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Brasileiros revelam como é viver no Havaí e mostram suas atividades

Brasileiros revelam como é viver no Havaí e mostram suas atividades

O que dizer da batucada no Havaí? São alunos de capoeira do paulista Leonardo Naito, que vive no Havaí há 15 anos.

Bem vindos a Waikiki! Conhecida no mundo todo, a praia de Honolulu é também a mais moderna, elegante e cosmopolita do Havaí.

Com mar calmo, hotéis de luxo e inúmeras lojas de grife, Waikiki é sonho de consumo para turistas do mundo todo.

Especialmente os japoneses que estão quase à mesma distância do arquipélago que os americanos do continente.

O que é a bandeira do Brasil está fazendo na areia da praia? A canga foi comprada no Brasil, mas os amigos Maitê e Enos são espanhóis.

E o que dizer, então, da batucada? Agora sim estamos falando português. Mas, entre tantos brasileiros, tem americano no samba.

São alunos de capoeira do paulista Leonardo Naito, que vive no Havaí há 15 anos. Todo fim de semana, chova ou faça sol, o grupo se reúne para treinar.

Edward, o periquito, começou a fazer capoeira a convite de um amigo. Shalina buscava uma atividade para aliviar o estresse das provas da faculdade. Os dois se apaixonaram. E não foi só pela capoeira. Durante os treinos, o casal se reveza para cuidar do filhinho de 11 meses.

Hoje, Leonardo está casado com Patrícia, que nasceu nas Filipinas. E quem vê não imagina. Uma das maiores dificuldades que ela teve na capoeira foi vencer a timidez.

Para Leonardo, mais do que deixar os alunos em forma, a capoeira serve para ensinar um novo estilo de vida.

Uma vez por semana, a rádio estatal do Havaí abre espaço para a música popular brasileira.

Apesar do jeitão e do português perfeito, Sandy não é brasileira. É havaiana. A paixão pelo Brasil começou na infância quando ela ouviu pela primeira vez a música garota de Ipanema.

Depois da faculdade, Sandy foi adiante. Morou três anos no Brasil, quando se casou com o ritmista Carlinhos Pandeiro de Ouro e chegou a cantar nas noites do Rio de Janeiro.

Sandy retornou aos Estados Unidos e não voltou mais a pisar em solo brasileiro. Mas nunca mais perdeu os laços com o Brasil e a paixão pela nossa cultura.

 

Fonte: http://g1.globo.com/

Nota de Falecimento: Mestre Camisa Roxa

Capoeira Chora com o Falecimento do Mestre Camisa Roxa…

Nossos mais profundos sentimentos a toda família Abada-Capoeira pela perda deste grande Mestre, Camisa Roxa Ao que Sabemos o Mestre Sofreu uma queda de uma Laje resultando em sua Morte, mais uma triste noticia para a Capoeira, assim que tenhamos mais noticias informaremos a todos.

Lembrando: Edvaldo Carneiro e Silva (Mestre CamisaRoxa)
Mestre Camisa Roxa foi considerado o melhor aluno de Mestre Bimba. Grão-Mestre é Abadá-capoeira, título vida para o qual foi escolhido por um conselho de notáveis Mestres do conhecimento. Sua função é mentor e consultor,e seu título o mais alto grau na Abadá-capoeira. É o mais relatado capoeira Capoeira pelo mundo, viajou para mais de 50 países, trazendo uma manifestação da arte Capoeira e da cultura brasileira. 

Camisa Roxa nasceu em 1944, na Fazenda Estiva, no interior da Bahia. Ele começou a praticar capoeira aos 10 anos de idade como forma de entretenimento, que mais tarde foi copiado por todos os seus outros irmãos. Na década de 60, foi para Salvador para fazer o grau científico e começou a treinar na Academia de Mestre Bimba, onde ele treinou e foi considerado o melhor aluno de Mestre. Seus irmãos Ermival, Pedrinho e uma camisa também formaram na Academia de Bimba.

O Grão Mestre apelido surgiu devido ao fato de que ele sempre frequentava rodas de Capoeira da Bahia vestindo uma camisa roxa (roxa em Português), que ele gostava. Ela também gostava de jogar no tradicional Capoeira rodas de Mestre Pastinha academia eo rhodes de Mestres Waldemar e Traíra Rua Pero Vaz, onde era muito respeitado pela sua postura e possuidor de grande conhecimento dos fundamentos da Capoeira.
Camisa Roxa Capoeira pensar como um todo, reunindo Regional e Angola. “Na verdade, poucas pessoas entendem a verdadeira intenção de Mestre Bimba”, diz o Grão Mestre. “Primeiro ele ensinou seu método de Capoeira novamente elevado, mas com o tempo a pessoa deve aprender a jogar em” completa.

Camisa Roxa é responsável pela coordenação Abadá-capoeira na Europa, e realiza regularmente oficinas de reciclagem para instrutores e professores que agem dessa forma. Ele também é o organizador do Encontro de Primavera Capoeira na Europa e Jogos Europeu Abadá-capoeira. Estes eventos têm como objetivo a integração e atualização dos capoeiristas na Europa através de aulas teóricas e práticas ministradas por professores convidados do Brasil.

Hoje o Grão Mestre dedica grande parte de seu tempo para pesquisar a capoeira, sempre à procura de novas maneiras e aumentar a sua visibilidade no mundo. Para ele, no Brasil deveria ser mais unidade entre os diferentes grupos, para que seja possível estabelecer uma ordem nas atividades e ensinamentos. “Talvez uma Capoeira mais disciplina e unidade entre os líderes, produzindo uma Capoeira com mais responsabilidade e profissionalismo”, diz ele. Camisa Roxa diz passar sua experiência procura recompensar tudo o que deu Capoeira hoje.

 

Fonte: Equipe Rabo de Arraia – http://www.rabodearraia.com

Nestor Capoeira: Encontros com grandes Mestres – Leopoldina

A figura do Mestre, assim como a denominação “mestre”, é algo seminal.

Nos próximos dois livros (em 2013) desta trilogia falarei dos mestres do passado. Eu tive muita sorte: conheci os grandes mestres que instauraram a “era das academias”. Agora, gostaria apenas de contar como conheci alguns deles.

Meu encontro com mestre Leopoldina

A rigor, mestre Leopoldina não foi um dos que “instauraram a era das academias”; ele só começou a jogar em 1950, no Rio.

Mas foi quem me iniciou na capoeira; foi quem abriu as portas da “cultura popular”, e foi quem me apresentou a “filosofia da malandragem”. E fez isso sem fazer força, sem se preocupar em ser “mestre”.

Além disto, meu encontro com Leopoldina é uma estória que merece ser contada.

Demerval Lopes de Lacerda (1933-2007), o mestre Leopoldina, nasceu no Rio de Janeiro num sábado de carnaval.

Foi criado pela mãe e, depois por tias e outras senhoras que o acolheram. Mas, menino ainda, fugiu de casa para vender balas junto a outros moleques que dominavam as linhas da Estrada de Ferro Central do Brasil, que une o centro da cidade aos subúrbios mais distantes do Rio. Foi na Central do Brasil que ele se “formou” e fez “pós-graduação”.

Adolescente, foi por vontade própria, numa época de vacas muito magras, para o SAM – o temido Serviço de Asssistência ao Menor, atual FUNABEM. Leopoldina não tinha reclamações desta época; ao contrário, jovem malandro criado nas ruas, entrou logo para o time dos “diretores”. Entre outras coisas, aprendeu a nadar, dando regularmente a volta na ilha onde estava situado o reformatório, o que lhe deu uma excelente forma física.

Ao sair do SAM, já com 18 anos em 1951, e velho demais para vender bala e amendoin nos trens, começou a vender jornais e, em breve, montou uma equipe de pivetes. Pela primeira vez, começou a ganhar dinheiro, vestir altas becas e frequentar o mulherio da Zona do Mangue, onde breve fez fama devido ao tamanho de seu pênis – ganhou o apelido de Sultão. Leopoldina frequentava regularmente as prostitutas, não raro mais de uma vez ao dia, sem nunca usar qualquer proteção, como as “camisinhas-de-vênus”, e incrivelmente nunca pegou doença venérea.

Foi nessa época que conheceu Quinzinho, Joaquim Felix de Souza, um jovem e perigoso marginal, chefe de quadrilha, que já havia cumprido pena na Colonia Penal e carregava algumas mortes nas costas. Quinzinho era capoeirista e foi o primeiro mestre de Leopoldina na arte da “tiririca”, a capoeira dos malandros cariocas, sem berimbau, descendente da capoeira das maltas dos 1800s.

Drauzio Varela, o médico da Penitenciaria do Carandiru que escreveu um livro de grande sucesso, e que mais tarde virou filme, menciona Quinzinho em seu Estação Carandiru:

Seu Valdomiro é um mulato de rosto vincado e cantos grisalhos na carapinha…

Os setenta anos e as histórias de cadeia ao lado de bandidos lendários como Meneguetti, Quinzinho, Sete Dedos, Luz Vermelha, e Promessinha, fizeram de seu Valdo um homem de respeito no presídio.

Leopoldina contou (num depoimento a Nestor Capoeira, gravado em DVD, em 2005, Mestre Leopoldina, o último bom malandro), como conheceu seu primeiro mestre, Joaquim Felix, o Quinzinho, por volta de 1950; quando Leopoldina tinha uns 18 anos de idade e Quinzinho tinha, talvez, uns 23 anos de idade.

 

Leopoldina:

” Eu olhava pra ele (Quinzinho), olhava para os caras em volta, e ele berava pra mim:

– Desembandeira!

Quando eu me preparava pra atacar, ele fazia aquelas coisas com o corpo.

Eu pensei: ‘Vou matá-lo!’

Dentro da (estação de trens) Central do Brasil, escondido nos trilhos, eu tinha uma faca de 8 polegadas que eu costumava esconder ali. De madrugada, eu pegava a faca e caia na noite. Então eu deixei o Quinzinho e entrei na Central pra pegar aquela faca.

Neste momento, um jornaleiro que nunca mais vi, acho que já morreu, chamado Rosa Branca, me viu muito agitado e perguntou: ‘que que tá acontecendo?’

 

Eu respondi: ‘Quinzinho roubou o meu chapéu e eu vou dar uma facada conversada nele’. “

Leopoldina explicou o que é a facada conversada:

“A facada conversada é o seguinte: eu teria de esperar pelo momento em que ele estivesse bebendo, aproximar por tras, bater no seu ombro para que ele se virasse.

Quando ele se virasse eu furava ele pela frente… não pelas costas. Porque se eu fosse preso depois, eu teria considerção na cadeia: ‘esse é malandro, deu uma facada conversada no cara’. Mas se eu esfaqueasse pelas costas eles iam dizer: ‘covarde’, e iam descer o pau.”

Para a sorte de Leopoldina, Rosa Branca acalmou-o e ele não procurou Quinzinho. Mas pouco tempo depois, Leopoldina estava num ponto final de onibus, e encontrou Quinzinho mais uma vez.

Leopoldina:

“Desceram do ônibus, Mineiro Bate Pau, um outro cara chamado Peão, Testa de Ferro, e aí, Quinzinho.

Quando eu vi Quinzinho, eu gelei. E pensei: ‘é agora!’

Mas ninguém ali sabia do ocorrido entre nós e começaram a falar comigo. Quinzinho, vendo que eu era respeitado e amigo da malandragem, se aproximou e disse:

‘Eu não quero problema com você, porque você é malandro’.

Ele estava segurando uma cuíca e passou ela pra um dos caras. Ele passou a cuíca e, de repente, me deu uma geral (revistar alguém a procura de armas)!

Imagina só. Ele disse, ‘Eu não quero problema com você porque voce é malandro, etcetera e tal’, e em seguida me deu uma geral!”

As semanas foram passando e Leopoldina, que estva louco para aprender capoeira, foi, aos poucos, se aproximando de Quinzinho.

Leopoldina:

“Eu disse: ‘Quinzinho, quero te pedir um favor’

‘O que?’, ele respondeu (desconfiado).

‘Eu quero que você me ensine capoeira’

‘Então vai no Morro da Favela amanhã’

Puxa, eu não ficaria tão feliz se alguém me desse um milhão de reais.

Aquele primeiro dia, eu voltei pro Morro do São Carlos e fui dormir na esteira. No dia seguinte eu não conseguia levantar. Meu corpo todo estava doendo. E ao mesmo tempo, eu estava preocupado que ele não ia querer mais me ensinar se faltasse à segunda aula.

‘Como é que eu vou?’, e na Favela ainda tinha que subir mais de uns cem degraus.

Então eu fui no dia seguinte e disse pro Quinzinho:

‘Não pude vir porque estava todo doído’

E ele (sem me dar papo):

‘É assim mesmo… é assim mesmo’.

E começou a me ensinar: ‘faz assim…. faz assim’.”

“Aí, um dia o Juvenil apareceu. Ele disse ‘alô’, olhou pra mim e disse: ‘vamos brincar?’

Eu olhei pro Quinzinho e como ele não disse nada, eu respondi: ‘vamos’.

O Juvenil tirou o chapéu, o colete, a gravata, e ficou nú da cintura pra cima. Assim que nós começamos a brincar, ele me deu um chute que me pegou de raspão na cabeça.

O Quinzinho estava sentado com a 7.65 enfiada na cintura. Ele estava de shorts. Naquele tempo (aprox. 1955) se usava short de futebol e não essas sungas de hoje. Todo mundo usava shorts. E ele estava com um lenço no colo, escondendo a pistola.

Quando o Juvenil deu aquele chute, Quinzinho se levantou e enfiou a pistola na cara do Juvenil:

‘Não faça isso! Não faça isso, se não ele fica covarde e não aprende!’ “

Eu (Nestor Capoeira) acho esta estória, contada pelo Leopoldina, incrível.

Vejam bem: o Quinzinho era um jovem e perigoso marginal, chefe de quadrilha que, na verdade, não tinha nem um método de ensino estruturado; como já existia na Bahia, com mestre Bimba, desde 1930; ou como Sinhozinho, no Rio no mesmo período. Leopoldina explicou como Quinzinho ensinava: ia jogando com o aprendiz e dizendo, “faz assim… faz assim”.

No entanto, quando encarnava o “mestre de capoeira”, Quinzinho tinha uma ética impecável – “Não faça isso, se não ele fica covarde e não aprende!”. Mais impecável ainda, pois naquele tempo, Rio dos 1950s, aluno aprendia capoeira levando porrada pra “ficar esperto”.

Eu vejo esta passagem como algo muito emblemático da complexidade do mundo da capoeira, com seus bizarros paradoxos; que, na verdade, não parecem tão estranhos assim para aqueles que tem o corpo e a cabeça feitos pelos fundamentos da malícia.

Alguns anos mais tarde, Quinzinho foi, mais uma vez, preso e, desta vez, assassinado na prisão da Ilha Grande pelo Chefe de Segurança, Chicão.

Leopoldina sumiu da área, com medo de represálias de marginais inimigos. Quando voltou às ruas, conheceu Artur Emídio, que tinha chegado recentemente de Itabuna, e tornou-se aluno de Artur por volta de 1954, conhecendo então a capoeira baiana jogada ao som do berimbau.

Mais tarde, Leopoldina foi trabalhar no Cais do Porto e acabou conseguindo entrar para a Resistência, um dos ramos da estiva. Aposentou-se cedo, antes dos 45 anos de idade devido a um acidente de trabalho que, felizmente, não deixou seqüelas; e, com um salário razoável de aposentado, pode viver mais intensamente a vida de capoeirista e malandro alto-astral.

Eu (Nestor Capoeira) conheci Leopoldina em 1965, aos 18 anos de idade.

Leopoldina tinha 31 de idade, e apesar de estar em grande forma, cheio de energia, o corpo magro e musculoso todo talhado; seu rosto parecia o de um homem muito mais velho. O curioso é que os anos passaram e ele continuou com o mesmo rosto e o mesmo corpo.

Eu cursava o primeiro ano da Escola de Engenharia da UFRJ, na distante (em relação à Copacabana, onde eu morava com meus pais) Ilha do Fundão. Um dia, eu estava no pátio da escola conversando com alguns amigos quando vi, longe na estrada, um cara que se aproximava pedalando a toda velocidade; era o Leopoldina que vinha de bicicleta da Cidade de Deus até a Ilha do Fundão – é longe.

A medida que foi se aproximando comecei a perceber os detalhes da roupa da figura: chapeuzinho de aba curta, desses usados pelos sambistas; um colete vermelho com bolinhas brancas, completamente aberto sobre o peito nú, que balançava no vento feito as asas de um pássaro; calça boca-de-sino listrada de verde-pistache e cinza, e um largo cinto de couro preto com uma enorme fivela na cintura; sapatos de sola plataforma com uns 3 centímetro de altura, todo cravejado de estrelinhas prateadas.

Ele entrou pelo pátio adentro a toda velocidade e então deu um tremendo cavalo-de-pau e, girando, acabou parando ao lado de uma pilastra, onde calmamente encostou a bicicleta depois de saltar.

Aí reparei numa coisa mais estranha ainda: ele levava, preso entre os lábios, uma espécie de graveto pintado de preto, vermelho e branco com uns 30 ou 40 centímetros de comprimento. De repente, o graveto começou a se mexer e se enrolou em volta do pescoço daquela estranha pessoa: Leopoldina criava cobras em casa, e aquela – uma falsa coral – era uma de suas preferidas.

Eu perguntei para um amigo:

“Porra, quem é esse cara?”.

“É o mestre Leopoldina; ensina capoeira na Atlética”, que era a parte desportiva dos diretórios estudantis.

Leopoldina era gentil e amistoso com os alunos. Não permitia que um aluno mais velho batesse num iniciante.

Carregava os mais interessados para o samba, para o candomblé e a umbanda, para os morros, para os desfiles de carnaval na Avenida Presidente Vargas.

Era, sem tentar sê-lo, um Mestre completo, que iniciava aqueles universitários, eu entre eles, na cultura “popular” brasileira; na filosofia da malandragem alto-astral – “o bom negócio é bom pra todo mundo” (em oposição à chamada Lei de Gérson, “levo a melhor em todas”, dos 171 e golpistas); e num enfoque da mulher e do sexo radicalmente revolucionários – “ninguém pertence à ninguém” -, tanto para a moral burguesa como para os enfoques machistas.

Leopoldina achava que só se deve dar aulas de capoeira duas vezes por semana, e aulas de apenas uma hora; o resto seria correr as rodas e jogar.

Seu método de ensino consistia de um breve aquecimento (uma corrida em volta da sala e alguns “polichinelos”), algumas “sequências” de golpes e contragolpes para duplas de alunos (similares às que aprendeu com Artur Emídio, por sua vez baseadas nas sequências de mestre Bimba), ocasionalmente um treino de golpes (os alunos se aproximam em fila de uma cadeira e davam, um a um, o golpe por cima da cadeira) e, no final da aula, uma roda de uns 15 a 20 minutos.

Suas aulas geralmente tinham de 4 a 8 alunos; Leopoldina nunca teve “sucesso” no que se refere ao número de alunos; tampouco deu aulas por mais de 5 anos no mesmo local.

Creio que sou o único aluno de Leopoldina em atividade, mas meu estilo de jogo é bastante diferente do dele: Leo era mais baixo que eu – devia medir 1,70m e pesar uns 65 kg -, tinha um estilo mais rápido, mais leve, mais arisco; sua ginga tinha mais personalidade que a minha, e era extremamente malandra e expressiva; embora seus golpes não se equiparassem aos da rapaziada de ponta de Senzala (onde fiquei de 1968 a 1992 e completei minha formação), Leo tinha muita visão de jogo e objetividade quando queria.

Outro aspecto importante, da vida de Leopoldina, foi seu relacionamento com o samba.

Saiu com a Mangueira, pela primeira vez, no carnaval de 1961, aos 28 anos de idade. A Mangueira foi a primeira escola de samba a colocar a capoeira em seus desfiles, o que deu uma grande visibilidade à capoeira. Leopoldina chegou a organizar um grupo de 60 capoeiristas na ala V.C. Entende, a ala show da Mangueira. E continuou saindo até aproximadamente 1974.

Eu mesmo (Nestor Capoeira) desfilei várias vezes na Mangueira, a convite de Leopoldina, quando ainda era um novato de capoeira, por volta de 1968/1970.

Na verdade, quando o conheci em 1965, embora fosse conhecido e querido no meio da capoeiragem, Leopoldina não era renomado, como foi Artur Emídio ou, mais tarde, o Grupo Senzala. Sua fama cresceu lentamente com o tempo, nas viagens que fazia constantemente à São Paulo (e depois ao resto do Brasil e estrangeiro), e na amizade que conquistou no hegemônico Grupo Senzala carioca.

Mas principalmente por sua personalidade alto-astral e positiva, alguém que só fazia amigos e evitava as inimizades. E mais ainda, por suas músicas de capoeira que, ao mesmo tempo, eram inovadoras na letra e principalmente na harmonia mas agradavam até aos jogadores mais chegados à tradição.

Aos poucos sua figura começou a ser associada, e com razão, aos últimos “bons malandros” e ao próprio Zé Pelintra, uma entidade da Umbanda.

Em 2005, com mais de 70 anos de idade, estava em grande forma física, jogando no seu ritmo rápido com 4 ou mais capoeiras jovens, um jogo seguido ao outro, e era um dos (“velhos”) mestres mais conhecidos de nosso tempo, junto com os mestre João Pequeno e João Grande (antigos alunos de mestre Pastinha, de Salvador).

Seus maiores interesses eram as mulheres, a capoeira, o samba, os carrões (que comprava e equipava com muitos cromados e pinturas), as viagens no Brasil e exterior (onde começou a ir por volta de 1990), as festas, as amizades; enfim, as curtições de quem ama e está de bem com a vida.

Leopoldina morreu em 2007, vitima de câncer, aos 74 anos de idade.

Bauru – SP: Prefeitura inaugura a Praça Mestre Bimba

O Prefeito Rodrigo Agostinho e os Secretários de Obras, Eliseu Areco Neto e do Meio Ambiente, Valcirlei Silva, inauguraram domingo (28/08), às 10 horas, a Praça Mestre Bimba, no jardim Contorno.

A praça, construída pelas Secretarias de Obras e Meio Ambiente, conta com área total de 4.970m², sendo 2.207m² de jardim, 1.115m lineares de mini-guias, 285m lineares de guias e sarjetas, 116,90m² para playground, 275,80m² para a pista de bicicross. O espaço recebeu 20 bancos de concreto, 16 rampas de acessibilidade, 16 lixeiras, 05 bebedouros, áreas de descanso e de capoeira.

A proposta da praça é a composição de equipamentos em formato circular (roda de capoeira, play-ground e área de descanso), que convidam para o diálogo e convivência, forma bem característica das construções tribais africanas e indígenas. A responsabilidade do projeto é da Arquiteta Elaine Fernandes, que doou o trabalho para a municipalidade.

O projeto da praça foi idealizado pela comunidade do Jardim Contorno, sob a liderança da Fundação Casa da Capoeira de Bauru. O projeto de denominação da praça foi de iniciativa do vereador Roque Ferreira. Mestre Bimba é considerado o fundador da Capoeira Regional.

Em razão da inauguração da Praça, a Secretaria Municipal de Cultura e Fundação Casa da Capoeira de Bauru realizam uma programação especial, que começa neste sábado, 27 de agosto, às 20 hs, com apresentação de filme sobre o Mestre Bimba e apresentações de capoeira com mais de 25 representantes de diversos estados brasileiros. As apresentações terão continuidade na manhã de domingo, às 9hs.

A praça fica no cruzamento das ruas Cristiano Pagani, Sebastião Pregnolato, Elias Murback e Dionísio de Aguiar, no Jardim Contorno.

O local tem espaço playground, pista de bicicross e área específica para jogar capoeira

 

Mestre Bimba

Manuel dos Reis Machado, mais conhecido como Mestre Bimba, nasceu em 23 de novembro de 1900, na cidade de Salvador, Bahia.

Com 12 anos de idade Mestre Bimba começou a aprender a capoeira com um africano chamado Bentinho. Mestre Bimba tornou-se um mestre na arte de tocar o Berimbau, um grande cantador e lutador, mesmo sendo a capoeira uma atividade ainda proibida naquela época. Após treinar por alguns anos com Bentinho, Mestre Bimba começou a dar aulas.

Frustrado com a forma limitada com que muitos capoeiristas percebiam e tratavam a capoeira, sua falta de respeito pela arte e seu valor enquanto cultura afro-brasileira, ele decidiu unir as habilidades de capoeirista e de lutador, aprendidas com seupai, para desenvolver a Capoeira Regional, um jogo mais rápido, onde técnica e estratégia eram elementos-chave. Junto com seu novo estilo, Mestre Bimba procurou também mudar a imagem ruim do capoeirista na sociedade da época e estabeleceu um novo padrão para a arte.

Ele foi o primeiro a realizar uma apresentação de capoeira, como uma forma de expressão da cultura brasileira, para empresários estrangeiros, a convite do então Governador do Estado da Bahia, General Juracy Magalhães.

O Ministério da Educação reconheceu a capoeira como esporte nacional nos anos 30. Em 1932, Mestre Bimba abriu sua primeira academia de capoeira, no Engenho de Brotas, em Salvador – Bahia. Em 1937, a capoeira sai do código penal e Mestre Bimba ganhou, da Secretaria de Educação, o título de professor de educação física e começou a ensinar capoeira para o exército e a polícia No Estado da Bahia.

O Centro de Cultura Física Regional, como era chamada a academia de Mestre Bimba, era conhecido não apenas como uma escola de capoeira Regional, mas também como um centro de cultura, onde a capoeira era ensinada como uma expressão cultural da herança africana e como uma possível profissão para muitos.

Após a morte de Mestre Bimba, seu filho, Mestre Nenel (Manoel Nascimento Machado) assumiu a academia do pai. Mestre Nenel é ainda o responsável pelo legado do pai e presidente da Escola de Capoeira Filhos de Bimba, em Salvador – Bahia.

Atualmente, Mestre Bimba é reconhecido como um revolucionário, por sua luta para legitimar a capoeira como um esporte e uma valiosa expressão da herança cultural africana no Brasil. Para capoeiristas em todo o mundo, Mestre Bimba é sinônimo de inovação, perseverança e determinação.

 

Fonte: http://www.redebomdia.com.br e Fundação Casa da Capoeira de Bauru (Alberto Bauru)

O samba tem “Dona”, e ela comemora 90 anos!

Hoje, os pandeiros e cavaquinhos de todo o Brasil dão parabéns cadenciados para aquela que se consagrou na música popular brasileira com uma das maiores sambistas de todos os tempos. Yvonne Lara da Costa, mais conhecida como Dona Ivone Lara, preparou muito samba, feijão e uma página na internet para comemorar os 90 anos de idade.

Há 70 anos, quando as rodas de samba eram dominadas por homens e às mulheres sobrava o papel de do ritmo no pé, Dona Ivone Lara ousou conquistar um lugar ao sol. O preconceito era tanto, que os sambas que ela compunha eram mostrados aos sambistas como se fossem de autoria do primo Mestre Fuleiro. Mesmo assim, Dona Ivone se consagrou com a primeira mulher a compor Samba Enredo no Brasil.

Apesar dos anos vividos, Dona Ivone Lara carrega a mesma alegria da juventude. “Ela é incansável, saímos de um show e ela já pergunta onde é o próximo”, conta a amiga e produtora há 17 anos Miriam Souza. A produtora faz questão de ressaltar o orgulho que sente da sambista. “Mesmo com idade avançada e depois de fraturar o fêmur, ela renasceu das cinzas e voltou a brilhar”.

E é com toda essa jovialidade que Dona Ivone Lara encontrou um jeito bem moderno de comemorar seus 90 anos. Em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro e da Refazenda Produções, lança seu primeiro site, o www.donaivonelara.com.br. Acesse e descubra por que ela é considerada um patrimônio vivo da cultura afro-brasileira!

PERFIL

Nascida em Botafogo, no Rio de Janeiro, em 13 de abril de 1921, Dona Ivone Lara é filha de uma cantora de rancho e começou a compor aos 12 anos de idade. Uma de suas primeiras músicas foi o estribilho de partido-alto Tiê-tiê (nome de um pássaro de que gosta muito).

Estudou no colégio municipal Orsina da Fonseca, de onde saiu, com 17 anos, para morar na casa do tio Dioniso Bento da Silva, pois seus pais haviam falecido. O tio pertencia a um grupo de chorões, e com ele aprendeu a tocar cavaquinho. Em outubro de 1947, foi morar em Madureira e começou a freqüentar a extinta escola de samba Prazer da Serrinha.

Em 1965, o samba-enredo Os cinco bailes da corte, ou Os cinco bailes tradicionais da história do Rio (Dona Ivone Lara, Silas de Oliveira e Bacalhau) classificou-se em quarto lugar no desfile de escolas de samba.

Dona Ivone Lara é madrinha da ala dos compositores de sua escola (Império Serrano) e desfilou desde 1968 pela ala das baianas. Em 1982, ganhou o Estandarte de Ouro como destaque da ala das baianas da Cidade Alta do Império Serrano.

O ano de 1970 foi, sem dúvida, de grande importância para sua carreira de intérprete e compositora, pois gravou o primeiro disco pela gravadora Copacabana “SAMBÃO 70”, produzido por Sargenteli e Adelson Alves. Gravou também na Odeon, Copacabana, Warner, Som Livre e RGE.

 

Fonte: Produção Dona Ivone Lara

2011 foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes.

Literatura de Cordel: Bloco Cacique de Ramos

LITERATURA DE CORDEL CONTA A TRAJETÓRIA DO BLOCO CACIQUE DE RAMOS

 

 

Em 20 de janeiro de 1961 um grupo de jovens de Ramos, Olaria e Bonsucesso, fundava um pequeno bloco sem maiores pretensões. 50 anos depois, este bloco tornou-se um mito do carnaval brasileiro e sua quadra abriga um pagode onde passaram os maiores nomes do samba brasileiro e muitos ali foram revelados. É o Cacique de Ramos, patrimônio cultural do Rio de Janeiro. E pra contar a sua trajetória, o poeta popular Victor Alvim, conhecido também como “Lobisomem”, escreveu sua história no formato da tradicional LITERATURA DE CORDEL.

 

“Freqüentador da roda de samba do Cacique de Ramos, o autor tinha o rascunho deste cordel guardado há cerca de 5 anos e decidiu continuar a missão de terminar o texto para homenagear o bloco no seu cinqüentenário

 

 

“…O Brasil é terra rica

Na arte e na cultura

E tudo que vem do povo

Na sua expressão mais pura

É obra que emociona

Até a alma mais dura

 

E foi um dos grandes blocos

Que me chamou atenção

Despertou meu interesse

E tocou meu coração

Se tornando para mim

Fonte de inspiração

 

 

Um bloco muito animado

E também tradicional

Que arrasta multidões

Fenômeno sem igual

É o Cacique de Ramos

Um dos reis do carnaval…”

 

 

 

Pesquisando em livros, discos, jornais, vídeos e conversando com integrantes novos e antigos da agremiação, Victor reuniu as informações básicas que precisava para escrever. A origem das 3 famílias que fundaram o bloco; a rivalidade com o bloco “Bafo da Onça” do bairro do Catumbi; grandes nomes que passaram pela sua quadra e outros detalhes importantes.

 

 

“…E com essas três famílias

De Ramos e Olaria

Um capítulo importante

Do carnaval surgiria

Mas isso naquele tempo

Ninguém imaginaria

 

As mulheres já queriam

Dos grupos participar

As irmãs e namoradas

Foram reivindicar

Rapidamente atendidas Conquistaram seu lugar

 

E assim dessa maneira

Um novo bloco nasceu

O “Cacique Boa Boca”

De repente apareceu

Em homenagem aos índios

Esse nome se escolheu

 

 


Na década de 60

 

Começou a sua história

No ano 61

Registrado na memória

O Cacique começou

Sua carreira com glória…”

 

 

 

Conversas com Bira Presidente e Sereno, fundadores do bloco e integrantes do grupo Fundo de Quintal, foram primordiais para esclarecer dúvidas sobre nomes e fatos importantes.

 

 

“ …Na fundação do Cacique

Também temos que lembrar

De Ênio, Mendes e Dida

Everaldo e Alomar

E outras tantas figuras

Que é difícil enumerar…”

 

 

Membros da diretoria do Cacique como Tuninho Cabral, Ronaldo Felipe e Renatinho Partideiro, membros da diretoria e apaixonados pelo Cacique foram grandes colaboradores e incentivadores para que o cordelista publicasse o livreto ainda em tempo para as comemorações dos 50 anos do Cacique de Ramos que começam na próxima quinta feira dia 20 de janeiro na sede da Rua Uranos, 1326.

 

 

“…O bloco que começou

Somente por diversão

De uma turma de jovens

Sem nenhuma pretensão

Que jamais imaginavam

Que cumpriam uma missão

 

Que começou no subúrbio

Do velho Rio de Janeiro

Cresceu, ficou conhecido

Por esse Brasil inteiro

Transformando-se num mito

Do carnaval brasileiro

 

O Cacique é referência

Na música brasileira

Vem gente do Brasil todo

E até de terra estrangeira

Pra conhecer o Cacique

E a sua tamarineira

 

Desejamos ao Cacique

Um feliz aniversário

Parabéns por sua história

E pelo cinquentário

Vida longa e muito samba

Aguardando o centenário! …”

 

 

 

 

O AUTOR

 

 

“Lobisomem” é o apelido de Victor Alvim Itahim Garcia nascido no Rio de Janeiro em 21 de dezembro de 1973 na maternidade São Sebastião, filho de Joe Garcia e Nádia Itahim Garcia.

É capoeirista, discípulo de Mestre Camisa e membro da ABADÁ-CAPOEIRA. Compositor e poeta popular, foi eleito em 2007 para ocupar, na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, a cadeira de nº. 27, tendo como patrono o poeta pernambucano Severino Milanês.

Publicou recentemente os folhetos “A Fantástica História de Zeca Pagodinho e o Disco Voador” e “O Maravilhoso Encontro de São Jorge com Jorge Benjor”.

Tem como objetivo maior sempre divulgar e elevar o nome da capoeira, do samba, da literatura de cordel e de toda a cultura popular brasileira.

 

 

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Cinema: Mestre chinês faz herói baiano voar

Besouro atravessa a tela, de uma extremidade a outra, voando. Parece um filme chinês de artes marciais, como O Tigre e o Dragão. Não é mera coincidência que o diretor João Daniel Tikhomiroff tenha importado para o Brasil o talento de Dee Dee, o especialista chinês que fez voar o elenco do filme de Ang Lee. Besouro tem a vocação assumida de ser o primeiro filme brasileiro de artes marciais, tratando a capoeira como tal.

João Daniel Tikhomiroff poderá receber críticas por isso, mas está preparado. Ele se preparou a vida inteira para fazer esse filme. Menino, ele via todo tipo de filme nas cabines da Universal, empresa norte-americana da qual seu pai foi um dos dirigentes no Brasil. Nos anos 1970, aos 19 anos, começou seu primeiro longa, que ficou inacabado. César Charlone, o diretor de fotografia de Fernando Meirelles e coautor do premiado O Banheiro do Papa, começou com ele. Desde então, João Paulo queria voltar ao cinema. Foi fazer publicidade, é um dos sócios da produtora Mixer. Muitos anos depois, ei-lo à frente de Besouro.

O roteiro do longa é de Patrícia Andrade (de 2 Filhos de Francisco), a música-tema foi composta por Gilberto Gil, o diretor de arte é Cláudio Amaral Peixoto, e o fotógrafo é o equatoriano Enrique Chediak, que a Variety, Bíblia do show biz, listou como um dos 10 mais do mundo. Todas essas colaborações foram valiosas para João Daniel, mas o filme é produto de uma parceria com a preparadora de elenco Fátima Toledo. Ailton Carmo, que faz Besouro, é um ator amador.

– A Fátima deixa o ator num estado de emoção à flor da pele que permite ao diretor ir fundo nessa emoção. As melhores cenas de Besouro valem-se desse emoção sem terem sido ensaiadas – diz o diretor.

Se você ainda não é um dos mais de 300 mil internautas que já viajaram no trailer, vá ao YouTube. Depois disso, você ficará contando os dias até a estreia de Besouro

 

Mais Informações

 

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Depois do enorme sucesso de Mestre Bimba a Capoeira Iluminada (Luiz Fernando Goulart), agora é a vez de Manoel Henrique, Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro , um lendário capoeirista da região de Santo Amaro, Bahia aparecer na grande tela…

Os fãs de cinema em geral – e de capoeira em particular – podem começar a especular. Já caíram na internet, através do site You Tube, as primeiras imagens oficiais do filme “Besouro”, de João Daniel Tikhomiroff, cotado para ser a maior produção do cinema nacional em 2009 e uma das maiores de todos os tempos.

Trata-se da primeira peça promocional do filme – uma co-produção da Mixer, da Globo Filmes e da Buena Vista inspirada na vida de Besouro Mangangá, o maior capoeirista de todos os tempos. O vídeo, de dois minutos, revela um pouco da mirabolante coreografia de lutas do filme, em que os personagens literalmente voam em cena, sustentados por cabos, guindastes e outras técnicas inéditas no cinema brasileiro.

 

Mundial dá a Pipoquinha direito de disputar o Campeonato Europeu

Garoto de 11 anos coloca Rio Claro no mapa da capoeira mundial. Marcos Matheus, o Pipoquinha, conquistou no último fim de semana, no Rio de Janeiro, o 5º Campeonato Mundial Aberto de Capoeira Muzenza na categoria infantil – até 12 anos.

O jovem atleta rio-clarense foi eliminando um a um, em jogos mata-mata, os 63 concorrentes vindos de 15 países do mundo todo e de oito estados da federação. A disputa aconteceu em dois ritmos: Bengala e São Bento Grande.

Tal façanha lhe deu o direito de jogar o 3º Campeonato Europeu de Capoeira, que acontece na Espanha de 24 a 26 de abril. Pipoquinha vai à terra das touradas acompanhado do mestre Luís Roberto “Guerreiro”, seu professor no grupo Muzenza de Rio Claro, localizado no Arco-Íris.

Apesar dos 11 anos de idade, Pipoquinha já é veterano na capoeira. Começou a praticar a modalidade aos três anos, incentivado pelos pais. E hoje, oito anos depois, leva o nome da Cidade Azul mundo afora. Ele tem apoio da Café com Leite Moda Jovem, Mateco Materiais para Construção, Drogaria São Miguel e Academia Visual.

Capoeira na Nova Zelândia

O Grupo de Capoeira Cordão de Ouro, representado pelo professor de Capoeira e pedagogo Ely Alves e mais quatro alunos, participa do Brazilian Arts Festival em Christchurch, maior cidade da Ilha Sul da Nova Zelândia. Eles passarão fevereiro dando aulas e fazendo apresentações no País. Também participarão de um final de semana de apresentações em Wellington, capital da Nova Zelândia, a convite da Embaixada Brasileira.

O trabalho do grupo começou em Brasília com projetos que atendiam crianças e adolescentes em situação de risco social em abrigos da cidade. A capoeira é usada para promover a inclusão social desses jovens. Os alunos da ONG que representarão o Brasil no evento estão indo com recursos próprios.

Teatro & Homenagem a Mestre Pastinha: Quando as Pernas Fazem Miserê

“Quando as Pernas Fazem Miserê”, montagem elaborada pelo diretor teatral Luís Carlos Nem, conta a história da capoeira pela visão do mestre Pastinha, um dos maiores mestres do país. A proposta é mostrar ao público a história de uma das mais respeitadas expressões artísticas da cultura nacional.

O espetáculo tem o patrocínio da Petrobrás e é uma homenagem a Vicente Ferreira Pastinha, grande mestre da Capoeira Angola, que dedicou toda a vida na atitude de manter acesa a chama da autêntica capoeira. O espetáculo é resultado da pesquisa feita em parceria com os atores/capoeiristas Angoleiros de Campinas, integrantes do Grupo de Capoeira Sementes do Jogo de Angola, liderados pelo Mestre “Jogo de Dentro”, formado pelo Mestre João Pequeno, hoje com 87 anos, ainda em atividade em Salvador.

Quinta 21h e Sexta ás 21:30

13 e 14 de setembro
Únicas apresentações

 

 

Um espetáculo visual

A concepção do espetáculo é baseada na malícia do jogo e na dança da capoeira. Juntos, esses elementos contribuem para construção de uma cena poética perfeita. Um ”espetáculoroda”, que oscila entre o universo lúdico teatral, com os elementos que compõe o espetáculo, e uma roda de capoeira angola, onde o jogo e a relação entre os protagonistas torna-se vivo e autêntico a cada instante. Tem na mistura de linguagens e na improvisação o alicerce que faz do espetáculo uma surpresa a cada encenação, Cada centímetro do espaço é utilizado pelos intérpretes. O chão parece ganhar vida a cada passagem. E o público é levado a entrar na arena, senão fisicamente, certamente toda a sua emoção. A utilização de recurso audiovisual é outro ingrediente do espetáculo. Imagens da Bahia, das ladeiras do Pelourinho, das Festas de Largo e de outros capoeiristas serão projetadas em um telão branco durante cada bloco enquanto os intérpretes estão em cena.

 
 
 

Mestre Pastinha

Nascido em 1889, dizia não ter aprendido capoeira na escola, mas sim com a sorte. Afinal, foi o destino o responsável pela iniciação do pequeno Pastinha, ainda garoto, no jogo. Em depoimento prestado no ano de 1967, no Museu da Imagem e do Som, mestre Pastinha relatou a história da sua vida: “Quando eu tinha uns 10 anos – eu era franzininho – um outro menino mais taludo do que eu tornou-se meu rival. Era só eu sair para rua – ir na venda fazer compra, por exemplo – e a gente se pegava em briga. Só sei que acabava apanhando dele, sempre. Então eu ia chorar de vergonha e de tristeza”. A vida iria dar ao moleque Pastinha a oportunidade de um aprendizado que marcaria todos os anos da sua longa existência.

 

Foi através do preto Benedito, um escravo alforriado, que o mestre começou a descobrir a malícia e o poder de enfrentar um adversário bem mais forte do que lhe parecia. Pastinha começou a freqüentar o cazuá de Benedito, e pouco tempo depois sairia considerado pronto pelo mestre e seguiria fortalecendo a fama de imbatível pelas ruas e ladeiras da capital baiana.

Ao longo dos anos, a competência maior foi demonstrada no seu talento como pensador sobre o jogo da capoeira e na capacidade de comunicar-se. Os conceitos do mestre Pastinha formaram seguidores em todo país. A originalidade do método de ensino, a prática do jogo enquanto expressão artística formaram uma escola que privilegia o trabalho físico e mental para que o talento se expanda em criatividade.

Vicente Ferreira Pastinha morreu no ano de 1981. Mesmo completamente cego, não deixava seus discípulos. E continua vivo nas rodas de capoeiras, nas cantigas, no jogo. “Tudo o que penso da capoeira, um dia escrevi num quadro que está na porta da minha Academia. Em cima, só estas três palavras: Angola, Capoeira, Mãe. E embaixo, o pensamento: Mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista”.