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IV MOSTRA COLETIVO 22 – Cultura popular afro-brasileira

IV MOSTRA COLETIVO 22 – Cultura popular afro-brasileira

As atividades de formação serão gratuitas, com presença de oficineiro de São Paulo

Com apresentações premia­das que navegam pela dan­ça, teatro e música, mer­gulhando nas manifestações da cultura popular afrobrasileira, o Núcleo Coletivo 22 realiza a quar­ta edição da sua Mostra, do dia 7 a 9 de junho. Na programação, apre­sentações dos espetáculos do grupo, como MoringaPor Cima do Mar Eu Vim, a performance Entre Raí­zes, Corpos e Fé, se entrelaçam com oficinas e exibição dos vídeos Èjé Elas Florescem, que expressam a força da cultura afrobrasileira e da ancestralidade. A Mostra será fina­lizada agradecendo as anciãs ances­trais com uma roda de tambor de crioula, uma ação do projeto Barro do Chão.

Como já é uma postura política do grupo, o acesso à arte será demo­crático, a atividade de formação será gratuita e os espetáculos terão entra­das populares de R$ 5. As oficinas terão participação livre e as inscri­ções podem ser feitas no momen­to da sua realização.

Em sua quarta edição a Mostra Coletivo 22 inicia na quinta-fei­ra, dia 7, às 20h no Centro Cultu­ral da UFG com o espetáculo Mo­ringa, uma dança feita de terra e água, cozida ao fogo e esfriada pelo vento. Uma experiência es­tética que percorre a sabedoria da natureza e das anciãs ancestrais. Na narrativa a Moringa feita do barro da criação guarda o líquido que nutre os que nascem e apazi­gua os ânimos dos deuses subter­râneos. É também a substância que no fundo do lago ou no pân­tano guarda os segredos de uma velha senhora do antigo Daomé.

A programação segue, na sexta­-feira, dia 8, com a Oficina Núcleo Coletivo 22 às 9h no Centro Cultural UFG. Os participantes da oficina po­derão vivenciar os elementos com­ponentes da proposta estética dos espetáculos presentes na programa­ção da Mostra, além das manifesta­ções populares que fizeram parte do processo de criação: Jongo, Ba­tuque, Tambor de Crioula e Sussa.

Ainda na sexta-feira, às 20h o Centro Cultural da UFG recebe­rá o espetáculo “Por Cima do Mar Eu Vim”, que tem como inspiração para o roteiro a travessia de afri­canos escravizados a caminho do Brasil e de sua permanência nesse território. A representação do mar, na qualidade de Kalunga Grande, é utilizado como elo entre o Brasil e a África bantu. Figuras históricas e ícones da resistência como a Ra­inha Nzinga Mbandi ecoam nesse espetáculo-musical.

E no sábado, dia 9, às 9h no Cen­tro Cultural da UFG a oficina será “Deuses que Dançam”, com o pre­miado artista-pesquisador,Wellin­gton Campos, integra o Núcleo Co­letivo 22/ SP e da Cia Balangan/ SP, professor de Educação Física. A ofi­cina tem como objetivo oferecer aos participantes elementos técnicos e poéticos de matrizes estéticas pre­sentes nas obras do Núcleo, perpas­sando pela dança, teatro e a música.

Na noite de sábado, às 18h, na sede do Núcleo Coletivo 22–Es­paço Águas de Menino ocorrerá a apresentação de Entre Raízes, Corpos e Fé, performance realiza­da por cinco mulheres, inspirada no fluxo entre o cotidiano e o ri­tual presente nos saberes e faze­res de mulheres do cerrado–par­teiras, raizeiras e rezadeiras.

E a programação finaliza agra­decendo as anciãs ancestrais com uma roda de tambor de crioula, uma ação do projeto Barro do Chão.

Depois da realização da Mostra, as atividades do grupo Coletivo 22 continuam de portas abertas para a comunidade, já que a sede do gru­po atua como um espaço cultural. O Espaço Águas de Menino fica lo­calizado na Rua Negrinho Barbo­sa, Qd 08 Lt 27, Residencial Antô­nio Barbosa Goiânia-GO.

Participam da equipe da Mostra a diretora artística do Núcleo Coleti­vo 22: Renata Lima; os intérpretes­-criadores do Núcleo Coletivo 22: Claudia Barreto, Diego Amaral, Flá­via Honorato, Lorena Fonte, Marli­ni De Lima, Vinicius Bolivar, Renata Lima e Wellignton Campos; a pro­dutora geral: Lorena Fonte; a assis­tente de produção: Rafaela Francis­co; designer gráfico: Michel Cunha e a assessora de imprensa: Lorena Dias–Avoá Produção e Assessoria.

 

ATIVIDADES PARA A COMUNIDADE

Atualmente está na programa­ção o projeto Barro de Chão que convida a todos para sentir a força do Tambor e perceber como o jon­go, o batuque, o tambor de crioula, o samba de roda e a capoeira ango­la, manifestações da afrobrasilida­de, se dão no contato com o barro do chão. É realizada uma vivência, uma brincadeira de cultura popu­lar, aberta para a comunidade, uma quarta-feira por mês às 19h. Em ju­nho será no dia 13, em julho no dia 11 e em agosto, será no dia 15.

Somado a isto, o projeto Águas de Menino oferece aulas de capoei­ra angola a partir do grupo Capoeira Angola Angoleiro Sim Sinhô. As ro­das de capoeira são às quintas-fei­ras, sendo as próximas nos dias 28 de junho e 26 de julho.

NÚCLEO COLETIVO 22

O Núcleo Coletivo 22 une o co­nhecimento acadêmico com o co­nhecimento popular e atua em Goiânia e São Paulo. A trupe é for­mada do encontro de quatro linhas confluentes: a formação em dança na Unicamp, o Abaçaí – Balé Folcló­rico de São Paulo, o Centro de Ca­poeira Angola Angoleiro Sim Sinhô e a Universidade Federal de Goiás no curso de Licenciatura em Dan­ça. Na convergência dessas trilhas está a professora e diretora Renata Lima que, ao longo de sua trajetó­ria artística e acadêmica, vem aglu­tinando pessoas destes contextos, e nutre um profundo respeito e inte­resse em manifestações da cultura popular afrobrasileira.

Dessa forma para a diretora do núcleo “mergulhar na cultura po­pular para pensar e criar o traba­lho do Núcleo é uma forma de pro­testo, ou de afirmação política. E, em alguma medida, é isso mesmo. Mas esse, antes de tudo, é o nosso lugar de fala. É isso que eu, junto com meus parceiros, tenho para dizer”, explica Renata Lima.

 

PROGRAMAÇÃO

 

IV MOSTRA COLETIVO 22–DE 07 A 09 DE JUNHO

Dia 07/06/2018

NOITE

Espetáculo Moringa

Mostra de Vídeo Coletivo 22

Local: CCUFG às 20h

Ingresso: R$ 5,00 (Valor Único)

Dia 08/06/2018

MANHÃ

Oficina com Núcleo Coletivo 22

Local: CCUFG às 09h

Entrada Franca–Inscrições no local

NOITE

Espetáculo Por Cima do Mar eu Vim

Local: CCUFG às 20h

Ingresso: R$ 5,00 (Valor único)

Dia 09/06/2018

MANHÃ

Oficina “Deuses que Dançam” com Wellington Campos

Local: CCUFG às 9h

Entrada Franca – Inscrições no local

NOITE

Ensaio Ritual Entre Raízes, Corpos e Fé

Tambor de Crioula–Ação Projeto Barro de Chão

Local: Águas de Menino às 18h

Entrada Franca

Endereços:

CCUFG: Av. Universitária, 1533– Setor Leste Universitário, Goiânia- GO

Sede do Núcleo Coletivo 22 – Espaço Águas de Menino: Rua Negrinho Barbosa, Qd 08 Lt 27, Residencial Antônio Barbosa Goiânia-GO

 

 

Fonte: https://www.dm.com.br/

Unesc oferece aulas gratuitas de capoeira para a comunidade

Unesc oferece aulas gratuitas de capoeira para a comunidade

Aulas ocorrem nas segundas e quartas-feiras na Universidade.

Disciplina, coordenação motora, condicionamento físico, socialização. São diversos os benefícios que a capoeira traz aos seus participantes. Entretanto, a sua essência vai muito além do esporte e da movimentação do corpo, ela está presente na arte como manifestação cultural, parte da história brasileira e mundial. E para disseminar esse conhecimento e resgatar raízes, a Unesc oferece o projeto Capoeira, gratuito para a comunidade, com aulas direcionadas a todas as idades.

O coordenador do projeto, Alex Sander da Silva, ressaltou a importância de disseminar elementos como esse, que fazem parte da cultura nacional. “A iniciativa é vinculada ao NEAB (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, Indígenas e Minorias) da Unesc, e parte da premissa de resgatar as tradições da cultura afro-brasileira. O interessante é que qualquer pessoa pode participar, não há pré-requisito para aprender capoeira. Crianças, jovens e adultos, todos estão convidados”, comentou.

Dentre os participantes, pai e filho seguem juntos nas aulas. O pai, Leandro Daros, praticava a capoeira na adolescência, e segundo ele, essa foi a oportunidade de levar o filho a apreciar a arte. “Com a capoeira eu aprendi a ser uma pessoa melhor, com os professores como mentores me trazendo conselhos. Cresci muito na capoeira, e trazer meu filho para participar é ainda mais especial”, comentou.

O professor, Filipe Alexandre Create, comentou sobre os benefícios do esporte, que contribuem para a saúde, mas também para a educação do participante. “A capoeira ensina regras, fornece disciplina, além da musicalidade, do canto, e de tantos outros elementos.”, ressaltou.

PARTICIPE

Os interessados em participar do projeto podem se inscrever no momento da aula, que ocorre todas as segundas e quartas-feiras, das 17h30 às 19 horas, na Sala de Dança da Unesc. Informações pelo telefone 3431-2724.

 

Fonte: https://www.portalveneza.com.br/

Cultura da Capoeira: Refletindo sobre a construção de Práticas Organizacionais em Organizações Sociais

Cultura da Capoeira: Refletindo sobre a construção de Práticas Organizacionais em Organizações Sociais

 Resumo

Este trabalho apresenta uma análise da influência da cultura da capoeira na construção de práticas de gestão nas organizações sociais. Para tanto, o texto versa sobre os estudos sobre cultura organizacional e especificamente do contexto cultural e tradicional da capoeira, enquanto manifestação alicerçada em valores civilizatórios africanos. Em seguida, se conceitua as organizações sociais e suas práticas de gestão, para então criar algumas categorias de análise para estudar a relação da gestão e a cultura da capoeira. As constatações realizadas indicam o quão distantes estão os diálogos entre estes campos de conhecimento, e o quão urgente é a necessidade de aprofundamento dos estudos organizacionais no campo das culturas populares e de suas comunidades tradicionais de matriz africana como condição elementar para que gestores sociais, cientistas e alunos, possam compreender os desafios propostos para este cenário.

Palavras-chave: capoeira, gestão social, cultura organizacional

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba”

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba”

Carlos Carvalho Cavalheiro: ‘Notas para a História da Capoeira em Sorocaba’

O livro foi contemplado pelo Edital PROAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro "Notas para a História da Capoeira em Sorocaba" Eventos - Agenda Portal Capoeira 1

 

O livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba (1850 – 1930)”, de autoria do escritor e historiador Carlos Carvalho Cavalheiro foi lançado no dia 10 de junho (sábado), às 15h, na Biblioteca Infantil de Sorocaba.

 

Resultado de quase 20 anos de pesquisa, a obra trata do desenvolvimento da luta capoeira numa cidade do interior de São Paulo. O ineditismo da pesquisa serviu de base para outros pesquisadores, como Pedro Cunha que publicou sua dissertação de Mestrado, “Capoeiras e valentões”, no ano de 2015.

 

Esse mesmo pesquisador escreveu o prefácio para Cavalheiro, evidenciando que seu livro “consolida um trabalho pioneiro”, iniciado em fins da década de 1990, e que seus estudos “vem inspirando diversos outros pesquisadores como eu a romperem o silêncio da historiografia da capoeira”.

 

Já o apresentador do livro, o escritor e pesquisador André Luiz Lacé Lopes, deixa em evidência que “Mais do que consagrar de vez um espaço para Sorocaba no Mundo da Capoeira, Cavalheiro, talvez até de modo inconsciente, faz com que o seu livro, em princípio concentrado no período de 1850/1930, ajude a entender ainda mais o Brasil de todas as épocas, inclusive o Brasil de hoje”.

 

 Estudo inovador

 

 Ao iniciar as suas pesquisas sobre a capoeira paulista, em 1998, Carlos Carvalho Cavalheiro inaugurou uma linha de pesquisa inovadora, saindo do eixo tradicional do Rio-Bahia-Pernambuco, e concentrando-se não apenas no território da Província e depois Estado de São Paulo, mas, sobretudo, procurando os vestígios dessa arte/luta da capoeira em Sorocaba, cidade interiorana.

 

Com isso, Cavalheiro trouxe aspectos do cotidiano da cidade, cujo contexto explica melhor a existência da capoeira na cidade. As fontes consultadas pelo historiador demonstram uma cidade sulcada pelas relações tensas entre grupos sociais, cujo ápice se dá na emissão de leis (Posturas Municipais) que procuravam coibir as práticas populares, acima de tudo afro-brasileiras, das quais a capoeira é uma das expressões máximas.
“Mais importante que provar a sua existência nos séculos passados é entender o porquê da capoeira ter existido em Sorocaba naqueles idos”, comenta o historiador.

 

O livro de Carlos Carvalho Cavalheiro, “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba” foi contemplado pelo edital do PROAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. O fato de ter sido contemplado por esse importante programa de incentivo à cultura define, de certa forma, a importância da obra para o entendimento da história da capoeira, tanto em Sorocaba como para o Estado de São Paulo. Foram impressos 1000 (mil) exemplares da obra, que deverá ter parte doada para diversas bibliotecas e, ainda, outra parte disponibilizada para venda a interessados no assunto. O projeto foi apresentado ao PROAC pela Editora Crearte, a qual editou o livro. Com 270 páginas, repletas de informações e ilustrações, a obra será comercializada a preço abaixo de mercado, por R$ 20,00. A ideia é tornar o livro mais acessível ao grande público.

 

O autor

 

Carlos Carvalho Cavalheiro nasceu em maio de 1972, em São Paulo. Residente em Sorocaba, o autor é professor de História na cidade de Porto Feliz, trabalhando na EMEF. Coronel Esmédio.
Autor de mais de duas dezenas de livros, Cavalheiro tem publicado obras que tratam da História e da Cultura Popular regionais, mas também obras de ficção. Mestre em Educação pela UFSCar, é ainda graduado em História, em Pedagogia e Bacharel em Teologia.
Possui ainda Especialização em Gestão Ambiental e em Metodologia do Ensino de História. É colunista dos jornais “Tribuna das Monções” e “Jornal ROL”.

 

Fonte: Jornal Rol.

Gingando na Lusofonia: A institucionalização da capoeira em Portugal

Gingando na Lusofonia: A institucionalização da capoeira em Portugal

 Resumo

A capoeira é uma prática cultural e esportiva de origem afro-brasileira que chega a Portugal no final dos anos oitenta com a emigração brasileira e hoje é praticada em todo país. O presente artigo pretende analisar o impacto decorrente do processo de institucionalização da capoeira em Portugal, iniciado pelo Estado português em 2010, junto à comunidade luso-brasileira de praticantes. Tenciona ainda: verificar as contradições do processo no que toca à compreensão dos diversos atores sobre o que é a capoeira e como deve ser concebida, bem como perceber as relações de poder entre o Estado e as instituições desportivas representativas dos capoeiristas. A fim de realizar esta tarefa, foram entrevistados os diferentes atores envolvidos e analisada a documentação referente ao tema.

Palavras-chave: Capoeira. Esporte. Cultura. Institucionalização.

Dancin’ within Lusophony: capoeira’s institutionalization in Portugal

Abstract

Capoeira is a cultural and sports activity of african-Brazilian origin that arrived in Portugal in the late eighties with the Brazilian emigration and which is practiced today throughout the country. This article aims to analyze the impact of the capoeira institutionalization process in Portugal, initiated by the Portuguese state in 2010 together with the Luso-Brazilian community of practitioners. It intends to: (a) verify the contradictions of the process regarding the understanding of the various actors about what capoeira is and how it should be conceived, as well as (b) identify power 1 Professor-Doutor do Instituto de Humanidades e Letras da Universidade da Integração Internacional e da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB), Brasil.

 

Keywords: Capoeira. Sports. Culture. Institutionalization.

 

ricardonascimento@unilab.edu.br RICARDO NASCIMENTO

 

Jongo

Jongo: Os negros montam uma fogueira e iluminam o terreiro com tochas.

Do outro lado, armam uma barraca de bambu para os pagodes, um arrasta-pé onde os casais dançam o calango ao som da sanfona de oito baixos e pandeiro.

À meia-noite, a negra mais idosa e responsável pelo jongo interrompe o baile, sai da barraca e caminha para o terreiro de “terra batida”. É hora de acender a fogueira e formar a roda. As fagulhas da fogueira sobem pro céu e se misturam com as estrelas. Ela se benze nos tambores sagrados, pedindo licença aos pretos-velhos – antigos jongueiros que já morreram – para iniciar o jongo.

Improvisa um verso e canta o primeiro ponto de abertura. Todos respondem cantando alto e batendo palmas com grande animação. O baticum dos tambores é violento. O primeiro casal se dirige para o centro da roda. Começa a dança.

Durante a madrugada, os participantes assam na fogueira batata-doce, milho e amendoim. Alguns fumam cachimbo, tomam cachaça, café ou caldo de cana quente para se esquentar.

O jongo é muito animado e vai até o sol raiar, quando todos cantam para saudar o amanhecer ou “saravá a barra do dia”.

Dança-se o jongo no dia 13 de maio, consagrado aos pretos-velhos, nos dias de santos católicos de devoção da comunidade, nas festas juninas, nos casamentos e, mais recentemente, em apresentações públicas.

Os jongueiros dançam muitas vezes descalços, vestindo as roupas comuns do dia-a-dia.

O jongo é uma dança de roda e de umbigada. Um casal de cada vez dirige-se para o centro da roda girando em sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. De vez em quando, aproximam-se e fazem a menção de uma umbigada. A umbigada no jongo é de longe.

Logo um outro entra roda, pedindo licença: “Dá uma beirada cumpadre!” ou “Bota fora ioiô!” Os casais, um de cada vez, vão se revezando até de manhã numa disputa de força, ginga e agilidade.

Durante a dança, o casal trava uma comunicação pelo olhar, que vai determinando o deslocamento pela roda e o momento da umbigada.
No jongo da Serrinha, existe um passo que se chama “tabiá”, uma pisada forte com o pé direito.

O jongo é dançado ao som de dois tambores, um grave (caxambu ou tambu) e um agudo (candongueiro). O repicar do candongueiro atravessa os vales, avisando aos jongueiros das fazendas distantes que é noite de jongo.Os tambores são feitos de tronco de árvores escavados com um pedaço de couro fixado com pregos numa das extremidades. São de origem bantu e conhecidos em Angola e no Brasil como “ngoma”. Antes do jongo começar, eles são aquecidos no calor da fogueira, que estica o couro e afina o som.

Em alguns locais, os tambores são acompanhados por uma cuíca de som grave, a angoma -puíta ou onça (na África chamada de “mpwita”), e por um chocalho de palha trançada com fundo de cabaça, chamado guará.

Durante a madrugada, os tambores começam a ficar úmidos de sereno, perdendo o som. Por isso são levados várias vezes para perto do fogo para serem afinados. Enquanto esperam, os jongueiros vão para a barraca dançar o calango.

Os tambores são sagrados, pois tem o poder de fazer a comunicação com o outro mundo, com os antepassados, indo “buscar quem mora longe”. No início da festa, os jongueiros vão se benzer, tocando levemente no seu couro em sinal de respeito.

Mestre Darcy inventou um terceiro tambor solista reproduzindo as células rítmicas emitidas pelos sons guturais que saiam da garganta da jongueira centenária Vovó Tereza quando essa dançava o jongo.

Ministério da Cultura (MinC), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Departamento do Patrimônio Imaterial, Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP).

 

Pontos

O canto do jongo é responsorial. É cantado primeiramente pelo solista, com versos livres improvisados, e o refrão respondido por todos.

Os pontos de jongo têm frases curtas que retratam o contato com a natureza, fatos do cotidiano, o dia-a-dia de trabalho braçal nas fazendas e a revolta com a opressão sofrida. São cantados no linguajar do homem rural, com sotaque de preto-velho, e gungunados, numa espécie de som gutural bem resmungado saído do peito.Os pontos misturam o português com heranças do dialeto africano de origem bantu, o quimbundo. São criados de improviso e exigem grande criatividade, agilidade mental e poesia, muito comuns aos negros bantus.

Os jongueiros trocaram o sentido das palavras criando um novo vocabulário passando a conversar entre si por meio dos pontos de jongo numa linguagem cifrada. Só alguém com muita experiência consegue entender os seus significados. Assim, os escravos se comunicavam por meio de mensagens secretas, que muitas vezes protestavam contra a escravidão, zombavam dos patrões publicamente, combinavam festas de tambor e fugas.Quando algum jongueiro quer cantar um outro ponto, interrompendo o anterior, ele põe as mãos no couro dos tambores e grita a palavra “machado” ou “cachoeira”. Isso cala os tambores, interrompendo o ponto anterior e a dança para que o jongueiro em seguida “tire” um novo ponto.Os pontos podem ser de diversos tipos:

  • abertura ou licença – para iniciar a roda de jongo
  • louvação – para saudar o local, o dono da casa ou um antepassado jongueiro
  • visaria – para alegrar a roda e divertir a comunidade
  • demanda, porfia ou “gurumenta” – para a briga, quando um jongueiro desafia seu rival a demonstrar sua sabedoria
  • encante – era cantado quando um jongueiro desejava enfeitiçar o outro pelo ponto
  • encerramento ou despedida – cantado ao amanhecer para saudar a chegada do dia e encerrar a festa

O JONGO E O SAMBA

O jongo influenciou decisivamente o nascimento do samba no Rio de Janeiro. No início do século 20 o jongo era o ritmo mais tocado no alto das primeiras favelas pelos fundadores das escolas de samba antes mesmo do samba nascer e se popularizar. Os antigos sambistas da velha guarda das escolas de samba realizavam rodas de jongo em suas casas. Nessas festas visitavam-se uns aos outros, recebendo também jongueiros do interior.

 

Os versos do partido-alto e do samba de terreiro são inventados na hora pelo improvisador. Esse canto de improviso nasceu das rodas de jongo. A umbigada, que na língua quimbundo se chama “semba”, originou o termo samba e também faz parte do samba primitivo. A “mpwita”, instrumento congo-angolano presente no jongo, é a avó africana das cuícas das baterias das escolas de samba.

 

O jongo, por ser uma festa de divertimento, mas com aspectos místicos, fez com que a dança se restringisse aos ambientes familiares. Por isso, ao contrário do samba, que logo conseguiu hegemonia nacional, acabou sendo pouco divulgado. O fato do jongo ser praticado apenas por idosos e proibido para os mais jovens foi outro fator que levou a dança a um processo acelerado de extinção.

 

Saiba Mais:

Jongo da Serrinha, Madureira, Rio de Janeiro

 

Wiki:

O jongo, também conhecido como caxambu e corimá, é dança brasileira de origem africana praticada ao som de tambores, como o caxambu. É essencialmente rural. Faz parte da cultura afro-brasileira. Influiu poderosamente na formação do samba carioca, em especial, e da cultura popular brasileira como um todo. Segundo os jongueiros, o jongo é o “avô” do samba.

Inserindo-se no âmbito das chamadas danças de umbigada (sendo, portanto, aparentado com o semba ou masemba de Angola), o jongo foi trazido para o Brasil por negros bantos, sequestrados para serem vendidos como escravos nos antigos reinos de Ndongo e do Kongo, região compreendida hoje por boa parte do território da República de Angola. Composto por música e dança características, animadas por poetas que se desafiam por meio da improvisação, ali, no momento, com cantigas ou pontos enigmáticos, o jongo tem, provavelmente, como uma de suas origens (pelo menos no que diz respeito à estrutura dos pontos cantados) o tradicional jogo de adivinhação angolano denominado jinongonongo.

Wiki: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jongo

Enquadramento da Profissão da Capoeira na Legislação Desportiva de Portugal

Estimada Comunidade da Capoeira em Portugal,

No passado dia 21 de Julho de 2014, foi feita uma convocação por parte do Instituto Português da Juventude e Desporto (IPDJ) de Portugal (Instituição Governamental) para uma sessão de esclarecimento sobre o processo de regulamentação da Capoeira em Portugal. Estiveram presentes as seguintes instituições/grupos de capoeira:

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‘Herança Africana’ é apresentada no palco do Teatro Amazonas

Espetáculo do Balé Folclórico do Amazonas retrata a influência negra. 
Duas apresentações serão realizadas nesta quarta-feira e domingo.

Capoeira, lundu, gambá, dança do rapachão e o samba são manifestações com influências negras. Essa ‘Herança Africana’ é o tema de um espetáculo do Balé Folclórico do Amazonas, que será apresentado nesta quarta-feira (2) e domingo (6), no Teatro Amazonas, Centro de Manaus. As apresentações serão às 21h e 19h, respectivamente. Os ingressos custam R$ 10 e R$ 20 e podem ser adquiridos na bilheteria do teatro (pelos telefones: (92) 3622-1880/3622-2420) ou pelo site www.bestseat.com.br.

O espetáculo é dirigido por Conceição Souza e é resultado da pesquisa dos colaboradores Eliberto Barroncas e Railda Vitor. ‘Herança Africana’ vai destacar algumas manifestações regionais deixadas como legado cultural do negro.

A concepção do espetáculo aproveitou o trabalho realizado no projeto Escada Sem Degraus, iniciativa que envolve pesquisas de música regional e artes visuais. “Visitamos grupos de dança lundu em Itacoatiara, composto em sua maioria por mulheres, cujo estilo de dança é diferente daquele apresentado em Belém. De acordo com a localidade, a mesma dança possui características diferentes”, explica Railda.

O Balé Folclórico do Amazonas foi criado em 2001. A companhia, composta por 33 bailarinos e que se encontra com elenco renovado desde novembro de 2013, já participou de eventos como o Festival Amazonas de Ópera e Concerto de Natal.

 

Fonte: http://g1.globo.com/

Livro: Num Tronco de Iroko vi a Iuná Cantar

EDITORA PEIRÓPOLIS LANÇA “NUM TRONCO DE IROKO VI A IÚNA CANTAR”, DE ERIKA BALBINO

Acompanhado de CD de áudio com a contação da história e músicas de capoeira, livro apresenta para as crianças seres lendários das culturas cabocla, negra e indígena

A Editora Peirópolis lança, no próximo dia 24 de maio, na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, _915 – São Paulo, SP), o livro-CD infantojuvenil “Num tronco de Iroko vi a Iúna cantar”. Escrito por Erika Balbino e ilustrado pelo grafiteiro Alexandre Keto, a publicação aproxima as crianças da capoeira por meio de figuras lendárias das religiões de matriz africana, que marcaram profundamente o desenvolvimento da cultura brasileira.

Num tronco de Iroko vi a Iúna cantar narra a história dos irmãos Cosme, Damião e do pequeno e levado Doum, que um dia encontram com um menino chamado Pererê e, por meio dele e de muitos outros amigos que vão se juntar a eles nessa fábula, percorrem caminhos mágicos e descobrem os segredos e artimanhas da arte chamada de capoeira. Com  Pererê, a índia Potyra, Vovô Joaquim e outros seres lendários das culturas cabocla, negra e indígena, os três vão ao encontro do grande guerreiro Guariní, ou Ogum Rompe-Mata, capaz de ajudá-los a combater Ariokô e aqueles que fizeram a Mãe-Terra tremer de dor pelo desmatamento.

Erika Balbino revela a força da cultura africana em uma de suas manifestações mais populares ao narrar com maestria o encantamento e o deslumbramento dos protagonistas meninos ao desvendarem os poderes e os mistérios da capoeira, e de como essa prática tem o poder de falar com todas as pessoas. Uma luta, uma dança, um jogo, uma arte.

Ariokô, o ser irracional que os meninos irão combater, deseja usá-la como arma de sua vaidade, que funciona como uma cortina negra não o deixando perceber o poder acolhedor da capoeira, bem como todo o mal que a vaidade dos homens causa a Mãe Terra.

No prefácio, o professor de Jornalismo da USP, coordenador do CELACC (Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação) e membro do NEINB (Núcleo de Pesquisas e Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro) Dennis de Oliveira, traça uma analogia da invisibilidade da cultura negra com a brincadeira de esconde-esconde, afirmando que é necessário retirar a venda do preconceito dos olhos – que nos impede de ver o outro – para descobrir o que está escondido ao nosso redor.

Segundo a autora, apesar de estar presente em momentos históricos importantes  a capoeira tem seu reconhecimento só no papel, assim como várias políticas públicas em favor da cultura afrobrasileira e periférica.  “A capoeira foi declarada Patrimônio Cultural do País em 2008, e ainda hoje, está mais presente nas escolas particulares do que nas públicas, exceto naquelas que abrem espaço para programas sociais de final de semana, e nas quais o profissional da capoeira não é remunerado”, afirma.

Combatendo esse paradigma, a publicação introduz uma série de elementos dessa cultura para o público infantojuvenil. “A cultura afro-brasileira ainda é invisível. Seu ensino foi aprovado por lei (Lei 10.639/030 em 2003), mas permanecemos no campo do aprendizado da cultura europeia, replicando valores já tão ultrapassados. Continuamos no campo do folclore, como se o negro e até mesmo o índio fossem objeto de uma vitrine, utilizada para fazer figuração em momentos oportunos. A literatura pode nos libertar dessas amarras e acredito que esta seja minha pequena contribuição”, conclui Erika.

As lindas ilustrações de Alexandre Keto, artista urbano conhecido na periferia de São Paulo, com trabalho reconhecido na França e na Bélgica e educador social no Senegal, são lúdicas e dinâmicas, e harmonizam-se com a linguagem proposta por Erika Balbino, refletindo força e a riqueza do  imaginário plural brasileiro.

Encartado na obra há ainda um CD com a narração da história pela própria autora e cantos de capoeira e pontos de Umbanda, com a participação do percussionista Dalua, da cantora Silvia Maria, Rodrigo Sá, além dos Mestres Catitu, Jamaica, e Caranguejo, grandes nomes da cultura popular, esse último tendo exercido a profissão de Mestre de Capoeira por quase 20 anos na Fundação Casa. No final do livro há um glossário contendo todos os termos utilizados no livro que possam ser desconhecidos do público em geral. Além disso, a contra capa do livro conta com um QR Code que pode ser acessado por qualquer smartphone e permite ouvir a todas as músicas do CD.

Apaixonante, “Num tronco de Iroko vi a Iúna cantar” é uma fábula sobre amizade, descoberta e fé, e nos mostra que o conhecimento pode estar muito perto e, no entanto, damos uma volta ao mundo para encontrar o que buscamos. Com outro olhar e sem vendar os olhos, percebemos novos significados em coisas que, desde sempre, estavam ao nosso alcance. Como escreve o escritor e jornalista Nirlando Beirão na apresentação do livro “Erika da uma rasteira no preconceito em prol desta cultura que o Brasil reluta em aceitar investigando, na ginga dos negros, a rica relação entre corpo e música, entre combate e dança, e nos presenteando, com sua arte mandingueira, com uma obra capaz de enfeitiçar gente pequena assim como adulto teimoso”.

 

Erika Balbino

Nasceu na cidade de São Paulo. Formou-se em Cinema com especialização em Roteiro na Fundação Álvares Penteado (Faap) e é pós-graduada em Mídia, Informação e Cultura pelo Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (Celacc) da Universidade de São Paulo (USP). Além de seu envolvimento com cultura afro-brasileira e umbanda, joga capoeira há treze anos e desenvolve projeto de pesquisa sobre essa prática na capital paulista.

 

Alexandre Keto

Nascido na capital paulista, seus primeiros contatos com a cultura Hip Hop ocorreram em oficinas que aconteciam no bairro em que morava. Logo virou um multiplicador e passou a espalhar a cultura Hip Hop por diversos guetos mundo afora por meio de projetos sociais. Usa o trabalho artístico como uma ferramenta de transformação social, principalmente em países africanos, onde desenvolve projetos comunitários e de intercâmbio.

Sobre a Editora Peirópolis

Criada em 1994, a Editora Peirópolis tem como missão contribuir para a construção de um mundo mais solidário, justo e harmônico, publicando literatura que ofereça novas perspectivas para a compreensão do ser humano e do seu papel no planeta. Suas linhas editoriais oferecem formas renovadas de trabalhar temas como ética, cidadania, pluralidade cultural, desenvolvimento social, ecologia e meio ambiente – por meio de uma visão transdisciplinar e integrada. Além disso, é pioneira em coleções dedicadas à literatura indígena, à mitologia africana e ao folclore brasileiro. Para saber mais sobre a Peirópolis, acesse www.editorapeiropolis.com.br

 

FICHA TÉCNICA

  • Título: Num tronco de Iroko vi a Iúna cantar
  • Autor: Erika Balbino
  • Ilustrador: Alexandre Keto
  • Páginas: 80
  • Formato: 21×26 cm
  • ISBN 978-85-7596-329-6
  • Preço: R$49,00

 

 

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Aconteceu: UFFS e Prefeitura convidam população para Noite Cultural em Realeza

A Universidade Federal da Fonteira Sul (UFFS) – Campus Realeza e a Prefeitura Municipal de Realeza convidam toda a comunidade para a “Noite Cultural”.

O evento é gratuito e foi realizado na noite de sábado (22), na Casa da Cultura. Estão programadas apresentações musicais, teatrais e outras manifestações culturais.

A abertura está marcada para as 19h, em seguida a Orquestra da UFFS – Campus Laranjeiras do Sul traz um repertório de música popular e erudita. Formada 2013, a partir do Projeto Cultural Educação Musical, coordenado pelo professor Martinho Machado Junio, a Orquestra conta com 25 integrantes, sendo acadêmicos, professores, técnicos-administrativos em educação e pessoas da comunidade de Laranjeiras do Sul.

Já no horário das 20h30min, é a vez do Grupo Teatral La Broma e do Projeto Cultural “Joaninha ou o que é”, do Campus Realeza, subir ao palco com a peça “Caos Universitários”. A apresentação é uma construção coletiva a partir de jogos de expressão corporal, vocal e de improvisação. A performance faz uma imersão no esteriótipo do mundo universitário no ponto de vista de estudantes de graduação da UFFS e brinca com diferentes possibilidades de concepção de uma universidade.

O encerramento, previsto para as 21h, será feito pelos integrantes do Projeto Viva Capoeira, do Campus Realeza, em conjunto com o Grupo de Capoeira Arte e Manha, da cidade de Dois Vizinhos. Os grupos trazem as manifestações culturais da roda de capoeira – considerada Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira – do maculelê – simulação de uma luta africana com bastões, acompanhada de música – e do samba de roda.

 

Fonte: http://www.jornalnovotempo.com.br/