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Capoeira e informação ao longo da história

Capoeira e informação ao longo da história: A busca por conhecimento sobre a “nega mandingueira”

Em meados dos 80, quando a capoeiragem passou a fazer parte de minha vida, acesso a informação sobre nossa arte era algo quase que impossível. Quem tinha livro, disco, fita cassete, revista, cópia de jornal que aparecia a capoeira não emprestava. Tudo era “negociado” a peso de ouro.Em meados dos 80, quando a capoeiragem passou a fazer parte de minha vida, acesso a informação sobre nossa arte era algo quase que impossível. Quem tinha livro, disco, fita cassete, revista, cópia de jornal que aparecia a capoeira não emprestava. Tudo era “negociado” a peso de ouro.

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira

Lembro-me quando Mestre Miguel Machado chegou em Piracicaba-SP com algumas poucas cópias do disco em vinil do Mestre Ezequiel. Em 5 minutos os que estavam em frente ao “escritório” (i.e. boteco da esquina) pegaram suas cópias. Lá estavam Mestre Valtão (Valter Farias), Mestre Boca (Oswaldo Negretti), Gabriel, eu e meu mano “Cabeludo”, Candinho que foi meu primeiro professor, diversos outros camaradas e, é  claro, nosso saudoso Mestre Cosmo. Tal disco influenciou muito nossa parte rítmica em cantada, pois desde então, diversos amigos “emprestaram” cópias em fita cassete. O jovem Mestre Vaguinho (Vagner Farias), discípulo de Mestre Valtão, até hoje ouve o disco. Tanto é que, Mestre Moreno (Almir José da Silva) [ou Morenias], chama Vaguinho de Ezequié Paulista.

Voltando ao assunto principal, para se conseguir um livro emprestado era um sacrifício. Lembro-me de quando Mestre Cosmo conseguiu um xerox do livro “Capoeira Angola – ensaio sócio-etnográfico” (1968) de Waldeloir Rego foi um deus nos acuda. Todos queriam ter cópia, mas faltava “cascaio”. Logo, “xerocávamos” apenas o capítulo introdutório, que já era um grande ganho. Tal livro, na época atual e hoje merecendo uma releitura, suscitou muitas discussões nas sucessivas reuniões “no escritório” da R. Voluntários.

A era das listas de discussões

Dando um salto cavalar na história sobre a busca por informações, por volta dos anos 2000, a moda era as Listas de Discussões. Ali se discutia de tudo sobre nossa arte: a) onde “nasceu” a capoeira; b) se um mestre era mestre mesmo ou não; c) se pertencia ou não a uma determinada linhagem; d) capoeira é esporte, cultura etc?;  e) se a capoeira iria ou não para as olimpíadas; f) qual a formação correta e quais os instrumentos da capoeira primitiva.. e la nave vá…

Duas grandes figuras neste processo foram os camaradas Mestre Jerônimo/Austrália e Alberto de Bauru (na época fazia parte da Confederação Brasileira de Capoeira-CBC). Jerônimo recarregava suas energias na Bondi Beach/Sydney, enquanto seu computador ficava 24h por dia recebendo mensagens. Chegava ele no computador e lá vinha algo para despachar. As vezes o repasse era tranqüilo, mas vez ou outra ele tinha que “matutar” se enviava ou não a mensagem. Ele mesmo dizia abertamente: Vocês fazem as besteiras com a capoeira ai no Brasa, e eu aqui na AUS que tenho que decidir se circulo ou não os assuntos? Bastava um clique e o ebó circulavam pelos sete mares por meses – tem mensagem que circula até hoje.

O Jornal do Capoeira e o Portal Capoeira

Em 2004 lancei o Jornal do Capoeira [1]. Foi uma experiência super gratificante, pois na ocasião estabelecemos uma rede de mais de 30 colaboradores espalhados pelo Brasil e pelos Brasis afora. André Lacé, Tonho Matéria, Benedito Bené, Vagner Astronauta, Luciano Milani, Leopoldo Gil Vaz, Sérgio Vieira (FICA), Mestre Squisito, Leticia Vidor, Marieta Borges Lins e Silva, Eurico Barreto Viana, Jose Luiz Cirqueira “Falcão”, e tantos outros.

Durante o processo o amigo Luciano Milani, que começou a capoeira em São Paulo nos idos dos 80, na época radicado em Mogadouro, Portugal, entra em contato e faz uma proposta. Ele, mestre nas artes internéticas, tinha um projeto audacioso: criar um portal multifuncional para documentar nossa arte. Foi uma grata surpresa, pois embora o Jornal do Capoeira funcionasse como um “semanário” da capoeira – sim, toda 2a feira uma nova “edição” virtual ia ao ar – ele estava limitado a textos e fotos. Foram meses de interação com o amigo Milani até que PortalCapoeira [2] “pegou”. E pegou para ficar! Em 2006, por motivos de estudo de doutorado, meu projeto Jornal do Capoeira [com suas mais de 1000 matérias, crônicas, notícias, clássicos da literatura etc] precisou ser paralisado.

E desde então, tanto as listas de discussões por emails, alimentadas pelos Mestres Jerônimo, quanto o PortalCapoeira.com são as fontes mais “sólidas” de informação acessível a todos “pelo mundo afora, camará..”.

Vez ou outra, quando surge alguma dúvida, é no Jornal do Capoeira, no PortalCapoeira ou nas Listas de Discussões (todas tem repositórios arquivados continuamente) que busco primeiro as informações.

Capoeira: estudar é preciso

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira 1

Hoje pela manhã, enquanto revisava um artigo científico de um de meus alunos de doutorado sobre conservação do Mico Leão Dourado, recebo um questionamento do Prof. Verga (Ederson Renato), responsável pelo ensino de jovens capoeiras do projeto “Brincando de Gingar”, da entidade Legião Mirim/São Pedro-SP, sob coordenação de Waldir Campos:

“Miltinho, onde eu busco mais informações sobre a influência do samba de roda, samba de recôncavo e outras vertentes musicais sobre a musicalidade da/na capoeira?”

E complementa: “Estou aqui navegando entre o Jornal do Capoeira e PortalCapoeira com meus alunos, mas gostaríamos de adentrar mais no assunto”

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Como ponto de partida sugeri adquirir o livro-CD-DVD “A cartilha do Samba Chula”, ouvirem as gravações “O Recôncavo Baiano: Samba em Roda” [3] e “Samba de Dona Dalva Damiana”. Claro, tem muita fonte riquíssima e que deve ser pesquisada. Mestre Raimundinho, um excelente cantador da Capoeira Angola no Estado de São Paulo, lembra que seu amor pela arte de cantar veio da infância, quando ele ainda criança se reunia na casa de amigos de seus pais para recitar contos vindo da literatura de cordel. Fica a dica!

Enquanto finalizo esta crônica sou interrompido pelo porteiro eletrônico. Por correio, recebo –em primeira mão um– um exemplar do livro “Capoeira: uma Arte Indígena do Brasil – Fundamentos e Tradições”, de autoria do Contramestre Pelicano (Douglas Tessuto), Grupo Muzenza de Santa Gertrudes. Claro, o assunto é bem provocativo, o que, certamente, vai suscitar inúmeras discussões nas próximas décadas. Voltarei ao assunto tão logo tenha lido o livro.

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira 3

O livro é uma compilação de informações que Pelicano reuniu em mais de 20 de pesquisa, e tudo respaldado por entrevistas e documentos históricos. O lançamento oficial vai ocorrer em breve durante o Mundial Muzenza, em Fortaleza/CE.

Vai daí que, a leitura do livro, é um ótimo ponto de partida para todos os membros da Liga Rioclarense de Capoeira. Afinal, não é sempre que alguém “da região” publica algo que pode dar um “sacode” na historiografia de nossa arte.

 

Capoeira e informação ao longo da história: A busca por conhecimento sobre a “nega mandingueira”

 

Iê dá volta ao mundo. Iê dá volta ao mundo, camará…

 


  • [1] www.capoeira.jex.com.br
  • [2] http://portalcapoeira.com/
  • [3] https://www.youtube.com/watch?v=eeTeLqMhOdY
  • [4] https://www.youtube.com/watch?v=LpT0SDz-gx0

 

A Capoeira em Debate?

“O Capoeira, sempre de bom coração
Louva em oração, aquilo que tem amor.
Sempre louva a liberdade, a luta contra a escravidão
Mas o que é não ter correntes numa vida sem paixão”

Desde que aqui chegou o primeiro navio negreiro, houve resistências por parte dos negros trazidos da África. Desde o primeiro o dia, o primeiro momento o negro africano lutou pra se libertar. Luta cruenta e cruel, sem armas na sua defesa, perseguido como animal, só lhes restava a reação fisica, corporal. Usar suas mãos e pernas, cabeças, troncos e membros como arma na sua luta diária pela sobrevivência e na busca pela liberdade.

Assim surgiu a Capoeira. Os negros foram levados para quase todas as partes do mundo e em nenhum lugar surgiu tal arte marcial. Foi aqui onde ela nasceu e só aqui que ela adquiriu este conteúdo libertário e progressista. A história da luta pela liberdade do negro. Pelo fim da escravidão e pelo fim da opressão em todo o periodo colonial e depois até o surgimento da República, sua consolidação, passando pelo Estado Novo, é a história da Capoeira. Sua participação em vários episódios das lutas que ocorreram em nosso país tiveram destaques. Claro que na sua grande maioria foram tratadas pelos historiadores oficiais ou não, sempre de forma marginal e subliminar.

Mas estava lá ela, na guerra do Paraguai, na revolta da vacina, no surgimento da Guarda Negra. Nas revoltas do Maranhão, Pará, Pernambuco e Bahia. Nas maltas e nas resistências nas ruas do Rio de Janeiro, seja como capital federal ou seja como grande centro cultural e histórico do nosso país.

Foi criminalizada com o nascimento da República, incompreendida foi marginalizada. Entendida foi tratada com preconceito. Foi chamada de ginástica brasileira e cantada em versos e prosas. 

Presença marcante na literatura progressista checou a ser tratada como mero foclore por alguns “iluminados”. Mas a Capoeira permanece sendo um instrumento de luta que transformada em esporte tem um imenso potencial incluidor. Como cultura é parte indissoluvel do estudo e da busca do conhecimento da nossa identidade. Como elemento de composição da nação brasileira reclama seu lugar por merecimento.

Hoje busca, através de seus lideres hoje, bem mais maduros e consciente, ter o respaldo de uma lei, cujo projeto trâmita no Congresso Nacional em sua fase final.

E o que trata este PL que é motivo de polêmica e resistência de alguns? O Projeto de Lei 33/09 trata justamente de garantir em lei o direito, já apontado, corretamente no Estatuto da Igualdade Racial, sancionado pelo então Presidente Luis Inacio Lula da Silva.

O direito a que me refiro é de qualquer brasileiro poder praticar com plena liberdade a Capoeira seja ela como esporte, cultura, apresentação artistica ou uma mera vadiação. O Estado deve garantir o direito a quem quiser se profissionalizar com sua prática. Aquele que assim o quiser deverá ter este direito garantido por lei. Ainda o PL em trâmitação busca garantir o financiamento de forma democrática e regular das atividades sociais que a Capoeira e só ela, se permite fazer.

A Capoeira é um poderoso instrumento de inclusão social. Seu carater multifacetário permite que ela estimule, oriente e eduque a formação de cidadãos e cidadãs.

Incluir a Capoeira nas escolas como parte do curriculo escolar só será possível em sua plenitude quando tivermos profissionais preparados e capacitados em condições de dar aulas. É isso que prega o PL, é isso que permite o projeto.

Assim sendo cabe a Comunidade se organizar e lutar para que tal objetivo seja alcançado. Cabe a Comunidade dos Capoeiras assumir seu papel de protagonista do processo e depurar-se dos que infelizmente não acreditam no futuro.

A coexistência pacifica e harmoniosa que hoje impera entre as varias correntes que atuam na Capoeira no Brasil é a base que nos permite sonhar e ter convicção num futuro em que a exemplo do que ocorre em vários outros países do mundo, possamos ver em cada escola do nosso país, nossos filhos e netos descobrindo e aprendendo a nossa história. Entendendo e sabendo que vivemos momentos terrivéis e que a nossa luta é contra a opressão sobre nossa história, nosso passado e para que no nosso futuro, nunca mais, ninguém seja cativo de ninguém. Que ninguém seja prejudicado ou descriminado por ser diferente. Que a cor da pele não seja referência de carater e nem de indole!

Isso é o que prega e o que pensa os organizadores do 3° Congresso Nacional Unitário de Capoeira!

Axé!!

* Presidente Associação Brasil Angola (AABA); Diretor do Centro Cultural Africano (CCA); Coordenador do Congresso Nacional de Capoeira (CNC)

 

Fonte: http://www.vermelho.org.br/

José Evânio um Capoeira muito especial

Rede Record grava matéria com deficiente em Olho d’Água das Flores

A Rede Record esteve no município alagoano de Olho d’Água das Flores, na última sexta-feira, 19, para contar a história de superação do garoto José Evânio (Ninho), de 14 anos, portador de múltiplas deficiências físicas.

Ninho mora com a mãe e quatro irmãos, em uma casa alugada e a única renda da família é o salário que Ninho recebe do beneficio (BPC deficiente). Mesmo com as dificuldades o jovem é capaz de realizar tarefas como: jogar bola, jogar capoeira, tocar teclado e outras atividades realizadas com força de vontade.

O José Evânio exalta sua felicidade, é otimista em seus sonhos os quais busca diariamente e a reportagem se propôs a mostrar o segredo da ‘verdadeira felicidade’.

O José Evânio é otimista em seus sonhos os quais busca diariamente.

Nós do Portal Capoeira temos a imensa alegria de vos dar a conhecer José Evânio um Capoeira muito especial, mais um dos protagonistas de nossa seção: “Capoeira sem Fronteiras”

 

Fonte: http://minutosertao.com.br

Capoeira: Esporte Olímpico ???

A capoeira como sabemos, não pode ser interpretada de forma simplista e reducionista. Dentre as suas várias possibilidades, ela pode ser caracterizada como jogo, luta, brincadeira, dança, arte, cultura, filosofia, educação. Alguns a consideram também como esporte. A riqueza de referências contidas na capoeira, permite essa diversidade de interpretações.

Gostaria de tecer aqui, algumas considerações sobre a caracterização da capoeira como esporte. Antes de mais nada, é preciso também esclarecer que o fenômeno “esporte” também possui vários sentidos e possibilidades de interpretação. O esporte tanto pode ser visto como atividade voltada para o lazer, visando a busca pela saúde e a educação das pessoas, o desenvolvimento da cooperação e da sociabilidade daqueles que o praticam, como também pode ser visto como uma prática altamente competitiva, excludente, discriminatória (pois só os mais fortes e habilidosos tem vez) em busca da vitória “a qualquer custo”, ou seja, mais um produto dessa nossa cruel sociedade capitalista.

Pois é, aqueles que defendem a capoeira como esporte, têm que deixar claro a que tipo de concepção de esporte estão se referindo. Se for a uma concepção de esporte que busque a integração, o prazer, a inclusão, a socialização das pessoas, aí então posso concordar com essa visão. Mas do contrário, sou muito crítico àquela visão que associa a capoeira ao esporte competitivo, onde campeonatos são organizados para se eleger o melhor, o mais forte, o mais habilidoso, o mais acrobático, onde juízes e regras vão transformando a alegria e espontaneidade de um jogo de capoeira, num clima tenso e pesado onde é travada uma batalha feroz e muitas vezes violenta.

A capoeira não pode ser reduzida a isso !  Gosto de ver um jogo de capoeira onde as pessoas sorriem e se divertem jogando. Onde há espaço para uma brincadeira marota, uma dissimulação, uma mandinga, uma “gaiatice” como se diz aqui na Bahia. Me pergunto como isso seria julgado por um juiz num desses campeonatos ? Quantos pontos valeria uma mandinga ou uma gaiatice de um capoeira malandro ? Por que um jogo de capoeira tem que ter um perdedor e um ganhador ?  Quem vai estabelecer os critérios do que é bom e o que é ruim num jogo de capoeira, para se definir a pontuação ?  É possível alguém definir isso em se tratando de uma prática tão complexa, rica e diversa como a capoeira ???

Nessa direção, muito me preocupa um certo movimento de querer transformar a capoeira em esporte olímpico. Aí seria, na minha opinião, a sentença de morte para a capoeira enquanto livre expressão do povo brasileiro. A capoeira tem beleza e valor, justamente por possuir essa diversidade, essa espontaneidade, essa alegria. No momento em que enclausurarmos a capoeira dentro de regras internacionais rígidas e competitivas – pois é isso que se exige de um esporte olímpico – a capoeira estará sendo destituída de seus elementos mais ricos, mais belos, estará perdendo a sua alma !!! Se o saudoso mestre Pastinha por aqui estivesse, certamente iria bradar contra isso.

Certo dia desses, fui convidado a um evento de capoeira onde, entre outras atividades, houve um campeonato. Fiquei observando de longe as reações, o clima de tensão, os semblantes fechados, as adversidades e as animosidades que aquilo tudo produzia nas pessoas que participavam do tal campeonato. Mas tive certeza mesmo dos malefícios que aquilo trazia, quando presenciei o choro inconsolável de uma menina de 10 anos, que perdera a final para uma outra menina um pouco mais velha. O jogo bonito que ela apresentou não lhe serviu de nada. A garota mais velha, para os juízes, foi mais “agressiva”. A medalha foi para ela !!!

É nisso que queremos que a nossa capoeira se transforme ????

A Postura Política do Capoeira

Todo capoeirista que preza a história dessa manifestação, sabe que a capoeira tem um conteúdo político muito forte. Afinal ela surge como uma reação a uma violência a que eram submetidos os povos escravizados vindos de África, aqui no Brasil. A capoeira é antes de mais nada, uma contestação ao sistema escravagista que submetia milhões de homens e mulheres a uma cruel e desumana condição onde não só os trabalhos forçados, mas também a negação de sua cultura, sua religião, seus símbolos, seus modos de vida, era em última instância, a negação de sua própria condição de seres humanos.

Por isso a capoeira foi tão perseguida durante tantos anos. E por isso também foi preciso resistir durante muito tempo para que essa manifestação chegasse até os nossos dias, com o reconhecimento que adquiriu em nossa sociedade atual, com status de “símbolo da cultura brasileira”. Devemos isso aos bravos capoeiras do passado que souberam com suas artimanhas e estratégias, enfrentar o poder para continuar cultivando suas tradições e preservando-as com muita dignidade para as gerações futuras. Isso se constitui numa postura extremamente política.

Hoje a capoeira é muito bem vista pelas sociedades de todas as partes do mundo, e muitos são os capoeiristas que sobrevivem dessa arte. Em muitas partes do planeta, essa manifestação virou até um certo “modismo”, mobilizando milhões e milhões de praticantes de todas as faixas etárias, mas sobretudo, atingindo o público predominantemente jovem. E por ter se transformado em “modismo”, muitas vezes esse conteúdo político que está na gênese da capoeira, acaba perdendo espaço e sentido, fazendo com que ela se transforme em mera atividade voltada ao entretenimento e ao cultivo das qualidades físicas e acrobáticas. Se a prática da capoeira se restringe a esses valores, vamos estar formando somente capoeiras alienados, e nada mais !!!

 

Sabemos que a capoeira é muito mais do que isso !!!

O capoeirista que tem postura política é aquele que busca estar sempre “antenado” com o mundo que o rodeia. É aquele que busca desenvolver sua capacidade crítica diante dos fatos que atingem a sociedade da qual faz parte, assumindo uma postura de questionamento e muitas vezes até de enfrentamento, quando necessário. É aquele que não se conforma com as injustiças, com os desmandos dos poderosos, com qualquer tipo de opressão. É aquele que busca sempre se envolver nas questões sociais que o afligem, demonstrando determinação em agir no sentido da transformação dessa realidade. Se envolve em debates e busca sempre ampliar seu conhecimento sobre a situação de sua comunidade, sua cidade, seu país, de sua gente.

Os mestres e professores comprometidos com essa visão crítica que a capoeira pode proporcionar aos seus praticantes, devem estar o tempo todo estimulando isso nos seus grupos, quer seja promovendo debates sobre questões sociais, históricas, étnicas, ecológicas, de gênero, etc…quer seja participando de ações diretamente envolvidas com essas questões ao lado de seus alunos em manifestações públicas, passeatas, mobilizações, ou ainda em articulação com outros movimentos sociais, pois a capoeira é também um movimento social. E tem um potencial de ser tornar um movimento muito forte e atuante, pois agrega milhões de pessoas no mundo todo.

Talvez não tenhamos ainda uma noção muito clara sobre o poder político e de mobilização social que a capoeira possui. Por isso, se os grupos começarem a incentivar a formação política dos capoeiras (como felizmente já vem fazendo muitos grupos por aí), no sentido de atuação para a transformação da realidade que atinge nossas sociedades, com certeza a contribuição da capoeira será ainda maior no sentido de  transformar esse mundo, num mundo mais humano, justo e solidário !!!

 

Vamo simbora, camará !!!

Pioneirismo: Capoeira como tratamento para saúde mental

Oficina gratuita mostra resultados positivos da capoeira como instrumento terapêutico no tratamento da saúde mental

 

Projeto iniciado pioneiramente em Pernambuco há mais de dez anos comprova que a capoeira pode ser um importante aliado no tratamento de pacientes com transtornos psicóticos

 

O Ateliê da Casa, espaço que acolhe pacientes com transtornos psicóticos funcionando como centro de convivência e hospital-dia, onde as pessoas em tratamento produzem arte, cultura e educação na busca pela profissionalização, reabilitação e reinserção social, abre as portas para estudantes e profissionais da área de saúde mental e ao público em geral para a realização da oficina “Capoeira sócio-inclusiva”, dentro das ações do projeto Casa Aberta. A inscrição é gratuita, mas é preciso confirmar presença pelo telefone (81) 3441.0433. Será neste sábado (20), a partir das 10h, no CAPS Casa Forte, no Recife, capital pernambucana.

A oficina contará com a participação de alguns dos usuários atendidos pelo CAPS Casa Forte e também familiares. Será coordenada pela psicóloga e capoeirista Flávia Araçá e ministrada por Flávia, em parceria com o mestre de capoeira Gil Velho, uma referência nacional no esporte/arte/dança. A prática da capoeira como instrumento terapêutico no tratamento da saúde mental vem sendo usada de forma pioneira em Pernambuco há mais de uma década, em trabalho iniciado pelo Núcleo de Atenção Psicossocial de Pernambuco (NAPPE), que também funciona como hospital-dia no tratamento de portadores de transtornos psicóticos crônicos e agudos no Recife. Há oito anos foi adotada também pelo CAPS Casa Forte. “Os efeitos positivos já são comprovados e agora estamos abrindo a casa para que os estudantes e profissionais da área de psicologia possam vivenciar essa experiência conosco”, diz o psiquiatra Marcos Noronha, um dos fundadores do CAPS Casa Forte.

De acordo com Flávia Araçá, a oficina tem como objetivo comprovar na prática o valor terapêutico da capoeira e seu potencial de estímulo da criatividade, controle físico e mental, desenvolvimento psicomotor e também colaborar para que o indivíduo enfrente melhor as situações do dia a dia, incentivando dessa forma a busca da autonomia, e ainda sendo um meio incentivador à reintegração social. Outra função é promover uma nova visão de política cultural e da política de saúde mental, onde o respeito à identidade e à diversidade são os vetores principais.

A metodologia usada busca promover o resgate da identidade do indivíduo em seu espaço vivencial. Visa também o resgate de parte da percepção, sobre a importância da autonomia do indivíduo na construção de sua realidade vivencial. “A prática adotada elege como elemento de resgate desta perspectiva a interação do sistema sensorial corporal com a memória genética do indivíduo. Pretendemos com essas oficinas contribuir no sentido de atender às necessidades e demandas dos portadores de sofrimento mental”, esclarece Flávia.

A oficina de capoeira faz parte do projeto Casa Aberta, que acontece uma vez por mês e tem o objetivo principal de aproximar pacientes, familiares e a sociedade em geral na busca por um melhor entendimento geral sobre os distúrbios mentais e as possibilidades de melhoria da qualidade de vida a partir de uma melhor compreensão social e desenvolvimento das habilidades destes pacientes.

O Ateliê da Casa, inaugurado há dois anos, é coordenado pela equipe de psicólogos e psiquiatras do CAPS Casa Forte e realiza uma série de atividades, como oficinas de teatro, argila, música, culinária, interpretação de sonhos, cinema, capoeira, poesia e contação de histórias, entre outras.

 

Serviço:

CAPS Casa Forte

Rua Marechal Rondon, 256, Casa Forte, Recife/PE

Telefone: (81) 3441.0433

www.capscasaforte.com.br

 

ATELIÊ DA CASA: Rua Marechal Rondon, 360, Casa Forte

NAPPE: Rua Dom Carlos Coelho, Boa Vista, Recife/PE

 

SILVINHA GÓES ((81) 3445.8586 / 8743.0443)

Pinda tem campeão mundial de capoeira Estilo Contemporâneo

O estilo Capoeira Contemporâneo tem no pindamonhangabense Elthon Luiz de Souza Rocha o novo campeão mundial.

No Rio de Janeiro, de 19 a 21 de agosto, Elthon conseguiu o título mundial na categoria juvenil, enfrentando competidores do mundo inteiro. Foi o 6º Campeonato Mundial de Capoeira Muzenza, que aconteceu no Teatro da Universidade estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Eu consegui essa vitória, sem nenhum patrocínio, mas estou feliz, tive uma recepção muito legal. Nessa semana iniciei uma atividade em Taubaté, estou com um trabalho lá todas as terças e quintas e estamos com um trabalho aqui em Pinda, de segunda a quinta.”

O jovem capoeirista nasceu no dia 20 de fevereiro de 1988 e reside no Parque das Nações, em Pindamonhangaba. Começou as atividades na luta de roda quando tinha sete anos, quando tinha como instrutor professor Chakal. Era o projeto ‘Gingando para o Futuro”.
A referência no estilo é o Mestre Busca Longe, nascido em Pindamonhangaba. Contra-Mestre ‘Busca Longe’ vive hoje em Guarulhos onde busca sua evolução profissional e pessoal. “Ele foi pra fora, tornou-se bicampeão mundial e está conseguindo seu espaço. E quando se fala em estilo Contemporâneo, a grande referência mundial, o grande nome do estilo, é o contra-mestre Busca Longe..

A Capoeira Contemporânea é voltada para mais para a arte da luta, não deixando de lado suas tradições e tem uma proposta de evolução. “Aqui em Pindamonhangaba,  a gente empunha essa bandeira e nosso grupo tem o fundamento de propor a profissionalização do capoeirista, incentivando a pessoa a estudar e com o estudo propor um trabalho para a capoeira. “Eu mesmo estava fazendo Administração e consegui fazer um trabalho sobre a capoeira… Tem como você ganhar dinheiro hoje, com a capoeira.”

Atualmente, Elthon está envolvido no projeto do Grupo Muzenza de Capoeira, do Contra-Mestre ‘Busca Longe’.
O projeto trabalha com pessoas, desde crianças na faixa de idade de 2 anos, e sem limite de idade. No Crispim, a escolinha de capoeira do projeto funciona segunda e quarta, das 19h30. Já no Ouro Verde, as atividades ocorrem na segunda e quarta, das 20h45 às 21h45; e terça e quinta no Santa Cecília, das 18h30 às 19h30.

Em Taubaté, o capoeirista auxilia no desenvolvimento de atividades sociais na Academia Vida Ativa, às terças e quintas, das 20h00 às 21h00, em Quiririm.

 

Fonte: http://www.agoravale.com.br/

Capoeira no Acervo do Instituto Nacional das Antiguidades da Finlândia

Caros amigos e colegas,
O museu etnográfico Helinä Rautavaara em Finlândia acabou de disponibilizar uma parte do arquivo fotográfico dele no portal do Instituto Nacional das Antiguidades da Finlândia. A coleção consiste em milhares de fotos sobre o candomblé, capoeira e a cultura afro-brasileira e brasileira em geral tiradas por a Helinä Rautavaara nos anos 1960 e 1970 em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.

Por décadas essas fotos se encontraram guardados no acervo do museu na Finlândia com difícil acesso ao público, então é com grande prazer que agora divulgo o link da coleção online à vocês:

As fotos se encontram em:

Capoeira

Candomblé

Infelizmente o site não se encontra em português ainda, mas o sistema de busca é bem simples. Colocando palavras de pesquisa como candomblé ou capoeira, no campo chamado “free text search” no topo da barra ao lado esquerdo, o sistema busca todas as fotos marcadas com essas palavras chaves. Outra opção boa também é buscar só com a primeira parte da palavra terminando ela com um asterisco.

Por exemplo: capoe*

Assim o sistema busca todas as fotos marcadas com palavras chaves que começam com capoe. (Em finlândes as palavras se conjugam de várias formas. Por isso muitas vezes a busca funciona melhor desse jeito).

O site continua em construção. Ao longo do tempo o museu colocará mais fotos e informação. Eles com certeza se interessariam em qualquer comentário ou pergunta que vocês teriam sobre as fotos. A pessoa responsável no museu Helinä Rautavaara sobre o projeto de digitalização dessas fotos é Katri Hirvonen-Nurmi. O email dela é: katri.hirvonen-nurmi@helinamuseo.fi

Fonte: Teimosia

São Paulo: Evento promove Festival de Capoeira

SÃO PAULO – O Clube Escola Ibirapuera, na capital paulista, vai receber no domingo a terceira edição do Festival de Capoeira dos Jogos da Cidade. O evento reunirá 22 subprefeituras, com 20 participantes cada uma, de acordo com informações do site da Prefeitura de São Paulo. Os jogos de capoeira terão duração de 15 minutos e, nessa edição, vão ser aceitos participantes menores de 16 anos, já que a modalidade é bastante difundida entre crianças e adolescentes e não é considerada de risco.

Haverá avaliação de árbitros da Federação Paulista de Capoeira e premiação, no fim do dia, para os três primeiros colocados.

Mais informações sobre os horários de participação de cada equipe podem ser obtidas no site.

 

Jogos da Cidade de São Paulo

A maior competição esportiva amadora do país e uma das maiores do mundo. As 31 subprefeituras de São Paulo mantêm-se unidas e empenhadas durante o ano todo na disputa de várias modalidades esportivas e também de festivais, sempre em busca da posição de campeã municipal, um título que, na realidade, representa muito mais do que a soberania esportiva: demonstra a capacidade de trabalho em equipe, o espírito de união por um ideal e a determinação das comunidades locais em busca da vitória, fatores indispensáveis, especialmente na prática esportiva.

Visite: http://www.jogosdacidade.prefeitura.sp.gov.br/