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Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial

Anne Nathielly subiu ao pódio no 9º Campeonato Mundial de Capoeira do Muzenza

Pouco depois de uma semana que o Piauí virou notícia nacional com a escolha de Monalysa Alcântara como Miss Brasil, outra piauiense eleva o nome do Estado ao se tornar vice-campeã no 9º Campeonato Mundial de Capoeira Munzenza.

 

A jovem capoeirista Anne Nathielly, a Boneca, como é conhecida no mundo da capoeira, integrante do grupo Raízes do Brasil/JF-PI, competiu neste sábado 26 de Agosto no 9º Campeonato Mundial de Capoeira realizado pelo Grupo Muzenza, que aconteceu em Fortaleza-CE, com atletas do mundo inteiro.

 

Boneca, capoeirista piauiense é destaque em competição mundial Capoeira Mulheres Portal Capoeira

Maria Clara Melo acompanhada das capoeiristas que ficaram em 1° e 3° lugar na competição (A direita com a medalha de 2° lugar)

 

Boneca esteve representando José de Freitas a nível mundial e não voltará a sua terra de mãos vazias, pois a mesma consequiu medalhar, conquistando a terceira colocação, ficando entre as 3 melhores do mundo em sua categoria.

Contemplações: Capoeira e Política

Antes de começar, gostaria de falar diretamente à você, leitor (pelo menos, espero que tenha alguns). A vida de um colunista é meio isolada: a gente começa cada vez de novo com um papel em branco, e confìa nossas palavras ao mundo digital sem ver ou escutar a reação do público. Será que eles entenderam o que eu queria dizer? O que eles pensaram sobre isso? Será que eles lêem mesmo?

Então, aqui gostaria de dizer que como colunista, eu adoro ter reações, positivas ou críticas sobre os temas, das colunas. Isto pode ser feito no site mesmo, onde o Portal Capoeira tem a possibilidade de reagir, mas também em mensagem privada, por exemplo no capofilosofo[a]gmail. Eu acho que é importante ter feedback, para manter contato com o mundo em que a gente escreve.

Esses últimos dois meses eu estive (e ainda estou) viajando pelo Brasil, por razões óbvias: a capoeira. Ao lado de rever amigos, conhecer novos lugares, pessoas, escolas e estilos de capoeira, essa viagem também faz parte de uma pesquisa empírica que estou fazendo para o meu doutorado, que se trata de teoria política, educação e capoeira.

Viajando pelas cidades tenho encontrando várias pessoas, capoeirista ou não, envolvidas nos movimentos negros, feministas, anti-sexistas ou pela paz; estou vendo como estes assuntos também estão sendo tratados em vários grupos de capoeira. Porque, a capoeira é uma reflexão da sociedade onde ela está, pois não? Andando por um país onde a presidenta legítima, foi impedida de terminar seu mandato devido à um processo definido por muitas pessoas como um golpe de estado. Onde o presidente atual se encontra numa situação de impunidade, construída pelo próprio parlamento, apesar de várias denúncias. Num país, que se desdobra a corrupção, onde uma nova lei de trabalho é instalada, diminuindo ainda mais os direitos e condições dos trabalhadores; um país que é o berço da capoeira. Me lembrei de uma frase que ouvi em várias formas, e vários lugares: que “a capoeira não é – ou tem – política.”

 

Deixa-me primeiro esclarecer a última contestação: Eu acho bastante incoerente. Alguma coisa que podemos demonstrar facilmente com a história de capoeira: talvez a gente não consiga definir exatamente o que é a capoeira, mas a gente sabe qual foi a situação em que ela nasceu. Vários historiadores e antropólogos já pesquisaram e escreveram sobre a história da capoeira, e muitos livros e textos, acadêmicos ou não, já foram escritos tratando o assunto. Foi uma situação de cativeiro, de banzo, de opressão e de violência. Nada novo aqui.

É por isso que vários mestres falam que a capoeira nasceu de uma ânsia de liberdade; liberdade dessa opressão, da escravidão, e da violência. Nesse aspecto, é talvez contestável ver a capoeira em si como um movimento político, igual um partido político ou até um movimento popular como o abolicionista. Mas acho, que devemos ver a capoeira como uma manifestação política em si. E não só no Brasil. Agora, para poder abordar isto melhor, é necessário primeiro explicar o que eu entendo pela palavra ‘política’.

O uso popular da palavra política normalmente é entendido em um desses dois sentidos: o primeiro é o sistema governamental de um país, estado ou cidade, o segundo as interações entre pessoas e/ou institutos que são motivados por algum interesse material ou ideológico: o que é chamado, às vezes, também de jogo de poder.

Mas, se vemos o conceito de política que pensadores políticos de hoje como Jacques Rancière ou Alain Badiou dão à palavra política, fica difícil entender essas definições ainda como verdadeiramente política. Caso, a gente pense que a palavra ‘política’ deveria ser conectada com um conceito de verdade.

Um pequeno problema aqui, é a língua portuguesa: onde a palavra ‘política’ é tanto substantivo, adjetivo ou advérbio. Quando, por exemplo, no Inglês há ‘politics’ e ‘the political’, para indicar duas coisas diferentes. ‘Politics’, para o uso da palavra ‘política’, a qual eu considero o processo de governar um país, estado ou cidade; e as interações motivadas pelos interesses pessoais ou institucionais que acontecem em nosso dia-dia.

The political’, que aqui traduzo como ‘o político’ por falta de outras palavras, não tem nada a ver com essa definição. ‘O político’, seguindo autores como Rancière1 e Badiou2, é aquele que de repente aparece numa situação como algo que sempre pertencia numa situação, mas nunca era incluído em termos de consideração, porque não era contado como tal, era excluído. Como por exemplo, as pessoas refugiadas que ficam ilegais num país, não são incluídas na contagem de cidadãos deste país. Mas como eles pertençam a essa situação (eles estão lá), no momento em que eles aparecem, o aparecimento deles exige que eles sejam incluídos, e isso força a situação: dividindo a situação existente entre as partes que incluem esse ‘novo’ elemento, e aqueles que não o incluem. Assim, mudando a situação.

Nessa perspectiva, o político é algo que sempre discorda com a situação existente, porque foi excluído disto, não foi contado, mesmo pertencendo a ela. No momento que esse elemento surge e exige ser incluído, ele mexe com a nossa percepção da situação e da realidade, e a transforma. Porque se faz necessário o espaço de inclusão daquele elemento na nossa percepção. A partir desse conceito de “político”, vemos uma diferenciação com o que chamamos de política.

 

A capoeira tem bastante intimidade com a política: seja com as políticas internas dos grupos ou entre grupos, seja com os seus procedimentos e relacionamentos no campo governamental: as políticas municipais, estaduais, nacionais e até internacionais, como por exemplo o reconhecimento pela ONU como patrimônio cultural imaterial da humanidade, ou as tentativas de regulamentação da capoeira pela lei em vários países. Nesse aspecto, a capoeira não é política (e na minha opinião nem deveria ser), mas interage com, e às vezes está sujeita à, ela.

No segundo conceito, “o político”, a capoeira é um “político” sim, ou pelo menos oferece espaço para ele aparecer: como manifestação popular e cultural, ela sempre deu palco e representou o marginalizado, o excluído, aquele/a que não foi contado, mas pertencia à sociedade. Hoje em dia ela ainda tem essa função como plataforma, como um lugar onde “o político”, o oprimido, pode se manifestar.

Eu acho, que é por esta razão, que hoje em dia existe uma simbiose entre movimentos como o movimento negro, feminista, ou da paz, e a capoeira. Porque ela, a capoeira, sempre foi e será uma manifestação do “político”, que no momento foco nesses movimentos.

Mas se ela é uma plataforma para “o político”, talvez seja a hora de a gente começar a pensar como se posicionar diante ela. Porque “o político” pode aparecer, mas para poder mudar algo, ele precisa de um sujeito: aquela/e que dá continuação naquilo que apareceu e que foi visto.

 


1 Ler por exemplo Rancière, J. (2010) Dissensus: On Politics and Aesthetics, transl. S. Corcoran, London, Continuum.

2 Ler por exemplo Badiou, A. (2005) Metapolitics, transl. J. Barker, London, Verso.

Capoeira e informação ao longo da história

Capoeira e informação ao longo da história: A busca por conhecimento sobre a “nega mandingueira”

Em meados dos 80, quando a capoeiragem passou a fazer parte de minha vida, acesso a informação sobre nossa arte era algo quase que impossível. Quem tinha livro, disco, fita cassete, revista, cópia de jornal que aparecia a capoeira não emprestava. Tudo era “negociado” a peso de ouro.Em meados dos 80, quando a capoeiragem passou a fazer parte de minha vida, acesso a informação sobre nossa arte era algo quase que impossível. Quem tinha livro, disco, fita cassete, revista, cópia de jornal que aparecia a capoeira não emprestava. Tudo era “negociado” a peso de ouro.

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira

Lembro-me quando Mestre Miguel Machado chegou em Piracicaba-SP com algumas poucas cópias do disco em vinil do Mestre Ezequiel. Em 5 minutos os que estavam em frente ao “escritório” (i.e. boteco da esquina) pegaram suas cópias. Lá estavam Mestre Valtão (Valter Farias), Mestre Boca (Oswaldo Negretti), Gabriel, eu e meu mano “Cabeludo”, Candinho que foi meu primeiro professor, diversos outros camaradas e, é  claro, nosso saudoso Mestre Cosmo. Tal disco influenciou muito nossa parte rítmica em cantada, pois desde então, diversos amigos “emprestaram” cópias em fita cassete. O jovem Mestre Vaguinho (Vagner Farias), discípulo de Mestre Valtão, até hoje ouve o disco. Tanto é que, Mestre Moreno (Almir José da Silva) [ou Morenias], chama Vaguinho de Ezequié Paulista.

Voltando ao assunto principal, para se conseguir um livro emprestado era um sacrifício. Lembro-me de quando Mestre Cosmo conseguiu um xerox do livro “Capoeira Angola – ensaio sócio-etnográfico” (1968) de Waldeloir Rego foi um deus nos acuda. Todos queriam ter cópia, mas faltava “cascaio”. Logo, “xerocávamos” apenas o capítulo introdutório, que já era um grande ganho. Tal livro, na época atual e hoje merecendo uma releitura, suscitou muitas discussões nas sucessivas reuniões “no escritório” da R. Voluntários.

A era das listas de discussões

Dando um salto cavalar na história sobre a busca por informações, por volta dos anos 2000, a moda era as Listas de Discussões. Ali se discutia de tudo sobre nossa arte: a) onde “nasceu” a capoeira; b) se um mestre era mestre mesmo ou não; c) se pertencia ou não a uma determinada linhagem; d) capoeira é esporte, cultura etc?;  e) se a capoeira iria ou não para as olimpíadas; f) qual a formação correta e quais os instrumentos da capoeira primitiva.. e la nave vá…

Duas grandes figuras neste processo foram os camaradas Mestre Jerônimo/Austrália e Alberto de Bauru (na época fazia parte da Confederação Brasileira de Capoeira-CBC). Jerônimo recarregava suas energias na Bondi Beach/Sydney, enquanto seu computador ficava 24h por dia recebendo mensagens. Chegava ele no computador e lá vinha algo para despachar. As vezes o repasse era tranqüilo, mas vez ou outra ele tinha que “matutar” se enviava ou não a mensagem. Ele mesmo dizia abertamente: Vocês fazem as besteiras com a capoeira ai no Brasa, e eu aqui na AUS que tenho que decidir se circulo ou não os assuntos? Bastava um clique e o ebó circulavam pelos sete mares por meses – tem mensagem que circula até hoje.

O Jornal do Capoeira e o Portal Capoeira

Em 2004 lancei o Jornal do Capoeira [1]. Foi uma experiência super gratificante, pois na ocasião estabelecemos uma rede de mais de 30 colaboradores espalhados pelo Brasil e pelos Brasis afora. André Lacé, Tonho Matéria, Benedito Bené, Vagner Astronauta, Luciano Milani, Leopoldo Gil Vaz, Sérgio Vieira (FICA), Mestre Squisito, Leticia Vidor, Marieta Borges Lins e Silva, Eurico Barreto Viana, Jose Luiz Cirqueira “Falcão”, e tantos outros.

Durante o processo o amigo Luciano Milani, que começou a capoeira em São Paulo nos idos dos 80, na época radicado em Mogadouro, Portugal, entra em contato e faz uma proposta. Ele, mestre nas artes internéticas, tinha um projeto audacioso: criar um portal multifuncional para documentar nossa arte. Foi uma grata surpresa, pois embora o Jornal do Capoeira funcionasse como um “semanário” da capoeira – sim, toda 2a feira uma nova “edição” virtual ia ao ar – ele estava limitado a textos e fotos. Foram meses de interação com o amigo Milani até que PortalCapoeira [2] “pegou”. E pegou para ficar! Em 2006, por motivos de estudo de doutorado, meu projeto Jornal do Capoeira [com suas mais de 1000 matérias, crônicas, notícias, clássicos da literatura etc] precisou ser paralisado.

E desde então, tanto as listas de discussões por emails, alimentadas pelos Mestres Jerônimo, quanto o PortalCapoeira.com são as fontes mais “sólidas” de informação acessível a todos “pelo mundo afora, camará..”.

Vez ou outra, quando surge alguma dúvida, é no Jornal do Capoeira, no PortalCapoeira ou nas Listas de Discussões (todas tem repositórios arquivados continuamente) que busco primeiro as informações.

Capoeira: estudar é preciso

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira 1

Hoje pela manhã, enquanto revisava um artigo científico de um de meus alunos de doutorado sobre conservação do Mico Leão Dourado, recebo um questionamento do Prof. Verga (Ederson Renato), responsável pelo ensino de jovens capoeiras do projeto “Brincando de Gingar”, da entidade Legião Mirim/São Pedro-SP, sob coordenação de Waldir Campos:

“Miltinho, onde eu busco mais informações sobre a influência do samba de roda, samba de recôncavo e outras vertentes musicais sobre a musicalidade da/na capoeira?”

E complementa: “Estou aqui navegando entre o Jornal do Capoeira e PortalCapoeira com meus alunos, mas gostaríamos de adentrar mais no assunto”

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira 2

Como ponto de partida sugeri adquirir o livro-CD-DVD “A cartilha do Samba Chula”, ouvirem as gravações “O Recôncavo Baiano: Samba em Roda” [3] e “Samba de Dona Dalva Damiana”. Claro, tem muita fonte riquíssima e que deve ser pesquisada. Mestre Raimundinho, um excelente cantador da Capoeira Angola no Estado de São Paulo, lembra que seu amor pela arte de cantar veio da infância, quando ele ainda criança se reunia na casa de amigos de seus pais para recitar contos vindo da literatura de cordel. Fica a dica!

Enquanto finalizo esta crônica sou interrompido pelo porteiro eletrônico. Por correio, recebo –em primeira mão um– um exemplar do livro “Capoeira: uma Arte Indígena do Brasil – Fundamentos e Tradições”, de autoria do Contramestre Pelicano (Douglas Tessuto), Grupo Muzenza de Santa Gertrudes. Claro, o assunto é bem provocativo, o que, certamente, vai suscitar inúmeras discussões nas próximas décadas. Voltarei ao assunto tão logo tenha lido o livro.

Capoeira e informação ao longo da história Capoeira O Capoeireiro Portal Capoeira 3

O livro é uma compilação de informações que Pelicano reuniu em mais de 20 de pesquisa, e tudo respaldado por entrevistas e documentos históricos. O lançamento oficial vai ocorrer em breve durante o Mundial Muzenza, em Fortaleza/CE.

Vai daí que, a leitura do livro, é um ótimo ponto de partida para todos os membros da Liga Rioclarense de Capoeira. Afinal, não é sempre que alguém “da região” publica algo que pode dar um “sacode” na historiografia de nossa arte.

 

Capoeira e informação ao longo da história: A busca por conhecimento sobre a “nega mandingueira”

 

Iê dá volta ao mundo. Iê dá volta ao mundo, camará…

 


  • [1] www.capoeira.jex.com.br
  • [2] http://portalcapoeira.com/
  • [3] https://www.youtube.com/watch?v=eeTeLqMhOdY
  • [4] https://www.youtube.com/watch?v=LpT0SDz-gx0

 

Livro Mandinga em Manhattan: Como a Capoeira se espalhou pelo mundo

Livro Mandinga em Manhattan: Como a Capoeira se espalhou pelo mundo

Quando, a hoje jornalista, escritora, fotojornalista e capoeirista Lucia Correia Lima vivia seus 15 anos, o Brasil vivia em plena ditadura militar. Em 1968 foi levada por colegas do Movimento Estudantil Secundarista para treinar capoeira, na escola do Mestre Suassuna, no centro de São Paulo, aonde chegou “exilada” com seus pais militantes humanistas, fugidos da Bahia para abrigo na imensidão da maior cidade da América do Sul. A luta-arte afro-brasileira era uma “arma” para enfrentar os tempos cinzentos que se instalou no país por vinte e cinco anos.

Semelhante aos pioneiros capoeiras do século XIX, Lucia é presa com 16 anos, pois alguns de seus colegas aderem a romântica e suicida “luta armada”, contra a ditadura. Muitos foram mortos, exilados ou presos. Seu mestre Suassuna, um deles. Mas Lucia discorda da luta armada vai trabalhar na revista Realidade, da Editora Abril, quando na equipe da edição Amazônia, recebe o prêmio Esso de Jornalismo. Em seguida inicia carreira na chamada imprensa alternativa, quando compondo a equipe da revolucionária revista Bondinho, recebe o Esso de “contribuição à imprensa”. De volta à Bahia, atua nos principais jornais de Salvador, como a Tribuna da Bahia e Correio da Bahia, assina textos e fotos. Deixa na imprensa baiana sua marca quando opta pelo fotojornalismo. Período em que passa pela sucursal baiana de O Globo e retorna à capoeira.

Indo morar no Centro Histórico da primeira capital do Brasil, se inscreve para as aulas do lendário mestre João Pequeno de Pastinha. Lá surge o livro Mandinga em Manhattan. A escola do velho mestre estava repleta de jovens de todos os continentes. A capoeira, já no meio da década de 1990, trazia ao Brasil jovens de todo o mundo, mas, poucos sabiam que junto ao Candomblé e o Samba, havia se transformado uma das mais importantes manifestações da cultura brasileira.

A capoeirista e jornalista vive esta expansão, realizada sem nenhuma ajuda governamental, embora a UNESCO recentemente tomba a “roda de capoeira” como patrimônio mundial. No período em que Lucia Correia Lima pensa o livro, este tema era uma extravagância. Lucia teve que dar uma rasteira no preconceito e transforma sua ideia em um documentário: cria o título Mandinga em Manhattan e recebe o prêmio nacional DOCTV. Do Mistério da Cultura. Em 2008.

A ideia do livro retorna com a transcrição das longas entrevistas do documentário. Com o mesmo título, a publicação é selecionada pelo edital Capoeira Viva, também do MinC. Depois de novas entrevistas e enfrentamento da burocracia nos órgãos públicos, finalmente o trabalho é editado. Contem vinte e uma entrevistas com os pioneiros mestres responsáveis pelo espalhar a capoeira pelo mundo. Além de estudiosos como o Dr. Ubiratan Castro, do escritor Ildázio Tavares; da etnomusicóloga Emília Biancardi, da etnolingüista Yeda Pessoa de Castro, dos ex-ministros Gilberto Gil e Juca Ferreira, entre outros.

Fundamental no livro de Lucia são os depoimentos dos mestres que fizeram da capoeira sua fonte de trabalho e pesquisa. Jelon Vieira, abre a primeira escola de capoeira em Nova York em 1975. Entra para a história da luta-arte afro-brasileira; o Mestre e médico Decâneo, dá sua última entrevista em vida; Camisa é um “boing” que viaja pelo mundo, sendo recebido com reverência; Suassuna perdeu a conta de quantos grupos tem fora do Brasil; mestre Amém, levou a capoeira para a poderosa indústria do cinema de Hollywood; Acordeom colocou a capoeira nas mais tradicionais universidades da Califórnia, e muitos outros. Entre as falas dos estrangeiros estão o sociólogo Kenned Dossar, o antropólogo Greg Downey, aluno de mestre João Grande, recebido na Casa Branca, para homenagem.

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O trabalho da baiana foi produzido pela Fundação Gregório de Matos, de Salvador, está sendo distribuído por diversos países via os grupos internacionais. Foi lançado em Salvador; na escola do MST de Vitória da Conquista, em Inhambupe e será apresentado em evento internacional com capoeiras de mais de 60 países, de 9 a 13 de agosto deste ano, nos 50 anos da escola Cordão de Ouro em São Paulo. No clube da Eletropaulo, com programação no site. No dia 11, sexta feita as 15hs Lucia Correia Lima fará palestra sobre a concepção do livro e documentário Mandinga em Manhattan, este um prêmio do DOCTV, administrado pela Fundação Padre Anchieta de São Paulo. No Rio de Janeiro, o livro será apresentado na escola Abadá Capoeira de 23 a 27 de agosto. O trabalho deve ser relançado em Salvador ainda em 2017. Ainda em agosto deste ano a autora foi convidada para lançar seu trabalho em Santo André, também com palestra e exibição do documentário.

 

Jolivaldo Freitas – Jornalista

DRT: 1241-BA

Festival de Capoeira de Santos – 2017

Festival de Capoeira de Santos – 2017

A Capoeira vem sofrendo um processo de pluralidade cultural ao longo do tempo,  em  Santos, uma cidade histórica  que ressalva o patriarca da independência José Bonifácio ou o Quilombo do Jabaquara,  o segundo mais populoso do Brasil, liderado pelo Major Quintino de Lacerda é um exemplo disso.
Necessidade do negro escravizado no Brasil Colonial, transformado em cultura popular, esporte, hoje trmos um viés que respeita toda a ancestralidade dos brilhantes precursores Mestre Sombra, Mestre Bandeira/Corisco reunindo o saber popular com o saber acadêmico educacional.
Convidamos a todos que gostam e querem ver essa atividade cada vez mais desenvolvida em todo segmento da sociedade a conhecer nossa programação, que terá oficinas com mestres renomados como José Andrade, Valdenor, Parada, Ribas, Elias (USA), Gladson, Pedro Cunha e Márcio.
Festival de Capoeira de Santos - 2017 Capoeira Eventos - Agenda Portal Capoeira 1

 

PROGRAMAÇÃO FESTIVAL DE CAPOEIRA DE SANTOS 2017

17/7-15h: Pré-Abertura “Circuito Lúdico Técnico de Capoeira”
Equipe Capoeira Escola

17h: Aula Aberta “Capoeira de São Paulo para o Mundo ”
Mestre Zé de Andrade

Centro de Atividades Integradas De Santos  (CAIS Vila Mathias)

19h: Abertura Oficial
“A relação, as influências  e as contribuições recíprocas da Capoeira de Santos, do ABC e de São Paulo”.
Mestre Zé Andrade
Mestre Valdenor
Mestre Gladson
Mestre Santana
Mestre Parada
C. Mestre Zé Luiz
Mestre Ricardo Hadad

Câmara Municipal de Santos

18/07-10h “Aeroginga Funcional ”
Equipe Capoeira Escola
Praça das Bandeiras – Praia do Gonzaga

19h-“Capoeira de Arte Criminalizada a Desporto de Criação Nacional”
Oficina com Mestre Valdenor e Profa. Lisandra Cortes Pingo
Ginasio Dale Coutinho/Centro Esportivo da Zona Noroeste
Ingresso: 1kg de alimento

19/07-15h: “Capoeira na 3.° Idade”
Equipe Capoeira Escola
Espaço Idoso/Aparecida

19h: “Capoeira Santista ”
Oficina com  Mestre Ribas
Ginásio Antônio Guenagua “Rebouças
Ingresso: 1 brinquedo em bom estado

20/07-10h: “HidroCapoeira”
Equipe Capoeira Escola
Piscina do Centro Esportivo da Zona Noroeste

19h: “Capoeira da Senzala- Iê Viva Mestre Bahia”
C. Mestre Chininha e C.Mestre Valter Complexo Esportivo M. Nascimento
Ingresso: 1 produto de higiene pessoal

21/07-15h: “Capoeira Artesanal”
Equipe Capoeira Escola
Horto Florestal Chico Mendes

19h: “A capoeira e sua evolução no Mundo ”
Mestre Parada e Mestre Elias (USA)
Ingresso: 1 produto de limpeza

22/07-9h30: “Caminhada com Musicalidade e Roda”
Posto 2 à Concha Acústica

15h: “A interdisciplinaridade da Capoeira”
Mestre Márcio
Sesc Santos

23/07-15h: “Capoeira Para Todos”
Mestre Márcio
Sesc Santos

20h: “Festival Cultural”
1.Federação Paulista de Capoeira
2.Capoeira Santista
3.Capoeira Progresso
4. Capoeira Escola
(50 convites por grupo)
Ingresso: 1kg de alimento

24/07 -Capacitação 1
17h: Contexto Histórico “Brasil Colonial”
Prof.° Dr. Alberto Schineider
19h30: “Capoeira e os benefícios de sua Musicalidade ”
Prof.° Ms. Rogério Gogó de Ouro

FEFIS UNIMES
Ingresso: 1 agasalho

25/07-Capacitação 2
17h: ” Contexto Histórico Os Capoeira e valentões de São Paulo”
Prof.° Ms. Pedro Cunha
19h30: A Capoeira como ferramenta psicomotora de cidadania”
Mestre Gladson/C.Mestre Vinicius Heine
FEFIS UNIMES
Ingresso: 1 produto de higiene pessoal

26/07-Capacitação 3
17h: “A interdisciplinaridade da Capoeira como ferramenta inclusiva”
Mestre Márcio
19h30: Encerramento “Roda Para Todos”
FEFIS UNIMES
(Vagas limitadas para capacitações, 50 vagas, apenas mais graduados  e educadores)

Convites para o Festival Cultural e Capacitação:
www.facebook.com/festivalcapoeirasantos ;

Alguns destaques:

Abertura com diversos secretarios de Santos e principais mestres do Estado de SP 17/07 19h na Câmara Municipal.

Capoeira para Terceira Idade 19/07 as 15h no Espaço Idoso

Capoeira Para Todos com Inclusão de pessoas com deficiências  domingo 23/07 14h no Sesc Santos

Oficina Mestre Parada e Mestre Elias (USA) na Fefis 21/07 19h

Festival Cultural com 5 apresentações no Teatro Guarany 19h30 23/07.

Capacitação na Unimes de 24 a 26/07 18h em diante

Contamos com sua divulgação e cobertura…por favor.
Atenciosamente,  Mestre Marcio
Coordenador do Festival de Capoeira de Santos.

Regras e Tradições

Regras e Tradição

Capoeira é beleza, capoeira é tradição…capoeira tem fundamento, capoeira é vibração” A tradição é um conceito importante no mundo e discurso da capoeira; a gente fala por exemplo da tradição que tem que ser mantida e respeitada, a tradição das vertentes da capoeira Angola ou Regional, ou os rituais dentro da tradição.

Assim, a tradição é explicada como algo que tem que ser seguido, não só porque sempre foi assim, mas porque dá uma certa estrutura, que no fim – contrariamente – nos dá uma certa liberdade: de controle, de disciplina e de autoconhecimento por exemplo. E que deixa o jogo acontecer, como falei no último texto.

Então enquanto a gente se movimenta ‘dentro da tradição’, está tudo bem: dentro da tradição existe uma certa liberdade, mas porque a gente precisa da tradição, e porque seguir os deveres nela? Porque não podemos logo partir para a liberdade?

Na verdade, na filosofia e na psicologia existe a consciência de que uma liberdade absoluta não existe, e se existe, de fato não é a liberdade. A liberdade existe sempre ao lado de algo que a limita.[1] Sabem na psicologia que uma liberdade sem limites, por exemplo a liberdade de poder escolher tudo que se quer, leva a uma ansiedade. A criança que é criada sem nenhuma regra, depois tem muitas problemas de auto-controle, e de construir uma vida própria. A pedagogia consiste em ajudar a criança em crescer e se desenvolver, e isto é feito com a aprendizado de negociar com os limites.

 

Limites portanto, são deveres. E a tradição também tem seus deveres. Fiz um teste. Tenta fazer um ‘pesquisa de palavra’ num grande documento de músicas de capoeira, e conta quantas vezes a palavra ‘tradição’ e ‘regra’ aparecem: ‘tradição’ encontrei várias, ‘regra’ somente uma: “..Mas se ficar inventando regras vou chamar o meu advogado..”

A regra não parece fazer parte do discurso lírico da capoeira, e mesmo assim tem várias regras na capoeira, regras escritas e não-escritas. Muitas delas justificadas para ajudar a ‘manter a tradição’. Então como é que é isso?

Vários (as) mestres (as) que entrevistei, costumaram explicar a regra como algo imposto, que diz o que tu podes e não podes fazer. Enquanto à tradição é algo voluntária, onde você faz porque você quer; porque dá prazer e uma sensação de criar uma certa liberdade. Tudo bem, mas deveres são deveres, não é? Você pode ou não pode. E há varias regras que estão lá para respeitar a tradição, pelo menos segundo eles que defendem-lhes. Qual a diferença então?

De fato, a tradição está dentro de um sistema maior, que determina a cosmovisão do mundo. Enquanto a regra é norma, a tradição tem ‘regra’ também, mas a função dela na tradição é diferente; suporte a perspectiva da vida. Enquanto a regra como norma é para deixar funcionar um determinado sistema.

 

Quando a gente entra numa casa que não é a nossa, precisamos respeitar as regras da casa, igual como nas escolas de capoeira. Porque a gente sabe que quando nós não fazemos, isto cria confusão e é um sinal de desrespeito. A regra é então da casa, mas respeitar essas regras da casa, não é uma regra em si: é uma tradição, que cria uma sociedade mais agradável, onde todos tem o seu espaço. O que ajuda o nosso bem estar. Uma outra analogia será um explicação dado a mim uma vez assim: a tradição é ter berimbau na roda de capoeira, uma regra é ter 3.

 

Regras são introduzidas, inventadas às vezes, por uma escola ou vertente de capoeira, mas isto não automaticamente quer dizer que fazem parte da tradição da capoeira. Voltando para o exemplo do berimbau, a regra de ter três berimbaus na roda respeita e segue a tradição de ter berimbau na roda. O numero de três não fazia parte desta tradição, vendo que há vários exemplos de grupos e escolas de capoeira onde usava mais ou menos berimbaus, dependendo das possibilidades, necessidades e preferências. E todos sabem que mestre Bimba só usava um.

Mas quem sabe, talvez um dia 3 berimbaus será tradição. Porque como as regras são postas ou inventadas seguindo as necessidades e preferências de quem lhes faz, também a tradição não é algo fixa pela eternidade. Uma tradição também se evolui.

 

O filósofo Escocês MacIntyre nós explica que a tradição na verdade é um argumento estendido pelo tempo em que algumas concordâncias são definidas e redefinidas, pelos debates externos e internos.[2] Voltamos para o exemplo do berimbau, teve um época, no início do surgimento da capoeira, onde não havia berimbau quando a capoeira era jogada. Há vários documentos históricos para testemunhar esse fato. Mas, como várias outras manifestações da cultura afro-brasileira – como o batuque e o samba de roda – a execução é feita em roda, com música e dança, consistindo de diferentes instrumentos e canto. Ter musica na roda é então uma tradição até mais antiga, podemos dizer. Mas também podemos ver que o debate não termina nunca, vendo agora também o acrescentamento de surdo e triangulo (e antigamente o violão) nas rodas de capoeira.

Segundo MacIntyre, tratando-se de tradições rivais, o relativismo não seria uma perspectiva de assimilação ou diálogo entre estas tradições rivais.[3] Ou seja, pode-se acabar em rupturas absolutas, onde nenhum debate entre as duas tradições ou vertentes acontece mais. Podemos ver isto como um risco real entre as vertentes de capoeira Angola e regional ocorrido nós últimos 15-20 anos , que hoje em dia parece estar diminuído.

 

Um debate entre tradições é então muito mais profundo e com conseqüências maiores, de que um debate entre regras; muitas vezes o debate sobre regras é baseado somente em uma tradição.

 

As regras ‘universais’ da capoeira – que incluem tanto o uso de uniforme e/ou abada, graduações e títulos, etc. – foram introduzidas na tentativa de oficializar a capoeira numa época (1920), aonde a tendência era desenvolver o aspecto esportiva da capoeira, indo por lado de dô e a pratica no ringue.

Essa tendência aparece dentro um contexto, aonde a capoeira se depara com uma concorrência forte com as lutas Japoneses, o boxe e o savate na época, como o historiador Matthias Assunção nos conta.[4] Uma das conseqüências foi a luta regional Baiana, que mestre Bimba então criou; mas paralelo ao trabalho de mestre Bimba já existia várias outras tentativas de esportizar a capoeira. Com o apelo do governo nacionalista, houve uma tendência em reduzir a capoeira aos seus movimentos ofensivos e defensivos, eliminando aspectos ritualísticos e simbólicos (que é algo cultuado dentro a tradição), a sua musicalidade original e a prática e aprendizagem baseados na tradição oral. Gerando sistematizações, baseadas em regras e princípios oriundos de uma prática didática esportiva.

A gente conhece as críticas – justificadas ou não -, que depois surgiram contra a ‘militarização’ ou a ‘esportização’ da capoeira; regras que foram vistas como não características da capoeira, especialmente no âmbito da competição. Hoje podemos ver um desenvolvimento parecido no ‘empreendedorismo’ dentro a capoeira. Mas a idéia de ter regras na capoeira não foi atacada em si mesmo. Enquanto elas mantiverem a tradição, parece estar tudo bem.

 

Hoje em dia – talvez com o resultado das pesquisas e a realização de que ‘a união faz a força’ – haja uma maior realização de que no fundo a capoeira está inserida numa tradição cultural própria, que é baseada na tradição afro-brasileira. Uma tradição que as varias vertentes de capoeira partilham. Uma arte em que os praticantes segue uma tradição que – entre outras – cria um relacionamento com pessoas de uma outra forma que na sociedade diária; e assim dá mais liberdade aos praticantes de se movimentarem dentro desta sociedade. Uma tradição que tem deveres que são seguidos pela própria vontade e prazer, porque sentimos que nos faz bem. Cada casa tem regras que devem ser respeitados, segundo as tradições de nossa sociedade. Mas isto não quer dizer que estas regras definam a tradição da capoeira.

regul[1]


[1] Pode se explicar um pouco como a idéia que não existe o bem sem existir o mal, agora, depois há varias maneiras de ver o que é o ‘mal’; certo é que é um conceito moral, mas pode ser de uma falta de ação ou de negação, até uma ação grave, como matar ou manipular alguém.

[2] MacIntyre, A. (1988) Whose Justice? Which Rationality? Notre Dame, University of Notre Dame Press. P. 12

[3] Idem.

[4] Assunção, M. (2012) Ringue ou Academia? A emergência dos estilos modernosda capoeira e seu contexto global. No: História, Ciências, Saúde – Manguinhos. Rio de Janeiro. http://www.scielo.br/hcsm

Museu Itinerante Balaio da Capoeira

Museu Itinerante Balaio da Capoeira

Velho ônibus escolar roda pelo Brasil divulgando a arte marcial brasileira criada pelos escravos

Pilotado por Mestre 90, o museu itinerante tem até navalha de Cintura Fina

 
Nesta grande roda da capoeiragem… neste mundo de meu Deus… cada qual é como cada qual… assim é Mestre 90 e seu #balaiodacapoeira!!!

 

No começo dos anos 1970, época de sua fabricação, ele fazia a linha Centro-Carrefour Contagem. Na década seguinte, passou a servir ao transporte escolar e circulava pelos bairros da Região Oeste de Belo Horizonte – Grajaú, Gutierrez e Barroca. Por volta de 2003, assumiu função inusitada: virou museu, viajando para vários cantos de Minas Gerais e para fora do estado. Estamos falando de um ônibus Mercedes-Benz de 1972 – apelido “Dino”, alusão aos dinossauros. “Com mais de 40 anos, ele roda que é uma beleza. Tudo é original de fábrica. Precisa ver que maravilha é o motor”, celebra o proprietário do “balaio”, Rudney Ribeiro Carias, de 61 anos, o Mestre 90, um dos ícones da capoeira em Minas Gerais.

Capoeirista desde menino, ao longo dos anos Mestre 90 foi acumulando não só conhecimento, mas milhares de objetos relacionados à arte, que mistura esporte, luta, dança, cultura popular, música e brincadeira. “A maioria de nós só se preocupava em jogar. Eu não. Jogava e guardava qualquer coisa ligada à capoeira, porque sempre fui muito organizado. Daí a ideia de criar um museu. Hoje, tenho cerca de 4 mil itens no meu acervo. O interessante é que fui criando a consciência nas pessoas de guardar coisas ligadas a essa manifestação. Muitos dos meus companheiros fornecem material para o museu”, ressalta.

O acervo conta com livros, revistas, quadros, fotos, discos, berimbaus e outros instrumentos, além de armas usadas nas rodas. Uma delas é a navalha que pertenceu ao travesti Cintura Fina, mito da zona boêmia de Belo Horizonte nos anos 1950. Ficou famoso pelas brigas, era temido pela destreza com que manejava a navalha, sempre amarrada a um cordão. “Ele foi muito valente, mas a gente não tem provas de que foi capoeirista. Porém, o Cintura faz parte da história das rodas e das lutas da cidade”, explica Mestre 90.

Depois de se aposentar como motorista, ele decidiu aproveitar o veículo escolar com o qual ganhava a vida para preservar a história da capoeira. “Já que as pessoas não vão muito a museu, decidi levar o museu até elas. Nunca ganhei nada com a capoeira. Pelo contrário: sempre gastei muito (risos). Mas não me arrependo e daí a ideia de criar esse espaço”, destaca Mestre 90, que conta com a colaboração dos mestres Gaio, Luiz Amarante (Mineiro) e Toninho Cavalieri.

Sempre que é convidado para algum evento, o capoeirista leva o ônibus. Quando o “busão” chega, vira festa. “Ele é uma grande novidade. As pessoas, sobretudo a criançada, ficam fascinadas. O comentário que mais ouço é: nossa, não sabia que a capoeira tinha tanta coisa e tanta história”, repara.

 

 

A divulgação da iniciativa tem apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 2012, a pedido dos mestres, o historiador, documentarista e videomaker Daniel Porto elaborou o projeto Museu Itinerante Balaio da Capoeira, contemplado no Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI). Daniel participa da Rede Catitu Cultural, associação em defesa de artistas e mestres populares voltada para conhecimentos tradicionais e étnicos.

“Recebemos recursos para fazer toda a catalogação e identificação do material, realizamos um documentário e agora aguardamos para reformar o ônibus e inaugurá-lo oficialmente junto ao Iphan. Vai deixar de ser o ônibus do 90 e se transformar num museu de verdade, com sustentabilidade. Vai sair por aí visitando escolas e instituições, cair na estrada mesmo. A expectativa é de que isso ocorra este ano”, afirma Daniel Porto. O Iphan informa que tem interesse em concretizar a iniciativa e aguarda alguns trâmites burocráticos para viabilizá-la. Porém, não há data definida.

Museu Itinerante Balaio da Capoeira Cidadania Curiosidades Portal Capoeira 1

“Mestre 90 fez algo fantástico. Se você não contar a sua própria história e a história do seu grupo, ninguém vai contá-la. Se você não se organizar para resguardar sua memória, ninguém fará isso. Daí a importância de um projeto como este”, conclui Daniel Porto.

MUSEU DA CAPOEIRA
Visitas agendadas e informações: (31) 99997-69473.

 

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba”

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba”

Carlos Carvalho Cavalheiro: ‘Notas para a História da Capoeira em Sorocaba’

O livro foi contemplado pelo Edital PROAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro "Notas para a História da Capoeira em Sorocaba" Eventos - Agenda Portal Capoeira 1

 

O livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba (1850 – 1930)”, de autoria do escritor e historiador Carlos Carvalho Cavalheiro foi lançado no dia 10 de junho (sábado), às 15h, na Biblioteca Infantil de Sorocaba.

 

Resultado de quase 20 anos de pesquisa, a obra trata do desenvolvimento da luta capoeira numa cidade do interior de São Paulo. O ineditismo da pesquisa serviu de base para outros pesquisadores, como Pedro Cunha que publicou sua dissertação de Mestrado, “Capoeiras e valentões”, no ano de 2015.

 

Esse mesmo pesquisador escreveu o prefácio para Cavalheiro, evidenciando que seu livro “consolida um trabalho pioneiro”, iniciado em fins da década de 1990, e que seus estudos “vem inspirando diversos outros pesquisadores como eu a romperem o silêncio da historiografia da capoeira”.

 

Já o apresentador do livro, o escritor e pesquisador André Luiz Lacé Lopes, deixa em evidência que “Mais do que consagrar de vez um espaço para Sorocaba no Mundo da Capoeira, Cavalheiro, talvez até de modo inconsciente, faz com que o seu livro, em princípio concentrado no período de 1850/1930, ajude a entender ainda mais o Brasil de todas as épocas, inclusive o Brasil de hoje”.

 

 Estudo inovador

 

 Ao iniciar as suas pesquisas sobre a capoeira paulista, em 1998, Carlos Carvalho Cavalheiro inaugurou uma linha de pesquisa inovadora, saindo do eixo tradicional do Rio-Bahia-Pernambuco, e concentrando-se não apenas no território da Província e depois Estado de São Paulo, mas, sobretudo, procurando os vestígios dessa arte/luta da capoeira em Sorocaba, cidade interiorana.

 

Com isso, Cavalheiro trouxe aspectos do cotidiano da cidade, cujo contexto explica melhor a existência da capoeira na cidade. As fontes consultadas pelo historiador demonstram uma cidade sulcada pelas relações tensas entre grupos sociais, cujo ápice se dá na emissão de leis (Posturas Municipais) que procuravam coibir as práticas populares, acima de tudo afro-brasileiras, das quais a capoeira é uma das expressões máximas.
“Mais importante que provar a sua existência nos séculos passados é entender o porquê da capoeira ter existido em Sorocaba naqueles idos”, comenta o historiador.

 

O livro de Carlos Carvalho Cavalheiro, “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba” foi contemplado pelo edital do PROAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. O fato de ter sido contemplado por esse importante programa de incentivo à cultura define, de certa forma, a importância da obra para o entendimento da história da capoeira, tanto em Sorocaba como para o Estado de São Paulo. Foram impressos 1000 (mil) exemplares da obra, que deverá ter parte doada para diversas bibliotecas e, ainda, outra parte disponibilizada para venda a interessados no assunto. O projeto foi apresentado ao PROAC pela Editora Crearte, a qual editou o livro. Com 270 páginas, repletas de informações e ilustrações, a obra será comercializada a preço abaixo de mercado, por R$ 20,00. A ideia é tornar o livro mais acessível ao grande público.

 

O autor

 

Carlos Carvalho Cavalheiro nasceu em maio de 1972, em São Paulo. Residente em Sorocaba, o autor é professor de História na cidade de Porto Feliz, trabalhando na EMEF. Coronel Esmédio.
Autor de mais de duas dezenas de livros, Cavalheiro tem publicado obras que tratam da História e da Cultura Popular regionais, mas também obras de ficção. Mestre em Educação pela UFSCar, é ainda graduado em História, em Pedagogia e Bacharel em Teologia.
Possui ainda Especialização em Gestão Ambiental e em Metodologia do Ensino de História. É colunista dos jornais “Tribuna das Monções” e “Jornal ROL”.

 

Fonte: Jornal Rol.

Praça Nelson Mandela tem aula grátis de capoeira para crianças

Praça Nelson Mandela tem aula grátis de capoeira para crianças

Iniciativa é um desdobramento do movimento ‘Ocupa Praça Nelson Mandela’, promovido pela Associação de Moradores e Amigos de Botafogo

RIO — As crianças que forem à Praça Nelson Mandela, em Botafogo, quarta-feira, entre 17h e 17h30m, poderão participar de uma aula gratuita de capoeira. A atividade usará o método “Brincadeira de Angola”, criado pelo Mestre Ferradura, com ênfase na aprendizagem significativa através de brincadeiras.

A iniciativa é um desdobramento do movimento “Ocupa Praça Nelson Mandela”, promovido no início de maio pela Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (Amab) com o objetivo de cobrar reforços na segurança da praça e, ao mesmo tempo, iniciar um processo de revitalização da área.

De acordo com números do Instituto de Segurança Pública (ISP), o número de roubos a transeuntes disparou no intervalo de um ano na área da 10ª DP, que abrange os bairros de Botafogo, Humaitá e Urca. Em março deste ano, foram registradas 88 ocorrências, contra 30 no mesmo período de 2016, o que representa uma alarmante alta de 193%. Em relação a fevereiro de 2017, mês em que foram registrados 40 roubos a transeuntes, o crescimento desse tipo de crime foi de 120%.

 

ver também:

  • CAPOEIRA ANGOLA EM BOTAFOGO – AULAS PARA INICIANTES

 

Fonte: O Globo

Berlin – Integração e muita capoeiragem

Berlin – Integração e muita capoeiragem

Como sempre, esta complexa e multicultural capital Europeia, proporciona experiências únicas… Reencontrar amigos… Sentir os sons, saborear as cores… Digerir o ímpar e prolixo emaranhado sócio cultural… Berlin sempre Berlin!

Terra de muita vadiação… terra das diversas tribos… terra de capoeira, candomblé, afoxé e muito axé!!!

No meio de tanta pluralidade Berlin se destaca pelo vasto leque de opções pela sua ofegante e prolixa disritimia do CAOS… por suas rodas movidas por pernas… e pelas pernas movidas por rodas…

Mestre Saulo, que já reside em Berlin há mais de 30 anos foi o criador de um conceito de evento de capoeira que só poderia vir de dentro deste ser humano ímpar… o NOSSO ENCONTRO, por seu formato único e informal, inspirou até o mestre Umoi a “importar” o formato para Portugal, na cidade de Évora.

Agora quem segura o leme do Encontro em Berlin, é o meu grande amigo e parceiro Mestre Bailarino, que deu nova roupagem e um novo nome: INTEGRAÇÃO BERLIN.

Fica aqui algumas imagens e momentos do encontro…

Bichinho da Roda

Na capoeira temos de ter aquele bichinho… Aquele que tem fome de jogo… Aquele que se alimenta da energia da Vadiação… As vezes temos de ter a ousadia de pedir aqueles que admiramos, por tudo aquilo que já fizeram e ainda irão fazer para e pela capoeiragem, um simples: “Mestre me dá a honra de dar um pulinho”… As vezes é mais do que suficiente para que esse mesmo bichinho seja alimentado da forma intensa e verdadeira… Obrigado Mestre Bocka Bocka, Capoeira Angonal, pela capoeira eu poder jogar…

 

 

Roda de encerramento do evento. Contramestre Milani, Professor Fungui, Professor Dackour, Professor Caranguejo, Chino. #capoeira #capoeiragem #naestrada #berlin #roda #rodaboa