Blog

capoeira

Vendo Artigos etiquetados em: capoeira

Capoeira: O Último Movimento Novo

Capoeira: O Último Movimento Novo

O “Movimento Novo” da Capoeira foi um encontro cultural anual organizado com o objetivo de promover a união e a troca de conhecimentos em um ambiente de comunhão e aceitação das diferenças.

Nascido em 2008 e finalizado em 2018, O Movimento Novo se caracterizou pela qualidade dos jogos e da música; pela filmagem e edição profissional dos vídeos na Internet; pelo incentivo a uma cultura de aceitação das diferenças; pelo cuidado ao bem-estar físico e emocional dos participantes e pelo protagonismo dos jovens.

Os eventos do Movimento Novo marcaram a capoeiragem da segunda década do século 21, influenciando toda uma geração, tanto na forma de jogar, quanto na forma de pensar.

Capoeira: O Último Movimento Novo Notícias - Atualidades Portal Capoeira

Histórico do Movimento Novo

Em 2008, três jovens capoeiristas (Itapuã, Ferradura e Lobisomem) se reuniram informalmente para conversar sobre questões como:

“Por que não existem mais diversas rodas de rua como na década de 70?”; “Por que capoeiristas de escolas diferentes não se encontram sem que a roda acabe em violência generalizada?”, “O que podemos fazer para mudar este cenário?”.

A partir destes questionamentos, decidiram fazer uma roda com um máximo de 30 capoeiristas convidados, de estilos diversos, que trouxessem diferentes experiências para compartilhar.

A primeira edição do Movimento Novo, em 2008, trouxe estas reflexões. Durante a roda, vários jogos interessantes foram filmados e divulgados na internet. Os 3 mais vistos foram estes:

É interessante notar que o vídeo mais visto em 2008 teve, à época, milhares de visualizações na recém divulgada rede do Youtube, algo que ainda era totalmente inovador. Vale lembrar que estamos falando dos primórdios da rede de compartilhamento de vídeos, popularizada apenas dois antes do primeiro Movimento Novo. Não havia celulares com câmeras e poucos capoeiristas postavam vídeos.

No ano seguinte, o Movimento Novo estourou na web. O vídeo mais visto foi este.

Analisando a quantidade atual de visualizações, vemos um crescimento total de 2000%, ou seja, de 25.000 views em 2008 para 500.000 views em 2009.

Na sequência, vieram outros jogos das edições seguintes, sempre com a marca de centenas de milhares de visualizações, como:

Com a vinda de vários participantes de forma contínua, decidiu-se fazer um CD, gravado de forma colaborativa e registrado em vídeo, com extratos como este:

Críticas ao Movimento Novo

Como era de se esperar, o Movimento Novo não veio sem enfrentar críticas, que variavam de frases como “primeiro tem que aprender o movimento velho para depois fazer o novo” até “o ritmo favorece os angoleiros”, passando por acusações de “desvirtuação da tradição” ou de “superexibição” dos participantes.

Era normal que o evento chocasse os mais conservadores. Afinal, o Movimento Novo não era um “grupo” ou um “estilo” de Capoeira; não “filiava” capoeiristas; não tinha fins lucrativos; não usava uniforme nem emblemas; não tinha uma hierarquia com liderença centralizada nem planos de expansão. Fora isso, utilizava a nascente mídia da Internet para divulgar os jogos em um momento em que isto não existia.

Todas estas “novidades” chocavam aqueles que não entendiam que o Movimento Novo simplesmente recriava o ambiente das antigas rodas de rua, onde ninguém mandava em ninguém e todos se confraternizavam para vadiar.

No fim, o que era para ser apenas um encontro de jovens cariocas se tornou um conceito inovador que marcou toda uma geração.

Mas como isso foi acontecer?

Em 2008 a grande questão dos organizadores era conseguir reunir jovens que nunca haviam convivido e que eram separados por ideologias de grupo.

Politicamente, os idealizadores do MN cresceram no mundo pós-guerra fria, onde já não fazia sentido o pensamento muito polarizado, como entre capitalismo e comunismo. Viram o nascimento da aldeia global integrada pelos celulares e pela internet e viveram no Brasil pós-ditadura, com liberdade de imprensa e de expressão.

Em termos econômicos é a primeira geração que conseguiu ganhar a vida somente dando aulas de Capoeira; a que viveu o período de maior violência, de 1990 a 1995, a ascensão da Capoeira como moda, de 1995 a 2000, e o declínio dos anos de ouro desta mesma moda, de 2000 a 2005.

A geração seguinte já foi diferente.

A galera que nasceu entre 1990 e 2000 nunca viu a Capoeira estourar como moda. Não assistiu semanalmente o mestre-e-modelo Beto Simas “Boneco” nos programas da Globo. Tampouco viu as estrelas populares da época, como Tiazinha ou Feiticeira, estampadas nas diversas revistas especializadas disponíveis em bancas de jornal Brasil afora.

Novela “Quatro Por Quatro” (1994), com Mestre Beto Simas Boneco na abertura

Novela “Malhação”, com Mestre Beto Simas Boneco (1996)

 

“Tiazinha” praticando Capoeira (1998)

“Feiticeira” na capa da Revista Capoeira (1998)

Esta geração também não viu quando o filme “Esporte Sangrento” e o videogame Tekken impulsionaram a Capoeira no exterior, abrindo um novo mercado de trabalho para os capoeiristas.

 

“Eddie Gordo”, do game “Tekken” (1997)

“Esporte Sangrento” ou “Only the strong” (1993)

Em termos políticos e econômicos, esta galera viveu o boom do Brasil democratizado no pós-plano real e a ampliação do acesso a Internet, consequentemente assistindo a milhares de vídeos no youtube, dos mais diversos capoeiristas.

É a geração que bebeu na fonte do Movimento Novo, assistindo a dezenas de vídeos do Ferradura, do Itapuã, da Tatiana, da Gege, do Guaxini etc., além de ter tido acesso a todo o repertório de vídeos da Capoeira antiga.

Este pessoal filma e posta os seus próprios vídeos nas redes sociais, fazendo tutoriais de movimentos e se integrando digitalmente com capoeiristas de todo o mundo. É uma geração que joga Capoeira misturando vários estilos e que nem sabe o que quer dizer a palavra “saroba” (Nota: Se você não sabe o que quer dizer a palavra “saroba”, procure algum velhinho de 40 anos e pergunte).

Quais os desafios do Movimento Novo atualmente?

A “era dos brutamontes” da Capoeira passou. Hoje em dia é raro ver um capoeirista “cravar” o outro de cabeça no chão ou mestres enviarem seus alunos para “fechar” a roda dos outros.

Podemos dizer que hoje em dia a Capoeira já está integrada. A maior parte dos capoeiristas procura reunir-se com pessoas de outros grupos e compartilhar experiências. Hoje, já há dezenas de rodas espalhadas pelo Brasil onde se comungam valores como integração, respeito e harmonia.

Entretanto, apesar de todo este avanço, ainda há questões grandes para os jovens de hoje, as maiores delas ligadas às lutas sociais que enfrentamos no Brasil, como machismo, homofobia, racismo e outras formas de relação opressiva.

Ainda hoje, podemos fazer perguntas como:

De que adianta juntar 150 capoeiristas de todos os sexos em um evento e ter somente homens em posições de poder?

De que adianta falar de Capoeira como integração e seguirmos discriminando gays, lésbicas e transexuais? (Se você tem dúvida em relação a isso, pense em quantas referências homossexuais você conhece na Capoeira e quantas você vê no Teatro, no Cinema, no Circo, na Dança e nas demais artes plásticas ou corporais).

De que adianta falar de cultura negra e apoiar políticos declaradamente racistas?

De que adianta formar jovens lideranças, se mantivermos os velhos padrões? De que adianta vivermos somente para reproduzir o que já estava errado?

A cultura, no Brasil de hoje, terá cada vez mais um papel político de resistência, onde os jovens terão que abrir novos caminhos e desafiar velhos dogmas. Como vão fazer para não reproduzir a opressão pedagógica, a militarização do ensino e a falta de abertura para o diálogo? Como vão vai lidar com o racismo, com o sexismo, com a LGTBfobia e a discriminação entre os próprios capoeiristas?

Como vão fazer para fazer diferente?

Estas e outras respostas são desafios aos jovens. Serão eles os responsáveis pelo futuro da Capoeira. E foi por isso que a edição de 2018 marcou o fim do ciclo Movimento Novo. A maior parte dos participantes fundadores do MN hoje tem entre 35 e 50 anos. Já não são exatamente tão “jovens”. Os futuros líderes tem como fazer mais e melhor. Suas cabeças são mais abertas e sua Capoeira mais disponível. O terreno está fértil para que novos movimentos sejam feitos.

Como foi o último Movimento Novo?

Diferentemente dos outros eventos, a última edição teve inscrição aberta pela Internet e uma seleção que levava em conta o gênero, a raça e a idade.

Um ciclo de palestras abria cada dia do evento e as rodas priorizavam a autogestão e a participação democrática, tendo parcelas muitas vezes negligenciadas -jovens e mulheres- como protagonistas em todo o processo.

Os debates sobre as questões sociais foram tão importantes quanto as rodas em si, promovendo uma cultura de convesa e compartilhamento de experiências que promete influenciar o comportamento de todos que participaram.

Mensagem final dos organizadores do Movimento Novo

Quem quiser fazer diferente deve saber que receberá críticas, pois o poder instituído sempre reagirá frente à mudança. Esperamos que estas críticas não os levem ao imobilismo.

Queremos estar juntos! Nos convidem para seus novos movimentos e contem conosco!

Axé,
Ferradura, Itapuã e a galera do Movimento Novo.

PS – Segue abaixo a última palestra, onde Ferradura fala um pouco do que pode ser o futuro do Movimento Novo:

 

Sobre um bárbaro feminicídio em Cachoeirinha e sobre tantos outros

Sobre um bárbaro feminicídio em Cachoeirinha e sobre tantos outros

(por Aline Kerber*)

O triste feminicídio que ocorreu há uma semana em Cachoeirinha chocou muitos de nós. O Mestre de Capoeira Sombra, então com 42 anos, matou a sua esposa e mãe de sua filha de 2 anos, Luciane Guarezi, a facadas, supostamente por ciúmes, depois de fazê-la refém de cárcere privado por dois dias, conforme confirmaram pessoas próximas da vítima. Não houve mediações e registros policiais, pelo que se tem notícias. Os amigos e familiares não sabiam da gravidade e tampouco poderiam imaginar uma tragédia como esta, muito menos o Estado, fundamentalmente porque o Mestre Sombra foi sempre um homem íntegro, discreto, amigável, dócil, humanista e líder.

Vindo de uma família de poucos recursos financeiros na Granja Esperança em Cachoeirinha, desde novinho ele venceu e subverteu a sua condição com a ginga da capoeira e com a habilidade de reunir e liderar crianças e adolescentes da periferia através de projetos sociais. Esse trabalho transformou e salvou muitas vidas, sobretudo negras, e eu acompanhei bem de perto o início da trajetória dele. Fomos amigos por alguns anos na minha adolescência, pois ele frequentava a mesma academia que eu, no centro da cidade de Cachoeirinha, onde amigos agora choram pela incompreensão, pelo desalento e pela falta de palavras para nominar tamanha tragédia.

Ninguém entende esse crime horrendo. Quem busca respostas faz questionamentos totalmente errados, como este: “o que a esposa dele fez para isso acontecer?”. Outros dizem em posts nas redes sociais: “entre quatro paredes ninguém sabe o que aconteceu, ela pode ter provocado algo que lhe deixou transtornado e fora de si…”. Sabem o que motiva essas expressões? O mesmo que fez com Sombra matasse? Machismo. E desamor.

No machismo não se concebe a autonomia do outro, busca-se controlar as roupas e comportamentos da mulher, mensagens de celular, pensamentos, relações e convívios. Começa de forma sutil e termina, não raro, em morte.

Exatamente o que o Sombra não demonstrava aos seus amigos, familiares, alunos e mestres com os quais se relacionava. O Sombra e boa parte dos feminicidas têm esse perfil. Note-se que “Dica”, como era conhecido nos tempos de academia que frequentávamos nos anos noventa, era um grande educador social, guardava um sorriso e um abraço para cada pessoa, até externar a sua fúria, a sua raiva, o seu ódio e a sua crueldade nesse episódio que o levou à prisão em flagrante por conta do feminicídio praticado no fatídico sábado de 22 de dezembro deste ano que nunca termina.

20180108-mortes-mulheres-feminicidio_abr

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Dica conseguiu algo muito difícil para um jovem negro de uma periferia brasileira como ele: sobreviver, sobreviver sem ser preso, sem se envolver com o crime e não ter sido vítima de um assassinato, quando jovem. É importante considerar que ele foi um case de jovem negro e pobre que conseguiu traçar a sua vida longe do crime, das drogas e das armas, sendo uma inspiração para muitos jovens da Região Metropolitana de Porto Alegre por conta da capoeira. A contrário senso, ele foi protagonista por 20 anos de uma história exemplar de superação e de inclusão social através da arte e do esporte.

Não morreu somente a Luciane, morreu simbolicamente também o Sombra. Agora, um feminicida que demonstrou o tamanho do seu machismo, da banalização da vida, inclusive em relação à da sua filha Mariana. No entanto, creio, não estamos condenados eternamente aos nossos fracassos. Não desejo isso a ninguém e nem a ele. Espero profundamente que o Dica e todos os que estão à sua volta entendam o que aconteceu para o cometimento desse crime letal de gênero que vitimizou a Luciane e, pelo menos, outras 600 mulheres no RS nos últimos 7 anos, para que seja possível prevenir e enfrentar de forma mais séria e eficaz as violências contra as mulheres. Esse tipo de violência que atinge mulheres e outras vítimas diretas e indiretas, incluindo o homem feminicida e os homens que o cercam, sobretudo os mais jovens, filhos, sobrinhos e afilhados – para que não se reproduza esse mesmo padrão como mecanismo de elaboração dessa lástima feminicida.

Só superaremos essa problemática também coletiva se reduzirmos as desigualdades entre homens e mulheres, se respeitarmos as diferenças, os fracassos e até mesmo traições conjugais, reais ou imaginárias, por meio do diálogo aberto e amoroso, sobretudo com as pessoas com quem convivemos.

Os homens precisam abandonar essa “sombra” do machismo e sair da caverna, como nos ensinou Platão. De mestres de capoeira a ex-prefeitos, ninguém está livre da cultura patriarcal que habita em nós. Conhecer-se. Perdoar-se. Perdoar os outros. Persistir e reinventar-se!

Dica, como te conheci, reescreva tua história com músicas de capoeira, pois um Mestre pode lutar contra essa sina de tantos sofrimentos que maculam vidas promissoras, mesmo que a roda de capoeira seja na prisão. Viver na “sociedade do desempenho e do cansaço” e não na do “sangue” como insígnia de poder vai te custar bastante caro. E, ainda assim, não trará a vida da Luciane. Haverá luzes para além da escuridão que as tuas sombras desconhecem…

O que mais dizer aos seus alunos e seguidores? Nada pode justificar essa violência brutal. Isso é certo! Somos todos violentos. Precisamos reconhecer nossos medos, frustrações e tristezas para seguirmos, de forma saudável, com amor e liberdade, a gingar pelas rodas da vida. Precisamos de todos e todas nessa luta política de salvar vidas contra o machismo que assassinou e interrompeu de vez a vida de mais uma mulher na Região Metropolitana de Porto Alegre, assim como o da Lucia Valença, morta pelo ex-prefeito, Toco, de Estância Velha, que logo após se suicidou no litoral norte como para afogar a sua culpa por tamanha violência de gênero.

 

(*) Socióloga, Especialista em Segurança Cidadã, Diretora Executiva do Instituto Fidedigna.

 

Fonte: https://www.sul21.com.br/  – Aline Kerber

ELE GINGA QUE NEM BRASILEIRO!”: TRANSNACIONALIZAÇÃO CULTURAL E A NEGOCIAÇÃO DOS ESPAÇOS DE SUBJETIVIDADE NA ALEMANHA

“ELE GINGA QUE NEM BRASILEIRO!”: TRANSNACIONALIZAÇÃO CULTURAL E A NEGOCIAÇÃO DOS ESPAÇOS DE SUBJETIVIDADE NA ALEMANHA

 

RESUMO:

O artigo visa contribuir com o debate sobre o processo de transnacionalização cultural na contemporaneidade, como também a produção de identidade e as subjetividades deles possíveis, utilizando como foco o universo da capoeira e o seu deslocamento para a Alemanha. Movimento que teve início na década de 1970, com as apresentações de capoeira na Europa e Estados Unidos, influenciando os rumos desta prática cultural.

O desafio deste artigo é lançar mão das experiências dos capoeiristas em seus processos de reconstrução de si e dos discursos sobre a capoeira, porém sem perder de vista as forças hegemônicas que atuam e impõem as “regras do jogo”. Dentro de uma visão interdisciplinar, foi priorizada uma abordagem qualitativa, tendo o método etnográfico como base metodológica de onde os tópicos mais significativos emergiriam como “fios” a serem puxados e aprofundados. Sendo assim, foi considerado como ponto fundamental os discursos dos próprios sujeitos da pesquisa, dos nossos diálogos e da minha experiência de campo de onde as disciplinas como Antropologia, História e Estudos das Migrações serviriam como suporte epistemológico para uma melhor contextualização das experiências vividas e significados produzidos, ou seja, para melhor dar conta dos lugares de fala apresentados.

Os resultados da minha pesquisa apontam a uma exaustão do conceito de nação para definir identidades e culturas na contemporaneidade. Baseado em minha experiência e análise, defendo também que os alicerces do universo da capoeira são estabelecidos e legitimados como um espaço relacional de negociação simbólica “in Between”. Ao mesmo tempo me apropriei do termo “Capoeiragem” para denominar um modus operandi que seria o aspecto fundante do universo da capoeira que paradoxalmente, por seu posicionamento de fronteira, produz e mistura culturas.

Palavras-chave: Antropologia. Migrações Contemporâneas. Capoeira. Capoeiragem.
In between. Subjetividades.

 

Autor: Fabio Araujo Fernandes

Jovem cria jogo de tabuleiro para ensinar história da capoeira a alunos do fundamental

Jovem cria jogo de tabuleiro para ensinar história da capoeira a alunos do fundamental

Jogo discute cultura negra por meio da capoeira

Valores como disciplina, companheirismo e respeito são transmitidos de forma lúdica a estudantes de escolas públicas de Campina Grande

Já pensou em aprender a história da capoeira por meio de um jogo de tabuleiro? Pois é exatamente isso que está acontecendo em algumas escolas da rede pública de Campina Grande (PB). A iniciativa partiu de uma pesquisa acadêmica e mistura arte marcial, dança, música e cultura popular. Essa história você escuta nesta semana no Trilhas da Educação, programa produzido e transmitido pela Rádio MEC.

O projeto, do designer Wagner Porto Alexandrino da Silva, debate a representatividade negra de forma lúdica e intuitiva com os jovens do ensino fundamental. Tudo começou em 2018, quando Wagner estava envolvido com o trabalho de conclusão do curso de design, na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

A partir do trabalho, surgiu a vontade de colocar em prática um projeto sobre representatividade negra. Foi quando ele mergulhou, por meio de pesquisa, no universo da capoeira – e desse contato com a história e tudo que a cercava, teve início a produção do material.

“Pesquisando temas, eu decidi que ia trabalhar com a representatividade negra. Eu sei a importância disso e o quanto isso tem que ser discutido em nosso país”, conta o designer. “Resolvi focar na capoeira. Eu não conhecia a capoeira, não pratico a capoeira, e pesquisando eu vi ainda mais o valor que ela tem para o nosso país, para nossa cultura e para a cultura afro-brasileira.”

Em 2008, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou a capoeira como uma forma de expressão e, em 2014, como Patrimônio Imaterial da Humanidade. A capoeira reúne cantigas, movimentos, músicas e símbolos da herança africana. É na roda de capoeira que os iniciantes são batizados, consagrados e onde se formam os grandes mestres.

Jovem cria jogo de tabuleiro para ensinar história da capoeira a alunos do fundamental Curiosidades Portal Capoeira

Wagner é aluno do curso de Design da UFCG (Foto: Arquivo pessoal)

“Quando entrei em contato direto com a Capoeira, especialistas na área, professores, pesquisadores e obras sobre o assunto, fiquei fascinado. O valor da Capoeira é imenso para o nosso país e para os seus praticantes. Todos deveríamos conhecer ao menos um pouco sobre o que ela representa. Não só a Capoeira como luta, como é abordada tantas vezes, mas, sim, os valores educacionais ali presente, seu contexto histórico, sua musicalidade, as modificações causadas em quem a pratica”.


Paranauê – E foi assim que surgiu o Paranauê. Um jogo que se passa no século dezoito, quando a capoeira era perseguida no Brasil. Para jogar, cada participante assume a identidade de um mestre que precisa montar a sua própria roda de capoeira. Para testar a ideia, Wagner convidou os amigos, vizinhos e crianças conhecidas para jogar. Dessa forma, foi adaptando o jogo até chegar ao conceito final.

Com a metodologia definida, partiu para a prática e apresentou a proposta aos alunos da rede pública de Campina Grande. “Eu levava para as salas de aula. Muitos já tinham tido contato com a capoeira, algumas crianças já a praticavam, e elas se identificaram muito com o projeto”, conta.

Além dos estudantes, os professores e diretores também ficaram encantados com o jogo. Agora, Wagner estuda a viabilidade de produção do material para distribuição nas escolas que se interessarem pela ideia.

 

Fontes:

Portal Correio – https://portalcorreio.com.br/

Assessoria de Comunicação Social – http://portal.mec.gov.br

 

Sugestão de Pauta: Luiz Schumann (Prof. Coqueiro – Senzala)

Há 100 anos, o baiano Mestre Bimba criou a Capoeira Regional

Mestre Cafuné, 80 anos, lembra bem de quando foi à escola de capoeira de mestre Bimba (1899-1974) pela primeira vez. Percorreu uma longa distância, do Polo Petroquímico de Camaçari, onde trabalhava, ao Pelourinho. Tinha lido sobre o mestre num jornal e decidiu conhecê-lo. “Eu era uma pessoa tímida, medrosa. Passei pela Baixa dos Sapateiros com medo, depois subi essa ladeira aí com as pernas já tremendo”, lembra. Bateu na porta e disse ao capoeirista que queria tomar algumas aulas. Foi botado para fora. Naquela época, Cafuné se chamava Sérgio Dória.

“Minha cabeça foi xingando ele de todos os nomes possíveis por ter me tirado de lá. Fiquei muito chateado”, brinca. Até que descobriu o motivo da expulsão. Na porta, uma plaquinha dizia: “Visita, 2 mil cruzeiros. Mensalidade, 2 mil cruzeiros”. Resolveu pagar a mensalidade, voltou a mestre Bimba e, naquele dia, recebeu o primeiro ensinamento. “Ele me disse: ‘Quando você chegar num lugar, não entre de primeira. Primeiro você observa, veja quando pode entrar, quando pode sair, tome cuidado’. A primeira aula que ele me deu foi essa”. Pode até parecer coisa pouca, mas, garante Cafuné, é um conselho para a vida. “Ele nos ensinava a ter respeito pelos espaços, ser mais observador, mais equilibrado, é algo que tem um sentido muito amplo”.

Em 2018, a capoeira regional, criada por Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba, comemora 100 anos de existência. Em setembro de 1918, ele criou e começou a aplicar o método de ensino usado até hoje. E não foi um caminho fácil. Manoel começou a praticar a luta – ou dança, ou jogo, como preferir – aos 12 anos. “Meu avô era lutador de batuque, uma luta africana que parece com a capoeira. Por muito anos, meu pai acompanhou o meu avô e foi aprendendo”, conta Manoel Machado, mestre Nenel, filho de Bimba. Como o esporte era ilegal e não podia ser praticado e muito menos ensinado, alguns dos movimentos se perderam com o tempo. “Para preencher esse vazio, meu pai uniu a capoeira com o batuque. E aí nasceu a capoeira regional”, diz Nenel. Na época, batizou a invenção de luta regional baiana. “Se levasse o nome de capoeira, poderia ser criminalizado, a capoeira estava no Código Penal Brasileiro, não podia”, conclui Nenel.

Em 11 de outubro de 1890, o presidente Deodoro da Fonseca proibiu a prática por meio do decreto 847. No documento consta que é proibido “fazer nas ruas e praças públicas exercício de agilidade e destreza corporal conhecida pela denominação capoeiragem: andar em carreiras, com armas ou instrumentos capazes de produzir lesão corporal, provocando tumulto ou desordens, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal”. A pena era prisão de dois a seis meses.

Aos “chefes”, ou seja, professores, a pena dobrava e, em caso de reincidência, podia chegar a três anos de prisão. Estrangeiros que infringissem a lei eram deportados de pronto depois de cumprirem a pena. Era preciso bravura.

E foi com bravura que, em 1932, Bimba fundou a primeira academia no bairro do Engenho Velho de Brotas. O alvará só veio em 1937, quando a prática deixou de ser ilegal. Mesmo sob tantos riscos, conta Marinalva Machado, filha do mestre, ele nunca pensou em desistir. “Era uma missão de vida. Ele era muito determinado, tinha certeza de que iria conseguir levar a nossa arte para o resto do Brasil e do mundo”, diz dona Nalvinha, como gosta de ser chamada.

750_mestre-bimba-capoeira-regional-centenario_20181218124823456

Um dos momentos mais importantes para o reconhecimento da luta país afora foi quando o capoeirista se apresentou para Getúlio Vargas numa visita do então presidente a Salvador, em 1953. Mesmo que já não fosse crime, explica dona Nalvinha, a prática ainda não tinha tanto espaço fora da Bahia. “O presidente se encantou e ajudou a divulgar a capoeira, a levar esse legado para outros estados. Disse que era o único esporte verdadeiramente brasileiro”, lembra ela. Mas foi só em 1972, dois anos antes da morte do mestre, que a capoeira foi reconhecida como modalidade desportiva pelo Ministério da Educação e Cultura.

Para celebrar o centenário da capoeira regional, a Fundação Mestre Bimba (FMB) organizará, entre os dias 19 e 22 deste mês, uma porção de atividades gratuitas espalhadas pela cidade. Além de seminários, apresentações de capoeira, oficinas de maculelê, samba de roda e puxada de rede, haverá o lançamento do livro Bimba, Um século da Capoeira Regional, escrito por mestre Nenel. O lançamento será no dia 22, às 10h, no Teatro Sesc-Senac Pelourinho. “É a nossa memória, a memória de um povo. Vejo meu pai como um ídolo, alguém que pensava muito além do tempo dele, não sabia nem ler nem escrever e conseguiu transformar algo perseguido pela sociedade em arte”, diz Nenel.

Referência

Pendurados nas paredes da fundação, retratos marcam a história do esporte baiano. Entre os alunos destacados nas paredes estão figuras conhecidas, como o senador Otto Alencar e Luiz Carreira, chefe da Casa Civil da Prefeitura de Salvador. Na capoeira, o apelido dele é Secretário. “Mas são mais de 200 discípulos e 600 alunos. Alguns deixaram a capoeira depois da morte de Bimba, acabaram perdendo a referência. Ele era quem nos animava a continuar”, lamenta Cafuné.

Hoje, essa herança está em mais de 160 países. Há núcleos da Filhos de Bimba Escola de Capoeira nos Estados Unidos, Canadá, Líbano, Croácia, França e Reino Unido. Todos os anos, dona Nalvinha vai aos Estados Unidos dar aulas de samba de roda. Lá, diz, sente-se mais bem recebida do que na Bahia.

“Não sei dizer o motivo disso, mas tem muito preconceito. Temos o preconceito racial… uma vez, uma pessoa daqui trouxe um amigo estrangeiro que queria aprender capoeira. Perguntei se ele iria se matricular também. E ele disse: ‘Não, Deus me livre! É só ele’”.

Para manter viva essa memória na Bahia, a FMB mantém o projeto Capoerê, que oferece aulas para crianças e adolescentes de bairros da periferia de Salvador. “Temos casos de meninos que já estavam entrando no crime, mas foram resgatados pela capoeira. Se eles estão em aula, não estão mais fazendo o que faziam antes. E tirar pelo menos um menino dessa vida já faz toda a diferença”, opina Nalvinha. Muitos desses alunos se tornam professores, e alguns deles ensinam fora do Brasil. “Perceba que a ideia é manter o legado circulando, viajando, alcançando mais culturas”, diz a filha do mestre.

No último ano de vida, aos 74 anos, mestre Bimba deixou a Bahia. Não se sentia valorizado pelo governo e, a convite de um ex-aluno, mudou-se para Goiânia. E foi lá, a 1.658 quilômetros de casa, que morreu. Mas a filosofia dele persiste – na Bahia, em Goiás, em tudo quanto é canto a que chegou. Quem explica é Cafuné: “É a arte de viver bem. Ele nos ensinava tudo sobre você viver bem”.

Fonte: 

Bruna Castelo Branco | Fotos: Adilton Venegeroles | Ag. A TARDE

http://www.atarde.uol.com.br

Porto: 8º Encontro de Capoeira “Irmãos de Roda”

Todos DIFERENTES… JUNTOS pelo mesmo… CAPOEIRA

Porto: 8º Encontro de Capoeira “Irmãos de Roda”

“A cada edição o Evento, que tem sido uma referência na Capoeira de Portugal, ganha mais corpo e mais visibilidade… os “Irmãos de Roda” extrapolam o contexto e a essência do que significa capoeiragem… fazendo valer a sua visão da unidade através das diferenças… e que tudo gira em torno da mesma capoeira…

O evento tem início nesta sexta-feira e continua até o próximo domingo, na cidade do Porto em Portugal.

 

Mais informações no cartaz em anexo e na página do Facebook.


Video do encontro de 2017

 

 

 

PARA MAIS INFORMAÇÕES:

julspedro@gmail.com | Tlm: 966883484

https://www.facebook.com/irmaosderoda/

O ABC da Capoeira Angola – Os Manuscritos de Mestre Noronha

O ABC da Capoeira Angola – Os Manuscritos de Mestre Noronha

Um documento histórico de grande valor… Uma versão atualizada e completa com 120 páginas !!!
Preparamos uma nova versão, completa e atualizada, a versão que estava largamente disponibilizada em PDF na rede, do Livro: “O ABC DA CAPOEIRA ANGOLA – OS MANUSCRITOS DE MESTRE NORONHA“, continha apenas 18 paginas. Esta versão do livro nos foi enviado há cerca de 10 anos pelo incansável Mestre Decanio (em memória), uma das mais fantásticas figuras da Capoeira que defende a democratização da informação… para o mestre, boa informação é aquela que é transmitida…
O Livro originalmente foi enviado ao Mestre Decanio pelo escritor, historiador e pesquisador Fred Abreu que conseguiu publicar os manuscritos de Noronha, com o apoio do Governo do Distrito Federal, Programa Nacional de Capoeira/Projeto Capoeira Arte e Oficio, DEFER e CIDOCA/DF
Mais uma excelente novidade para toda a comunidade capoeirística!!!

 

o-abc-da-capoeira-angola-manuscritos-de-mestre-noronha
Fica a dica de uma ótima e importante leitura, aproveite!!!

 

Agradecimentos especias:

Fred Abreu, Angelo Augusto Decanio Filho, Bruno “Teimosia” e A Família de Daniel Coutinho o Mestre Noronha, que autorizou esta publicação.
Programa Nacional de Capoeira/Projeto Capoeira Arte e Oficio – DEFER – CIDOCA/DF

“É um documento emocionante por que demonstra a sede que nosso povo tem manter e propagar a tradição provando que têm consciência de um povo sem tradição é uma arvore sem raiz… qualquer abalo destrói… como venho dizendo há anos…”

Desejando muita saúde, felicidade e  axé!
Decanio

 

 

Visite a seção de “DOWNLOADS DA CAPOEIRA” e confira as novidades

Maestrias de Mestre Pastinha: um intelectual da cidade gingada

Maestrias de Mestre Pastinha: um intelectual da cidade gingada

Resumo em português
Vicente Ferreira Pastinha, mais conhecido como Mestre Pastinha é a mais importante referência da prática que se convencionou chamar capoeira angola, e também um de seus principais pensadores. Nascido em Salvador no final do século XIX, sua vida perpassa momentos cruciais da experiência Afro-Brasileira das classes subalternas de Salvador ao longo do século XX. A partir da década de 1940, Pastinha leva adiante a proposta de preservar um estilo de capoeira, mobilizando um elemento cultural que ainda carregava negativos marcadores sociais de raça, cor e classe. Ao fazê-lo, procura inscrever também uma biografia que silencia aspectos de seu passado em favor de outros, consolidando-se como um importante intelectual da cidade gingada noção que será desenvolvida em oposição à ideia de cidade letrada. As distâncias, aproximações, travessias e tensões entre esses dois universos são os eixos da presente análise, que destaca o ambiente formador da experiência de Mestre Pastinha no período pós-abolição e seus percursos até 1971. Durante este período, o mestre sai de uma relativa invisibilidade entre os praticantes de capoeira para consolidar o Centro Esportivo de Capoeira Angola (Ceca) no Pelourinho, alcançando um amplo reconhecimento que o leva a percorrer vários estados do Brasil e a visitar a África participando do Primeiro Festival Mundial de Artes Negras no Senegal. Nesse sentido, nosso objetivo é analisar, por meio da trajetória de Vicente Ferreira Pastinha, quais são as condições de emergência, experimentação, consolidação e reconhecimento de saberes subalternos e racializados na Bahia do século XX. Ao mesmo tempo, procura-se apreender os processos de formação e modificação da subjetividade de Pastinha nos entre lugares de dois polos dinâmicos de saberes: a ginga e a letra. Subjaz a esta investigação, o suposto de que Mestre Pastinha contribuiu para a construção de uma versão da democracia racial na Bahia e no Brasil, mas, paradoxalmente, para evidenciar alguns dos controversos limites dessa imaginação nacional.
Resumo em inglês
Vicente Ferreira Pastinha, better known as Mestre Pastinha, is the main reference to the practice of capoeira angola (the Afro-Brazilian martial art) and also, one of its great thinkers. Born in the end of the XIX century in Salvador, Bahia, Pastinhas life evolved in parallel with crucial moments in the historiography of Afro-Brazilian subaltern classes along the XX century. From the 1940s onwards, Pastinha carries forward a proposal to preserve a traditional style of capoeira, a practice still negatively correlated with the social markers of race, colour and class. In doing that, Pastinha looks to create a biography that silences certain dimensions of his past while it privileges others. In the same process, he also affirms himself as an important intellectual of the gingada city (cidade gingada) a notion we define as opposed to the concept of the lettered city. The distances, approaches, crossings and tensions between those two dimensions are the main focus of this analysis, which underlines the role of the environment in Pastinhas experience during the pos abolition period and his pathway until 1971. Along this time, the Mestre emerges from a situation of invisibility among capoeira practitioners, to lead the initiative for the Centro Esportivo de Capoeira Angola (Capoeira Angolas Sport Center) at Pelourinho (Salvadors Historic Center). The wide recognition of Pastinhas experience at Ceca allows him to travel across many Brazilian cities to exhibit the practice of capoeira and to become one of the Brazilian representatives at the First World Festival of Black Arts in Senegal in 1966. Thus, our main goal is to analyse, through Vicente Ferreira Pastinhas trajectory, the conditions of emergence, experimentation, consolidation and recognition of subaltern and racialized knowledges in the XX century Bahia. Additionally, the research aims to comprehend the formation and modification of Pastinhas subjectivity while being in-between two very dynamic poles of knowledge: the letter and the ginga, or the writing and the capoeira. One of the assumptions underlying this research is that Mestre Pastinha contributed to the design of one form of the racial democracy in Bahia and Brazil. However, paradoxically, its trajectory also made visible some controversial limits of that national imagination.

Tese de Doutorado

DOI: 10.11606/T.8.2018.tde-18042018-100742
Documento: Tese de Doutorado
Nome completo: Jorge Mauricio Herrera Acuna
Área do Conhecimento: Antropologia Social
Data de Defesa: 2017-10-30
Imprenta: São Paulo, 2017
Banca examinadora
  • Schwarcz, Lilia Katri Moritz (Presidente)
  • Díaz-quiñones, Arcadio
  • Monteiro, Pedro Meira
  • Santos, Jocélio Teles dos
  • Silva, Laura Moutinho da

Mestre Moa do Katendê: O triste e covarde fim de um capoeira.

Mestre Moa do Katendê: O triste e covarde fim de um capoeira.

Mestre Moa do Katendê, um dos maiores mestres da nossa cultura popular, foi covardemente assassinado por sua postura antifascista.

Esfaqueado pelas costas, numa discussão política, Romualdo Rosário da Costa, 63 anos, mais conhecido como Mestre Moa, que sempre esteve a frente do seu tempo, nos deixa em um momento social e político extremamente delicado. O crime ocorreu por volta da meia-noite, na comunidade do Dique Pequeno, no Engenho Velho de Brotas.

Um pouco de cada capoeirista morre esfaqueado hoje! Mas não morrem as ideias de Mestre Moa, representante da cultura negra e da postura política necessária.

História

Mestre Moa do Katendê nasceu em Salvador, em 29 de outubro de 1954, no Bairro Dick do Tororó, Vasco da Gama, próximo ao Estádio Fonte Nova. Teve o privilégio de vir ao mundo, justamente, na terra que também é berço de grandes mestres da capoeira, tais como; Mestre Pastinha, Mestre Bimba, Mestre Gato, Mestre Canjiquinha, Mestre Valdemar e tantos outros. Mestre Moa foi aluno diplomado pelo mestre Bobó. Iniciou-se na arte da capoeira aos 8 oito anos de idade na Academia Capoeira Angola 5 estrelas.

Entretanto, às vezes, é necessário a um mestre, sair de sua terra, deixar as sementes de suas origens, para plantá-las em outras terras. Misteriosos: assim são os caminhos da vida. No momento não compreendemos porque uma coisa tem que ser de um jeito e não de outro, mas depois, com o decorrer do tempo, tudo se torna claro como as cristalinas águas que se abrem em véus ao cair das cachoeiras, no meio das matas.

Isso também aconteceu com o capoeirista baiano, como conta o site Angola Angoleiro Sim Sinhô:

“Aos 16 anos Môa do Katendê se afastou da capoeira angola e desenvolveu diversos trabalhos em grupos folclóricos, como o “Viva Bahia” e o “Katendê”. O desejo de disseminar seu trabalho com a cultura afro brasileira o levou a viajar para o Sul do país. Em 1984 foi para o Rio de Janeiro onde começou a ensinar a capoeira angola para não parar de treinar. De lá viajou para Porto Alegre e ajudou a implantar a dança afro no Rio Grande do Sul, até então desconhecida”.

Cumprida essa missão, Moa retornou à Bahia para dar continuidade aos trabalhos em sua terra natal.

Mestre Moa do Katendê: O triste e covarde fim de um capoeira. Capoeira Portal Capoeira 1

Desde que foi chamado pelas forças astrais superiores para defender para defender os valores e a cultura de seu povo, Mestre Moa tem se esforçado por ser um facho que brilha sobre o mundo das culturas, cujo berço tem origem na Mãe África. Imbuído dessa missão, Mestre Moa seguia pelo Brasil e pelo mundo desenvolvendo palestras, workshops e cursos no Brasil e no exterior, nos quais mostrava as riquezas da cultura afro-brasileira.

Mestre Moa do Katendê: “A capoeira me ensinou tudo isso e um pouco mais”

Capoeira é tudo que move para mim. É uma cultura rica, uma cultura dos ancestrais que eu procuro, sempre que posso, cultuar, zelar, transmitir conhecimentos. Na verdade, o conhecimento foi dado pelo meu mestre, daí eu sigo pelo mundo, sempre que posso, divulgando.

 

leia também:

CAPOEIRA E POLÍTICA: De Que Lado Você Está?

 

 

Conexão China – A capoeira encontra o kung fu

Conexão China – A capoeira encontra o kung fu

Em evento para convidados a celebrar o mês em quem o Brasil comemora sua Independência, a embaixada brasileira em Pequim apresentou nesta semana o curta-metragem “Capoeira encontra a arte marcial chinesa”.

O documentário é coproduzido pela Embaixada do Brasil e Flow Creative Content, em parceria com a Unesco, com apoio da gigante chinesa Tencent, está em fase final de tradução para a língua portuguesa.

O vídeo, que impressiona pela união de duas culturas aparentemente distantes, mostra o encontro dos mestres de capoeira brasileiros com mestres das artes marciais chinesas em Pequim e Hangzhou.

Ao explorar as diferenças e semelhanças entre suas artes, esses mestres discutem como as culturas tradicionais podem prosperar na sociedade moderna e ainda ajudar as pessoas a se relacionar com os outros e compreender a nós mesmos.

Conexão China – A capoeira encontra o kung fu Capoeira Portal Capoeira

Embaixada brasileira em Pequim apresentou em pré-estreia documentário de curta-metragem mostrando o encontro de capoeiristas e lutadores de kung fu. EMBAIXADA DO BRASIL, DIVULGAÇÃO

A produção faz parte da criação de uma Biblioteca Digital Aberta, projeto global lançado em 2015 pela Unesco, com o apoio financeiro e técnico suporte de Tencent. A idéia é promover o conhecimento inclusivo entre sociedades, criando uma rede internacional de esportes e jogos tradicionais, e salvaguardar e promover o patrimônio cultural imaterial por meio de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).

 

Fonte:

Jornal do Comércio: https://www.jornaldocomercio.com/