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Morro do Querosene realiza Simpósio e Espetáculo Teatral para falar da importância do “Peabiru”

Eventos  fortalecem a luta dos moradores da região por área que abriga uma fonte milenar. Autoridades, ambientalistas e historiadores confirmam presença em simpósio organizado pela comunidade.

Há mais de dez anos os moradores do Morro do Querosene lutam por uma área que abriga uma fonte milenar. Cercada de forma irregular, o que impediu o acesso dos moradores da região a área que dá acesso a fonte, o caso ganhou destaque na mídia e desde então os moradores vêm promovendo uma série de ações para conscientizar a população da importância do local para a cidade de São Paulo. No mês de agosto, o prefeito Gilberto Kassab decretou de utilidade pública, 35 dos 39 m² do terreno onde está localizada a Fonte. Esta foi a primeira conquista dos moradores que visam transformar esta área em um parque, o já batizado “Parque da Fonte”, por onde passa o “Caminho do Peabiru”.

Uma peça teatral, escrita e produzida pelos próprios moradores, e um simpósio fazem parte das atividades do projeto “Peabiru Caminho Suave” que vem sendo realizado com apoio do FEMA – Fundo Especial do Meio Ambiente da Secretaria Municipal do Verde.

 

Sobre o Simpósio “Juntos no Peabiru”

A  comunidade do Morro do Querosene percorreu uma longa trajetória até conseguir um    Decreto de Utilidade Pública para a Chácara da Fonte.

No início, ninguém havia ouvido falar de Peabiru. As informações foram aparecendo como num jogo de quebra-cabeça. Quando começaram a pronunciar “o Peabiru passava por aqui… a Bica era parada obrigatória de quem viajava pelo importante Caminho… na Chácara da Fonte as expedições acampavam….” os ouvintes perguntavam: “e você, é historiador? Quem é você para fazer tal afirmação?”. E como a grande maioria era artista ou agente cultural, logo o interlocutor coçava o bigode como quem entende que artista inventa mesmo.

Foi assim que surgiu esta ideia de realizar um SIMPÓSIO – REUNIÃO DE CIENTISTAS E ESPECIALISTAS para discutir sobre o Peabiru e o Parque da Fonte.

Para este Simpósio “JUNTOS NO PEABIRU”, renomadas autoridades no assunto confirmaram presença:

Rossano Lopes (arqueólogo do IPHAN), Júlio Abe (Diretor do Instituto de Geografia e História de São Paulo), Benedito Prezia (antropólogo, escritor e indigenista), Luiz Galdino (escritor do livro “Os Incas no Brasil”) e Hernani Donato (escritor, historiador, jornalista e professor) estarão  das 9 às 12h30 quando serão abordadas questões relativas à história.

O período da tarde (das 13h30 às 17h) está reservado para as questões urbanísticas e ambientais com Aziz Ab’Saber (geógrafo, ambientalista e professor), Nabil Bonduki (Secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano – Ministério do Meio Ambiente, redator do Plano Diretor da Cidade de São Paulo) e  Ros Mari Zenha (ambientalista).

O evento será aberto para a participação do público em geral e acontecerá no Auditório do Instituto Butantan, dia 13 de setembro de 2011, das 9h às 17h.

 

SIMPÓSIO “JUNTOS NO PEABIRU”

Local: Auditório do Instituto Butantan

Avenida Vital Brasil, 1500 – Butantã – São Paulo

Data: 13 de setembro

Horário: das 9 às 17h

Entrada Franca

mais informações www.fontedopeabiru.com.br

 

Sobre o espetáculo teatral

“Peabiru, o Caminho Suave”

O espetáculo acontece à beira do milenar Peabiru , emaranhado de trilhas que atravessavam o Continente e que eram utilizadas pelo nativos, entre eles, Incas e Guaranis, na busca por alimentos, exploração de novos espaços, intercâmbio cultural e encontros.

A montagem da peça teatral convida seus espectadores a uma reflexão sobre nossa formação cultural e étnica, a realidade e os sonhos atuais, alternativas de ver e viver o cotidiano, abordando, de forma lúdica e popular, questões ambientais e urbanísticas como o caso da polêmica existente entre a construção de um shopping center e um parque com nascentes e belezas naturais.

Alinhando mitos e fatos, em meio a novos códigos florestais, usinas de energia, desapropriação de território de tradições ancestrais, a peça relata aspectos do processo civilizatório, com foco sobre a Vila Pirajussara, outrora parada obrigatória de tropeiros, jesuítas, bandeirantes e índios, hoje Morro do Querosene, rico de manifestações culturais e uma  comunidade engajada em preservar a Chácara da Fonte. A questão não é apenas local, mas extrapola o território brasileiro.

Pai Sumé e elementos personificados, como portais dimensionais e oráculos, costuram a narrativa. Os diálogos acontecem entre mãe e filho, jesuíta, índio e bandeirante, arquiteta, encanador e outros cidadãos que se reúnem para discutir a situação do seu bairro.  No decorrer do espetáculo, outros personagens, como o Saci Pererê, as lavadeiras, escravos, capitães do mato, o cordelista e um repórter interativo, fazem intervenções, lançando um novo olhar sobre os acontecimentos.

Num momento tão violento e crucial para nossa metrópole, o espetáculo “Peabiru, o Caminho Suave” busca chegar na mítica “Terra sem Mal” preconizada pelos nossos antepassados indígenas.

 

FICHA TÉCNICA

Criação :  Peabiru  Arte Manifesto

Texto: Caco Pontes, Cláudio Laureatti e Paulo Almeida

Direção geral e executiva : Cecília Pellegrini

Coordenação e produção :    Nelson Conde

Preparação e direção cênica: Caco Pontes

Direção musical :  Dinho Nascimento

Assistente de direção : Claudio Laureatti e Paulo Almeida

Elenco :  Benê do Morro, Beto Kabelo, Caco Pontes, Claudio Laureatti, Daphne Loureiro, Edgard Max, Gabriel Eduardo, Lara Giordana Lima, Mariana Acioli, Mauro Carotta, Paulo Almeida e Tânia Seong.

Músicos :        Dinho Nascimento, Marcos Dafeira e Orates Odara

Pesquisa: Cecília Pellegrini e Roberta de Carlo Smith

Figurino :  Mariana Acioli

Cenário : Daphne Loureiro

Efeitos visuais : Leila Monsegur

Som e luz:  Ana Catarina

Fotografia : Raul Zito

Arte Gráfica:  Maurício Santana

Assessoria de imprensa :  Iara Filardi

Realização:  Associação Cultural da Comunidade do  Morro do Querosene

 

Agenda:

17/09/2011 às 17h

CEU Butantã (Teatro Carlos Zara)

Av: Engº Heitor Antônio Eiras Garcia, 1700 – Jd Esmeralda

Telefone: 3732-4560

450 lugares (sendo 2 para portadores de necessidades especiais)

 

22/09/2011 às 20h

CEU Uirapuru

Rua: Nazir Miguel, 849 – Jd João XXIII

Telefone: 3782-3143

180 lugares

 

01/10/2011 às 11h

Pateo do Collegio

Praça Páteo do Colégio, 02  –  Centro

Telefone:  3105-6899

Espaço aberto

 

07/10/2011 às 21h

Centro Cultural Rio Verde

Rua Belmiro Braga, 119  –  Vila Madalena

Telefone: 3459-5321

120 lugares

 

12/10/2011 às 17h

Rua da Fonte  –  Morro do Querosene   –   Butantã

Telefone: 3726-8406

Espaço aberto

 

Classificação:  Livre

Entrada Gratuita

 

Imprensa: Iara Filardi

55 11 2083-7268

55 11 9224-3681

55 11 9318-3805

contato@iarafilardi.com

Livro reúne textos sobre temática negra e analisa a sociedade brasileira

Com o objetivo de chamar a atenção da sociedade brasileira para as formas de preconceito e discriminação e seus efeitos sobre as relações políticas e sociais, Sueli Carneiro, filósofa e fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, produziu Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil. A obra traz uma abordagem crítica dos comportamentos humanos e propõe alternativas de superação da intolerância ao outro.

No próximo dia 12, às 19 horas, haverá noite de autógrafos, promovida pela editora Selo Negro Edições e a Livraria Martins Fontes. Composto por uma coletânea de textos, o livro apresenta os principais avanços na superação das desigualdades criadas pela prática da discriminação racial – indicadores sociais, mercado de trabalho, consciência negra, cotas e outros.

Sobre educação, Sueli registra a recente conquista da obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas públicas do País. A obra destaca também o debate contemporâneo sobre miscigenação racial no Brasil, racismo no universo infantil e o combate ao racismo no trabalho. Fundamental para educadores, pesquisadores, militantes e estudantes de todos os níveis de ensino, o volume faz parte da Coleção Consciência em Debate.

INTERESSE PÚBLICO – Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil foi organizado a partir da sistematização de uma série de artigos publicados na imprensa brasileira que convidam o público a refletir sobre o incremento de ações violentamente discriminatórias, abrindo caminho para o debate sobre direitos humanos e as limitações da democracia brasileira.

Um das perspectivas levantadas na importante publicação diz respeito à idéia distorcida de parte do imaginário social brasileiro, de que determinados seres humanos são mais ou menos humanos do que outros, levando ao caminho perversamente estruturante da naturalização da desigualdade de direitos.

RESPEITO – Segundo a escritora, as identidades estruturadas a partir de etnias, gênero, orientação sexual ou religiões ainda não são devidamente respeitadas, tornando o ambiente social totalmente corrompido. “O racismo é uma ideologia que não penaliza apenas sua vítima, ela faz com que o racista também seja um ser humano menor, não seja um ser humano completo, por ser incapaz de aceitar a diversidade”, ressalta.

Sueli Carneiro acredita na força e no trabalho das organizações que lutam pelo cumprimento de políticas públicas voltadas para a eliminação de atos de intolerância praticados contra descendentes de africanos e outros grupamentos socialmente vulneráveis. Ela recorre à legalidade dos poderes governamentais para defender a punição desses atos, que se contrapõem à legítima demanda dos afro-descendentes.

 

  • Para ler as primeiras páginas do livro, acesse o endereço: http://www.gruposummus.com.br/indice/40046.pdf

Oportunidade de sonhar, um caminho para paz

Resumo: Capoeira, desenvolvimento e oportunidade.

O projeto visa o desenvolvimento de uma cultura de paz, através dos fundamentos básicos do jogo da capoeira, promove a inclusão social e minimiza a violência na comunidade. Numa parceria publico/privado busca dar oportunidade de uma perspectiva diferente de vida.

Começamos o Projeto que se intitula Parceria Solidária, em junho de 2005. Uma parceria do Instituto Maria Auxiliadora com a Escola Municipal Migrantes. Os principais objetivos são oportunizar o desenvolvimento de uma cultura de paz dentro da comunidade escolar, desenvolver os fundamentos básicos do jogo da capoeira e promover a inclusão social através da arte da capoeira. Em 2006 incorporou-se a este projeto, numa parceria do governo federal através da UNESCO e da prefeitura municipal de Porto Alegre o “PROJETO ESCOLA ABERTA”. Que fez com que as nossas aulas de uma, fosse para duas vezes por semana. O PROJETO ESCOLA ABERTA, viabilizou apoio de recursos financeiros, para eventos, saídas de campo e para compra de materiais para prática da capoeira; como: roupas (uniformes), instrumentos, etc. Este ano de 2009, no mês de junho completamos quatro anos de atividades.

As principais dificuldades no início do trabalho eram atenção e concentração da grande maioria dos alunos, questões de coordenação motora devido à falta de estímulos, questões de higiene pessoal e respeito ao próximo. Alguns valores psicomotores e de ordem ética, com os quais teríamos que nos deparar e iniciar uma discussão e reconstrução. Estreitar laços relacionais era uma estratégia de fundamental importância naquele momento.

A partir disso pude criar e alimentar sonhos de crescimento pessoal e profissional nos alunos. Enfim, criar uma nova perspectiva de futuro, uma nova visão de mundo, na qual a capoeira seja um caminho, que nos possibilite sonhar e construir uma cultura de paz.

Quem está preparado para enfrentar um cotidiano de luta e resistência, pode pensar em construir uma cultura de paz, e não violência. Para mim a violência é a falta de uma Educação transformadora, onde de objetos as crianças possam tornar-se sujeitos na construção das suas próprias histórias.

A falta de condições dignas de saúde pública e a desigualdade social são fatores complementam este quadro, e fazem parte deste contexto. Estes quesitos fazem com que nossas crianças cresçam com falta de perspectivas num futuro melhor.

A oficina de capoeira na “Escola Aberta” atua num contexto, e forma um elo de ligação entre a comunidade e a escola, abrindo as portas da mesma, para a população local. Oportuniza desta forma, a pratica de vivências da arte da capoeira, que por se tratar de uma arte-luta brasileira é desenvolvida num processo sócio-histórico-cultural de libertação. A capoeira é capaz de transformar a realidade severa em que vivem as crianças, num sonho ricamente promissor, através de valores tribais da essência africana, deixadas de herança da cultura afro-brasileira. Como os atos de cantar, dançar e tocar.

A musica instrumento de comunicação carrega um conteúdo histórico-cultural, em suas melodias, geralmente alegres e radiantes, faz com que as crianças transcendam e vibrem com suas possibilidades imaginarias e corporais, e assim, ocupem o seu tempo de forma construtiva e cheia de significados.

Os movimentos são gestos desafiadores que constroem a linguagem do corpo numa atividade cotidiana. Enriquecem esta linguagem multiplicando os seus recursos corporais. Dando-lhes força para descobrirem que são capazes de irem muito além. A inversão corporal é algo que fascina o capoeirista. Faz com que ele descubra uma nova forma de ver o mundo. E uma nova possibilidade de resolver seus problemas. E se podem fazer coisas tão desafiadoras com os seus corpos, podem fazer muito mais pelas suas vidas.

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Os toques, batidas e ritmos mostram suas capacidades de aprenderem uma outra linguagem, que é a linguagem musical. Esta linguagem permite a transcendência dos limites corporais. Já dizia o ditado popular: “Quem canta os males espanta”. E aprendendo a cantar eles descobrem outras possibilidades, e consequentemente, eles descobrem que são capazes de construírem seus sonhos e seus destinos.

E nós professores comprometidos com a transformação da sociedade, temos obrigação e compromisso em oportunizar aos nossos alunos, oportunidade de sonhar com um futuro melhor. Para a construção de uma sociedade onde a paz, seja a nossa maior meta. E a violência de espaço gradativamente a uma nova cultura.

Desta forma, acontece a colaboração dos projetos desenvolvidos na escola Migrantes. Na perspectiva de oportunizar a possibilidade de sonhar um caminho para a paz. Um caminho onde nossa escola e comunidade possam construir juntos, caminho este, que seja meio e não fim. Um novo caminho, uma nova visão de mundo e possibilidades para nossas crianças.

 

 

Nome: Paulo Lara Perkov ( Mestrando Paulo Grande)

Especialista em Educação Infantil pela UNISINOS.Professor de Educação Física Graduado pela UNISINOS.
Acadêmico de Administração na Faculdade Dom Bosco.
Mestrando em Capoeira na Associação de Capoeira Nação.

Bahia: Evento deve reunir 600 capoeiristas em Salvador

O 2° Encontro Internacional de Capoeira e 27° Troca de Graduação do Grupo Raça acontece de hoje até o dia 23 de novembro, em Salvador. Com o apoio do Lar Fabiano de Cristo e patrocínio da Capemisa, o evento reunirá na Bahia alunos, professores e mestres de sete estados e quatro países.

Entre as atividades previstas na programação estão oficinas, palestras, cursos, exames de troca de cordão e, para fechar o Encontro, um "aulão" seguido de uma grande roda no Farol da Barra, com mais de 600 capoeiristas.

Programação:

Confira abaixo a programação completa do evento:

Mestre Medicina

  • Quarta-feira (19/11)

Local: Mansão do Caminho, Pau da Lima
08h30 – Oficina de confecção de berimbau para os alunos da Mansão do Caminho, com mestre Olavo da Bahia.
10h30 – Curso de primeiros-socorros para pais e alunos.
14h30 – Recreação com movimentos de capoeira com contra mestre Batata, do Grupo raça de Maceió, Alagoas.
16h – Curso de primeiros-socorros para pais e alunos.

  • Quinta-feira (20/11)

Local: Auditório do Centro Universitário Jorge Amado, Paralela
19h – Fórum de palestras e debates
Palestrantes: Dr. Benício Boyda – professor de Medicina da UESC, Dr. Hélio Campos – mestre Xaréu, mestre Jean – professor de Educação Física, Dr. Tatiana Blandy, Márcia de Carvalho Rocha – administradora do Lar Fabiano de Cristo.
Temas: "A capoeira e a inclusão social", "Capoeira na escola e na universidade", "A capoeira e a sociedade atual" e "A capoeira como agente de superação de limites e transformação na vida de quem pratica".

 

  • Sexta-feira (20/11)Sexta-feira (20/11)

Local: Ginásio do Centro Universitário Jorge Amado, Paralela
19h – Aula com mestre Suassuna, um dos mais importantes mestres de capoeira do mundo, seguido de um bate-papo com mestre Medicina, coordenador geral do Grupo Raça.

  • Sábado (21/11)

Local: Mansão do Caminho, Pau da Lima
08h30 – Batizado e troca de cordão dos alunos do Grupo Raça. Neste dia estarão presentes todos os alunos, professores, contra mestres e mestres que fazem parte ou são amigos do Grupo Raça para uma verdadeira celebração da capoeira. São esperados capoeiristas de sete estados e quatro países.

  • Domingo (21/11)

Local: Farol da Barra
08h30 – O domingo na capital baiana vai ser de capoeira. Neste dia, mais de 600 capoeiristas, todos vestindo a tradicional roupa branca, comparecerão ao Farol da Barra para um "aulão" do mestre Medicina, seguido de uma roda que promete entrar para a história. Todos os capoeiristas e admiradores do esporte símbolo da Bahia estão convidados.

Entrevista exclusiva com Ricardo Oliveira o “Mest. Tucano Preto”

Ricardo Oliveira, paulista, nasceu em 19 de agosto de 1972  mais conhecido na capoeira como "Tucano Preto", é o homenageado deste mês, da seção JOVENS MESTRES do Portal Capoeira, que preparou uma entrevista exclusiva com este Jovem Mestre.
Portal Capoeira: Qual foi seu 1º contato com a capoeira?
 
Ricardo Oliveira: Iniciei na capoeira no inicio dos anos 80 com o mestre Waldenos Batista da Silva,Mestre Pato- um bainao da cidade de QUARAÇU DA BAHIA em Vitoria da Conquista,que residia em meu bairro em Sao Paulo,periferia da zona oeste desta capital.O nome da escola era Quaraçu da Bahia,uma homenagem a sua terra natal .Foi o homem que me iniciou e o exlato ate os dias atuais pela grande formação que me deu em minha vida social e capoeiristica,o que me deram base pra seguir pelo mundo a fora .
 
Portal Capoeira: Fale um pouco sobre o seu primeiro Mestre e como foi a sua caminhada, antes de entrar para o ABADÁ:
 
Ricardo Oliveira: Apos ter completado minha formação basica de capoeira fui por ele presentiado com a formatura para professor de capoeira em  agosto de 1990.Apos esta data o mestre pato resolveu por questoes particulares se afastar do exercicio profissional da capoeira,mas deixando vivo em todos nós alunos na epoca a chama da busca pelo conhecimento e fundamento desta arte. Foi quando apos inumeras viagens pelo brasil me de parei com mestre camisa no rio de janeiro,e apos muito observação foi aceito para integrar ao grupo em 1993, onde permaneci por 14 anos.Dentro do trabalho de mestre camisa, procurei assimiliar seus conhecimentos que em suma deram-me forças pra entender e prosseguir pelo mundo,deixando registrado nesta entidade inumeras passagens vitoriosas de convivencia,e respeito .Tive desta forma apenas a importancia de mestre pato e mestre camisa na minha formação em capoeira e sou imensamente gratoa a estes dois homens.
 
Portal Capoeira: Um fato que lhe marcou positivamente dentro de sua vida na capoeira:
 
Ricardo Oliveira: A presenaça de minha mae nos dias de batizados e troca de cordas,alem da minha formatura,e inumeras pesoas que conhço pelo mundo a fora.O que tambem vale ressaltar é a dimensao que a capoeira me deu para entender  e ver o mundo,fortalendo meu amadurecimento,me dando saúde,profissão,estabilidade e reconhecimento social,como iluminar meu espirito e me levar ao reencontro com minha ancestralidade. Porisso nunca deisti na vida por nada e tambem nunca cometi blasfemia.
 
Portal Capoeira: Já ouvi várias composições de sua autoria. Conte-nos qual foi sua primeira composição (música de capoeira), como foi esta experiência e qual a sua música preferida:
 
Ricardo Oliveira: Minha primeira musica de capoeira foi feita em 1985 que na verdade é uma ladainha com o seguinte tema,QUE CULPA TENHO EU SE NASCI PRA CAPOEIRA .Inspirada em mestre pastinha e suas grandes aparições na literatura da capoeira .
 
Portal Capoeira: A Capoeira como "ferramenta de resistência", A Capoeira como "meio de subsistência" até A "Capoeira Business"… Qual é a sua postura e visão em relação a estes processos
 
Ricardo Oliveira: A capoeira é um mundo a ser explorado eternamente,portanto cabe a cada um ver sua trajetoria e ser leal a ela. Capoeira hoje é uma oportunidade pra inumeras outras cosias tanto no exercico profissional em sua pratica como meio de vida. A capoeira pra mim é eregia viva presente em tudo que fazemos e somos,é um caminho pro entendimento de minha propria existencia e missão.
 
Portal Capoeira: Existe uma ampla discussão a respeito das tradições dentro da capoeira, as diversas formas em que se apresentam, o modo de preserva-las e a importância em divulgar as novas gerações de maneira coerente e séria a história, os personagens, os causos e toda a infinidade de elementos inerentes da capoeira. De que maneira o "Tucano Preto" encara esta missão e qual seria a melhor forma de trabalhar neste contexto?
 
Ricardo Oliveira: Minha missao é levar a mensagen de meus antepassados e sua historia atraves da pratica da capoeira.
 
Portal Capoeira: Fale-nos sobre seu novo trabalho, suas expectativas e objetivos:
 
Ricardo Oliveira: O centro integrado de treinamento e desenvolvimento em capoeira visa,atender as necessidades profissionais dos capoeiristas independente de grupos e entidades,é uma iniciativa pedagogica e cultura para auxiliar neste processo atual,com aulas,cursos,palestras,reciclagem entre outras ,tomando como ponto de partida a capoeira como AÇÃO POSITIVA na cidade de Sao Paulo e demais estados do brasil e do mundo.
 
Portal Capoeira: Gostaria que nos deixasse uma mensagem pessoal para todos os visitantes e leitores do Portal Capoeira:
 
Ricardo Oliveira: Nao espere por uma crise pra decidir o que relamente é importante em sua vida .Sigam o caminho dá luz deixando desta forma que o berimbau ecoe dentro de seu coração .Sucesso a todos e meus contatos são os seguintes.
 

Contatos:
 
mest.tucanopreto
Centro Integrado de Capoeira
fone: 11-84854981
 
Obrigado a todos voce que me fazem acreditar que tudo é possivel nesta vida. Que a capoeira seja pra todos voces o que sempre foi pra mim. Um caminho de luz.

Troca de cordas dos alunos do Grupo Caminho de Palmares

À Caminho de Palmares eles sonhavam com a liberdade…
E sabiam que juntos, poderiam ir muito mais longe…
 
Sábado, 17 de Setembro as 13:00, na rua Pedro de Toledo, 1651, SP
 
Nossa amiga Branca convida toda a comunidade capoeirística para o evento do Grupo Caminho de palmares

Mulher na capoeira: Claudivina Pau-de-Barraca

 
Não muitos anos atrás, as poucas mulheres que ousavam se meter na capoeira eram rejeitadas pelos homens, que viam nisso uma intrusão em território próprio. O que não impediu algumas guerreiras de irem para frente, na capoeira como em tantos outros setores de dominação masculina. Assim numa lembrança de Lúcia Palmares. Alguns termos não encontram-se em dicionário. Em caso de dúvida, deixem o cursor em cima por dois segundos para ver se não aparece um esclarecimento: exemplo.

Dona Valdelice morava quase do lado da nossa casinha na Capelinha de São Caetano, um subúrbio pertinho de Salvador. Tanto Mãe como Dona Valdelice eram pessoas discretas e que não se metiam em fuxicos; iam na igreja evangêlica e acontecia que conversando no caminho Dona Valdelice falasse:

— Ah, dona Damiana, Vina não tem jeito. É a a ovelha negra da família.

Mãe não fazia questão de perguntar por que. Eu não imaginava o que era ser ovelha negra. Não tinha ovelha nenhuma na Capelinha de São Caetano, e quando Claudivina visitava a irmã, eu via apenas aquela negrona bonita de cabelo curto bem arrumado, preso atrás da cabeça, vestida direitinho, como se diz la na minha terra, nada que explicasse o que era ser ovelha negra. Mãe dizia somente que era coisa que não prestava, e uma criança de sete anos esquece logo as coisas da gente grande. Vina não tinha nada de especial, a não ser o tamanho, na faixa de um metro e noventa, meia cabeça a mais da irmã.

Se calculo bem, foi por volta de 1963 que deixei a casinha de taipa na ribanceira e o nosso pé de mamão por uma vida bem melhor no bairro de Uruguai. Juliana, a irmã gemêa de Mãe, passou a ser minha Mãe, e eu fui morar na rua Conselheiro de Abreu, 39, com os meus pais adotivos. Logo ouvi falar de uma tal arruaceira e desordeira conhecida como Pau-de-Barraca, e não demorei de ver essa mulher que passava entre os verdureiros e todo jeito de vendedores ambulantes que tinham seus fregueses no bairro. Uma coisa que me chamava atenção é que ela usava coturnas e boné meio de lado, macacão azul ou então bermuda, nada de saia. Quando ela passava, os garrotos que jogavam baba paravam para olhar aquela negrona com seu andar gingado, seguro como se seguisse uma música. Mesmo no barulho dos ônibus e dos carros, nos gritos das crianças brincando nos poços de água da rua de chão, o vozeirão dela fazia todos correrem às janelas e às portas. E na primeira vez que eu também corri p’ra ver, eu reconheci Vina.

Ela sorria para todo mundo e dizia piadas às vezes piquantes, que mexiam com os mais velhos :

— Que mau exemplo para as meninas!

Mas Vina não ligava para nada disso. Ela tirava os jornais da sua sacola de pano azul, e fazia as suas entregas para os assinantes, indiferente. Também trabalhava de mecânico de automóveis, consertava casas, vendia picolé. Andava nas ruas não importava a hora, entrava em botequim para jogar dominó. Isso era coisa que mulher direita nem pensava em fazer no Nordeste. Pau-de-Barraca alimentava conversas.

— Não é p’ra olhar essa muié! Muié macho é contra os olhos de Deus. Na certa fez pacto com o Capeta.

Minha Mãe era uma mulher corajosa e determinada; mesmo assim creio que achava que Pau-de-Barraca era o diabo em figura de gente. Vina brincava com todas essas coisas que diziam dela, e gritava às vezes nas suas passagens:

— Olhem suas filhas minhas senhoras, que estão de olho em mim…

e seguia o caminho dela quase sempre alegre, e sempre pronta para os desafios da vida dura que ela levava.

Minha Mãe era ialorixá no bairro de Uruguai. Um dia iamos para a casa de Leleta, uma filha-de-santo dela, quando ao passar na rua da Palestina, ouvimos o vozeirão de Vina acima de outras vozes, exaltadas, de homens, que vinham do beco onde ela morava. Paramos para observar, e não demorou muito, vimos quatro homens saindo do beco, correndo como bala, com Vina armada de um porrete grosso atrás, xingando os caras com nomes que os homens não gostam de escutar. Vina voltou a entrar no beco, xingando todos nós que estavam la olhando os homens fugirem humiliados, iguais a cachorrinho com o rabo entre as pernas. Mesmo com barulho corriqueiro no bairro, era um espetáculo as brigas da mulher macho. Como sempre, a polícia chegou e foi embora. Não sei ao certo, mas parece que Vina tinha amizade na polícia. Nunca foi presa que eu saiba.

Vina se dizia mulher e bem mulher. Não era sapatão, como dizia com a boca bem grande, e nunca ouvi ninguém falar, só que homem para viver com Pau-de-Barraca, tinha de se conformar em ser a galinha, pois o galo, era ela. E as vezes, ficava difícil, e dava briga.

O tempo passou. Nos meus catorze anos eu não falava nada por que tinha medo de levar tabefe de minha Mãe, mas no fundo, admirava aquela mulher. Desejava mesmo de ser corajosa e valente como ela. Acho que um monte de colegas tinham por Vina um pequeno pensamento de admiração, e como eu não ousavam falar. Mulher sem papa na língua, que não levava desaforo para casa, nem de homem! E mulher? Essas nem ousavam lhe dizer uma palavra de desagrado seriamente, poderiam pilheriarem, mas isso ela não ligava. Era como se se sentisse toda poderosa diante do pequeno mundo que as mulheres do lugar viviam naquela época.

Um sábado de verão minha Mão me falou assim:

— Vai dar recado p’ra Miuda vir para o Ingorossí na segunda-feira, sua nigrinha, vá sozinha e não demore!

Minha Mãe não pedia, dava ordens. Dona Miuda morava pelos lados de São Domingos no final da Régis Pacheco. Ir sozinha era para não levar o meu irmão de criação Zé, que não batia bem da bola, e que sempre me fazia desviar do caminho com o paco dele insistente. Mas Zé escutou, saiu de fininho, e correu para me esperar na esquina como fazia sempre.

Aí chegados lá e recado dado, o Largo do Tanque não ficava longe. Ora, tinha sido renovado, e à noite ia ter a inauguração. Só que em Salvador, as festas começam bem mais cedo, ou de véspera. Sabendo disso Zé falou:

— Vamo Lucinha, vamo ver como ficou o Tanque depois da renovação!

— P’ra levar uma surra da minha Mãe ? Não vou!

Mas ele continuava rindo — ele ria todo o tempo, Zé — e insistindo:

— Venha, Lúcia, vamos no largo do Tanque!

Eu curiosa de ver como tinha ficado o Largo do Tanque acabei escutando Zé Doido.

O Largo do Tanque era todo novinho, em folha. Bastante gente trelavam p’ra lá e p’ra cá na calçada nova ou asfalto novo; o tráfico ainda era proibido. A música do alto-falante já alegrava o ambiente, um palanque esperava os políticos falarem, à noite. Eu fiquei andando por ali, Zé olhando para outras coisas. Já era o final da tarde, e prometia que o Grito de Carnaval que ia se passar à noite, seria bem alegre. Aliás tudo é alegre em Salvador, e quase todo vira festa. Nesse meio tempo pensava em tomar o rumo de casa, pois tinha nenhum desejo de tomar cipoada de cipó caboclo. Pensei em procurar Zé, mas ele me encontrou antes, e ele, todo assanhado, me chamou para ver uma roda de capoeira. Sua excitação não era por causa da capoeira.

— Vem Lucinha, Vina vai jogar capoeira, vamo ver.

Naquele tempo não sabia nada de capoeira. Quando eu ficava curiosa de ver o que se passava no interior daquelas rodas que se formavam nas ruas, durante as festas de largo, como a da Boa Viagem ou a lavagem do Bonfim, minha Mãe me puxava pelo braço, falando:

— Isso aí é coisa de gente que não presta, é brincadeira de vagabundo e de ladrão.

Pois naquele Sábado no Largo do Tanque fiquei curiosa de ver Vina fazer uma coisa tão proibida assim como a capoeira; esqueci das cipoadas que poderia tomar caso eu demorasse de voltar para casa. Cedei aos esticões que Zé me fazia no braço. Quando consegui chegar na beira da roda, a força de Zé abrir o caminho para eu passar, eu vi pela primeira vez uma roda de capoeira. Tinha mais de vinte homens em pé com berimbaus, pandeiros, agogô, e todos assim muito animados, alegres e vestidos normalmente, de calça e camisa de manga curta. Minha curiosidade se dirigia para Vina, em pé na beira da roda, batendo palmas e cantando, vestida de uma camisa de quadradinhos azulada colocada dentro das suas calças jeans de marca Far-West. Também com grande chapéu de palha na cabeça; só ela que tinha esse chapéu. Ela gostava de aparecer.

Com certeza aqueles homens a olhavam com o canto do olho. Não gostavam daqueles eternos desafios dela. Vina tinha um nome respeitado, mas que muitos deles que estavam ali. E é bem claro que alguns deles desejavam apagar aquela arrogância, aquela ousadia da mulher que jogava capoeira e batia em homem. Hoje compreendo que não tinha lugar melhor para fazer-la compreender que ela invadia um território que não lhe pertencia.

Vina logo entrou para jogar com um negão do mesmo tamanho dela. E depois de ginga p’ra lá e ginga p’ra cá, ela não demorou muito de receber um telefone, golpe na capoeira dado com as duas mãos contra as orelhas, violentamente. Um vacilo, sem dúvida. E para minha tristeza, eu vi, como todos os que estavam lá, Pau-de-Barraca desabar de cima de seus metro e noventa de altura e cair estendida no chão desmaiada. Eu vi os capoeiristas a arrastarem para fora da roda. Não fiquei para ver se levavam-la no hospital. A roda continuou; eu tomei o rumo de casa sem demora, pois não tinha permissão de estar naquele lugar. Durante o caminho, Zé que vivia rindo ria mais ainda, e puxava meu braço, dizendo:

–Viu Lucinha, ‘cê viu aquela da Vina…

Eu tinha visto sim. Ficava de certa forma triste. Mas mesmo assim eu não perdi a admiração que tinha por ela.

Penso hoje que ela não devia estar em plena forma naquela tarde; ou devia estar queimada pelos inúmeros inimigos disfarçados que à arrondiavam. O que sei é que as energias foram contra ela. Mas, era uma mulher destemida, impetuosa, e que não conhecia o medo, e talvez não resistiu aos toques arrojados do berimbau. Também sei que aquele telefone que ela recebeu não foi nada diante da força que ela possuia. Jamais a esqueci. Três anos depois entrei na capoeira, cheia de receios, mas determinada a ficar e a conhecer, e sem esquecer que são mulheres de cabeça erguida, como Claudivina Pau-de-Barraca, que mesmo sem ter a fama de outras mulheres de sangue no olho como Rosa Palmeirão ou Maria Doze Homens, conseguem mudar o pensamento de outras.

Digo isso por que aí se trata de capoeira. Conheci as dificuldades que as mulheres enfrentaram, tanto olhares, agressões verbais e xingamentos como disrespeito no jogo de capoeira ou do batuque, por terem tido a ousadia de entrarem naquele mundo sagrado dos homens. Sei que em todas as épocas existiram mulheres excepcionais que se destacaram para a posteridade devido à audácia que tiveram em vários outros setores da vida; e que graças a essas mulheres heroinas que hoje nós mulheres ocupamos uma posição bem melhor na sociedade em geral.

Lucia Palmares & Pol Briand
3, rue de la Palestine 75019 Paris
Tel. : (33) 1 4239 6436
Email : polbrian@wanadoo.fr

Entrevista do Mestre Canjiquinha, ao Bayer Notícias

Parte da entrevista do Mestre Canjiquinha, ao Bayer Notícias em maio de 1994
 
B.N. – Qual a emoção de ser Mestre de Capoeira?
 
M. Canjiquinha – É passar a cultura brasileira aos jovens de hoje, pois a tradiçã não pode morrer.
 
B.N. – Por que o apelido Canjiquinha?
 
M. Canjiquinha – Porque eu gostava de cantar a música Canjiquinha Quente, um dos sucessos da cantora Carmem Miranda.
 
B.N. – Qual o orgulho de ser capoeirista?
 
M. Canjiquinha – É saber que por minhas mãos passaram grandes capoeiristas, alguns hoje são Mestres.
 
B.N. – Uma mensagem para os jovens?
 
M. Canjiquinha – Que os jovens sigam o caminho certo, para que amanhã sejam homens de bem e não envergonhem nem seus pais tão pouco o Brasil.