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Portugal, Leiria: Ginga e Camaradagem

Capoeira: o exercício que é mais difícil ver do que fazer

O espetáculo vai começar. A roda está formada e a bateira dá sinal para que os berimbaus e atabeques começem a soar. O ritmo tem três tempos e todos acompanham ou com instrumentos ou a cantar e bater palmas. Para o centro da roda vão dois capoeiristas que fazem o jogo. É assim que se faz a festa da capoeira.

Em Leiria, a modalidade desportiva que oferece simultaneamente uma experiência cultural, música e dança, existe há 11 anos. Primeiro em ginásios e desde 2009 com espaço próprio, 100 por cento dedicado à modalidade, na Academia Ginga Camará (“ginga” significa movimento + “camará” significa camaradagem = a movimento de camaradagem).

O grupo assinalou o quarto aniversário do espaço, localizado em Gândara dos Olivais, a 19 de dezembro.

Papagaio e Pastilha

Desenvolvida no Brasil, a capoeira surgiu como um sistema de defesa entre os escravos africanos. Contudo, a prática era proibida e os capoeiristas introduziram movimentos de dança à luta para disfarçar. O mesmo acontecia com as alcunhas que adotavam para escapar às autoridades. Hoje em dia, a tradição continua a existir.

Jimmy Papagaio, isto é, “Contramestre Papagaio” é o fundador do grupo. Natural do Brasil, desde cedo conviveu com a modalidade e, em Portugal, procurou sempre alimentar este mix de desafio-desporto-experiência-tradição. “Normalmente, ninguém acha que é capaz de fazer, porque é mais difícil ver do que fazer”, considera. Não é preciso uma preparação física perfeita, já que os exercícios se adaptam às idades e capacidades de cada um e a perfeição também se conquista.

Pedro Sintra, o “Instrutor Pastilha”, por exemplo, acompanha os mais pequenos, desde os 4 anos. Nesta categoria a principal dificuldade está na concentração, algo próprio da idade, enquanto nos adultos se trabalha mais a coordenação dos membros inferiores e superiores com os movimentos do resto do corpo e o ritmo.

Apesar de ser considerada uma arte marcial, “na base da capoeira não há contacto físico entre quem joga. Há um movimento base, a ginga, e depois um movimento de ataque e um de defesa, em que os adversários interpretam o gesto contrário e respondem com outro movimento. Há ainda os movimentos de floreio, onde estão as acrobacias e mortais”, justifica o instrutor. E tal como no judo e no karaté, a graduação do capoeirista depende da cor da corda que usa à cintura. A atribuição acontece uma vez por ano, no batismo, e depende da prática e empenho de cada um.

Além do espaço de Leiria, frequentado por 40 atletas, o Ginga Camará tem também delegações em Alcobaça, Condeixa, Lisboa e em Pescara, Itália, num projeto de dois antigos alunos.

 

Fonte: http://www.regiaodeleiria.pt

Marina Guerra
[email protected]t

Fortaleza: Guardas Municipais recebem aulas de capoeira e técnicas de defesa pessoal

Aumentar a sensação de segurança da população nos equipamentos públicos municipais. Com esse objetivo, a Secretaria Municipal de Segurança Cidadã (Sesec) ministra aulas com técnicas de defesa pessoal para as guardas municipais. O curso, Defesa Pessoal com Manuseio de Tonfa para Mulheres, receberá a Escola de Capoeira Fortaleza, nesta sexta-feira (19), das 9h30 às 11 horas. O encontro ocorrerá no jardim da instituição.

A aula contará com a participação de 15 integrantes da Escola de Capoeira Fortaleza. Atabaque, berimbau e pandeiro farão a percussão e emprestarão ritmo ao encontro. Márcio Wagner Mesquita de Paulo, contra-mestre da Escola, explica que a Capoeira aumenta a autoconfiança, o equilíbrio, a coordenação motora e a agilidade na resposta a ataques. “As técnicas reúnem golpes como Vingativa, Tesoura, Pisão e Martelo, que são muito eficientes para serem aplicados por mulheres, por serem contundentes e atingirem diversos pontos do corpo, em uma luta”, ressalta Wagner, conhecido na capoeira como Tropeço.

Cerca de 30 mulheres, incluindo integrantes de Guardas Municipais da Região Metropolitana de Fortaleza, participam do curso, que ocorre de 15 de julho a 9 de agosto, às segundas, quartas e sextas-feiras. As aulas incluem, além da Capoeira, técnicas de imobilização com a tonfa (cassetete), Muay Thai, Judô, Krav Magá, Luta Olímpica, Karatê e Hapkido. A coordenadora do curso, Denice Braga, é guarda municipal, faixa preta em Hapkido e instrutora Nível 2 de tonfa.

 

http://www.fortaleza.ce.gov.br

Pernambuco: 1ª tese de doutorado sobre capoeira

Aconteceu, no dia 19/12/2012, na Sala 12 do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco, a defesa da 1ª tese de doutorado sobre capoeira defendida em território pernambucano. Tese intitulada “Educação e capoeira: figurações emocionais na cidade do Recife-PE-Brasil”, de autoria do Prof. Henrique Gerson Kohl “Tchê”-UFPE e orientada pelo Prof. Dr. José Luis Simões-UFPE. A tese foi avaliada por uma banca examinadora composta pelos seguintes nomes: Dr. José Luis Simões (Presidindo os trabalhos), Dr. Edilson Fernandes de Souza (Avaliador Interno), Drª Maria Eliete Santiago (Avaliadora Interna), Dr. Vilde Gomes de Menezes (Avaliador Externo) e Drª Auxiliadora Maria Martins da Silva (Avaliadora Externa). Tese aprovada e recomendada para sua publicação. Na ocasição, referências da comunidade da capoeira e do âmbito acadêmico estiveram presentes celebrando parcerias após o rito de defesa. iador Externo) e Drª Maria Auxiliadora (Avaliadora Externa).

Sobre a banca, só posso agradecer pelas considerações e desejar tudo de bom para vocês.

Sobreleva dizer que tive muita ajuda ao longo dos anos (Exs.: familiares, amigos/as da capoeira, amigos/as da UFPE, amigos/as doutras IES, amigos/as do cotidiano e amigos/as de outras figurações não menos importantes). Destarte, agradeço de coração e desejo a mesma felicidade que tenho para todos/as.

Famílias podem se exercitar com movimentos básicos da capoeira

Mistura de arte marcial, dança e jogo inclui passos de ataque e defesa. Atividade melhora equilíbrio, flexibilidade, resistência e força muscular.

Para quem emendou o feriado e tem a oportunidade de passar esta segunda-feira (30) com a família ou entre amigos, é possível aproveitar o dia para se exercitar em grupo, independentemente da condição meteorológica.

Segundo o preparador físico José Rubens D’Elia e o educador Marcos Mourão, passos básicos da capoeira podem ser um bom começo, pois fortalecem os músculos, dão mais equilíbrio, resistência e flexibilidade.

Essa mistura de arte marcial, dança e jogo, que surgiu no Brasil na época dos escravos, inclui movimentos de ataque e defesa. Durante a prática, a pessoa pode se levantar, abaixar, esquivar, girar e chutar.

Com a ginga, os golpes e as acrobacias da capoeira, os adeptos vão ganhando fôlego e saindo do sedentarismo. Também podem melhorar o ritmo – os movimentos são acompanhados de berimbau e cantos –, a coordenação motora e a socialização.

No estúdio do programa, as famílias Navarro e Sittoni executaram os ensinamentos dos especialistas e mostraram que não existe idade para fazer atividade física nem para aprender passos novos.

Antes da prática de exercícios, também vale aquecer o corpo, procurar um lugar confortável e tirar os sapatos. De acordo com os convidados, mexer os pés, bater palmas e até engatinhar pelo chão são algumas das propostas para fazer em casa de forma saudável e lúdica, principalmente para quem tem filhos e netos.

 

Fonte: http://primeiraedicao.com.br/

O Legado de Mestre Noronha

Muito sobre as memórias dos tempos dos valentões e dos grandes capoeiristas do início do século XX, chegou até nós graças a um costume que o Mestre Noronha (Daniel Coutinho por batismo) tinha, de anotar nomes, datas, locais e “causos” envolvendo os personagens envolvidos com a capoeiragem da Bahia. O “A.B.C. da Capoeira Angola” foi um livro organizado pelo nosso grande pesquisador da capoeira – Frede Abreu, a partir dos manuscritos deixados por Noronha, e se tornou um grande legado para todos aqueles que pretendem saber mais sobre esta arte-luta, e de tudo aquilo que estava ao seu entorno. Capoeira e seus personagens, a política e seus políticos, festas populares, economia, repressão policial, história do Brasil, são alguns assuntos abordados por este grande mestre da capoeira em seus manuscritos, que posteriormente à sua morte, Frede Abreu transformou em livro, como forma de perpetuar essa memória.

Noronha teve o privilegio de vivenciar os momentos áureos da capoeira baiana do início do século XX. E nos deixou relatos belíssimos desses tempos. Desde a perseguição dos capoeiras, devido à política vigente na época, até a sua visão de decadência dessa arte, norteada pela imagem das academias formadoras de capoeiras.

As elites queriam transformar a cidade de Salvador, em uma cidade de características européias. Em outras palavras, limpar ou erradicar, se necessário, das ruas, as tradições de origem negra, favorecendo a manutenção da ordem pública. visando atender as exigências da classe mais abastada. Nesse contexto social, de conflitos e de discriminação em relação às manifestações afro-brasileiras, é que vai se formando o menino Daniel Coutinho, no local que fazia parte do mapa central da criminalidade, da vadiação, da desordem e também do trabalho em Salvador.

Noronha sempre defendia que a “…capoeira viera da África, trazida pelos africanos, porém não era educada…”, tendo adquirido esta característica aqui no Brasil. Vivenciou ainda menino, por volta dos 8 anos de idade, a difícil arte da capoeira com um negro descendente de Angola, o velho Candido Pequeno. Tinha uma imensa admiração por este capoeira.

Em seus manuscritos, narra diversos casos envolvendo enfrentamentos com a polícia e com outros valentões, citando locais e nomes dos mais famosos capoeiras da época, envolvidos nesses conflitos, assim como ele próprio, respeitado e temido no universo dos “desordeiros”.

Noronha observava que antes de freqüentar qualquer roda, era preciso ter a consciência de que “…não era coisa de brincadeira, havia muita mardade neste meio…”. Não dispensava patuás, que servia para evitar os maus espíritos. Amuletos eram fundamentais. Sempre tinha uma oração, pedia graças ao divino Espírito Santo e aos Orixás. Sempre e sempre com o corpo fechado, não admitia chegar em roda despreparado. Falava sempre: “…a defesa para a nafé (navalha) a pessoa traz consigo mesmo. Sem ter arma, o capoeira tem sua defesa particular que admira o público…”.

Dizia que um bom aprendiz de capoeira angola, tem que obedecer às palavras do mestre, tem que aprender o jogo de dentro e o jogo pessoal para a sua defesa, sempre dando ênfase a tudo aquilo que “…desse vantagem para escapulir da polícia, pois ela não gostava do capoeira…”. Para ser mestre, dizia Noronha, “…tem que aprender toda a malícia que existe nesta malandragem…”.

Em seus manuscritos, Noronha descreve as famosas “festas de largo” de Salvador e a participação dos capoeiras nesses eventos. É justamente nesse contexto descrito por Noronha que surge e vai se estruturando o modelo de “roda de capoeira” tal qual conhecemos hoje, enquanto um ritual definido pela presença de instrumentos musicais e de certas “regras” que vão se transformando ao longo dos tempos. Antes disso a capoeira se expressava de outras maneiras, como as “maltas” no Rio de Janeiro. Mas o modelo de organização em forma de “roda de capoeira” que permanece até os dias de hoje e se espalhou pelo mundo todo, foi sendo estruturado nesses espaços e nesse período histórico, o qual Noronha nos relata com tanta riqueza de detalhes em seus manuscritos.

Noronha teve participação também no surgimento do primeiro Centro Esportivo de Capoeira Angola, na Ladeira da Pedra, no bairro da Liberdade, sendo Amorzinho, o próprio Daniel Coutinho, Totonho de Maré e Livino, entre outros, seus “…donos e proprietários…”. Porém, Noronha sempre registrou o grande esforço feito por Mestre Pastinha em manter e elevar o nome do centro, a partir de quando assume a direção do mesmo.

O mestre Noronha era um severo crítico dos capoeiras que não se dedicavam a conhecer melhor sua arte, que se diziam “grandes mestres” de capoeira e donos de academia. Dizia: “…eu mestre Noronha tenho todo o fundamento comigo porque me dediquei e aprendi toda a malandragem…”

 

Visite nossa seção de Downloads e baixe este o outros documentos de grande valor histórico…

Nota de Falecimento: Mestre Bigodinho

Morre um dos maiores representantes da cultura popular da Bahia.

Morreu, nesta terça-feira (05/04/11), no hospital  em Santo Amaro, Mestre Bigodinho, conhecido por seu trabalho na capoeira, um Mestre conceituado

O enterro será realizado na Quinta dos Lazaros.

O mestre nos deixa a lembrança da importância de se valorizar e se reconhecer os constituintes da nossa cultura popular enquanto vivos.

Mestre Bigodinho

Reinaldo Santana – Mestre Bigodinho, Exímio cantador e tocador de berimbau, nascido em 13 de setembro de 1933 na cidade de Santo Amaro, na Bahia, começou na capoeira em 1950 com Mestre Waldemar Rodrigues da Paixão, permanecendo até 1970, onde se afastou devido a repressão e discriminação sofrida na época.

Em 1997, incentivado por seu amigo – o Mestre Lua Rasta, retornou ao convívio da capoeira, para a satisfação de todos que admiram essa nobre arte.

Mestre Bigodinho reside atualmente em Salvador/BA e viaja por todo o mundo levando seu conhecimento e amor pela capoeira.

 

“A Capoeira é uma defesa pessoal e cada qual se defende como pode na hora da necessidade. A capoeira não é valentia”.

“Faça pouco bem feito do que muito mal feito”.

 

Nossos mais sinceros pesames a todos os “membros da familia Santana” e nossa singela homenagem a um dos mais conceituados e respeitados mestres da nossa capoeiragem… Um cantador de timbre único e entoação ímpar… Muita paz para continuar gingando nesta “eterna roda da vida”.

Portal Capoeira


Capoeira vai ganhar frente parlamentar em sua defesa

Na semana em que foi divulgada através do Ministério da Cultura que os Grupos e Mestres de Capoeira serão catalogados para sabermos quem são os verdadeiros Mestres de Capoeira e Grupo existentes no Brasil, ela também ganhara um aliado ainda mais forte para sua defesa, é que em conversa com o Deputado Federal Flávio Bezerra PRB/CE, o medico e Vereador Iraguassú Teixeira pediu ao parlamentar que junto a bancada dos deputados do Ceará e aos que defende a bandeira da Capoeira na Câmara Federal, criem a Frente Parlamentar em Defesa da Capoeira. Com a criação da frente parlamentar, ficará fácil para os Capoeiristas pleitearem seus direitos e buscar um dialogo melhor no tocante as políticas públicas que vem sendo implementada no governo Lula, em prol da Capoeira.

Os argumentos do medico e Vereador de Fortaleza Iraguassú Teixeira, é de que a Capoeira além de estar mundo a fora, ela tem que ser reconhecida dentro dos seus direitos e principalmente respeitada, já que é uma cultura de massa e que nos últimos tempos ela tem sido mais divulgada do que mesmo o futebol que é uma Paixão Nacional.

“Nunca se jogou tanta bola no Brasil como se joga Capoeira”, disse o Vereador Iraguassú Teixeira, que defende a Capoeira no município de Fortaleza, alocando verbas da dotação orçamentária para construção e realizações de eventos. Já o Deputado Flávio Bezerra, disse: que como nordestino brasileiro e professor de educação física, ele é sabedor de que o esporte é vida saudável e cidadania, além de afastar os nossos jovens do mundo das drogas e da violência.

O deputado Flávio lembrou que Capoeira já foi muito descriminada e que hoje já brigamos para que ela se torne esporte olímpico. “Basta, já chega da gente da valor o que é importado, valorizar o que é o estrangeiro que vem  de fora pra dentro e não valorizar o que é nosso”, Ele enfatizou ainda, ser a Capoeira um produto Brasileiro e que temos de defender o que é nosso.

Para a criação da frente parlamentar em defesa da Capoeira, na Câmara Federal, é necessário cerca de 171 assinaturas  em favor da mesma, aqui no Ceará, já temos o voto do Deputado Federal Chico Lopes PC do B/CE, que disse apoiar a iniciativa do deputado Flávio Bezerra.

Mais informação:

Mestre Gerson do Valle
Cel.: 085 9954.8989 / 8754.2803
E-mail: [email protected]

Confira esta e outras
Blog: gersondovalleoreporter.blogspot.com

A Capoeira e o Estado Novo – 70 anos de (re)encontros

A historiografia da Capoeira acaba de reencontrar novos documentos para pesquisas e análises: Há exatos 70 anos (1937) foi publicado no Rio de Janeiro a obra intitulada Defesa Pessoal – Método Eclético – Contendo todos os regulamentos dos diversos esportes de ´´ring“.

De autoria do 1º Tenente Waldemar de Lima e Silva, com a colaboração do Sargento Ajudante Alberto Latorre da Faria, ambos membros da E. E. F. E. – Escola de Educação Física do Exército, esta obra contém diversas FOTOS e textos explicativos de golpes extraídos das várias modalidade de lutas existentes no período, bem como apresenta regulamentos desses ´´esportes“ (o da Capoeira é o criado por Annibal Burlamaqui – Zuma – obra citada na bibliografia).

No que tange a nossa Capoeira, ou Capoeiragem (como às vezes aparece no texto), esta não foi posto de lado, ao contrário. Apesar do número resumindo de golpes e de não apresentar uma preocupação com outros aspectos (cultura, história, etc.), a obra de caráter exclusivamente didático, voltado à defesa pessoal, se faz importante por apresentar subsídios para compreendermos a importância da Capoeira na época e a sua utilização pela Doutrina Nacionalista da Era Vargas. Esta influência já podia ser vista desde a revolução de 1930 que deu fim à Primeira República.

O curioso é que mesmo não sendo, das artes, a mais contemplada com golpes (fotos), foi exatamente a Capoeira utilizada para ilustrar a apresentação da capa (no nosso modo de entender o famoso vôo do morcego). Tirem as suas conclusões.

Após a aquisição do livro e de posse das informações nele contidas nossas pesquisas nos levaram a descoberta de novos documentos (artigos) apresentados na Revista de Educação Física, publicação de divulgação científica do Exército Brasileiro, que conforme descrito no seu site é o periódico nacional mais antigo da área de Educação Física, com a sua primeira edição datando de 1932. Verificamos que diversos artigos desta Revista, foram utilizados na confecção do livro, existindo até uma matéria anunciando sua publicação. (Defesa Pessoal -1937 agosto).

Quanto a Revista de Educação Física vale ressaltar os artigos escritos tendo a Capoeira como objeto (anos de 48 e 64) e outros onde a mesma é citada (Vale Tudo 1955).

Podemos observar claramente que dependendo de quem fala, da época e dos interesses a Capoeira assume os mais variados aspectos: de esporte nacional a condição de difícil e imprópria, e de fugir completamente às nossas tendências naturais.

A Capoeira e o Estado Novo

Ao pesquisar sobre os autores encontramos a citação de outra obra, que ao que tudo parece seja uma reedição do livro de 37, publicado pela Briguiet em 1951. Seria interessante comparar estas as duas edições para visualizarmos possíveis diferenças (inclusão e/ou exclusão) de golpes, fotos etc.

Para ver os artigos sobre o livro e sobre a Capoeira entrar no site da Revista de Educação Física: http://www.revistadeeducacaofisica.com.br, ir ao índice e procurar por assuntos/lutas.

 

Texto e Fotos Acervo: Joel Alves Bezerra – Grupo Atitude de Capoeira – Fortaleza – Ceará

[email protected]

Crônica: A lei, ora a lei!

Imaginem todos os nossos Mestres
de Capoeira obrigados a fazerem faculdade de Educação
Física para poderem nos ensinar!
No Brasil há leis que são escritas, votadas e, no entanto, "não
pegam", como o artigo V de nossa Constituição: "Todos são iguais
perante a Lei". Por outro lado existem as que, apesar de nunca terem
sido escritas, se tornam a expressão da pretensa "malandragem
brasileira", do "jeitinho brasileiro", e todos querem seguir, como a
"Lei de Gerson", jogador de futebol campeão do mundo (Copa de 70) que,
ao divulgar determinada marca de cigarros, proferiu o slogan "O
importante é levar vantagem em tudo, certo?". "Certo!", concordaram os
"espertos". Afinal, priorizar os próprios interesses em detrimento do
coletivo passou a ser uma postura "legítima" do individualismo,
acirrada na atualidade pelo avanço do neoliberalismo.
Para podermos refletir sobre a questão acima se torna necessário
fazermos algumas considerações sobre a Lei 9696, de 1998 que pretendia
subordinar a prática da Capoeira e de outras manifestações culturais à
fiscalização dos profissionais de Educação Física, subordinados ao
CONFEF (Conselho Federal de Educação Física).
 
Certa feita, (como ele mesmo diria) em uma palestra em Florianópolis,
quando indagaram a respeito de sua opinião sobre a possibilidade de
cumprir-se essa Lei, o Mestre Lua de Bobó, depois de coçar o seu
cavanhaque e de muito pensar, respondeu: "pega todos os mestres
velhinhos, entre os quais eu me incluo, e manda matar todos eles. Quem
estaria agora, aqui ensinando Capoeira para vocês?Seriam os
catedráticos? E eles, iriam aprender com quem? Se hoje estou aqui
agradeço a esses mestres, pois foi através da capoeira que eles me
ensinaram, que eu tenho a oportunidade de conhecer outros países como
os EUA, a França, a Espanha, etc."
 
Um profissional de Educação física, nada tem a ver com as
características da capoeira. Ele ficaria inteiramente perdido se
tivesse que ensinar a tocar berimbau; ou que tivesse que esclarecer o
que é a mandinga, que exige vivência e conhecimento que transcende a
sua competência de educador físico. Mesmo a ginga, que é a base de
qualquer capoeirista, e os outros golpes que derivam dela, regem-se
por princípios inteiramente diferentes dos exercícios de ginástica.
Além disso, há a parte histórica, que todo bom capoeirista deve
dominar, e não seria o profissional de educação física quem melhor
poderia transmitir esse tipo de conhecimento.
 
Não há, portanto, como subordinar essa atividade holística que é a
capoeira, caracterizada por uma metodologia que procura associar
música (cantar e tocar instrumentos diversos) com movimentos do corpo,
com conhecimento histórico e que exige pressupostos filosóficos
(posturas diante da vida) aos parâmetros da educação física e
submetê-la à fiscalização de profissionais que não detém sequer noções
dos fundamentos desta atividade.
 
É do nosso conhecimento que existem capoeiristas que são formados em
Educação Física, assim como há capoeiristas que são professores,
historiadores, filósofos, engenheiros, médicos, etc., no entanto
nenhum desses profissionais dispensam o conhecimento, a técnica que a
dedicação de toda uma vida a esta arte, proporcionou aos Mestres de
Capoeira.Com outras palavras, mas com a mesma preocupação é que se
pode ler no Projeto de Lei no 7370, de 2002, de autoria do deputado
Luiz Antônio Fleury Filho:"{…}Porém, esta lei não autoriza o CONFEF
a intervir em outras áreas de expressão artístico-cultural, espaços
próprios e há muito consagrados pela ação e memória dos diferentes
grupos formadores da sociedade brasileira{…}"
 
Sendo assim, esse Projeto acrescenta Parágrafo Único ao artigo 2o da
referida lei, dispondo: "não estão sujeitos à fiscalização dos
Conselhos previstos nesta Lei os profissionais de dança, capoeira,
artes marciais, yôga e Métodos Pilates, seus instrutores e academias."
 
A relatora desse projeto de Lei, deputada, Alice Portugal, considera
que antes de dar o seu parecer, esse tema foi alvo de inúmeros debates
e discussões no âmbito da Comissão de Educação e Cultura. Foi dentro
deste contexto e acatando os argumentos tanto dos grupos envolvidos
como o do próprio deputado, ( que cita a nossa Constituição) que ela
votou a favor da emenda, relatando: "{…}excluindo no âmbito de
fiscalização do Confef as atividades desenvolvidas pelos profissionais
de Dança, Capoeira, Artes Marciais, Yôga, a quem fica assegurada a
possibilidade de definir, de maneira autônoma, a melhor forma de
estruturar suas próprias organizações e de fiscalizar os seus
profissionais{…}"
 
Dentro deste contexto é que a relatora passa a fazer uma análise das
peculiaridades de cada uma das atividades, ofícios e manifestações
culturais e artísticas às quais o CONFEF reivindica a tutela de sua
fiscalização, acreditando que assim seria possível por termo à
questão.
 
Destacamos aqui a capoeira, por ser objeto de nossos estudos e de
nossa prática. De acordo com o documento a capoeira é uma manifestação
cultural popular, originariamente brasileira, além de ser um
excepcional sistema de auto-defesa constitui-se em um misto de
luta-jogo-dança, símbolo da resistência dos negros à escravidão e uma
afirmação de suas origens.
 
Muito antes de haver profissão de educação física, a capoeira já era
praticada em nosso país, particularmente na Bahia, como um gesto de
identidade cultural que serve aos afro-descendentes e aos cidadãos
brasileiros como arte, ofício e importante meio de inclusão social.
 
Citando os elementos históricos que fizeram da capoeira,
principalmente, na sua origem, uma luta de resistência, a autora
estabelece ainda que essa atividade ao reunir todos os elementos que a
tornam única possui: "{…} uma excepcional riqueza artística,
melódica e dinâmica; um enorme potencial evolutivo e, finalmente, uma
gama intensa de aplicações esportivas, coreográficas, terapêuticas,
pedagógicas, etc., que abrange desde o simples jogo às franjas das
artes marciais e da defesa pessoal."
 
Diante disso, torna-se muito clara a autonomia da capoeira, que com
sua especificidade se impõe como área do conhecimento, com pessoas
autorizadas e aptas a definir e conduzir seus próprios destinos (por
isso são chamados de Mestres) e determinar parâmetros para avaliar a
competência de seus praticantes.
 
 
Por Luisa Helena Stipp Malusá
Graduada em História e Ciências Sociais
Mestre em Filosofia da Educação
Autora do livro "Abrindo Caminhos, História,
Comunicação e Arte"
 
Fonte: http://www.meninodearembepe.org/portugues/Lei.html
 
Enviado por: Teimosia

Mestre Bigodinho – Reinaldo Santana

Reinaldo Santana – Mestre Bigodinho:
 
Exímio cantador e tocador de berimbau, nascido em 13 de setembro de 1933 na cidade de Santo Amaro, na Bahia, começou na capoeira em 1950 com Mestre Waldemar Rodrigues da Paixão, permanecendo até 1970, onde se afastou devido a repressão e discriminação sofrida na época. Em 1997, incentivado por seu amigo – o Mestre Lua Rasta, retornou ao convívio da capoeira, para a satisfação de todos que admiram essa nobre arte.
 
Mestre Bigodinho reside atualmente em Salvador/BA e viaja por todo o mundo levando seu conhecimento e amor pela capoeira.
Mestre Bigodinho é o padrinho da Associação de Capoeira Nação, motivo de orgulho e satisfação para todos que fazem parte da ACN.
 
"A Capoeira é uma defesa pessoal e cada qual se defende como pode na hora da necessidade. A capoeira não é valentia".
 
"Faça pouco bem feito do que muito mal feito".
 
Mestre Bigodinho