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A capoeira dá rasteira no craque

Professor de História do Distrito Federal lança livro inspirado na capoeira que mostra como um esporte pode ser uma importante arma na luta contra o crack.

No livro “Seja um craque sem pedra”, que será lançado hoje as 19 horas, no colégio rogacionista do Guará II, o autor, que também é Mestre em Educação e jornalista, conta a comovente história de um adolescente que, mergulhado no submundo das drogas, evade da escola, é expulso de casa e encontra na capoeira a possibilidade de reinclusão social.

Autor de diversas obras de capoeira inspiradas na lei 10.639/2003, dentre elas “Dicionário de Capoeira”, “Eu, você e a capoeira” e “A ginga dos mais vividos”, o escritor tem livros editados em inglês, francês e espanhol.

“Seja um craque sem pedra” é recomendado, especialmente, pra professores, orientadores educacionais, psicólogos e profissionais que atuam com capoeira. E é, claro, é um livro que não pode faltar nas bibliotecas escolares e nas mãos das nossas crianças e adolescentes, que hoje são, criminosamente, assediados para a dependência química do crack e de outros entorpecentes.

O escritor está a disposição para palestras e lançamento do livros. 
Contato: (61) 9190 4256 (oi) e 8101 0915 (tim), 
mano.lima@yahoo.com.br

Associação Abadá Capoeira Ações Sociais e Cidadania

Não é de hoje que diversos grupos tem utilizado o enorme poder e penetração social da nossa arte-luta como uma poderosa ferramenta de cidadania. Por diversas vezes nosso portal publicou iniciativas louváveis e sempre bem-vindas dentro deste contexto…

Fica aqui mais duas exelentes iniciativas sob a tutela do ABADÁ CAPOEIRA, que há muito vem investindo nesta faceta da responsabilidade social, inestimável da nossa capoeira, sigam o exemplo e extrapolem o ambiente da academia… Sinta e viva a capoeira de forma mais ampla…
  • Rio Claro: Mobilização contra a dengue no Jardim Público

A iniciativa é realização conjunta do grupo Abada Capoeira, Centro de Controle de Zoonoses e Fundo Social de Solidariedade.

Mobilização contra a dengue marca a manhã deste sábado no Jardim Público de Rio Claro. Das 10 horas ao meio dia acontece apresentação que reúne capoeira, conscientização e dicas contra o mosquito transmissor da doença.

A iniciativa é realização conjunta do grupo Abada Capoeira, Centro de Controle de Zoonoses e Fundo Social de Solidariedade.

O instrutor Baiano e os alunos do Abada Capoeira, grupo que associa a capoeira à ações de cidadania, fazem apresentação desse sábado especialmente para promover as atividades anti-dengue no Jardim.

O Centro de Controle de Zoonoses estará no local com o boneco “Agente Cabeção” distribuindo folhetos informativos, exibindo amostras do ciclo do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, e fazendo esclarecimentos gerais sobre a doença.

O Fundo Social de Solidariedade também exibirá trabalhos relacionados ao tema.

Com o aumento dos casos de dengue em várias regiões do país, Rio Claro está intensificando a mobilização contra a doença, e precisa da colaboração contínua da comunidade.

Ações como colocar o lixo em locais corretos para não aumentar criadouros e eliminar os pontos de água parada, são fundamentais para a dengue não se alastrar.

 

  • Angra dos Reis: campanha “Doe Sangue, Doe Vida”

A Associação Abadá Capoeira, de Angra dos Reis, e a Federação Abadá, do Estado do Rio, com o apoio da prefeitura de Angra lançaram ontem (14), a 12ª Campanha de Sangue, “Doe Sangue, Doe Vida”. A entidade realiza o evento sempre antes do Carnaval, em razão do grande fluxo de turistas que chega à cidade para o feriado prolongado.

Os interessados devem se dirigir até o dia 25 de fevereiro, à sede do Hemocentro Municipal Costa Verde, na Rua Manoel do Rosário, 67, atrás do Hospital Codrato de Vilhena. O horário de atendimento é das 8h às 12h e das 13h às 17h. Os doadores devem ter entre 18 e 65 anos e pesar mais de 50 quilos. No ano passado mais de 300 pessoas participaram da iniciativa.

O encerramento da campanha será no dia 25, a partir das 17h, com roda de capoeira e corte de bolo.

 

Fontes:

http://diariodovale.uol.com.br/

http://jornalcidade.uol.com.br/rioclaro/

Rio Claro: Aula de capoeira integra e diverte na escola Celeste Calil

Aula de capoeira integra e diverte na escola Celeste Calil em RC

A escola municipal Celeste Calil, do bairro Novo Wenzel, em Rio Claro, vem utilizando com sucesso a capoeira como elemento de integração entre os alunos da unidade de ensino.

As atividades com o esporte acontecem às terças e quintas-feiras das 18 às 19 horas e se estendem a outras pessoas do bairro, tornado-se, assim, mais um elemento de ligação entre a escola e a comunidade.

Segundo a direção da unidade de ensino, a capoeira também ajuda no dia-a-dia escolar dos alunos na medida em que o bom aproveitamento e a disciplina são condições básicas para se freqüentar as aulas.

Além disso, o esporte vem servindo como elemento de confraternização na escola Celeste Calil. Na última terça-feira (2), o professor Aguinaldo da Capoeira preparou comemoração aos alunos aniversariantes em evento que deve ser repetido mensalmente na escola.

Fonte: Canal Rio Claro http://www.canalrioclaro.com.br

Capoeirista de Rio Claro fica entre os melhores de São Paulo

Baianinho encerrou a participação na 9ª edição dos Jogos Paulistas de Capoeira, promovida pela Abadá Capoeira, na 8ª colocação

O Centro de Cultura e Lazer (CCL), na cidade de Americana, foi palco de muita capoeira no último fim de semana. A 9ª edição dos Jogos Paulistas, promovida pela Abadá Capoeira, contou com a presença de mais de duas mil pessoas.

Participaram do evento capoeiristas de mais de 40 cidades do estado de São Paulo e, representando a cidade de Rio Claro, o instrutor Baiano (Agnaldo Lima da Silva, 30). Baiano, capoeirista há 15 anos, ficou entre os 8 melhores do estado dentre os 214 capoeiristas inscritos.

Para prestigiar o evento, vieram representantes de vários estados brasileiros (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Goiás, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Minas Gerais). Esteve presente também José Tadeu Carneiro, o Mestre Camisa, do Rio de Janeiro, um dos fundadores da Abadá Capoeira.
A Abadá (Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte – Capoeira) é a mais nova escola de capoeira de Rio Claro. Com a abertura da Abadá no município, Rio Claro passa a integrar o grupo que tem mais de 40 centros de ensino da arte no estado de São Paulo.

A subsede de Rio Claro está instalada na Academia Impacto, à Rua 14, 3.290, no Alto do Santana, e responde a Americana, onde fica a sede da Abadá Capoeira do interior do Estado de São Paulo. As aulas são ministradas pelo professor Baianinho todas às terças e quintas-feiras das 20h às 21h. Ele também ministra aulas na Academia Ramom Lemos – Rua 6 entre Avenidas 18 e 20.

Mundial dá a Pipoquinha direito de disputar o Campeonato Europeu

Garoto de 11 anos coloca Rio Claro no mapa da capoeira mundial. Marcos Matheus, o Pipoquinha, conquistou no último fim de semana, no Rio de Janeiro, o 5º Campeonato Mundial Aberto de Capoeira Muzenza na categoria infantil – até 12 anos.

O jovem atleta rio-clarense foi eliminando um a um, em jogos mata-mata, os 63 concorrentes vindos de 15 países do mundo todo e de oito estados da federação. A disputa aconteceu em dois ritmos: Bengala e São Bento Grande.

Tal façanha lhe deu o direito de jogar o 3º Campeonato Europeu de Capoeira, que acontece na Espanha de 24 a 26 de abril. Pipoquinha vai à terra das touradas acompanhado do mestre Luís Roberto “Guerreiro”, seu professor no grupo Muzenza de Rio Claro, localizado no Arco-Íris.

Apesar dos 11 anos de idade, Pipoquinha já é veterano na capoeira. Começou a praticar a modalidade aos três anos, incentivado pelos pais. E hoje, oito anos depois, leva o nome da Cidade Azul mundo afora. Ele tem apoio da Café com Leite Moda Jovem, Mateco Materiais para Construção, Drogaria São Miguel e Academia Visual.

Tocantins: Entrevista com o Editor do Portal Capoeira: Luciano Milani

Entrevista realizada com o jornalista/editor do site Portal da Capoeira, Luciano Milani, que há 05 anos reside em Portugal, onde desenvolve pesquisas sobre a capoeira, sua história e seus desdobramentos. Tendo como fim único  repassar de forma clara e concisa aos internautas (capoeiristas ou não), dados, atualidades, história e informações maciças sobre essa cultura brasileira. Milani também é capoeirista e seu interesse inegável por esta arte, é exposto através de seu trabalho no site Portal Capoeira, no ar há quase três anos.
UFT – Universidade Federal do Tocantins
Campus Universitário de Palmas
TREJ 1 – 3º Período
Aryanna Barbosa de Carvalho
Aryanna:  Seu trabalho jornalístico é voltado para a edição do Site Portal da Capoeira?

Milani:   Sim, sou editor do Portal Capoeira….

Aryanna:  Fale mais sobre o jornalismo online.

Milani:   Olha me sinto pouco a vontade para responder…. já que não exerço a profissão, somente pela internet e dentro de um “target” muito especifico. Mas é claro que se você achar interessante, terei imenso gosto em ajudar.

Aryanna:  O que você considera mais importante no seu trabalho?

Milani:   Tenho como principal atividade profissional a qualidade (Responsável da Qualidade de uma Empresa). Sou professor de capoeira nas horas livres, e é claro jornalista “manco” ONLINE!

Aryanna:  Qual a maior dificuldade encontrada na sua profissão, ou seja jornalismo online?

Milani:   Falta de apoio e parcerias, a capoeira é mantida dentro de um grande véu de misticismo e  fantasias….

Aryanna:  Esses apoios (quando vêm) partem em sua maioria de empresas privadas ou governamentais?

Milani:   O apoio que me refiro é mão de obra, entenda que o Portal é hoje, sem falsas modéstias, um dos mais respeitados e importantes mecanismos online de informação direcionada. No entanto não temos parcerias financeiras ou apoios de empresas. O único meio de “sustento” do site é a propaganda gerada pelo Google.
Voltando ao apoio e a parceria, me referia á pessoas “qualificadas”, dispostas a somar e colaborar para a nossa arte. Acredite, faço tudo sozinho! Existem alguns grandes amigos e colaboradores, mas todo o trabalho de edição, revisão e diagramação é feito por mim. Nosso time tem 4 pilares: Prof. Acursio Esteves, o Jornalista Mano Lima, André Pessego, e Teimosia.

Aryanna:  Eles são seu ponto de apoio?

Milani:   Sim, depois tem os outros colaboradores que ajudam com menor intensidade mais são de fundamental importância para o conjunto. Minha principal bandeira é tentar trazer pessoas “qualificadas”, coerentes, para dentro do time. “Não esqueça de ver o quadro completo: sem verba, sem apoio, somente amor, e muita, muita força de vontade.”

Aryanna:  E este seria também um obstáculo para a manutenção do Portal?

Milani:   Sim, sem duvida.

Aryanna:  Há quanto tempo o Portal está no ar?

Milani:   O Portal está no ar, oficialmente há dois anos, irá completar 3 em agosto.

Aryanna:  Em todo esse tempo de funcionamento o assunto que você tenha abordado que considera mais relevante?

Milani:   A integração natural da capoeira na sociedade como poderosa arma de cidadania!

Aryanna:  Para que não ocorram certas violações no site Portal da Capoeira e a proliferação de pirataria em torno das músicas e artigos ali publicados, que medidas de   segurança são adotadas?

Milani:   Esta pergunta respondo com uma frase de um grande amigo, mestre e ser humano ímpar: “É preciso dar o exemplo. Fora isso não há mais nada que se possa fazer.” Existe outra pessoa que se me esquecesse de citar, estaria sendo muito injusto. Existe um amigo, que sem ele não existiria o Portal, um destes camaradas que nos espelhamos, um grande “mestre” da informação, pesquisador e também editor do Jornal do Capoeira, Miltinho Astronauta, sem ele nada seria como é, ele me ajuda sem querer. Ajuda com conversa, ajuda com motivação, ajuda como amigo. É claro que fomenta a pesquisa. Acredito que atualmente está aparecendo uma classe de capoeiristas preocupados com a pesquisa e a informação.

Aryanna:  Esse apoio é extramente significante, ainda mais como você anteriormente me  revelou, faz tudo sozinho…

Milani:   Veja casos de mestres de renome que tem tido uma enorme influencia na forma como a capoeira está fluindo. Cito alguns nomes: Mestre Berg, Mestre Kadu, Mestre Luiz Renato Vieira, mestre Zulu… Mestra Janja, entre tantos outros…

Aryanna:  Qual a indicação ou conselho que você deixaria para nós acadêmicos de jornalismo,  devido a suas experiências como tal?

Milani:   Vamos lá: Objetivo, antes de mais nada é preciso ter consciência do árduo caminho a percorrer. Força de vontade (qualidade de todo capoeirista), camaradagem (alguns poderiam chamar de politicagem) mais é fundamental criar um ambiente propício para a soma, para a possibilidade de alargar fronteiras…

Wellington e Milani
Aryanna Barbosa de Carvalho frequenta o curso de Jornalismo da UFT – Universidade Federal do Tocantins.

13 de Maio: diferença e repetição

Poucas datas comemorativas têm o poder de mexer com o consenso fabricado brasileiro. A do Descobrimento do Brasil – 21 de Abril -, salvo o engano, é uma delas. A comemoração dos 500 anos, em 2000, deixou claro que não existe discurso único em torno do tema, sendo a visão oficial apenas mais uma vertente interpretativa em meio a uma enxurrada delas no campo explicativo da historiografia brasileira. Contribuiu, na ocasião, para essa constatação, a prática discursiva das chamadas minorias étnicas, sexuais e sociais, para quem a visão eurocêntrica do Descobrimento apenas legitima a exclusão.
 
O 13 de Maio é outra. Ela, como a do Descobrimento, tem o poder de incendiar o debate público. É uma data que acende sobremaneira a polêmica sobre exclusão racial e social no Brasil. Até mesmo os movimentos negros – quero dizer: o  institucionalizado e o informal – adotam posições ambíguas e contraditórias em relação ao assunto. Comemorar ou rememorar; festejar ou protestar, afirmar ou negar; excluir ou incluir; incorporar ou não a data ao campo simbólico e da memória do povo negro brasileiro. 116 anos depois, as dicotomias, não apenas persistem, como se ampliam e se aprofundam.
 
Isso tem motivos históricos e sociais bem precisos. Afinal, o Brasil, ainda que pese a aparente atmosfera de democracia racial , nesse tempo todo não conseguiu  resolver o problema da degradação sistemática e institucionalizada da população negra, que, a despeito de compor 45% da população do país, está colocada compulsoriamente na marginalizada.
 
Mas de lá pra cá, algumas coisas aconteceram, trazendo ganhos políticos, democráticos e pedagógicos significativos para a sociedade brasileira. É desses acontecimentos que gostaria de falar agora. Isso menos para esfriar o debate em torno do 13 de Maio que para ampliar o leque de discussão, inserindo no seu interior novos elementos.
 
É certo que o 13 de Maio deixou o povo negro recém liberto no sereno. Não há dúvida. Por outro lado, permitiu-lhe também ampliar um pouco mais a estreita faixa de ação libertária que lançara mão desde a chegada no Brasil dos primeiros africanos escravizados. O negro soube, desde os capoeiras e quilombolas da Colônia e do Império, passando pelos malandros e tias ciatas da Primeira República até as escolas de samba da década de 1930, com muita competência e habilidade,  agenciar esse espaço, não só para o seu  benefício imediato, como para o amadurecimento de uma consciência de orientação racial e de africanidade do povo brasileiro.
 
Os resultados, hoje, são evidentes. Nunca a mídia e a tevê brasileira tiveram tantos profissionais negros atrás e na frente dos bastidores quanto agora. Claro que podemos discutir a qualidade dessa presença. Se é estereotipada ou mistificada, por exemplo. Mas uma coisa é certa: o aumento quantitativo já por si só levou a um deslocamento de olhar do público, que estava culturalmente acostumado a ver apenas atores, atrizes, diretores, apresentadores e produtores brancos.
 
Mas não pára por aí. Vejamos a articulação da juventude negra das periferias, que consegue conjugar cultura estético-musical – hip hop, soul music, samba rock e samba velha guarda – com máquinas de comunicação social  e aptidão empresarial. Quem conhece as experiências das micro-empresas da galeria 24 de maio (quase todas de propriedade de negros), assim como da Cooperifa (cooperativa de poesia e literatura da favela), em Taboão da Serra, ou ainda, da literatura marginal, dos selos de discos independentes, a exemplo do Cosa Nostras dos Racionais Mc´s,  entre outras, perceberá que essa juventude negra periférica tem voz própria. E bem ativa. O seu engajamento assemelha-se à luta de um Apolo contemporâneo contra as forças dionisíacas do mercado cultural.
 
Do ponto de vista governamental e institucional, algumas novidades também emergiram. Pena que muitas delas concentraram-se nas áreas da educação e do trabalho. Falo isso porque o setor da saúde ainda não foi contemplado a contento com políticas de ação afirmativa. Mas projetos tramitam nas casas legislativas de vários estados e municípios e logo teremos notícias deles.
 
No caso da educação, faço destaque à proliferação de cursinhos pré-vestibulares direcionados ao atendimento dos vestibulandos em desvantagem social e econômica – incluindo aí o índio e o ex-presidiário. Muitos desses cursinhos funcionam em parcerias com  prefeituras, universidades e empresas. Estes mantêm programas sociais que financiam bolsas de estudo para esses alunos.
 
Aqui não podemos deixar de falar da cotas nas universidades públicas, política que vem causando constrangimento em alguns setores da sociedade, mas que vem dando resultados positivos nos lugares que foram aplicadas. Constrangimento até compreensível historicamente, mas não tolerável moral e legalmente, pois das duas uma: ou a elite branca e educada não quer os seus filhos compartilhem os mesmos bancos escolares com os negros e periféricos ou, então, não quer ceder  para  este segmento social o  precioso filão do ensino brasileiro, que foi até então reservado quase exclusivamente para os seus herdeiros.
 
No primeiro caso, a situação se resolveria com a força da lei e do seu cumprimento, uma vez que a nossa Constituição não permite segregação de tipo algum. No segundo, penso que passou da hora do Brasil popularizar a universidade pública, ampliando o seu número e as suas vagas. Sem perder de vista a qualidade, claro.
 
Ainda na educação, vale a pena mencionar a Lei 10.639/03 que altera a LDB e institui a inclusão no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”. Trata-se do ponta-pé inicial da construção de uma escola efetivamente multicultural e multirracial, uma vez que democratiza o currículo escolar, desde a sua prática cotidiana até os conteúdos e abordagens.
Também na esteira das propostas de afirmação da diversidade educacional, marca presença a faculdade Zumbi dos Palmares. Mantida pela Afrobrás, tem o mérito de ser a primeira faculdade de administração de empresas de São Paulo direcionada para comunidade negra. Pensar uma elite negra brasileira intelectualizada, a partir de experiências educacionais e pedagógicas diferenciadas, é hoje a ponta-de-lança do movimento negro contemporâneo do Brasil.
 
No setor do mercado de trabalho, o Governo Federal também avançou no resgate da dignidade da pessoa do negro, com a publicação do Decreto-Lei n° 4.228, 13 de maio de 2002, que institui, no âmbito da Administração Pública Federal, o Programa Nacional de Ações Afirmativas, que visa a reserva de cotas de empregos para afrodescendentes nas repartições públicas e nas empresas privadas que prestam serviços para o Governo Federal . De saída, tal iniciativa governamental criaria cerca de dezenas de milhares de vagas de emprego para trabalhadores afrodescendentes no setor público e privado.
 
Talvez, o decreto tenha motivado um pool de entidades da causa negra – Educafro (SP), Instituto Palmares de Direitos Humanos (RJ) e Olodum (BA) – a lançar a campanha “Ação Afirmativa, Atitude Positiva”, em novembro de 2003.  A campanha tem o objetivo de estimular empresas e instituições educacionais a adotarem políticas afirmativas para trabalhadores afrodescendentes no mercado de trabalho. Para tanto, a organização premia com o selo da camélia branca – historicamente símbolo dos abolicionistas – aqueles estabelecimentos que adotarem tal postura. O selo funciona como uma espécie de ISO ou certificado de qualidade de bens e serviços do trabalhador negro.
 
Claro que milhares de iniciativas e experiências de promoção do bem-estar da população negra e periférica brasileira poderiam ser abordadas. Mas acredito que as citadas e comentadas aqui são suficientes para alcançar o propósito do texto, qual seja:  mostrar que a força simbólica das datas está no sentido político que lhe emprestamos em decorrência da nossa prática política e cotidiana de luta.
 
Do ponto de vista do calendário, o 13 de Maio se repetirá infinitamente, sempre da mesma maneira. Agora, cabe aos sujeitos históricos fornece-lhe um conteúdo diferente a cada repetição, até o ponto em que a repetição, pelo jogo da afirmação da postura interessada diante da vida, produza novas e múltiplas diferenças.
 
Somente assim os 13 de Maio vindouros serão diferentes dos seus antecessores; e cada vez mais distantes do de 1888. Na História, tudo está em permanente mudança, tudo é transitório; e nem mesmo as datas conseguem cristalizar o seu sentido primeiro. Afinal, nada consegue escapar do poder transformador da palavra e da ação humana no tempo.
 
Lei Áurea
13 de maio de 1888: a Câmara aprova o decreto que extingue a escravidão no Brasil, último país ocidental a manter o trabalho servil.
 


Por JOSÉ APÓSTOLO NETTO
Historiador e doutorando em História (UNESP – Campus de Assis, SP)
 
 
Bibliografia
 
CAMPOS, Djalma Leite de. O selo da negritude. Raça Brasil, abril de 2004, n° 73, São Paulo.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. de Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. 7. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
LEMOS, Rosália de Oliveira. Guia de direitos do brasileiro afro-descendente: O negro na educação e no livro didático: Como trabalhar alternativas. 2. ed. Brasília: Ministério da Justiça, Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, 2001.
ROMÃO, Jerusse. Guia de direitos do brasileiro afro-descendente: por uma educação que promova a auto estima da criança negra. 2. ed. Brasília: Ministério da Justiça, Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, 2001.
 
 

Abril: Férias no Brasil e “Jornada Capoeirística”

 Enfim o merecido descanso…. será ???
 
Como já havia dito algumas semanas atrás, eu e minha família estamos saindo de férias, com destino ao Brasil.
 
Irei ficar em São Paulo na maior parte do tempo, mais também tenho viagens marcadas para Salvador, Litoral Paulista e Interior de São Paulo.
Esta viagem, que carinhosamente já estou apelidando de "Jornada Capoeirística" tem como principal objetivo recolher o maior numero de informações possíveis dentro do universo da capoeiragem… O Tempo será escasso e os compromissos serão muitos… é claro preciso gerir o tempo para poder "papoeirar" e "vadiar"… afinal ninguém é de ferro…
 
Minha meta é estar em contato direto com os principais Mestres de Capoeira, visitar o maior número de academias e grupos de capoeira, mantendo é claro uma dose de bom senso para evitar  o abuso e desta forma a falta de qualidade… Em cada uma das visitas iremos buscar recolher informações importantes como por exemplo entrevistas com os grandes Mestres… material fotográfico, matérias e publicações… e em alguns casos gravações de imagens… Tudo isso pra garimpar e poder oferecer aos leitores e visitantes do Portal Capoeira um material de primeira !!!
 
Estou viajando munido e armado até os dentes…. Maquina fotográfica, gravador digital, filmadora, muita vontade e respeito pela arte e cultura e não esqueçendo o principal, papel e lápis… (segundo meu grande camarada e companheiro nesta jornada: Miltinho Astronauta)
Bom vamos a esta volta ao mundo… a esta volta à casa… após 3 anos em Portugal.

  

Compromissos já confirmados:
 
São Paulo:
 
Mestre Cavaco – Grupo Negaça – 01//04
Mestre Jaime de Mar Grande – 01/04
Mestre Wellington – Berim Brasil – 03/04
Professor Montanha – Canto e magia – 06/04
Mestre Chumbinho – data a confirmar 1ª Semana
Irmãos Guerreiros – data a confirmar
Capuraginga – data a confirmar
Mestre Pernalonga – GNGA – data a confirmar
Caco Véio e Sargento – AAC – 20/04
Mestre Pinatti – 21/04
Miltinho Astronauta – 22/04 e 23/04
Mestra Janja – N`Zinga – data a confirmar
 
Pendentes de confirmação ou dependendo de acompanhamento ou agenda:
 
Mestre Brasilia
Mestre Esdras
Mestre Ananias
Mestre Suassuna
Mestre Flavinho Tucano – CDO
Mestre Careca
Mestre Baiano – Malungos
Peixe Crú
Mestre Dinho Nascimento
Mestre Zambi
Angoleiro Sim Sinhô
 
Bahia:
 
Professor Acúrsio Esteves – 10/04
Mestre Jean Pangolin
Mestre Decanio
Mestre Itapoan
Mestre Gajé
Mestre Bola Sete
 
Pendentes de confirmação ou dependendo de acompanhamento ou agenda:
 
Mestre Joâo Pequeno
Mestre Curió
Mestre Lua Rasta
Mestre Boa Gente
FUMEB
* Roda de despedida, organizada pelo grande amigo e parceiro Wellingtom Fernandes
   Data a confirmar: 27/04 ou 28/04 na sede da Berim Brasil – Mooca – SP

Primeiro CD da ECAMAR

Mestre Roxinho da ECAMAR lança CD com participação especial de Mestre Jaime de Mar Grande
 
Mestre Roxinho (Ediesel Miranda), responsável pela "Escolas de Capoeira Angola Mato Rasteiro" – (ECAMAR), realizou em Rio Claro, interior paulista, entre os dias 10 e 12 de Junho de 2005, a Festa das Culturas Afro. Com um dos resultados daquele evento, foi gravado, ao vivo, o Volume 1 do CD da ECAMAR, cujo tema principal é a Capoeira Angola – Cultura e Resistência – África Brasil.
 
        Na Capoeira angola é comum se perguntar: "qual linhagem você pertence!?". Nem todos os praticantes de Capoeira Angola nos dias atuais se preocupam muito com isto, pois algumas linhagens são arranjadas. Outras se consideram superiores (mercado & marketing!). Algumas não são reconhecidas, mas os trabalhos seguem sendo feitos com elevada qualidade, respeito às tradições, aos fundamentos, à angola e à africanidade. Mestre Roxinho, por exemplo, vem de uma linhagem até certo tempo pouco comentada no mitiê capoeirístico angoleiro moderno. Vem da família de Mestre Espinho Remoso, linhagem esta preservada por seu filho Mestre Virgílio.
 
        Fundada a seis anos, a ECAMAR desenvolve um trabalho que conquista o respeito e admiração dos Capoeiras paulistas. Salvo engano, Mestre Roxinho "adentrou" para São Paulo via o município de Lins (noroeste do Estado), e logo depois passou a ensinar e estender seu grupo por outras cidades. Vejamos: atualmente mestre Roxinho concentra seus ensinamentos na cidade de Rio Claro (na UNESP), com aulas de segunda a quinta-feira, onde conta com seus discípulos para fortalecer o trabalho: Rafael Fragoso – o Mandinga; Bruno Formágio – o Dracena; Josifer Matheus – o Buiu (que já o segue por quatro anos, desde Lins); Camila – a Olheira; Daniel; André Magaldi e Rafael (Confusão). Em Lins, quem segura o gunga por lá é o Trenel Herman (Gustavo Leal);  Anselmo Ribeiro (Ratinho) está em Araçatuba-SP, Gabriel (Fumo) em Salvador-BA e Ari Soares (Treinel Bocca), na Catalunha-Espanha.
 
        Pelo que percebo Mestre Roxinho, a todo momento, está sendo requisitado para ministrar oficinas e workshops. Dia 19 de Junho esteve em Brasília, no ENCA (Mestre Gilvan!); dia 24 foi ao evento de Mestre Alex Carcará (DF); dias 27 a 29 de Junho vai para Belo Horizonte; Dias 30 de Junho à 02 de Julho é a vez de Timótio (MG); Entre 7 e 10 de Julho estará em Campinas; de 12 a 16 de Julho faz aporta em Salvador; chega em Belém (PA) dia 21 de Julho, onde fica até o dia 26.
        Só então terá merecido descanso com a Família, em Salvador, BA. Haja energia. É, somente um Berimbau Gunga bem tocado pra recarregar-se as baterias, acompanhando de um bom Jogo de Angola, é claro.
 
        Falando um pouco mais do CD, ele foi gravado ao vivo na cidade de Rio Claro, em parceria do o Prof. Dr. Luiz Normanha, e com a participação especial de Mestre Jaime de Mar Grande. Interessados em mais informações, ou mesmo adquirir este primeiro registro oficial da ECAMAR (Capoeira Angola de Itaparica!), podem entrar em contato com Mestre Roxinho pelo e-mail roxinhoangola@yahoo.com.br, ou então pelos seguintes telefones: (19) 9127-1696 ou (71) 3303-7426.


 
            Capoeiristicamente,
                Miltinho Astronauta (Jun-05)
                www.capoeira.jex.com.br

Jornal do Capoeira – Nova Seção: O Canto do Capoeira-Poeta

Estamos inaugurando no Jornal do Capoeira mais uma seção, carinhosamente batizada por "O Canto do Capoeira-Poeta". É um espaço para que os Capoeiras-Leitores apresentem suas produções independentes, que podem ser tanto em termos de músicas (ladainhas, corridos, quadras etc), com também poemas e versos sobre as Culturas Afro-brasileiras, especialmente, é claro, a Capoeira.
O Canto do Capoeira-Poeta: Contribuições são benvindas.