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Mestre Ferradura em Portugal – Aula Aberta e Roda de Capoeira

Mestre Ferradura em Portugal Aula Aberta e Roda de Capoeira

 

Dia 1 de maio no Porto

 

Dia 5 de maio em Sintra – Lisboa

 

Mestre Ferradura

Mestre Omri Ferradura Breda preside o IBCE e é uma das grandes referências mundiais no campo da Capoeira-Educação, ministrando desde 1995 classes regulares para a Educação Infantil em diversas escolas e projetos e sendo continuamente chamado para dar palestras e cursos em Universidades e cursos de formação de professores por todo o mundo.

Formado pela Escola de Capoeira Angola do Mestre Marrom – RJ, Mestre Ferradura dirige a Equipe de Capoeira-Educação Brincadeira de Angola, formada por professores experientes na área de Capoeira-Educação, com formações em pedagogia, fisioterapia, educação física, psicomotricidade, psicologia, música, teatro, circo e arte-educação. É neste ambiente interdisciplinar que se planejam os projetos educacionais aplicados em diversas instituições.

Seus artigos – “A capoeira como prática educatica transformadora”, “A Capoeira como prática pedagógica na Educação Infantil” e “Capoeira e educação libertaria para a formação de sujeitos autônomos” foram escolhidos pela Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro para representar a Capoeira no campo da educação.

Mestre Ferradura foi também escolhido pelo SESC Nacional para ministrar o Curso de Formação Continuada em Capoeira Infantil Brincadeira de Angola para todos os SESCs do país, como pode ser conferido neste link.

Mestre Ferradura em Portugal - Aula Aberta e Roda de Capoeira Capoeira Portal Capoeira

Na área artística, carrega na bagagem trabalhos de direção de capoeira em diversos campos, com nomes como Ariane Mnoucchkine (Diretora do Teatro do Soleil-Paris), Karim Anouz (Diretor do filme Madame Satã), Claudio Balthar (Diretor da Intrepida Trupe), Paola Barreto Leblanc (Diretora do filme Maré Capoeira) e João Falcão (Diretor da “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque).

O QUE É CONTRIBUIÇÃO CONSCIENTE? 

A contribuição consciente é uma forma de pagamento que oferece a cada um de nós uma rara oportunidade de escolher o quanto vai pagar por um serviço recebido, de acordo com sua avaliação a respeito da qualidade, dos benefícios que serão obtidos e de sua condição financeira atual.

Essa forma de pagamento garante que todos possam ter acesso ao conhecimento, independente da própria situação financeira. Incentiva a reflexão sobre o que cada um de nós escolhe apoiar e nutrir com o nosso dinheiro e questiona a valorização da arte.

 

PORTO DIA 1 DE MAIO

SINTRA – LISBOA DIA 5 DE MAIO

AULA E RODA ABERTA A TODOS…

Para participar, basta chegar e contribuir de forma consciente.

NÃO PERCA ESTA OPORTUNIDADE!!!

 

 

No Porto apoio logistico:

Mestre Ferradura em Portugal - Aula Aberta e Roda de Capoeira Eventos - Agenda Portal Capoeira 1

 

 

 

Em Lisboa apoio logistico/hospedagem:

Mestre Ferradura em Portugal - Aula Aberta e Roda de Capoeira Eventos - Agenda Portal Capoeira

7 Frases Que Você NUNCA Deve Dizer A Um Aluno

1. “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”

A pior das frases que um professor pode dizer a um aluno tem base em uma ideia obvia, mas muitas vezes deliberadamente ignorada: o exemplo vale mais do que as palavras.

Sabemos que quando apenas falamos algo a um aluno, desacompanhado do exemplo prático, a absorção das palavras é mínima. Imagine agora se esta mínima absorção for contrariada pelo exemplo.

Já foi extensivamente pesquisado que o cérebro grava melhor informações associadas, e que por isso, quanto mais variados forem os estímulos, maior será a aprendizagem.

Quando nos comportamos de maneira coerente com nosso discurso, o aluno recebe não apenas um estímulo auditivo, pois nosso comportamento vem acompanhado de cheiro, movimento, visualização e, mais importante, repetição. O bom exemplo reiteradamente exibido pelo professor implanta um ideal a ser seguido pelo aluno.

Resumindo: se você quer que seu aluno siga certas ideias, aplique-as em sua vida pessoal.

 

 2. “O aluno tem que se adaptar à Capoeira, não o contrário”

 

A Capoeira é como água. Se adapta a tudo. Se está num copo, toma a forma do copo. Se está na garrafa, se adapta a ela. Condensa-se, vira gelo, evapora. Toma a forma de rio, de oceano ou de chuva e mesmo assim sempre encontra um jeito de continuar sendo água.

Se não fosse assim, não teríamos tantos estilos, tantas escolas e tantas manifestações diferentes, como Capo-Jitsu, Capoeira Gospel, Capo-Terapia ou campeonatos diversos convivendo com rodas tradicionais, jogos improvisados ou apresentações de artistas de rua. Tampouco teríamos Capoeira sendo ensinada para idosos, pessoas com necessidades especiais ou crianças.

Dizer que o “aluno tem que se adaptar à Capoeira” é geralmente uma maneira do professor se eximir de encarar sua própria dificuldade em relação às peculiaridades de determinados aprendizes que desafiam sua capacidade de adaptação.

Talvez fosse bom aprendermos com a Capoeira a sermos mais “água”, tornando-nos “professores líquidos” capazes de responder às necessidades específicas de cada aluno ao invés de sermos “professores rochas”, encastelados em nossas posições.

 3. “A Capoeira é para todos, mas nem todos são para Capoeira”

 

 

Esta frase, exaustivamente repetida, é comum a diversas atividades, como esportes ou religiões.

 

 

Podemos entender que o ensinamento filosófico pretensamente apresentado se refere à necessidade do esforço individual, por parte do aluno, para se tornar, de fato, um membro reconhecido na comunidade.

Mas o que a frase não explica é: quem seria a pessoa que poderia determinar quem “é” e quem não “é” para a Capoeira? Quais são os critérios para definir um capoeirista “de verdade”?

Quando proferida por um professor, a frase traz em si uma declaração de veracidade sobre si próprio e uma dúvida sobre os demais. Botar em xeque a autenticidade dos alunos reforça a legitimidade do professor como alguém que “é para a Capoeira”, enquanto os alunos seguem imersos na dúvida sobre suas próprias condições.

Qual o objetivo disso, se não exercer um narcisismo exacerbado? Qual a função de colocar os outros em dúvida sobre suas legitimidades?

Talvez poderíamos trocar a frase para “A Capoeira é para Todos e Todos São Para a Capoeira. Inclusive Você!”

 

4. “Faço assim porque aprendi assim”

 

Essa frase segue a linha do “Bato nos meus filhos porque também apanhei, e nem por isso virei bandido”.

Da mesma forma que a pessoa que apanhou não virou bandido APESAR das pancadas, e não DEVIDO a elas, a pessoa que é ensinada de forma errada ainda assim pode aprender corretamente, simplesmente porque buscou o correto por conta própria.

O problema é que o aluno oprimido tende a reproduzir os erros pedagógicos quando se torna professor, repetindo novamente o ciclo de opressão-reprodução.

Isso não quer dizer que devemos jogar fora todos os ensinamentos de uma pessoa somente porque ela erra em alguns pontos, mas si que devemos filtrar as informações e escolheremos o que queremos reproduzir.

O conhecimento sobre a pedagogia evoluiu muito nas últimas décadas e a neurociência continuamente vem provando que bons estímulos cognitivos estão aliados a experiências prazerosas e não a relacionamentos opressivos.

O professor de Capoeira do século XXI não pode continuar sendo um reprodutor de modelos pedagógicos herdados do militarismo do século XIX. Temos que basear nossa didática em métodos que funcionam e em estratégias eficientes e transformadoras no campo emocional, social e político no qual o aluno está inserido.

A tradição existe para ser repetida em seus acertos, não em seus erros. Muitos comportamentos opressivos ainda seguem em voga no nosso meio, em nome de uma suposta tradição. Repetindo comportamentos do passado, que já estão “ultra-passados”, arcaicos e anacrônicos, não iremos promover nenhum tipo de revolução.

Por exemplo: antigamente as pessoas ajoelhavam no milho quando desobedeciam os professores, e nem por isso aprendiam melhor. Erros existem para aprendermos com eles, não para repeti-los.

Continuar os erros do passado em nome de uma suposta tradição é, no mínimo, preguiça pedagógica.

 

5. “No meu tempo era diferente”

 

Esta frase, em teoria, não apresenta problemas, pois obviamente todo tempo é diferente do outro. Como na alegoria do rio que nunca passa duas vezes no mesmo lugar, tudo está sempre em constante mudança.

No entanto, implicitamente essa frase traz sub-leituras, como: “No meu tempo era tudo mais verdadeiro”; “No meu tempo é que era bom”; “No meu tempo é que havia respeito” etc.

E o curioso disso é que a mitificação do “antigo” acontece em todos os “tempos” e lugares. Como na cantiga “Alegria do vaqueiro é ver a queda do boi, alegria do velho é dizer quem ele foi” o “velho”, independentemente de sua idade – sim, há velhos que são cronologicamente jovens-, está sempre falando sobre o passado para desmerecer o presente.

A pergunta que fica é: se a pessoa está viva, como pode falar sobre o “seu tempo” se ela está vivendo o momento de agora? Talvez a resposta seja que sua cabeça vive no passado, por dificuldade de se adequar ao presente.

Ao repetirmos infinitamente esta frase, passamos a ideia de que já somos passado e que os “áureos tempos” que vivemos nos fizeram ser melhores do que nossos alunos são. Nada poderia ser mais falso, pois no caso específico da Capoeira, nunca houve tempo melhor.

Se há 100 anos o capoeirista podia ser preso por “capoeirar”, hoje em dia é recebido com louvor em todos os cantos, seja em universidades e palácios governamentais, seja em comunidades populares ou em centros culturais.

Ainda há muito a melhorar e muitas barreiras a quebrar, mas mitificar uma “idade do ouro” que nunca aconteceu não ajuda a lutar por um presente melhor.

 

 6. “O aluno tem que respeitar o mestre”

 

Há um ditado que diz que é possível forçar um cavalo a um rio, mas não pode-se força-lo a beber de sua água. Exigir respeito é como exigir que o cavalo beba água.

Respeito é um conceito que implica em construção coletiva, não em obediência cega. É uma via de mão dupla, ensinada pelo exemplo. Se o mestre respeita os alunos; os mais velhos respeitam os mais novos e os alunos respeitam-se entre si, obviamente o mestre será respeitado pelos alunos também.

Eu não tenho como cobrar respeito do meu aluno, pois somente ele pode construir essa atitude para comigo. Mas eu tenho como respeitá-lo, mostrando com atitudes que levo em consideração sua presença, seus sentimentos e suas necessidades.

O ambiente a ser construído numa escola de Capoeira deve ser de respeito mútuo e de respeito a regras que beneficiem o coletivo. Desta forma o conceito será vivido por todos, não precisando ser mencionado.

Um líder que “exige respeito” dos alunos não respeita nem mesmo o próprio papel, portanto não tem como exigir respeito de ninguém.

 7. “Se machucou porque não treinou”

 

Essa é a clássica desculpa do professor para eximir-se de sua responsabilidade quanto a integridade física dos alunos.

A cena acontece assim: um jogo de Capoeira transcorre normalmente até que um dos jogadores resolve soltar um golpe a um milhão por hora. O golpe pega e machuca o outro jogador. O machucado vai ao hospital (geralmente sozinho) e volta remendado depois de alguns dias. O que machucou é isentado de responsabilidade, pois era a obrigação do machucado sair do golpe. Se não saiu, é porque precisava ter treinado mais, diz o professor, do alto de sua sapiência.

O aluno aceita a explicação e continua na Capoeira e um dia se torna professor, repetindo o mesmo ciclo por causa do tal “ensino como aprendi”. E nessa brincadeira as lesões vão pipocando por todo lado e muitos bons capoeiristas abandonam a arte por não quererem se machucar.

A ideia de que a Capoeira é uma “arte marcial” como a luta greco-romana ou um “Esporte de Combate” como o boxe leva a um discurso “guerreiro” que serve somente para desresponsabilizar o líder da aula sobre as lesões dos alunos.

 

O professor deve ter em mente que qualquer machucado ocorrido em sua aula é sua co-responsabilidade.

Independentemente de ter sido uma fatalidade ou um golpe intencional o aluno estava sob a sua supervisão e por isso não pode ser responsabilizado sozinho por algo que aconteceu coletivamente.É importante que haja um código de conduta no qual estejam previstos os comportamentos desejados pelos praticantes e o zelo com o corpo dos demais.

Em breve escreveremos novo artigo falando sobre golpes proibidos em nossas rodas!

Vamos fechar este artigo com uma fala que poderia ser facilmente escutada em muitas escolas de Capoeira:

E aí, o o que você achou? Deixe seu comentário e compartilhe este texto com os colegas!

Axé!

Ferradura

Évora, um novo capítulo na Capoeira. O verdadeiro encontro de Bambas!

Évora, um novo capítulo na Capoeira. O verdadeiro encontro de Bambas!

Um novo tempo… ou o resgate dos velhos tempos??!!

Após minha participação no último Nosso Encontro em Évora, incrível cidade medieval portuguesa, tombada e conservada com seu ancião estilo urbano, mantendo inclusive seus muros tradicionais da época, em setembro último (2017), me recolhi na expectativa de relatar o que vi e vivi naqueles dias que ali estive. Era um impasse que me colocava num dilema: ou o que eu vi estava completamente fora da realidade da capoeira atual, ou nós, lato senso da capoeira, estamos equivocados em algum ponto!

Pensei, pensei e repensei…!
O que está errado com a nossa Capoeira…!?
Évora, me trouxe uma felicidade e, ao mesmo tempo, uma angústia…!
Me fez perceber que estamos fazendo uma coisa errada, des-encaminhando nossa capoeira para rumos equivocados e provavelmente sem volta!

Mas demorei muito procurando a maneira certa de falar sobre isso…!
Não quero briga com nossos milhões de felizes jogadores de perna, hoje chamados de capoeiristas, espalhados pelos quatro cantos do Brasil, como também mundo afora!
Não quero criticar ninguém!

Quero apenas ser sincero e se possível útil a essa Arte Secular que abracei e que me abrigou em seu seio generoso de verdades, de mandingas e de tanta energia!

Estava ali, vendo aquela roda cheia de estrangeiros, em plena Praça do Giraldo, Centro de Évora, onde uma centena de pessoas disputavam, tanto a oportunidade de se expressar naquela roda, ou simplesmente assistir e se deleitar, com os jogos que iam acontecendo, contagiando a todos com sua beleza e, principalmente, com a emoção que despertavam…!

Emoções fortes rolaram…
Quedas incríveis…!
Entradas perfeitas e saídas competentes… no tempo milimetricamente certos…!
Havia algo que eu não via há longo tempo. E nem me considero tão antigo assim!
Havia um equilíbrio, uma verdade de roda e uma aceitação diferenciada pelo prejuízo que alguém levava durante os jogos!

Onde andaria esse espírito de jogo… que ninguém interrompe quando o jogo flui…?
Onde estariam esses nossos bambas de capoeira, que aceitam quando tomam um prejuízo e não se tornam – como se tornou comum – agressivos…!!?
Onde estariam nossas rodas de capoeira em que todos vibram com os jogos, mas não tentam desprezar quem levou desvantagem?

Eram muitas perguntas que me vinham.

Mas faltava uma questão básica:
o que havia de estranho em nossas rodas de capoeira desde o início da Capoeira Regional de Mestre Bimba, e essa realidade que estamos vendo proliferar nas nossas rodas…!!??

 

 

Algumas luas depois de minhas inquietações, eu finalmente entendi o que estava errado:

  • Estamos traindo a causa primeira que Mestre Bimba viu na capoeira, a da objetividade… do jogo efetivo… o jogo de resultado… o fim da capoeira estéril, falsa, sem força e sem expressão… vendida em qualquer esquina do planeta hoje… sem disciplina e sem profissionalismo!

Pois a verdade é que estamos vendo prosperar uma capoeira sem graça!
Estamos misturando nossa necessidade de nos expressar, de nosmostrar nas rodas, de uma forma tão sem sentido, que a maioria dos jogos não dura nem o tempo mínimo para acontecer alguma coisa: alguém já corre e compra…!! É como se a gente quisesse dizer: eu não jogo, mas não deixo ninguém jogar!!!!

Convenhamos…! Precisamos rever isso. Antes que seja tarde!!

Temos excelentes atletas na capoeira…!
Temos excelentes capoeiristas, mas esses que tem essa competência não têm oportunidade de fazer um jogo bonito… alguém compra em poucos segundos seu jogo!!

O que Évora me mostrou foi mais de uma centena de pessoas educadas, capazes de abrir mão de seu próprio ego, para assistir um bom jogo, reunidas num mesmo evento…!!

Vi mestres criativos e organizados, que não interrompiam um jogo bonito, que sabiam a diferença entre um jogo comum e um especial, cheio de magia, de efetividade e, para mim o melhor, o gol no jogo…! o resultado… ou pelo menos momentos de grande vibração…!!

O que vi também foi uma razão para estarmos perdendo tantos bons capoeiras para outras artes-marciais: não estamos permitindo que ninguém desenvolva um bom jogo de capoeira! Esses jogos são fundamentais para desenvolvermos nossa capacidade de obter resultados no nosso aprendizado!!

Também acontece que, ao apagarmos o brilho dos jogos de nossa capoeira, nos tornamos sem graça para a platéia. Jogamos para uma plateia alheia que vê uma roda de capoeira e a compara com todos os outros esportes radicas.

Quem não estiver me entendendo, prestem atenção nas rodas que acontecem pelos quatro cantos: nenhum jogo dura mais de 5 segundos… quando muito!!! Aí eu me pergunto: como vamos desenvolver nossa Arte se ninguém tem tempo suficiente para se manifestar…!? Sem poder fazer acontecer um jogo de decisão,  um jogo bonito??

Infelizmente estamos a cada dia perdendo o brilho de nossa Arte. E enquanto não revertermos essa situação a capoeira estará caminhando somente para o seu extermínio enquanto Arte e esvaziada de seus maiores conhecimentos: a Arte da Sobrevivência no meio de uma situação difícil…!

Depois de alguns meses em que estive naquela atmosfera de bambas do povo, sem estrelas, apenas capoeiristas de brilho, como deve ser, ainda sinto os ecos daqueles momentos e percebo que esse evento (2017) não foi um acidente. Isso se acumulou nos anos que Évora vem se tradicionalizando entre os que ali se refugiam, que se encontram e confraternizam em emoções e alegrias pulsantes, mesmo para os nossos capoeiristas europeus, tão serenos e racionais, eles também apreciam – quem não o faz!! – uma roda bonita, um jogo bonito, uma volta do mundo mandingada… uma boa Capoeira, sem sobrenomes… sem ninguém dominando os momentos da roda, a cantoria, os jogos, um verdadeiro celeiro de bambas, anônimos, só preocupados com uma única e exclusiva coisa: que a Capoeira possa descer ali, na milagrosa transcedência dos desiguais, dos diferentes, dos distintos, dos graduados e não graduados, transmutação de uma energia que se torna a verdadeira chama que todos buscamos para nossa arte, em paz, mas em seu pulsar mais sagrado, mais relutante contra essa hegemonia estéril que está tentando anular nossos fundamentos, transformando-os em regras estereotipadas, medidas pela espessura dos bíceps ou dos abdômens perfeitos…!

A roda é o lugar do mais fraco encontrar sua afirmação e sua emancipação enquanto ser igual, enquanto o portador da divina chama de Filho de Deus, que tantos pregam, mas tão poucos sabem o verdadeiro significado, na prática!

Roda também é o lugar do Mestre se encontrar em sua dimensão de respeito ao próximo, aos ancestrais, se conectar na dimensão mais profunda de sua alma. Receber a concessão do sagrado para encontrar sua entidade interior (como dizia o Mestre Decânio) e se manifestar no espaço comum de todas as almas e consciências.

Por isso tudo é que só posso afirmar, depois de contabilizar todos os prós e contras, verificar a efervescência de tantos eventos, cada um clamando por ser o melhor dos melhores, que o Nosso Encontro de Évora é uma dessas tradições que tem muito para ensinar a todos quantos tem a humildade de aprender.

Por isso que só nos resta panfletar essa rica experiência de todos quantos ali já percorreram:
Viva nossa Capoeira de verdade!!

Viva os capoeiristas que não estão permitindo que suas rodas se tornem estéreis e sem nenhum realismo!!

Viva Évora e sua capoeira de bambas de verdade!!!

 

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A EVOLUÇAO DA CAPOEIRA NO MUNDO

A EVOLUÇAO DA CAPOEIRA NO MUNDO

Caminhos de “esterilização” da arte para “fertilização” do negocio.

O reconhecimento da capoeira na atualidade se depara com seu mais difícil paradigma, pois a mesma precisa conviver com um processo de transformação que, na maioria das vezes, só justifica-se por parâmetros que negligenciam princípios de ancestralidade, oralidade, aprender fazendo, dentre outros, que são encarados por seus praticantes como ultrapassados e/ou utilizados unicamente nos discursos eloqüentes dos “tiranos comandantes” disfarçados de mestres. Neste sentido, nos propomos a refletir sobre algumas questões que tentarão nos aproximar de alternativas para dialogarmos com a tão famigerada “evolução” da capoeira, apelidada em nosso tempo equivocadamente de Capoeira Contemporânea.

Inicialmente quero tratar especificamente da terminologia, que já de inicio apresenta-se erroneamente, pois faz referencia, considerando a grande maioria de capoeiras de senso comum, a um estilo que se distanciaria da Angola e da Regional, propondo uma mescla dos dois estilos anteriores, mesmo convivendo no mesmo período histórico, ou seja, representando uma pretensa evolução técnica e etc. Assim, se desta forma for encarada, seu nome correto talvez devesse ser Capoeira Futuro, Avançada, Espacial….. Sei la…. E não Contemporânea, pois isso representa algo que convive em mesmo período.

Outro ponto contraditório apresenta-se quando definimos esta nova capoeira “moderna” como algo inusitado, futurístico, pois sua própria origem esteve sempre atrelada no discurso de que a mesma foi forjada a luz da Angola e da Regional baiana e sendo assim, o correto seria dizer que a mesma simplesmente tentou juntar o que vivia separado, fato que representaria uma grande incoerência, pois sabemos que quando investigamos a capoeiragem mais detalhadamente e criticamente, percebemos que o trabalho capitaneado por Bimba e por Pastinha possuíam muito mais semelhanças do que diferenças, pois os mesmos foram fruto da historia de um determinado local em um tempo especifico.

Sobre a técnica desta capoeira evoluída, o que temos visto são conseqüências desastrosas, considerando o grande numero de lesões, a violência com pouca belicosidade e ainda as atrocidades com relação à biomecânica dos movimentos, pois estes alem de não respeitarem os limites articulares e fisiológicos, ainda propõem uma pratica completamente distanciada da estética ancestral da capoeira, visto que os capoeiras deste estilo “evoluído” mais se aproximam de ginastas ou acrobatas de circo com pretensões de luta, transformando o jogo em um espetáculo grotesco, pois não conseguem fazer bem nem a ginástica nem tão pouco a luta.

A musicalidade na capoeira tem papel fundamental, pois dela se desencadeia boa parte do processo “ritualístico”, ou seja, é a partir da musicalidade que os movimentos são executados, os instrumentos são tocados e as cantigas entoadas, contudo atualmente nos grupos intitulados de Capoeira Contemporânea, observamos uma linearidade melódica que não contempla as variantes ancestrais africanas, com letras ceifadas de seu conteúdo para reflexão, que já não cumprem tão bem o papel da oralidade e sua documentação da historia humana por contos e cantigas. Assim temos percebido que os instrumentos e as cantigas pouco a pouco tem perdido sua função ritual na roda, pois os praticantes alem de não valorizarem e desenvolverem esta parte do aprendizado, não conseguem decodificar a influencia da musicalidade na pratica, negligenciando o papel fundamental desta no desenvolvimento da roda.

A ladainha não arrepia mais, o cantador não se emociona, as cantigas não tratam do universo simbólico da capoeiragem e ainda a forma de cantar tem sido “plastificada” e embalada para vender, criando um exercito de cantadores “copias de alguém famoso”, e se não bastasse isso, as pessoas ainda não conseguem perceber que o mesmo acontece por toda parte no modo de produção capitalista, pois todos querem parecer com os modelos vendidos pela mídia, idiotizados pela propaganda e aumentando o lucro dos “grupos produto”, como um grande Big Mac vendido na esquina de qualquer grande centro.

Em relação aos aspectos filosóficos, temos nosso maior abismo, basta observar os bonecos de vídeo game que representam os capoeiras, sempre musculosos, com movimentos robóticos, com uma negritude estereotipada, e ainda com golpes previsíveis e não característicos, negando os fundamentos difundidos pelos antigos mestres da Bahia.

Soma-se também a este conflito simbólico uma serie de situações organizacionais nos grupos de capoeira, aproximando-os administrativamente de empresas e distanciando cada vez mais das praticas humanas e necessidades da capoeiragem em sua trajetória, pois os mestres se transformaram em patrões, as rodas em shows, o conhecimento em produto de venda, as pessoas em números de matricula e sua filosofia em trabalhos acadêmicos de pessoas que nunca sujaram as mãos fazendo Au…..

Lamentável, mas esta tem sido a realidade que tenho encontrado em muitas partes do mundo em nossas viagens com a capoeira, e para piorar, se não bastasse tudo isso, tenho percebido, com o passar dos anos, que os poucos cabelos que ainda me restam estão ficando brancos e que a grande parte dos capoeiras acreditam que nossa arte esta em seu curso natural, como se alguma força alienígena controlasse estas mudanças, não sendo necessário refletir sobre as mesmas e só segui-las.

Quero propor com estas palavras, que não são verdades absolutas e sim um desabafo ingênuo de um capoeira da Bahia, que existem sim alternativas e estas estão ao alcance de todos aqueles que investigarem a matriz ancestral da capoeira e seus representantes mais antigos, observando a forma como jogam, sua fala, como lidam com os instrumentos, seus códigos filosóficos e acima de tudo como vivem, mesmo não fazendo parte do espetáculo futurístico da Capoeira Contemporânea.

Sugiro uma busca na década de trinta e seus princípios metodológicos para trato com a Educação Física, pois la encontraremos as bases desta dita capoeira evoluída, comprovando que a mesma não possui nada de moderno e sim uma adaptação mal feita para na atualidade atender as demandas do capital, considerando a dicotomia corpo/mente e o processo de adestramento pelas seqüências de ensino idiotizantes, atrofiando o senso critico e favorecendo o negocio dos mega grupos e seus mestrões.

Mestre Jean Pangolin Portal CapoeiraDespeço-me pedindo força ao Grande Arquiteto do Universo e perdão pela possibilidade de minhas palavras ofenderem camaradas ainda não despertos para as armadilhas desta capoeira mercadorizada, espetacularizada e muito distante das necessidades de aprendizado para evolução da humanidade.

Panorama das ações do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina

Panorama das ações do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina

Em 2008, após uma grande pesquisa desenvolvida no Brasil, o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan) formatou um inventário com o intuito de registrar a Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres nos Livros de Registros das Formas de Expressão e dos Saberes, respectivamente. 

Seis anos depois, em 2014, na 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda, a Unesco aprova a Roda de Capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Com esse registro e reconhecimento, o Brasil tornou-se responsável pela salvaguarda da Capoeira. Entende-se por salvaguarda as medidas que visam a garantir a visibilidade do patrimônio cultural imaterial, tais como a identificação, a documentação, a investigação, a proteção, a promoção, a valorização, a transmissão e a revitalização deste patrimônio em seus diversos aspectos, assim como sua preservação e manutenção, fomentando ações para que haja a perpetuação do patrimônio e de seus mantenedores, os Mestres de Capoeira.

Dessa forma, em cada estado da federação, o Iphan estabelece a iniciativa de organizar coletivos que pudessem desenvolver um plano de salvaguarda dentro da realidade local. A denominação desses coletivos varia regionalmente, podendo ser: conselho de Mestres, conselho gestor, colegiado de Mestres, ou outras nomenclaturas. Não existe regra para a escolha da denominação e também não existe nenhuma remuneração pela participação dos Mestres.

Panorama das ações do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina Capoeira Portal CapoeiraEm Santa Catarina, no ano de 2015, o Iphan fez um chamamento aos capoeiristas para uma plenária que teve como resultado o Colegiado de Mestres. O nome ‘Colegiado’ foi escolhido pelo entendimento de que os membros eleitos opinam e definem suas ações com igualdade de voz e voto. O movimento não tem a pretensão de se organizar como entidade jurídica; mas, sim, como um coletivo de Mestres catarinenses.

Como primeiras ações, o Colegiado empenhou esforço na construção dos documentos que norteariam suas ações, sendo: Estatuto e Código de Ética. Após a elaboração e aprovação desses documentos, decidiu-se realizar uma ação coletiva para a comunidade da Capoeira catarinense: a Formação Continuada de Educadores de Capoeira. A proposição do Colegiado de Mestres, projetada em 2016 e colocada em prática em 2017, foi endossada pelas parcerias com o Iphan e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os conteúdos foram divididos em oito encontros presenciais quinzenais, totalizando oitenta (80) horas de formação continuada, com os seguintes temas:

  • – Origem da Capoeira;
  • – Relações de Poder, Raça e Gênero na Capoeira;
  • – Diferença, Geração e Capoeira;
  • – Metodologia e Prática de Ensino de Capoeira: Pessoas com Deficiência,

Idosos, Reabilitação, Crianças e Adultos;

  • – Prevenção a Acidentes e Primeiros Socorros;
  • – Oratória e Saúde Vocal;
  • – Marketing na Capoeira;
  • – Captação de Recursos;
  • – Formalização de Organizações de Capoeira; e
  • – Microempreendedorismo (MEI).

Foram abertas e preenchidas sessenta vagas (60) contando com a participação de vinte e dois (22) municípios de todo o estado e oriundos de trinta e seis (36) entidades de Capoeira (grupos, associações, escolas etc.).

Já em 2018, aconteceu a assembleia de posse da segunda gestão do Colegiado de Mestres. Ali, estabeleceu-se como objetivo para os encontros bimestrais e itinerantes (realizados cada vez em uma cidade diferente do estado) estreitar a participação da comunidade, realizando reuniões abertas ao coletivo, com debates e práticas sobre temas diversos. O pano de fundo de todas as ações do Colegiado de Mestres de Santa Catarina é a construção e aplicação do Plano de Ações de Salvaguarda da Capoeira.

Nesta caminhada recente, dificuldades já foram – e continuarão sendo – vislumbradas pelos Mestres, mas a Capoeira é sinônimo de resistência; portanto, faz-se necessário enfrentar as agruras como um bom desafio e como uma missão a se cumprir. Acima de tudo, os Mestres do Colegiado têm a consciência de que não agem com vistas ao resultado particular; mas, sim, para os jovens capoeiristas que continuarão o legado e perpetuarão a arte Capoeira no futuro.

 Capoeira Portal Capoeira

Membros do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina:

Titulares: Kadu, Tuti, Sinhozinho, Careca, Zico, Silvio e Curió.
Suplentes: Habibs, Curisco, Tigre, Dourado e Bião.

 

 

Por:

Marcos Duarte de Oliveira (Mestre Kadu)

Fernando Bueno (Mestre Tuti)

Capoeira e seus Cantadores

CAPOEIRA E SEUS CANTADORES

A musicalidade traz em si um elemento fundamental para o desenvolvimento da capoeira, pois ela será responsável pelo encadeamento ritualístico, pela oralidade na construção do conhecimento, pelo “balanço” do jogo e pela construção simbólica da “atmosfera” da “vadiação”.

A musicalidade nunca será uma simples conseqüência fisiológica da articulação bem sucedida entre cordas vocais, músculos da face e diafragma, pois em capoeira a complementaridade entre os diferentes, articulados em propósito comum para o coletivo, supera qualquer perspectiva ou habilidade individual, transformando o bom cantador naquele que mais motiva o coletivo a cantar junto, muitas vezes ofuscando a própria voz de quem puxa o canto, ou seja, cantador de “verdade” na capoeira não é o que mais aparece, mas o que projeta o conjunto da roda em ritual.

O bom cantador nem sempre é aquele com a voz mais bonita e empostada, nem sempre é o que tem a melhor pronuncia e português correto, nem sempre é o que grita mais alto…..O bom cantador é o que cantando encanta, aquele que consegue captar a magia do momento do jogo, fazendo com que sua cantiga seja o “catalisador” de uma química que eleva os capoeiras a um “transe” coletivo, que de tão especial nos faz sonhar acordado.

Não existe bom jogo sem boa musicalidade, pois a organicidade da roda é um complexo sistema multifacetado, lembrando o corpo humano, em que cada órgão cumpre uma função distinta a favor do funcionamento de todo o sistema para que a vida aconteça. Assim, tão importante quanto o “movimento”, aquilo que o impulsiona, harmoniza e qualifica, também deve ser considerado e exercitado, a cantiga.

È impressionante como Mestre Boca Rica, cantando quase sussurrando, com um único berimbau, se espalhou pelo planeta como um vírus positivo da boa capoeiragem……Impressionante como décadas mais tarde, as gravações de Bimba, Pastinha, Waldemar, Canjiquinha, Camafeu de Oxossi e outros, ainda encantam, mesmo sem todos os recursos tecnológicos atuais.

O maior desafio de um grande cantador em capoeira será sempre conseguir captar o “cheiro do dendê“ em uma roda, sendo simples, singelo e traduzindo na poesia de seu canto os mistérios da arte capoeira. Neste sentido, se você deseja qualificar seu canto, te recomendo que antes de cantar tente ouvir mais, e não ouça qualquer coisa, ouça os sons mais elementares produzidos pela mãe natureza, o ronco do mar, a suavidade das ondas, o fluir da cachoeira, o vento nas arvores, trovões e ate mesmo o pingo da chuva caindo no chão, percebendo que cada som deste esta articulado a um contexto especifico e complexo, sendo seu maior sentido a conexão com o todo.

Por fim, aprenda que a cantiga é também uma forma de doação à arte capoeira, portanto, ser um bom cantador será, acima de tudo, a capacidade de brindar os outros com aquilo que temos de melhor, pois o lamento da ladainha emociona e arrepia o outro, também na medida em que o cantador já chorou e se arrepiou antes, incorporando o sentimento expresso em seu cantar. Desta forma, entenda que viver o momento é mais importante do que o resultado final, portanto, não fique preocupado com o impacto de sua voz na roda, mas tente viver junto com seus pares magia do contexto no milésimo de segundo em que sua cantiga toca a fibra mais tênue do coração de quem te escuta, transformando o momento em único e especial para todos.

Vamos cantar mais com a alma!!!!!!!

Mestre Jean Pangolin Portal Capoeira

Projeto conta a história da capoeira no bairro Dois de Julho em Salvador

Projeto conta a história da capoeira no bairro Dois de Julho em Salvador

O projeto Vadiando começou as suas atividades no bairro do Dois de Julho, Centro de Salvador, no dia 05 de dezembro. O Centro de Estudos Afro Orientais (CEAO), pertencente à Universidade Federal da Bahia, recebeu o evento gratuito, que trouxe como mote, o imaginário simbólico da capoeira no bairro, os mestres que ali viveram e vivem, as rodas de capoeira e as curiosidades em torno dessa cultura popular. E, seguindo a definição do termo “vadiar”, dentro da capoeira, que significa jogar por lazer, descontrair, interagir com os camaradas, o projeto contará a história do bairro do Dois de Julho, através do contexto simbólico da capoeira, lembrando os mestres que ali viveram, as rodas e curiosidades sobre esta temática.

No evento inaugural, em dezembro, aconteceram palestras sobre “A capoeira como instrumento de desenvolvimento local”, ministrada pelo coordenador, Luís Alencar; “Políticas Públicas para a Capoeira”, ministrada por Magnair Barbosa, gerente de Patrimônio Cultural da Fundação Gregório de Mattos (FGM); “Capoeira e Tecnologia”, com o contramestre Veru Filho, criador do aplicativo “Iê Capoeira”; além de intervenções com músicas afro-brasileiras e a leitura de poesias.

Com patrocínio da FGM, apoio do Centro de Estudos Afro Orientais – CEAO/UFBA, e do comércio local, após três meses de projeto, com oficinas regulares às segundas, quartas e sextas, as aulas serão finalizadas no próximo dia 23 de março. O projeto ofereceu oficina de “Capoeira – Educação”, ministrada pelo contramestre Veru Filho, e “Educação Artística”, ministrada pela capoeirista e arte educadora Nildes Sena, que teve a finalidade de contar a história do bairro do Dois de Julho, tendo como mote o imaginário simbólico da capoeira no lugar.

Projeto conta a história da capoeira no bairro Dois de Julho em Salvador Capoeira Portal Capoeira

Com todo o material produzido durante as aulas, o público atendido no projeto – um grupo crianças e jovens da comunidade – irá apresentar o resultado final de toda a aprendizagem. Entre os dias 26 e 28 de março, sempre a partir das 18 horas, na Casa do Benin, acontecerá uma grande mostra artística envolvendo todos esses alunos e a comunidade, fazendo parte, inclusive, da programação cultural do aniversário de Salvador.

Na abertura da mostra artística, haverá evento solene para gestores públicos, mestres de capoeira e pesquisadores da cultura popular, quando será lançada a Cartilha Digital, que contará a história da capoeira no bairro do Dois de Julho. Essa cartilha é resultado de uma pesquisa realizada pelo Contramestre Sem Terra, cientista social e etnógrafo. Além disso, a programação dos demais dias envolverá a exibição de uma projeção audiovisual, mostrando entrevistas com mestres de capoeira que atuam no Dois de Julho e equipe do projeto; e um espetáculo cênico, onde alunos do projeto atuarão.

Sobre a Associação:

A Associação Cultural Arte Baiana Capoeira foi criada no ano de 1989, pelo Mestre Malícia, na cidade de Belmonte, no interior da Bahia, onde até hoje está localizada a sede do grupo. Muitos alunos passaram pela associação, mas no ano de 1992, Veru Filho iniciou seus estudos com o Mestre Malícia, e chegou para levar adiante o nome da instituição. Por conta dos estudos, Veru Filho, veio morar em Salvador, e começou a treinar com o Mestre Alabama. Alguns anos se passaram, e em 2014, Veru inicia em Salvador, um trabalho com a Associação Cultural Arte Baiana Capoeira, na comunidade da Vila Brandão e no Dois de Julho. Com a finalidade de fomentar o empreendedorismo social na capoeira, Veru Filho, que além de contramestre é educador físico, vem buscando aumentar o reconhecimento da capoeira na sociedade, potencializar a geração de recursos para os grupos de capoeira e, por fim, a inclusão produtiva de indivíduos e grupos sociais que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

SERVIÇO:

O QUÊ: Vadiando no Dois de Julho – Lançamento da Cartilha Digital e Mostras

QUANDO: 26 a 28 de março de 2018, a partir das 18 horas

ONDE: Casa do Benin – Baixa dos Sapateiros, 7 – Pelourinho
VALOR: Gratuito

 

Por: Pietro Raña: pietro.rana@pipacomunicacao.com.br

Fundação Cultural ILE: Projeto “Mestras de Capoeira”

Fundação Cultural ILE: Projeto “Mestras de Capoeira”

Salve meus amigos!

Somos a Fundação Cultural ILE,  uma organização sem fins lucrativos com sede em País de Gales no Reino Unido.

Trabalhamos para a preservação e difusão da Capoeira, seus fundamentos e tradições. Fazemos isso através de livros, CDs, documentários, festivais e outros. Nosso carro chefe é o Projeto Tributo ao Mestres, cujo principal objetivo é contribuir com os Mestres que estão em situações de risco sejam elas sociais, financeiras, emocionais, médicas ou afins. Todos os nossos esforços são para angariar fundos ou gerar fundos para esse fim.

Em 2016, lançamos nosso primeiro livro de Ilustrações, o tributo aos Mestres artbook que foi um sucesso.

Hoje temos a grande alegria de convidar todos a participar deste momento histórico na capoeira, onde honraremos as Mestras da nossa arte!

Faremos um livro com 30 ilustrações e com um texto para cada  ilustração contando um pouco sobre cada uma das homenagiadas.

Um momento mágico e histórico e você pode participar de várias formas desta homenagem.

Você pode fazer uma doação para que o projeto aconteça, ou você pode fazer contribuições e receber recompensas por isso.

Você pode inclusive fazer campanha dentro do seu grupo e participar como patrocinador recebendo e compartilhando as recompensas com o grupo todo.

Este é um trabalho histórico o primeiro em seu formato e o primeiro em homenagem as Mestras de Capoeira!

E a sua participação é fundamental

 

Fundação Cultural ILE: Projeto "Mestras de Capoeira" Notícias - Atualidades Portal Capoeira

CLIQUE NA IMAGEM PARA VISITAR A PÁGINA DO PROJETO

 

Hi Guys!

We are the ILE Cultural Foundation; a registered charity based in Wales.

We work for the preservation and diffusion of Capoeira, its foundations and traditions. We do this through books, CDs, documentaries, festivals and others. Our flagship project is the Tribute to Masters Project, whose main objective is to contribute to the Masters who are in risk situations whether they are social, financial, emotional, medical or otherwise. All our efforts are to raise funds or generate funds for this purpose.

In 2016, we launched our first book of Illustrations, the Tribute to the Masters art book, which was a success.

Today we have the great joy of inviting everyone to participate in this historic moment in capoeira. This is a vibrant, adventurous and compassionate project where we will raise funds to develop and publish a fresh, innovative and empowering illustration book that will, for the first time, show the face of our Mestras.  

It will be 30 illustrations with 30 texts telling a little story about each one.

A magical and historical moment and you can take part of it in different forms, making  a donation or you can make contributions and receive rewards.

You can campaign in your group and participate as a sponsor, sharing the rewards within the whole group.

This will be an historic book, the first in its format, and the first in honour of the Female Masters of Capoeira!

And your participation is fundamental!

 

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Capoeira e Valentões de São Paulo (1830 – 1930)

Capoeiras e valentões na história de São Paulo (1830-1930)

Pedro Figueiredo Alves da Cunha
São Paulo, 2011
Orientador
Título em português: Capoeiras e valentões na história de São Paulo (1830-1930)
Palavras-chave em português
  • Abolicionismo
  • Capoeira
  • Cultura afro-brasileira
  • Escravidão
  • Pós-abolição
  • Samba
Resumo em português
Até meados do século XX, a capoeira teve seu potencial, enquanto registro de ações e vontades de africanos escravizados e seus descendentes, ignorado pelo estudo histórico. A partir de pesquisas específicas sobre tal manifestação, a historiografia sobre o tema avançou de maneira significativa. Primeiro, mais focada em dois estados conhecidos como polos da capoeira moderna, Rio de Janeiro e Bahia. Em seguida, com novos trabalhos sobre outras áreas, como Pernambuco, Pará e Maranhão. São Paulo foi cenário de uma escravidão vigorosa que avançou por todo o século XIX e explorou milhares de almas. Pesquisas sobre a vida dos cativos no território paulistas, nesse período, demonstraram, ainda que de maneira tênue, que a capoeira estava presente no cotidiano das cidades em processo de urbanização. Com o objetivo de compreender melhor como esta atividade se imbricava nas engrenagens da sociedade paulista ao longo dos oitocentos e nas primeiras décadas do século XX, desenvolvemos uma investigação sobre esta manifestação na capital e em outros espaços urbanos, através da análise de fontes de naturezas diversas reminiscências, jornais, posturas e atas de câmaras municipais, livros de entrada e saída de presos e outros registros policiais, documentos do poder judiciário, como processos criminais, bem como ofícios e telegramas. De maneira mais ampla, esperamos com isso contribuir com as discussões sobre o processo de formação no Brasil dessa arte marcial de raízes africanas, hoje praticada no mundo inteiro.
Título em inglês
Capoeiras and bullies in the history of São Paulo (1830-1930)
Palavras-chave em inglês
  • Abolition
  • Afro-brazilian culture
  • Capoeira
  • Post-abolition
  • Samba
  • Slavery
Resumo em inglês
Until mid-twentieth century, capoeira had its potential as a record of deeds and wills of enslaved Africans and their descendants ignored by historical study. Based on specific studies about this practice, the historiography advanced significantly. First, more focused at two states known as poles of modern capoeira: Rio de Janeiro and Bahia. After that, new studies have been showing the practice in other areas such as Pernambuco, Pará and Maranhão. São Paulo was scenario of a vigorous slavery that advanced throughout the nineteenth century and explored thousands of souls. Researches on the lives of slaves at São Paulo territory in this period have shown, albeit loosely, that capoeira was present in the everyday life of cities in urbanization process. Aiming to better understand how this activity is embedded in the cogs of São Paulo society throughout the nineteenth century and the first decades of the twentieth century, we developed a study on this martial art in the capital and other cities, through analysis of sources of diverse natures reminiscences, newspapers, laws and registers of municipal councils, prisoners record books, documents of the judiciary, such as criminal cases as well as letters and telegrams of authorities. More broadly, we expect that this research contributes to discussions about the formation process in Brazil of the capoeira, an afro-brazilian martial art now practiced worldwide.

Festival Nacional Arte-Capoeira une tradição e solidariedade em Curitiba e Paranaguá

Festival Nacional Arte-Capoeira une tradição e solidariedade em Curitiba e Paranaguá

Paranaguá e Curitiba recebem, de 16 a 18 de março, a 9.ª edição do Festival Nacional Arte-Capoeira. Com programação gratuita, o evento tem o objetivo de resgatar elementos importantes dessa expressão cultural brasileira, que mistura arte marcial, esporte, cultura popular e música. Importantes nomes da área, como Mestre Camisa e Mestre João Grande, também estão confirmados.

Idealizado pela Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte-Capoeira (Abadá-Capoeira), que há três décadas se dedica à promoção dessa importante manifestação cultural em nível internacional, a ação é também sinônimo de resgate social.  “As crianças se envolvem através da arte, da música, da dança e acabam tomando como referência os professores. Dessa forma, melhoram as notas na escola, fazem amizades novas”, comenta Janaína Luz, uma das organizadoras do festival.

Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, há quase uma década a capoeira muda a rotina de crianças, jovens, adultos e idosos da região do bairro Cajuru, na capital paranaense. Oficinas transformaram a realidade de moradores da Vila Camargo, Trindade, Autódromo, São Domingos e São João Del Rey.

O evento também celebra o resgate social promovido pela capoeira.

As aulas, realizadas na Associação Cultural de Capoeira do Estado do Paraná (ACCEP), provocaram mudanças na vida dos participantes. “Penso que nosso maior resultado é a inserção das crianças nas escolas, o resgate dos adolescentes retomando os estudos e, atualmente, o ingresso deles nas faculdades”, completa Janaína Luz.

O projeto deve atingir, em 2018, 300 alunos e passará a ser realizado em 3 escolas de Paranaguá também. “Já temos prevista a expansão para as cidades de Ponta Grossa e Guarapuava”, reitera Janaína Luz. Atualmente, as oficinas contam com 160 participantes.

Programação

Inúmeras atividades gratuitas fazem parte do Festival Nacional Arte-Capoeira – oficina de jogos, cantoria tradicional da capoeira, batizado e troca de cordas, além de aulão e Campanha Berimbau pela Paz com o Mestre Camisa. “O motivo é conscientizar a sociedade da importância de se viver em harmonia. Estamos passando por um momento político muito difícil e dessa forma nasce a corrupção, conflitos e aumenta a criminalidade,  pois tudo isso se reflete principalmente nas comunidades carentes ou áreas de vulnerabilidade. Então pedimos paz para que a sociedade viva em harmonia e em constante desenvolvimento em busca de um grande crescimento”, fala Janaína Luz.

Em Curitiba, nos dias 17 e 18 de março, a programação da 9.ª edição do Festival Nacional Arte-Capoeira passa pela Praça Osório e pelo Largo da Ordem – Palácio Garibaldi e Ruínas de São Francisco. Já em Paranaguá, no dia 16 de março, as atividades serão realizadas na Praça Mário Roque e no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Festival Nacional Arte-Capoeira une tradição e solidariedade em Curitiba e Paranaguá Capoeira Portal Capoeira

 

Programação da 9.ª edição do Festival Nacional Arte-Capoeira

 

Dia 16 de março – Paranaguá
10h – Oficina de Maculelê
11h – Oficina de Capoeira com Mestra Edna
12h – Intervalo
14h30 – Oficina de Berimbau com Mestre Bode
15h30 – Oficina Sambadeiras de Bimba com Fernanda Machado
17h – Aulão com Mestra Edna
Local: Praça Mário Roque
18h – Abertura oficial do Festival no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Dia 17 de março – Curitiba
9h – Comemoração 12 anos de Roda da Praça Osório
14h – Roda Feminina/Praça Osório
15h30 – Oficina de Jogos com Mestres Camisa, João Grande e Boca Rica
Local: Palácio Garibaldi – Largo da Ordem
20h – Cantoria Tradicional da Capoeira e Show Cultural
Local: Palácio Garibaldi – Largo da Ordem
Dia 18 de março – Curitiba
9h30 – Caminhada pela Paz
10h – Aulão e Campanha Berimbau pela Paz com Mestre Camisa
11h – Batizado e Troca de Cordas
Local: Teatro público – Ruínas de São Francisco (Largo da Ordem)