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Embú das Artes: Capoeira ganha espaço e faz 1ª Conferência

São Paulo – Embú das Artes

A capoeira acaba de conquistar mais espaço na cidade. Neste ano de 2014, o Governo Municipal, por meio da Secretaria de Cultura, trabalhará direto com a Associação dos Capoeiristas de Embu das Artes, em busca até mesmo de captação de recursos para a promoção de atividades do esporte na cidade. O presidente da associação, Sérgio de Oliveira Cabrito, o Joca, do Ponto de Cultura Projeto Diversidades Culturais na Capoeira, que funcionam no Jardim Novo Campo Limpo, está otimista.

“Precisamos aprovar agora a Lei da Profissionalização da Capoeira dodeputado federal Carlos Zarattini”, diz Joca. O Projeto de Lei 2.858/2008, que aguarda sanção em Brasília, DF, dispõe sobre a regulamentação da atividade e cria o Dia Nacional da Capoeira e do Capoeirista, além de declarar sua importância como cultura, esporte e meio de inserção social. “Capoeira é o esporte mais completo que existe. Envolve cultura, esporte, educação, lazer e é a mistura de todas as artes marciais”, afirma Joca, 41 anos, 22 de prática. A capoeira é Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira, registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Iphan) e Ministério da Cultura (MinC), no governo Lula, em 2008.

 

DIA 22/2, NA CÂMARA

No encontro realizado em 25/1, entre capoeiristas, suas associações (há mais de 30 na cidade) e a Secretaria Municipal de Cultura, ocorreram dois fatos importantes: a formalização da Associação dos Capoeiristas de Embu das Artes e a indicação da cidade como sede da Conferência Regional de Capoeira, a qual será realizada no dia 22 de fevereiro, às 14h, na Câmara Municipal embuense (rua Marcelino Pinto Teixeira, 50).

A conferência é aberta a todos os interessados.

Fontes: http://www.embudasartes.sp.gov.br – http://capoeirajoca.blogspot.pt/

Angra dos Reis: Abadá Capoeira faz apresentação temática

Grupo Abadá Capoeira faz apresentação temática

Vai chegando o Natal e dezenas de jovens e crianças da unidade local do Grupo Abadá Capoeira, com integrantes convidados de outros municípios, tomam conta da cidade, sempre em uma manhã de sábado, para fazer a tradicional roda de Natal e alegrar os corações de crianças de todas as idades. Dessa vez a concentração aconteceu na sede do grupo, na Rua João Gregório Galindo, às 10horas. De lá saíram  25 adultos vestidos de Noel  e  dezenas de capoeiristas mirins; todos com gorros vermelhos. Foram também integrantes do projeto Escolinha de Capoeira nas Comunidades, que atende a centenas de jovens e crianças.

Eles foram chegando e chamando a atenção, principalmente dos pequeninos, cantando e dançando pelas ruas da cidade. A turma parou nas principais praças do município e fizeram as rodas de capoeira, diferentes e muito bonitas, que atraíram um grande público.

A primeira parada do grupo foi na Praça Zumbi dos Palmares, depois das 10horas. Em seguida, o grupo foi para a Praça da Matriz .

A Capoeira Noel terminou com uma grande festa de confraternização entre os integrantes das escolinhas de diversos bairros, todos juntos, fazendo uma grande roda na Praça Codrato de Vilhena (Papão), com show de maculelê e entrega de brinquedos para as crianças.

O encontro é realizado há vários anos e tem também como um dos objetivos a integraçãodos alunos além demostrar que a solidariedade é fundamental para a prática de qualquer esporte.  As praças foram agraciadas com a festividade durante todo o dia.

“Um encontro para finalizar o ano da nossa capoeira com chave de ouro. É uma alegria poder contar com a participação de tanta gente. Os angrenses abraçam nosso eventoe isso nos enche de orgulho,” comentou emocionado o mestre Arisco.

Fonte: http://www.avozdacidade.com

Foto: Wagner Gusmão

Escravos, Capoeira, Capoeiragem…

 

Segundo o nosso querido e saudoso Mestre Decanio “Galera et Caterva… Um bom complemento para história da capoeira…”

O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro. Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto. De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real.

Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas. Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso.

Ø      Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista.

o       A arte marcial (ainda) não era um crime.

§        Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.

Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19. A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou “capoeiras”) nas ruas.

Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer. Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791. Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruindo engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.

Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar. Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade.

Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos.

Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.

Ø      Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em “maltas”. Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar.

Ø      “As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças”, diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850).

o       Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras[1], historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.

§        Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial. Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeira teria nascido em senzalas ou quilombos.[2]

Ø      “A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana”, afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17.

o       Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra “capoeira” é mencionada sem se referir à luta.

§        Esse era o nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio[3].

·        Esses estivadores[4] negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias [5]para ver quem era o mais hábil.

§        O nome “capoeira” teria passado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa. [6]

o       Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade. Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.

A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico.

Ø      “Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim, para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares”, diz Soares.

o       As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório público ficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.

A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa. Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser malvista. [7]

A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem. Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando “capoeiragem”.

 

 

CHIBATADAS E SERVIDÃO

A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras, que passou a ser acrescida de castigos corporais.

Ø      Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante.

o        Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banidas.

No Brasil de dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados, que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas.

Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861).

Ø      A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá[8].

o       Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias,  os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.

O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras. Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio).

O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos. Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados. Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.

Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exemplo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado “uma bofetada de mão aberta”.

Ø       Mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para manter a ordem[9].

o       Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos.

o       Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados.

Uma demonstração de poder e tanto!

 

 

GUERRA NAS RUAS

O ano de 1831 foi marcado pela oposição dos liberais ao reinado de dom Pedro I, que acusavam o imperador de discriminar os brasileiros e cometer abusos.

Em contrapartida, portugueses defendiam a manutenção do monarca e de antigos privilégios.

Os ânimos andavam exaltados.

Em 11 de março os portugueses enfeitaram janelas e sacadas de suas casas e comércios na região da Candelária. Saudavam o imperador, que chegava de uma viagem a Minas Gerais.

Quando passeava pela rua da Quitanda, o sapateiro negro José Antônio foi insultado por um grupo de lusos, que exigiam que ele e suas duas acompanhantes tirassem do braço os laços que ostentavam, com as cores da pátria brasileira.

Ø      Os três se recusaram e se queixaram à polícia sobre a agressão. [10]

A partir daquele momento, o acirramento entre portugueses e brasileiros entrou numa escalada sem volta.

Durante o dia 13, enquanto militares se insurgiam contra o “imperador tirânico”, um grupo de negros armados de paus ocupou as ruas ao redor do largo da Carioca bradando “constituição” e “independência”. Os monarquistas saíram a campo com o apoio de marinheiros e caixeiros portugueses.  Os xingamentos deram lugar a pedras, cacos e garrafas.Capoeiras[11] distribuíam golpes certeiros enquanto os brancos se defendiam como podiam. Foram feitos disparos de pistolas e pelo menos dois negros caíram mortos. A multidão se dispersou, temporariamente.

O temporal que caiu sobre a cidade naquela noite acalmou os ânimos, mas os conflitos seguiram. Já era madrugada do dia 15 quando uma patrulha da polícia evitou que mais de mil homens armados se digladiassem em pleno Paço Imperial.

  • A sorte de dom Pedro, contudo, foi selada por esses episódios, conhecidos como “as noites das garrafadas”.[12]
    • A elite brasileira e o Exército seguiram pressionando por mudanças no regime, até que, em 7 de abril de 1831, o monarca abriu mão do trono em favor do filho de 5 anos. Como o menino era jovem demais, os liberais assumiram o governo, no período chamado Regência.

Ø      O apoio dado pelos capoeiras [13]à queda do imperador, entretanto, não garantiu a eles nenhum privilégio.

o       Pelo contrário: o sucesso de sua atuação nos conflitos de rua acabou sendo interpretado pela elite como uma ameaça.

§        Afinal, se voltassem a agir juntas, as gangues de escravos do Rio representariam um sério perigo para os senhores.

Dessa forma, os primeiros anos do período regencial foram marcados pela expectativa de um levante da chamada “gente preta”. O temor acabou se traduzindo em repressão, mas a Polícia da Corte não fez uso só da força. Com táticas de espionagem e delação, ela sufocou uma a uma todas as agitações promovidas sob a liderança dos capoeiras.

A pior ocorreu em1835, com a repercussão da Revolta dos Malês, iniciada em 25 de janeiro, em Salvador. Contida na Bahia em dois dias, a insurreição acabou não chegando ao Rio.

Os poucos negros que tentaram insuflá-la foram detidos.

Nos anos posteriores, as gangues não conseguiram atuar de forma coesa; Isoladas, eram presas fáceis para as autoridades e não tinham força para articular um movimento que exigisse direitos e liberdade.

Ø      “Os cativos não representavam um grupo social coeso. A população escrava brasileira era fragmentada”, afirma o historiador Soares.

o       “Se aqui tivesse havido uma suposta unidade racial, pensamento só vigorante a partir do fim do século 19, a escravidão teria sido eliminada em dias, como ocorreu no Haiti.”

§        Nem mesmo a abolição da escravidão e a proclamação da República serviram para acabar com a repressão contra os capoeiras. Em 11 de outubro de 1890, foi promulgado o código penal do novo regime. Em seu artigo 402, ficou estabelecida uma pena de dois a seis meses de prisão para quem praticasse a arte marcial nas ruas.

·        Para os chefes das maltas, essa punição seria aplicada em dobro, enquanto os reincidentes poderiam ficar presos por até três anos.

Ø      A capoeira, finalmente, havia se tornado crime, para o alívio da elite que vivera amedrontada por quase um século.

 

O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro.

Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto.

De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real.

Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas.

Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso.

Ø      Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista. A arte marcial (ainda) não era um crime[14]

o       Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.

Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19.

A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou “capoeiras”) nas ruas.

Ø      Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer.

o       Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791.[15] Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruído engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.

Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar.

Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade.

Ø      Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos.

o       Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.

§        Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em “maltas”. Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar.

Ø      “As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças”, diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850).

Ø      Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras, historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.

o       Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial.

§        Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeira teria nascido em senzalas ou quilombos. [16]

Ø      “A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana”, afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17.

o       Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra “capoeira” é mencionada sem se referir à luta.

o       O nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio. Esses estivadores[17] negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias para ver quem era o mais hábil. O nome “capoeira” teria passado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa.[18]

Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. [19]

As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade.

Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.

A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico.[20]

“Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim, para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares”, diz Soares.

As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório público ficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.

A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa.

Ø      Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser malvista.

o       A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem.

Ø      Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando “capoeiragem[21]“.

 

 

CHIBATADAS E SERVIDÃO

A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras.,que passou a ser acrescida de castigos corporais.

Ø      Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante.

Ø       Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banida[22]s.

No Brasil de dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados[23], que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas.

Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861).

A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá. Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias, os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.[24]

O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras.

Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, ele foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio).

O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos.

Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados.

Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.

Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exemplo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado “uma bofetada de mão aberta”.

Ø      Mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para, manter a ordem.

Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos.

Ø      Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados.

Uma demonstração de poder e tanto!

 


[1] Grifo AADF

[2] Idem

[3] Idem

[4] Observe-se que esta é uma atividade da população portuária. Grifo e observação de AADF.

[5] Idem

[6] Capoeira como sinônimo de capoeirista. Nota AADF

[7] Grifo AADF

[8] Idem

[9] Idem

[10] Grifo AADF

[11] Idem

[12] Idem

[13] Capoeirstas.Nota AADF

[14] Grifo AADF

[15] Idem

[16] Idem

[17] Idem

[18] Por metonímia. Nota AADF

[19] Idem

[20] Grifo AADF

[21] Idem

[22] Idem

[23] Idem

[24] Idem

 

Texto: Angelo Augusto Decanio Filho – 16/01/2007

Livro: Entre a Vadiagem e a Academia

Entre a Vadiagem e a Academia – O Local e o Global na Capoeira de Belo Horizonte

Resumo ampliado

O livro adota a noção de mestiçagem no Brasil sob um ponto de vista que considera mais do que uma evidência empírica, demonstrando-a como valor constituído e constituinte de um repertório da capoeira acessível por meio da memória. Para isto, considera as “tradições inventadas” (HOBSBAWN; RANGER, 1984) na capoeira como reflexos das relações raciais no Brasil, apresentando a capoeira na cidade de Belo Horizonte (Minas Gerais) como estudo de caso. A discussão desenvolvida no livro também aborda o Turismo como articulador de relações entre as culturas, entendendo que as ressignificações simbólicas das culturas são influenciadas, mesmo que não sendo exclusivamente, pelo Turismo. O livro pretende demonstrar a capoeira na cidade de Belo Horizonte como estudo de caso para identificar a concepção de ‘afro-brasileiro’ e do afro-descendente na identidade local. A argumentação é embasada em pesquisa realizada pela autora para obtenção do título de especialista em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em 2007. A pesquisa teve enfoque qualitativo, utilizando para coleta de dados a pesquisa de campo, a realização de entrevistas do tipo pessoal/formal/estruturada com mestres e alunos capoeiristas de dois grupos de capoeira: Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA) que se identificava como sendo de capoeira angola e Grupo Bantus Capoeira (GBC) que se identificava como sendo de capoeira regional/contemporânea na cidade de Belo Horizonte. Ambos os grupos mantinham fortes relações com o Turismo. Também foram utilizados formulários de entrevistas para coleta de dados com capoeiristas turistas brasileiros e estrangeiros que tiveram contato com a capoeira em Belo Horizonte, observação sistemática de rodas de capoeira da cidade, pesquisa bibliográfica e no acervo do Museu da Capoeira (idealizado e coordenado pelo Mestre Noventa) e entrevistas com os mestres Toninho Cavalieri (tido como principal precursor da capoeira em Belo Horizonte) e Primo (Grupo Iúna de Capoeira Angola). Partindo dos resultados da pesquisa, o livro aborda a percepção dos capoeiristas sobre o que seriam as características peculiares à capoeira local, bem como as concepções sobre as relações raciais e de gênero na capoeira da cidade. Aponta, também, a percepção dos capoeiristas sobre a influência do Turismo e do mercado global na capoeira local enfatizando as relações e ressignificações simbólicas que esta influência acarreta para o capoeirista turista e o capoeirista residente, demonstrando como a viagem torna-se um valor importante para os capoeiristas em Belo Horizonte e, como a viagem ao exterior para dar aulas de capoeira é um ideal profissional dos capoeiristas locais, inclusive como forma de busca pela independência econômica. Essa concepção de valorização da viagem aumenta a partir da interação destes capoeiristas através dos meios de comunicação de massa globais, as trocas culturais advindas do Turismo e de sua participação na indústria cultural mundial. Neste processo, os objetivos e buscas dos capoeiristas na prática da capoeira modificam-se, influenciando e sendo influenciados a partir das trocas culturais, ampliando as percepções sobre a cultura afro-brasileira e as percepções do afro-descendente em nível local e global.

Mini-currículo autora

Patrícia Campos Luce é turismóloga de formação (Centro Universitário Newton Paiva), especialista em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros (PUC/MG) e Mestre em Lazer (UFMG). Capoeirista há 9 anos, desenvolve pesquisas enfocando a prática da capoeira desde sua graduação em Turismo. Trabalhou na Superintendência de Interiorização da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais desenvolvendo projetos culturais relacionados à cultura afro-brasileira no interior do Estado de Minas Gerais. É sócio fundador do Instituto Brasileiro de Turismólogos, tendo atuado na comissão científica desta instituição focando pesquisas relacionadas ao turismo e cultura. Atualmente é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Bahia residindo em Salvador e desenvolvendo pesquisas em diálogo com as áreas da Antropologia da Técnica, da Prática, do Corpo e da Performance tendo a capoeira como principal objeto de estudo.

Baiano radicado no Rio, Mestre Camisa levou a capoeira a mais de 60 países

O peregrino capoeirista foi para o campo e fundou ‘quilombo moderno’

RIO – “Não tem erro. É só dirigir até Itaboraí e pegar a estrada para Cachoeiras de Macacu. Me liga quando estiver chegando que eu espero vocês na segunda queijaria”, diz o Mestre Camisa, pelo telefone, informando as coordenadas do sítio onde ele mora e organiza encontros nacionais e internacionais e aulas de capoeira. O sotaque é a mistura equilibrada de um baiano radicado no Rio que, há 16 anos, foi morar no interior do estado. Encontramos o capoeirista na RJ-116 e seguimos sua picape numa estradinha de barro espremida entre uma encosta e um charco. Logo depois de um enorme pé de açaí, fica a entrada do sítio, um lugar idílico, onde pavões, araras, gansos e papagaios ficam soltos o tempo todo. Voam embora, mas voltam. Há uma capelinha de São Jorge no pé de um pequeno morro e, espalhados num imenso gramado, amplos quiosques construídos para o treino da arte que, como define Camisa, “engravidou na África e nasceu no Brasil”.

 

 

— Este lugar é um quilombo moderno, de resistência contra o estresse da cidade grande — explica José Tadeu Carneiro Cardoso, de 58 anos, que batizou o local de Centro Educacional Mestre Bimba, em homenagem ao criador da chamada capoeira regional e seu mentor na adolescência em Salvador. — Luto para preservar a memória dele. A capoeira é patrimônio imaterial do Brasil. A melhor forma de manter sua história é cuidar do legado dos mestres.

Camisa deixa seu pequeno paraíso e vem ao Rio pelo menos duas vezes por semana, para acompanhar aulas e participar de reuniões. Está sempre confabulando algo. No momento, organiza o recém-criado Instituto Mestre Camisa e trabalha na produção do festival que, em agosto, vai comemorar os 25 anos da Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte-Capoeira (Abadá-Capoeira), criada por ele. Mais de cinco mil “seguidores” estarão na Fundição Progresso, na Lapa, para três dias de shows e atividades envolvendo as artes da capoeira (dança, luta, música, artesanato etc).

Vai ser uma celebração da própria vida de Camisa. Ele tinha 16 anos quando veio parar no Rio ao final de uma turnê que costurou o país com apresentações de capoeira e música baiana. Antes de criar seu próprio método de ensino e filosofia, o nordestino integrou o Grupo Senzala durante anos. O primeiro aluno foi um gaúcho que tinha visto o show do “Furacões da Bahia”. Na época, Camisa ainda morava num quartinho da academia em Laranjeiras onde dava aulas. Hoje, ele bate no peito ao dizer que ensinou capoeira a milhares de pessoas no mundo.

O capoeirista já esteve em mais de 60 países para ministrar palestras e cursos. Este ano, foi inaugurado o Complexo Residencial Mestre Camisa, conjunto habitacional na cidade de Romilly-sur-Seine, na França. Por causa do seu trabalho de pesquisa e divulgação da cultura brasileira, recebeu até título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Uberlândia. Além disso, a Abadá-Capoeira está envolvida em mais de 150 projetos sociais. São cerca de 15 mil pessoas beneficiadas com aulas gratuitas. Há ainda campanhas sociais, com nomes como “Capoeirista sangue bom”, de doação de sangue para o Hemorio, e “Meu berimbau pede paz”, contra a violência. Mestre Camisa virou uma espécie de diplomata da cultura nacional.

— Pessoas de vários países aprendem a jogar e querem saber como surgiu nossa arte. A história da capoeira é mais importante que o jogo. O que é mais bonito que o homem lutar pela liberdade? — argumenta Camisa, referindo-se ao nascimento da luta, criada por escravos para se defender dos feitores dos engenhos. — Como eu só falo português nas aulas, os gringos aprendem até o idioma. Não tem tradução para palavras como ginga e manha.

Sob a perspectiva da divulgação da capoeira, o sociólogo e professor Muniz Sodré atribui ao baiano lutador a sucessão do Mestre Bimba, de quem também foi pupilo.

— Camisa tem uma cabeça universitária sem nunca ter passado por faculdade. Sabe misturar a prática do jogo com o sentido de preservar a cultura. Além disso, é um “poliartista”, que luta, canta, compõe e toca bem o berimbau — elogia Sodré. — A capoeira faz mais pela cultura brasileira no exterior do que adidos culturais em embaixadas.

Em suas viagens, sempre como convidado para eventos, Camisa viveu de tudo. Terremotos no Japão a bombardeios em Israel. Durante um voo doméstico em Angola, ficou sabendo que o aeroporto da cidade de Benguela, para onde estava indo, havia sido atacado (o país africano estava em guerra civil). Hoje, a frequência das viagens diminuiu bastante. O mestre prefere ficar perto da mulher e dos três filhos, com idades de 33, 23 e 13 anos, todos de casamentos diferentes.

— Eles moram no Rio, mas passam o fim de semana comigo. Chega de viajar tanto. Sem gastar um centavo do meu bolso, percorri o mundo. Agora, deixo as pessoas virem ao meu quilombo respirar ar puro.

O retorno ao campo

A ida de Camisa para o interior foi a volta ao campo do menino de Jacobina, no extremo norte da Chapada Diamantina. Ele passou a infância “brincando de capoeira na rua”. O irmão mais velho, Camisa Roxa, foi quem mostrou que o assunto era coisa séria. Depois da morte do pai, quando o garoto tinha 9 anos, a família foi toda morar em Salvador. Camisa se formou com Mestre Bimba e, aos 16, partiu na turnê nacional organizada pelo irmão. O Rio era a última parada. Eles se apresentaram em locais como o Canecão e o Teatro Opinião e, ao final, parte da trupe partiu num navio rumo à Europa. O adolescente ficou para trás.

— Chorei quando vi o navio zarpar, no cais do porto. Mas rasguei ali mesmo a passagem de volta para Salvador. Cheguei a dormir na rodoviária, fingindo que estava esperando ônibus. Mas consegui me fixar.

Décadas se passaram até Camisa decidir que o campo é seu lugar. O intuito da mudança foi levar o trabalho social ao interior. No sítio, ele dá aulas a crianças e forma professores. Também promove encontros com centenas de pessoas, que além de treinar capoeira, fazem trilhas e cavalgadas. Tudo faz parte do conceito da capoeira ecológica. O mestre promove rodas no meio do mato e planta árvore para fazer berimbau. Criou até um “berimbau vivo”, amarrando a corda no tronco de uma árvore.

— O Camisa sempre descobre o caminho para fazer. No festival, em agosto, ele quer lançar o título de “notório fazer” — diz Perfeito Fortuna, presidente da Fundição Progresso e amigo do mestre desde que ele se apresentou no Circo Voador, em 1982, quando a lona estreou no Arpoador. — Não existe a expressão notório saber? Às vezes, quem sabe fazer não faz. Mas quem faz sempre sabe. E o Camisa faz.

Fonte: http://oglobo.globo.com

Mestre Nininho: Acampamento e Treinamento de Capoeira em Tondela

Acampamento e Treinamento de Capoeira: Dias 05, 06 e 07 de Julho de 2013 em Tondela

A nossa ideia do Acampamento e Treinamento de Capoeira no verão é fazer com que os alunos tenham além do treinamento, momentos de lazer num ambiente saudável e agradável. O acampamento Também servirá de intercâmbio entre os alunos do grupo AGBARA e outros grupos que venham participar, onde a experiência vivida no acampamento ficará guardado na mente de todos os participantes.

 

LOCAL DO ACAMPAMENTO: PARQUE URBANO DA CIDADE DE TONDELA

Tondela é uma cidade no Distrito de Viseu, região Centro

A programação terá uma relação direta com a temática escolhida: AULAS DE CAPOEIRA, NUTRIÇÃO, como fazer o BERIMBAU, aulas de MÚSICAS de CAPOEIRA, CORRIDA NA PARTE DA MANHÃ, GINÁSTICA e para aproveitar faremos o LANÇAMENTO do LIVRO do MESTRANDO CINZENTO, QUE VEM DESENVOLVENDO UM GRANDE TRABALHO NO BRASIL E ESPANHA. Também aproveitaremos para fazer a entrega de graduações dos alunos do grupo AGBARA. As atividades serão desenvolvidas de acordo com as regras internas do GRUPO AGBARA. O Acampamento e Treinamento de Capoeira de Verão estarão abertas a todos os alunos, mestres, contra/mestres e professores. Alunos de outros grupos pagarão 30 euros, que poderá ser pago na hora.

Os alunos terão que respeitar as regras estabelecidas e os mais graduados.

Todos têm que trazer suas tenda.

 

Todos deveram ir com vontade e a mente aberta para jogar, cantar, tocar e participar na temática do acampamento as vaidades pessoais de cada um terá que ficar fora do acampamento. Todas as rodas de capoeira serão descontraídas para que todos participem. Nas rodas sempre vai haver jogo de angola e regional para que todos fiquem satisfeitos.

Coordenação do Acampamento

 

MESTRE NININHO

 

CONCTATOS: BANDAS 969794151 – TINTIN: 913307534

Email: versatilagbara@hotmail.com

Barbacena sedia o I Fórum Regional de Capoeira

De sexta-feira (28) a domingo (30) Barbacena sedia o I Fórum Regional de Capoeira. A abertura acontece às 19h na UEMG, campus Barbacena, com uma palestra do Mestre Ray, de Belo Horizonte.

No sábado (29), rodas de capoeira no centro da cidade. A partir das 15h, cursos de capacitação de capoeira no Cefec com a presença de vários grupos da região e de outros estados.  As inscrições podem ser feitas no dia e no local do evento.

O ponto alto do sábado será a presença do ator e capoeirista Ailton Carmo, protagonista do filme “Besouro”. O longa conta a vida de Besouro Mangangá, um capoeirista brasileiro da década de 1920 a quem eram atribuídos feitos heróicos e lendários. A exibição gratuita do filme será no auditório da Fundac, a partir das 19h.

O encerramento do festival será no domingo  (30), a partir das 10h, na Epcar, com entrada gratuita. Na oportunidade serão graduados cerca de 30 novos alunos. A promoção é da equipe Oficina da Capoeira Barbacena. De acordo com Nicollas Guilarducci, o objetivo do festival é “divulgar a capoeira e a cultura afro-brasileira na cidade”.

 

BARBACENA

Conhecer Barbacena é conhecer uma das regiões mais importantes de Minas Gerais. A mais de 300 anos, Barbacena marcou presença em momentos decisivos na História.
A cidade possui uma média térmica de 17º C, um clima agradável, favorecendo a fruticultura e a floricultura, especialmente a de rosas.
Barbacena é conhecida em todo o Brasil, e também no exterior, como a “Cidade das Rosas”, em função da grande produção de primeira qualidade desta flor. No Brasil, o município também é conhecido como a “Cidade dos Loucos”, pelo grande número de hospitais psiquiátricos instalados no local. A cidade atraiu esses manicômicos em decorrência da antiga idéia, defendida por alguns médicos, de que seu clima ameno, com temperaturas médias bem baixas para os padrões brasileiros, faz com que os ditos “loucos” fiquem mais quietos e menos arredios, supostamente facilitando o tratamento.
Além disso abriga a EPCAR (Escola Preparatória de Cadetes do Ar), várias pousadas e chalés na Serra da Mantiqueira, além de um parque industrial bastante diversificado.

Barra Mansa: Capoeira incentiva a integração social

BARRA MANSA

Quem passou pela antiga biblioteca na Gare da Estação, na Rua Orozimbo Ribeiro, nos últimos dias presenciou um cenário diferente das atividades rotineiras da cidade. São os participantes da Associação Abadá de Barra Mansa praticando capoeira no local. Ao som característico do berimbau e do atabaque, crianças, adultos, idosos, portadores de necessidades físicas ou Síndrome de Down, todos se reúnem para praticar o esporte.

Segundo o professor do grupo, Luiz Carlos Rocha, conhecido como Mestre Pretinho, o objetivo é trazer às pessoas para conhecer e entender a história da cidade. “Nós iniciamos o projeto com o objetivo de passar aos nossos alunos a história da capoeira no Brasil e incentivar a leitura. Porém, aqui na biblioteca não tinha livros específicos da área, foi quando entramos em parceria com a instituição, doando os livros para aprimorar o conhecimento da cidade sobre essa cultura”, contou.

O professor ressaltou ainda a ligação do município com a Capoeira. “Este foi o berço de grandes capoeiristas, como Mestre Branco, Mestre Bueira, Mestre Carlão e Mestre Boa Viagem”, explicou.

Além da valorização histórica do esporte e da cidade, o projeto, que existe há mais de nove anos, impressiona pela diversidade de alunos. “A capoeira é a maior prova de integração social. Nós temos participantes de todas as idades, crianças e jovens especiais, trabalhamos também com a melhor idade. Todos respeitam cada espaço conquistado”, disse.

A conquista ainda é comprovada pela satisfação das mães de crianças especiais ao trazer os filhos para a aula. É o caso da dona de casa Marlene Martins de Oliveira, 62 anos. Há três anos ela traz a filha para freqüentar as aulas e aprender o esporte. O resultado ela percebe em casa. “A comunicação dela melhorou muito, melhorou o comportamento. Sem contar que é uma atividade maravilhosa, trabalha a coordenação motora e ainda promove a integração social”, relatou.

Intensificando ainda mais o caráter de diversidade do esporte, o projeto recebe amanhã a vinda de alunos franceses. Hoje, eles se uniram a várias escolas e entidades com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) para uma grande roda de capoeira. “Esse intercâmbio de estudantes é muito bom para todos. Eles vêm para cá, conhecem nossa realidade, os alunos daqui e também tem gente daqui que vai pra lá. Isso ajuda a trabalhar o corpo e a mente”, explicou Marlene.

Outra mãe que tece elogios à iniciativa é Maria Orília da Silva Rocha, 69 anos. A filha dela também tem Síndrome de Down e ainda sofre com os sintomas da colite, uma doença inflamatória do intestino. Há dez anos nas aulas, diversas vezes ela falta por causa do mal estar. “Mesmo ela tendo que faltar tanto, eu percebo as melhoras em casa. Quando ela vem ela se sente muito melhor. A gente faz uma preparação alimentar para que ela venha e não passe mal”, contou.

Segundo os organizadores, as atividades terminam hoje, às 17 horas. Durante a semana as pessoas receberam aulas de canto, atabaque, dança e berimbau. A estimativa era alcançar cerca de 1.500 pessoas entre alunos e visitantes. No local, estão expostos vários livros sobre treinamento e a história da capoeira no Brasil, troféus e instrumentos para conhecimento do público. O grupo de capoeira também se destaca por outras colaborações à sociedade, como campanhas de doação de sangue e combate às drogas e se prepara para ano que vem, trazer à Barra Mansa a ‘Semana Internacional de Capoeira’.

Fonte: http://www.avozdacidade.com

Dia da Capoeira: Berimbau rola solto no bairros de São Paulo e em Guarulhos

Capoeira é uma expressão cultural que envolve arte-marcial, música, dança, esporte e cultura popular. Em alguns bairros de São Paulo, existem grupos que oferecem esse tipo de atividade. O que poucos sabem é que em imediações como Vila Madalena e Santa Cecília estão dois dos precursores da capoeira do Estado de São Paulo, o Mestre Brasília, do Grupo Ginga Brasília e Mestre Suassuna, do Grupo Cordão de Ouro. Hoje é comemorado o Dia da Capoeira e a reportagem do Futebol e um pouco mais conversou com esses dois grandes nomes do esporte que leva cultura e sabedoria a todo o país.

Antônio Cardoso Andrade, o Mestre Brasília, nasceu em 1942, na Bahia e pratica capoeira há 53 anos. Junto com o Mestre Suassuna, fundou o Grupo Cordão de Ouro e é o principal nome da capoeira de São Paulo. É vice-presidente cultural da Federação de capoeira do Estado de São Paulo, entidade filiada à Confederação Brasileira de Capoeira e à Federação Internacional de Capoeira e presidente do Conselho Superior de Mestres – seção São Paulo.
Atualmente, Mestre Brasília ministra aulas de capoeira no Galpão do Circo, na Vila Madalena e na Avenida São João, Centro de São Paulo. “Eu aprendi muito com a capoeira, tenho muito gratidão por esse esporte. Lutei muito par que a capoeira se tornasse o que é hoje. Posso dizer que conquistei uma vitória”.
O Mestre, que vive 44 anos em São Paulo, ministra palestras sobre capoeira e já foi ao Japão 14 vezes para divulgar essa arte-marcial. “Meu grupo foi o primeiro a sair do Brasil e pisar no Japão. No oriente fiz shows de capoeira e maculele”. Brasilia disse que em suas palestras fala sobre ética, cidadania, hierarquia e principalmente sobre capoeira.

Outro pioneiro da capoeira paulista é Reinaldo Ramos Suassuna. O Mestre Suassuna, como é chamado tem 75 anos e é um dos mais importantes nomes da capoeira do Brasil. Vivendo pela capoeira a mais de meio século, Suassuna já viajou, por aproximadamente, 50 países, entre Japão, Estados Unidos, França, Israel, para levar a cultura brasileira e palestrar sobre os momentos desse esporte cultural.
“A capoeira é tudo em minha vida. Tudo que eu tenho nesses 75 anos vividos devo a capoeira. Ela me deu muitas oportunidades”, disse o Mestre.
Hoje, o Grupo Cordão de Ouro, comandado apenas por Suassuna, tem 2.000 filiais em todo o mundo e tem papel de destaque entre todos os grupos de capoeira do país, não só pelo que representa para o seu Mestre, mas para todo o esporte e cultura do país. 
Suassuna nasceu em Ilhéus, na Bahia e foi criado em Itabuna. Quando criança apresentou um problema de paralisia infantil e o médico recomendou que praticasse um esporte que não fosse futebol, então, Reinaldo começou a praticar capoeira e até hoje vive disso. “A capoeira reestabeleceu minha saúde, se não fosse por ela, talvés eu nem estaria aqui concedendo essa entrevista”, desabafou.

Além de Capoeirista, Mestre Brasilia é escritor (Foto: Mônica Cardim)Mestre Brasilia é autor de um livro

Além de 53 anos vividos pela capoeira, o Mestre Brasilia já escreveu um livro onde fala da história da capoeira e da sua história pessoal.
A obra ‘Vivência e fundamentos de um mestre de capoeira’ é um livro didático, onde o autor descreve tudo que viveu sobre a capoeira e sua ética. Além do livro, existe um CD e um DVD que o completam.
“Escrevo sobre minha história e sobre a história da capoeira, pois a minha história está ligada com a capoeira e a capoeira está ligada com a minha história”, explicou o Mestre.

Um recado para os Capoeiristas

Os grandes Mestres de Capoeira do Brasil, não podiam deixar de agradecer a todos os capoeiristas  e passar uma mensagem a esse esporte que leva cultura popular a todo o país.
“Quero dizer a todos os capoeiristas que ame e respeite a capoeira, pois essa luta é nossa. Não use o esporte para se aproveitar dos mais fracos, use e aproveite o que ele tem de melhor”, disse o Mestre Brasilia.
“A capoeira é global e me ajudou em muitas coisas. Através dela tive grandes oportunidades e me tornei um grande cidadão. Se ela transformou minha vida, pode transformar de todos que a praticam”, concluiu o Mestre Suassuna.

Serviço: Grupo Ginga Brasilia – Rua Girassol, 323 – Vila Madalena – São Paulo – Tel: (011) 3815-6147 – As aulas são ministradas de segunda e quarta-feira das 19h às 20h e de terça e quinta-feira das 19h às 20h30.
Grupo Cordão de Ouro – Rua Jesuíno Pascoal, 44 – Santa Cecília – São Paulo – Tel: (11) 3223- 5357 – As aulas são ministradas todos os dias das 10h as 22h.

Semana da Capoeira no Largo da Matriz em Guarulhos

A Liga Guarulhense de Capoeira da cidade de Guarulhos, em comemoração ao Dia do Capoeirista, promove a Semana da Capoeira que começa hoje, com uma grande roda do esporte originado na Bahia, no Lago da Igreja Matriz. As celebrações se estendem no dia 11 de agosto, com uma palestra do Mestre Brasília, o percussor da capoeira em São Paulo, e um Aulão de Capoeira no Adamastor Centro. O encerramento será no dia 12 de agosto com apresentações culturais de dança afros e danças ligadas a capoeira.

Segundo o diretor administrativo de comunicação e marketing da Liga Guarulhense de Capoeira, Amauri Rodrigues, são esperadas, aproximadamente duas mil pessoas, durante esses três dias de comemorações. “Só amanhã (hoje), cerca de 400 pessoas participarão da abertura com a roda de capoeira, entre 27 grupos filiados a liga e os simpatizantes pelo esporte”, disse o diretor.

Desde 2008, acontece essa comemoração ao Dia da Capoeira em Guarulhos, mas esse ano será especial porque é o primeiro ano que a Lei nº 4.649, de 1985, que institui o Dia do Capoeirista a ser comemorado, anualmente, no dia 3 de agosto, é reconhecida na cidade.

Para o Mestre Pererê, que é o atual presidente da Liga Guarulhense de Capoeira, esse reconhecimento é muito importante para a capoeira e para a cidade. “Com a aprovação da lei municipal que institui a capoeira, demos o primeiro passo para o reconhecimento do trabalho e da força que a capoeira através de grandes mestres que a cidade possui”, disse o Mestre Pererê.
Pererê é dono do grupo Negro Fujão. “Temos ainda muitas lutas a serem travadas, uma delas é a implantação da capoeira em todas as escola públicas de Guarulhos, a sede da liga e a Casa da Capoeira em nossa cidade”, concluiu.

Fonte: http://futeboleumpoucomais.blogspot.pt

Livro aborda pesquisa em BH sobre capoeira

O livro adota a noção de mestiçagem no Brasil sob um ponto de vista que considera mais do que uma evidência empírica, demonstrando-a como valor constituído e constituinte de um repertório da capoeira acessível por meio da memória. Para isto, considera as “tradições inventadas” (HOBSBAWN; RANGER, 1984) na capoeira como reflexos das relações raciais no Brasil, apresentando a capoeira na cidade de Belo Horizonte (Minas Gerais) como estudo de caso.

A discussão desenvolvida no livro também aborda o Turismo como articulador de relações entre as culturas, entendendo que as ressignificações simbólicas das culturas são influenciadas, mesmo que não sendo exclusivamente, pelo Turismo. O livro pretende demonstrar a capoeira na cidade de Belo Horizonte como estudo de caso para identificar a concepção de ‘afro-brasileiro’ e do afro-descendente na identidade local.

A argumentação é embasada em pesquisa realizada pela autora para obtenção do título de especialista em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em 2007. A pesquisa teve enfoque qualitativo, utilizando para coleta de dados a pesquisa de campo, a realização de entrevistas do tipo pessoal/formal/estruturada com mestres e alunos capoeiristas de dois grupos de capoeira: Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA) que se identificava como sendo de capoeira angola e Grupo Bantus Capoeira (GBC) que se identificava como sendo de capoeira regional/contemporânea na cidade de Belo Horizonte. Ambos os grupos mantinham fortes relações com o Turismo.

Também foram utilizados formulários de entrevistas para coleta de dados com capoeiristas turistas brasileiros e estrangeiros que tiveram contato com a capoeira em Belo Horizonte, observação sistemática de rodas de capoeira da cidade, pesquisa bibliográfica e no acervo do Museu da Capoeira (idealizado e coordenado pelo Mestre Noventa) e entrevistas com os mestres Toninho Cavalieri (tido como principal precursor da capoeira em Belo Horizonte) e Primo (Grupo Iúna de Capoeira Angola).

Partindo dos resultados da pesquisa, o livro aborda a percepção dos capoeiristas sobre o que seriam as características peculiares à capoeira local, bem como as concepções sobre as relações raciais e de gênero na capoeira da cidade. Aponta, também, a percepção dos capoeiristas sobre a influência do Turismo e do mercado global na capoeira local enfatizando as relações e ressignificações simbólicas que esta influência acarreta para o capoeirista turista e o capoeirista residente, demonstrando como a viagem torna-se um valor importante para os capoeiristas em Belo Horizonte e, como a viagem ao exterior para dar aulas de capoeira é um ideal profissional dos capoeiristas locais, inclusive como forma de busca pela independência econômica.

Essa concepção de valorização da viagem aumenta a partir da interação destes capoeiristas através dos meios de comunicação de massa globais, as trocas culturais advindas do Turismo e de sua participação na indústria cultural mundial. Neste processo, os objetivos e buscas dos capoeiristas na prática da capoeira modificam-se, influenciando e sendo influenciados a partir das trocas culturais, ampliando as percepções sobre a cultura afro-brasileira e as percepções do afro-descendente em nível local e global.

 

Mini-currículo autora

Patrícia Campos Luce é turismóloga de formação (Centro Universitário Newton Paiva), especialista em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros (PUC/MG) e Mestre em Lazer (UFMG). Capoeirista há 9 anos, desenvolve pesquisas enfocando a prática da capoeira desde sua graduação em Turismo. Trabalhou na Superintendência de Interiorização da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais desenvolvendo projetos culturais relacionados à cultura afro-brasileira no interior do Estado de Minas Gerais. É sócio fundador do Instituto Brasileiro de Turismólogos, tendo atuado na comissão científica desta instituição focando pesquisas relacionadas ao turismo e cultura.

Atualmente é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Bahia residindo em Salvador e desenvolvendo pesquisas em diálogo com as áreas da Antropologia da Técnica, da Prática, do Corpo e da Performance tendo a capoeira como principal objeto de estudo.

Patrícia Campos Luce (Pimenta)
Doutoranda em Antropologia Ufba
(71) 92008809