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Opinião: Capoeira Capitalista

Dia destes um companheiro propôs reflexão sobre ter lá a Capoeira se transformado numa vergonha, a Capoeira capitalista.
Achei interessante a proposta de reflexão, embora a frase não se possa aplicar a toda Capoeira, mas sim a grandes porções dos estilos hoje massificados, a Angola, Regional e Contemporânea-Senzala. Sei bem que a caracterização desses estilos ainda não foi empreendida, mas, afora diversos outros itens, a simples observação das respectivas gingas, fornecerá elementos para considerá-los estilos massificados. Devo acrescentar aqui que massisficação em si não considero defeito.

Voltando ao ponto, a Capoeira de hoje é capitalista, sim, mas qual o significado disto? Porque agora essa novidade de Capoeira capitalista? Está muito custosa, cara, a Capoeira? Estilo novo?

Não! Não! É capitalista não por ser cara, não por ser custosa, mas por reproduzir, timtim por timtim, aspectos fundamentais da ideologia do sistema em que vivemos que não é outro senão o nosso vigoroso sistema capitalista, com todas as suas mazelas e benesses.

E que aspectos ideológicos são esses que a Capoeira capitalista reproduz?

Por exemplo, no sistema capitalista o respeito à autoridade, à hierarquia, é necessário ao funcionamento das instituições, certo? O dono é quem define as políticas do empreendimento.

Pois é, o respeito aos mestres de Capoeira, instrutores, treineís, contramestres, professores, etc, encaixa-se perfeitamente nos ditames daquele respeito à hierarquia. Respeito no sentido de que um manda e os outros obedecem, respeito no sentido de que os supostos saberes dos de hierarquia mais alta prevalecem, necessariamente, sobre a suposta ignorância dos de hierarquia mais baixa.

Essa história vai longe, se quisermos. Por exemplo, vez por outra são colocados alguns assuntos em votação nos grupos de Capoeira. Isto certamente que dá a eles alegre cunho democrático. Certo! E o que faz o sistema capitalista no Brasil? Mantém milhares de casas legislativas para, de maneira semelhante àquela, decidir democraticamente sobre assuntos de interesse das pessoas.

Para não me alongar muito, ficam aqui duas sugestões e um resumo.

Que cada um procure descobrir aspectos mórbidos típicos do sistema capitalista, e verifique a presença desses aspectos nos grupos de Capoeira que conhece.

A outra sugestão, e sei que não é fácil, é cada um colocar em prática ações não reprodutivas da ideologia do sistema, sem, contudo, bater de frente com as demais instituições apoiadoras da Capoeira e do sistema.

O resumo é que a Capoeira da atualidade vem funcionando como fiel reprodura das relações sociais correntes na sociedade, e aqui se incluem a exploração do trabalho alheio, autoritarismos, formas de distribuição de benefícios, escamotear a divulgação de contas, descasos diversos com as pessoas, etc. Certamente, não é essa a Capoeira que queremos.

Mestre Fernando Rabelo – http://capoeiracambara.blogspot.com/

Capoeira: A Fábrica de Neurotransmissores

Atividades prazerosas com a arte capoeira otimizam o bem estar, a alegria e o mais importante: viciam!

Diversos estudos e comprovações científicas (e porque não também empíricas; ou seja; baseada na prática e na vivência) em relação aos benefícios das práticas corporais e atividades físicas planejadas apontam para a necessidade de tal estilo de vida para as pessoas ou ao menos um esforço para cumprir a meta de 30 minutos de exercícios ininterruptos 03 ou 04 vezes por semana. Ainda neste sentido, a OMS (Organização Mundial da Saúde) preconiza que para a pessoa não se caracterizar sedentária, ela deve dar no mínimo 10.000 passos diários. Então, adquira um pedômetro (aparelho que monitora distância e passos) e veja se consegue atingir tal marca. Imaginando o estilo de vida das pessoas atualmente, em principal nas grandes metrópoles, esta resposta nem precisaria de aferição. Seria NÃO. Levando-se em consideração as tecnologias advindas do capitalismo (Karl Marx já previa isto há tempos) e a escassez de tempo das pessoas.

Estranho é que mesmo com tanto incentivo e informação, um número significativo de pessoas, ou seja, uma parcela enorme da sociedade, ainda não se deu conta da tamanha necessidade de em se realizar atividades físicas planejadas e levão um padrão de vida parcialmente ou totalmente sedentário. Parcial, pois existem os “boleiros por uma noite” que justificam o seu sedentarismo relatando jogar aquele futebol uma vez por semana com os colegas. Dois tempos de 20 minutos, a maior parte do tempo fatigado (cansado) e ainda correndo um risco enorme de uma lesão muscular ou ainda de uma parada cardíaca súbita (o que não é raro de se ver nas famosas quadras society espalhadas pelo mundo) e depois do jogo muita carne vermelha, álcool e cigarro. Será que isto não é ser sedentário? E os totalmente imóveis, que até para comer não saem do carro. Preferem as longas filas onde se pede a “refeição” (no geral lanches e refrigerantes) e come-se ali mesmo olhando o pára-brisa do automóvel. Estes possuem uma rotina diária que alterna carro, elevador, mesa, computador, elevador, carro, sofá e cama. Leia novamente com calma: carro, elevador, mesa, computador, elevador, carro, sofá e cama e agora pense se não funciona assim mesmo! E no dia seguinte a mesma rotina e os mesmos problemas causados pelo stress da vida agitada, má alimentação, hipocinética (ausência de movimentos) e escassez de lazer e recreação.

Vamos ser realistas aqui, certamente que houve um aumento de praticantes regulares de atividades físicas planejadas e periódicas. Hoje, os parques e as praças estão sendo mais freqüentadas, as academias ganham a cada dia mais adeptos, as praias estão repletas de pessoas realizando algum tipo de exercício físico e mesmo as ruas estão sendo usadas e adaptadas para práticas corporais como caminhadas, corridas, ciclismo ou qualquer outra prática que movimente o corpo. Mas se fossemos dimensionar isto, certamente a parcela de acomodados e sedentários seria muito, mas muito maior em ralação aos ativos.

Todos nós sabemos que o tempo hoje em dia é um vilão para muitas pessoas. Jornadas incansáveis de trabalho, o trânsito das grandes metrópoles, as responsabilidades financeiras e sociais e o apego fiel a moderna “caixinha” ou “caixona” que liga o cidadão ao mundo; a TV. E agora outro sonho de consumo que está cada dia menor (em tamanho) e maior (em vendas); os PC´s; sedutores e altamente envolventes!

Incrível como se ouve por ai as mil e uma desculpas para não se iniciar um programa de exercícios ou até mesmo um encontro com amigos para uma simples caminhada.                 Prorroga-se ao máximo aquela matricula na academia, o compromisso de estar três ou quatro vezes por semana no parque para caminhar e quando se vai empurrando isto literalmente com a barriga, que certamente a esta altura já deve estar bem grande, espera-se o primeiro dia do ano para dizer: a partir do ano que vêm em janeiro, começarei a me cuidar. E de janeiro passa para fevereiro e daí para março e por ai vai até aguardar pelo próximo ano. Certamente, estas pessoas ainda não sentiram na pele (e na mente) a agradável sensação de bem estar, conforto e alegria proporcionados por uma boa aula de caráter aeróbio ou uma sessão de trabalhos com pesos.

Pós-exercício, o corpo tende a liberar diversos neurotransmissores que ativam a produção de hormônios destacando entre esses a beta endorfina, a serotonina, a noradrenalina e a dopamina que proporcionam diversas sensações ligadas ao prazer, alegria e bem estar corporal. É comum também, em conseqüência ao programa de exercícios realizados, a melhora do descansar, do repouso e do sono. O corpo busca por um equilíbrio maior, regulando diversas funções enquanto nos encontramos em estado de metabolismo basal, ou seja, em sono profundo.

Outro fator importante que observamos quando se adere às práticas de exercícios físicos dirigidos é a atenção voltada para a alimentação. A pessoa passa a se preocupar mais em se alimentar de maneira adequada eliminado alguns exageros e prestando a atenção ao que ingere pré treino, pós treino e também no decorrer do dia. Só não se pode neste momento achar que após uma sessão de exercícios, pode-se ingerir aquele pedaço recheado de bolo ou aquele lanche com muitas calorias só porque acabou de malhar. Mero engano. Se a pessoa gastou 500 calorias em sua sessão de exercícios e logo após ingere 700 ou 800 calorias entra em saldo positivo. Positivo! Que bom não é? Não! Saldo positivo de calorias; e conseqüentemente de tecido adiposo, ou seja: gordura visceral e também subcutânea. Se ingerir mais calorias do que se gasta, é esta a conseqüência: aumento na balança. Mas não de massa muscular magra, mas sim de gordura; a vilã. Mas será que é mesmo tão vilã assim?

Certamente não, a gordura tem função primordial no organismo. Além de fornecer energia (calorias/combustível) para as práticas rotineiras, ela também tem função termo regulatória e de transporte de nutrientes em especial de vitaminas. Desempenha também papel primordial quanto à produção hormonal e todos os seres humanos dependem dela sim. Só que de maneira balanceada. Ao contrário, ela pode se transformar em sobrepeso ou ainda obesidade mórbida o que não é raro de se ver hoje em dia. Aliás, é bem comum. São as pessoas que já encontram dificuldade de mobilidade/locomoção e os órgãos internos já se encontram com o funcionamento prejudicado em decorrência de tanta gordura corporal (visceral e subcutânea). Aí que entram as famosas cirurgias para redução estomacal, lipoaspirações e demais técnicas incisivas de controle de peso. Em muitos destes casos a questão está ligada com problemas de produção hormonal e fogem um pouco do controle das próprias pessoas. Eu disse um pouco porque muitos demoram a fazer um diagnóstico médico e assim estabilizar esta questão com medicações específicas, a realização de uma dieta balanceada sem excessos e o início a um programa de exercícios dirigidos.

Trabalhar com práticas corporais com esta população (obesos/obesos mórbidos) requer muito conhecimento, em razão da falta de condicionamento físico, a dificuldade de mobilidade, a debilidade de certos órgãos vitais e a sobrecarga nas articulações, tendões e ossos ocasionada pelo grande volume de massa corporal. Qualquer erro na prescrição de exercícios pode levar a lesões e assim prejudicar ainda mais o paciente/aluno. O certo é que esteja bem ou mal diante da balança, não se pode vacilar.

O lance é realizar um “auto-investimento” e aderir o mais rápido possível á um programa de exercícios físicos. Leia novamente. Um programa de exercícios físicos, planejado e periódico e não qualquer atividade física única, solta e solitária. Algo que conte com certo planejamento realizado por um profissional da área médica que tenha continuidade. Falaremos desta tal “continuidade” à frente!

Este investimento certamente trará inúmeros retornos positivos como bem-estar e também a sobrevida. Quem não quer ganhar alguns anos a mais hein?

Uma dificuldade que as pessoas geralmente encontram ao começar um plano de exercícios é a falta de vontade em realizar este programa. Certamente, se a pessoa vai forçada, ela irá desistir. Se não sente prazer em levantar pesos, irá parar. Se não gosta de esteiras e bicicletas ergométricas, também irá parar. Se não curte as aulas de caráter aeróbio incrementadas com ritmos alucinantes, não seguirá. Veja, são inúmeras opções e cabe a pessoa encontrar o que gosta e o que sente prazer em realizar. Se não gosta de pesos, encontre alternativa trabalhando com o próprio peso do corpo. Se não gosta de correr em esteiras, procure um local ao ar livre como opção.

A este ponto o leitor deve estar se perguntando: O que este texto faz em um site específico de capoeira. Resposta: esta modalidade é uma fantástica opção para as pessoas que encontram dificuldade em dar seqüência a um plano de exercícios (a tal continuidade). A capoeira envolve ludicidade com esporte, ritmo com malhação e o mais importante: é periódica; tem seqüência. Os treinos ocorrem três ou quatro vezes por semana com duração de uma hora á uma hora e meia (para os menos empolgados) e traz consigo aquela disciplina que as pessoas na verdade querem de um programa de exercícios. Vejo pessoas que furavam treinos em sala de musculação semanalmente e que após iniciarem as aulas de capoeira mudaram radicalmente de conduta, com poucas faltas e maior compromisso de presença nas aulas. Lógico que isto não funciona a todos. Nem caberiam todos em nossas salas de treino Há pessoas que preferem trabalhos de musculação, outras lutas, outras aulas predominantemente aeróbias com acompanhamento musical. Mas o segredo é encontrar algo que a pessoa goste; que sinta falta e que tenha continuidade. A continuidade e o prazer na realização é fundamental para um programa de exercícios entrarem no hábito da pessoa. Se a desistência ocorrer logo nas primeiras sessões, certamente esta pessoa terá dificuldade em tentar novamente.

Atualmente, já presenciamos que alguns métodos de treinamento, em especial, ginásticas ritmadas com coreografias, se baseiam em alguns movimentos das lutas para comporem um sistema de exercícios aeróbios de alta intensidade. Com a capoeira não foi diferente. Seus movimentos, em especial os mais básicos, como a ginga e algumas variações de chutes e esquivas mais simples já estão sendo utilizadas em programas de aulas padronizados por empresas de fitness. O que pode mobilizar o praticante a buscar mais afundo os exercícios e movimentos da arte capoeira por uma questão lógica de curiosidade, encanto ou porque simplesmente funciona bem no processo de supercompensação (adaptação do organismo aos treinos).

Para os “capoeiras” mais tradicionais, ver alguns de nossos movimentos inclusos em  aulas que  nada tem a ver com um curso de capoeira é extremamente perturbador. Sinceramente não vejo problemas, pois isto de certa maneira divulga a nossa arte e pode despertar o interesse das pessoas para praticar a modalidade na sua íntegra com todos os fundamentos e tradições que encantam e envolvem as aulas de capoeira. Quem não viveu muitos anos envolvido com a capoeira e não esteve ali dentro no círculo mágico (na roda) nunca conseguirá conduzir uma aula rica e fundamentada. Então estes métodos de ginástica geral ajudam o nosso “marketing”.

Voltando aos treinos e seqüências nos treinamentos, se há disposição e certo tempo hábil, o ideal seria mesclar algumas modalidades para se obter uma resposta mais efetiva ainda. Uma ótima combinação; planejada e dividida ao longo da semana envolveria, por exemplo, trabalhos com pesos na sala de musculação, aulas periódicas de capoeira e trabalhos de natação e hidroginástica na piscina. Tudo isto voltado para cada indivíduo com treinamentos divididos e separados para não haver sobrecarga no trabalho corporal. Esta “meia verdade” de que “quanto mais melhor” nas práticas do corpo pode levar o indivíduo a exaustão com aulas de longa duração, excessos de pesos, distúrbios psicológicos como a vontade de realizar diversas modalidades no mesmo dia e tudo ao mesmo tempo (pasmem; há pessoas que passam incríveis 04 horas dentro de uma academia por dia!), o que atrapalha em muito a resposta dos exercícios ocorrendo efeito inverso em relação aos benefícios que as práticas corporais podem proporcionar. É onde entra a opinião do profissional para orientar e auxiliar o indivíduo a achar algo prazeroso e contundente para a sua saúde. E com todo este movimento pró-exercícios e qualidade de vida, a capoeira tem lugar em destaque. Basta o profissional que lida com esta modalidade atentar para os seus benefícios e oportunizá-la afinal capoeira meu camarada é tudo que a boca come! Salve.

Ricardo Augusto da Costa – Beija-Flor

Jornalista, Professor de Educação Física e Colunista do Portal Capoeira

Blog: bfcapoeira.vilabol.com.br

e-mail: beijaflor@portalcapoeira.com

Portal Inaugura nova Editoria – Pedagogia

 

Pensando em unir experiências, estudos e conhecimentos referentes ao ensino da capoeiragem, o Portal Capoeira inaugura uma nova seção de serviços para registrar dicas, projetos, planos de aula e de ensino, movimentos, jogos e aulas adaptadas, brincadeiras e ludicidade, modelos de metodologias, musicalidades e afins.

Esta iniciativa tem como objetivo multiplicar e socializar as informações para contribuir na qualidade das aulas que um educador leva ao seu aluno. Este espaço estará aberto para o registro de pedagogias de ensino assim como abordagens e procedimentos utilizados durante o processo.

Venha somar com sua contribuição, certamente ele ajudará no processo de legitimação de nossa arte capoeira dentro da pedagogia e da educação!

 

Serviço:

Seção PEDAGOGIA – Visite, leia, participe!!!

* Para enviar sua contribuição para esta ou qualquer seção do Portal Capoeira basta entrar em contato através do e-mail: mail@portalcapoeira.com

PESQUISA: O COMPORTAMENTO DOS PAIS EM RELAÇÃO À PRÁTICA DA CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

APRESENTAÇÃO DOS DADOS DA PESQUISA
 
Realizamos durante o primeiro semestre do ano 2006, 100 entrevistas com pais ou responsáveis por crianças de 03 à 06 anos de idade que freqüentam unidades de educação infantil municipais e particulares dos municípios de Santo André/SP, São Bernardo do Campo/SP e São Caetano do Sul/SP. Adotamos o método qualitativo descritivo, formulando perguntas que nos esclarecessem a realidade quando os pais optam pela atividade física que o filho irá praticar na escola de educação infantil e também na visão ou idéia que fazem da capoeira e seus benefícios. Ou seja, como estes pais pensam a respeito da arte capoeira e seus mestres/professores dentro da educação infantil e como se comportam ou influenciam nas escolhas esportivas de seus filhos.
 
Dos dados coletados nas pesquisas, estabelecemos as seguintes categorias de análises e interpretações:
MODALIDADES ESPORTIVAS OFERECIDAS PELAS INSTITUIÇÕES
ATIVIDADES QUE DESPERTAM MAIOR INTERESSE DAS CRIANÇAS
A CONCEPÇÃO DE CAPOEIRA
O PROFESSOR DE CAPOEIRA
A PRÁTICA DA CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
 
Análise e Conclusão
 
Após analisarmos os dados concluímos que estamos diante de um fenômeno revolucionário dentro do universo da capoeira com as suas adaptações dentro da sociedade e em especial no cenário da educação infantil (primeira infância que contempla dos 02 aos 06 anos de idade). Em dado momento ela estava nas senzalas e era a arma dos negros escravos para alcançarem a liberdade. Passou então por uma fase de marginalidade onde ser capoeirista, significava pertencer a alguma malta ou bando e estar sujeito a penas como prisão ou deportação. Hoje vive um cenário promissor ganhando o planeta e tendo como resposta o trabalho pedagógico através da prática biopsicossocial.
 
Com a sua transição, e acompanhada de figuras ilustres como Mestre Bimba, Mestre Pastinha, Annibal Bulamarqui, Mestre Waldemar da Liberdade entre outros, a capoeira se tornou uma poderosa ginástica e um método de ensino que levava à sociedade disciplina e saúde. Mesmo que influenciada por um conceito higienista (defesa da educação física nas escolas para a eugenização da raça brasileira, implantação de hábitos saudáveis, salientando o seu aspecto simbólico, cultural e histórico)
 
Então, o Presidente Vargas derruba o decreto que fazia da capoeira um crime e transpõe a sua prática para instituições de ensino e ambientes fechados. Ela ganha as escolas, as universidades as instituições militares. Mas como fazer com que se adequasse a estes novos ambientes? Ambientes estes em geral distintos às senzalas e navios negreiros, as ruas e praças. E isto, ainda, sem perder suas raízes e seus fundamentos.    
Enxergamos então, com base nestes estudos e pesquisas a habilidade e a criatividade dos educadores sociais (mestres/professores de capoeira) em propagar a capoeira e utilizá-la como ferramenta pedagógica e de inclusão social . A sua história está entrelaçada com as raízes da escravidão e a sua prática é algo mágico para quem realiza e belo a quem admira.
 
Nas escolas de educação infantil, a capoeira ganha o respeito e a admiração das crianças. Notamos que de fato, isto se deve muito à didática e a metodologia do professor que está dirigindo a modalidade. Contudo, uma roda de capoeira é singular, é única. E neste espaço a criança se alegra, salta, gira e retira deste momento o melhor resultado.
 
A aceitação da capoeira, pelos mais diversos meios da sociedade, melhorou nos últimos cinco anos e ainda não sabíamos em que ponto isto se encontrava. Certamente, até mesmo para nossa surpresa, as respostas concedidas nas pesquisas realizadas pelo nosso projeto, nos levaram a concluir que os pais acreditam nos benefícios físicos e sociais através da prática da capoeira. E que certamente a cultura ainda é muito valorizada, apesar de sofrer enormes transformações de caráter e conteúdo.
 
Não cabe a nós, descartarmos o preconceito, embutido em nossa sociedade e que certamente ainda dificulta o trabalho de muitos professores e mestres. Não só na capoeira, mas com diversas manifestações que construíram a herança cultural do povo como o maculelê, o samba de roda, a puxada de rede as danças regionais como o carimbó, a catira e o maracatu, enfim; uma série de temas trabalhados juntamente com a herança cultural dos africanos que proporcionam ao professor de educação corporal um “arsenal” de brincadeiras e possibilidades. Em dados momentos na análise das respostas, isto ficou evidente, porém em pequeno percentual (cerca de 18% das respostas)
 
O processo de explicitação do valor da capoeira e de suas tradições se faz necessário e afirmamos que é até importante para a sua riqueza enquanto cultura e não produto de consumo em massa. Cabe ao educador de capoeira quebrar com este paradigma e sanar dúvidas e até mesmo sofismas que estão “embutidos” no imaginário popular; o chamado inconsciente coletivo.
 
As construções de idéias e conclusões por parte da sociedade dependem muito do que estes enxergam na mídia e, alguns programas exibidos em canais abertos e fechados de televisão recentemente para a população, já associam a capoeira com educação e isto certamente influenciou os pais nas respostas de caráter qualitativo que obtivemos com nossas pesquisas, já que alguns até comentaram a nós que haviam assistido algo sobre capoeira relacionado com educação e inclusão social em programas de televisão.
 
Certamente, o trabalho de alguns mestres e professores, com qualidade e realizando bons eventos, também contribuiu para a melhoria no campo de inserção da capoeira. Isto servirá como base para que futuramente outros professores possam ter o reconhecimento de sua profissão como mestres de capoeira e/ou educadores de capoeira sem sofrerem preconceito ou discriminação.
 
Conseguimos ainda concluir que a imagem do mestre/professor de capoeira está ligada a disciplina e sabedoria. Quebrando um padrão “marginalizado” e que sempre associou a capoeira com “malandragem”. Cerca de 80% dos entrevistados fizeram associação dos professores de capoeira com palavras como “educação” e “disciplina”. Não alvo de nossa pesquisa, mas nitidamente notado, foi a diplomação do capoeirista no ambiente acadêmico. Buscando agregar aos seus conhecimentos novas perspectivas biológicas, humanas ou sociais.
 
Aulas de Capoeira na Educação Infantil / P.B.F São Bernardo do Campo/SPContudo, a capoeira ainda precisaria ser implantada por um número maior de escolas e unidades de educação infantil em razão da promissora mão-de-obra existente no mercado, pois apenas 30% dos entrevistados reconheciam a modalidade na escola em que seus filhos lecionavam. Talvez a construção de bons projetos nesta área, publicidade ou até programas de incentivo, poderiam proliferar o número de escolas de educação infantil que optariam pela prática da capoeira. Este processo, de certa forma foi identificado, pois no último ano a procura por professores de capoeira nas unidades de Educação Infantil quase triplicou com base nos coordenadores e proprietários que nos procuram para implantar o projeto de capoeira nas suas instituições. Que este estudo seja capaz de apontar ao profissional que lida com capoeira a missão que está sob sua responsabilidade. Preencher os espaços que estão nos abrindo e ainda conscientizar educadores e coordenadores pedagógicos da importância de nossa arte dentro do universo educacional. Uma arte que ganha espaço a cada dia, mas que precisa ser muito bem conduzida para não perder a direção em que caminha.
 
Adeus, Adeus! Boa Viagem
 
Pesquisa Realizada pelo Projeto Beija-Flor Capoeira Para Todos
Data: Março de 2006 à Agosto de 2006
Responsáveis pela Pesquisa de Campo
Ricardo Augusto da Costa
Rodrigo César Gomes da Silva
Análise Prof. Cristiane Guzzoni
 
Para obter a pesquisa da integra enviar pedido no e-mail: beijaflor@portalcapoeira.com
Visite: http://bfcapoeira.vilabol.com.br

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DO RIO DE JANEIRO 2005

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DO RIO DE JANEIRO 2005, que se realizará entre 22 de setembro e 6 de outubro selecionou o filme MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA para uma das suas mais importantes mostras: RETRATOS.
 
Uma grande noite de gala está prevista para o cinema ODEON, em data a ser comunicada pela imprensa, com a presença da equipe de filmagem e de alguns dos ex-alunos de Bimba que participam do filme.
 
Para esse festival, que trará os mais recentes filmes de prestígio de todo o mundo, estarão no Rio cerca de 200 convidados estrangeiros, entre eles executivos, produtores e diretores de 60 países. Todas as grandes empresas da indústria cinematográfica internacional estarão presentes aos locais de exibição e, principalmente, aos encontros de negócios do Festival.
 
Serão dois preciosos momentos que certamente proporcionarão visibilidade nacional e internacional para a capoeira, alem de uma grande oportunidade de divulgação para a comovente história do grande Mestre Bimba.
 
Se você estiver no Rio de Janeiro nesses dias, não deixe de comparecer nas sessões.
Leve o seu grupo. Queremos transformar esses eventos numa grande roda para toda a capoeira.
 
Um abraço do: Luiz Fernando Goulart