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Acre: Boxe, capoeira e kung fu: musa concilia lutas com estudo e profissão

Boxe, capoeira e kung fu: musa concilia lutas com estudo e profissão

Acreana que se destaca pela beleza é apaixonada pelo ringues e pela passarela. Conheça a musa do MMA acreano: Thayrine Mello, 19 anos

A atleta ressalta que no início teve dificuldades em ajustar os horários e o cansaço físico, mas os benefícios trazidos pelo esporte a fizeram superar os obstáculos. Para a acadêmica de direito, os três tipos de luta se complementam.

A beleza é o principal atributo, mas ela chama atenção mesmo é pela versatilidade no esporte. A acreana Thayrine Mello, de 19 anos, adiou suas competições no MMA, mas continua apaixonada por lutas. Agora, além do boxe, ela pratica capoeira e kung fu, em Rio Branco. O que começou por diversão virou vício. Sete meses após a estreia nos ringes, a bela jovem concilia os treinos das três modalidades, os estudos e a profissão de modelo.

VEJA ENSAIO FOTÓGRAFICO COM A MUSA DO MMA ACREANO!

– No começo foi difícil, mas com o tempo meu corpo se adaptou. Sou apaixonada pelo boxe, é meu preferido, ele me deu postura e defesa e isso ajudou nas outras modalidades. O kung fu me deu mais concentração. Surpreendeu-me. É uma arte aparentemente fácil, mas todos os movimentos são calculados e exigem muita força e resistência – explica.

Thayrine reconhece o valor da arte no esporte e define a importância da capoeira no seu dia a dia: uma mistura de todos os movimentos que pratica no boxe e no kung fu, com uma pitada a mais de ritmo e agilidade.

– A capoeira faz parte da cultura brasileira. Além de mesclar todas as artes é uma luta mais completa, mais artística, porque envolve um ritmo, uma dança, além de toda energia que existe nas rodas – frisa.

Pausa nos ringues

Thayrine estreou no MMA em abril deste ano contra a boliviana Miliane. Mas com apenas três meses de treino, a atleta perdeu o duelo. Apesar da derrota, ela destaca que a luta representa uma vitória pessoal.

– Lutei comigo mesma e contra o cansaço. Foi difícil, mas desci com a sensação de trabalho cumprido, com pouco tempo treinando, perdi por pontuação no ultimo Fight para alguém bem mais experiente.  Quando minha adversária me deu o primeiro knock down, logo no final do segundo Fight, meu corpo pedia para parar, mas não ia desistir, eu queria lutar até o fim – lembra.

A modelo afirma que a falta de tempo para treinar  para as competições adiou seu sonho de lutar profissionalmente. No entanto, a atleta  faz planos para voltar às disputas estaduais e destaca o aprendizado que obteve quando enfrentou a rival.

-No momento, não tenho condições de treinar para competir. Ano que vem talvez eu arrisque. Tirei uma grande lição da luta, adquiri mais disciplina e aprendi que derrotas também são necessárias. Foi um grande desafio absolver, mas teve grande importância no meu crescimento na arte – conclui.

 

Fonte: http://globoesporte.globo.com

Nestor Capoeira: Encontros com grandes Mestres – Leopoldina

A figura do Mestre, assim como a denominação “mestre”, é algo seminal.

Nos próximos dois livros (em 2013) desta trilogia falarei dos mestres do passado. Eu tive muita sorte: conheci os grandes mestres que instauraram a “era das academias”. Agora, gostaria apenas de contar como conheci alguns deles.

Meu encontro com mestre Leopoldina

A rigor, mestre Leopoldina não foi um dos que “instauraram a era das academias”; ele só começou a jogar em 1950, no Rio.

Mas foi quem me iniciou na capoeira; foi quem abriu as portas da “cultura popular”, e foi quem me apresentou a “filosofia da malandragem”. E fez isso sem fazer força, sem se preocupar em ser “mestre”.

Além disto, meu encontro com Leopoldina é uma estória que merece ser contada.

Demerval Lopes de Lacerda (1933-2007), o mestre Leopoldina, nasceu no Rio de Janeiro num sábado de carnaval.

Foi criado pela mãe e, depois por tias e outras senhoras que o acolheram. Mas, menino ainda, fugiu de casa para vender balas junto a outros moleques que dominavam as linhas da Estrada de Ferro Central do Brasil, que une o centro da cidade aos subúrbios mais distantes do Rio. Foi na Central do Brasil que ele se “formou” e fez “pós-graduação”.

Adolescente, foi por vontade própria, numa época de vacas muito magras, para o SAM – o temido Serviço de Asssistência ao Menor, atual FUNABEM. Leopoldina não tinha reclamações desta época; ao contrário, jovem malandro criado nas ruas, entrou logo para o time dos “diretores”. Entre outras coisas, aprendeu a nadar, dando regularmente a volta na ilha onde estava situado o reformatório, o que lhe deu uma excelente forma física.

Ao sair do SAM, já com 18 anos em 1951, e velho demais para vender bala e amendoin nos trens, começou a vender jornais e, em breve, montou uma equipe de pivetes. Pela primeira vez, começou a ganhar dinheiro, vestir altas becas e frequentar o mulherio da Zona do Mangue, onde breve fez fama devido ao tamanho de seu pênis – ganhou o apelido de Sultão. Leopoldina frequentava regularmente as prostitutas, não raro mais de uma vez ao dia, sem nunca usar qualquer proteção, como as “camisinhas-de-vênus”, e incrivelmente nunca pegou doença venérea.

Foi nessa época que conheceu Quinzinho, Joaquim Felix de Souza, um jovem e perigoso marginal, chefe de quadrilha, que já havia cumprido pena na Colonia Penal e carregava algumas mortes nas costas. Quinzinho era capoeirista e foi o primeiro mestre de Leopoldina na arte da “tiririca”, a capoeira dos malandros cariocas, sem berimbau, descendente da capoeira das maltas dos 1800s.

Drauzio Varela, o médico da Penitenciaria do Carandiru que escreveu um livro de grande sucesso, e que mais tarde virou filme, menciona Quinzinho em seu Estação Carandiru:

Seu Valdomiro é um mulato de rosto vincado e cantos grisalhos na carapinha…

Os setenta anos e as histórias de cadeia ao lado de bandidos lendários como Meneguetti, Quinzinho, Sete Dedos, Luz Vermelha, e Promessinha, fizeram de seu Valdo um homem de respeito no presídio.

Leopoldina contou (num depoimento a Nestor Capoeira, gravado em DVD, em 2005, Mestre Leopoldina, o último bom malandro), como conheceu seu primeiro mestre, Joaquim Felix, o Quinzinho, por volta de 1950; quando Leopoldina tinha uns 18 anos de idade e Quinzinho tinha, talvez, uns 23 anos de idade.

 

Leopoldina:

” Eu olhava pra ele (Quinzinho), olhava para os caras em volta, e ele berava pra mim:

– Desembandeira!

Quando eu me preparava pra atacar, ele fazia aquelas coisas com o corpo.

Eu pensei: ‘Vou matá-lo!’

Dentro da (estação de trens) Central do Brasil, escondido nos trilhos, eu tinha uma faca de 8 polegadas que eu costumava esconder ali. De madrugada, eu pegava a faca e caia na noite. Então eu deixei o Quinzinho e entrei na Central pra pegar aquela faca.

Neste momento, um jornaleiro que nunca mais vi, acho que já morreu, chamado Rosa Branca, me viu muito agitado e perguntou: ‘que que tá acontecendo?’

 

Eu respondi: ‘Quinzinho roubou o meu chapéu e eu vou dar uma facada conversada nele’. “

Leopoldina explicou o que é a facada conversada:

“A facada conversada é o seguinte: eu teria de esperar pelo momento em que ele estivesse bebendo, aproximar por tras, bater no seu ombro para que ele se virasse.

Quando ele se virasse eu furava ele pela frente… não pelas costas. Porque se eu fosse preso depois, eu teria considerção na cadeia: ‘esse é malandro, deu uma facada conversada no cara’. Mas se eu esfaqueasse pelas costas eles iam dizer: ‘covarde’, e iam descer o pau.”

Para a sorte de Leopoldina, Rosa Branca acalmou-o e ele não procurou Quinzinho. Mas pouco tempo depois, Leopoldina estava num ponto final de onibus, e encontrou Quinzinho mais uma vez.

Leopoldina:

“Desceram do ônibus, Mineiro Bate Pau, um outro cara chamado Peão, Testa de Ferro, e aí, Quinzinho.

Quando eu vi Quinzinho, eu gelei. E pensei: ‘é agora!’

Mas ninguém ali sabia do ocorrido entre nós e começaram a falar comigo. Quinzinho, vendo que eu era respeitado e amigo da malandragem, se aproximou e disse:

‘Eu não quero problema com você, porque você é malandro’.

Ele estava segurando uma cuíca e passou ela pra um dos caras. Ele passou a cuíca e, de repente, me deu uma geral (revistar alguém a procura de armas)!

Imagina só. Ele disse, ‘Eu não quero problema com você porque voce é malandro, etcetera e tal’, e em seguida me deu uma geral!”

As semanas foram passando e Leopoldina, que estva louco para aprender capoeira, foi, aos poucos, se aproximando de Quinzinho.

Leopoldina:

“Eu disse: ‘Quinzinho, quero te pedir um favor’

‘O que?’, ele respondeu (desconfiado).

‘Eu quero que você me ensine capoeira’

‘Então vai no Morro da Favela amanhã’

Puxa, eu não ficaria tão feliz se alguém me desse um milhão de reais.

Aquele primeiro dia, eu voltei pro Morro do São Carlos e fui dormir na esteira. No dia seguinte eu não conseguia levantar. Meu corpo todo estava doendo. E ao mesmo tempo, eu estava preocupado que ele não ia querer mais me ensinar se faltasse à segunda aula.

‘Como é que eu vou?’, e na Favela ainda tinha que subir mais de uns cem degraus.

Então eu fui no dia seguinte e disse pro Quinzinho:

‘Não pude vir porque estava todo doído’

E ele (sem me dar papo):

‘É assim mesmo… é assim mesmo’.

E começou a me ensinar: ‘faz assim…. faz assim’.”

“Aí, um dia o Juvenil apareceu. Ele disse ‘alô’, olhou pra mim e disse: ‘vamos brincar?’

Eu olhei pro Quinzinho e como ele não disse nada, eu respondi: ‘vamos’.

O Juvenil tirou o chapéu, o colete, a gravata, e ficou nú da cintura pra cima. Assim que nós começamos a brincar, ele me deu um chute que me pegou de raspão na cabeça.

O Quinzinho estava sentado com a 7.65 enfiada na cintura. Ele estava de shorts. Naquele tempo (aprox. 1955) se usava short de futebol e não essas sungas de hoje. Todo mundo usava shorts. E ele estava com um lenço no colo, escondendo a pistola.

Quando o Juvenil deu aquele chute, Quinzinho se levantou e enfiou a pistola na cara do Juvenil:

‘Não faça isso! Não faça isso, se não ele fica covarde e não aprende!’ “

Eu (Nestor Capoeira) acho esta estória, contada pelo Leopoldina, incrível.

Vejam bem: o Quinzinho era um jovem e perigoso marginal, chefe de quadrilha que, na verdade, não tinha nem um método de ensino estruturado; como já existia na Bahia, com mestre Bimba, desde 1930; ou como Sinhozinho, no Rio no mesmo período. Leopoldina explicou como Quinzinho ensinava: ia jogando com o aprendiz e dizendo, “faz assim… faz assim”.

No entanto, quando encarnava o “mestre de capoeira”, Quinzinho tinha uma ética impecável – “Não faça isso, se não ele fica covarde e não aprende!”. Mais impecável ainda, pois naquele tempo, Rio dos 1950s, aluno aprendia capoeira levando porrada pra “ficar esperto”.

Eu vejo esta passagem como algo muito emblemático da complexidade do mundo da capoeira, com seus bizarros paradoxos; que, na verdade, não parecem tão estranhos assim para aqueles que tem o corpo e a cabeça feitos pelos fundamentos da malícia.

Alguns anos mais tarde, Quinzinho foi, mais uma vez, preso e, desta vez, assassinado na prisão da Ilha Grande pelo Chefe de Segurança, Chicão.

Leopoldina sumiu da área, com medo de represálias de marginais inimigos. Quando voltou às ruas, conheceu Artur Emídio, que tinha chegado recentemente de Itabuna, e tornou-se aluno de Artur por volta de 1954, conhecendo então a capoeira baiana jogada ao som do berimbau.

Mais tarde, Leopoldina foi trabalhar no Cais do Porto e acabou conseguindo entrar para a Resistência, um dos ramos da estiva. Aposentou-se cedo, antes dos 45 anos de idade devido a um acidente de trabalho que, felizmente, não deixou seqüelas; e, com um salário razoável de aposentado, pode viver mais intensamente a vida de capoeirista e malandro alto-astral.

Eu (Nestor Capoeira) conheci Leopoldina em 1965, aos 18 anos de idade.

Leopoldina tinha 31 de idade, e apesar de estar em grande forma, cheio de energia, o corpo magro e musculoso todo talhado; seu rosto parecia o de um homem muito mais velho. O curioso é que os anos passaram e ele continuou com o mesmo rosto e o mesmo corpo.

Eu cursava o primeiro ano da Escola de Engenharia da UFRJ, na distante (em relação à Copacabana, onde eu morava com meus pais) Ilha do Fundão. Um dia, eu estava no pátio da escola conversando com alguns amigos quando vi, longe na estrada, um cara que se aproximava pedalando a toda velocidade; era o Leopoldina que vinha de bicicleta da Cidade de Deus até a Ilha do Fundão – é longe.

A medida que foi se aproximando comecei a perceber os detalhes da roupa da figura: chapeuzinho de aba curta, desses usados pelos sambistas; um colete vermelho com bolinhas brancas, completamente aberto sobre o peito nú, que balançava no vento feito as asas de um pássaro; calça boca-de-sino listrada de verde-pistache e cinza, e um largo cinto de couro preto com uma enorme fivela na cintura; sapatos de sola plataforma com uns 3 centímetro de altura, todo cravejado de estrelinhas prateadas.

Ele entrou pelo pátio adentro a toda velocidade e então deu um tremendo cavalo-de-pau e, girando, acabou parando ao lado de uma pilastra, onde calmamente encostou a bicicleta depois de saltar.

Aí reparei numa coisa mais estranha ainda: ele levava, preso entre os lábios, uma espécie de graveto pintado de preto, vermelho e branco com uns 30 ou 40 centímetros de comprimento. De repente, o graveto começou a se mexer e se enrolou em volta do pescoço daquela estranha pessoa: Leopoldina criava cobras em casa, e aquela – uma falsa coral – era uma de suas preferidas.

Eu perguntei para um amigo:

“Porra, quem é esse cara?”.

“É o mestre Leopoldina; ensina capoeira na Atlética”, que era a parte desportiva dos diretórios estudantis.

Leopoldina era gentil e amistoso com os alunos. Não permitia que um aluno mais velho batesse num iniciante.

Carregava os mais interessados para o samba, para o candomblé e a umbanda, para os morros, para os desfiles de carnaval na Avenida Presidente Vargas.

Era, sem tentar sê-lo, um Mestre completo, que iniciava aqueles universitários, eu entre eles, na cultura “popular” brasileira; na filosofia da malandragem alto-astral – “o bom negócio é bom pra todo mundo” (em oposição à chamada Lei de Gérson, “levo a melhor em todas”, dos 171 e golpistas); e num enfoque da mulher e do sexo radicalmente revolucionários – “ninguém pertence à ninguém” -, tanto para a moral burguesa como para os enfoques machistas.

Leopoldina achava que só se deve dar aulas de capoeira duas vezes por semana, e aulas de apenas uma hora; o resto seria correr as rodas e jogar.

Seu método de ensino consistia de um breve aquecimento (uma corrida em volta da sala e alguns “polichinelos”), algumas “sequências” de golpes e contragolpes para duplas de alunos (similares às que aprendeu com Artur Emídio, por sua vez baseadas nas sequências de mestre Bimba), ocasionalmente um treino de golpes (os alunos se aproximam em fila de uma cadeira e davam, um a um, o golpe por cima da cadeira) e, no final da aula, uma roda de uns 15 a 20 minutos.

Suas aulas geralmente tinham de 4 a 8 alunos; Leopoldina nunca teve “sucesso” no que se refere ao número de alunos; tampouco deu aulas por mais de 5 anos no mesmo local.

Creio que sou o único aluno de Leopoldina em atividade, mas meu estilo de jogo é bastante diferente do dele: Leo era mais baixo que eu – devia medir 1,70m e pesar uns 65 kg -, tinha um estilo mais rápido, mais leve, mais arisco; sua ginga tinha mais personalidade que a minha, e era extremamente malandra e expressiva; embora seus golpes não se equiparassem aos da rapaziada de ponta de Senzala (onde fiquei de 1968 a 1992 e completei minha formação), Leo tinha muita visão de jogo e objetividade quando queria.

Outro aspecto importante, da vida de Leopoldina, foi seu relacionamento com o samba.

Saiu com a Mangueira, pela primeira vez, no carnaval de 1961, aos 28 anos de idade. A Mangueira foi a primeira escola de samba a colocar a capoeira em seus desfiles, o que deu uma grande visibilidade à capoeira. Leopoldina chegou a organizar um grupo de 60 capoeiristas na ala V.C. Entende, a ala show da Mangueira. E continuou saindo até aproximadamente 1974.

Eu mesmo (Nestor Capoeira) desfilei várias vezes na Mangueira, a convite de Leopoldina, quando ainda era um novato de capoeira, por volta de 1968/1970.

Na verdade, quando o conheci em 1965, embora fosse conhecido e querido no meio da capoeiragem, Leopoldina não era renomado, como foi Artur Emídio ou, mais tarde, o Grupo Senzala. Sua fama cresceu lentamente com o tempo, nas viagens que fazia constantemente à São Paulo (e depois ao resto do Brasil e estrangeiro), e na amizade que conquistou no hegemônico Grupo Senzala carioca.

Mas principalmente por sua personalidade alto-astral e positiva, alguém que só fazia amigos e evitava as inimizades. E mais ainda, por suas músicas de capoeira que, ao mesmo tempo, eram inovadoras na letra e principalmente na harmonia mas agradavam até aos jogadores mais chegados à tradição.

Aos poucos sua figura começou a ser associada, e com razão, aos últimos “bons malandros” e ao próprio Zé Pelintra, uma entidade da Umbanda.

Em 2005, com mais de 70 anos de idade, estava em grande forma física, jogando no seu ritmo rápido com 4 ou mais capoeiras jovens, um jogo seguido ao outro, e era um dos (“velhos”) mestres mais conhecidos de nosso tempo, junto com os mestre João Pequeno e João Grande (antigos alunos de mestre Pastinha, de Salvador).

Seus maiores interesses eram as mulheres, a capoeira, o samba, os carrões (que comprava e equipava com muitos cromados e pinturas), as viagens no Brasil e exterior (onde começou a ir por volta de 1990), as festas, as amizades; enfim, as curtições de quem ama e está de bem com a vida.

Leopoldina morreu em 2007, vitima de câncer, aos 74 anos de idade.

Cafu representante da capoeira no MMA

Dia 01/07/2012 aconteceu a luta do grande Ivonildo dos Santos o Cafu representante da capoeira de São Paulo no MMA.

Ao som de varios berimbaus a torcida da capoeira se fez presentes com vários mestres e alunos da capoeira, que entoavam o canto…

Foi foi no clarão da Lua…

Que eu vi acontecer…

No vale tudo com o jiu jitsu…

o capoeira vencer…

Cafu lutou com um argentino para alegria da torcida e de toda a nação corintiana e no 1 round sem dar chances nenhuma ao argentino venceu por desistência do hermano.

Tudo aconteceu com muita emoção e ao final a roda subiu ao octagono, e até o perdedor deu uma gingada com o campeão, para emoção de todos que estavam assistindo o combate.

Valeu Cafu por colocar a capoeira luta no seu devido lugar que o dos campeões

 

Conheça o Cafu:

{youtube}mss6cuwL01c{/youtube}

 

Fonte: http://berimbrasil.com.br

Capoeira “Enredo de Carnaval”

E. S. DEU CHUCHA NA ZEBRA – ENREDO 2011: “N’golo, a Dança da Zebra virou Capoeira?”

A E.S. DEU CHUCHA NA ZEBRA, do grupo especial do carnaval de Uruguaiana, Rio Gande do Sul, na fronteira do Brasil com a Argentina, que realiza o terceiro maior carnaval brasileiro, com vários profissionais do carnaval carioca, estará desfilando como tema o enredo: N’golo, a dança da zebra virou capoeira?
É a primeira grande homenagem ao maior “embaixador” cultural nacional feita pelo SAMBA e suas escolas e gostariamos de poder contar com a participação desse portal no projeto.

As noticias podem ser encontrados no site especializado em carnaval: www.sambasul.com , a sinopse estou enviando em anexo e ficaria honrado se pudessem nos oferecer um e-mal direto para intelocução ou MSN.
Me disponibilizo pelo e-mail e MSN walter_nicolau510@hotmail.com e fico no aguardo de um retorno dos senhores, certos de que iram reconhecer nossa intenção de exaltar e difundir a importancia da CAPOEIRA.
O samba enredo para esse desfile, que se realizará nos dias 24 e 26/03/2011, pode ser ouvido no video :

{youtube}7eHW4OxaVQg{/youtube}

Justificativa

Diante de um questionamento cultural, a DEU CHUCHA NA ZEBRA vem, no carnaval 2011, prestar homenagem a um dos mais importantes registros de grandeza nacional, a CAPOEIRA. Esta, de mãos dadas com o SAMBA e o CARNAVAL, é uma das maiores expressões de brasilidade, partindo dos nossos laços com a MÃE ÁFRICA. Evoluindo na Avenida Presidente Vargas, cantando e dançando uma das vertentes da natalidade da arte marcial do NOVO MUNDO, através do nosso samba-enredo, nossas alegorias e adereços, na fantasia que vestirá cada um de nossos componentes, levaremos o público a uma viagem desde as savanas africanas, passando pelas senzalas na escravidão, pelos portos do Rio de Janeiro, pelo Pelourinho em Salvador, até chegar à conclamação da capoeira angola como marca cultural do nosso país.

É a partir dessa importância cultural que nossa escola atravessa o tempo e vai buscar na Angola pré-colonial uma das vertentes históricas contadas para a origem da capoeira, a transformação da dança ancestral N’golo na arte marcial brasileira.
Além disso, assim como o N’golo e a Capoeira, essa história tem total identificação com a alvinegra de Uruguaiana, que tem no seu nome e em seu símbolo, exatamente a ZEBRA, que é N’golo num dos mais importantes dialetos africanos.

Sinopse do Enredo

É noite na savana africana.

Brilha a lua no céu da Ilha de Lubango para o ritual começar. Está tudo pronto na aldeia dos “Mucopes”. “Efundula”, eis a festa da puberdade, hoje é dia de menina virar mulher. Vamos beber e comemorar, que a dança das zebras já vai começar!
“N´golo”! Uma roda de meninos é formada e quem a luta vencer, a menina que quiser poderá escolher. A luta se inicia! Coices e cabeçadas, golpes singulares aos movimentos das zebras, são aplicados no adversário. O verdadeiro guerreiro triunfará, podendo assim, o coração de sua virgem preferida, conquistar.

Um dia, porém, o povo africano vê a sua vida mudar. Por volta de 1484, os portugueses se instalam na região e, já em 1559, unem os reinos de Matamba e Ndongo para a fundação do Reino de Angola. Exploradores caçam recursos, e encontram o bem mais valioso da Mãe África, seus negros filhos.
A partir de então, os africanos foram escravizados e trazidos para o solo brasileiro por navios que rasgavam mares de incertezas. Traziam em seu peito as festas, tradições, rituais e religiões, buscando adaptá-los da melhor maneira possível à realidade a qual estavam vivendo.
Portanto, trouxeram também para o Brasil resquícios do N´gobo, o qual passou a utilizar como uma forma de defesa à escravidão. A dança das zebras se transforma! É luta pela honra e pela dignidade do negro sangue africano! Era preciso saber se defender, tanto na chegada aos portos de Salvador e do Rio de Janeiro, quanto nas plantações e engenhos de açúcar.

A prática das manifestações culturais dos negros africanos estava sofrendo diversas imposições dos senhores de engenho, o que os levou a buscar um espaço mais escondido para a prática do N´golo e outras danças. Buscaram inspiração na herança deixada pelos índios, os quais possuíam uma técnica agrícola chamada de Kapu’era, que significava cortar bem baixo o mato para uma próxima plantação, “mato que foi e nasce de novo”, em Tupi. Os africanos, então, elegeram a área da Kapu’era para a realização do N´golo.

A partir dessa mistura, da cultura indígena com uma manifestação africana, surge a Capoeira, a arte marcial brasileira.
Essa história só pôde ser conhecida através do encontro no Pelourinho entre Mestre Pastinha, um dos mais famosos capoeiristas de Salvador, com um pintor de Angola, Neves e Souza. Este afirmava a existência de uma dança semelhante à capoeira na África, explicando toda essa história que fora contada. O encontro, porém, não obteve a repercussão esperada por Mestre Pastinha, já que, com seu falecimento, não conseguira deixar registros da história N´golo da Capoeira Angola.
Entretanto, o pintor transfere seus conhecimentos para Câmara Cascudo, pai do folclore brasileiro, que passou a divulgar em seus livros a, até então desconhecida no Brasil, teoria da influência do N´golo na capoeira.

Os esforços de Mestre Pastinha, do pintor Neves e Souza e do folclorista Câmara Cascudo não foram em vão. Já a partir da década de 80, há um crescimento dos capoeiristas “angoleiros”, que elegiam a dança da zebra o seu estilo, reafirmando a força ancestral angolana.
As listras das zebras conquistam o país, e o mundo passa a ver a Capoeira Angola como uma marca cultural de nossa nação.
Então, venha com a Deu Chucha na Zebra aplaudir a união Brasil e Angola na celebração da cultura afro-brasileira.
Para festejar, entre nessa roda! Toque o atabaque e o berimbau!

É N’golo! É a Capoeira Angola!
É a Dança da Zebra!

Autoria: Walter Nicolau
Texto e Desenvolvimento: Walter Nicolau e Gabriel Haddad

Setorização do Enredo

Abertura – “N´golo”! A Dança das Zebras
2º Setor – De Angola ao Brasil
3º Setor – E a mistura deu…Capoeira!
4º Setor – Capoeira Angola, marca cultural brasileira.

Referências Bibliográficas

  • www.angolangolo.com/textos/texto_01.htm
  • http://www.cordaodeourokino.com.br/ngolo.html
  • http://www.enciclopedia.com.pt/articles.php?article_id=1218
  • http://www.girafamania.com.br/africano/materia_angola.html
  • http://www.portalcapoeira.com
  • http://www.rabodearraia.com/capoeira/textos-artigos-capoeira/n-golo-ou-danca-da-zebra.html
  • http://www.suapesquisa.com/educacaoesportes/historia_da_capoeira.htm

Terremoto impede campeão mirim de Capoeira de ir a evento no Chile

Dentinho, que mora na Vila Irmã Dulce e tem 11 anos, já conquistou inúmeros títulos brasieiros de capoeira.

“Apanha a laranja, menino
Apanha a laranja do chão
Defenda o seu reino sozinho
com a força do seu coração”

A cantiga das rodas de capoeira incentiva um garoto a lutar por seus objetivos. É exatamente isso que faz o jovem Antônio Daniel Avelino Bittencourt, de 11 anos, morador da Vila Palitolândia, conjunto da Vila Irmã Dulce, zona Sul de Teresina. Batizado nas rodas como “Dentinho” desde que quebrou um dos incisos quando começou a treinar, o garoto já conquistou diversos campeonatos pelo Brasil e só foi impedido de mostrar sua habilide no Chile, por causa do terremoto que destruiu o país.

Em 2003, quando tinha apenas cinco anos, Dentinho deu suas primeiras meia-luas em um grupo na escola onde estudava e a partir de então não parou mais. Incentivado pelo pai, o motorista Alderico da Silva, o garoto foi crescendo e mostrando ginga e malemolência na arte do lendário Mestre Bimba. Aos oito anos, já no Raízes do Brasil, ele começou a participar de campeonatos do grupo que testam a habilidade, destreza, técnica e perspicácia dos jogadores. Até o momento, o garoto esteve em 15 competições, ganhou 13, e ficou em 2º em uma e em 3º na outra. “Isso só aconteceu porque eu não pude acompanhar ele, porque estava trabalhando”, garante Alderico.

Isso bem pode ser verdade, já que o pai do jovem capoeirista também é seu maior incentivador. Para conseguir que o filho fosse a competições nos estados vizinhos do Ceará, Maranhão, no interior do Piauí e até em Brasília, Alderico precisou arrumar patrocínio e inventou uma estratégia: “Eu gravo videos dele em todos os campeonatos onde ele vai então montei um DVD que eu mostrava pra os empresários”. A ideia deu certo e atraiu benfeitores como o proprietário da empresa Só Ferro, Pedro Mota, que posa orgulhoso na foto abaixo ao lado de seu atleta.

Gunga

Mesmo sendo tão jovem, Dentinho sabe que a capoeira está em seu plano de vida. “Meu sonho é ser mestre”, diz, e parece estar mesmo indo pelo caminho certo. Ele é bicampeão dos Encontro das Américas de Capoeira (2008-2009). Aliás, no ano passado em Brasília, seu mestre Tucano, o inscreveu em três categorias neste campeonato: iniciante, intermediário (um nível acima do seu) e solo (competida com capoeiristas de todas as idades). O garoto foi vencedor nas duas primeiras e vice ao exibir seu jogo ao lado dos grandalhões.

O desempenho chamou a atenção do Mestre Chocolate, que representa o grupo Raízes na Venezuela e o apresentou ao mestre Moicano, do grupo Nagô, do Chile. Este convidou Dentinho para participar de seu evento na terra de Neruda, que teve de ser adiado por conta do terremoto que atingiu o país. “Já estávamos até com o passaporte comprado. Agora vamos ter que esperar que as coisas melhorem por lá”, descreve Alderico, pai de Dentinho.

Atualmente o garoto está na 8ª de 11 cordas da categoria infantil e deve fazer o mesmo percurso entre os adultos quando completer os 13 anos para começar sua batalha até chegar a mestre. Enquanto isso, ele continua treinando duro para realizar o sonho de colocar seu nome ao lado de grandes da Capoeira Regional como Mestre Bimba, Itapoan, Acordeon e Suassuna. Se ele continuar seguindo as palavras de humildade do grande Mestre Pastinha “Na roda da capoeira, grande pequeno, sou eu”, certamente estará na trilha correta.

Carlos Lustosa Filho
redacao@cidadeverde.com

http://www.cidadeverde.com/

Gingando pela Paz: Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Mais de 3000 haitianos cantam a capoeira!

 
Mal desembarcamos no Haiti e já botamos a mão na massa, ou melhor, já pegamos no berimbau. O evento, Tambores pela Paz, ou em idioma Criole, Tambou Lapé. Não poderíamos imaginar o que nos aguardava. A ansiedade era grande. Como seríamos recebidos? Qual seria a reação deles ao assistir uma apresentação de estrangeiros e de uma coisa que eles nunca tinham visto até então. Cerca de 3000 pessoas disputavam o único espaço iluminado no Bairro de Delma. pessoas nas lajes buscavam o melhor lugar. Várias apresentações de rap e rara (vide o blog) levantaram a multidão. Responsabilidade grande!

Armando o berimbau. Coração batendo apressado, descompassado. Uma prece, uma certeza. Tudo vai dar certo!

Olhos desconfiados, de estranhamento. E foi o berimbau começar a falar. E foi a boca começar a cantar e o inesperado aconteceu. Todos em uníssono responderam ao coro. Palmas, sorrisos! E a capoeira marcou a união de duas culturas, de dois povos irmãos. E naquele momento já não haviam bandeiras, nacionalidade, fronteiras. Todos falavam a mesma língua e o berimbau comandava a festa.

Agradecimento especial ao Coronel Ubiratan Ângelo que ao viola relembrou seu tempo de capoeirista, a Beija-Flor que deu um show com a sua capoeira e levantou a galera. E ao Querido mestre Genaro, criador da música “Paranê”, uma das músicas mais cantadas no mundo!

Confira a primeira parte do vídeo pelo link:
 
 

Contramestre Saudade
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Capoeira inclusiva estimula crianças a superar limites

Capoeira inclusiva. É um projeto desenvolvido no município de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, que reúne crianças de escolas públicas e da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais

Meninos e meninas se organizam numa roda, batem palmas, gritam, cantam e assim começa o jogo. O movimento das pernas e braços acompanha o som que vem do berimbau, do atabaque, do caxixi. Os pequenos capoeiristas se divertem e mostram habilidade nas acrobacias próprias do jogo. No grupo, crianças muito especiais: surdas, autistas, com paralisia, Síndrome de Down e deficiências múltiplas. A garotada pratica, há um ano, capoeira inclusiva, na sede da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Maranguape.

É um projeto pioneiro no Pais batizado com esse nome pelo professor Eraldo Gabriel de Sousa, o Mestre Beija-Flor. O sergipano fica no meio da roda das crianças orientando, incentivando e consegue tornar o jogo da capoeira igual para todos. "O nosso trabalho sempre é feito com a perspectiva da inclusão. Ajudamos as crianças no seu desenvolvimento psicomotor, no seu equilíbrio, afetividade e socialização. A capoeira inclusiva trabalha desde a consciência corporal até a elevação da auto-estima", diz Mestre Beija-Flor, que já deu cursos, palestras e aulas em várias cidades do Brasil divulgando esse projeto de harmonia social.

"Aqui (em Maranguape), a Secretaria da Educação acreditou no projeto e o adotou, especialmente a coordenadora do Núcleo de Educação Especial, a professora Virgínia Queiroz. Estamos encerrando o contrato de um ano", relata Mestre Beija-Flor que, mesmo indo embora da cidade, deixa uma pessoa preparada para dar continuidade à capoeira inclusiva. Deu todas as orientações para Antonio Renato da Silva Oliveira, o Renato Gigante, que vai trabalhar com as crianças. Ao todo são 680 alunos de escolas municipais e da Apae de Maranguape.

A prática da capoeira inclusiva, segundo Eraldo Gabriel, já foi implantada em Sergipe, Pernambuco, São Paulo, Alagoas, Minas Gerais, Pará, Maranhão e Rio Grande do Sul. No próximo mês, após o II Encontro Maranguapense de Capoeira Inclusiva, na sede da Apae, Mestre Beija-Flor segue para Manaus (AM). Depois, anuncia, viaja para Portugal e países da América Latina para difundir o projeto terapêutico.

A capoeira inclusiva é feita com pessoas cegas, surdas, com hidrocefalia, paralisia cerebral, déficit de aprendizagem e com idosos. "Queremos quebrar preconceitos, enfrentar as barreiras que essas pessoas encontram. Estimular uma cultura de paz. Esse projeto já foi levado para universidades, foi motivo de cursos, fóruns e palestras". Segundo ele, a capoeira estimula as crianças a vencerem seus próprios limites. Eraldo diz que, por onde anda, forma multiplicadores para que trabalhem a inclusão dentro das escolas.

DICIONÁRIO

O caxixi é um instrumento idiofone do tipo chocalho, de origem africana. É um pequeno cesto de palha trançada, em forma de campânula (sino).

O atabaque (ou tabaque) é um instrumento musical de percussão. O nome é de origem árabe: at-tabaq (prato). Constitui-se de um tambor cilíndrico ou ligeiramente cônico, com uma das bocas cobertas de couro de boi, veado ou bode.

SAIBA MAIS

A capoeira é uma técnica esportiva e cultural desenvolvida na África e trazida para o Brasil pelos escravos. Por muito tempo foi proibida, porque no período colonial buscavam reprimir a cultura negra. Esse fato se agravou quando se deu a abolição da escravatura, pois os negros, sem condições de sobrevivência, organizavam bandos e esquematizavam roubos.

Em 1932, a capoeira foi renovada por Mestre Bimba. Ele acrescentou movimentos existentes nas artes marciais e levou a capoeira a ser conhecida sem apresentar ligações com marginais. O esporte se estendeu, ao longo do tempo, por todo o País.

Para jogar capoeira é necessária a música tocada pelo berimbau, pandeiro, atabaque, caxixi, agogô e cantada pelos capoeiristas da roda. A música determina o ritmo e o estilo do jogo.

Os movimentos básicos da capoeira são: ginga, aú, queda de quatro, cocorinha, negativa, queda de rim e resistência.

Os toques mais conhecidos são: Angola (São Bento Grande), São Bento Pequeno (Angolinha), Iúna (Lamento), Amazonas (Cavalaria), Santa Maria (Benguela), Idalina (Maculelê), Samba de Roda (Samba de Angola), São Bento Grande de Bimba (Samango), Valsa (Samba de Enredo) e São Bento Corrido (Choro).

FONTE: www.brasilescola.com

Foto: TALITA ROCHA

Quilombo no Leblon foi o primeiro abolicionista no país

RIO – O primeiro quilombo abolicionista conhecido pela história brasileira, membro ativo na luta pela extinção imediata do sistema escravista, deu origem ao que hoje é o bairro do Leblon, metro quadrado mais caro da cidade.

Antiga fortaleza do quilombo do Leblon, o Clube Campestre Guanabara representa atualmente o berço de um dos capítulos mais secretos do abolicionismo no Brasil: nele eram cultivadas as camélias, plantas então raras e indicativas do apoio declarado aos ideais de liberdade e igualdade.

Eduardo Silva, pesquisador da Casa de Rui Barbosa que estuda há mais de 30 anos temas como a escravidão e a cultura negra, publicou a desconhecida relação das flores com o movimento pelo abolicionismo incondicional – ou seja, sem o pagamento de indenização aos antigos proprietários de escravos – no livro As Camélias do Leblon e a Abolição da Escravatura.

O historiador explica que os 2.700 mil metros quadrados do quilombo do Leblon, que já havia servido de residência para um francês de mesmo nome, foi comprado em 1878 pelo comerciante português José de Seixas Magalhães, que viria a se tornar chefe do quilombo e grande fomentador da aliança entre brancos e escravos negros na luta pela abolição.

– Um francês deu nome à chácara, que deu nome ao quilombo e, por fim, ao bairro mais chique da cidade. O quilombo do Leblon foi revolucionário porque não se isolou e tentou eliminar, de forma ativa, a sociedade escravista daquela época – lembra o pesquisador, ressaltando que o local foi o centro da faceta mais radical do movimento.

– Tudo começou no quilombo do Leblon. Existia uma ligação direta entre os quilombolas e a princesa Isabel, que recebia deles as camélias plantadas no quilombo. Além de assinar a lei, ela estava secretamente aliada ao movimento subversivo pela abolição.

Ponto de cultura eternizada

No Clube Campestre Guanabara, o professor de capoeira Leonardo Dib, 30 anos, é o responsável pela perpetuação da tradição africana. Desde 2006 ele organiza um evento anual em comemoração à assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888.

Com demonstrações de jongo, capoeira, maculelê e maracatu, Leonardo tenta preservar a memória do quilombo que deu origem ao bairro símbolo da boemia carioca.

– Sempre procurei inserir nas aulas temas como a história dos quilombos e como surgiu a capoeira, por exemplo. Hoje, nem acredito que esteja dando aulas em um quilombo – revela o professor, que chega a atender a até 20 crianças entre 3 e 12 anos.

Leonardo afirma ainda que pretende inscrever o Clube Campestre Guanabara no processo seletivo do edital de Pontos de Cultura, ação prioritária do Programa Cultura Viva, do Governo Federal. Uma vez firmado o convênio, o local recebe R$ 185 mil, divididos em cinco parcelas, para investimento no projeto de cultura.

Fonte: Jornal do Brasil

ACANNE: Na volta que o mundo deu, na volta que o mundo dá…

ACANNE: Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro, Apresenta para 2008 o Ciclo de debates, vivências e exibição de vídeos, com intuito de refletir sobre Capoeira Angola, Identidade e Globalização.

"NA VOLTA QUE O MUNDO DEU, NA VOLTA QUE O MUNDO DÁ!"
Ciclo de debates, vivências e exibição de vídeos, com intuito de refletir sobre
Capoeira Angola, Identidade e Globalização.

Apresentação:

Na certeza de que só manterão suas identidades na globalizacao aqueles e aquelas que estiverem em constante permanência com a sua cultura, a ACANNE trabalhará este ano com a idéia de aprofundar conhecimentos sobre o papel da Capoeira Angola, enquanto prática de liberdade contemporânea e guardiã de valores identitários.

Apartir de Março, sempre na última Sexta Feira de cada mês, além da nossa tradicional roda semanal de Capoeira Angola, haverá uma atividade especial que fará parte da programação do projeto: "NA VOLTA QUE O MUNDO DEU, NA VOLTA QUE O MUNDO DÁ"

Local:

ACANNE – Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro
Rua do Sodré, 48 – bairro: Dois de Julho – Salvador – Bahia
Fones: (71) 3321-7496 / 3321-1488 / 9148-5999
Maiores informações: mestrerene@yahoo.com
ou visitando nossos sites: www.acanne.com e www.acanne.org

Espero você em nosso Quilombo!!

Um abraço,

Mestre Renê Bittencourt

Crônica: Cordão de Ouro O Filme

Sob todos os aspectos apesar de quase nenhuma CAPOEIRA, o filme CORDÃO DE OURO é um marco divisor na filmografia brasileira. Antes dele os jovens em geral (mulheres á parte) só tinham para a sua diversão chanchadas-pornô ridiculas, sem graça nem enredo, sacanagem explicita a titulo de cinema nacional e como filme de CAPOEIRA citava-se apenas o PAGADOR de PROMESSAS (1961) que quase nimguém viu, enquanto obras antigas feitas com BIMBA e PASTINHA nos eram completamentes desconhecidas na época. Comentario de Nato Azevedo, a seguir eu Renato Azevedo o LEITEIRO relato minha experiência participando do HISTORICO registro no ano de 1976 no Rio!

ATOR POR UM DIA – AS FILMAGENS

Conheci NESTOR CAPOEIRA através do meu Professor LUA RASTA em uma manhâ ensolarada, num camping a beira-mar por volta de 1975, me foge a memoria como, só sei que das outras vezes que tornei a vê-lo nos tratamos como velhos amigos, então quando o falecido RUBINHO TABAJARA me convidou para participar de um filme com NESTOR & ZEZÉ MOTA (sou seu fã) eu vibrei, era a realização de um sonho!

PRIMEIRO DIA Cheguei cedo (6h30) para a filmagem- o onibus só sairia as 7 horas- mas , pasmem o veiculo já estava lá. Saimos no horario outro bom sinal, tudo indicando que ia embalar a minha carreira de artista nacional ou global. Após 2 cansativas horas chegamos ao local da filmagem, lugar muito lindo, todo gramado, do tamanho de um campo de futebol e rodeado de montanhas na cidade de Campo Grande. Atrás das montanhas ficava a rua por onde viemos e uma BAIUCA (pequeno comercio) aonde compramos biscoitos e refrigerante, enquanto esperavamos o jipe que faria parte da filmagem.

Deu 10 horas, deu 11, deu meio-dia e nada do bendito (ou seria maldito) jipe. Estrebuchava- mos de calor e de raiva quando o infeliz apareceu, demorara porque se perdera. Haviam contratado um rapaz da Zona Sul e não lhe deram um guia que conhecesse a Zona Norte, por isso não houve filmagem nesse dia!

SEGUNDO DIA Eu ja sabia que estava em um filme nacional, mas estava determinado a não perder essa chance, assim que começasse a filmagem eu queria aparecer o maximo possivel. Na primeira cena não deu para me promover, mas na segunda "tomada" caprichei. Tinhamos que correr uns 50 metros morro acima em direção ao NESTOR CAPOEIRA, isso com a camera nos filmando pelas costas. Saí pelo meio e cheguei por ultimo. Depois a câmera foi la para cima do morro ,e filmava por tras do Nestor enquanto corriamos em sua direção.

Passei "sebo nas canelas", botei 10 no coelho e ao sinal de AÇÃO, disparei. Só não cheguei em segundo, porque era o meu amigo RUBINHO quem estava na minha frente. Rubinho "morreu" com um arrastão, eu levei uma rasteira e enquanto o NESTOR cuidava de outro guarda, me levanto e tento lhe dar uma chicotada, apesar de todos os guardas portarem revolver, armas de verdade! No que ele me da um martelo, (vide foto) caio em cima do pé dele que esta sobre um formigueiro. Tivemos que ficar uns 10 segundos imoveis, enquanto isso as formigas invadiam o meu macacão e "almoçavam" o pé do NESTOR.

Um providencial OK nos salvou! Apesar da presença de ZEZÉ MOTA no "SET" oque mais nos chamou atenção nos 3 dias de filmagens, foram 2 negros da turma de escravos, um Ricardo de uns 15 anos quase 1,90m de altura e uns 80 kilos impressionava, e junto com o outro baixo e magro, uns 25 anos e expressão de calma maquiavélica, formavam a "dupla dinamica" do "SET"(?) de filmagem, que por sinal não tinha banheiro nem agua!

Este segundo dia de filmagem foi um irritante teste de paciência, pois DEUS querendo "aparecer" mandou-nos interminavel sequência de nuvens. Abre lente, fecha lente, bota filtro, tira filtro…chegou finalmente a bendita hora do almoço. E espera, espera, espera…lá vem a kombi! Olhos cheios de esperança, boca aberta cheia de dentes.. abre-se a porta do veiculo; Uma revoltante montanha de sanduiches com refrigerante, a gritaria foi geral, olhei para a "dupla dinamica" e pensei: Vai começar a pancadaria!

Mas nada aconteceu e depois eu soube que enquanto torravamos o" miolo no sol", eles fantasiados de escravos- calça de pijama listrado- tinham ido a BAIUCA onde "aplicaram" de grandes artistas enchendo o bucho de graça! A choradeira deu resultado, pois o jipe fez uma "feira-relampago" voltando abarrotado de frutas, mas estacionou para nosso azar bem ao lado das 2 "ovelhas negras". Assim que o motorista se afastou, eles pegaram o jipe e se mandaram para dentro da mata, voltando mais tarde sem o jipe é claro!

Quem foi ver o "estrago" disse que metade das frutas só dava para fazer suco. Infelizmente não se podia mandar os 2 projetos de bandidos embora, porque eram eles os chefes dos escravos, os que iriam salvar o NESTOR dos guardas!

TERCEIRO DIA Enfim DEUS que é brasileiro descansou e pudemos terminar as filmagens, cuja ultima cena era bem simples. NESTOR CAPOEIRA saltava do jipe, e um guarda corria uns 7 metros em sua direção, sendo perseguido por um escravo com uma foice de madeira – que tinha numa das faces da lâmina uma bolha de mercurio- com a qual atingiria a costa do guarda, "matando-o" a uns 2 metros do NESTOR.

Para o papel do escravo foi escolhido o sinistro magro da dupla dinamica, e para o do guarda adivinhem quem? APOLINÁRIO!

Meu amigo Apolinário era um jovem mineiro com uma voz esganiçada, que se tivesse veia cômica, seria substituto do Costinha, mas tinha um grave defeito para o papel: SIMPLESMENTE CORRIA DEMAIS!

Só por isso estava no Rio de Janeiro, pois havia ganho de uma universidade local uma bolsa como atleta. E começa a pantomina: Ao comando de ação Apolinario dispara, ambos passam pelo NESTOR e vão mais uns 30 metros além. O diretor orienta Apolinário a corrrer menos.

La vão os 2, mas novamente ultrapassam NESTOR. Na terceira vez o diretor grita "AÇ.." o escravo se adianta, e mal Apolinario dá 2 passos, leva uma madeirada na costa, mas ao invés de cair vira-se para o rapaz e protesta: "Que qué issso negão?". Trocou-se o macacão sujo de tinta vermelha, e o capeta repetiu a dose, desta vez quebrando a foice de madeira na costa do pobre Apolinário.

Olhei para o rosto do "distinto" e não vi nem sombra de um sorriso. Houve troca de macacão e novas repetições, agora com foice de ferro, num total de 7 vezes. Após o almoço recomeçam as filmagens, quando derepente invade o local um "coração de mãe", caminhão-poltrona da Policia Militar com uns 20 PMs. Pensei que tinhamos invadido propriedade particular, mas me enganei, queriam levar a dupla dinâmica, pois haviam assaltado a BAIUCA do mesmo comerciante que lhes "enchera o rabo" de biscoito no dia anterior.

A Direção do filme contornou o problema , derepente uma grande surpresa, chega a PROXIMA VITIMA: ZEZÉ MOTA!

Simpatia em pessoa, lindisssima numa bota de couro branco, ZEZÉ viera participar das filmagens, e provavelmente trocou de roupa no nosso ônibus. Finda as filmagens, os diretores doidos para irem embora, se entupiram numa kombi com os equipamentos, e nós entramos no ônibus. ZEZÉ que foi a ultima a entrar perguntou: GENTE, ALGUEM VIU MINHAS BOTAS?
Nas nossas cabeças brilharam 2 palavras: FORAM ELES!
Ela dá o ultimato: O ONIBUS NÃO SAI ATÉ QUE AS BOTAS APAREÇAM! Passados uns 15 silenciosos minutos, nós cheios de ódio e com a barriga cheia de fome, vimos surgir o "PASSAPORTE" para continuar a viagem: As benditas botas brancas, agora zebradas de graça pois tinham sido escondidas no motor traseiro do ônibus. Não sei como ZEZÉ se sentiu, mas eu quase tive um ataque cardíaco!

O onibus se tornou um mausoléo, mas no meio da viagem ele para, abre-se a porta e entram 2 diretores, um deles com um "garnizé" (galo ao contrário) na testa ou afundamento de crânio, que deve ter inspirado ao NESTOR, o titulo do livro GALO JA CANTOU. Na pressa de irem embora, a kombi batera mandando meia duzia para o hospital.

O FIM DA HISTÓRIA Após uns 3 meses de telefonemas, idas e vindas, consegui receber por minha participação no filme. Gastei bem mais tentando receber do que ganhei por fazer o filme, pois a empresa Lanterna Magica Produções, fez a magica de deixar na "lanterna" da folha de pagamento os que ela devia, para ver se eles desistiam. Eu não quis ir a PRÉ-ESTRÉIA, deixando para saborear meus minutos de glória, no lançamento do filme nos cinemas. Triste destino o meu!

Cordão de Ouro O FilmeO CORDÃO que era de OURO, após a pré-estréia VIROU LATA, e eu pude ver só uns 10 anos depois, que os meus MINUTOS DE GLÓRIA tinham virados MÍSEROS e IRRECONHECIVEIS 10 SEGUNDOS. Por SORTE, o fotógrafo que registrou a foto, que esta na contra-capa do PEQUENO MANUAL do JOGADOR de CAPOEIRA do NESTOR CAPOEIRA, só foi impedido de fotografar as cenas do filme, logo depois desta foto, porque o "CLIC" da máquina estava entrando na trilha sonora.

O DIA DA PRÉ-ESTRÉIA por Nato Azevedo A pré-estréia foi no ultimo cinema de Copacabana no Posto 6, não me lembro o nome no fim do ano, 400 ou mais lugares completamente tomados pela galera capoeirista. Recebemos todos um questionário (que virou aviãozinho na sala escura) e um lápis para anotar as opiniões sobre o filme. Foi uma bagunça geral, muita conversa durante a projeção, um zum-zum-zum danado e até algumas vaias não sei bem porque.

Adorei o filme de cenarios naturais belisssimos, um maculêle & bumba-meu-boi empolgantes, e um enredo futurista bem plausivel. Infelizmente se CORDÃO DE OURO foi lançado no circuito comercial não ficou muito tempo, pois dizem que o produtor Antonio Carlos Fontoura, nome respeitado no mundo cinematografico, receando a rejeição do filme não o colocou em cartaz!

 

Galeria de Videos Portal Capoeira:

Cordão de Ouro – O filme (Parte 1)
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Cordão de Ouro – O filme (Parte 2)
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Cordão de Ouro – O filme (Parte 3)
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Leiteiro – sergioleiteiro@yahoo.com.br