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Capoeira, o golpe da esportivização

No toque do berimbau, num gingado singular e na dança acrobática, nasce a capoeira – manifestação cultural afro-brasileira, criada pelos negros escravos como forma de luta contra a opressão. Luta essa que se travou no plano físico e cultural. A arte secular até hoje sofre preconceito de tudo quanto é lado: do campo religioso, por ter vindo do candomblé; de etnia, por ser de origem negra; e pela sua prática ter começado nas ruas, então, logo vista como marginalização.

Percebemos que a capoeira é muito mais forte do que uma simples atividade física. Para corroborar ainda mais tal afirmativa, este mês foi   realizado o IV Festival Internacional de Capoeiragem, no Forte da Capoeira, em nossa capital, quando a elite mundial da prática pôde vivenciar e trocar experiências por meio de diversas atividades.

A capoeira é um elemento definidor de identidade brasileira porque agrega em uma única arte itens fundamentais: a religião, os movimentos corporais, a música, a história. No entanto, apesar dos atributos, mestres, contramestres e praticantes têm, de forma árdua, lutado para evitar que o patrimônio imaterial da humanidade seja esportivizado.

Ora, como um mestre conhecedor de toda essência da capoeira pode ser obrigado a ter graduação para ministrar aulas? O mestre não aprova esse método da esportivização por que, em sua visão, tal processo limitará a prática corporal a um caráter competitivo, mecanicista, distanciando-se de suas origens e de seus objetivos culturais.

A capoeira tem-se incorporado ao ambiente escolar nas aulas de educação física e atividades extracurriculares, mas para que essa prática esteja presente nas aulas faz-se necessário que o professor compreenda a importância da prática para o corpo discente. E é por essa relevância que os mestres não podem ser excluídos da ministração das aulas pois, além de ensinarem a história dos negros no Brasil, se dedicarão nos gestos, ritmos e movimentos da arte, facilitando o aprendizado dos alunos e influenciando nos comportamentos afetivo, criativo e lúdico.

Forçar um mestre de capoeira condicionando que este só poderá ensinar após a obtenção de um diploma acadêmico é o mesmo que exterminar suas raízes. Uma manifestação nascida nas senzalas, por meio de escravos em busca de uma vida digna e justa, que fez e que faz parte da história do nosso país, está sendo analisada sob a ótica esportiva.

Nossos mestres de capoeira merecem respeito e atenção porque, mesmo com tantas dificuldades e incompreensões, eles ainda têm um belíssimo trabalho de inclusão social, por meio do qual retiram jovens da ociosidade, resgatando a autoestima e orientando-os para a vida em sociedade.

 

Luiz Carlos de Souza  é vereador (PRB) de Salvador e presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Capoeira

* Luiz Carlos de Souza, natural de Pernambuco, nasceu no dia 20 de abril de 1972. Filho de Severino Carlos de Souza e Maria José de Souza, é o caçula de 12 filhos e conheceu de perto as dificuldades da vida no Nordeste onde, desde cedo, precisou trabalhar para ajudar no sustento da casa. Em outubro de 2012, foi eleito pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB) para seu 1º mandato (2013-2016) com 13.505 votos, sendo o 7º vereador mais votado.

Fonte: http://www.correio24horas.com.br/

Aula de capoeira resgata a cidadania

Mais de 150 crianças de diversas comunidades da Ilha, como Colônia Z-10, Guarabu, Dendê e Querosene, participam do projeto social do Grupo de Capoeira Rainha do Mar em uma pequena vila na Rua Pereira Alves, no Cocotá. Dentro da roda, ao som do berimbau e do batuque do atabaque, os pequenos aprendem valores como união, respeito, disciplina e amizade.

Mestre Ruben do Nascimento criou a oficina de capoeira há 13 anos. “Esta é a nossa maior riqueza. Ganho sorrisos em troca do meu trabalho”, frisou Mestre Ruben, que é baiano, mas mora há quase 15 anos na região. E a alegria e empolgação das crianças contagiam as famílias. Ao levar seus filhos para os treinos, as mães acabam se encantando pela arte marcial de raízes africanas. “A capoeira não tem preconceito. Acho que o ritmo e a dança mexem muito com as pessoas. Afinal, quem não gosta de uma batucada?”, indagou Mestre Ruben.

Mas ele garante que os pais dos alunos confiam em seu trabalho porque os professores cobram dedicação e aplicação na escola. “Não basta apenas se esforçar em quadra. Eles precisam ter boas notas no colégio”, destacou. Crianças a partir de cinco anos estão convidadas a participar do projeto.
Márcio Ramos, que acompanha o Mestre Ruben há 12 anos, disse que o maior presente em trabalhar com crianças carentes é ver todas brincando. Fábio Ferreira, contramestre, acrescenta: “A capoeira é um ótimo exercício para a mente. Às vezes eles estão com problemas dentro de casa e ao lutar esquecem de tudo. Capoeira é paz”.

Quando ainda morava na Bahia, Mestre Ruben foi criado sem pai e sua mãe nunca estava em casa. Com 12 anos, ele resolveu morar na rua. Por isso, ele acredita conhecer as dificuldades enfrentadas pelos pequenos e faz questão de ajudar sempre que pode. “Eu conheço a história de cada criança e sei pelo o que elas estão passando. É muito bonito ver todos deixando a energia fluir dentro da roda”, contou.
Apesar da paixão do Mestre Ruben pelo projeto, o Grupo Capoeira Rainha do Mar está com dificuldades financeiras. Muitas crianças ainda precisam de blusas e calças para brincar em quadra. Os interessados em ajudar podem ligar para Ruben no 8387-8861.

Mesmo sem dinheiro, Mestre Ruben ainda faz festa do aniversariante do mês. “Compro refrigerante, bolo e algumas balinhas para agradar as crianças. Tudo com a ajuda dos próprios integrantes do grupo”, disse. Neste sábado (26), a turma vai se apresentar a partir das 19h, no Festival de Acarajé do quiosque da baiana Rose, próximo ao Assaí.

 

Fonte: http://www.ilhanoticias.com.br/

A ausência de vozes femininas na capoeira

No mundo da capoeira a mulher está chegando, jogando e conquistando seu espaço. No mundo da música, está lado à lado com o homem, cantando, tocando, se destacando e fazendo muito sucesso. Mas porque será que, quando se trata da música na capoeira, a situação é tão diferente? 

Sim, na roda a mulher canta, a mulher toca pandeiro, atabaque e berimbau, mas quando você vai a uma loja especializada, ou mesmo quando procura na Internet, quantos CD’s de capoeira de mulher você já encontrou? Na melhor das hipóteses uns três ou quatro, todos da Carolina Soares, certo? 

Exitem também músicas interpretadas por mulheres em CD’s de grupos e coletâneas, mas a participação ainda é muito modesta. 

Por que isso acontece? Não tenho resposta para esta pergunta, mas trouxe algumas hipóteses para a reflexão: 

* Falta de interesse – Obviamente não é todo capoeirista que sonha em gravar um CD. Será que o número de mulheres capoeiras com este objetivo é simplesmente inexpressivo? Acho difícil acreditar nesta hipótese. 

* Preconceito – Se a mulher sofria e ainda sofre preconceito ao entrar na roda, na bateria a resistência masculina sempre foi ainda mais rígida. Afinal é o berimbau que comanda a roda, e em muitos lugares, por muito tempo, era inadmissível uma mulher tocando o gunga. Será que esta postura “atrasou” a inclusão da mulher no campo musical da capoeira?

* Dificuldades diversas – A dificuldade em conciliar a capoeira com os cuidados com os filhos, com a casa e o trabalho fora também é uma hipótese válida. Com a vida atribulada a mulher pensa duas vezes antes de assumir mais uma tarefa, chegando até mesmo a abrir mão de um grande desejo. 

É interessante pensar na questão, descobrir outras hipóteses, colocar o assunto em pauta. É possível que existam sonhos sendo sufocados e talentos desperdiçados. 

E que Carolina Soares seja exemplo e inspiração para que a mulher capoeirista ultrapasse mais esta barreira.

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Dia Internacional da Mulher

A todas as heroínas: Dia 8 de março, próxima segunda-feira, é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas, fazendo referência às cerca de 130 tecelãs que morreram carbonizadas em uma fábrica, em Nova Iorque, ao reivindicar melhores condições de trabalho.
O mérito das tecelãs é indiscutível, mas o Dia Internacional da Mulher deve servir de homenagem também às tão esquecidas heroínas da nossa história, como Dandara e Aqualtune.
Deve homenagear cada heroína que encontramos hoje dentro da capoeira, mestra, formada ou aluna, cujas dificuldades e batalhas diárias, só elas conhecem.
Deve homenagear cada heroína que encontramos no trabalho, fortes, batalhadoras e dedicadas, buscando seu espaço no mundo.
Deve homenagear também cada heroína que encontramos dentro de casa, na família, que se vira em duas para cuidar da casa e dos filhos e, muitas vezes, ainda trabalhar fora.
Cada mulher sabe a heroína que mora dentro de si. Parabéns a todas!

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Superando as dificuldades

Quando se começa a treinar capoeira, é comum sentir dificuldades para executar alguns movimentos. Algumas dificuldades são superadas em pouco tempo, outras demoram mais e exigem mais esforço e paciência, e há ainda as que vão sendo conhecidas com o tempo, conforme o aprendizado avança.

Esses desafios, tão comuns a qualquer pessoa, podem gerar muita frustração, especialmente quando uma mulher, que treinando entre homens, exige de si mesma um desempenho igual ao deles.

Não há como negar que homens e mulheres são diferentes fisicamente e, portanto, usam seu corpo de forma diferente, o que não significa de modo algum que o homem seja superior à mulher na capoeira ou vice e versa. São apenas diferentes, cada um com suas vantagens e desvantagens.

Um exemplo é a força. Em geral, os homens são até 30 por cento mais fortes e, por isso, nos movimentos que exigem força, especialmente os que exigem força nos braços, as mulheres precisam se esforçar muito mais para conseguir o mesmo desempenho.

Não é motivo para desistir, mas insistir no que parece mais difícil pode se tornar desanimador se, em paralelo, a mulher não conhecer suas vantagens como, por exemplo, a flexibilidade, e tirar proveito delas.

Trabalhar suas facilidades favorece a autoestima e dá muito mais ânimo para enfrentar os desafios e, quando as mulheres se ajudam, trocam dicas e observam umas às outras na roda, essa tarefa fica ainda mais fácil.

E isso não vale apenas para as diferenças de gêneros, mas também para as diferenças e limitações de cada indivíduo. A capoeira tem lugar para todos, basta cada um se conhecer e desenvolver seu próprio jogo.

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

I Batizado e Entrega de Cordas do Projeto Gingando pela Paz no Haiti

Após um ano de labuta realizamos o I Batizado e Entrega de Cordas do Projeto Gingando pela Paz no Haiti. Sem dúvida um momento que irá permanecer em nossas lembranças. Dentre os momentos mais emocionantes, a caminhada pelo bairro de Bel-Air, considerado zona vermelha pela ONU, e o batizado dos nossos alunos, que teve início com o batizado do pequeno Bimba. filho de haitiano e francesa, o pequeno foi registrado com o nome do grande mestre após seus pais assistirem ao documentário, exibido no Centro Cultural do Brascil no Haiti. Um momento marcante.

Mais infomações sobre o evento

Este primeiro ano foi repleto de lutas, muito trabalho, muitas dificuldades, foi sim. Porém, cheio de alegrias e realizações. As dificuldades serviram para testar nossa capacidade de seguir acreditando em nossos sonhos; nossas quedas, para nos ensinar a levantar, sacudir a poeira e seguir caminhando e nossas vitórias para nos mostrar que estamos no caminho certo e que nunca, “nunca-em-tempo-algum”, devemos desistir dos nossos sonhos (recordando Augusto Cury). Devemos seguir reinventando, recriando. Pois cada dia é novo, cada luta é nova e nos renova; cada sede é nova ( inspirado em belo, belíssimo poema de Elisa Lucinda). Devemos seguir nos apaixonando pela vida, pelo bem, pelo desejo de fazer o bem, renovando a nossa fé a cada instante, essa deve ser a nossa oração, sempre, estejamos caídos ou de pé.

Que este ano seja repleto de lutas, pois sem elas não há vitórias, realizações… E que o Grande Arquiteto do Universo nos permita ter sabedoria para elas; que saibamos a hora de pegar em armas e de esperar. E que nossas armas sejam:

C oragem: para arriscar

A stúcia: para enfrentar os obstáculos sem ir de encontro a eles.

P aciência: qualidade essencial para quem deseja ser um vencedor.

O uvir: pois a palavra é prata, mas o silêncio é ouro.

E sperança: sem ela não existe sonhos.

I nteligência: para transformar os momentos difícies em oportunidades de aprendizado.

R esponsabilidade: consigo e com os outros.

A mor: esta Energia maravilhosa capaz de realizar os maiores milagres, de mover a maior de todas as montanhas: a nossa própria vontade.

E, claro, muita Ginga pela Paz, pela Harmonia, pelas coisas bonitas (inspirado em música da Fernandinha Abreu)

Fraternal Abraço a todos em nome da família Gingando pela Paz!

Saudade
Contramestre em Capoeira
Coordonnateur Projet Gingando pela Paz
www.vivario.org.br
Mobile: (509) 38540202
http://flaviosaudade.wordpress.com

DEFICIÊNCIA: Alguns dados importantes…

Pessoas portadoras de necessidades especiais (PPNEs) – Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são + de 23 milhões de brasileiros (as)
DEFICIÊNCIA é todo e qualquer comprometimento que afeta a integridade da pessoa e traz prejuízos na sua locomoção, na coordenação de movimento, na fala, na compreensão de informações, na orientação espacial ou na percepção e contato com as outras pessoas.
A deficiência gera dificuldades ou impossibilidade de execução de atividades comuns às outras pessoas, e, inclusive, resulta na dificuldade da manutenção de emprego.
Por isso, muitas vezes, é necessária a utilização de equipamentos diversos que permitam melhor convívio, dadas as barreiras impostas pelo ambiente social.
Diante disso, a Constituição Federal de 1998 dispensou tratamento diferenciado às pessoas com deficiência.
DEFICIÊNCIA FÍSICA é todo comprometimento da mobilidade, coordenação motora geral ou da fala, causado por lesões neurológicas, neuromusculares e ortopédicas ou ainda por má formação congênita ou adquirida.
DEFICIÊNCIA MENTAL é um atraso ou lentidão no desenvolvimento mental que pode ser percebido na maneira de falar, caminhar, escrever. O grau de deficiência mental varia de leve a profundo.
DEFICIÊNCIA VISUAL é caracterizada por uma limitação no campo visual. Pode variar de cegueira total à visão subnormal. Neste caso, ocorre diminuição na percepção de cores e mais dificuldades de adaptação à luz.
DEFICIÊNCIA AUDITIVA é a perda total ou parcial da capacidade de compreender a falar através do ouvido. Pode ser surdez leve – nesse caso, a pessoa consegue se expressar oralmente e perceber a voz humana com ou sem a utilização de um aparelho. Pode ser ainda, surdez profunda.
Dicas para o Mestre ou professor que trabalha com a inclusão:
 
Com a ajuda da dra. Clélia Argolo Estill, vice-presidente da AND (Associação Nacional de Dislexia), separamos algumas sugestões de procedimentos a serem adotados pelo professor que trabalha com a inclusão em salas de ensino regular( estes conceitos podem ser aplicados aos locais de ensino e prática da capoeiragem ):
 
– Incentive o aluno a restaurar a confiança em si próprio.
– Ressalte os acertos, ainda que pequenos, e não enfatize os erros.
– Valorize o esforço e o interesse do aluno.
– Incentive-o nas coisas que ele gosta de fazer e faz bem-feito.
– Atribua-lhe tarefas que possam fazê-lo sentir-se útil.
– Dê instruções e orientações curtas e simples que evitem confusões.
– Não insista em exercícios de fixação, repetitivos e numerosos, pois isso não diminui a dificuldade.
– Minimize o medo de cometer erros.

Psicomotricidade – Área de recreação e esportiva

Psicomotricidade – Área de recreação e esportiva

Recebido por e-mail de [email protected]

em qui 29/09/2005 08:16

Acessado em 11/10/2005 10:55

Redação/Editoração/Formatação modificadas por AADF

 

O Conceito Psicomotricidade

O conceito de psicomotricidade é recente e inicialmente debruçou-se apenas sobre o desenvolvimento motor da criança (De Meur e Staes, 1989).

Ø      Segundo Núñes e Vidal (1994) a psicomotricidade é a técnica ou conjunto de técnicas que tendem a interferir no ato intencional significativo, para o estimular ou modificar, usando como mediadores a atividade corporal e sua expressão simbólica, com o objetivo, de aumentar a capacidade de interação do sujeito com o ambiente.

Ø      Berruezo (1995, citado por Pantiga, 2002) propõe que psicomotricidade é um foco da intervenção educacional ou terapia cujo objetivo é o desenvolvimento da capacidade motora, expressiva e criativa a partir do corpo, o que o leva a centrar a sua atividade e a interessar-se pelo movimento e o ato, que é derivado de disfunções, patologias, excitação (estímulos), aprendizagem, etc.

Ø      Para Muniáin (1997, citado por Pantiga, 2002) psicomotricidade é uma disciplina educativa/reeducativa/terapêuti ca. Concebeu como diálogo que considera o ser humano como uma unidade psicossomática e que atua sobre a sua totalidade por meio do corpo e do movimento no ambiente, por meio de métodos ativos de mediação principalmente corporal, com o propósito de contribuir para o seu desenvolvimento integrante.

Ø      De Lièvre e Staes (1989, citados por Núñes e Vidal, 1994) definem psicomotricidade como a posição global do sujeito. Pode ser entendida como a função do ser humano que sintetiza psiquismo e motricidade com o propósito de permitir ao indivíduo adaptar-se de maneira flexível e harmoniosa ao meio que o cerca. Pode ser entendida como um olhar globalizado que percebe a relação entre a motricidade e o psiquismo como entre o indivíduo global e o mundo externo. Pode ser entendida como uma técnica cuja organização de atividades possibilite à pessoa conhecer de uma maneira concreta o seu ser e o seu ambiente de imediato para atuar de uma maneira adaptada.

 

A psicomotricidade destaca a relação existente entre a motricidade, a mente e a afetividade e procura facilitar a abordagem global da criança por meio de uma técnica.

Nesse sentido, De Meur e Staes (1989) referem que a psicomotricidade foi evoluindo. Começou por estudar o desenvolvimento motor, depois a relação entre o atraso no desenvolvimento motor e o atraso intelectual da criança, mais tarde o desenvolvimento da habilidade manual e aptidões em função da idade, para atualmente, estudar também as ligações com a lateralidade, com a estruturação espacial e a orientação temporal e as relações das dificuldades de aprendizagem escolares de crianças de inteligência normal. Os autores alertam também para a tomada de consciência das relações existentes entre o gesto e a afetividade, como por exemplo, o fato de uma criança segura de si caminhar de forma muito diferente de uma criança tímida.

 

Verifica-se, portanto, que existe um amplo espaço ou área de intervenção da psicomotricidade,o que permite afirmar que esta pode exercer uma importante influência na evolução pessoal e acadêmica dos indivíduos.1

 

A Influência do Desenvolvimento Motor na Aprendizagem

Existem teorias que salientam de tal modo à importância do movimento para a criança que admitem que as dificuldades de aprendizagem são o resultado de um desajustamento com o espaço que as envolve (Neto e col., 1989, citados por Silva e Marques, 2001).

Segundo os mesmos autores, o movimento é um meio de ensino-aprendizagem particularmente relevante em crianças com dificuldades de aprendizagem. Com base nas múltiplas relações da motricidade com a inteligência, realçam que a atividade lúdico-motora facilita a aquisição das noções simbólicas fundamentais para as aprendizagens escolares, destacando que o movimento promove a espontaneidade, a imaginação e o pensamento criativo, constituindo-se numa experiência multi-sensorial de aprendizagem.

Para Matos (1991, citada por Silva e Marques, 2001) a dimensão cognitiva, na qual as aprendizagens escolares apostam fortemente, não é só um acidente ou um "dom", mas também é resultante da atividade motora exploratória, criativa e social que então satisfaz por um lado as necessidades de maturação orgânica e por outro permite a regulação das funções psicofisiológicas, traduzidas na prática pelo desenvolvimento e pelo crescimento.

Assim, a atividade motora parece associada às representações mentais, ou seja, regula o aparecimento e o desenvolvimento dos processos cognitivos (Piaget, 1977; Wallon, 1970; Fonseca, 1984, 1994, citados por Silva e Marques, 2001).

Alguns autores (Cuenca e Rodao, 1994) referem que atualmente não há dúvidas de que um bom desenvolvimento psicomotor durante a infância é a base de uma aprendizagem adequada e que o grau de desenvolvimento psicomotor nos primeiros anos de vida vai continuar, em grande parte, durante toda a sua vida.

A motricidade, segundo os mesmos autores, influi de forma notável no psiquismo do indivíduo, ao ponto do processo intelectual depender da maturidade do sistema nervoso. Isto significa que existe uma estreita influência entre o físico-fisiológico e o intelectual. As referidas teorias estão presentes no processo ensino-aprendizagem, como por exemplo, no da leitura, onde a desorientação espácio-temporal pode levar a criança a confundir grafias semelhantes (p/q, b/d …), conduzindo-a dificuldades da leitura e escrita e consequentemente a dificuldades de aprendizagem. A lateralidade, a coordenação visomotora, discriminação figura-de-fundo e a mobilidade manual são outros exemplos, entre vários, de áreas que devem ser trabalhadas, pois poderão contribuir para ultrapassar as dificuldades de aprendizagem ou para a sua prevenção.

Deste modo, a influência do desenvolvimento motor na aprendizagem é de tal forma importante que uma intervenção através da psicomotricidade poderá contribuir para eliminar ou pelo menos diminuir as dificuldades de aprendizagem de crianças e jovens que apresentam tal problemática.

 

A Educação Física e suas implicações no Desenvolvimento da Psicomotricidade

O discurso e prática da Educação Física sob a influência da Psicomotricidade coloca a necessidade do professor de Educação Física sentir-se um professor com responsabilidades escolares, e portanto, pedagógicas. Busca desatrelar sua atuação escolar dos cânones da instituição desportiva, valorizando o processo de aprendizagem e não mais a execução de um gesto técnico isolado.

Talvez nós sejamos um tipo de professor que em grau maior do que aqueles de outras matérias costuma valer-se de conceitos de sua própria área em tom pejorativo, denegrindo o que deveria ser de seu domínio. Fazemos tábula rasa2 do que foi produzido ao longo de quase 200 anos. Não conseguimos acompanhar o movimento do pensamento e perceber como o conhecimento se amplia, se refaz pelos avanços da técnica, da ciência e pela inserção de diferentes práticas em diferentes culturas. Os clichês influenciam mais do que as inúmeras e inúmeras obras sobre Ginástica, sobre Jogo, Dança, e, sobretudo Esportes. É agradável constatar que os anos 90 trouxeram um olhar mais abrangente aos estudos e pesquisas sobre a Educação Física Escolar. Os reducionismos de natureza biológica, psicológica e social parecem não ter mais lugar no debate da área.
Hoje já é possível, no âmbito da Educação Física, pensar a ciência fora dos limites do positivismo e perceber que para tratar das atividades físicas em suas determinações culturais específicas, o conhecimento do homem implica em saber que a sua subjetividade e razão cognoscitiva se instalam em seu corpo e as linguagens corporais constituem-se em respostas a esta compreensão.
Sem esquecer a provisoriedade do conhecimento, afirmo aqui esta retomada da Educação Física como o lugar de aprender Ginástica, Jogos, Jogos Esportivos, Dança,Lutas,Capoeira.
Talvez as pesquisas sobre ensino hoje já possam romper com a visão tecnicista e mergulhar no conteúdo de cada área. Talvez hoje, estejamos necessitando estudar Ginástica, Jogos, Dança, Esportes e de posse destas fantásticas atividades codificadas pelo homem em sua história valer-se, criativamente, de metodologias que encerrem valores mais solidários, que apontem para uma saudável relação entre indivíduo e sociedade e vice-versa. O Ensino da Ginástica ou de qualquer Jogo Esportivo, por exemplo, sempre encerrará em seu interior uma dimensão técnica. Mas uma dimensão técnica não significa nem tecnicismo nem "performance". O lugar da "performance" não é na escola. O caráter lúdico pode prevalecer sempre numa aula de Educação Física, desde que ela seja realmente uma aula, ou seja, "um espaço intencionalmente organizado para possibilitar a direção da apreensão, pelo aluno, do conhecimento específico da Educação Física e dos diversos aspectos das suas práticas na realidade social".

Segundo Snyders: "não considere seus alunos tolos", eles não gostam de coisas fáceis, óbvias. Como observa Betti em sua pesquisa sobre a percepção do aluno em aulas de Educação Física, "os alunos realmente não desejam que todas as coisas sejam fáceis. O desafio de algo difícil, mas realizável é almejado por eles. Afirmam que querem aprender melhor, que quanto mais aprenderem, melhor a aula se tornará…".

Nesse sentido, a educação psicomotora visa a intervenção no processo de evolução psicomotora do indivíduo, não somente como recurso pedagógico, mas também como recurso que integra toda ação educativa.

 

A capoeira como atividade promotora do Desenvolvimento Psicomotor

A Capoeira pode proporcionar aos seus participantes inúmeras situações de aprendizagem, constituindo-se como uma prática educativa. O trabalho coletivo e lúdico que envolve o aprendizado da capoeira garante mais qualidade de vida para aqueles que a praticam. Seus benefícios são enormes, tais como: desenvolvimento das qualidades físicas (resistência, flexibilidade, agilidade, coordenação, ritmo, etc.), autoconfiança e socialização.

Na Capoeira, a aprendizagem tem um reflexo claro na realidade do aluno, ela proporciona uma série de benefícios que influenciam a própria maneira de o aluno estar no mundo (“ser-no-mundo”). Quando o indivíduo entra numa roda de capoeira, se insere num ambiente de encontro e contato direto com outra pessoa, que é seu companheiro (com quem irá jogar), e um contato e encontro indireto com outras pessoas, que são os outros integrantes da roda. O ato de entrar na roda pela primeira vez representa o início do processo de aprendizagem mais significativo da Capoeira, é o começo dum processo de enfretamento e transposição de barreiras e medos ( p.ex. do risco de contusões) que o capoeirista irá realizar em seu rico aprendizado. Dentro da roda, são suscitados os mais variados tipos de sentimento, emoções e reações, que são peculiares deste genuíno encontro que acontece na roda, encontro esse que é imprevisível e espontâneo, ditado pelo momento, podendo ser amistoso ou não.

“…é o canto, a ladainha que evoca o clima e dá o tom do jogo e expressa, resume o que vai rolar, pelo menos naquele instante. Isto porque o que está acontecendo neste momento, aqui e agora, pode ser completamente modificado à medida que se vai jogando, é o encontro que vai dizer o que ‘vai rolar’. É a resposta imediata do parceiro que vai provocar o tipo de jogo, aberto ou fechado, ou que eu seja mais afoito ou retrancado” (Amorim in: Freire, 1991:152).

As experiências vividas na roda de Capoeira vão ter várias conseqüências para a vida do indivíduo, na medida em que, na capoeira, a pessoa vivencia momentos de integração e contato significativos, realiza atividades de nível motor, além de poder expressar sentimentos e emoções que, na realidade, muitas vezes é impedido (como, por exemplo, a expressão da agressividade), enfim, está lidando com aspectos motores, emocionais, psicológicos e sociais que podem refletir diretamente na vida do sujeito.

 

O capoeirista Corisco do Recife, citado por Amorim (in: Freire,1991:152), expressa muito bem essa situação, quando diz que:

“A capoeira ultrapassa esses limites que tentamos impor a ela. Ela é um estilo de vida, um modo de ser, conviver, enfrentar o mundo. É mais que uma filosofia, é a própria vida do capoeirista. Na capoeira a gente pode expressar a dor, a alegria, a sensualidade, o ataque, a defesa, a saudade, o encontro”.

 

Na Capoeira aprende-se a enfrentar e superar muitas dificuldades e situações, o praticante está sempre descobrindo como se colocar nas mais inusitadas e inesperadas circunstâncias, aprende como escapar aos mais variados obstáculos e barreiras, esta sempre trabalhando sua expressão corporal, sua agilidade, sua destreza, sua flexibilidade, criatividade e espontaneidade. Cada aspecto ou característica pessoal trabalhada terá um reflexo na vida do indivíduo, que passa a encarar o mundo e a vida, suas dificuldades e obstáculos, de uma nova forma, com uma postura bem diferente.

A luta é o elemento básico para o enfrentamento dos mecanismos de poder que tentam impedir a auto-regulação, a liberdade de ser e fazer o que se quer. A disposição de luta numa roda de capoeira está relacionada às nossas atitudes de luta na vida. A roda é um treino e um diagnóstico de como estamos lutando. Nosso esquema corporal é um reflexo direto de nossa vida emocional” (Freire & Da Mata, 1993: 38).

O aluno envolve-se integralmente, é o sujeito de suas ações e movimentos. Insere-se completamente. Esta condição lhe é imposta até em termos de sua segurança. Numa roda de Capoeira, o indivíduo trabalha a expressão de sentimentos, de emoções, ativa a cognição, trabalha a espontaneidade, a criatividade, a integração social.  Além de tudo, está se apropriando da história e da cultura do povo brasileiro.

 

Apesar de existirem movimentos básicos na Capoeira, cada pessoa desenvolve seu estilo próprio de jogar, cada um tem seu jeito de expressar-se nos movimentos. Isso decorre do fato da capoeira ser um lugar privilegiado para produção da criatividade, do cultivo da originalidade e espontaneidade de cada um. É um lugar privilegiado para expressividade, espaço de desenvolvimento pessoal, onde o praticante experiência um processo contínuo de “dar-se-conta-de-si”, um processo de conscientização de atos e movimentos. O praticante de Capoeira é uma pessoa que está aprendendo a lidar com as nuanças do improviso, está em contínuo contato com o seu “aqui e agora”, com sua realidade atual (no sentido de “atos momentâneos”), está em contato criativo e dinâmico com o meio.

 

No processo de participação grupal, que é a Capoeira, o aluno está constantemente desenvolvendo liberdade e responsabilidade de movimentos e ações, um verdadeiro processo socializado de crescimento pessoal.

É por meio de atos que se adquire aprendizagem mais significativa[…] A aprendizagem é facilitada quando o aluno participa responsavelmente do seu processo. A aprendizagem significativa aumenta ao máximo, quando o aluno escolhe suas próprias direções[..] decide quanto ao curso de ação a seguir, vive as conseqüências de cada uma dessas escolhas[…]a aprendizagem participada é muito mais eficaz que a aprendizagem passiva.”

Rogers (1978:163).

 

A vivência da capoeira é uma experiência ímpar. Proporciona ao aluno uma ativação, ampliação e complexificação da percepção. Uma verdadeira abertura progressiva à experiência. Na medida em que o indivíduo constrói uma vivacidade e auto-estima cada vez maiores.3

 

Além disso, a pessoa, principalmente o brasileiro, ao praticar Capoeira, tem a oportunidade de vivenciar o contato com sua própria cultura, na medida em que passa a apropriar-se da história desta arte-dança-luta-jogo de raiz africana, mas de origem brasileira.

 

A Capoeira foi inspirada em danças e rituais dos negros africanos, os quais foram trazidos como escravos para os engenhos de açúcar, no Período Colonial brasileiro. Originou-se e desenvolveu-se aqui, todavia, como uma forma encontrada pelos negros escravos, de lutar contra e resistir às injustiças da escravidão, pela sobrevivência física e cultural de seu povo. A Capoeira apresenta-se, principalmente, como uma forma que o Negro encontrou para buscar sua liberdade. Após a abolição da escravatura, ela logo se tornou uma poderosa e genuína forma de resistência dos mais variados grupos ou classes oprimidas.

 

Atualmente, apesar de a Capoeira ter se disseminado por vários países do mundo, o que facilmente notamos, ainda, é o fato de ela ser mais aceita entre as classes mais pobres, e de sofrer uma certa discriminação social frente a outras práticas esportivas e culturais4 Tal fato talvez se deva ao seu próprio processo histórico de exclusão.

 

Na Capoeira, o aluno encontra um lugar de desenvolvimento, um lugar onde pode desenvolver seus potenciais de criatividade, expressão corporal, originalidade e espontaneidade, verbalização e expressão de sentimentos, flexibilização do corpo, integração social, apropriação cultural. Lugar de afirmação de si, de percepção e encontro genuíno com o outro, de desenvolvimento de uma postura de enfrentamento da realidade, de uma forma flexível e dinâmica de estar no mundo.

Nesse sentido, a oficina de Capoeira tem como objetivo divulgar esta arte secular trazida pela cultura negra, e, além de ensinar as tradições de uma dança brasileira, exercita a psicomotricidade e o controle emocional seguido de senso de companheirismo e fraternidade.

Além disso, a utilização da música na roda de capoeira é importante como processo de fixação e aprendizagem de conhecimentos gerais e culturais, de psicomotricidade e de auto-estima.

A prática e a teoria artística e estética devem estar conectadas a uma concepção de arte, assim como a uma consistente proposta pedagógica que aproxima os estudantes do legado cultural da humanidade, oferecendo bases que proporcione a experimentação e o sentir, para que a partir deste movimento sejam desenvolvidos sua autenticidade e seu bom gosto artístico.


Bibliografia

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1 Grifo AADF

2 Grifo AADF

3 Grifo AADF

4 Idem