesma consequiu medalhar, conquistando a terceira colocação, ficando entre as 3 melhores do mundo em sua categoria.


Capoeira e informação ao longo da história

Capoeira e informação ao longo da história: A busca por conhecimento sobre a “nega mandingueira”

Em meados dos 80, quando a capoeiragem passou a fazer parte de minha vida, acesso a informação sobre nossa arte era algo quase que impossível. Quem tinha livro, disco, fita cassete, revista, cópia de jornal que aparecia a capoeira não emprestava. Tudo era “negociado” a peso de ouro.Em meados dos 80, quando a capoeiragem passou a fazer parte de minha vida, acesso a informação sobre nossa arte era algo quase que impossível. Quem tinha livro, disco, fita cassete, revista, cópia de jornal que aparecia a capoeira não emprestava. Tudo era “negociado” a peso de ouro.

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira

Lembro-me quando Mestre Miguel Machado chegou em Piracicaba-SP com algumas poucas cópias do disco em vinil do Mestre Ezequiel. Em 5 minutos os que estavam em frente ao “escritório” (i.e. boteco da esquina) pegaram suas cópias. Lá estavam Mestre Valtão (Valter Farias), Mestre Boca (Oswaldo Negretti), Gabriel, eu e meu mano “Cabeludo”, Candinho que foi meu primeiro professor, diversos outros camaradas e, é  claro, nosso saudoso Mestre Cosmo. Tal disco influenciou muito nossa parte rítmica em cantada, pois desde então, diversos amigos “emprestaram” cópias em fita cassete. O jovem Mestre Vaguinho (Vagner Farias), discípulo de Mestre Valtão, até hoje ouve o disco. Tanto é que, Mestre Moreno (Almir José da Silva) [ou Morenias], chama Vaguinho de Ezequié Paulista.

Voltando ao assunto principal, para se conseguir um livro emprestado era um sacrifício. Lembro-me de quando Mestre Cosmo conseguiu um xerox do livro “Capoeira Angola – ensaio sócio-etnográfico” (1968) de Waldeloir Rego foi um deus nos acuda. Todos queriam ter cópia, mas faltava “cascaio”. Logo, “xerocávamos” apenas o capítulo introdutório, que já era um grande ganho. Tal livro, na época atual e hoje merecendo uma releitura, suscitou muitas discussões nas sucessivas reuniões “no escritório” da R. Voluntários.

A era das listas de discussões

Dando um salto cavalar na história sobre a busca por informações, por volta dos anos 2000, a moda era as Listas de Discussões. Ali se discutia de tudo sobre nossa arte: a) onde “nasceu” a capoeira; b) se um mestre era mestre mesmo ou não; c) se pertencia ou não a uma determinada linhagem; d) capoeira é esporte, cultura etc?;  e) se a capoeira iria ou não para as olimpíadas; f) qual a formação correta e quais os instrumentos da capoeira primitiva.. e la nave vá…

Duas grandes figuras neste processo foram os camaradas Mestre Jerônimo/Austrália e Alberto de Bauru (na época fazia parte da Confederação Brasileira de Capoeira-CBC). Jerônimo recarregava suas energias na Bondi Beach/Sydney, enquanto seu computador ficava 24h por dia recebendo mensagens. Chegava ele no computador e lá vinha algo para despachar. As vezes o repasse era tranqüilo, mas vez ou outra ele tinha que “matutar” se enviava ou não a mensagem. Ele mesmo dizia abertamente: Vocês fazem as besteiras com a capoeira ai no Brasa, e eu aqui na AUS que tenho que decidir se circulo ou não os assuntos? Bastava um clique e o ebó circulavam pelos sete mares por meses – tem mensagem que circula até hoje.

O Jornal do Capoeira e o Portal Capoeira

Em 2004 lancei o Jornal do Capoeira [1]. Foi uma experiência super gratificante, pois na ocasião estabelecemos uma rede de mais de 30 colaboradores espalhados pelo Brasil e pelos Brasis afora. André Lacé, Tonho Matéria, Benedito Bené, Vagner Astronauta, Luciano Milani, Leopoldo Gil Vaz, Sérgio Vieira (FICA), Mestre Squisito, Leticia Vidor, Marieta Borges Lins e Silva, Eurico Barreto Viana, Jose Luiz Cirqueira “Falcão”, e tantos outros.

Durante o processo o amigo Luciano Milani, que começou a capoeira em São Paulo nos idos dos 80, na época radicado em Mogadouro, Portugal, entra em contato e faz uma proposta. Ele, mestre nas artes internéticas, tinha um projeto audacioso: criar um portal multifuncional para documentar nossa arte. Foi uma grata surpresa, pois embora o Jornal do Capoeira funcionasse como um “semanário” da capoeira – sim, toda 2a feira uma nova “edição” virtual ia ao ar – ele estava limitado a textos e fotos. Foram meses de interação com o amigo Milani até que PortalCapoeira [2] “pegou”. E pegou para ficar! Em 2006, por motivos de estudo de doutorado, meu projeto Jornal do Capoeira [com suas mais de 1000 matérias, crônicas, notícias, clássicos da literatura etc] precisou ser paralisado.

E desde então, tanto as listas de discussões por emails, alimentadas pelos Mestres Jerônimo, quanto o PortalCapoeira.com são as fontes mais “sólidas” de informação acessível a todos “pelo mundo afora, camará..”.

Vez ou outra, quando surge alguma dúvida, é no Jornal do Capoeira, no PortalCapoeira ou nas Listas de Discussões (todas tem repositórios arquivados continuamente) que busco primeiro as informações.

Capoeira: estudar é preciso

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira 1

Hoje pela manhã, enquanto revisava um artigo científico de um de meus alunos de doutorado sobre conservação do Mico Leão Dourado, recebo um questionamento do Prof. Verga (Ederson Renato), responsável pelo ensino de jovens capoeiras do projeto “Brincando de Gingar”, da entidade Legião Mirim/São Pedro-SP, sob coordenação de Waldir Campos:

“Miltinho, onde eu busco mais informações sobre a influência do samba de roda, samba de recôncavo e outras vertentes musicais sobre a musicalidade da/na capoeira?”

E complementa: “Estou aqui navegando entre o Jornal do Capoeira e PortalCapoeira com meus alunos, mas gostaríamos de adentrar mais no assunto”

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira 2

Como ponto de partida sugeri adquirir o livro-CD-DVD “A cartilha do Samba Chula”, ouvirem as gravações “O Recôncavo Baiano: Samba em Roda” [3] e “Samba de Dona Dalva Damiana”. Claro, tem muita fonte riquíssima e que deve ser pesquisada. Mestre Raimundinho, um excelente cantador da Capoeira Angola no Estado de São Paulo, lembra que seu amor pela arte de cantar veio da infância, quando ele ainda criança se reunia na casa de amigos de seus pais para recitar contos vindo da literatura de cordel. Fica a dica!

Enquanto finalizo esta crônica sou interrompido pelo porteiro eletrônico. Por correio, recebo –em primeira mão um– um exemplar do livro “Capoeira: uma Arte Indígena do Brasil – Fundamentos e Tradições”, de autoria do Contramestre Pelicano (Douglas Tessuto), Grupo Muzenza de Santa Gertrudes. Claro, o assunto é bem provocativo, o que, certamente, vai suscitar inúmeras discussões nas próximas décadas. Voltarei ao assunto tão logo tenha lido o livro.

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira 3

O livro é uma compilação de informações que Pelicano reuniu em mais de 20 de pesquisa, e tudo respaldado por entrevistas e documentos históricos. O lançamento oficial vai ocorrer em breve durante o Mundial Muzenza, em Fortaleza/CE.

Vai daí que, a leitura do livro, é um ótimo ponto de partida para todos os membros da Liga Rioclarense de Capoeira. Afinal, não é sempre que alguém “da região” publica algo que pode dar um “sacode” na historiografia de nossa arte.

 

Capoeira e informação ao longo da história: A busca por conhecimento sobre a “nega mandingueira”

 

Iê dá volta ao mundo. Iê dá volta ao mundo, camará…

 


  • [1] www.capoeira.jex.com.br
  • [2] http://portalcapoeira.com/
  • [3] https://www.youtube.com/watch?v=eeTeLqMhOdY
  • [4] https://www.youtube.com/watch?v=LpT0SDz-gx0

 


MS: Aprovação da Lei 4.968 representa início de reparação histórica

Para capoeiristas de MS, aprovação da Lei 4.968 representa início de reparação histórica

Foi sancionada e publicada no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul no último dia 30 de dezembro a lei de autoria do deputado estadual João Grandão (PT/MS) que reconhece o caráter educacional e formativo da atividade de capoeira para que as escolas da educação básica, públicas e privadas possam celebrar parcerias com associações ou outras entidades que representem mestres e demais profissionais da capoeira no Estado.

A Lei, de número 4.968, coloca Mato Grosso do Sul como o primeiro e único Estado do Brasil a ter uma regulamentação específica que permite a integração da capoeira à proposta pedagógica das escolas públicas e privadas para que seja promovido o desenvolvimento cultural dos alunos.

Até por este motivo, os mestres e demais representantes da capoeira no Estado estão considerando a lei um “marco histórico”, tão importante quanto o reconhecimento da atividade, por parte do Iphan, como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

“A Lei 4.968 é o início de uma reparação histórica em prol da capoeira, perseguida há séculos pelos governantes, desde 1889, na era joanina, saindo do código penal como atividade criminosa somente em 1932, no Governo Getúlio Vargas, porém marginalizada infelizmente até os dias de hoje”, explicou Lucimar Espíndola (Mestre Caiduro), coordenador-geral do Fórum da Capoeira de Mato Grosso do Sul.

“Na capoeira a pessoa não aprende apenas dar pernada, mas a se sociabilizar, a respeitar o próximo, a obedecer hierarquia, aprende teatro, música, dança e principalmente a conhecer nossa identidade e a verdadeira história e cultura afro-brasileira. E o deputado João Grandão foi muito feliz ao pensar numa lei que trouxesse tudo isso e, ao mesmo tempo, envolvesse a educação”, acrescentou Caiduro, que garante que a prática da capoeira melhora ainda o desempenho e o comportamento dos alunos dentro da sala e na relação com os pais e familiares.

O presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), Roberto Magno Botareli, também destacou a importância da Lei para a educação no Estado. “A educação pública de qualidade que sonhamos passa por conquistas como esta, pois o acesso ao esporte e à cultura são fundamentais para que os alunos tenham um aprendizado amplo e se formem verdadeiros cidadãos preparados para construir uma sociedade melhor e mais justa. A capoeira é cultura, é atividade física e é a nossa história”, disse.

Mais conhecido em Mato Grosso do Sul como Mestre Jaraguá, José Maria Viana Guedes diz que a nova lei vem resgatar também os capoeiristas, que não vinham recebendo seu devido valor, principalmente por parte dos governantes.

“Estou há 35 anos nesta atividade, andei esse País todo e nunca vi lei igual esta sancionada e aprovada em nenhum estado. O que ocorria, no máximo, eram alguns editais e, mesmo assim, passageiros. Nada como este, com força de lei, que abrirá aos capoeiristas um novo mercado de trabalho. E reconhecer o capoeirista, que sempre foi discriminado, como um educador, alguém que pode ensinar alguém”, disse ele, emocionado, lembrando que foi o deputado João Grandão também o responsável pelo título de utilidade pública estadual da Associação Camará Capoeira, de Ponta Porã, da qual é diretor.

“Sem dúvida, é o início da reparação de uma dívida histórica que o Brasil tem com a capoeira e com a cultura e história afro-brasileira. E digo Brasil pois esta lei ganhará repercussão nacional e certamente influenciará outros estados a seguir o mesmo exemplo”.

O deputado João Grandão celebrou a conquista e fez questão de reconhecer a importância de todos os envolvidos no processo. “Foi uma construção coletiva do nosso mandato, em reuniões e audiências públicas, juntamente com vários mestres e associações de capoeira. Quero reconhecer também o bom senso dos deputados, que aprovou por unanimidade o projeto, e a sensibilidade do governador Reinaldo Azambuja, que o sancionou”, disse o parlamentar.

 

Fonte: AgoraMS  – http://www.agorams.com.br/


Há 35 anos, partia Mestre Pastinha, criador da capoeira de Angola

Mosaico cultural | Pastinha dedicou sua vida a defender, divulgar e ensinar uma das expressões culturais mais fortes do Brasil

Vicente Ferreira Pastinha nasceu em 1889 e, segundo ele mesmo, aprendeu capoeira com apenas oito anos de idade, com um africano chamado Benedito que, ao vê-lo brigar com um garoto mais velho, resolveu lhe ensinar a capoeira.

Em 1902, Pastinha entrou para e escola de aprendizes marinheiros, onde passou oito anos de sua vida. Na Marinha, praticou esgrima e aprendeu a tocar violão. Ao mesmo tempo, ensinava capoeira a seus companheiros.

Confira o programa Mosaico Cultural, da Radioagência Brasil de Fato (para baixar o arquivo, clique na seta à esquerda do botão compartilhar):

Em 1910, Mestre Pastinha começou a ministrar aulas de capoeira às escondidas na sua própria casa, pois a prática havia sido proibida, e quem contrariasse as regras poderia ir para a cadeia.

Pastinha se tornou defensor e a principal referência da capoeira de Angola, que possui movimentos mais lentos, rasteiros e lúdicos do que outros estilos do jogo.

“A capoeira é espiritualizada e materializada no eu de cada qual”

No documentário “Pastinha, uma vida pela capoeira”, o escritor Jorge Amado fala sobre Pastinha:

“Ele era um homem pequeninho, não era alto; ágil como um gato. Eu me lembro de tê-lo visto brincar, jogar capoeira… num hábito tão importante tão belo, em que homens de todas as classes se juntavam para brincar ao som dos atabaques, as cantigas de escravos…”

Mestre Pastinha trabalhou ainda como pedreiro, pintor, entregando jornais, entre muitas outras ocupações.

Mestre Curió, discípulo de Pastinha, fala sobre o pensamento de seu mestre sobre a capoeira:

“Ele combatia a violência, e dizia que capoeira não é violência. Capoeira é arte, dança, mandinga, malícia, filosofia, educação, cultura e, na hora da dor, é que ela passa a ser uma luta perigosíssima”

Em 1966, Mestre Pastinha realizou o seu sonho de conhecer a África ao representar o Brasil por meio da capoeira angola no 1º Festival Mundial das Artes Negras, em Dacar, no Senegal. Ele estava ficando cego, consequência de uma trombose que atingiu sua visão, e não chegou a passear em terras africanas.

O último lar do mestre foi no abrigo para idosos Dom Pedro II, onde morreu aos 92 anos, no dia 13 de novembro de 1981.

 

Por: Mauro Ramos

Brasil de Fato | https://www.brasildefato.com.br

Enquadramento da Profissão da Capoeira na Legislação Desportiva de Portugal

Estimada Comunidade da Capoeira em Portugal,

No passado dia 21 de Julho de 2014, foi feita uma convocação por parte do Instituto Português da Juventude e Desporto (IPDJ) de Portugal (Instituição Governamental) para uma sessão de esclarecimento sobre o processo de regulamentação da Capoeira em Portugal. Estiveram presentes as seguintes instituições/grupos de capoeira:


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Capoeira ajuda a “Integrar Jovem na Sociedade”

Líder comunitário, Davison Coutinho discorre sobre a importância do esporte na inserção social de jovens moradores de favelas, em texto publicado pelo Jornal do Brasil. “A prática esportiva faz com que tenham uma melhor autoestima e se sintam capazes e integrados socialmente. O esporte, juntamente com a educação, evita que esse jovem tenha sua vida aliciada pelas vias do crime”, argumenta. O autor cita projetos bem-sucedidos como o grupo Acorda Capoeira e a escolinha de futebol de Condy Ximenes

Favela 247 – Membro da Comissão de Moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, Davison Coutinho destaca a importância do esporte na integração na sociedade de crianças e jovens oriundos de favelas. Em artigo publicado na coluna Comunidade em Pauta, do Jornal do Brasil, na última quinta-feira (dia 19), o líder comunitário apresenta o trabalho sociocultural desenvolvido na Rocinha pelo grupo Acorda Capoeira, com mais de 60 participantes, e pela escolinha de futebol liderada pelo morador Condy Ximenes.

“A prática esportiva faz com que tenham uma melhor autoestima e se sintam capazes e integrados socialmente. Quando um jovem sente-se fracassado na busca por um emprego, ou no aprendizado escolar, representa uma porta aberta para os caminhos errados, e o esporte, juntamente com a educação, evita que esse jovem tenha sua vida aliciada pelas vias do crime, oferecendo um futuro mais digno e humano”, argumenta Coutinho.

 

Esporte e educação: caminhos para transformação e inclusão social

A educação que uma criança recebe em seus primeiros anos é um legado que é levado por toda sua vida. Cada ensinamento, por mais simples que seja, é a semente que irá brotar no coração dos futuros cidadãos de nossa sociedade. O esporte é um excelente caminho para a criança ocupar a mente e desenvolver o corpo. É essencial para o crescimento da criança como um todo. Uma criança que pratica esporte apende a trabalhar em equipe e compreende a importância do próximo no convívio social.

O esporte tem a capacidade de integrar crianças e jovens das comunidades na sociedade, transformar suas vidas e reduzir os preconceitos e estereótipos. A prática esportiva faz com que tenham uma melhor autoestima e se sintam capazes e integrados socialmente. Quando um jovem sente-se fracassado na busca por um emprego, ou no aprendizado escolar, representa uma porta aberta para os caminhos errados, e o esporte, juntamente com a educação, evita que esse jovem tenha sua vida aliciada pelas vias do crime, oferecendo um futuro mais digno e humano.

O grupo Acorda Capoeira desenvolve um trabalho sociocultural na Rocinha e em comunidades parceiras, desde sua formação em 2004. No entanto a capoeira já é ensinada as crianças da comunidade há mais de 30 anos pelo percussor e fundador do grupo Mestre Manel que chegou da Bahia, ainda jovem e despertou o afeto da criançada ensinando capoeira. As aulas acontecem na Escola Municipal Paula Brito, são mais de 60 participantes, muitos alunos já viraram multiplicadores desta ação e levaram a capoeira para outras comunidades e até mesmo para Noruega, China e Itália.

“Comecei dando aula no Centro Comunitário da Rua 02, há 34 anos e depois o projeto foi crescendo e indo para outros locais. Eu fazia muitas rodas no largo do Boiadeiro e quase toda galera da Rocinha foi meu aluno. Tenho alunos viajando para fora do Brasil, levando capoeira. Estou formando aqui professores e cidadãos para vida. A capoeira é uma riqueza para esses jovens, aqui ele aprende falar inglês, tocar instrumentos e aprendem nossa cultura. Meu sonho é poder ter uma sede aqui dentro para ministrar diversos cursos para criançada, com lanche e almoço, um espaço com diversos saberes”, diz Mestre Manel, fundador do Acorda Capoeira.

Entre os participantes mais antigos o grupo tem o mestrando Caixote que aprendeu a capoeira com o Mestre Manel há mais de 20 anos e hoje está a caminho de ser mestre na área. “Eu conheci a capoeira, aqui no local onde a gente treina, eu tinha oito anos, quando o mestre Manel fez um trabalho voluntário na escola… continuei treinando e estou com ele até os dias de hoje, são mais de 20 anos. Sou aluno que virou professor. Graças a Deus nosso trabalho vem sendo reconhecido não só no Brasil, mas em outros países. Com todo esforço do nosso trabalho a capoeira proporciona a esses jovens a disciplina, educação, saúde e incentiva o esporte”, diz mestrando Caixote do Grupo Acorda Capoeira.

A Escolinha de futebol liderada pelo morador Condy Ximenes também é um projeto esportivo que tem oferecido muitas oportunidades aos jovens da comunidade. São diversos os campeonatos e participações que os alunos fazem. O futebol promove uma integração entre jovens de diversas classes sociais, o que rola dentro do campo é algo único, onde o preconceito e as diferenças ficam de lado e dão lugar ao espirito esportivo, onde o trabalho em equipe é fundamental.

A libertação por meio do esporte e educação vem como resultado de um viver criativo e cheio de emoções, permitindo o esquecimento das grandes dificuldades, dando esperança ao amanhã. Quando se transforma o indivíduo através dessa associação, se muda o todo, permitindo assim que ele possa ampliar sua capacidade de percepção e potencializar seus conhecimentos.

O esporte não se limita apenas aos benefícios físicos em relação a saúde, sua potencialidade, pelo contrário ele ultrapassa e promove a construção social e o desenvolvimento do cidadão de maneira geral, melhorando seu convívio familiar, escolar e social. Então, vamos lá comunidade, vamos inscrever nossas crianças e jovens em projetos de esporte e educação para que tenham um futuro promissor.

*Davison Coutinho, 24 anos, nasceu e mora na Rocinha. Bacharel em Desenho Industrial, mestrando em Design, funcionário da PUC-Rio, membro da Comissão de Moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária

Jornal do Brasil


Brasileiros revelam como é viver no Havaí e mostram suas atividades

Brasileiros revelam como é viver no Havaí e mostram suas atividades

O que dizer da batucada no Havaí? São alunos de capoeira do paulista Leonardo Naito, que vive no Havaí há 15 anos.

Bem vindos a Waikiki! Conhecida no mundo todo, a praia de Honolulu é também a mais moderna, elegante e cosmopolita do Havaí.

Com mar calmo, hotéis de luxo e inúmeras lojas de grife, Waikiki é sonho de consumo para turistas do mundo todo.

Especialmente os japoneses que estão quase à mesma distância do arquipélago que os americanos do continente.

O que é a bandeira do Brasil está fazendo na areia da praia? A canga foi comprada no Brasil, mas os amigos Maitê e Enos são espanhóis.

E o que dizer, então, da batucada? Agora sim estamos falando português. Mas, entre tantos brasileiros, tem americano no samba.

São alunos de capoeira do paulista Leonardo Naito, que vive no Havaí há 15 anos. Todo fim de semana, chova ou faça sol, o grupo se reúne para treinar.

Edward, o periquito, começou a fazer capoeira a convite de um amigo. Shalina buscava uma atividade para aliviar o estresse das provas da faculdade. Os dois se apaixonaram. E não foi só pela capoeira. Durante os treinos, o casal se reveza para cuidar do filhinho de 11 meses.

Hoje, Leonardo está casado com Patrícia, que nasceu nas Filipinas. E quem vê não imagina. Uma das maiores dificuldades que ela teve na capoeira foi vencer a timidez.

Para Leonardo, mais do que deixar os alunos em forma, a capoeira serve para ensinar um novo estilo de vida.

Uma vez por semana, a rádio estatal do Havaí abre espaço para a música popular brasileira.

Apesar do jeitão e do português perfeito, Sandy não é brasileira. É havaiana. A paixão pelo Brasil começou na infância quando ela ouviu pela primeira vez a música garota de Ipanema.

Depois da faculdade, Sandy foi adiante. Morou três anos no Brasil, quando se casou com o ritmista Carlinhos Pandeiro de Ouro e chegou a cantar nas noites do Rio de Janeiro.

Sandy retornou aos Estados Unidos e não voltou mais a pisar em solo brasileiro. Mas nunca mais perdeu os laços com o Brasil e a paixão pela nossa cultura.

 

Fonte: http://g1.globo.com/


Capoeira como Atividade de Reabilitação nos Presídios

Faltam mais de 250 mil vagas para presos no Brasil

Esse problema não é exclusivo de penitenciárias. Muitas delegacias também sofrem com a falta de espaço e o excesso de presos

A segunda parte da série Prisões Brasileiras – Um Retrato sem Retoques, do Repórter Brasil, da TV Brasil, mostra hoje (25) um grande número de pessoas em espaços muito pequenos. A superpopulação carcerária é um problema encontrado em todo o país. De acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, o déficit de vagas no sistema penitenciário brasileiro chega a 256 mil.

Fábio Sá e Silva, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), explica que não é tarefa simples conseguir novas vagas para detentos no Brasil. Além do alto custo, é necessário enfrentar a rejeição da sociedade. “As cidades não querem receber presídios. Elas se mobilizam contra, os cidadãos pedem audiências públicas para rejeitar o projeto, o Ministério Público entra com Ação Civil para que não seja construído o presídio”. De acordo com Douglas Martins, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), abrir uma vaga no sistema prisional custa em torno de R$ 40 mil.

Esse problema não é exclusivo de penitenciárias. Muitas delegacias também sofrem com a falta de espaço e o excesso de presos. No Paraná, por exemplo, as delegacias abrigam 10.600 pessoas em  4.400 vagas. Curiosamente, sobram cerca de mil vagas nos presídios do estado.

Uma das sugestões para desafogar os presídios é rever a punição de alguns crimes como, por exemplo, o uso de drogas. A subprocuradora-geral da República, Ela Wiecko, defende essa alternativa. “Todo mundo pratica crimes, mesmo pequenos, em algum momento da vida. Ninguém pode dizer ‘eu nunca cometi’ alguma coisa que, lá no Código Penal, não conste como crime ou tenha constado. Um exemplo é o adultério, que estava no Código algum tempo atrás”.

Atualmente, a remissão da pena é uma das formas de tirar o preso da cadeia antes do tempo. Condenados trabalham ou estudam enquanto reduzem dias de suas penas. “O colégio está me fornecendo remissão de pena. É como se eu fosse estudar dois dias e ganhar um. Um dia fora desse lugar é muito bom”, diz um detento do presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros, no Recife.

Já o ex-dançarino Marcelo Andrade aprendeu a jogar capoeira na prisão e hoje dá aula para outros detentos. “Esses presos aqui poderiam estar trocando faca, fazendo rebelião, tentativa de fuga, matando outro, se destruindo nas drogas. Mas hoje estão aqui comigo, jogando capoeira”.

Amanhã (26), a série Prisões Brasileiras – Um Retrato sem Retoques vai mostrar outros problemas que provocam a superlotação dos presídios, bem como as alternativas usadas para diminuir o problema. A série vai ao ar no Repórter Brasil, às 21h.


A Literatura de Cordel e a Música na Capoeira

 

Pensando em tudo isso, fui buscar a origem de algumas cantigas que mais gostava e cheguei até a poesia de cordel. A história do Valente Vilela e o ensinamento contado na vida de Pedro Cem, ambos personagens presentes na literatura de cordel, foram os meus iniciais. Assim como ainda acontece hoje em dia, principalmente no Nordeste do país, acredito que os folhetos de cordel sempre foram muito divulgados e, devido ao preço de centavos, muito acessíveis. Conta-se inclusive, que antes da chegada da Televisão, o nordestino do interior aguardava a chegada do Poeta de Cordel para saber em versos, os acontecimentos do mundo, sempre numa linguagem oral, popular.

Alguns anos atrás, ouvindo CD de mestre Waldemar, me perguntei: Será que a poesia da capoeira foi um privilégio dos nossos avós de capoeira? Talvez não. Mas e a malícia em organizar as idéias de um modo “não tão direto”, aquela mandinga nas palavras, que mestre Jerônimo lá da Austrália sabe tão bem desenvolver?
O assunto é interessante, e por vezes já foi citado e comentado por diversas pessoas. Na verdade, pessoas com muito mais bagagem e conhecimento no assunto. Mas o que me faz escrever algumas linhas sobre a relação entre a literatura de cordel e as canções na capoeira, é justamente a necessidade que sinto de uma melhora nas músicas que são compostas e cantadas hoje em dia. É verdade que ainda hoje, em diversas rodas pelo Brasil e mundo afora, reinam canções de mais de um século de idade, numa mostra de resistência da cultura da capoeira. Mas são algumas canções “modernas” que preocupam. Canções pobres de conteúdo, vazias.

 

Vida de Pedro Cem

Vou narrar agora um fato

Que há cinco séculos se deu,

De um grande capitalista

Do continente europeu,

Fortuna que como aquela,

Ainda não apareceu.

(…) Diz a história onde li

O todo desse passado

Que Pedro Cem nunca deu

Uma esmola a um desgraçado

Não olhava para um pobre

Nem falava com criado

(…) A justiça examinando

Os bolsos de Pedro Cem,

Encontrou uma mochila

E dentro dela um vintém

E um letreiro que dizia:

Ontem teve e hoje não tem.

* Rafael Augusto de Souza

 

 

Pedro Cem

Lá no céu vai quem merece

Na terra vale quem tem

A soberba combatida

Foi quem matou Pedro Cem

(…) Ele dizia nas portas

Uma esmola a Pedro Cem

Quem já teve hoje não tem

A quem eu neguei esmola

Hoje me nega também

(…)A justiça examinando

Os bolsos de Pedro Cem

Encontrou uma muchila

Dentro dela um vintêm

E um letreiro que dizia

Já teve, hoje não tem

* Mestre Waldemar

 

O cordel tem origem na península ibérica, em Portugal e Espanha, no século XVI, onde as estórias se apresentavam em versos e prosas. Até hoje não se sabe bem quando os folhetos entraram no Brasil, mas muito provavelmente vieram com os colonizadores. Outra característica interessante, é que aqui no Brasil, a literatura de cordel sempre esteve ligada à cultura oral e popular, e escrita em versos.

E de onde vem a ligação com a capoeira? De maneira clara e intuitiva esse é mais um dos argumentos para a interpretação da capoeira como cultura popular. Na verdade não há algo que as ligue, e sim ambas fazem parte da tão rica cultura popular brasileira. E a cumplicidade não é só com o cordel, mas também com o samba de roda e todos os demais ritmos populares, quase todos de origem africana. Assim como os cantadores e repentistas, o capoeira deve estar atento ao que acontece ao seu redor. Deve ser um responsável pela divulgação de informações e opiniões.

Como escutei do amigo Miltinho Astronauta certa vez… “Todo capoeira é, ou deveria ser, um poeta, um cronista social e um sócio-crítico dioturno…”. Pensando dessa forma, embolando as idéias entre o passado e o presente, passando por críticas e homenagens, aproveitando o que foi criado e dando liberdade à nossa criatividade, devemos também mandar nosso recado, prestando atenção para essa característica tão marcante, interessante e importante da capoeira.

Sagu – raphaelmoreno@yahoo.com.br

São Carlos – Maio/2006

Fontes consultadas:

1. Jangada Brasil. www.jangadabrasil.com.br

2. ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel. www.ablc.com.br