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Aconteceu: Festival de capoeira em Peruíbe

Festival de capoeira marca programação esportiva em Peruíbe, neste final de semana

Evento terá presença de mestres e grupos de capoeira da região

Uma das modalidades esportivas mais praticadas no país, a capoeira terá destaque na programação do Verão Total Peruíbe 2014. Neste final de semana, será realizado o “Capoeirando à Beira-Mar”, com a participação de mestres e grupos de capoeira da região.

Com diversas apresentações gratuitas, o evento mostrará os aspectos culturais que marcaram a história da modalidade, com as técnicas, a dança e o ritmo que influenciaram na formação do esporte que é genuinamente brasileiro. Além das rodas de capoeira, o público poderá conferir apresentações de samba e maculelê.

O “Capoeirando à Beira-Mar” terá início neste sábado (18), às 9h, com uma roda de capoeira no Espaço Cultural Chico Latim (Avenida São João, s/n°). O mesmo local receberá às 19h um Festival de Capoeira, com a presença de vários grupos regionais. Já no domingo (19), às 9 horas, o público vai conferir uma aula aberta de capoeira na Praia do Centro. Todas as atividades são gratuitas.

O Verão Total 2014 é uma iniciativa da Prefeitura de Peruíbe, que promoverá diversas atrações culturais e esportivas até o final de fevereiro.

1º Meeting Brasileiro de Ciências das Artes Marciais

O 1.° Meeting Brasileiro de Ciências das Artes Marciais é um evento nacional, cuja proposta é agregar conhecimentos aprofundados sobre aspectos da Preparação Física de Lutadores e, também, relacionado ao curso-tema principal do evento, apresentar proposta brasileira e mostrar na prática como deve ser avaliada a força, velocidade e potência dos principais golpes nas Lutas, Artes Marciais e Modalidades Esportivas de Combate, com destaque especial para o MMA.

Site oficial (inscrições):http://eventos.tatame.com/

Público alvo
Fãs de artes marciais e interessados em geral, praticantes, atletas, técnicos, profissionais e estudantes de Educação Física, Fisioterapia e Medicina.
Objetivo
Difundir a Ciência das Artes Marciais; Democratizar informações de difícil acesso; Fomentar troca de informações e contatos entre profissionais de diversas regiões do País e, por fim, ensinar na prática como o dia a dia da Ciência aplicada às Artes Marciais deve ser algo simples e fácil de executar.
Passaporte Garantido
Todos os participantes do Meeting terão acesso à feira Arnold Classic Brasil em todos os dias do evento.
Inédito
Pela primeira vez no Brasil, todo material coletado será filmado, editado e divulgado em um programa especial de um Canal de TV.
Pagamento
Pode ser feito com cartões VISA, AMEX e MASTERCARD. Aceitamos PAYPAL e boletos bancários. Em até 10 X sem juros.
*Certificado Garantido de participação no 1ª Meeting de Ciência das Artes Marciais (Registro e chancela com número de horas)
*Conteúdo à “La Carte”: você escolhe em qual participar, sem obrigatoriedade de assistir, necessariamente, todas as aulas do cronograma. Assista somente o que lhe interessa!
*Presença de campeões de MMA do UFC
*Diversas aulas práticas
1.° Meeting Brasileiro de Ciências das Artes Marciais

Competição: Rio-pedrense é vice-brasileiro de capoeira

Com capoeiristas de diversas regiões do país, competição foi de alto nível

O capoeirista Vanderlei de Souza França, conhecido como Jamaica, retornou da cidade de Jales (interior de São Paulo) com o troféu de vice-campeão brasileiro de capoeira, um feito e tanto para o atleta que começou a praticar o esporte com 17 anos. Jamaica disputou a competição em 9 e 10 de dezembro, na categoria Amadora. Enfrentando capoeiristas de diversas regiões do país, disse que a competição é de alto nível. “Enfrentei adversários do Ceará, Alagoas, Paraná. Empenhei-me ao máximo para trazer o ouro, porém, não foi dessa vez”, disse o jovem de 22 anos.

O professor de capoeira e mestre de Jamaica, Joaldo Gonçalves de Oliveira, acredita que o resultado foi bastante positivo e destacou as qualidades técnicas do aluno. “Durante a competição ele demonstrou um profundo conhecimento técnico e tático do jogo de capoeira. O bom desempenho dele se deve ao trabalho sério que desenvolvemos em nossas aulas, além da dedicação do Jamaica nos treinos”.

Dedicação essa que fez com que Jamaica de aluno se tornasse monitor do projeto “Joba Capoeira”, ministrando aulas de capoeira. “Comecei como aluno dentro do projeto e hoje com a orientação do mestre dou aulas”. E sobre a importância da capoeira na vida, o garoto conta que o esporte foi “divisor de águas”. “Antes eu era simplesmente um estudante, um trabalhador rural. Depois que tive contato com a capoeira, me tornei um bom marido, um cidadão, um ótimo funcionário”.

Desta forma, o projeto “Joba Capoeira” vai cumprindo o seu objetivo social. “A nossa meta é que o aluno aplique no dia a dia os conhecimentos adquiridos na capoeira. Autoconhecimento, respeito pelo próximo, solidariedade são esses os nossos valores”, comentou Joba.

 

Fonte: http://www.tribunatp.com.br

A ausência de vozes femininas na capoeira

No mundo da capoeira a mulher está chegando, jogando e conquistando seu espaço. No mundo da música, está lado à lado com o homem, cantando, tocando, se destacando e fazendo muito sucesso. Mas porque será que, quando se trata da música na capoeira, a situação é tão diferente? 

Sim, na roda a mulher canta, a mulher toca pandeiro, atabaque e berimbau, mas quando você vai a uma loja especializada, ou mesmo quando procura na Internet, quantos CD’s de capoeira de mulher você já encontrou? Na melhor das hipóteses uns três ou quatro, todos da Carolina Soares, certo? 

Exitem também músicas interpretadas por mulheres em CD’s de grupos e coletâneas, mas a participação ainda é muito modesta. 

Por que isso acontece? Não tenho resposta para esta pergunta, mas trouxe algumas hipóteses para a reflexão: 

* Falta de interesse – Obviamente não é todo capoeirista que sonha em gravar um CD. Será que o número de mulheres capoeiras com este objetivo é simplesmente inexpressivo? Acho difícil acreditar nesta hipótese. 

* Preconceito – Se a mulher sofria e ainda sofre preconceito ao entrar na roda, na bateria a resistência masculina sempre foi ainda mais rígida. Afinal é o berimbau que comanda a roda, e em muitos lugares, por muito tempo, era inadmissível uma mulher tocando o gunga. Será que esta postura “atrasou” a inclusão da mulher no campo musical da capoeira?

* Dificuldades diversas – A dificuldade em conciliar a capoeira com os cuidados com os filhos, com a casa e o trabalho fora também é uma hipótese válida. Com a vida atribulada a mulher pensa duas vezes antes de assumir mais uma tarefa, chegando até mesmo a abrir mão de um grande desejo. 

É interessante pensar na questão, descobrir outras hipóteses, colocar o assunto em pauta. É possível que existam sonhos sendo sufocados e talentos desperdiçados. 

E que Carolina Soares seja exemplo e inspiração para que a mulher capoeirista ultrapasse mais esta barreira.

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Caminhada abre I Semana sobre Drogas na orla de João Pessoa, no sábado

O Governo do Estado, através do Programa Estadual de Políticas sobre Drogas (PEPD/PB), realizará de 12 a 19 deste mês, a I Semana Estadual de Ações Educativas sobre Drogas. O evento tem o objetivo de mobilizar a Paraíba em discussões, reflexões e atividades de prevenção às drogas, alertando sobre o perigo que o uso indevido de substâncias químicas representa para a sociedade. A I Semana terá a participação das diversas secretarias estaduais e parceiros da sociedade civil organizada. A abertura ocorrerá no próximo sábado (12) com uma caminhada na praia do Cabo Branco, em João Pessoa. 

A concentração da caminhada começa às 7h, em frente à Fundação Casa de José Américo (FCJA), na Avenida Cabo Branco. Este primeiro momento contará com participações especiais, tais como o humorista ‘Zé Lezin’, palhaços animadores da Arretado Produções, e apresentações de grupos de capoeira, coordenados pelo Fórum de Capoeira. Antes da largada, o alongamento será comandado pelo Projeto Caminhar com Segurança, da Polícia Militar. 

Todo o percurso, com destino ao Busto de Tamandaré, será acompanhado por um trio de forró e apresentações de taekwondo, do grupo FPT Taekwondo. Na chegada, será oferecido um café da manhã, com mesa de frutas para os participantes, ao som de Oliveira de Panelas e diante de várias apresentações de capoeira. 

No Busto de Tamandaré, também serão oferecidos serviços da Secretaria de Saúde, a exemplo de aferição da pressão arterial e exames de glicemia, e distribuídos materiais educativos de prevenção e combate às drogas. Um ato ecumênico encerra a atividade. 

Mobilização – ‘Os efeitos da droga não prejudicam só o usuário’. Esse é o slogan do material informativo do PEPD/PB e da I Semana Estadual de Ações Educativas sobre Drogas, levantando uma reflexão sobre as consequências devastadoras do uso inadequado das substâncias psicoativas. 

O gerente do PEPD/PB, Deusimar Guedes, informa que a campanha de prevenção e combate às drogas terá caráter permanente, “mas a realização de uma semana de atividades será importante para atrair a atenção da sociedade e mobilizar os cidadãos, convidando-os a oferecer sua parcela de contribuição no enfrentamento ao grave problema que é o consumo indevido de drogas”. 

Ele ressalta que a colaboração da população é essencial nessa luta. “Precisamos do apoio de toda a sociedade para conseguir superar esse fenômeno que vem se agravando, destruindo jovens, adultos e suas famílias”, explica Deusimar, comentando que as diversas instituições parceiras do PEPD/PB participarão ativamente em todo o Estado da I Semana Estadual de Ações Educativas sobre Drogas, a exemplo de várias entidades religiosas, do Conselho Municipal Antidrogas de João Pessoa/PB, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Maçonaria, Fórum de Combate à Corrupção (Focco), Movimento pela Paz (MOVPAZ), entre muitas outras.

Assessoria

Mais Informações: http://www.joaopessoa.pb.gov.br/

Fonte: http://www.clickpb.com.br/

Homenagem ao Mestre Leopoldina

Convidamos todos a participarem do Encontro em Homenagem a Mestre Leopoldina, organizado pelos Mestres: Meinha, Marcão e Contramestre Caranguejo, esse encontro já passou por Praia Grande e Campinas tendo seu encerramento neste Final de Semana com diversas atividades.

Sábado dia 01/05 às 15 horas Roda na 24 de maio em frente as Lojas “S dobrado” e “Ginga Aruanda”

E em seqüência a partir das 17:00 o barracão abrirá as portas em apoio a essa Homenagem.

Teremos a presença de diversos Mestres da Velha Guarda da Capoeira de São Paulo com muita Vadiação e Papoeiragem.

Domingo dia 02/05  está previsto diversas atividades (local ainda a confirmar)
Então não deixe de ver seus e-mails e venham fazer parte desta Festa.

Abraço a todos
Prof. Ratão

Capoeira, Sincretismo, Santos e Orixás

A presença e a ligação dos Santos e Orixás com a Capoeira é sentida em diversas cantigas e ladainhas…

O Brasil sempre foi um país envolvido e mergulhado no sincretismo religioso, no misticismo… uma das maiores dadivas de nosso povo é a miscigenação… a misturas de raças, de culturas e religiões.

A capoeira nasceu em meio disso tudo, ela própria nasceu de misturas…

Existem diversas vertentes e estudos sobre isso… é sabido a influencia de lutas oriundas da África como o N´golo, a Dança da Zebra o Batuque…

A “camuflagem” da capoeira escrava em dança com intenção manhosa e maliciosa de iludir o feitor e o Senhor… foi o segredo da sua existência e permissão de prática no meio das Senzalas…

“A Capoeira, tem origens e raizes africanas…seu ventre, sua mãe… é conhecida como cultura negra… seu pai a liberdade… mais nasceu e foi criada no Brasil, algures no reconcavo Baiano… cercada de malandragem e brasilidade…”

…Bahia terra de todos os Santos… e Orixás…

É inegável a presença religiosa dentro da Capoeira… que em sua essência é um ritual… cheio de manifestaçãoes e referências a uma força maior… Iêêê viva meu Deus…

Este Deus representa a a força e a energia divina… que pode assumir diversos nomes, tão conhecidos por todos…

Ala… Buda… Deus… Brahma … e tantos outros…

Luciano Milani – Setembro de 2005

Segue o texto enviado pelo Mestre Decanio, sobre o tema:

Santos e Orixás o sincretismo na CapoeiraSantos e Orixás o sincretismo na Capoeira “Em “Falando em Capoeira” eu faço alusão a este fato e justifico: é conseqüência da capoeira ter sua raiz mística e musical no candomblé.

Os cânticos (oriki) louvam os atributos maravilhosos dos orixás. O sincretismo manhoso para evitar os preconceitos eclesiásticos leva ao uso de nomes de santos e trechos de orações, especialmente das ladainhas, em tentativas de lisonja dos censores.

São Bento é um santo a quem creditam uma vida mais próxima da Natureza e dos animais. Santo Amaro é o Protetor da área portuária onde surge a capoeira. Santo Antônio é associado a Ogum na Bahia e a Oxossi no Rio de Janeiro. São Lázaro é a Omolu (Obaluaê), (portador de varíola), na Bahia é representado por São Jerônimo no Rio .Oxalá é para fraseado pelo Senhor do Bonfim… São Jerônimo na Bahia é Xangô.

Tudo em busca de apaziguar a imagem do Diabo, Belzebu associada a Exu pelos cristãos. Santa Bárbara=Nhançã. Santa Maria pelo seu prestígio e interferência junto a Jesus Cristo (Oxalá) e Deus-Pai. De modo similar há referência a Lampião, Zumbi, Pedro Gordilho (Pedrito), Besouro Mangangá, Besouro e/ou mesmos personagens de lendas ou imaginários. Na verdade o importante é o efeito mântrico associado ao toque e sistema de rima poética tonal dos africanos, associado às modificações fonéticas das palavras e expressões para acoplamento à melopéa.”

 

Ser Capoerista é saber conviver… é saber respeitar… é ser acima de tudo um cidadão de espírito livre…
Combater as descriminações e as intolerâncias… dentro ou fora da roda. 

* Imagens enviadas pelo Mestre Decanio

Dica de Navegação: “Capoeira de Saia”

Chegou o site do “Capoeira de Saia – Programa de Capacitação em Capoeira” … www.capoeiradesaia.com.br

… Lá você encontra a HISTORIA do evento;

… um BLOG para publicarmos notícias e comentários;

… FOTOS das duas edições já realizadas em 2008 e 2009, edição baiana e nacional respectivamente;  

… VIDEOS do Capoeira de Saia, desde os oficiais produzidos pela produção do evento até as reportagens em TV, os vídeos postados no youtube, etc; 

… REPORTAGENS feitas pelos sites de noticia que divulgaram as edições do evento (site do Diário Oficial do Estado da Bahia, Portal Capoeira, UNEB, IPAC etc;

… PLANO DE MIDIA produzido e vendido pelo evento nas edições anteriores (cartazes, folders, camisas etc); 

… PARCEIROS que acreditam neste programa auxiliando financeiramente e logisticamente na edificação do evento;

… DUVIDAS, estas são inéditas pois vêem com diversas perguntas e respostas feitas pelas participantes, mestres e parceiros do evento !!! e por fim o contato, para que vocês possam nos contactar !!!

 

Enfim agora dá uma espiadinha e se puder deixa um recado ou uma sugestão! 

 

Axé,

Comissão Organizadora

RESISTIR OU AVANÇAR?

A capoeira, desde o seu início no Brasil,  sempre representou um ponto de referência de um povo que trazia imensa bagagem cultural de sua terra natal. As circunstâncias adversas fizeram-no desenvolver estratégias para amenizar este contexto e garantir a sobrevivência, tendo em vista a situação de opressão em que viveu durante o jugo escravocrata.

Entendemos que a capoeira fez parte de um processo de resistência dos negros escravizados no Brasil e que esta dinâmica também se estendeu a diversas outras áreas da vida social, como na arte, na religião, nos folguedos na culinária, etc. Em outras palavras, era imperativo aos negros não apenas lutarem pela sua liberdade e preservarem suas vidas; era preciso também cultivar diversas faces de sua cultura ancestral para se contraporem à diáspora, à opressão e ao cativeiro em terras brasileiras. 

A capoeira vista como arte, luta, musicalidade ou lazer é parte da dinâmica cotidiana das manifestações afro-brasileira, pois ela surge de um conjunto de características pré-existentes nas culturas das comunidades africanas, como as danças, rituais, música, jogos, além de ser uma forma de fazer frente às injustiças e a violência social e física e, a partir da sua prática, criar novas formas de existência. 

Ela, juntamente com as demais manifestações afro-brasileiras, ajudou na construção de uma identidade para um povo que a todo o momento tinha muitas de suas expressões culturais reprimidas e depreciadas. O mesmo acontecia com seus preceitos religiosos, vistos por muitos, ainda hoje, como feitiçaria, bruxaria ou culto satânico. Assim, a prática da capoeira se confunde com a história da resistência dos negros escravizados no Brasil.

Resistência, porém, é uma palavra muito abrangente cujo sentido depende objetivamente do ponto de vista de quem a usa. Em referência à escravidão, os historiadores utilizaram o termo para denominar as atitudes dos escravos que tiveram o objetivo de fazer frente ao sistema opressor, que os transformava em vil mercadoria. 

De uma maneira geral, resistência quer dizer oposição, obstáculo ou disposição para suportar com firmeza e determinação o que lhe é imposto. A resistência se dá por um indivíduo ou grupo que visa sobreviver, não ceder, agüentar da melhor forma possível o sofrimento, as dificuldades, as imposições e tudo aquilo que não privilegia a autonomia da independência do ser humano. O termo, que adquire muitas conotações, também pode significar negação aos valores ou comportamentos impostos e preservar a vida em condições adversas de existência. 

Porém, o atributo fundamental do homem que resiste é a possibilidade de criar diversos caminhos e alternativas para desenvolver relações humanas que priorizem a busca da sua felicidade e a diminuição do sofrimento, através da união solidária com os demais membros do grupo. Neste sentido, a capoeira, o candomblé, a culinária e a musicalidade, historicamente, cumpriram o papel de preservar a identidade e manter uma unidade étnica frente a uma sociedade cujo sistema econômico oprimia todo um povo. 

Com base nestas colocações, aqui cabe um questionamento sobre a adequação do uso do termo resistência em relação à capoeira, nos dias de hoje. A capoeira é um símbolo brasileiro que está presente e aceito em todas as partes do mundo, que atinge todas as camadas sociais, todas as faixas etárias e gêneros, que é livre para acontecer nas ruas, praças, escolas, hotéis, universidades e academias. Logo, pergunto, quem se opõe a ela? A capoeira resiste a que? 

Afirmo, então, que a capoeira teve um passado de resistência e tem um presente que representa a vanguarda na conquista de espaços sociais. Penso que a sua prática está muito mais avançada do que o discurso que se faz em seu nome, sobre suas necessidades e desafios. Este discurso, anacrônico em sua essência, ainda fala em resistência, enquanto a prática da capoeira, muito mais além, já está alcançando o seu lugar ao sol em todo o mundo. Ao pensar assim, elaboro alguns questionamentos:

  • Até quando existirá a retórica de resistir e não, progredir, avançar, marcar presença, ampliar seu raio de ação?
  • Para que serve à capoeira falar em resistência?
  • Em que isto melhora a prática desta arte?
  • A quem interessa este discurso, vazio em significados, sem sintonia com a prática e com a realidade? Certamente não à capoeira.

Embora falando de coisas diferentes, quero estabelecer uma comparação entre a capoeira e o esporte. Sou professor de Educação Física e durante toda a minha vida ouvi falar que o esporte afasta o jovem das drogas, que o esporte educa, que o esporte é bom… Porém, eu digo que a atividade esportiva não é boa nem é má; o esporte é o esporte. Quem faz o diferencial é o professor. Ele sim é que pode ser um mau ou um bom professor, afastar os jovens das drogas, educar, dar uma nova perspectiva de vida usando o esporte como instrumento de mudança e educação.

Acredito que com a capoeira aconteça assim também: a capoeira é a capoeira, não é boa nem má. Quem faz o diferencial, quem educa, quem dá novas chances e oportunidades de vida são os mestres e professores desta arte. A capoeira é um instrumento valioso, de grande potencial nas mãos destes homens e mulheres porque carrega dentro de si diversas possibilidades de arte, música, canto, lazer, e luta, dentre outras. A prática é o meio para a assimilação de idéias, de conceitos e discursos, daí a importância do comprometimento de quem ensina.

Quero ver a capoeira sempre ampliando seus horizontes. Como professor, gostaria de ver a capoeira oferecida nas escolas públicas e particulares, a partir do ensino fundamental e ensinada por quem sabe, por quem carrega a herança ancestral, pelos detentores legítimos do conhecimento que falam em vadiação, amizade, respeito. Acredito na capoeira lúdica, não na perspectiva do espetáculo, da capoeira luta, mas não agressiva, da capoeira companheira, não da falta de respeito ao próximo que lhe empresta seu corpo na roda para que com ele possa aprender, como infelizmente ainda acontece.

Quem faz a diferença na vida de uma pessoa, orienta, educa, afasta das drogas e da violência, são pessoas como o Mestre Curió e tantos outros nomes da velha guarda e da nova geração independente estilos e de gênero.

Quero concluir esta fala deixando um questionamento para reflexão: Resistir ou avançar?

Kina Mutembua faz sucesso com o grupo TEIA de Minas

Kina Mutembua encanta participantes da TEIA com oficina sobre a cultura afro Jovens e educadores uniram capoeira e dança afro em atividade interativa

Um espaço dedicado a cultura e raízes afro-brasileira. Mais do que uma oficina, o Espaço Vivências da Teia Cultural foi palco de uma verdadeira troca de experiências durante a atividade "Contos e Lendas Africanas" ministrada pelo Kina Mutembua, grupo cultural da Ação Comunitária do Brasil/RJ.

Para chamar a atenção para a atividade, o grupo improvisou uma roda de capoeira que contagiou o público presente na Serraria Souza Pinto. Com essa estratégia, a oficina reuniu mais de 50 pessoas em uma atividade interativa que incluiu contação de histórias africanas, dança afro e samba de roda.

Romildo dos Santos, professor de capoeira e integrante do Kina Mutembua, contou diversas lendas do universo da capoeira como por exemplo, o surgimento do berimbau. Os participantes da TEIA também conheceram os tipos de berimbaus e alguns dos fundamentos da capoeira. Para Romildo, o mais importante foi a presença de mestres de capoeira de diversas partes do Brasil.

– Tivemos a participação de capoeiristas da Bahia, Sergipe, Alagoas, Minas Gerais que participaram de todas as atividades e possibilitaram uma troca de experiência muito importante não só para os jovens que participam do grupo,mas de nós educadores – conclui o professor de capoeira.

Charles Nelson e Viviane Santos, educadores de dança afro da ACB/RJ, explicaram aos participantes da oficina a história dos orixás e seus movimentos característicos na dança afro. O entusiasmo foi grande e todos os presentes participaram de uma aula de dança afro, onde construíram uma coreografia em conjunto.

– Assim como o Kina, a oficina foi a junção perfeita da dança afro com a capoeira. Foi uma atividade muito interessante que com certeza foi uma experiência para todos que participaram – explica Charles Nelson.

Caio Rosa, integrante do Kina Mutembua e instrutor de capoeira, contribuiu para a atividade falando sobre a cultura do candomblé que despertou a curiosidade e estimulou a discussão. "Confesso que no início tive um pouco de medo de falar para pessoas tão diversas. Mas no final, foi uma experiência que nunca vou me esquecer. Por mim, faríamos outra oficina agora!"

Jeniffer Menezes, cantora do Kina Mutembua, terminou a oficina emocionada com a participação do público que encerrou a atividade com brincadeiras ao som de cantigas de capoeira de samba de roda.

– Foi uma verdadeira troca. Muitos terminaram querendo saber mais sobre o que contamos e só isso já teria valido a pena. O mais gratificante foi ouvir diversas pessoas dizendo que nos esperam ano que vem para uma nova oficina. Foi realmente emocionante – revela a cantora.

Revista Fator – São Paulo
http://www.revistafator.com.br