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Luanda: JMPLA realiza exposição da arte de capoeira na Samba

Luanda – Uma exposição sobre a arte da capoeira decorre desde sábado no calçadão da Samba, em Luanda, no âmbito dos cinco anos da legião em Angola, numa promoção da JMPLA.

De acordo com o primeiro secretário municipal da JMPLA, Job Vasconcelos, que falava hoje, segunda-feira, à Angop, o acto que visa sensibilizar a juventude daquela circunscrição para a prática desportiva, será marcado pela demonstração de aulas ao vivo de capoeiras, entrega de certificados e outros.

Para o responsável, proporcionar momentos de lazer e desportivos a juventude é uma das acções daquela organização juvenil, no âmbito do programa de combate à delinquência e à prostituição.

Outro propósito deste evento é aproveitar de maneira correcta, as infra-estruturas que o governo vem proporcionando em prol do bem-estar da sociedade angolana.

http://www.portalangop.co.ao

Araxá: “Capoeira e Combate as Drogas”

Passeata de conscientização encerra a Semana de Combate às Drogas: Período promoveu debates para consolidar prevenção e enfrentamento.

As comemorações da Semana Municipal de Combate às Drogas foram encerradas com uma passeata de conscientização pelas principais ruas do Centro. A concentração foi realizada no estacionamento do Estádio Fausto Alvim com apresentações de capoeira e taekwondo dos garotos dos Espaços Multiuso. Todas as ações que aconteceram nesses dias foram organizadas pela Comissão de Apoio, Enfrentamento e Cuidado ao uso de Álcool e outras Drogas (Caecad).

Segundo o organizador Anderson Alves Costa, os resultados foram ótimos principalmente para a consolidação das políticas públicas de enfrentamento as drogas e a mobilização social.

“Com essa semana demos início a uma série de ações que visam fortalecer o município no enfrentamento, cuidado, prevenção, tratamento e reinserção social de dependentes químicos de substancia licitas e ilícitas”, destaca.

A semana contou com a participação de vários órgãos ligados ao assunto da cidade, mas segundo Anderson, também é importante que o tema seja trabalha com pessoas que não vivenciam o problema.

“Queremos atingir outras pessoas, que não estão com o problema dentro de casa e as vezes podem ser indiferente a essa questão. E que elas se juntem conosco, além de outros parceiros com instituições religiosas, escolas e associações, para que esse movimento se propague cada vez mais”, afirma.

Criação do Comad

Anderson destaca que o projeto que cria o Conselho Municipal Antidrogas (Comad) já foi protocolado na Câmara e deve se votado na próxima reunião ordinária.

Palmas: Sessão Solene para a entrega da comenda Zumbi dos Palmares

Aconteceu Sessão Solene para a entrega da comenda Zumbi dos Palmares, na Câmara Municipal de Palmas, criada com o objetivo de homenagear Entidades e pessoas que trabalham no Combate ao Racismo no Tocantins. Os homenageados foram Mãe Magna de Oxum (Aldenora Maria do Nascimento) pioneira na expansão da religião de Matriz africana em Palmas, o Grupo de Consciência Negra (GRUCONTO) e Mestre Timbau (Luiz Carlos Silva) que leva a capoeira aos moradores de periferias na cidade de Porto Nacional.

Representando o Prefeito de Palmas Raul Filho, a Secretária da Mulher Direitos Humanos e Equidade de Palmas, Rosimar Mendes frisou em seu pronunciamento a importância do combate ao racismo e também a outras formas de discriminação. Mendes também parabenizou o Vereador “Bismarque do Movimento pela autoria no projeto que cria a Comenda Zumbi dos Palmares”.

Entre os homenageados, Mestre Timbau frisou a importância da “prática da capoeira na periferia” e ressaltou a luta do povo negro e suas conquistas. Mãe Magna de Oxum frisou a importância do respeito às religiões. O representante do GRUCONTO, André Ribeiro, apontou “A importância do reconhecimento da luta de Zumbi dos Palmares e a valorização do povo negro” durante seu discurso na tribuna.

Para o Vereador Bismarque do Movimento a Comenda Zumbi dos Palmares é importante para valorizar “as lutas e conquistas do Movimento Negro e das religiões de Matriz africana no combate ao preconceito” afirmou durante pronunciamento.

A Câmara Municipal de Palmas é a única Instituição Tocantinense a premiar trabalhos de Combate ao Racismo no Estado. O Vereador Bismarque do Movimento é o autor do Projeto de resolução que cria a Comenda Zumbi dos Palmares. (Informações da ascom/VBM)

Caminhada abre I Semana sobre Drogas na orla de João Pessoa, no sábado

O Governo do Estado, através do Programa Estadual de Políticas sobre Drogas (PEPD/PB), realizará de 12 a 19 deste mês, a I Semana Estadual de Ações Educativas sobre Drogas. O evento tem o objetivo de mobilizar a Paraíba em discussões, reflexões e atividades de prevenção às drogas, alertando sobre o perigo que o uso indevido de substâncias químicas representa para a sociedade. A I Semana terá a participação das diversas secretarias estaduais e parceiros da sociedade civil organizada. A abertura ocorrerá no próximo sábado (12) com uma caminhada na praia do Cabo Branco, em João Pessoa. 

A concentração da caminhada começa às 7h, em frente à Fundação Casa de José Américo (FCJA), na Avenida Cabo Branco. Este primeiro momento contará com participações especiais, tais como o humorista ‘Zé Lezin’, palhaços animadores da Arretado Produções, e apresentações de grupos de capoeira, coordenados pelo Fórum de Capoeira. Antes da largada, o alongamento será comandado pelo Projeto Caminhar com Segurança, da Polícia Militar. 

Todo o percurso, com destino ao Busto de Tamandaré, será acompanhado por um trio de forró e apresentações de taekwondo, do grupo FPT Taekwondo. Na chegada, será oferecido um café da manhã, com mesa de frutas para os participantes, ao som de Oliveira de Panelas e diante de várias apresentações de capoeira. 

No Busto de Tamandaré, também serão oferecidos serviços da Secretaria de Saúde, a exemplo de aferição da pressão arterial e exames de glicemia, e distribuídos materiais educativos de prevenção e combate às drogas. Um ato ecumênico encerra a atividade. 

Mobilização – ‘Os efeitos da droga não prejudicam só o usuário’. Esse é o slogan do material informativo do PEPD/PB e da I Semana Estadual de Ações Educativas sobre Drogas, levantando uma reflexão sobre as consequências devastadoras do uso inadequado das substâncias psicoativas. 

O gerente do PEPD/PB, Deusimar Guedes, informa que a campanha de prevenção e combate às drogas terá caráter permanente, “mas a realização de uma semana de atividades será importante para atrair a atenção da sociedade e mobilizar os cidadãos, convidando-os a oferecer sua parcela de contribuição no enfrentamento ao grave problema que é o consumo indevido de drogas”. 

Ele ressalta que a colaboração da população é essencial nessa luta. “Precisamos do apoio de toda a sociedade para conseguir superar esse fenômeno que vem se agravando, destruindo jovens, adultos e suas famílias”, explica Deusimar, comentando que as diversas instituições parceiras do PEPD/PB participarão ativamente em todo o Estado da I Semana Estadual de Ações Educativas sobre Drogas, a exemplo de várias entidades religiosas, do Conselho Municipal Antidrogas de João Pessoa/PB, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Maçonaria, Fórum de Combate à Corrupção (Focco), Movimento pela Paz (MOVPAZ), entre muitas outras.

Assessoria

Mais Informações: http://www.joaopessoa.pb.gov.br/

Fonte: http://www.clickpb.com.br/

Projeto cria áreas de preservação do patrimônio cultural

O Projeto de Lei 3056/08, do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), institui as Unidades de Preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro e estabelece os critérios para a sua criação, implantação e gestão. Caberá ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) identificar os aspectos étnicos, históricos, culturais e socioeconômicos do grupo ou dos grupos que constituirão as áreas de proteção. O Iphan também deverá delimitar as terras consideradas suscetíveis de reconhecimento e demarcação.

O texto define como unidades de preservação os “territórios habitados por povos e comunidades tradicionais, participantes do processo civilizatório” do Brasil. Para constituírem uma unidade de preservação, esses povos devem preservar bens de natureza material e imaterial referentes à sua identidade, ação e memória.

Entre esses bens, a proposta destaca língua própria, formas de expressão; modos de vida; criações científicas, artísticas e tecnológicas; obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artísticas e culturais; e conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

Combate à discriminação

O projeto estabelece que as unidades de preservação devem levar em conta aspectos como etnia, raça, gênero, idade, religiosidade e orientação sexual. Também devem ser considerados, segundo o texto, a segurança alimentar e nutricional e o desenvolvimento sustentável como forma de promoção da melhoria da qualidade de vida das populações. Outro princípio para orientar a formação das unidades deve ser o combate a todas as formas de discriminação, incluindo a intolerância religiosa.

Angelo Vanhoni argumenta que o País já conta com normas para a preservação da cultura indígena (Estatuto do Índio) e da afro-brasileira (Decreto 3.912/01), mas lembra que não há leis proporcionais à importância de outros grupos. Ele destaca especificamente os imigrantes que chegaram ao País a partir do século 19, como alemães, italianos, poloneses e japoneses.

Com o objetivo de preservar as contribuições desses povos à cultura nacional, o projeto determina que, nos processos de reforma agrária onde houver unidades de preservação do patrimônio dessas populações, os novos colonos devem receber treinamento sobre as técnicas agrícolas tradicionais.

A proposta determina também que as escolas, públicas ou privadas, de municípios que contem com unidades de preservação ensinem o idioma da população tradicional.

Tramitação

O projeto terá análise em caráter conclusivo nas comissões de Direitos Humanos e Minorias; de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Reportagem – Maria Neves
Edição – João Pitella Junior

(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura `Agência Câmara`)

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A dança da zebra

As semelhanças são impressionantes. Será que foi do  “n’golo” jogo de combate angolano, que nasceu a nossa capoeira?

A origem da capoeira sempre foi controvertida. Mestre Pastinha (1889-1981), um dos mais famosos capoeiristas da Bahia, durante muito tempo pensou que a ginga que aprendera desde criança provinha de uma mistura do batuque angolano e do candomblé dos jejes, africanos da Costa da Mina, com a dança dos caboclos da Bahia. Mas, por falta de mais conhecimentos, não podia ir muito além dessa afirmação.

Isso até a década de 1960. Foi quando uma revelação mudou completamente suas idéias sobre as origens da capoeira. À frente de sua academia, situada no Pelourinho, em Salvador, Pastinha recebeu a visita de um pintor vindo de Angola. Chamava-se Albano Neves e Sousa e afirmava que tinha visto na África uma dança semelhante ao tipo de capoeira que o mestre baiano ensinava. Só que lá chamava-se n’golo.

Até então, ninguém por aqui tinha ouvido falar de nada semelhante. A memória oral não registrava nenhuma prática ancestral específica. Muitos afirmavam, e continuam afirmando, que a capoeira teria sido inventada pelos escravos nas senzalas. Outros, que teria sido criada pelos quilombolas em sertões distantes. Estudiosos têm ressaltado o caráter urbano da capoeira, pois as fontes do século XIX só  documentam sua prática por escravos africanos e crioulos (negros nascidos no Brasil) em cidades portuárias, como Rio de Janeiro e Salvador. Naquela época, era uma “brincadeira” proibida, e a grande maioria dos africanos presos por “jogar” capoeira no Rio de Janeiro era originária da África centro-ocidental, das “nações” Congo, Angola e Benguela. Em Salvador, a capoeira também era identificada como uma “brincadeira dos negros angola”. Por essa razão, faz realmente sentido buscar as raízes da capoeira na região dos atuais Congo e Angola.

O n’golo, explicou Neves e Sousa ao velho capoeirista, é dançado por rapazes nos territórios do sul de Angola, durante o ritual da puberdade das meninas. Chamado de mufico, efico ou efundula, esse ritual marca a passagem da moça para a condição de mulher, apta a namorar, casar e ter filhos. É uma grande festa em que se consome muito macau, bebida feita de um cereal chamado massambala. O objetivo do n’golo é vencer o adversário atingindo seu rosto com o pé. A dança é marcada pelas palmas, e, como na roda de capoeira, não se pode pisar fora de uma área demarcada. N’golo significa “zebra” e, de fato, alguns movimentos, em particular o golpe dado pelo pé, de costas e com as duas mãos no chão, parecem mesmo com o coice de uma zebra.

Os registros e a argumentação de Albano eram bastante convincentes. Se os africanos escravizados nas Américas lograram, apesar de condições terrivelmente adversas, adaptar suas religiões e seus rituais, assim como suas festas e danças de umbigadas, não seria lógico que também trouxessem para cá seus jogos de combate e suas artes marciais? Sabe-se que os exércitos congolês e angolano eram formados por guerreiros exímios na luta corporal. Vários cronistas destacaram a habilidade com que eles evitavam golpes, jogando o corpo para o lado de maneira imprevisível e confundindo o adversário.

Ainda que muitos dos africanos escravizados conhecessem as artes da guerra, a maioria se dedicava à agricultura ou à pecuária antes de ser aprisionada e embarcada à força para as Américas. Os povos pastores de Angola, em particular, por causa da necessidade de proteger o gado que tangiam contra eventuais gatunos,  desenvolveram técnicas de combate individuais, sabendo manejar paus e outras armas contundentes contra os inimigos.

Os cronistas coloniais não forneceram descrições pormenorizadas das técnicas nem dos rituais desses antigos jogos de combate, o que torna impossível qualquer tentativa de aproximá-los da capoeira como hoje a conhecemos. Os significados culturais desses rituais também mudaram ao longo dos séculos, acompanhando a intensa transformação socioeconômica  e cultural por que passou a África a partir do século XVII. Até as fronteiras étnicas foram redesenhadas antes que se chegasse à configuração atual. Assim, todas as manifestações que porventura existem hoje em Angola são expressões contemporâneas, e só  têm relações tênues com os jogos de combate do tempo do tráfico negreiro.

Infelizmente, Mestre Pastinha, por ocasião da visita de Albano Neves e Sousa, já estava com a vista comprometida por uma catarata – aliás, nunca operada por falta de recursos. Isso limitava muito qualquer plano seu de divulgar a recente descoberta. Chegou a contar a história que ouviu para seus alunos mais próximos, mas não deixou nenhum registro escrito sobre o n’golo. Nem seu livro Capoeira Angola, publicado pela primeira vez em 1964, nem seus diversos manuscritos, por serem anteriores ao encontro com o pintor luso-angolano, mencionam a “dança da zebra”. Mas Albano Neves e Sousa conseguiu convencer outros brasileiros de sua teoria, entre eles o então presidente da Sociedade Brasileira de Folclore, Luís da Câmara Cascudo (1898-1986).

De volta a Angola, Neve e Souza organizou, em 1966, a exposição “…Da minha África e do Brasil que eu vi…”, com o material de suas viagens aos países de língua portuguesa dos dois lados do Atlântico, apontando semelhanças entre expressões culturais africanas e dos negros brasileiros. No prefácio do catálogo da exposição, Câmara Cascudo mencionava que o pintor “viu a ginástica do n’golo, batizada em ‘capoeira’”. O renomado folclorista seria o primeiro a divulgar no Brasil a teoria do n’golo como luta ancestral da capoeira. Ele conhecera Albano Neves e Sousa durante uma viagem a Angola em 1963, e daí nasceu uma amizade cultivada por correspondência durante muitos anos.

Depois de sua viagem ao Brasil e de seu encontro com a capoeira, o pintor explicou a Cascudo, numa longa carta, suas idéias sobre as origens dessa arte. O folclorista potiguar encampou a teoria, tanto que citou longos trechos da carta do pintor no seu livro Folclore do Brasil (1967) e incorporou a explicação no seu Dicionário de Folclore (1972, 3ª ed.). Baseado nas informações fornecidas pelo amigo, Cascudo deu mais detalhes sobre a dança da zebra e sua trajetória até se transformar em capoeira. Explicou que o n’golo seria típico entre os povos pastores do sul de Angola. O ritual era precedido por uma luta de mãos abertas, a liveta. O jovem que ganhasse no n’golo teria o direito de escolher sua noiva entre as meninas recém-iniciadas, sem ter de pagar dote. Cascudo sugeriu que o n’golo teria chegado ao Brasil através do porto de Benguela.

Aqui, essa tradição tribal se transformara em instrumento de defesa e ataque de bandidos. Na edição, ele incluiu três desenhos do n’golo, feitos por um artista de Natal com base na obra de Neves e Sousa. Os esforços conjuntos do pintor, do folclorista e do velho capoeirista para resgatar o vínculo ancestral ligando a capoeira a Angola acabaram dando resultado.

Os desenhos originais de Neves e Sousa só foram publicados em 1972, num livro com o mesmo título da exposição de 1966. A epígrafe é significativa: “Digam o que disserem… Se Portugal foi o Pai do Brasil, Angola foi a Mãe Preta que o trouxe ao colo!” Reúne elaborados a partir dos esboços e aquarelas feitos no campo durante vinte anos, acompanhados de pequenos textos explicativos.

Algumas imagens evidenciam semelhanças surpreendentes entre a capoeira e o n’golo, como o uso de golpes com os pés enquanto as mãos se apóiam no chão (chamado na capoeira de “meia lua de compasso” ou “de rabo-de-arraia”), muito raro em outras artes marciais. Recentemente, surgiram mais evidências desse parentesco. A viúva de Albano revelou esboços e aquarelas inéditos, que ilustram estas páginas. Eles mostram detalhes adicionais do n’golo: o apoio nos braços com uma perna dobrada e a outra esticada para dar um golpe, por exemplo, é idêntico à movimentação na capoeira. E a postura de defesa, com um joelho dobrado e outro esticado, é muito parecida com a “negativa” dos nossos capoeiristas. Como esses movimentos parecem existir somente em jogos de combate da diáspora dos povos bantos, permanece relevante o vínculo ancestral entre o n’golo e a capoeira brasileira.

O livro de 1972 foi publicado numa pequena edição caseira e circulou pouco na época. Mas as imagens do n’golo – muitas vezes circulando via fotocópia de fotocópia – ficaram famosas entre os capoeiristas. O estilo de capoeira angola, que chegou a ser considerado em extinção na década de 1970, experimentou um extraordinário crescimento depois da morte de Mestre Pastinha. Uma nova geração de capoeiristas “angoleiros”, liderados por Mestre Moraes e o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho – GCAP, revigorou o estilo a partir de 1982. Alunos mais antigos de Pastinha, como os mestres João Pequeno e João Grande, lembravam ocasionalmente a história do n’golo, mas não de maneira categórica, como seria feito por Moraes e seu grupo. O GCAP escolheu a dança da zebra como símbolo do estilo, porque representava bem a ancestralidade angolana da sua arte e também ia ao encontro das afirmações do movimento negro sobre a importância da cultura africana na formação do Brasil.

A partir da década de 1990, o n’golo e as listras da zebra têm figurado nos logotipos e nos websites de muitos grupos de capoeiristas, assim como nas camisas e nos brindes distribuídos em seus eventos. Os detalhes fornecidos por Cascudo e os desenhos de Neves e Sousa, repetidos e reproduzidos inúmeras vezes,viraram referência obrigatória no meio. O n’golo acabou por transformar-se num mito de origem, numa “tradição ancestral”.

No entanto, trata-se de um mito no mínimo questionável. Para começar, não foi transmitido pelos mestres africanos aos seus alunos brasileiros via tradição oral. Aceitar literalmente o mito implica, além disso, um tremendo anacronismo, ou seja: como pode uma manifestação documentada apenas no século XX ser “a origem” de uma capoeira que existe pelo menos desde o início do século XIX? Pensar que o n’golo teria sobrevivido inalterado  desde a época do tráfico negreiro é ignorar as profundas mudanças pelas quais passaram as sociedades do território angolano nesse período.

Surpreende que hoje, em Angola, o n’golo seja completamente desconhecido, assim como seu papel como mito fundador da capoeira. Devido à longa guerra civil que vitimou o país e todas as transformações das últimas décadas, ninguém mais dança, por exemplo, o n’golo de tchincuane (tanga de couro), como foi retratado por Neves e Sousa meio século atrás. Talvez o mais correto seja imaginar o n’golo e as outras lutas e jogos de combate ainda existentes na Angola contemporânea como primos mais ou menos distantes da capoeira brasileira. Findo o tráfico negreiro, as técnicas de combate corporal que existiam dos dois lados do Atlântico teriam evoluído em direções diversas, o que explicaria não só suas semelhanças, mas também suas tremendas diferenças.

MATTHIAS RÖHRIG ASSUNÇÃO é professor de História na Universidade de Essex, Inglaterra, bolsista da CAPES em 2007 e autor de Capoeira. The history of an Afro-Brazilian martial art (Routledge, 2005).

COBRA MANSA (CINÉSIO FELICIANO PEÇANHA) é mestre de capoeira angola e criador da Fundação Internacional de Capoeira Angola (Fica).

 

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional – http://www.revistadehistoria.com.br/

A Revista de História da Biblioteca Nacional e o seu site são publicações da Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional (Sabin), com apoio do Ministério da Cultura e patrocínio da Petrobras e outras grandes empresas, sob o amparo da Lei Rouanet.

Brasil mobiliza-se pela Liberdade Religiosa – Atos em Salvador, POA, Sampa e RJ

Da Sereia de Itapoã, em Salvador ao Largo Zumbi dos Palmares, em POA, passando pelo Rio e São Paulo, religiosos mobilizam-se pela liberdade no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

SÃO PAULO – SP

DATA: 21/01
HORA: DURANTE TODO O DIA
LOCAL: Ilê Axé Oyá Ogun

Os filhos de santo do babalorixá Flávio de Yansã reúnem-se num protesto silencioso pelo fechamento do barracão pela Prefeitura de Sâo Paulo, em agosto de 2008. A casa foi lacrada pela com alegação de que está situada em zona residencial. Nenhuma outra isntituição religiosa do bairro foi alvo deste tipo de atuação. A casa funciona há 25 anos no mesmo local, com a documentação e legalização toda em dia.
O processo de insconstitucionalidade e a denúncia de intolerância religiosa por parte do município tramitam no TJ-SP e na Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República

Serviço:
Pai Flávio de Yansan – Tel: 11.50718912 / 35424319

SALVADOR – BAHIA

DATA: 21/01
HORA: 9h
LOCAL: Sereia de Itapoã – Salvador

Católicos, evangélicos, judeus, espíritas, umbandistas e budistas unem-se aos filhos de santo de Mãe Gilda – mãe de santo que sofreu enfarte fulminante ao ver sua publicada na Folha Universal com o título de charlatã e cuja a data da morte é lembrada como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, por força de Lei Federal – para uma grande caminhada em defesa da Liberdade Religiosa, nesta quarta (21/01), às 9h, na Sereia de Itapoã. A caminhada segue pela orla de Salvador em direção a Lagoa do Abaeté. No local, onde localiza-se até hoje casa de Mãe Gilda (Abassá do Ogun), será feito o lançamento da Cartilha Ecológica, além de apresentações culturais e atos religiosos. A pastoral da Juventude e a Arquidiocese de Salvador apóiam o evento.

Aprsentações Culturais
Boloc Afro Malê de Balê
Malezinho
As Ganhadeiras de Itapuã
Grupo de Percurssão e Dança do Terreiro Oxumarê

Serviço:
Mãe Jacyara de Oxum – Tel: 71.32851769 / 88044528

RIO DE JANEIRO – RJ

DATA: 21/01
HORA: 10h
LOCAL: Cine Odeon – Praça da Cinelândia / Centro

Lançamento nacional da Cartilha da Liberdade que vai orientar as polícias no devido enquadramento de crimes de intolerância religiosa. O evento reúne lideranças religiosas, autoridades, artistas e intelectuais num evento pela Liberdade. Presenças confirmadas: Muniz Sodré, Luis Paulo Horta, Denise Tredler (desembargadora, representando o presidente eleito do TJ-RJ, Luis Szveiter), Carlos Vereza e diversos outros artistas.
O evento acontece durante todo o dia e ás 18h terá o lançamento do DVD da I Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. A entrada é franca e a cartilha e o DVD serão distribuídos gratuitamente.

Serviço:
Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Tel: 21.22733974 / 97958867

PORTO ALEGRE – RS

DATA: 21/01
HORA: 16H
LOCAL: Largo Glênio Peres, Centro – POA

Lideranças religiosas da umbanda e do candomblé reúnem-se ás 16h, Largo Glênio Peres para a I Marcha Estadual Contra a Intolerância Religiosa e Pela Vida. A caminhada está prevista para iniciar às 18h, com saída do Mercado Público (com homenagem ao Bara do Mercado) seguindo pela Borges de Medeiros até o Largo Zumbi dos Palmares, onde acontecerá um ato público. Haverá também uma atividade no Gasômetro, em que religiosos de matriz africana entregarão um presente às divindades das águas.
Neste dia, os religiosos entregarão um Ação de Incosntitucionalidade na Assembléia Legislativa contra uma lei que impede as casas de matriz africana de realizar seus cultos.

Serviço:
Baba Diba de Yemonja: (51) 9986.9719 – 3333.9224 – 3333.9736

Mais informações:
Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Rosiane Rodrigues
Tel: 22733974 / 97958867

Fortaleza: Capoeira contra a Dengue

Jovens se mobilizam contra a desinformação

Diário do Nordeste – Fortaleza
http://diariodonordeste.globo.com

Capoeiristas da comunidade fazem "Roda de Capoeira" para ajudar no Combate ao Mosquito da Dengue.

Voluntários da Igreja Batista Central de Fortaleza e moradores da Vila Pery realizaram ações de combate à dengue

O quintal de Wilson e Lúcia Peixoto é um dos maiores da Rua do Cruzeiro, em Pedras. Nele, existe até criação de galinhas e horta. Apesar de estar em uma das áreas de maior incidência da dengue, o casal afirma que procura manter o procedimento correto para evitar focos do mosquito Aedes aegypti.

A residência deles foi uma das visitadas por um grupo de voluntários da Igreja Batista Central de Fortaleza (IBC), em mutirão realizado ontem nos bairros do Novo Ancuri, Santa Fé e Pedras. A operação foi batizada de “Eu amo seu quintal” e teve o objetivo de visitar os quintais das casas para conscientizar a comunidade quanto às medidas de controle e combate à dengue.

Antes de entrar em ação, o grupo de 60 jovens recebeu orientação específica sobre os mitos da reprodução do Aedes aegypti do biólogo Ricardo Marques. Além da entrega de dois mil folders educativos e de 500 sacos de lixo, houve orientações sobre a manutenção da limpeza das ruas e uma apresentação de peça teatral com palhaços. A ação contou com o apoio da Secretaria Executiva Regional VI.

Outra igreja que também andou se mobilizando contra a doença foi a de São Raimundo, no bairro Rodolfo Teófilo. Lá, a homilia do padre Raimundo Kavanagh deu lugar a uma palestra sobre o ciclo do mosquito transmissor; ao crescente número de casos no bairro; e às formas de evitar a doença.

Além da ação durante as missas desse fim-de-semana, palestras semelhantes devem ocorrer na próxima quarta-feira, durante as novenas na igreja. Conta o sacerdote que a idéia partiu de um outro padre da paróquia, depois de uma reunião sobre dengue numa unidade de saúde do bairro. “Um padre e um seminarista redentoristas nossos tiveram dengue, o que nos preocupou ainda mais”, lembrou.

A professora Ivanete Gomes, de 43 anos, aprovou de pronto a iniciativa. “O fato de as pessoas ainda impedirem a entrada dos agentes sanitaristas nas casas é um grande empecilho para evitar a reprodução do mosquito. Acho também que levar esse assunto para as igrejas pode ajudar a acabar com isso”, disse. A palestra na igreja foi resultado de uma parceria entre a paróquia, a Regional III e a Guarda Municipal.

Vila Pery

Por avançar cada vez mais na lista dos bairros da Secretaria Executiva Regional IV que registram casos de dengue, a Vila Pery disse não à dengue nesse fim-de-semana. Com letras de combate à doença em forma de marchinhas de Carnaval e forrozinho pé-de-serra, moradores puxados pelo bloco Pery Boneco percorreram ruas do bairro estimulando a adesão de voluntários à causa.

A concentração ocorreu no cruzamento das ruas Estênio Gomes e Dom Henrique, com direito à roda de capoeira do Grupo Legião Brasileira de Capoeira. Enquanto percorriam ruas como Gabriel Fiúza e Costa Freire, os foliões da luta contra a dengue distribuíam 10 mil panfletos com dicas de alerta a alguns sintomas da doença, além de cinco mil adesivos.

Segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado, o bairro já apresenta 54 casos de dengue em 2008, ocupando o sexto lugar na lista dos 19 bairros da Regional VI com casos da doença. “A dengue pode te pegar / A dengue pode te matar / Se deixar água parada / Ela pode te pegar / Não esqueça a caixa d’água / Use roupa adequada / Não vá vacilar”, dizia um dos trechos do forró.

Com apoio da Prefeitura de Fortaleza, a caminhada não pôde contar com o reforço da Guarda Municipal, antes confirmado, porque os guardas ficaram envolvidos na ação de vedação de caixas d’água que tem ocorrido nos fins-de-semana em Messejana, bairro que mais concentra casos da doença na Capital. “Mas isso não nos enfraqueceu. Vamos conseguir mobilizar, pelo menos, 300 pessoas e afastar de vez esse mosquito”, disse o coordenador do bloco, Jaymes Alves.

MUNICÍPIO – 18 postos de saúde vão estar funcionando hoje

Hoje, feriado de Tiradentes, 18 Centros de Saúde da Família da rede municipal estarão abertos para atender à população. Estavam previstos para funcionar 19, mas o Centro de Saúde Paulo Marcelo, no Centro, não funcionará. A abertura dos postos se deve ao grande número de pessoas com suspeita de dengue.

Os Centros vão funcionar em regime de plantão, das 7h às 19h. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, eles contarão com uma equipe composta por médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem. A população deve procurar atendimento nos locais mais próximos de suas residências.

LÊDA GONÇALVES E LUDMILA WANBERGNA
Repórteres

Diário do Nordeste – Fortaleza
http://diariodonordeste.globo.com