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Bora jogar?

Vem jogar mais eu, vem brincar mais eu…

Jogar, brincadeira de Angola, até vadiar:

Nos cantos de capoeira há poucas referencias à luta ou à competição, mesmo que a gente saiba que “também é luta”. Agora, no discurso da capoeira, luta muitas vezes é mais usado no sentido metafórico: a luta contra o opressor, contra o mal, a resistência. E quantas vezes já explicamos para o leigo, o iniciante ou até o camarada de roda: “Sim, capoeira tem dança, tem luta, tem acrobacia, música, e tudo mais. Mas é jogo.”

Mas porque um jogo? Porque a gente gosta de brincar? Porque o nosso professor fala isso? Ou porque a gente lê isso em muitos livros escritos sobre ela?

Para entender porque a capoeira é um jogo, precisamos entender o que é um jogo. O que é um jogo, se a capoeira então é um?

Sim, a gente sabe o que é um jogo em termos de experiência. Também sentimos quando o jogo acabou, e se torna algo mais sério. Será então que o jogo não é serio? Que é um passatempo mesmo?

A palavra jogo é originária do latim: iocus, ou ludus, que significa brinquedo, folguedo, divertimento, passatempo; mas sujeito à regras.

Nas línguas germânicas, como também no anglo-saxão, spel, spiel ou play, vem do plegan, que quer dizer ‘exercitar-se, mover rapidamente’, e associado disto é ‘dançar’. E no anglo-saxão quer dizer ‘um jogo, desporto’, que vem do latino plaga ‘um golpe’. Existe mesmo a idéia de um ‘luta ritualizada ou dançada’ que faz parte de conotação de palavra de ‘jogo’.

Vemos o Webster Dicionário, jogo é: 1. Ação, moção ou atividade, especialmente livre, rápido ou leve. Leve contra o ‘peso’ do trabalho, livre contra o caráter necessário ou obrigatório de trabalho, rápido contra o estilo cuidadoso, refletido de rotina de trabalho. 2. Liberdade ou possibilidades de movimento ou ação. 3. Atividade feito para divertimento ou recreação – de novo, atividades não conectado com necessidade ou obrigação. 4 diversão, brincar – focar no caráter lúdico.[1]

Como vemos, a etimologia da palavra ‘jogo’, dá uma descrição da capoeira! Então, o jogo não é somente uma categoria, a onde a capoeira cabe, mas parece que a relação entre o jogo e a capoeira vai muito além; vendo a etimologia eles parecem até sinônimos!

 

Vendo o lado funcional da palavra jogo na sociedade, podemos entrar no campo sociólogo e educativo. A obra mais referencial em termos de jogo é Homo Ludens, de Huizinga[2]. Huizinga descreve a importância do jogo e da brincadeira como elementos necessários na produção da cultura e para a sociedade. Ele definiu o jogo como algo que: É livre, de fato é liberdade; Não faz parte da vida ‘ordinária’; É distinto da vida ordinária em termos de espaço e tempo; Cria ordem, é ordem, e demanda um ordem absoluta e suprema; Não é conectado com interesse material, não pode dar lucro ou vantagem.[3]

Quer dizer, que o jogo pede certas condições, um ordem, que pode ser traduzida como ‘regras’, mas que muitos mestres gostam de traduzir em ‘tradição’. Nas minhas entrevistas as diferenças entre ‘regra’ e ‘tradição’ são muitas vezes explicadas como a regra sendo algo imposto, até inventado, que diz o que tu podes e não podes fazer. Enquanto a tradição é alguma coisa voluntária, onde você entra porque você quer, que cria uma estrutura. Vendo a explicação da palavra ‘jogo’, podemos então entender melhor o porque se submeter a tradição: porque dá jogo!

 

Depois de Huizinga, várias obras foram escritas sobre o jogo e o aspecto lúdico, que se tornou então algo sério. E na educação e pedagogia já se sabe há muito tempo que a melhor aprendizagem acontece no jogo. Muitos gênios, criadores na sua área, na maioria do tempo ficaram brincando com a sua matéria, e assim descobrem novas maneiras, combinações e etc.

O importante do jogo é que ele proporciona uma aprendizagem significativa. Ele coloca o conteúdo aprendido num contexto a onde ele faz sentido. E assim funciona como uma ferramenta para aumentar o processo de auto-aprendizagem. Aprendemos e absorvemos melhor os conteúdos quando sentimos prazer em aprender.
Agora, há mais um outro ponto importante histórico e social porque a capoeira é um jogo: muitas vezes costumamos contrapor o jogo contra a luta: “Capoeira não é luta, é jogo.” A diferença principal entre os dois parece ser o aspecto lúdico; de fazer brincando. A luta não tem nada de lúdico não.

Num certo sentido, o lúdico nos faz rir das situações sociais, sem necessariamente nos dar um alternativa de comportamento. Ele não diz o que fazer, só nos mostra o ridículo. E isso é muito importante, para dar espaço para uma critica social.

E por isso a capoeira não se pode transformar em luta: a luta, destrói o jogo, (e então o lúdico) e com isso tira a possibilidade da critica social que a capoeira tem.. Quando vira luta, o que resta é a verdade única forçado pelo mais forte. E como o escravo já sabia, isto é o domínio do senhor, do opressor. Que não dá para encarar. Mas com malicia, mostrando humor e elegância, se pode enganar e assim derrotar o adversário. A verdade única tem o perigo de ficar tirânica: ela tem que ser balanceada com humor, com a gargalhada.

 

[1] Webster Dictionary, (1934)

[2] Huizinga, Johan (1938) Homo Ludens, Haarlem, Tjeenk Willink & Zoon N.V.

[3] Idem, p. 13

Pontinhos de Cultura/Espaço de Brincar Mais Cultura

Ministério da Cultura premia 215 projetos voltados à infância e adolescência

O Ministério da Cultura promove o I Encontro Nacional dos Pontinhos de Cultura/Espaço de Brincar de 13 a 15 de agosto, em Brasília. O objetivo é promover discussões para a construção de uma política nacional de transmissão e preservação da Cultura da Infância, por meio de ações que fortaleçam os direitos da criança, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A abertura será nesta quinta-feira (13), às 19h, na Sala Cássia Eller da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Participam a secretária de Articulação Institucional e coordenadora executiva do Programa Mais Cultura, Silvana Meireles, o secretário de Cidadania Cultural, Célio Turino e o secretário da Identidade e da Diversidade Cultural, Américo Córdula.

Durante o evento serão premiadas as iniciativas selecionadas pelo edital nacional Pontinhos de Cultura lançado em 2008. Foram contemplados projetos governamentais e de entidades que reconhecem, incentivam e valorizam as brincadeiras e os jogos infantis como direito da criança e oportunidade de aprendizado. Cada uma das 215 iniciativas recebeu R$ 18 mil. Do total, 27 concentram-se nos Territórios da Cidadania e 93 em áreas de atuação do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).

Para o secretário Célio Turino, “a premiação faz parte da construção de políticas públicas que o Ministério da Cultura desenvolve em relação aos componentes da cultura lúdica, da infância e adolescência. Como resultado buscamos uma cultura ampliada, construída através de elementos das diversas vertentes desta”.

Seminário

O Encontro incentivará a sensibilização e formação dos profissionais das instituições selecionadas, ampliando os saberes e fazeres artísticos que valorizam a cultura lúdica local e a cultura da infância no Brasil. Também apoiará a atuação integrada dos Pontinhos por meio de uma rede e dará continuidade aos debates da primeira oficina Brincando na Diversidade – Cultura na Infância, realizada pela SID/MinC em outubro de 2008, em parceria com a Rede Cultura Infância, Fundação Orsa e SESC-SP.

“Este seminário, além de promover uma articulação e intercâmbio entre pessoas e instituições que estão trabalhando a questão da ludicidade como importante vertente da nossa diversidade cultural, poderá também contribuir para aprofundar o debate e a construção de uma política pública de cultura que fortaleça e valorize a identidade da infância em nosso país”, afirma o secretário Américo Córdula.

O evento propiciará, ainda, o aprofundamento das relações transversais existentes entre as diferentes iniciativas da cultura e da infância desenvolvidas pelo Ministério da Cultura que se encontram presentes nas atuações da SCC, mediante o Programa Cultura Viva; da SID, por meio do Programa Diversidade e Identidade: Brasil Plural; e da SAI, por intermédio do Programa Mais Cultura.

Como parte da Agenda Social do Governo Federal, o Mais Cultura estabelece acordos de cooperação com estados e municípios, ampliando e incentivando os Pontinhos de Cultura/Espaço de Brincar como locais privilegiados para a promoção do direito de brincar e para o fortalecimento das iniciativas culturais voltadas à infância e à adolescência, por meio de atividades lúdicas.

Confira a programação no folder do evento.

Mais informações mais.cultura.gov.br.

(Comunicação Social/MinC)

Comunicação SID/MinC

Telefone: (61) 3316-2129

E-mail: identidadecultural@cultura.gov.br

Site: http://www.cultura.gov.br/site/categoria/politicas/identidade-e-diversidade/

Blog: http://blogs.cultura.gov.br/diversidade_cultural/

https://mail.google.com/a/portalcapoeira.com/?ui=2&ik=88b92e2f37&view=att&th=1230ffa31404c60d&attid=0.1&disp=emb&zw

DE VENTO EM POPA 2009 “Angola no Mundo”

 

Nosso grande amigo e parceiro mestre Jaime de Mar Grande, convida a todos para o DE VENTO EM POPA 2009 “Angola no Mundo”, que irá se realizar na deslumbrante Ilha de Itaparica, Bahia.

Realização: Associação Cultural de Capuêra Angola Paraguassu – Ilha de Itaparica/BA

Programação:

 

06/01 (Terça-Feira)
5h30 – Alvorada (Simbolizando a abertura do evento)
6h– Angola na Roda
9h –Coquetel gastronômico

16h – Trajetória da Paraguassu e “O Perfil de um Mestre”.
18h30 – Angola na Roda
21h30- Apresentação do Terno das Rosas
22h20 – Sambando na Roda: Grupo Dois de Julho
Local — Sede da Associação Cultural de Capuêra Angola Paraguassu (ACCAP)

07/ 01 (Quarta Feira)
Apresentação de trabalhos

* 16h -Analogia entre o Brincar na Cultura Popular e o Brincar na Educação: uma visão sensível sobre o ser humano
Com o Professor Vizinho Capuêra (Paraguassu/SP)

* 17h -Meio Ambiente e Aquecimento Global
Com a PROMAR

18h30 – Angola na Roda
21h – Sambando na Roda

08/ 01 (Quinta-Feira)
16h – Oficina de iniciação musical
Professor Titi (Grupo Bantus/Bh)
18h – Palestra: A Ilha de Itaparica e seus diversos aspectos
19h30 – Angola na Roda
22h30 – Sambando na Roda com o Grupo La Prata

09/01 (Sexta0Feira)
15h – Apresentação de Trabalho com a Professora Rosa Bauru/SP
17h – Oficina de canto, ritmo e formação de bateria do saudoso
Mestre Paulo dos Anjos
19h – Angola na Roda (Praça de Mar Grande)
22h – Entrega do Premio Cultural Paraguassu
22h30 – Sambando na Roda com o Grupo Paraguassu

10/01 (Sábado)
16h – Palestra “Espiritualidade na Capoeira”.
Mestre Jaime de Mar Grande
18h30 – Angola na Roda

21h – Sambando na Roda com Rimun e Mateiguinha

11/01 (Domingo)
15h – Angola na Roda
18h – Angola no Mundo

20h – Palco Livre: Expressão da liberdade dos participantes
23h – Encerramento

Alexandre Vizinho Capuêra
Cel: (11) 9560-3959

O Brincar na 1ª Infância: Subsídios para sua aula de capoeira infantil

Nas atividades da educação infantil, devemos respeitar e utilizar as sugestões das crianças! São especialistas neste assunto. Esta afirmação é constatada nas mais diversas literaturas e apoiada pelos PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. A criança de fato é fonte de sabedoria em brincar, propor atividades e além de tudo explicar esta atividade. Fenômeno ocorrido normalmente dentro do ambiente escolar.

Muitas vezes o professor leva certo tempo tentando esclarecer sobre um jogo ou atividade que irá ser realizada, enquanto a criança consegue expressar de maneira mais clara e objetiva o que se quer propor. E já que a ação do professor na Educação Física Infantil, como citado anteriormente, é decorrente do conhecer e saber sobre o “mundo” das crianças, porque não entrarmos neste universo estando sempre prontos a brincar e falando a língua universal à todos “pequenos” ; a ludicidade.

KISHIMOTO (1998) em relação à brincadeira diz que; se brincar é essencial é porque é brincando que a criança se mostra criativa. Brincar é visto como um mecanismo psicológico que garante ao sujeito manter uma certa distância em relação ao real, fiel, na concepção de FREUD, citado por KISHIMOTO (1998) que vê no brincar o modelo do princípio de prazer oposto ao principio da realidade.

Ou seja, brincar é unidade fundamental para ensinar na primeira infância. É nele que a criança transcende o seu cotidiano e transforma o natural, o simples em maravilhoso e belo. Não precisa de recursos tecnológicos ou modernos programas de computadores, precisa é de sucata, bola de meia, um anel, material reciclável e às vezes não precisa de material algum, somente de uma criança.

Segundo FROEBEL, citado por KISHIMOTO (1998), a brincadeira é a atividade espiritual mais pura do homem neste estágio e, ao mesmo tempo, típica da vida humana enquanto um todo da vida natural interna no homem e de todas as coisas. Ela dá alegria, liberdade, contentamento, descanso externo e interno, paz com o mundo. A criança que brinca sempre, com determinação auto-ativa, perseverando, esquecendo sua fadiga física, pode certamente torna-se um homem determinado e capaz de auto-sacrifício para a promoção do seu bem e de outros. Como sempre indicamos, o brincar em qualquer tempo não é trivial é altamente sério e de profunda significação.

FREIRE (1996) destacando o poder que a criança possui em relação as suas experiências, pergunta: Por onde poderíamos começar, senão pelo conhecimento que a própria criança possui ao entrar na escola? Não é isso o que dizem a respeito da alfabetização Emilia Ferreiro, autora que conquistou a admiração de muita gente.

O que se vê, na maioria das vezes, é uma quase total desconsideração, por parte da escola, do conhecimento que toda criança com certeza possui.

Além de constituir um importante alicerce para a cultura adulta, as atividades culturais infantis, comportam um espaço livre de pressões adultas para o exercício de componentes não “bem aceitos” pelos mais velhos. Tratam-se especialmente, daqueles aspectos de ordem afetiva e sexual, como os que se vêem nos brinquedos de “casinha” ou “papai e mamãe”, camuflados num cenário de ingenuidade infantil. Em relação a outros aspectos, como o cognitivo ou o motor, basta saber ver o envolvimento em brincadeiras como amarelinha, garrafão ou mãe da rua, por exemplo. Bem mais que a escola, o brinquedo infantil tem cumprido a importante missão de aperfeiçoar o acervo motor, elevando-o ao nível necessário para se dar conta das solicitações, que o ingresso no mundo de amplas relações sociais da escola exige.

E sendo a criança, o melhor engenheiro deste brinquedo, as possibilidades de construção e opiniões que se transformam em realidades são imensas. Basta ao professor, respeitar os conhecimentos do aluno e garantir a sua participação efetiva neste sentido. Abrindo o espaço para oficinas de brinquedos, utilizando-se de sucatas e materiais recicláveis e também trazendo para as aulas, simples materiais como um cabo de vassoura que certamente se transformará num cavalo mágico ou num avião.

A concepção do Brincar de FROEBEL se amarra aos princípios da abordagem construtivista que enxerga no brincar e no lúdico um caminho de sucesso para o desenvolvimento pleno da criança nas aulas de educação física escolar. Com base nestas frentes que enfatizam o lúdico, podemos ainda pensar em diferentes possibilidades como fontes inesgotáveis de possibilidades recreativas. Em manifestações culturais e folclóricas que se tornaram, com o passar da história, objetos de estudo dentro do universo do aprendizado e também do saber.

A cultura é inesgotável, fonte de águas límpidas e que mexe com os sentimentos não só de pesquisadores e historiadores, mas também, e podemos afirmar que; principalmente das crianças.

Ao relatarmos alguns pontos, que consideramos relevantes, dentro da Educação Física Infantil, procuramos nos situar para então dar início nas pesquisas de nosso objeto de estudo: o ensino da capoeira para crianças, especialmente em idade de primeira infância (02 à 06 anos); misto de dança, jogo, e luta. Cultura, arte, expressão, sentimento e paixão declarada na face de seus praticantes.

capoeira infantilSegundo Vicente Ferreira Pastinha, o Mestre Pastinha, um dos principais mestres de capoeira de todos os tempos, o seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio dos mestres. Algo mutável, conforme a própria realidade nos aponta. Começou nos engenhos ou porões dos navios negreiros e hoje é disciplina em universidades, objeto de estudos, e ferramenta de trabalho para muitos educadores. Já implantada por diversas instituições de ensino e utilizada para se abrir, uma série de outras possibilidades de vivenciar a cultura através da herança dos africanos, trazidos para o trabalho escravo no Brasil.

São estas possibilidades citadas, o maculelê1, o samba de roda2 , a puxada-de-rede3 as danças regionais como o carimbó4, a catira5 e o maracatu6, enfim; uma série de temas trabalhados juntamente com a herança cultural dos africanos e levando ao professor um “arsenal” de brincadeiras e possibilidades.

Propondo tais atividades, o educador poderá adaptar as tradições de danças regionais e o folclore dos índios e escravos, jogos e brincadeiras dentro do universo da educação infantil. Assim, as crianças vivenciam possibilidades de conhecimentos múltiplos dentro de temas culturais, passam a adquirir um caráter crítico e analítico das situações, pois, vão construir os seus pensamentos em relação às atividades propostas e não irão receber algo pronto a acabado, pois; a cultura é inesgotável, abrindo a possibilidade de novas vivências e “pesquisas” sobre o assunto.


1- Dança realizada com bastões simulando a cana-de-açucar e os combates entre capitães-do-mato e escravos dentro dos canaviais; oriundo de rituais indígenas praticados também pelos escravos.
2- O início do samba, também chamado de semba e realizado sempre em rodas em razão das tradições da cultura indígena e escravocrata.
3- Manifestação do povo caiçara que relata o sofrimento e a alegria dos pescadores voltando do mar.
4-5-6- Danças regionais praticadas principalmente no Estado do Maranhão .BR.

SUGESTÕES DE LITERATURA

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O brincar e suas teorias- São Paulo:Pioneira,1998

FREIRE, João Batista; SCAGLIA, José Alcides. Educação como Prática Corporal – São Paulo: Scipione, 2003

COSTA, Caio Martins ;SILVA, Marcelo Barros. Parâmetros Curriculares Nacionais
Ministério da Educação e do Desporto – Secretaria de Educação Fundamental
Terceiro e Quarto Ciclo do Ensino Fundamental

RICARDO AUGUSTO COSTA (PROFESSOR BEIJA-FLOR)
SÃO BERNARDO DO CAMPO/SP

Maiores informações sobre capoeira infantil e adaptada
http://bfcapoeira.vilabol.com.br
ou e-mail
beijaflor@portalcapoeira.com

 

A Capoeira e as Crianças: Renovação e Alegria

Hoje se comemora o dia da criança. Precisamos de data certa para comemorar quase tudo. Além de toda a festa e animação proporcionada pelo período, vem à mente daqueles que um dia também já foram crianças uma série de lembranças e saudades que somente quem as viveu sabe dá o devido valor.
 
Momentos únicos que não voltam mais. Amigos, lugares, estradas, objetos, situações que ficam guardadas em algum lugar confortável das nossas memórias.
 
Tempos bons àqueles onde não sentíamos o peso do mundo. As responsabilidades e desafios que o tempo joga nos braços de todos…
 
Fase em que tudo se torna superlativo, enorme… Onde o sentimento de proteção era evidente… Daqueles amigos de infância que hoje só guardamos aquela última imagem durante uma brincadeira… Onde estará aquela tranqüilidade, que surgia no fim de cada noite, sem ter nenhum “abacaxi” para se resolver no outro dia…?
 
                                     Ah… que saudade da infância!
 
Onde o sentimento de proteção era evidente… Daquela paixão de infância… Saudade de ser criança onde se faziam amizades de forma rápida e duradoura sem usar de critérios preconceituosos ou absurdos que os adultos possuem…
 
Tempos em que a maior preocupação era encontrar outro motivo para brincar ainda mais… Saudades de brincar no quintal do melhor amigo o dia inteiro e repetir tudo no outro dia… de subir em árvores mesmo com a bronca dos pais…
 
Mas nem todas as crianças usufruem dessas realidades de brincadeira e alegria.
Fome, abandono, abusos… formam o dia a dia de muitas crianças em todo o planeta.
Ao som de um berimbau, crianças que um dia estiveram nessa situação de estar às margens da sociedade, aos poucos estão recuperando o sentido de ser criança novamente.
 
A inclusão social, o bom andar acadêmico e o respeito com os pais são os reflexos mais visíveis.
 
A Capoeira integra. Faz com que a criança aumente significativamente seus laços sociais e perceptivos e toma consciência do fator coletivo do qual ela faz parte.
 
Muitos são os projetos por todo o planeta que usa a Capoeira como ferramenta para a inserção das crianças no meio social. Pais e responsáveis por essas mesmas crianças estão em crescente confirmação de que a ginga é uma via saudável de bem-estar e de aumento do ciclo de amizades.
 
Algo que é cristalino como a água: o fator de renovação da Capoeira por intermédio dessa meninada. O objetivo de sempre é buscar a consonância com a realidade, os caminhos por onde a Capoeira irremediavelmente terá que percorrer. A evolução que está sendo discutida, mais de forma parcial e com interesses em anexo, não contribui em nada para o real crescimento sustentável da nossa arte-brasileira.
 
O brincar de uma criança é a manifestação pura da nossa arte-ginga!
 
Movimentos, embalos e canções que nos leva a um passado nem tão distante de leveza e sentimentos naturais embasados num pensamento de criança.
 
                         Ah, que saudade da infância!
 
Tempos onde queríamos ser adultos e hoje queremos voltar a ser crianças. Paradoxo que ninguém explica. Talvez por vivermos neste “mundo cão”, resta-nos, às vezes, mergulhar em todo aquele mar de ótimas lembranças que jamais sairão da mente… Cheiros, visões, sensações, lugares que fazem parte de um passado, mas que parecem intactos no nosso presente…
 
Mas tudo ocorre em seu tempo…. Todas as fases da vida nos ensinam algo que irá repercutir em todos os campos da existência de cada um… Isso acontece comigo, com você, meu camarada! Ninguém foge desta regra natural! O tempo é o senhor de tudo e de todos! Não há vitória se tentar lutar contra ele… Porém, uma aliança de boa convivência é possível e necessária.
 
É sempre bom lembrar de coisas boas! E vamos lembrar que as crianças de hoje, serão os futuros detentores do conhecimento da Capoeira de um amanhã cheio de expectativas. Elas serão as mensageiras de uma esperança restaurada, de uma Capoeira livre de parcialidades ou cânceres de alguns interesses pessoais. Uma Capoeira consciente e renovada a cada geração! Sempre preservando a memória daqueles que fizeram da Capoeira uma arte reconhecida e lutando todos os dias contra a visão marginal que a luta cultural carregava e que ainda hoje tenta se livrar de algumas manchas que alguns trataram de depositar em nossa expressão de cultura…
 
Vamos utilizar a simplicidade das crianças e sustentar de forma ampla e definitiva os preceitos e objetivos do sempre crescer da nossa arte Capoeira!
 
Fiquemos com as crianças e não com as infantilidades na arte de lidar com as responsabilidades!
 
O desejo é único: Felicidades e pensamentos que formem opiniões para as nossas crianças! E que a Capoeira seja sempre o parque temático desse universo que sucessivamente ganha novas cores no olhar de cada criança ao pé do berimbau.
 
Abraços fraternos, camaradas!
 
Shion

Bricadeira de Criança

Hoje eu vi duas crianças
brincando de roda
numa roda de capoeira.
 
Elas cantavam e dançavam
como um casal de pássaros
 
Seus passoas eram leves
e era com essa leveza
que pretendiam limpar o mundo.
 
E queriam começar pela roda de capoeira,
onde muitos ainda
não haviam percebido
que ali não era lugar para brigar
e, ao invés disso, se deveria brincar,
brincar de fazer movimentos
de desenhar com os pés
luas novas e minguantes,
de fazer piruetas
sem se preocupar com a estética.
 
E, no meio da brincaderia,
mostrar para os homens
fortes e grandes
que, mesmo sendo
frágeis e pequenos,
poderiam ser melhores que eles
no jogo,
pois brincavam com o coração e a alma,
e eles com a única coisa que tem:
a força bruta.
 

André Esteves .∙.