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Pierre Verger

 

Sua obra fotográfica, baseada nas mais de 64.000 fotografias cadastradas em seu acervo, foi construída a partir das viagens que ele fez aos cincos continentes entre o ano de1932 e o final dos anos 1970. Nos primeiros anos, suas fotos foram publicadas apenas em livros de viagens, jornais e revistas franceses e, a partir do final dos anos 30, suas fotos foram utilizadas também em publicações de países de língua inglesa, espanhola e alemã. Nessas primeiras publicações, ele contribuiu apenas como fotógrafo, não interferindo na concepção e produção dos textos.

 

Biografia:

Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996) foi um fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês que viveu grande parte da sua vida na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, no Brasil. Ele realizou um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e nas culturas populares dos cinco continentes. Além disto, produziu uma obra escrita de referência sobre as culturas afro-baiana e diaspóricas, voltando seu olhar de pesquisador para os aspectos religiosos do candomblé e tornando-os seu principal foco de interesse

Verger nasceu em Paris, no dia quatro de novembro de 1902. Desfrutando de boa situação financeira, ele levou uma vida convencional para as pessoas de sua classe social até a idade de 30 anos, ainda que discordasse dos valores que vigoravam nesse ambiente. O ano de 1932 foi decisivo em sua vida: aprendeu um ofício – a fotografia – e descobriu uma paixão – as viagens. Após aprender as técnicas básicas com o amigo Pierre Boucher, conseguiu a sua primeira câmera fotográfica, uma Rolleiflex. Com o falecimento de sua mãe, sua última parente viva, Verger decidiu se tornar naturalmente um viajante solitário e levar uma vida livre e não conformista. Apesar de esse desejo ter surgido tempos antes, Verger tomou essa decisão apenas após a morte da mãe no intuito de não magoá-la.

De dezembro de 1932 até agosto de 1946, foram quase 14 anos consecutivos de viagens ao redor do mundo, sobrevivendo exclusivamente da fotografia. Verger negociava suas fotos com jornais, agências e centros de pesquisa. Fotografou para empresas e até trocou seus serviços por transporte. Paris, então, tornou-se uma base, um lugar onde revia amigos – os surrealistas ligados a Prévert e os antropólogos do Museu do Trocadero – e fazia contatos para novas viagens. Trabalhou para as melhores publicações da época, mas como nunca almejou a fama, estava sempre de partida: “A sensação de que existia um vasto mundo não me saía da cabeça e o desejo de ir vê-lo me levava em direção a outros horizontes”, afirmou ele.

As coisas começaram a mudar no dia em que Verger desembarcou na Bahia. Em 1946, enquanto a Europa vivia o pós-guerra, em Salvador era tudo tranquilidade. Ele foi logo seduzido pela hospitalidade e riqueza cultural que encontrou na cidade e acabou ficando. Como fazia em todos os lugares onde esteve, preferia a companhia do povo e dos lugares mais simples. Os negros, em imensa maioria na cidade, monopolizavam a sua atenção. Além de personagens das suas fotos, tornaram-se seus amigos, cujas vidas Verger foi buscando conhecer com detalhes. Quando descobriu o candomblé, acreditou ter encontrado a fonte da vitalidade do povo baiano e se tornou um estudioso do culto aos orixás. Esse interesse pela religiosidade de origem africana lhe rendeu uma bolsa para estudar rituais na África, para onde partiu em 1948.

Foi na África que Verger viveu o seu renascimento, recebendo o nome de Fatumbi, “nascido de novo graças ao Ifá”, em 1953. A intimidade com a religião, que tinha começado na Bahia, facilitou o seu contato com sacerdotes e autoridades e ele acabou sendo iniciado como babalaô – um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso às tradições orais dos iorubás. Além da iniciação religiosa, Verger começou nessa mesma época um novo ofício, o de pesquisador. O Instituto Francês da África Negra (IFAN) não se contentou com os dois mil negativos apresentados como resultado da sua pesquisa fotográfica e solicitou que ele escrevesse sobre o que tinha visto. A contragosto, Verger obedeceu. Depois, acabou se encantando com o universo da pesquisa e não parou nunca mais.

Apesar de ter se fixado na Bahia, Verger nunca perdeu seu espírito nômade. A história, os costumes e, principalmente, a religião praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África Ocidental e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de suas pesquisas e sua obra. Ele passou a viver como um mensageiro entre esses dois lugares: transportando informações, mensagens, objetos e presentes. Como colaborador e pesquisador visitante de várias universidades, conseguiu ir transformando suas pesquisas em artigos, comunicações e livros. Em 1960, comprou a casa da Vila América. No final dos anos 70, ele parou de fotografar e fez suas últimas viagens de pesquisa à África.

Em seus últimos anos de vida, a grande preocupação de Verger passou a ser disponibilizar as suas pesquisas a um número maior de pessoas e garantir a sobrevivência do seu acervo. Na década de 1980, a Editora Corrupio cuidou das primeiras publicações no Brasil. Em 1988, Verger criou a Fundação Pierre Verger (FPV), da qual era doador, mantenedor e presidente, assumindo assim a transformação da sua própria casa na sede da Fundação e num centro de pesquisa. Em fevereiro de 1996, Verger faleceu, deixando à Fundação Pierre Verger a tarefa de prosseguir com o seu trabalho.

WIKI:

Pierre Edouard Leopold Verger (Paris, 4 de novembro de 1902 — Salvador, 11 de fevereiro de 1996) foi um fotógrafo e etnólogo autodidata franco-brasileiro. Assumiu o nome religioso Fatumbi.

Era também babalawo (sacerdote Yoruba) que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana – o comércio de escravo, as religiões afro-derivadas do novo mundo, e os fluxos culturais e econômicos resultando de e para a África.

Após a idade de 30 anos, depois de perder a família, Pierre Verger exerceu a carreira de fotógrafo jornalístico. A fotografia em preto e branco era sua especialidade. Usava uma máquina Rolleiflex que hoje se encontra na Fundação Pierre Verger.

Durante os quinze anos seguintes, ele viajou os quatro continentes e documentou muitas civilizações que logo seriam apagadas através do progresso. Seus destinos incluíram:

 

  • Taiti (1933)
  • Estados Unidos, Japão e China (1934 e 1937)
  • Itália, Espanha, Sudão, Mali, Níger, Alto Volta (atual Burkina Faso), Togo e Daomé (atual Benim) 1935)
  • Índia (1936)
  • México (1937, 1939, e 1957)
  • Filipinas e Indochina (atuais Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã, 1938)
  • Guatemala e Equador (1939)
  • Senegal (como correspondente, 1940)
  • Argentina (1941)
  • Peru e Bolívia (1942 e 1946)
  • Brasil (1946).

 

Suas fotografias foram publicadas em revistas como Paris-Soir, Daily Mirror (com o pseudônimo de Mr. Lensman), Life, e Match.

Na cidade de Salvador, apaixonou-se pelo lugar e pelas pessoas, e decidiu por bem ficar. Tendo se interessado pela história e cultura local, ele virou de fotógrafo errante a investigador da diáspora africana nas Américas. Em 1949, em Ouidah, teve acesso a um importante testemunho sobre o tráfico clandestino de escravos para a Bahia: as cartas comerciais de José Francisco do Santos, escritas no século XIX.

As viagens subseqüentes dele são enfocadas nessa meta: a costa ocidental da África e Paramaribo (1948), Haiti (1949), e Cuba (1957). Depois de estudar a cultura Yoruba e suas influências no Brasil, Verger se tornou um iniciado da religião Candomblé, e exerceu seus rituais.

Definição de Verger sobre o Candomblé: “O Candomblé é para mim muito interessante por ser uma religião de exaltação à personalidade das pessoas. Onde se pode ser verdadeiramente como se é, e não o que a sociedade pretende que o cidadão seja. Para pessoas que têm algo a expressar através do inconsciente, o transe é a possibilidade do inconsciente se mostrar”.

Durante uma visita ao Benin, ele estudou Ifá (búzios – concha adivinhação), foi admitido ao grau sacerdotal de babalawo, e foi renomeado Fátúmbí (“ele que é renascido pelo Ifá”).

As contribuições de Verger para etnologia constituem em dúzias de documentos de conferências, artigos de diário e livros, e foi reconhecido pela Universidade de Sorbonne que conferiu a ele um grau doutoral (Docteur 3eme Cycle) em 1966 — um real feito para alguém que saiu da escola secundária aos 17.

Verger continuou estudando e documentando sobre o assunto escolhido até a sua morte em Salvador, com a idade de 94 anos. Durante aquele tempo ele se tornou professor na Universidade Federal da Bahia em 1973, onde ele era responsável pelo estabelecimento do Museu Afro-Brasileiro, em Salvador; e serviu como professor visitante na Universidade de Ifé na Nigéria.

Verger se apaixonou pela Bahia lendo “Jubiabá” e se tornou amigo das maiores personalidades baianas do século XX, como o próprio Jorge Amado, Mãe Menininha do Gantois, Gilberto Gil, Walter Smetak, Mário Cravo, Cid Teixeira, Josaphat Marinho, dentre outros notáveis. Seu trabalho como fotográfo influênciou notadamente nomes consagrados da fotografia contemporânea como Mário Cravo Neto, Sebastião Salgado, Vitória Regia Sampaio, Adenor Gondim e Joahbson Borges, sendo que este foi seu último assistente, apontado pelo próprio Verger como sucessor natural.

Na entidade sem fins lucrativos Fundação Pierre Verger em Salvador, que ele estabeleceu e continuou seu trabalho, guarda mais de 63 mil fotografias e negativos tirados até 1973, como também os documentos dele e correspondência.

No Brasil, foi homenageado como tema de carnaval (Rio de Janeiro, 1998) do GRES União da Ilha do Governador, cuja letra fala da Trajetória de Pierre Verger a Fatumbi.

Jérôme Souty publicou um ensaio muito documentado sobre a obra e a vida de Verger : Pierre Fatumbi Verger. Do olhar livre ao conhecimento iniciático, São Paulo, Terceiro Nome (446 p., 23 fotos, em português) ; Pierre Fatumbi Verger. Du regard détaché à la connaissance initiatique, Paris: Maisonneuve & Larose, 2007 (520p., 144 fotos, em francês).

 

Transe de Orixás

 

O encéfalo humano ao entrar em sintonia ou ressonância com determinados ritmo-melodias tem o potencial de modificar o estado de consciência, manifestando então propriedades psicossomáticas ou padrões de comportamento  individuais ligados à estrutura e ao funcionamento do Sistema Nervoso  Central (SNC), vinculados sobretudo à constituição anatômica e funções do tronco cerebral.

A estes padrões de comportamento induzidos pelo efeito mântrico do ritmo-melodia do atabaque e cânticos, os antigos africanos denominaram de “orixás”, “inquices”, “vodus”, etc. de acordo com os diferentes dialetos e grupos lingüísticos.

As diversas categorias de comportamento foram agrupadas consoante paradigmas  comportamentais de personagens míticas, históricas ou ancestrais, cujas características pessoais aparentemente eram assumidas (manifestadas) pelo personagem atual.

Tudo se processava como se o ancestral retornasse do mundo oculto (imanifesto) e assumisse o controle do corpo do personagem atual, caracterizando-se então o arquétipo como uma divindade.

No Brasil os adeptos do candomblé e de umbanda denominaram de “estado de santo” ao estado modificado de consciência induzido pelo ritmo-melodia adequado.

De modo similar, o ritmo “ijexá” [1] conduz os capoeiristas a um estado similar, que denominamos de “estado transicional de capoeira” ou “estado de capoeira”, diferenciando-se este último por não obedecer a  padrões comportamentais padronizados e sim pela manifestação das características individuais de cada praticante.

O fenômeno aparentemente consiste na manifestação pelo ator de suas propriedades ou características humanas individuais, especificas ou particulares, ligadas à estrutura e funções do seu paleocórtex (cérebro interno, Innere Gehirne de Kleist) liberadas do controle das estruturas mais recentes do neocórtex, responsáveis pelas superestruturas psicossociais (Gemeinschaft-Ich e  Welt-Ich, Eu Moral e Eu Social, de Kleist).

Ø      Em outras palavras, o ritmo ijexá libera o cérebro emocional do controle das funções racionais e permite a manifestação do arquétipo humano (hominal) através a linguagem gestual da capoeira, pelo bloqueio do controle dos circuitos responsáveis pelos freios psicossociais.

o       Processo que abre a perspectiva de criação de circuitos vicariantes capazes de suprir deficiência ou ausência de outros lesados e/ou deficientes, que poderão posteriormente ser adicionados aos lobos frontais, tornando possível retomar os controles voluntários, tornando compreensíveis algumas melhoras clínicas inexplicáveis sem esta hipótese.

Observações finais:

Pesquisar e desenvolver a importância relativa de:

 

  • Infra-sons do atabaque

 

o       Existem?

o       Impressionam o tato?

 

  • De outros instrumentos musicais
  • Da palavra e solfejo
  • Sensibilidade individual
  • Influência carismática do líder
  • Influência interpessoal da comunidade (campo mental coletivo)
  • Papel do equalizador emocional

 

Transe de orixás

Transe de Orixás

 

[1] Um dos toques musicais de candomblé, raiz musical de várias manifestações populares áfrico-brasileiras (capoeira, batuque, samba de roda, afoxé)

Decanio Filho, A. A.

7/1/2001

Oferendas e cânticos marcam celebração ao dia de Iemanjá

Grupos se reúnem na Praia de Pajuçara para homenagear a rainha das águas

As batidas dos tambores marcaram o ritmo. Os colares em cores vibrantes adornaram as vestimentas. Os cânticos foram acompanhados com uma leve dança. Em cortejo, as cestas levaram flores bem decoradas, comidas e lembranças. Foram as oferendas a Iemanjá, a rainha das águas, homenageada todo oito de dezembro. Crianças e adolescentes também foram às areias da praia da Pajuçara para reverenciar a mãe de todos os orixás e pedir o fim do preconceito contra as religiões de matriz africana.

Os grupos de candomblé e umbanda, vindos de várias partes de Alagoas, festejaram o orixá dos Egbá na Pajuçara, em Maceió, durante todo o dia. A celebração, que pretendia chamar atenção para o preconceito histórico contra as manifestações afro-brasileiras, aconteceu também para agradecer por tudo o que foi alcançado em 2010.

Mãe Fátima de Oiá saiu de São Miguel dos Campos com seu grupo para homenagear aquela que ela considera ‘a mãe maior de todas as nações’. “Hoje o dia é de festa, felicidade e união de todos os candomblés e nações. Isso representa o renascimento da mãe mais caridosa e dedicada” – contou a mãe de santo, que mantém 38 filhos de santo dançando em seu grupo.

Há 15 anos como mãe de santo, Mãe Fátima explica que as oferendas preparadas para o orixá são levadas para alto mar, onde são, segundo a crença, conduzidas pelas águas até a Terra de Orucaia, conhecida como Terra de Iemanjá. “É um lugar feliz e radiante. A terra dos encantos”, diz ela.

 

Rodas de capoeira

Fazendo parte dos festejos, grupos de percussão e rodas de capoeira animaram o ambiente. “A capoeira tem ligação com o movimento afro-brasileiro, por esse motivo, fomos convidados e aqui estamos para fazer parte da comemoração”, diz o presidente do grupo Muzenza, Marcelo Cardoso, conhecido como Mestre Girafa.

Na praça Multieventos, a roda de capoeira chamava a atenção dos transeuntes, que paravam para apreciar o gingado. Grupos de percussão, de maracatu e orquestras de tambores estendem a programação até o final do dia.

 

Candomblé: tradição passada de geração a geração

Ela tem apenas sete anos de vida, mas já sabe entoar os cânticos que homenageiam Iemanjá, a rainha das águas. No dia em que as religiões de matriz africana reverenciam a mãe de todos os orixás, neste 8 de dezembro, seguidores do candomblé e da umbanda levam os filhos para também participa da festa de louvor.

A pequena Ieda Vitória da Silva, de 7 anos, canta, dança e segue os passos da mãe. Ela praticamente nasceu num terreiro de candomblé e, nos dias em que já movimentação é grande para levar à Iemanjá as oferendas que significam uma espécie de agradecimento por tudo o que ela teria feito pelos seus seguidores.

“Desde quando a Vitória era bebezinha que eu a levo para todas as atividades festivas da nossa religião. Ela sabe todas as músicas e os passos que marcam o ritmo das batidas dos nossos hinos”, disse a mãe Catiana da Conceição.

“Viemos de Rio Largo para prestar as nossas homenagens à mãe das águas”, lembrou a menina, que faz parte do Grupo Santuário de Iemanjá.

 

Tarde ainda com muitas oferendas

E a Pajuçara continua tomada por grupos de candomblé e umbanda. Todos cantam e dançam em dezenas de rodas formadas nas areias da praia. No meio do círculo, as oferendas que serão lançadas no mar: perfumes de alfazema, sabonetes, talcos, flores, champanhe, espelhos, bonecas e adereços.

Além do ritual religioso, a festa de Iemanjá também reúne outras expressões da cultura afro, a exemplo de sambas de roda, grupos de capoeira e blocos afros.

 

A lenda*

Com a lenda conta que Iemanjá, filha de Olokum, casou-se com Olofin-Odudua, em Ifé, na Nigéria, e teve dez filhos, todos orixás. Depois de amamentá-los, ela teria ficado com os seios enormes, o que lhe causara vergonha. Cansada de viver em Ifé, Iemanjá fugiu e, chegando a Abeokutá, casou-se novamente, dessa vez, com Okerê. Mas, Iemanjá impôs uma condição para o casamento: que o marido jamais a ridicularizasse por conta dos seios volumosos. Entretanto, numa briga, Okerê teria ofendido Iemanjá, que, furiosa, fugiu novamente, encontrando num presente do pai o caminho para as águas. Ela nunca mais teria voltado para a terra e se tornou, assim, a rainha do mar. Nas datas em que é homenageada, em 02 de fevereiro e 08 de dezembro (Imaculada Conceição, para o Catolicisco), seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la.

* Com informações do portal da Capoeira – www.portalcapoeira.com

 

Pajuçara vira palco de articulação pela cultura afro-brasileira

E, com o objetivo d pedir o fim do preconceito contra as religiões afro-brasileiras, reuniram-se, durante toda a tarde desta quarta-feira (08), vários grupos culturais na praia da Pajuçara. Cada um, mostrando as suas ações que são desenvolvidas no dia-a-dia, apresentou-se nas areias da orla marítima de Maceió e pediu o fim do preconceito.

“Estamos aqui num em prol da liberdade de crença e em favor do sincretismo religioso. A intolerância religiosa tem que ser combatida em todos os templos e lugares. O mais importante é que tenhamos fé, independentemente da religião a ser seguida”, defendeu Sirlene Gomes, coordenadora do Cepa Quilombo, grupo temático de discussão contra o preconceito.

Além dele, estiveram presentes o Quintal Cultural (grupo de educação, cultura e formação), Coletivo Afro Caetés (maracatu), Centro Espírita Santa Bárbara (Umbanda), Corte de Airá (maracatu) e o Núcleo Cultural da Zona Sul (capoeira e bumba-meu-boi).

O encontro foi denominado de ‘articulação pela cultura popular e afro-alagoana’ e seus organizadores prometem novas ações ao longo do próximo ano. Por enquanto, eles conseguiram abrigo provisório na Secretaria de Estado da Cultura.

 

Conscientização com crianças

O Centro Espírita Santa Bárbara, cuja sede fica no Conjunto Village Campestre, trabalha o tema da umbanda com crianças com idades entre 4 e 8 anos. Os integrantes da entidade alegam que, para poder desmistificar as religiões de matriz africana, a educação religiosa precisa ser ministrada desde os primeiros anos de vida.

E, para as homenagens à Iemanjá na praia, o Centro levou crianças e adolescentes para que eles pudessem entender e presenciar as reverências à rainha das águas.

 

Fonte: http://gazetaweb.globo.com

Gazetaweb – Janaina Ribeiro, Roberta Batista e Daniel Dabasi

2ª Caminhada em homenagem aos mestres da tradição afro-brasileira destaca os anciãos da Congada

O Afoxé Asè Omo Odé, casas de Candomblé e Umbanda, grupos de Capoeira e Congada realizam uma grande caminhada para reverenciar a história de Pai João de Abuque, Mestre Bimba, Mestre Pastinha e também Mestre Mancha Negra, Seu Onofre e Seu Osório, no dia 18 de setembro, a partir das 15h, no Setor Pedro Ludovico, em um momento de afirmação da cultura negra em Goiânia.

O papel fundamental dos mais velhos na cultura afro-brasileira revela a força de uma tradição que tem resistido às transformações do tempo e da História: a transmissão oral de valores, concepções e saberes que compõem a memória coletiva desse grupo social. E é também por meio dessa forma específica de preservar sua cultura e sabedoria de vida que os anciãos são reconhecidos como mestres, como guardiões da memória e da tradição.

E com o objetivo de resgatar a história desses mestres que têm em comum a luta pela cultura afro-brasileira, é que a Associação Desportiva e Cultural Capoeira Mestre Bimba, por meio do Afoxé Asé Omo Odé realiza neste sábado (18/09) a partir das 15 horas, uma grande caminhada que visa reunir representantes de várias expressões culturais e religiosas de Goiânia em homenagem a Pai João de Abuque, o mais antigo babalorixá e primeiro ancestral do Candomblé Goiano; Mestre Bimba, o criador da Capoeira Regional; Mestre Pastinha, um dos ícones da Capoeira Angola e também Lázaro Eurípedes Silva (Mestre Mancha Negra), Seu Onofre Costa dos Santos e Seu Osório Alves, três importantes mestres da Congada em Goiânia.

A caminhada sairá do Ilè Ibá Ibomim, Casa de Pai João de Abuque, localizada na rua 1059, qd.134, lt.04, Setor Pedro Ludovico às 15 horas e percorrerá a rua 1064, a avenida Circular e depois retornará à Casa de Pai João, onde será realizado o encerramento do evento, com apresentações culturais de congada, capoeira e samba de roda, um momento de valorização da riqueza e diversidade da cultura afro-brasileira. “Essa segunda edição da caminhada é a continuidade de um trabalho de reconhecimento da história e luta desses mestres que nos dão força para continuar. Se estamos aqui hoje, devemos isso a eles”, afirma com entusiasmo Mestre Luizinho, filho de Mestre Bimba, ogã do Ilé Ibá Ibomim e organizador da caminhada.

Guardiões da memória

Pai João de Abuque

O Candomblé em Goiás tem como referência a figura de João Martins Alves, mais conhecido como Pai João de Abuque, o primeiro babalorixá do Estado. Um grande mestre e pai de muitos filhos, que iniciados em sua casa, o Ilè Ibá Ibomim, hoje também são babalorixás; homem de vida simples, mas que apesar de todas as dificuldades tinha sua casa sempre aberta para acolher os outros. E apesar de sua experiência na religião, Pai João de Abuque falava que ainda estava aprendendo e por isso sempre recorria a um mestre mais velho, a quem devia respeito e gratidão.

Na década de 1990, Pai João de Abuque, juntamente com outras lideranças afro criou o Afoxé Asé Omo Odé, bloco que levou o candomblé e a cultura afro-brasileira para as ruas da capital, nos carnavais de 1990 a 1993, e que sob a proteção de Oxóssi continua a destacar as cores, os ritmos, e as bênçãos da religiosidade de matriz africana em Goiânia, relembrando assim a história de vida e luta de Pai João, que em setembro de 2006, tornou-se o primeiro ancestral do candomblé goiano.

Mestre Bimba

Em um momento histórico em que a prática da Capoeira era proibida, Manoel dos Reis Machado, mais conhecido como Mestre Bimba ao fazer uma reinterpretação de elementos físicos e simbólicos desse jogo criou a Luta Regional Baiana, depois chamada de Capoeira Regional. E ao destacar seu potencial artístico e educativo, Mestre Bimba lutou pela valorização da cultura negra na sociedade baiana.

Buscando o apoio que não teria recebido em Salvador, em 1973, Mestre Bimba mudou-se com a família para Goiânia, cidade onde faleceu em fevereiro de 1974. Porém, o legado desse mestre e da capoeira regional se mantém na memória, e se renovam na continuidade de seu método, que por meio de seus filhos e discípulos é transmitido hoje nos quatro continentes.

Mestre Pastinha

Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, ou simplesmente Mestre Pastinha, foi um dos primeiros capoeiristas a analisar a capoeira como filosofia, destacando assim a natureza desportista e lúdica desse jogo, principalmente em sua capacidade de comunicação.  Assim, também teve papel significativo na legalização da Capoeira e em seu reconhecimento como fenômeno cultural e prática esportiva.

Mestre Pastinha faleceu em 13 de novembro de 1981 em Salvador, mas permanece vivo nas rodas de capoeira e nessa tradição que continua sendo transmitida por aqueles que outrora foram seus alunos e hoje também são importantes mestres, como João Grande, Curió, Bola Sete, João Pequeno e tantos outros, que imortalizam o amor incondicional de Mestre Pastinha à Capoeira Angola, “mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista.”

Nessa segunda edição da caminhada também três anciãos da Congada em Goiânia são homenageados: Lázaro Eurípedes Silva (Mestre Mancha Negra), criador e presidente do Terno Moçambique; Seu Onofre Costa dos Santos, fundador da Congada Irmandade 13 de maio e Seu Osório Alves, capitão do Terno Verde e Preto da Congada da Vila João Vaz. Mestres que com os ritmos da caixa de congo, os cantos, as danças, as rezas e os louvores a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia, esses mestres mantêm viva a congada, expressão artística e também um espaço de celebração da cultura e religiosidade de matriz africana, expressa em cores, ritmos, movimentos corporais e valores pelos quais homens e mulheres são capazes de preservar essa tradição, que une parentes e amigos pela continuidade dessa memória coletiva. “Nada mais justo do que destacar o trabalho dos mestres da Congada, conhecedores e divulgadores da cultura afro-brasileira em Goiás, acrescenta Mestre Luizinho.

A Associação

Com 11 anos de existência, a Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Mestre Bimba tem desenvolvido diversas ações de valorização da cultura e religiosidade afro-brasileira em Goiás. Por meio da capoeira, do afoxé, do samba-de-roda, e da puxada-de-rede essa instituição criada por Luis Lopes Machado (Mestre Luizinho) divulga o legado de Mestre Bimba, e assim também o rico universo da tradição afro-brasileira.

Para a realização desta Caminhada, a Associação tem como parceiros a Belcar Caminhões, Secretaria de Estado de Políticas Públicas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial (Semira), Pontão de Cultura República do Cerrado, Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), OlhO Comunicação Estratégica, DJ Claudinho e o Bloco Negróides Baque Cerrado.

Serviço

2ª Caminhada em homenagem aos mestres da tradição afro-brasileira
Data: 18 de setembro    
Horário: 15 horas
Percurso: Saída da Casa de Pai João de Abuque (Ilé Ibá Ibomim) na rua 1059, quadra 134, lote 04, no Setor Pedro Ludovico.
Mais Informações: Ceiça Ferreira (62) 8191-2122 / Janaína Gomes (62) 8419-2739

Capoeira no Acervo do Instituto Nacional das Antiguidades da Finlândia

Caros amigos e colegas,
O museu etnográfico Helinä Rautavaara em Finlândia acabou de disponibilizar uma parte do arquivo fotográfico dele no portal do Instituto Nacional das Antiguidades da Finlândia. A coleção consiste em milhares de fotos sobre o candomblé, capoeira e a cultura afro-brasileira e brasileira em geral tiradas por a Helinä Rautavaara nos anos 1960 e 1970 em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.

Por décadas essas fotos se encontraram guardados no acervo do museu na Finlândia com difícil acesso ao público, então é com grande prazer que agora divulgo o link da coleção online à vocês:

As fotos se encontram em:

Capoeira

Candomblé

Infelizmente o site não se encontra em português ainda, mas o sistema de busca é bem simples. Colocando palavras de pesquisa como candomblé ou capoeira, no campo chamado “free text search” no topo da barra ao lado esquerdo, o sistema busca todas as fotos marcadas com essas palavras chaves. Outra opção boa também é buscar só com a primeira parte da palavra terminando ela com um asterisco.

Por exemplo: capoe*

Assim o sistema busca todas as fotos marcadas com palavras chaves que começam com capoe. (Em finlândes as palavras se conjugam de várias formas. Por isso muitas vezes a busca funciona melhor desse jeito).

O site continua em construção. Ao longo do tempo o museu colocará mais fotos e informação. Eles com certeza se interessariam em qualquer comentário ou pergunta que vocês teriam sobre as fotos. A pessoa responsável no museu Helinä Rautavaara sobre o projeto de digitalização dessas fotos é Katri Hirvonen-Nurmi. O email dela é: katri.hirvonen-nurmi@helinamuseo.fi

Fonte: Teimosia

Expansão da capoeira

A capoeira junto ao candomblé e o samba é uma das mais importantes manifestações de nossa cultura. Trazida pelos escravos africanos, que aqui chegaram para a cultura canavieira, desempenhou um forte papel na resistência cultural dos afro-brasileiros. Seus praticantes exerceram função preeminente em episódios da história do Brasil, como na guerra do Paraguai; na luta pelo abolicionismo e na transição do Império para a República. A luta-arte, já surge internacional, pois é o encontro das nações: congos, angolas, bengelas, moçambiques, minas, rebolos e cassanges.

No contexto pós-abolicionista, a capoeira foi perseguida e sua prática considerada crime. Assim como o candomblé, sobreviveu e recontextualizou-se. Hoje é elemento referência da cultura brasileira. Capoeiras de todos os continentes chegam ao Brasil, para beber na fonte dos velhos mestres e vivenciar sua filosofia, que nos remete ao caráter da sociedade brasileira, formado por tolerância, hospitalidade, pluralidade e originalidade.

Sua expansão para o mundo, teve início com dois gênios da Bahia: mestres Bimba e Pastinha que era filho de um espanhol com uma negra e que recebeu em sua academia no Pelourinho, o escritor Jorge Amado, o francês Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Caribé, Mário Cravo. As vozes dos pioneiros baianos entraram nos corações dos jovens de esquerda, que buscavam na cultura popular, as justificativas de seus ideais políticos.

Meio século depois, o mundo se africaniza com a capoeira. Milhares de praticantes negros, brancos e amarelos; católicos e mulçumanos; judeus e árabes, do velho e novo mundo, chegam ao Brasil falando e cantando em português as ladainhas e corridos da capoeira. Os discípulos de Pastinha, João Grande e Jelon Vieira de Bimba, tiveram seus trabalhos, que realizam há duas décadas em Manhattan, reconhecidos pelo governo da Casa Branca. Lá receberam o National Heritage Fellowship Award. A mais importante homenagem da cultura estadunidense.

O ex-ministro Gilberto Gil, depois de encontrar dezenas de mestres nos aeroportos internacionais de todos os continentes, disse que “a capoeira se espalhou pelo mundo sem nenhuma ajuda governamental”. Iniciou então o processo de reparação desta dívida, criou o primeiro edital de apoio a projetos, grupos e pesquisadores. Contribuiu junto com a Fundação Palmares, para que a arte afro-brasileira fosse reconhecida como patrimônio cultural.

Mas Pernambuco saiu na frente e aprovou uma pensão vitalícia, para os velhos mestres. Devolvendo a eles, muito pouco, comparado ao que produziram com sua arte, para divulgar positivamente o país. A Bahia, a “Meca da capoeira”, ainda está timidamente se mobilizando, para o reconhecimento destes lutadores, que levaram ao mundo um Brasil alegre e solidário; criando um mercado de trabalho de difícil mensuração.

Lucia Correia Lima é jornalista, fotógrafa e autora do roteiro de documentário “Mandinga em Manhattan” – premio DOCTV 2005 do MinC.

Diretora de Projetos e Comunicação da Associação Brasileira de Capoeira Angola – luciacorreialima@hotmail.com

Fonte: A Tarde de 27 do 12 pagina do editorial coluna Opinião

O Jogo da Capoeira – Coleção Recôncavo n.3

Mais uma vez o Portal Capoeira trás mais uma obra de enorme valor histórico,  em colaboração com o camarada Bruno Souza e Cris Young, conhecidos na capoeiragem como: Teimosia e Cantor. É um enorme prazer poder compartilhar com todos os amigos e leitores do nosso site uma obra rara como esta, sempre lembrando que boa informação é aquela que é compartilhada…
 
O Documento em questão foi editado pela Tipografia Beneditina em 1951, e distribuido pela Livraria Turista, Salvador – BR.
Deste caderno de nº 3, da Coleção Recôncavo, organizada por K. Paulo Hebeisen, foram tiradas apenas 1500 cópias sendo que a cada uma delas foi atribuido um numero de 1 a 1500, rúbricados pelo artista. ( este que está sendo partilhado é o de número 146 )
 
O JOGO DA CAPOEIRA – 24 DESENHOS DE CARYBÉ é sem dúvida nenhuma uma obra de arte e uma preciosidade!!!
 
Uma leitura leve e agradavel, recheada com as fantásticas ilustrações de Hector Julio Páride Bernabó – Carybé.
 

Hector Julio Páride Bernabó – Carybé (Lanús, Argentina, 7 de fevereiro de 1911 – Salvador, BA, Brasil, 2 de outubro de 1997).
 
Pintor, gravador, desenhista, ilustrador, ceramista, escultor, muralista, pesquisador, historiador, jornalista
 
Fez 5 mil trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços. Desenhou para livros de Jorge Amado. Era obá de Xangô, posto honorífico do candomblé. Morreu do coração durante uma sessão num terreiro de candomblé.
 
Uma parte da obra de Carybé se encontra no Museu Afro-Brasileiro de Salvador, são 27 painéis representando os orixás do candomblé da Bahia. Cada prancha apresenta um orixá com suas armas e animal litúrgico. Foram confeccionadas em madeira de cedro, com trabalhos de entalhe e incrustações de materiais diversos, para atender a uma encomenda do antigo Banco da Bahia S.A., atual Banco BBM S.A., que os instalou em sua agência da Avenida Sete de Setembro, no ano de 1968.

Cantora LUCIANE MENEZES homenageia os candomblés

LUCIANE MENEZES a super-cantora da Lapa homenageia os candomblés
antigos do Rio na sua temporada no Circo Voador – foto publicada ontem, 06 / 11/ 2005
na Coluna Ancelmo Góes – Jornal o Globo.
1.600 pessoas lotaram o Circo Voador em dois de estréia da Temporada Luciane Menezes 2005 em cartaz nas SEGUNDAS e TERÇAS FEIRAS no CIRCO VOADOR às 19 e 30 horas.
A cantora e sua Companhia Brasil Mestiço foram matérias de página nos jornais O Globo, Extra e Jornal do Brasil ( trechos abaixo ) e ontem a noite foram tema de matéria de 5 minutos no RJ TV da TV Globo.
Este ano a temporada de LUCIANE Menezes homenageia a UMBANDA e o CANDOMBLÉ.
Na 2ª parte os 16 dançarinos da Companhia BRASIL MESTIÇO ensinam o público da pista a dançar , o JONGO, a CIRANDA, o MARACATU, o LUNDU, o FORRÓ, o SAMBA de RODA, o AFOXÉ, o BUMBA-MEU-BOI.
O repertório musical é belíssimo e empolgante com músicas de Dorival Caymmi, Monarco, Paulo Cesar Pinheiro, Roque Ferreira, Lia de Itamaracá, Jongo do Quilombo São José, Samba de Coco de Arcoverde entre muitos outros.
SEGUNDAS e TERÇAS – FEIRAS, 19 e 30 horas no CIRCO VOADOR, Lapa , RJ
Ingressos a R$ 10,00 e R$ 5,00 para estudantes.
Na foto LUCIANE com Mãe Beata e Yá Regina de Yemanjá mães de santo de alguns dos terreiros de candomblé mais antigos do Rio de Janeiro que estiveram presentes no palco no dia da estréia sendo homenageadas e abençoando o espetáculo e o público.
Abaixo matérias de jornal dessa semana sobre a cantora e sua temporada no Circo Voador
O Globo Segundo Caderno 31 / 10 / 2005
Por uma Lapa Mais Democrática João Pimentel
Luciane Menezes volta ao Circo Voador e abre casa na Lapa para ritmos como a catira, a congada e o jongo
Há mais de seis anos, a cantora e pesquisadora Luciane Menezes levou para a Lapa, um repertório de cocos, maracatus, jongos, baiões, abrindo uma porta para que, além do samba e do choro, o bairro também fosse representativo para outras manifestações culturais importantes.
De volta ao Circo Voador, juntamente com o também cantor e pesquisador Marcos André, nas segundas e terças-feiras, às 19h30m, ela apresenta as novidades que tem encontrado em suas andanças pelo Estado do Rio, e se prepara para inaugurar, no início de dezembro, a casa Brasil Mestiço.
O espetáculo tem o formato parecido com o que fez no ano passado — e que levou um público surpreendente para a casa, em se tratando do início da semana.
Jornal do Brasil Caderno B 31 / 10 / 2005
Ela bebe na fonte do Brasil mestiço Monique Cardoso
Luciane Menezes cria companhia e casa de shows para apresentar cultura popular na Lapa e celebrar a diversidade
O negócio de Luciane Menezes é a diversidade.
Tanto que a cantora que se consagrou como um dos grandes nomes da música surgida na Lapa, se prepara para abrir, no mês que vem, a própria casa de shows, justamente no bairro que a revelou, que já tem nome – Brasil Mestiço – e endereço – Rua Mem de Sá, 82 – certos.
No palco, ela promete que, em vez de somente reproduzir, trará para cá grupos de cultura popular que tem conhecido nas viagens de pesquisa e de andança que há quase 20 anos faz pelo país, em busca de ritmos.
A temporada da Brasil Mestiço deixa claro esse espírito de preservação. O primeiro bloco dos shows – que serão gravados para a produção de um futuro disco – é uma homenagem às religiões afro-brasileiras e traz músicas que remetem à umbanda e ao candomblé.
Outra intenção é a de expressar o respeito pela diversidade, tema que a preocupa, devido à dificuldade de aceitação das diferenças no Rio.
A caça por repertório (para ela e, agora, para sua casa de shows) funciona assim: a cantora põe o cavaquinho e o gravador debaixo do braço e pega a estrada, atrás de rituais, festas e celebrações culturais e religiosas que acontecem pelo interior do país.
Tudo para aprender a tocar, cantar e dançar músicas de quilombos fluminenses, maracatus pernambucanos, aboios do recôncavo baiano e outras manifestações da cultura popular ainda pouco difundidas no Rio.
Mas Luciane já descobriu que nem é preciso ir tão longe para descobrir focos de resistência cultural.
Viaja todos os finais de semana para comunidades do interior do estado do Rio a fim de buscar informações sobre grupos folclóricos, alguns deles em extinção.
Na pesquisa, Luciane tem como parceiro Marcos André, que faz parte do projeto Tempo livre, do Sesc.
– Marcos já me apresentou a 11 comunidades só de jongo. O Maranhão cuida de sua cultura, Pernambuco cuida de sua cultura. Por que o Rio não cuida? Por isso vou até lá aprender para depois ensinar nas apresentações. Os jovens não podem perder o interesse por suas raízes.
O EXTRA 31 / 10 /32005
A África é na Lapa
Um dos grandes nomes do cenário musical da Lapa, Luciane Menezes faz uma homenagem às suas raízes em uma série de shows no Circo Voador: a cantora junta o samba com pontos de umbanda e candomblé.
No show de hoje, às 19h30m, estarão no palco as mães-de-santo Yá Regina Lúcia de Yemanjá e Mãe Beata de Iemanjá, abrindo a temporada que vai até 20 de dezembro, todas as segundas e terças-feiras.
– Como descendente de negros, eu gosto muito de valorizar as tradições musicais que herdamos da África.
Neste show de estréia, o candomblé e a umbanda terão destaque – adianta Luciane Menezes.
Mas as homenagens não vão parar por aí.
– Vou cantar um samba inédito de Paulo César, "Dança dos orixás" – diz.
Vinte e cinco integrantes da Companhia Brasil Mestiço, que mistura música e dança afro-brasileira, também participam do espetáculo, que tem ingressos a R$10 e R$ 5 para estudantes.
TV GLOBO RJ TV 04 / 11/ 2005
assista a matéria do RJ TV pelo endereço
http://gmc.globo.com/GMC/0,,2465-p-M375387,00.html
Ciranda, congo, lundu, samba de roda. Danças e ritmos afro-brasileiros que não existiriam mais, se não fosse o trabalho de pessoas como a cantora e pesquisadora Luciane Menezes.
Nos shows no Circo Voador, o público entende e se diverte.
A Companhia Brasil Mestiço tem 14 bailarinos selecionados em projetos sociais que ajudam a transformar as apresentações do grupo de Luciane Menezes em grandes festas, onde o público sempre cai na dança.
Os ritmos são bem variados: afoxés, congo.
“Agora eu queria que vocês abrissem uma roda, porque vai rolar uma dança sensualíssima”, pede, do palco, Luciane. É a hora do lundu.
Mas será que estes ritmos correm mesmo o risco de extinção?
“Estes ritmos correm risco de extinção. É muito importante que os jovens vejam e aprendam essas danças, pois é a cultura dos seus ancestrais”, explica Luciane.
A novidade desta temporada são os cantos e as danças que fazem parte das cerimônias de candomblé e de umbanda. Luciane Menezes montou no camarim dela, no Circo Voador, um altar com imagens de várias divindades.
Em 2004, só no Circo Voador, 20 mil pessoas entraram na roda.
A participação do público na estréia da nova série de shows, que vai até 20 de dezembro, é muito empolgante.
As apresentações são realizadas sempre às segundas e terças-feiras, às 19h30m.
A homenagem às ialorixás e mães de santo foi o momento mais emocionante do show.
Então vamos a benção final e até a próxima festa do Brasil Mestiço.
" Que Obatalá abençoe a todos ! ” finalizou a mãe de santo Mãe Beata de Yemanjá do palco na estréia .
INFORMAÇÕES : 21 3852. 0043 , 3852. 0053 ou brasil@brasilmestico.com.br 

Crença disfarçada

 
Apenas 0,49% da população de Salvador, considerada a cidade mais negra do país, se declara adepta das religiões afros
 

Adriana Jacob
 
Mãe Carmen do Gantois diz que muitos filhos do candomblé não se assumem como tal

Pouca gente sabe, mas a cidade gaúcha de Rio Grande é o município brasileiro onde mais pessoas afirmam ser adeptas de religiões afro-brasileiras. O dado consta no estudo Retrato das religiões do Brasil, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Na pesquisa, Salvador, que costuma ser considerada uma espécie de Meca quando o assunto são as religiões de matriz africana, aparece numa modesta 172a posição.

É isso mesmo. Menos de 1% dos soteropolitanos se declaram adeptos de religiões afro-brasileiras. No percentual exato, 0,49% da população da cidade mais negra do Brasil afirma crer na religião dos orixás, inquices e voduns. Entre os 5.507 municípios pesquisados, a capital baiana perde no item em questão para 171 localidades. No ranking das "dez mais", aparecem lugares de muito menos visibilidade, como Dezesseis de Novembro (RS), Carnaubeira da Penha (PE) e Divino de São Lourenço (ES).

O estudo, feito através do processamento dos microdados do Censo Demográfico 2000, causou polêmica entre babalorixás, ialorixás, e pesquisadores baianos. "Isso para mim não é surpresa nenhuma. Nossos ancestrais mascararam a religião, colocaram santos de igreja no lugar dos orixás, tiveram que negar sua origem. Isso se infiltrou no sangue e na mente de seus descendentes até hoje. Os próprios filhos do candomblé não se assumem como tal. Eu não condeno ninguém, são os resquícios da escravidão", afirma mãe Carmen Oliveira da Silva, ialorixá do Terreiros do Gantois, casa fundada em 1849.

Ela conta a história de uma adolescente que teve a foto publicada no jornal, associada a um terreiro. "Quando perguntaram na escola, ela disse que não era ela, negou. Muita gente não assume que é do candomblé, mas você vai numa festa para orixás e a casa está cheia", diz a sacerdotisa.

"Como o negro e sua cultura foram por demais desvalorizados, o que ocorre é que muitas pessoas preferem dizer que são da Igreja Católica. No fundo, é o racismo, a vergonha de sua condição de afro-brasileiro. Ainda existem aquelas pessoas que querem disfarçar", analisa a escritora, advogada e agbeni Xangô do também tradicional terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, Cléo Martins. "Já no Rio Grande do Sul, onde mais pessoas afirmam ser adeptas, a maioria é branca, então eles não têm essa crise de identidade".

O presidente da Fundação Palmares do Ministério da Cultura e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ubiratan Castro de Araújo, questiona a metodologia da pesquisa. "Se você perguntar qual a religião de uma pessoa na Bahia, a maioria ou não sabe, porque tem uma religião muito aberta, composta por várias coisas – ela vai no candomblé, na igreja, no centro espírita e na messiânica – ou diz que é católica porque foi batizada. A pesquisa em si é algo discutível, eu questiono essa metodologia porque ela não consegue perceber esse fenômeno sentido na Bahia", analisa o historiador.

Ele cita a si próprio como exemplo: "Eu integro a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos, no Pelourinho, e vou me tornar ogã de Obaluaê de um terreiro. A minha religião é de dupla pertença, ligada aos negros católicos e à tradição afro. O ideal então seria perguntar quais são suas religiões, no plural", afirma.

Cléo Martins considera que, entre algumas pessoas existe uma síntese entre o candomblé e o catolicismo. "O coração da gente é livre, mas essas pessoas que são realmente praticantes das duas religiões jamais vão declarar que são adeptas das religiões afro-brasileiras", opina a agbeni Xangô, que é responsável pelo Alaiandê Xirê do Afonjá.

Em algumas situações, a discriminação chega a se concretizar. O babalorixá Balbino Daniel de Paula conta que uma das suas filhas-de-santo perdeu o emprego depois que a fotografia dela, vestida com roupas do candomblé, apareceu em um jornal. "Ela tinha um bom emprego num escritório, mas depois disso foi demitida", conta Balbino, que pe responsável por outro respeitado terreiro, o Ilê Axé Opô Aganju, em Lauro de Freitas.

Na opinião do antropólogo e ogã de um dos mais antigos terreiro de Salvador, a Casa Branca, Ordep Serra, muita gente ainda é hostilizada pelo preconceito e pela intolerância religiosa. "Em Salvador e região metropolitana, a gente tem mais de dois mil terreiros, não é possível que o número de adeptos seja tão pequeno. Essas estatísticas não trazem a realidade. Acho que muita gente não se declara como praticante do candomblé até por influência africana, onde não existe essa coisa excludente de ser apenas de uma religião".

Convenção Internaciona de Capoeira, Bahia e o Candomblé

Estourou pelo mundo afora, mal foi anunciada esta Convenção, uma forte discussão. Alguns aplaudindo incondicionalmente, muitos impondo algumas condições para aplaudir.
 
Pelos artigos e notas que estamos publicando neste jornal e pelos sites de intercâmbio capoeirístico percebe-se que o maior número de  críticas está concentrado na falta de transparência, pelo menos inicial, do Evento.  Muitos estão criticando, também, a real representatividade que o evento terá para se autoproclamar de "Internacional". Ou seja, que mestres e demais especialistas, afinal, terão vez, voz e voto?
 
Não falta, como sempre, quem esteja querendo saber quem vai pagar essa conta?
 
Entendemos que esta reação é absolutamente normal e até previsível. Entendemos, também, que será positiva, pois dará preciosos subsídios para os encarregados do Planejamento da Convenção.  Particularmente, podemos garantir que a Sra. Marta Sales, uma das responsáveis pelo Evento, está reagindo muito bem e procurando incorporar ao seu trabalho toda e qualquer sugestão que seja viável, oportuna e que possa substanciar ainda mais o Evento.
 
Assim considerando, pinçamos para este pequeno artigo, mais um ponto que está despertando polêmica sobre este Evento previsto para dezembro próximo, em Salvador, Bahia: a programação sócio-religiosa que, segundo alguns, será embutida em algum momento do Evento.
 
Pela Internet circula uma lista de objetivos e programas já definidos para o Evento. Um deles é visitar algumas das internacionalmente famosas igrejas da Bahia. Embora aplaudindo, algumas lideranças da capoeira estranham a exclusão de visita similar às casas de candomblé igualmente famosas?
 
 Essas, inclusive, muito mais ligadas à  História da Capoeira.
 
Parece ser uma reivindicação justa que, seguramente, será considerada e adicionada à programação do evento.  Talvez até ensejando uma palestra sobre a "Influência das Religiões Africanas nas Américas, especialmente no Brasil". Palestra que abrangeria vários outros povos, como Cuba (Santeria). Palestra que abrangeria diversos estados brasileiros. Palestra, finalmente, que  discutiria algumas relações flagrantemente existentes entre Candomblé & Umbanda  e Capoeiragem.
 
Grandes nomes para esta conferência é que não faltam, grandes casas de candomblé para serem visitadas é que também não faltam.
 
Temos aí, portanto, mais uma sugestão para os programadores da Convenção.
 
Voltaremos a este assunto mais adiante, comentando alguns excelentes sites que podem e devem ser consultados por todo capoeira-pesquisador interessado.