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GINGADO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA ESCOLAR

GINGADO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA ESCOLAR: expressões lúdicas no quefazer da Educação Física
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Educação.
Orientadora: Profa. Dra. Tereza Luiza de França

 

HENRIQUE GERSON KOHL

A CAPOEIRA COMO PRÁTICA EDUCATIVA TRANSFORMADORA

CAPOEIRA COM CRIANCAS NO RIO DE JANEIRO: A CAPOEIRA COMO PRÁTICA EDUCATIVA TRANSFORMADORA

Ferradura  (Omri Breda)  – professor especializado em capoeira na educacao infantil

Resumo

Educadores populares carecem muitas vezes de subsídios para o entendimento consciente dos modos de vida na África pré-colonial, da dimensão histórico-social da escravidão, do papel do africano e de seus descendentes nas lutas pela liberdade no Brasil e da função emancipadora da capoeira como ferramenta cultural. Em contrapartida, professores universitários tampouco dominam estes conteúdos; e a estes ainda soma-se o revés de faltar a experiência empírica da cultura brasileira. O trabalho visa caracterizar a capoeira como prática educativa transformadora. Nesse sentido, tendo em vista o ensino socialmente comprometido, consciente e historicamente embasado da Capoeira, recorremos aos estudos de  Emília Viotti da Costa, Ricardo Franklin Ferreira, Muniz Sodré entre outros para a fundamentação teórica. Utilizamos como estudo de caso o trabalho de capoeira infantil realizado no Rio de Janeiro para ilustrar como essa pratica pode se dar. Concluímos que a transmissão da Capoeira deve ser aliada a pesquisa e a reflexão crítica. embasada em conhecimentos muitas vezes não alcança todo seu potencial social, pois a maior parte dos professores têm um conhecimento restrito, difuso e muitas vezes ingênuo e estereotipado da história do negro no Brasil, na África e na diáspora. Este fato se dá por uma razão: os próprios professores foram submetidos ao longo de sua educação a um ensino que nega e distorce sua história e restringe o seu acesso a fontes mais profundas de pesquisa e conhecimento.

Palavras-Chave: Capoeira para criancas no RJ; Educação; Identidade

Capoeira ajuda a “Integrar Jovem na Sociedade”

Líder comunitário, Davison Coutinho discorre sobre a importância do esporte na inserção social de jovens moradores de favelas, em texto publicado pelo Jornal do Brasil. “A prática esportiva faz com que tenham uma melhor autoestima e se sintam capazes e integrados socialmente. O esporte, juntamente com a educação, evita que esse jovem tenha sua vida aliciada pelas vias do crime”, argumenta. O autor cita projetos bem-sucedidos como o grupo Acorda Capoeira e a escolinha de futebol de Condy Ximenes

Favela 247 – Membro da Comissão de Moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, Davison Coutinho destaca a importância do esporte na integração na sociedade de crianças e jovens oriundos de favelas. Em artigo publicado na coluna Comunidade em Pauta, do Jornal do Brasil, na última quinta-feira (dia 19), o líder comunitário apresenta o trabalho sociocultural desenvolvido na Rocinha pelo grupo Acorda Capoeira, com mais de 60 participantes, e pela escolinha de futebol liderada pelo morador Condy Ximenes.

“A prática esportiva faz com que tenham uma melhor autoestima e se sintam capazes e integrados socialmente. Quando um jovem sente-se fracassado na busca por um emprego, ou no aprendizado escolar, representa uma porta aberta para os caminhos errados, e o esporte, juntamente com a educação, evita que esse jovem tenha sua vida aliciada pelas vias do crime, oferecendo um futuro mais digno e humano”, argumenta Coutinho.

 

Esporte e educação: caminhos para transformação e inclusão social

A educação que uma criança recebe em seus primeiros anos é um legado que é levado por toda sua vida. Cada ensinamento, por mais simples que seja, é a semente que irá brotar no coração dos futuros cidadãos de nossa sociedade. O esporte é um excelente caminho para a criança ocupar a mente e desenvolver o corpo. É essencial para o crescimento da criança como um todo. Uma criança que pratica esporte apende a trabalhar em equipe e compreende a importância do próximo no convívio social.

O esporte tem a capacidade de integrar crianças e jovens das comunidades na sociedade, transformar suas vidas e reduzir os preconceitos e estereótipos. A prática esportiva faz com que tenham uma melhor autoestima e se sintam capazes e integrados socialmente. Quando um jovem sente-se fracassado na busca por um emprego, ou no aprendizado escolar, representa uma porta aberta para os caminhos errados, e o esporte, juntamente com a educação, evita que esse jovem tenha sua vida aliciada pelas vias do crime, oferecendo um futuro mais digno e humano.

O grupo Acorda Capoeira desenvolve um trabalho sociocultural na Rocinha e em comunidades parceiras, desde sua formação em 2004. No entanto a capoeira já é ensinada as crianças da comunidade há mais de 30 anos pelo percussor e fundador do grupo Mestre Manel que chegou da Bahia, ainda jovem e despertou o afeto da criançada ensinando capoeira. As aulas acontecem na Escola Municipal Paula Brito, são mais de 60 participantes, muitos alunos já viraram multiplicadores desta ação e levaram a capoeira para outras comunidades e até mesmo para Noruega, China e Itália.

“Comecei dando aula no Centro Comunitário da Rua 02, há 34 anos e depois o projeto foi crescendo e indo para outros locais. Eu fazia muitas rodas no largo do Boiadeiro e quase toda galera da Rocinha foi meu aluno. Tenho alunos viajando para fora do Brasil, levando capoeira. Estou formando aqui professores e cidadãos para vida. A capoeira é uma riqueza para esses jovens, aqui ele aprende falar inglês, tocar instrumentos e aprendem nossa cultura. Meu sonho é poder ter uma sede aqui dentro para ministrar diversos cursos para criançada, com lanche e almoço, um espaço com diversos saberes”, diz Mestre Manel, fundador do Acorda Capoeira.

Entre os participantes mais antigos o grupo tem o mestrando Caixote que aprendeu a capoeira com o Mestre Manel há mais de 20 anos e hoje está a caminho de ser mestre na área. “Eu conheci a capoeira, aqui no local onde a gente treina, eu tinha oito anos, quando o mestre Manel fez um trabalho voluntário na escola… continuei treinando e estou com ele até os dias de hoje, são mais de 20 anos. Sou aluno que virou professor. Graças a Deus nosso trabalho vem sendo reconhecido não só no Brasil, mas em outros países. Com todo esforço do nosso trabalho a capoeira proporciona a esses jovens a disciplina, educação, saúde e incentiva o esporte”, diz mestrando Caixote do Grupo Acorda Capoeira.

A Escolinha de futebol liderada pelo morador Condy Ximenes também é um projeto esportivo que tem oferecido muitas oportunidades aos jovens da comunidade. São diversos os campeonatos e participações que os alunos fazem. O futebol promove uma integração entre jovens de diversas classes sociais, o que rola dentro do campo é algo único, onde o preconceito e as diferenças ficam de lado e dão lugar ao espirito esportivo, onde o trabalho em equipe é fundamental.

A libertação por meio do esporte e educação vem como resultado de um viver criativo e cheio de emoções, permitindo o esquecimento das grandes dificuldades, dando esperança ao amanhã. Quando se transforma o indivíduo através dessa associação, se muda o todo, permitindo assim que ele possa ampliar sua capacidade de percepção e potencializar seus conhecimentos.

O esporte não se limita apenas aos benefícios físicos em relação a saúde, sua potencialidade, pelo contrário ele ultrapassa e promove a construção social e o desenvolvimento do cidadão de maneira geral, melhorando seu convívio familiar, escolar e social. Então, vamos lá comunidade, vamos inscrever nossas crianças e jovens em projetos de esporte e educação para que tenham um futuro promissor.

*Davison Coutinho, 24 anos, nasceu e mora na Rocinha. Bacharel em Desenho Industrial, mestrando em Design, funcionário da PUC-Rio, membro da Comissão de Moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária

Jornal do Brasil

Da Espiral à Roda

Nas redes sociais tenho visto com frequência publicações alusivas a uma nostalgia dos anos 80 (sim, esses que foram considerados pirosos!) acerca dos brinquedos, das brincadeiras, dos desenhos animados… o brincar na rua !!! Ah, que saudades! E tem-se falado sobre como as crianças crescidas nesses tempos estariam mais bem preparadas para enfrentar obstáculos ao longo da vida do que possivelmente estarão as crianças que hoje em dia primam pela tecnologia e pelo isolamento mais do que pela criatividade e o vínculo social.

Surge também nos últimos anos uma frequência mais elevada de diagnóstico de hiperatividade e défice de atenção do que nesses anos. Hiper = grande, atividade = criança? É suposto que as crianças sejam ativas, que se mexam, que sejam curiosas, aventureiras… não é isso ser criança? Mas ter essa atividade toda e não ter como a gastar pode ser altamente nocivo. E atenção, não pretendo minimizar os diagnósticos feitos nem o impacto que isso trás na vida da criança e da família, porque são situações extremamente complexas que têm que ser avaliadas com critérios rigorosos. Apenas pretendo pensar um pouco a hiperatividade na sua expressão mais lata, do senso comum, a hiper-atividade, a atividade em excesso.

Provavelmente nos anos 80 gastavam-se as energias numa apanhada, numa macaca ou num jogo de futebol e quando se chegava a casa, com fome e cansados e com apenas dois canais de televisão, poucas opções sobravam.

Pois, não era uma era tecnológica mas era uma era de ir para a rua. Mas os tempos mudam e não existem apenas efeitos secundários nocivos desta era tecnológica. Os miúdos tratam a tecnologia por tu. Ensinam os pais, os avós, os professores. Encontram músicas, jogos e histórias, chegam a todo o lado com um clique. A tecnologia está para as crianças de hoje em dia como as brincadeiras na rua estavam para as crianças dos anos 80. Sem dúvida que existem benefícios e perigos em ambas as épocas. Mas como em tudo, no meio é que está a virtude.

Uma das vantagens deste fácil acesso é que o longe está sempre mais perto do que nos anos 80. E tudo o que se fazia lá fora e nós só sabíamos 20 anos depois, agora é quase em tempo real. E isso não é necessariamente mau. Faz-nos sentir ligados. Faz-nos sentir menos sós. Parte de algo. Capazes.

A grande questão, na minha humilde opinião, é como conjugar isso. E aí, caros pais dos anos 80, a bola é nossa. Cabe-nos a nós fazer essa ligação. Sim, a nós que apanhámos a transição. As cassetes, os vinis e VHS, os CDs DVD’s DIVX, Nintendos, Spectrums, Playstations, Gameboys…nós conhecemos ambos os lados.

E a nós cabe a tarefa de ajudar as nossas crianças a tirar partido de estar com os outros, estar na rua, jogar esses jogos saudosistas, navegar na Internet, ver os programas mais adequados…enfim, sermos responsáveis por ajudar os nossos filhos a estar, a crescer e ser feliz nesta era.

A hiper-atividade é a expressão máxima da inquietação. Dentro e fora. E ainda não é pacífica a sua definição em termos etiológicos. É genética, é do meio, é daqui e dali… mas é. E a forma com lidamos com essa questão é que terá mais impacto do que o rótulo ou a origem.

Com isto, proponho um pequeno olhar por uma atividade já bem implementada em Portugal desde o final dos anos 80, mas ainda desconhecida para muitos de nós: a capoeira.

Muitos desportos, nomeadamente as artes marciais, visam o auto controlo, respeito das regras, capacidade de concentração, resiliência, competência…mas todas estas tarefas podem parecer hercúleas aos olhos de uma criança cujo nervoso miudinho é quem manda. Saber que se tem que estar atento pode ser por si só catalisador de maior agitação!

Mas existem atividades que podem juntar uma série de elementos que beneficiam de forma imensa as crianças (especialmente as hiper-ativas, ansiosas e introvertidas). A capoeira é sem dúvida uma dessas atividades.

Porque transmite noção de eu no mundo, através da passagem histórica das raízes interligadas (e nem sempre felizes) de Portugal e Brasil. Conhecimento histórico e geográfico, multiculturalidade, expressão física e artística, pertença do grupo, autoestima, atenção e motivação são alguns dos ganho imediatos da prática desta atividade. E porquê?

Porque o fator competição é preterido ao da inter ajuda, porque os grupos são habitualmente heterogéneos (em género e faixa etária), porque tem que se ser rápido e enérgico (valorizando os aspetos considerados tóxicos na hiperatividade), mas ao mesmo tempo atento para se esquivar de um golpe. Porque nunca se perde o outro de vista, porque se canta e se aprende a tocar instrumentos. Porque se valoriza o grupo em detrimento do indivíduo, porque existe a possibilidade de renascer através do batismo de uma alcunha de capoeira.

Porque se pertence. Porque se é. Porque se está ligado. E não é através da Internet. É ali, ao vivo e a cores!

E então, porque não, antes de mandarmos os meninos e meninas distraídos, impulsivos e inquietos para dentro de um cubo gigante e opressor de um medicamento que apenas faz bem aos cuidadores (que têm menos desgaste), mas que mata a criatividade e a possibilidade de encontrar alternativas, se mandasse para uma roda de capoeira?

 

NOTA: Apesar de considerar que as crianças com TDAH de acordo com o DSM IV-TR estão igualmente aptas a entrar para uma atividade física e desportiva como a capoeira, essa indicação deve ser dada criteriosamente em contexto clínico, de acordo com a avaliação da situação individual. E não se esgota na prática de uma atividade, a sua leitura é sempre multidisciplinar tal como a intervenção. Em caso de dúvida, contacte um especialista. A Psicronos em Setúbal tem um serviço dirigido a crianças e adolescentes, bem como o aconselhamento parental que pode e deve caso exista suspeita da criança ou jovem se enquadrar neste diagnóstico.

 

Carla Ricardo

Carla Ricardo é licenciada em Psicologia Clínica pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) de Lisboa, desde 2002. Exerce clínica privada na delegação de Setúbal da Psicronos e tem formação base em Psicoterapia Psicanalítica, EMDR e terapia cognitivo-comportamental.

Email: carla.ricardo@psicronos.pt

Contactos: 213 145 309 / 918 095 908

Imagem: © Turma da Mónica / Maurício de Sousa

Angra dos Reis: Abadá Capoeira faz apresentação temática

Grupo Abadá Capoeira faz apresentação temática

Vai chegando o Natal e dezenas de jovens e crianças da unidade local do Grupo Abadá Capoeira, com integrantes convidados de outros municípios, tomam conta da cidade, sempre em uma manhã de sábado, para fazer a tradicional roda de Natal e alegrar os corações de crianças de todas as idades. Dessa vez a concentração aconteceu na sede do grupo, na Rua João Gregório Galindo, às 10horas. De lá saíram  25 adultos vestidos de Noel  e  dezenas de capoeiristas mirins; todos com gorros vermelhos. Foram também integrantes do projeto Escolinha de Capoeira nas Comunidades, que atende a centenas de jovens e crianças.

Eles foram chegando e chamando a atenção, principalmente dos pequeninos, cantando e dançando pelas ruas da cidade. A turma parou nas principais praças do município e fizeram as rodas de capoeira, diferentes e muito bonitas, que atraíram um grande público.

A primeira parada do grupo foi na Praça Zumbi dos Palmares, depois das 10horas. Em seguida, o grupo foi para a Praça da Matriz .

A Capoeira Noel terminou com uma grande festa de confraternização entre os integrantes das escolinhas de diversos bairros, todos juntos, fazendo uma grande roda na Praça Codrato de Vilhena (Papão), com show de maculelê e entrega de brinquedos para as crianças.

O encontro é realizado há vários anos e tem também como um dos objetivos a integraçãodos alunos além demostrar que a solidariedade é fundamental para a prática de qualquer esporte.  As praças foram agraciadas com a festividade durante todo o dia.

“Um encontro para finalizar o ano da nossa capoeira com chave de ouro. É uma alegria poder contar com a participação de tanta gente. Os angrenses abraçam nosso eventoe isso nos enche de orgulho,” comentou emocionado o mestre Arisco.

Fonte: http://www.avozdacidade.com

Foto: Wagner Gusmão

Centro de Capoeira São Salomão & Projeto Caxinguelês

Mais uma bela história de Capoeira…

Ontem dia 12 de dezembro de 2013, por volta das 21:00h, eu, Mestre Mago, minha companheira, Contramestra Bel e nossas filhas, Gabi e Belinha testemunhamos um dos momentos mais importantes dos quase dezessete anos do Centro de Capoeira São Salomão e do Projeto Caxinguelês.
Esse momento se refere ao coroamento de Othon que ingressou no Projeto Caxinguelês aos oito anos e hoje aos 17 anos fecha o ciclo da sua educação escolar e da participação no Caxinguelês com chave de ouro.

São muitos os elementos que precisam se harmonizar para que o desafio da educação/formação de uma criança dê certo. Mas com certeza dois, são pilares fundamentais: a família e a escola. No entanto, para crianças e jovens que vivem em situação de risco social e pessoal provocado pela pobreza e seus efeitos danosos é necessário mais um elemento para formar um tripé e melhorar a base de sustentação dessas crianças e jovens. É aí que entra a Capoeira e o Projeto Caxinguelês.

O Projeto Caxinguelês há quase dezessete anos atende crianças/jovens, dos 6 aos 18 anos de idade, com necessidades diversas de aprendizagem e comportamentais, num sistema de jornada escolar ampliada, em uma parceria com as escolas públicas do bairro. Até novembro deste ano atendíamos a comunidade do Pina, através de suas escolas Novo Pina, Osvaldo Lima Filho e João Cabral.

Othon chegou pra gente, pela sua extrema timidez ou quase prisão interior. Uma criança que desde cedo apresentou grande potencial na escola, com uma família atuante, mas rodeado por uma comunidade violenta, cheia de perigos e armadilhas e que não oferece condições para que as crianças cresçam em segurança. Então foi na Capoeira, no Projeto Caxinguelês, que ele encontrou essa segurança, esse espaço de expressão e crescimento. 
Othon passou por uma transformação radical de sua personalidade dentro do Projeto Caxinguelês, quebrando as grades de sua timidez que o impedia até de reagir fisicamente em momentos que eram necessários para manutenção do seu espaço. Teve uma fase, inclusive, que ele se tornou agressivo, causando assim, preocupação da escola e dos familiares, que nos procuraram achando que a Capoeira e o Projeto poderiam está prejudicando já que ele era tão comportado e agora estava rebelde e agressivo. Então eu disse, calma, isso vai passar, ele está apenas envergando a vara para o outro lado. Isso é necessário para que ela volte ao meio e encontre o ponto de equilíbrio. Ficará tudo bem! Essa agressividade que parece ser ruim nesse caso é positiva, ele precisa desenvolvê-la, confiem; e eles confiaram… E lá se foi Othon crescendo, desenvolvendo-se e como eu previ, equilibrando-se, sem perder o seu talento para a escola. Quando chegou ao Ensino Médio resolvemos estabelecer uma parceria com o Colégio Ideia, que é uma das melhores escolas de Ensino Médio de Recife, que topou a proposta na hora doando uma bolsa de estudos para Othon.
Othon tinha a difícil missão de ter sucesso nessa etapa da sua escolaridade no Colégio Ideia. Ele era o primeiro aluno que indicávamos para sair da escola pública, que apesar de todo esforço dos seus profissionais, é muito deficitária, por problemas estruturais no sistema público de ensino, para uma escola particular de alto nível. No entanto, os desafios dessa mudança não eram apenas intelectuais eram de toda ordem, mas acreditávamos na sua capacidade e sabíamos que ele ia ter êxito nessa missão.

Othon já estava nessa época, com seis anos de Projeto Caxinguelês e se apresentava como um jovem equilibrado e com condições psicológicas para enfrentar tal desafio. Não deu outra, ele chegou lá e logo venceu as primeiras dificuldades, que talvez tenham sido as maiores, pois foi essa transição do mundo da escola pública e da comunidade que a rodeia para o mundo da escola particular de classe média alta. Já adaptado a esse novo universo foi cada vez mais se desenvolvendo e focando nos estudos. Melhorou seu desempenho em todas as áreas e no final dessa jornada de três anos nos brinda com uma tremenda vitória!!!

Othon Vinícios, para nós da Capoeira, Enferrujado, formou-se no ensino médio sendo o homenageado da turma como aluno Laureado, ou seja, alcançou a melhor média geral: 9,1 de toda turma nos três anos de ensino médio. Além disso se apresenta como um jovem bonito, equilibrado, seguro, tranquilo, saudável, muito bem educado e formado, pronto para ingressar no mundo dos adultos e fazer a diferença na sua família e comunidade e porque não dizer no mundo. Quebra-se aqui, mais uma vez, através da Capoeira e do Projeto Caxinguelês o ciclo da pobreza e suas mazelas, que esmaga a maioria do nosso povo, missão cumprida!!!

Não temos como expressar tal alegria… Somente podemos compartilhá-la com quem sempre colaborou e torceu pelo nosso trabalho. Apresentamos por isso, mais uma prova material do que a Capoeira e o Projeto Caxinguelês fizeram, fazem e sempre tentará fazer, a diferença na vida das crianças e jovens que ingressam nessa aventura de se formar como cidadãos plenos, enfrentando as dificuldades e se tornando fortes para construir um mundo melhor de se viver. Parabéns Othon! Parabéns família de Othon! Parabéns aos professores e professoras das escolas que ele passou! Parabéns a nossa equipe do Projeto Caxinguelês! 
Hoje afirmamos em nós que vale a pena lutar pela educação através da nossa arte de fazer gente: a Capoeira!

Dedicamos esse momento e esse texto a Dona Elly, nossa fada Madrinha, que de lá do outro lado do oceano, na Holanda, tem se esforçado sobre humanamente para levantar recursos e financiar nosso Projeto aqui no Brasil. Obrigado!!!! Valeu à pena tudo!!!! 

Mago 
13/12/2013 – 00:30

ONG ensina capoeira a jovens árabes refugiados

A organização inglesa ‘Bidna Capoeira’ leva o esporte brasileiro a crianças e jovens de 07 a 22 anos na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Síria. Desde 2007, mais de 15 mil pessoas já participaram do projeto.

São Paulo – Apaixonado por capoeira, Tarek Alsaleh, alemão de ascendência síria formado em Ciência do Esporte, se mudou para Damasco em 2007. Lá, começou a ensinar o esporte brasileiro para crianças nas ruas da cidade. O interesse dos jovens pela atividade foi crescendo e a prática foi levada também para prisões e hospitais. Com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Alsaleh começou a ensinar o esporte também no campo de refugiados de Al Tanf, na fronteira entre Síria e Iraque. Daí nasceu a organização ‘Bidna Capoeira’ (Queremos Capoeira, em árabe), que utiliza a mistura de luta e dança para melhorar a vida dos jovens refugiados.

Atualmente, o projeto atua na Síria, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, com participantes de 07 a 22 anos. Além da prática da capoeira, os alunos também aprendem a história e cultura do esporte. “Os paralelos que a capoeira oferece para os jovens em situações vulneráveis são extremamente valiosos em ajudá-los a lidar com as situações difíceis pelas quais eles passam”, conta Ummul Choudhury, co-fundadora e diretora da ONG.

Ela lembra que os campos de refugiados são lugares superpovoados, pobres e que a violência física faz parte do dia a dia dos jovens. Com poucos lugares para brincar, diz, muitas crianças apresentam problemas de comportamento, como agressividade, depressão e hiperatividade.

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“O Bidna Capoeira usa a forma de arte única e não competitiva da capoeira para quebrar ciclos de violência, isolamento e melhorar a saúde psicossocial de jovens desesperadamente vulneráveis”, afirma Choudhury.

Parte dos professores é brasileira, mas o projeto também trabalha treinando novos instrutores locais. “Nosso programa na Síria é gerido por pessoas locais que começaram como estudantes conosco e evoluíram, tornando-se instrutores. Trabalhamos para institucionalizar o valor social que a capoeira pode trazer para jovens traumatizados e vulneráveis e para poder espalhar esta mensagem”, destaca a diretora.

Do Brasil, também vai a língua das músicas cantadas nas rodas. “As canções da capoeira são ensinadas em português, junto com o significado e a história narrativa da capoeira. Nós também trabalhamos com nossos alunos para criar canções em árabe adaptadas do estilo original em português”, diz Choudhury.

A diretora revela ainda que a ONG tem planos de expandir seu trabalho. “Vamos começar projetos na Jordânia em 2014. Esperamos conectar, inspirar e acessar a comunidade mundial da capoeira por meio de nossos projetos”, completou.

O orçamento atual da ONG é de 320 mil libras esterlinas, cerca de R$ 1,242 milhões. Segundo Choudhury, a organização conta com a ajuda do governo brasileiro no desenvolvimento dos projetos.

Quem quiser conhecer o Bidna Capoeira pode acessar o site www.bidnacapoeira.org ou a página do projeto no Facebookwww.facebook.com/BidnaCapoeira.

 

Fonte: http://www.anba.com.br

    Capoeira também ajuda na melhoria das notas

    Esporte, aliado à escola, tem transformado o aprendizado das crianças e adolescentes em Itaitinga


    A capoeira e a educação estão unidas em um projeto social que visa a transformação de vidas de crianças de quatro a 15 anos em Caracanga, distrito de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Todos os sábados, um grupo de 40 meninos e meninas se reúne no pátio ao lado do Bar do Lula ou na sombra de um cajueiro em terreno vizinho para o treino com os instrutores do projeto “Eu, você, a escola e a capoeira”.

    O projeto é realizado há quase dois anos pelo Centro Cultural Capoeira Água de Beber (Cecab) por Franco Silva e Juliana Monteiro, sob a orientação de Robério Batista de Queiroz, o mestre Ratto

    Além de aprender os golpes que mais gosta – uau e meia lua de frente com armadura -, Marcos Levi Vieira Cavalcante, 12, melhorou as notas na escola. A mãe dele, Leila Maria Pires Cavalcante, conta que Marcos e seu irmão, João Marcos, 5, estão mais atentos e responsáveis e são incentivados a obedecer em casa e na escola pelo tio da capoeira, Franco Costa e Silva.

    “A capoeira mudou a minha vida. Aprendi a jogar. Aumentou o meu físico e me ensinou a sorrir mais”, afirma Marcos Levi. A mãe dele diz que o filho gosta do tio Franco, que lhe ensina a ter zelo pela escola, a fazer as tarefas, a se comportar bem nas aulas e ainda empresta o berimbau para tocar em casa. “Tudo nesse mundo gira em torno da união”, disse ela com relação à integração do projeto social com a escola. “A gente só tem de agradecer por esse projeto, porque antes não tinha nada de lazer para as crianças. A violência, roubo e drogas estão até no interior”, lembra.

    O projeto é realizado há quase dois anos pelo Centro Cultural Capoeira Água de Beber (Cecab) por Franco Silva e Juliana Monteiro, sob a orientação de Robério Batista de Queiroz, o mestre Ratto. O Cecab mantem no bairro Serrinha, em Fortaleza, outro projeto com capoeira, educação e crianças, que gerou a tecnologia social transposta para a realidade rural de Itaitinga.

    O trabalho em Caracanga desenvolveu a confiança da comunidade no projeto. “Os adultos foram cativados pelas crianças” conta Sérvulo Pimentel, que coordena a iniciativa e deu a ideia para a criação da Associação de Moradores de Caracanga com objetivo de ter mais força na defesa dos interesses comuns. A presidente da Associação, Valéria Oliveira Gomes Sousa, afirma que o projeto não é só capoeira, mas a educação das crianças, com aulas de flauta e ensino de caligrafia. Os instrutores acompanham o comportamento das crianças e querem saber do boletim escolar, ela destaca.

    Frequentar a escola é condição para participar da capoeira. O projeto trouxe também cursos de artesanato para as mães, informa a presidente da Associação. Segundo Valéria Sousa, o próximo passo é concluir a cobertura da sede da Associação em janeiro, que já tem as telhas e espera conseguir a madeira com o resultado de bingo que vai sortear uma cama-box, fruto de doação. O projeto social tem o apoio da diretora da escola local e do núcleo Flor Divina do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (UDV), do qual o benefício à comunidade do entorno da unidade se originou, informa.

    Um exemplo da integração acontece em março na realização do Dia do Bem pela UDV com atividades beneficentes realizadas na Escola de Ensino Fundamental Manuel Rodrigues de Paiva, conta Iris Cleide Lopes, a diretora da unidade na Caracanga. “A parceria com o projeto da capoeira é muito importante para a escola. Trabalhamos comportamento e respeito, e o tio Franco cobra dos meninos os mesmos valores”, ela afirma.

    “Respeito ao próximo, a pai e mãe, isso se perdeu no meio do caminho”, lamenta a diretora. Segundo Iris Lopes, a escola hoje está fazendo o papel da família porque a maioria dos pais está se omitindo.

    Edjane Damasceno de Lima, mãe de outro aluno da capoeira, Caio Damasceno de Sousa, 9, observa que a participação do filho no projeto influenciou no comportamento, no sentido de ficar mais atento na escola e melhorou as notas. O menino arranjou mais amizades, tornando-se mais responsável pelas atividades de casa, da escola e da capoeira. Agora, quando recebe alguma coisa, o filho agradece, ela diz, como exemplo.

    Luciano Júnior Cavalcante, 11, resume em uma frase a sua opinião sobre o projeto social de que participa: “amo a capoeira”. A mãe dele, Aparecida de Souza Lima, assinala que os instrutores da capoeira demonstram compromisso porque vem todo sábado para os treinos, sem cobrar nada, com toda boa vontade. “Eles ajudam na educação, conversam muito sobre a escola e acompanham as notas e ensinam muitas coisas de uma maneira complementar ao que é ensinado na escola”.

    No Dia da Criança, Elenira Oliveira do Carmo, mãe de Carlos Henrique do Carmo, 15, prestigiou a troca de corda do filho, agora branca e laranja, um grau a mais no aprendizado da capoeira. Filmou o momento com o celular. O filho mostrou habilidade na roda de capoeira. A solenidade incluiu batizado das crianças pequenas. “Aprendi a me comunicar, arranjar amizades boas e a tocar flauta. Não fico mais andando na rua”, disse.

    Carlos Henrique disse que quer chegar a contramestre ou mestre na capoeira. A participação na arte marcial criada pelos negros escravos no Brasil, segundo ele, ajudou a melhorar as suas notas na escola e influi na sua educação como pessoa, testemunha. Circe Shara, 10, que também recebeu a corda branca e laranja, diz que estar na capoeira é muito melhor do que ficar no meio da rua brincando, com risco de acidente.

    “Minha letra era horrível, agora está tão bonita”, declara Circe Shara sobre o resultado da prática de caligrafia. A aluna conta que aprendeu a tocar flauta e quer ser veterinária. Segundo ela, a capoeira incentiva para o estudo, ao qual dedica duas horas em casa, todo dia. Participar do projeto ajudou a tirar 10 na prova de história e geografia com o que aprendeu sobre a capoeira e a escravidão no Brasil. A atividade ajuda ainda na sociabilidade. “Conheci muitas amigas. Pessoas que via, mas não falava, por vergonha”, ela relata.

    Encantamento

    “Acreditamos na pedagogia do encantamento defendida por Paulo Freire que afirma ser necessário sentir para aprender”, diz o mestre Ratto ao explicar o projeto “Eu, você, a escola e a capoeira”. Segundo ele, a implantação do trabalho em Caracanga vem propor a utilização da capoeira como instrumento de sensibilização para a educação infanto-juvenil, despertando os jovens para a importância da escola e do estudo na formação do cidadão.

    No Dia da Criança, antes do batizado e troca de faixas, Ratto reuniu as mães dos alunos para conversar sobre a importância da atividade que os filhos desenvolvem aos sábados. No encontro, propôs alguns exercícios corporais acompanhados pelas mães. Ao final, convidou quem queria participar de uma aula numa turma de mães.

    É possível apresentar aos jovens os conhecimentos da arte da capoeira e também introduzir novos conceitos e ideia, sensibilizando-os para outras áreas do saber, sobretudo o conteúdo escolar, explicou o mestre Ratto.

    Fonte: http://diariodonordeste.globo.com

     

    Porto: Pedagogia e Metodologia no Ensino e na Prática da Capoeira

    “Pedagogia e Metodologia no Ensino e na Prática da Capoeira” – Porto – Novembro 2013

    Convidado Especial: Mestre Skysito


    * Justificativa:

    Um encontro de amigos, uma iniciativa conjunta de uma equipe de profissionais preocupados com a crescente e nuclear necessidade de unir seus grupos e pares, objetivando o pleno e democrático desenvolvimento da capoeira.

    Desde a sua criação, o “Coletivo Capoeira”, vem trabalhando orgânica e incansavelmente para contribuir com o desenvolvimento da capoeira. Dele fazem parte diversas lideranças de vários grupos de capoeira, juntamente com estudiosos e alunos interessados, bem como outros participantes eventuais.

     

    * O Coletivo (Presenças Confirmadas):

    • Mestre Magoo – Associação de Capoeira Negro Nagô de Angola
    • Mestre Barão – Lagoa da Saudade
    • Mestre Pernalonga – Arte Nossa
    • Mestre Caramuru – Porto da Barra
    • Contramestre Fantasma – Relíquia de Espinho Remoso
    • Contramestre Careca – CCCB
    • Contramestre Papagaio – Ginga Camará
    • Contramestre Milani – Portal Capoeira
    • Professor Salles – Grupo Zumbi
    • Professor Pelé – Lagoa da Saudade
    • Professor Stress – Lagoa da Saudade
    • Professor Lesma – Interação
    • Professor Tijolo – Irmãos Guerreiros
    • Professor Uires – Sul da Bahia

     

    * Conteúdo/Programação:

     

    02 de Novembro de 2013
    16:00  ás 18:00
    Vivência e  Mesa Redonda (Apenas para Profissionais)

     

    03 de Novembro de 2013
    15:00  ás 17:00
    Vivência e Workshop

    17:00  ás 18:00
    Roda de Capoeira
    (Aberto para todos os participantes)

     

    Cidadania:

    Todos os participantes do Encontro, inclusive os convidados e amigos, estão “convidados” a contribuir com 1Kg de Alimento não perecível que será destinado a uma entidade para crianças carenciadas (Causa das Crianças)

    http://acausadacrianca.org

     

    Serviço/Informações:

    Local: Lagoa da Saudade
    R. Duque de Saldanha, 301
    4300-465 – Porto

     

    * Inscrições / Outras Informações:


    Tags:
    coletivo capoeira, confraria, agremiação, associação, círculo, companhia, grémio, instituição, irmandade, liga, porto, matosinhos, gaia, mar shopping, parque da lavandeira.