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Capoeira na Educação Formal

Já não é de agora que o tema: Capoeira e Educação vem sendo debatido nas rodas e nos diversos meios de comunicação… Vários companheiros já tem um trabalho formal dentro deste apecto da nossa capoeira. É inegavél o caracter multifacetado da capoeira assim como é inegavel o seu valor cultural para a sociedade. É dentro desta riqueza de recursos e possibilidades da nossa arte que iremos abordar a matéria sugerida pelo editor do Jornal do Capoeira, apontando para a "Capoeira na Educação Formal".
Luciano Milani


Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br
Edição 64 – de 12 a 18/Mar de 2006
 
Nota do Editor:
 
        Conheci Mestre Zulu durante do primeiro Seminário Nacional de Estudos da Capoeira (SENECA), em Campinas, maio de 2004, embora tenha acompanhado, a algum tempo, parte de seu trabalho à partir de sua produção científica sobre capoeira (livro, artigos, "papers", entrevistas em revista especializada etc). Seu livro "Idiopráxis de Capoeira" pode ser considerado um ponto de partida para quem está enveredando pela capoeira enquanto "Educação Formal". A obra, é claro, não busca esgotar o assunto, mas servir com referência para quem está iniciando-se na área.
        Tenho convidado boa parte dos mestres e doutores da "Academia" (Universidades, Faculdades de Educação Física etc), sempre argumentando que, infelizmente, a grande maioria dos capoeiras não tem acesso às dissertações de mestrado e teses doutorais produzidas nos cursos de Pós-Graduação em Antropologia, Sociologia, História e Educação Física espalhadas pelo Brasil. A triste realidade é que boa parte desta rica literatura acaba dormindo nas prateleiras das bibliotecas públicas e particulares, e não chega ao principal público que deveria ser atingido: os mestres e praticantes de nossa arte.
        Felizmente alguns mestres e doutores estão se sensibilizando da importância de se tornar mais acessível suas "produções científicas". Alguns disponibilizam por meio de revistas especializadas em capoeira, como é o caso do doutor em Sociologia e Mestre de Capoeira Luiz Renato. Outros estão, a algum tempo, contribuindo por meio deste nosso Jornal do Capoeira, com é o caso da Dr. Letícia Vidor (SP) e do Dr. Falcão (SC).
        Sabemos que ainda não é o ideal. O ideal seria mesmo que um Ministério da Educação publicasse e distribuísse, para toda a rede pública de ensino, e mesmo para as principais bibliotecas e institutos de pesquisa do Brasil e do Exterior, uma espécie de periódico, em forma de revista mensal, democratizando-se por completo a Literatura recente produzida sobre nossa Capoeira. Seria uma tacada de mestre se o próprio Ministério da Educação republicasse algumas obras raras da literatura clássica da capoeira. As obras de Plácido do Abreu, ODC, ZUMA e Inezil Pena Marinho seriam, sem dúvida alguma, as primeiras da lista.
        A seguir apresentamos a primeira de uma série de contribuições que MESTRE ZULU estará publicando em nosso Jornal do Capoeira. O artigo a seguir apresenta trechos da palestra "Capoeira na Educação Formal", proferida pelo Mestre Zulu, no VIII Fórum Nacional de Capoeira, realizado em Brasília no mês de dezembro de 2005, na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Na primeira foto estão Mestres Zulu e Falcão (Santa Catarina).
Miltinho Astronauta

Em 11 de agosto de 1972 iniciei o ensino de capoeira no Colégio Agrícola de Brasília como atividade extraclasse autorizada pela direção daquela unidade.
 
            Senti a necessidade de sistematizar os procedimentos de: ensino-aprendizagem; intercâmbios com outras unidades de capoeira; interação com a escola e com o meio acadêmico; convivência com as artes marciais, as lutas, a educação física e com a dança. À medida que eu acumulava experiências sentia também um desejo cada vez maior de criar, recriar, redimensionar, formular, selecionar, produzir, estudar, discutir, e também ouvir, e muito, os meus alunos.
 
            Inúmeras e variadas foram as minhas iniciativas na busca de alternativas para ampliar e sedimentar o projeto da capoeira na educação formal e mais especificamente nas escolas públicas do Distrito Federal.
 
            Apresentamos à Secretaria de Educação e Cultura do Distrito Federal um projeto integrado de capoeira e ginástica brasileira. Durante o segundo semestre de 1981, fiz algumas alterações naquele projeto a fim de atender às exigências e às disponibilidades daquela Secretaria.
 
            No decorrer do mês de janeiro de 1982, após receber as modificações exigidas, o "Projeto Ginástica Brasileira e Capoeira" tramitou por algumas seções, da Fundação Educacional, obtendo parecer favorável, e definição de implantação experimental do referido projeto. Criou-se, a partir daí, um núcleo experimental de capoeira e ginástica brasileira que atenderia aos alunos a partir da 5ª série do ensino fundamental até a 3ª série do ensino médio.
 

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