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Nota de Falecimento: Frede Abreu

Morreu hoje o Professor Frede Abreu, aos 66 anos, em Salvador, vítima de Hepatite C

Considerado por muitos o maior estudioso de capoeira do mundo, morreu ontem o pesquisador Frederico José de Abreu, 66 anos, que faria aniversário amanhã, faleceu hoje no Hospital Portugês. Autor dos principais livros sobre capoeira do país.

A memória dos principais mestres de capoeira da Bahia deve a ele, que nas últimas décadas se tornou referência internacional. Fundador do Instituto Jair Moura, Frede tinha um acervo com mais de 40 mil títulos, entre livros, recortes de jornais, revistas, CDs, fotos e vídeos. A partir de documentos e jornais antigos, Frede construiu obras obras importantes como Capoeiras: Bahia Século XIX, Bimba é Bamba: capoeira no ringue, Pastinha, Cobrinha Verde, Mestre Canjiquinha, o Barracão do Mestre Waldemar, Macaco Beleza e o Massacre do Tabuão… Mesmo doente nos últimos meses, Frede não parou de produzir. Tinha pelo menos três livros editados para ser lançado:  Manuscritos do Mestre Pastinha, Como Eu Penso (Livro de poesias de Pastinha), além de Mestre Najé, o capoeirista que Lutou até a Morte.

Trabalhou no projeto Axé, ajudou financeiramente e intelectualmente mestre João Pequeno, Fundação Mestre Bimba, Projeto Mandinga e diversos outros grupos…

Frede foi consultor do inventário que tombou a capoeira como patrimônio cultural do Brasil, em 2008.

Ultimamente, trabalhava na biblioteca do Instituto Mauá, no Pelourinho… Frede lutava havia um ano contra uma hepatite C. Ontem, não resistiu a uma infecção generalizada.

O corpo será cremado amanhã (sexta) no Cemitério Jardim da Saudade, as 13hs.

 

O Legado e a Obra de um dos mais carismaticos personagens da nossa capoeiragem... Mestre Frede

Compilação da Imagem: Vinícius Heime

Amigos lamentam a morte de Fred Abreu

  • Hélio, morador do Rio Vermelho:

“A Capoeira perde um grande capoeirista, o amigo Fred Abreu. Um capoeirista pertencente a todos os grupos e a elite da grande roda das idéias. Um pesquisador, escritor, amigo, orientador, detentor de um grande acervo de Capoeira, sempre de bom humor e acolhendo com seu dialogo amigo brasileiros e estrangeiros. Fred entre tantas homenagens pertence ao QUADRO DE HONRA DA FUNDAÇÃO MESTRE BIMBA, homenagem recebida no último dia 7/7/2013. Mas, a grande homenagem é pertencer ao coração de cada capoeirista por ser um homem de bem. Uma perda imensurável para a Capoeira.”

 

 

  • Vinicius Heime, Professor e Discipulo de Gladson

 

Fez sua passagem hoje o Mestre Frede Abreu, um dos mais atuantes ativistas, pesquisador, estudioso e escritor da Capoeira. Autor de uma vasta obra sobre temas diversos relacionados à Capoeira, todas escritas com muita competência e dedicação! Idealizador e gestor do maior acervo (com mais de 40 mil títulos) em livros, jornais, revistas e documentos relacionados à Capoeira. 

Entre suas obras estão os livros Bahia Século XIX, Bimba é Bamba: Capoeira no Ringue, Pastinha, Cobrinha Verde, Mestre Canjiquinha, O Barracão do Mestre Waldemar, Macaco Beleza e o Massacre do Tabuão, entre outros. Participou de diversos projetos relacionados à Capoeira! 

O seu legado estará sempre vivo como exemplo de dedicação, de valorização, de zelo e de amor pela Capoeira, sua história e seus atores! Que Mestre Bimba, Pastinha, Canjiquinha, Ezequiel e tantos outros lhe recebam de braços abertos numa grande Roda lá no céu! Axé e Luz!

 

  • Luciano Milani, Editor do Portal Capoeira:

Pesquisador incansável, e confesso, um dos pilares motores do meu trabalho, Frede nunca irá deixar de estar presente em todas as rodas, encontros e onde quer que a nossa capoeira se fizer presente…

Frede era uma destas pessoas que fazia tanta pela nossa capoeiragem… fazia sem olhar a quem… fazia pelo simples e mais lindo dos motivos… fazia apenas por que tinha um coração enorme de capoeirista… repleto de vontade de compartilhar suas preciosidades… era capaz de abrir as portas de sua casa de forma apaixonada podia passar horas falando sobre a nossa cultura, nossa arte…

Foi assim que conheci Frede e me deslumbrei com o seu acervo, sua generosidade, a sua paixão e pluralidade por todas as manifestações da cultura popular….

 

  • Pedro Abib, Professor, Pesquisador e Colunista do Portal Capoeira:

O grande FREDE ABREU nos deixou na tarde de ontem. Tristeza enorme !!!

Um dos maiores conhecedores da nobre arte da capoeiragem…mas acima de tudo, um homem generoso, que a todos acolhia e ajudava. Minha dívida com ele é enorme !!!

Um ser humano daqueles que deixam marcas que não se apagarão jamais na sua passagem pela terra. Fique em paz, aí nas terras de Aruanda !!!!

 

Nós do Portal Capoeira prestamos a nossa homenagem assim como as mais sinceras condolências a todos os amigos e principalmente a família Abreu…. por esta perda.

Nestor capoeira: Encontros com grandes mestres – Caiçaras e Canjiquinha

Meu encontro com mestre Caiçaras

Mas nem tudo era “academicismo” entre os mestres mais reconhecidos de Salvador.  É verdade que os “valentões” e os “disordeiros”, os “bambas da era de 1922”, tinham sido desbancados pelos “educadores” como mestre Bimba, seguido de vários outros, entre os quais o famoso mestre Pastinha.Mas os disordeiros não partiram sem deixar herdeiros que eram encontrados nas ruas, no Mercado Modelo, etc.  O mais famoso entre eles era Mestre Caiçaras (Antonio Conceição Moraes, 1923-1997), “o dono da capoeira de rua”, com sua impressionante voz, grave e profunda.

O vozeirão de Caiçaras ressoava como o dos possantes cantores de ópera; tanto pelo volume, quanto pela afinação, e também por um natural e sadio exibicionismo.  Na música brasileira, seria o equivalente de um Orlando Silva – “o cantor das multidões” -, um Cauby Peixoto, ou um Nelson Gonçalves, que dominaram o cenário da música e do rádio com seus vozeirões, até aproximadamente 1960, quando foram finalmente destronados pela Bossa Nova com seus cantores de voz baixinha, suave e “intimista” como João Gilberto, Nara Leão, Tom Jobin, Vinicius de Moraes, etc. -, todos influencidos pelo jazz norte-americano e seus cantores cool, tipo Chet Baker. 
Mas Caiçaras não era apenas um falastrão cheio  de presepadas e (o que soava como) lorotas (aos ouvidos do iniciante): levantava sua camisa e mostrava a marca dos tiros,  das facadas, das navalhadas; cada uma com sua história, que ele contava de bom grado se o convidassem para beber uma cerveja gelada acompanhada de cachaça e tira-gosto.  Alem disso, no candomblé não se brincava com ele. As múltiplas e vistosas guias que adornavam seu pescoço taurino não estavam ali apenas para fazer bonito.

Quando o conheci – eu, um iniciante de 23 anos de idade; ele, um homem maduro e mestre renomado de 46 anos -, após inúmeras cervejas super-geladas (algo que não é sempre fácil  de achar em Salvador) e tiragostos variados, estávamos  sentados numa área de má reputação, do lado  de fora de um botequim pé-sujo – ele, sentado, balançando para a frente e para trás como se numa cadeira-de-balanço; eu, num banquinho -, quando subitamente uma patrulhinha da polícia brecou no meio da rua e dela desceu um sargento tamanho geladeira que, a passos largos, se encaminhou cheio de decisão na nossa direção.Eu trinquei.Fiquei mais gelado que a meia dúzia de louras que havíamos consumido.É que havia um pequeno problema.  Aliás, pequeno não: mestre Caiçaras segurava displicentemente, na mão repleta de anéis, um itaba di ungira de fazer inveja a qualquer charuto cubano de Fidel Castro.  Rapidamente, por entre os vapores alcoólicos – tínhamos temperado a cerveja com algumas bem servidas doses de cachaça -, e o fumacê da cannabis sativa, vislumbrei meu futuro próximo: ver o sol nascer quadrado por entre as grades de uma janelinha da penitenciária soteropolitana.

Olhei rápido para mestre Caiçaras e me preparei para o que desse e viesse.  Será que ele, com seu passado de rufião, ia dar testa aos homens da lei?  Ele continuava impávido no seu balanço na cadeira do bar, e a única atitude radical que tomou foi dar mais um profundo trago no charo, empestando mais ainda o odorífico do ambiente.O sargento chegou, parou em frente a Caiçaras, tocou um joelho no chão, traçou uns pontos riscados no chão, osculou a mão do mestre e pediu:- Sua benção, meu pai.Caiçaras, bateu a cinza do charuto e traçou, com a mesma mão enfumaçada, alguns sinais cabalísticos sobre a cabeça do sargento enquanto murmurava algumas frases em nagô.O sargento levantou-se, agradeceu, entrou na patrulhinha, e partiu.

Meu encontro com mestre Canjiquinha

Mestre Canjiquinha era conhecido por estar sempre de bom humor; era exímio contador de piadas com as quais recheava suas apresentações de capoeira, fazendo sucesso entre turistas e gringos. Mas isto despertava a ira (e inveja) de seus colegas, e o desprezo do estudioso purista; achavam que um mestre devia se enquadrar num “molde” de seriedade.Seus alunos, no entanto, o adoravam e apelidaram-no “a alegria da capoeira”.Waldeloir Rego, ao descrever as qualidades de cada mestre no Capoeira Angola (um livro de 1968 que marcou época, inaugurou uma nova fase dos estudo sobre capoeira, e é básico até hoje) -, cita uns 12 mestres que atuavam, ensinavam, e faziam apresentações para turistas, em Salvador na década de 1960 -, ressalta que Canjiquinha era jogador e ensinava “porém seu maior destaque é no canto e no toque”.Aliás, isto é um detalhe importante que vale a pena resaltar mais uma vez: em pleno 1968, quando o Grupo Senzala ja estava bombando no Rio; e as academias de Acordeon, Suassuna, Paulo Gomes e outros já estavam entupidas de alunos em São Paulo; Waldeloir cita apenas uma dúzia de mestres em atividade em Salvador e, destes, apenas mestre Bimba tinha alunos suficientes para (sobre)viver exclusivamente de capoeira – daí, a grande disputa para ser o mestre convidado a dar apresentações (pagas) pelo orgão oficial de turismo soteropolitano. Salvador é a “terra-mãe” da capoeira mas nunca deu mole para seus ilustres filhos que se tornaram mestres: para sobreviver exclusivamente de capoeira, são obrigados a viajar no Brasil ou exterior. E, mesmo hoje, não existe um só mestre em Salvador que tenha mais de 10 alunos baianos pagando mensalidades – e, daí, a disputa pelos alunos visitantes, brasileiros e gringos, que querem conhecer a “verdadeira capoeira baiana”.

É difícil para o capoeirista de nossos dias avaliar o peso e a importância que mestre Canjiquinha teve nas décadas de 1950, 1960 e 1970, na capoeira de Salvador e do Brasil: sua imagem, após sua morte, foi eclipsada pela luz de Bimba e Pastinha.Porque?Seus alunos não perpetuaram seu nome – não por descaso, mas pela própria natureza daquela rapaziada, em grande parte ligada ao mundo das ruas -,algo que também aconteceu com Waldemar e Caiçaras. Mas o currículo de Canjiquinha é revelador:Canjiquinha nasceu em 1925 no  Maciel de Baixo, zona de malandragem e prostituição; era, portanto, 36 anos mais novo que Pastinha, e 25 anos mais novo que Bimba. Ou seja, uma diferença semelhante à minha com meus filhos. Começou capoeira com Aberrê em 1935, aos 10 anos de idade. Em 1951, com 26 anos, era contramestre e dava aulas na academia de Pastinha.Foi goleiro do Ipiranga Futebol Clube (o preto-e-amarelo, cores que Pastinha escolheu para sua academia); foi cantor de gafieira; durante muitos anos, foi o responsável pelos shows de capoeira do orgão oficial de turismo de Salvador; organizou  e participou das cenas e rodas de capoeira dos filmes “Barravento” (dir.: Glauber Rocha); e “Pagador de Promessas” (dir.: Anselmo Duarte), que gannhou a “Palma de Ouro” do prestigiado Festival de Cinema de Cannes (França).

Estas participações, em filmes que se tornaram clássicos do cinema brasileiro, muitas vezes é lida rapidamente sem que o leitor se dê conta do peso que isto tinha nos 1950s/1960s. A televisão ainda engatinhava e o “cinema novo” era o ti-ti-ti de artistas, intelectuais, jornalistas, e do próprio governo que via o Brasil ser aclamado no badaladíssimo Festival Internacional de Cannes (depois do “Pagador de Promessas”, o Brasil nunca mais foi vencedor em Cannes, na França; nem tampouco no Oscar de Hollywood). No filme, a cena da roda de capoeira na frente da igreja de Santa Bárbara, a briga dos capoeiras com a polícia (que não queria que Zé do Burro entrasse na igreja carregando sua cruz), a morte de Zé do Burro e sua entrada na igreja, deitado morto em cima da cruz carregada pelos capoeiras e pelo povo, é o ponto alto do filme e tantalizou os gringos. Bimba foi campeão invicto em 1936 e criou e inaugurou a era das  academias; Pastinha foi ao Festival de Artes Negras em Dakar;  mas foi com Canjiquinha, no filme “Pagador de Promessas”, que o mundo, estupefato e fascinado, viu pela primeira vez a capoeira, tanto na sua forma “cultural” e “ritual” de roda, como na sua forma de luta e briga de rua.

Quando Canjiquinha abriu sua própria academia, apesar de ter sido  aluno de Aberrê e contramestre de Pastinha, não adotou a “tradicional” (e radical) capoeira angola de Pastinha; e também não aderiu à (radical) regional de Bimba. Canjiquinha tinha seu estilo próprio: jogava os ritmos lentos, mas preferia um jogo alto e rápido. Sua postura independente e seu “currículo” – jogador de futebol, crooner de gafieira, mestre de capoeira, profundo conhecedor do candomblé -, somados ao conhecimento da malandragem das ruas e das noitadas soteropolitanas, aliados a sua personalidade que fazia amigos rapidamente, tornou-o popular entre a juventude. E mais que isto: abriu os olhos de toda uma geração baiana mais nova, mostrando que a capoeira não era só Bimba e Pastinha. Mestre Canjiquinha também teve influência na capoeira paulista, a tal ponto que em 1981, quando Canjiquinha tinha 56 anos, mestre Brasília (São Paulo) criou, com o apoio  da Federação Paulista de Capoeira, o Troféu Mestre Canjiquinha em sua homenagem.

Eu não tive oportunidade de conversar e conhecer mestre Canjiquinha nas primeira vezes que fui a Salvador. Cruzei com ele algumas vezes, mas só fomos bater papo e nos conhecermos melhor em 1984 no Circo Voador, uma famosa casa de espetáculos do Rio de Janeiro, num grande encontro nacional que reuniu vários mestres da velha guarda de Salvador (João Pequeno, Waldemar, Canjiquinha, Atenilo, Onça-Tigre, Paulo dos Anjos, Gato Preto), e também mestres que eram jovens e hoje são uma referência  (Acordeon, Itapoã, Camisa – o organizador do encontro -, Moraes, Lua Rasta, o pessoal da Senzala, Mão Branca , Mulatinho, Edna, etc.), e grupos de oito estados – aliás, creio que este foi o último “grande encontro nacional” que reuniu a maioria das “pessoas importantes” da capoeiragem; depois disso, a capoeira cresceu tanto, e apareceram tantos novos talentos, que se tornou impraticavel um encontro com os nomes mais significativos. Me lembro que, neste encontro de 1984, Canjiquinha me deu uma entrevista que coloquei no meu segundo livro, Galo Ja Cantou (1985). Canjiquinha comentou que “sou velho (tinha, então, 50 anos) mas não vou escurecer a verdade, a capoeira melhorou em muitos aspectos”.

Na sua juventude, os golpes mais temidos eram a rasteira e a cabeçada; os golpes de pé eram mais lentos que agora, e não faziam muito estrago; mas “uma queixada destas de hoje em dia pode matar um”; em compensação, dizia Canjiquinha, a rapaziada tinha perdido “na parte da malícia e da visão de jogo”. Deste nosso primeiro bate-papo, felizmente alguém tirou uma foto que também publiquei no livro: sentados na mesa do bar do Circo Voador, Canjiquinha está explicando algum lance de um jogo, e em volta, atentos, estão Gato (da Senzala), Miguel (do Grupo Cativeiro),  eu (que tinha 38 anos de idade semelhante a Gato e Miguel), Cobrinha Mansa (ainda bem jovem), e João Pequeno.  “Bons tempos” diriam alguns, e Canjquinha certamente iria concordar; mas se estivesse vivo, com sua alegria de viver, é certo que diria que “o tempo melhor é agora”

Mestre Brasília: “50 anos sem tirar a mão do chão”

“Antonio Cardoso Andrade”, conhecido como Mestre Brasília, capoeirista e artista de primeira grandeza, é  uma importante figura no cenário de São Paulo. Além de mestre de capoeira, que ensina esta arte de origem negra para muitas gerações, é também pesquisador da cultura e criador de músicas e letras. Baiano de Alagoinhas, de família simples, trabalhou como sacoleiro de feira, transportador de água, sapateiro, funileiro, mecânico, pedreiro, pintor, etc. com 19 anos descobriu a capoeira como missão da sua vida e tornou-se discípulo do famoso Mestre Canjiquinha.

Logo foi convidado por seu mestre para realizar apresentações de capoeira em toda a Bahia e outros estados, atividades que desenvolveu durante seis anos. Em 1965 veio para São Paulo e abriu a Academia Cordão de Ouro com o Mestre Suassuna e,  um ano depois inaugurou o seu próprio espaço cultural, a Associação de Capoeira São Bento Grande, hoje ainsa em pleno funcionamento com o nome Capoeira Ginga Brasília.

A sua arte não ficou restrita ao Brasil, pois, desde a década de 70, tem-se apresentado em vários países e realizado cursos e oficinas no Japão, onde chegou a viver durante 3 anos, retornando várias vezes (1973, 1974, 1975, 1986, 2000, 2002, 2008, 2009, 2010), na Alemanha (1987), nos Estados Unidos (1995, 1997, 2008 ), na Itália ( 1999 ). Em 1990 lançou seu primeiro disco, “Ginga Original”, com músicas e letras de sua autoria. Seguiram-se outros trabalhos como Cds e DVD.

Ao longo da sua carreira tem também preparado atores de teatro, como é o caso da inesquecível peça “Capitães da areia”, baseada no célebre livro de Jorge Amado.

Mestre Brasília é contemporâneo de uma geração  brilhante de capoeiristas brasileiros: do lendário mestre Pastinha, do Mestre Waldemar, capoeirista, cantador e fabricante de berimbau, do Mestre Canjiquinha, seu mestre, que participou do “Barravento” e o “Pagador de promessas”, filmes de Glauber Rocha, do Mestre Caiçara um dos mais famosos mestres de Angola., Mestre Bimba, que criou a regional, e outros.

Mestre Brasília, ao longo de sua vida, tem sido um Mestre na acepção da palavra, pois orienta os seus discípulos não apenas passando seus ensinamentos artísticos e técnicos com regras morais de um bem-viver e conviver em sociedade, valores éticos, traço marcante de sua personalidade e de suas lições.

Uma longa e conquistada trajetória.
Neste ano, comemora 50 anos de capoeira, e realizou o evento “50 ANOS SEM TIRAR A MÃO DO CHÃO”.

ACANNE: Inalguração Centro Cultural Rene Bitencourt

Consciente da importância da capoeira para a população do Rio Grande Do Sul, bem como para a comunidade de Porto Alegre, eu, mestre Rene, como guardião  da memória ancestral da capoeira angola e por comungar da luta dos grupos que dera início a esse trabalho, formando uma diversidade capoeirística, venho como esses, somar o trabalho, dispondo da identidade da ACANNE, cuja herança ancestral adquirida dos mestres: Canjiquinha, Aberrê e Paulo Dos Anjos, que alicerça o jeito de ser, através do centro cultural mestre Rene Bitencourt, que tem como objetivo, promover atividades culturais, isto porque: Quando a capoeira não perde raiz ela introjeta lições, faz mestres e deixa legado

 

O SABOR DO SABER ANCESTRAL

 

Publicada por ACANNE em ACANNE – Associação de capoeira angola navio negreiro

Documentário sobre Mestra Cigana

O acervo cultural sobre a mulher na capoeira ganhará uma contribuição gigantesca: um documentário sobre a Mestra Cigana.

Com o excesso de chuva em Angra dos Reis no início do ano, foram perdidos muitos materiais sobre a Mestra. O documentário vem preencher esta lacuna e, além disso, quebrar paradigmas e preconceitos em relação à mulher na capoeira.

No momento, o documentário ainda está em fase de reunião de materiais. Serão coletadas fotos, vídeos, revistas, entre outros materiais e documentos. A busca estará focada na trajetória da Mestra, incluindo as cidades de Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Volta Redonda.

Quem tiver algum material sobre a Mestra Cigana, pode colaborar entrando em contato com a Contra-Mestra Arara pelo e-mail arara.duroes@bol.com.br

História

Fátima Colombiano, a Mestra Cigana, nasceu no Rio de Janeiro, mas começou a praticar capoeira em Belém do Pará, com o Mestre Bezerra, em 1970. Na época o preconceito contra a mulher capoeirista era ainda maior e mais evidente. A mulher que praticava capoeira era malvista pela sociedade e, com isso, durante muito tempo Fátima era a única mulher nas rodas que frequentava.

Em 1975, Fátima conheceu o Mestre Canjiquinha, em São Paulo, e com ele seguiu para Salvador. Após cinco anos de treinamento, segundo informações do blog Filhos de Mestra Cigana, Fátima foi a primeira mulher a se formar Mestra de Capoeira no Brasil.

De volta ao Rio de Janeiro, Mestra Cigana abriu em 1980, a Associação de Mestre Canjiquinha, em Volta Redonda, onde teve mais de 100 alunos.

Impedida de ensinar capoeira em escola, Mestra Cigana se formou em Educação Física para conquistar este objetivo. Hoje é também formada em Filosofia e Pedagogia.

Mais tarde, fundou a Associação Cigana Capoeira, onde se graduou cerca de 20 instrutores. Mestra Cigana também presidiu a Federação de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro.

Fontes: 

 

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

 

 

Homenagem: Mestre Canjiquinha: “A Alegria da Capoeira”

Homenagem Portal Capoeira

"A Capoeira é alegria, é encanto, é segredo"

Em homenagem à Washington Bruno da Silva (Mestre Canjiquinha), o Portal Capoeira exalta o Mestre, propondo a toda comunidade capoeirística "A ALEGRIA NA CAPOEIRA"

Um mês dedicado a Vida e Obra deste Grande Homem e Mestre de Capoeira.

Dia 25 de Setembro, Canjiquinha iria completar 82 anos, se estivesse "fisicamente vivo"…

Washington Bruno da Silva, nasceu em Salvador (BA), em 25 de Setembro de 1925, filho de D. Amália Maria da Conceição. Aprendeu Capoeira com Antônio Raimundo – o legendário Mestre Aberrê. Iniciou-se na Capoeira em 1935, na Baixa do Tubo, no Matatu Pequeno. "No banheiro do finado Otaviano" (um banheiro público). Filho de lavadeira, Mestre Canjiquinha foi sapateiro, entregador de marmita, mecanógrafo. Dentre outras atividades foi também jogador de futebol (goleiro) do Ypiranga Esporte Clube, além de cantor de boleros nas noites soteropolitanas.

 

Leia mais sobre o Mestre Canjiquinha…

Outras Referências Importantes:

Documento Histórico: Canjiquinha a Alegria da Capoeira

Videos: Aula de Mestre Canjiquinha – 1ª Parte e 2ª Parte

Galeria de Videos:

Mestre Canjiquinha: Circo Voador, Rio de Janeiro, 1984

Entrevista curta com o Mestre Canjiquinha

Capoeira em cena – Mestre Canjiquinha

Na semana de 25 de Setembro, vamos todos formar uma grande roda… Vadiar em homenagem ao Mestre e celebrar os 82 anos de sua "Vida e Alegria para a Capoeira"

É assim que devemos ver… apesar de não estar neste plano, ele continua vivo, na essência da própria Capoeira!!!

Sugestão do Portal Capoeira: Na caixa de Pesquisa do site (localizada na parte superior esquerda) digite: Mestre Canjiquinha e na próxima tela selecione o campo "todas as palavras"

Video: O pagador de promessas

Continuando com a publicação de mais videos disponibilizados pela camarada Teimosia, agora é a vez do Cinema Nacional (1962).
Um pequeno trecho do filme "O pagador de promessas" (primeira versão, 1962), onde há uma roda de capoeira na porta da igreja.
Entre os participantes do filme estão Mestres Canjiquinha, Paraná, Gigante e Zoião.
 
O pagador de promessas.
 
 {youtube}PJpKawSXlG4{/youtube}
 
Cortesia: Bruno Souza

Video: Aula do Mestre Canjiquinha: Capoeira (Parte 1)

O primeiro de uma série de videos, disponibilizados pelo camarada Bruno Souza, conhecido na capoeiragem como Teimosia, que iremos publicar semanalmente…
 


Mestre Canjiquinha e seus alunos em uma roda de capoeira.
(Parte 1)
{youtube}8vzhS-iCBAk{/youtube}
 
Cortesia: Bruno Souza
 
Para assistir a 2ª parte, clique aqui.

Canjiquinha: A alegria da Capoeira

Mais uma excelente novidade para toda a comunidade capoeirística!!!

O camarada Bruno, mais conhecido na capoeiragem como Teimosia, preparou uma versão em PDF do Livro: "Canjiquinha: A alegria da Capoeira", este livro nos foi enviado pelo Querido Mestre Decanio, uma das mais fantásticas figuras da Capoeira que defende a democratização da informação… para o Mestre, boa informação é aquela que é transmitida…

Desta forma a tríade vem  funcionando em perfeita harmonia e trazendo para a capoeira e para os amantes desta "arte" muita cultura e informação…

Fica a dica de uma ótima e importante leitura, aproveite!!!