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Capoeira também ajuda na melhoria das notas

Esporte, aliado à escola, tem transformado o aprendizado das crianças e adolescentes em Itaitinga


A capoeira e a educação estão unidas em um projeto social que visa a transformação de vidas de crianças de quatro a 15 anos em Caracanga, distrito de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Todos os sábados, um grupo de 40 meninos e meninas se reúne no pátio ao lado do Bar do Lula ou na sombra de um cajueiro em terreno vizinho para o treino com os instrutores do projeto “Eu, você, a escola e a capoeira”.

O projeto é realizado há quase dois anos pelo Centro Cultural Capoeira Água de Beber (Cecab) por Franco Silva e Juliana Monteiro, sob a orientação de Robério Batista de Queiroz, o mestre Ratto

Além de aprender os golpes que mais gosta – uau e meia lua de frente com armadura -, Marcos Levi Vieira Cavalcante, 12, melhorou as notas na escola. A mãe dele, Leila Maria Pires Cavalcante, conta que Marcos e seu irmão, João Marcos, 5, estão mais atentos e responsáveis e são incentivados a obedecer em casa e na escola pelo tio da capoeira, Franco Costa e Silva.

“A capoeira mudou a minha vida. Aprendi a jogar. Aumentou o meu físico e me ensinou a sorrir mais”, afirma Marcos Levi. A mãe dele diz que o filho gosta do tio Franco, que lhe ensina a ter zelo pela escola, a fazer as tarefas, a se comportar bem nas aulas e ainda empresta o berimbau para tocar em casa. “Tudo nesse mundo gira em torno da união”, disse ela com relação à integração do projeto social com a escola. “A gente só tem de agradecer por esse projeto, porque antes não tinha nada de lazer para as crianças. A violência, roubo e drogas estão até no interior”, lembra.

O projeto é realizado há quase dois anos pelo Centro Cultural Capoeira Água de Beber (Cecab) por Franco Silva e Juliana Monteiro, sob a orientação de Robério Batista de Queiroz, o mestre Ratto. O Cecab mantem no bairro Serrinha, em Fortaleza, outro projeto com capoeira, educação e crianças, que gerou a tecnologia social transposta para a realidade rural de Itaitinga.

O trabalho em Caracanga desenvolveu a confiança da comunidade no projeto. “Os adultos foram cativados pelas crianças” conta Sérvulo Pimentel, que coordena a iniciativa e deu a ideia para a criação da Associação de Moradores de Caracanga com objetivo de ter mais força na defesa dos interesses comuns. A presidente da Associação, Valéria Oliveira Gomes Sousa, afirma que o projeto não é só capoeira, mas a educação das crianças, com aulas de flauta e ensino de caligrafia. Os instrutores acompanham o comportamento das crianças e querem saber do boletim escolar, ela destaca.

Frequentar a escola é condição para participar da capoeira. O projeto trouxe também cursos de artesanato para as mães, informa a presidente da Associação. Segundo Valéria Sousa, o próximo passo é concluir a cobertura da sede da Associação em janeiro, que já tem as telhas e espera conseguir a madeira com o resultado de bingo que vai sortear uma cama-box, fruto de doação. O projeto social tem o apoio da diretora da escola local e do núcleo Flor Divina do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (UDV), do qual o benefício à comunidade do entorno da unidade se originou, informa.

Um exemplo da integração acontece em março na realização do Dia do Bem pela UDV com atividades beneficentes realizadas na Escola de Ensino Fundamental Manuel Rodrigues de Paiva, conta Iris Cleide Lopes, a diretora da unidade na Caracanga. “A parceria com o projeto da capoeira é muito importante para a escola. Trabalhamos comportamento e respeito, e o tio Franco cobra dos meninos os mesmos valores”, ela afirma.

“Respeito ao próximo, a pai e mãe, isso se perdeu no meio do caminho”, lamenta a diretora. Segundo Iris Lopes, a escola hoje está fazendo o papel da família porque a maioria dos pais está se omitindo.

Edjane Damasceno de Lima, mãe de outro aluno da capoeira, Caio Damasceno de Sousa, 9, observa que a participação do filho no projeto influenciou no comportamento, no sentido de ficar mais atento na escola e melhorou as notas. O menino arranjou mais amizades, tornando-se mais responsável pelas atividades de casa, da escola e da capoeira. Agora, quando recebe alguma coisa, o filho agradece, ela diz, como exemplo.

Luciano Júnior Cavalcante, 11, resume em uma frase a sua opinião sobre o projeto social de que participa: “amo a capoeira”. A mãe dele, Aparecida de Souza Lima, assinala que os instrutores da capoeira demonstram compromisso porque vem todo sábado para os treinos, sem cobrar nada, com toda boa vontade. “Eles ajudam na educação, conversam muito sobre a escola e acompanham as notas e ensinam muitas coisas de uma maneira complementar ao que é ensinado na escola”.

No Dia da Criança, Elenira Oliveira do Carmo, mãe de Carlos Henrique do Carmo, 15, prestigiou a troca de corda do filho, agora branca e laranja, um grau a mais no aprendizado da capoeira. Filmou o momento com o celular. O filho mostrou habilidade na roda de capoeira. A solenidade incluiu batizado das crianças pequenas. “Aprendi a me comunicar, arranjar amizades boas e a tocar flauta. Não fico mais andando na rua”, disse.

Carlos Henrique disse que quer chegar a contramestre ou mestre na capoeira. A participação na arte marcial criada pelos negros escravos no Brasil, segundo ele, ajudou a melhorar as suas notas na escola e influi na sua educação como pessoa, testemunha. Circe Shara, 10, que também recebeu a corda branca e laranja, diz que estar na capoeira é muito melhor do que ficar no meio da rua brincando, com risco de acidente.

“Minha letra era horrível, agora está tão bonita”, declara Circe Shara sobre o resultado da prática de caligrafia. A aluna conta que aprendeu a tocar flauta e quer ser veterinária. Segundo ela, a capoeira incentiva para o estudo, ao qual dedica duas horas em casa, todo dia. Participar do projeto ajudou a tirar 10 na prova de história e geografia com o que aprendeu sobre a capoeira e a escravidão no Brasil. A atividade ajuda ainda na sociabilidade. “Conheci muitas amigas. Pessoas que via, mas não falava, por vergonha”, ela relata.

Encantamento

“Acreditamos na pedagogia do encantamento defendida por Paulo Freire que afirma ser necessário sentir para aprender”, diz o mestre Ratto ao explicar o projeto “Eu, você, a escola e a capoeira”. Segundo ele, a implantação do trabalho em Caracanga vem propor a utilização da capoeira como instrumento de sensibilização para a educação infanto-juvenil, despertando os jovens para a importância da escola e do estudo na formação do cidadão.

No Dia da Criança, antes do batizado e troca de faixas, Ratto reuniu as mães dos alunos para conversar sobre a importância da atividade que os filhos desenvolvem aos sábados. No encontro, propôs alguns exercícios corporais acompanhados pelas mães. Ao final, convidou quem queria participar de uma aula numa turma de mães.

É possível apresentar aos jovens os conhecimentos da arte da capoeira e também introduzir novos conceitos e ideia, sensibilizando-os para outras áreas do saber, sobretudo o conteúdo escolar, explicou o mestre Ratto.

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com

 

Africa: A Capoeira ajuda as crianças de rua em Kinshasa

Na praça do centro de Limete, um bairro popular de Kinshasa, a capoeira encontrou praticantes inesperados: as crianças de rua.

A capital da República Democrática do Congo, com seus 12 milhões de habitantes, é a segunda cidade do mundo, logo atrás do Rio de Janeiro, em número de crianças abandonadas.

As estimativas variam de uma fonte à outra, mas a ONG francesa Médecins du Monde (Médicos do Mundo, MDM) estima que são cerca de 20.000. Algumas largaram as famílias, outras foram abandonadas.

Estas crianças são chamadas de “shégués” (crianças de rua em lingala), um nome que é sinônimo de “ladrão”, já que elas vivem essencialmente de roubos e furtos. Elas recusam a ajuda de dezenas de ONG e acabam muitas vezes caindo na prostituição, na desnutrição e na violência.

Algumas, porém, deram sentido às suas vidas graças à disciplina e a energia da capoeira.

As crianças a praticam na rua com Yannick N’Salambo, um técnico em computação congolês de cerca de 30 anos de idade que se apaixonou por esta luta misturada com dança ensinada por um viajante brasileiro. Três vezes por semana, ele vai a Limete e encontra um lugar no meio dos comerciantes de carvão e de legumes, dos engraxates e dos vendedores de crédito para celular.

Munidos de um berimbau e de um reco-reco, Yannick e seus assistentes começam o aquecimento. Em seguida, dois de cada vez, eles começam. Fortes e atléticos, eles exibem seus movimentos plásticos.

Às vezes, um dos participantes acaba entrando no ritmo do adversário e atingindo-o. “Malembe!” (cuidado!), avisa o mestre, que toma seu lugar e mostra como se deve agir sem machucar o companheiro.

Em volta, cerca de dez crianças, entre 5 a 13 anos, assistem com atenção.

Descalços, vestindo roupas comuns como camisetas e calças largas, os dois param após alguns minutos, sendo imediatamente substituídos por outros dois parceiros que tentam mostrar que aprenderam como se faz.

A aula dura duas horas e termina com a lembrança do que se espera dos jovens alunos: seguir as obrigações escolares, ter um comportamento digno, respeitar as funções de cada um perante o grupo e ser pontual.

“Eu vi uma grande evolução”, diz Yannick. “Eu tinha crianças que não obedeciam, eram agressivas, mal-educadas. A capoeira reestruturou seus lados psicológicos”.

A capoeira ensina os jovens de rua o que nem a escola, nem a família conseguiu ensinar.

Um dos assistentes, Ninja, de 30 anos, saiu das ruas graças à esta prática. Fechado, tímido, ele viveu sem lar por 20 anos.

“A capoeira permitiu a ele se expressar”, explica Yannick, que ganha um pouco de dinheiro dando aulas aos estrangeiros.

“É um esporte que nos ensina a amizade”, diz Jérémie Tchibenda, de 14 anos. Francis, de 9 anos, “se sente bem” quando pratica capoeira.

Nem todos vem da rua, alguns têm família e moram por perto. Alex Karibu, de 25 anos, tinha quinze anos e já era órfão quando começou.

O jovem embaixador do Brasil no país, Paulo Uchoa, se sente orgulhoso de ver esta atividade brasileira encontrando público no Congo e ajudando estas crianças.

“Vou fazer de tudo para ajudar”, garantiu o diplomata, lembrando que o Brasil e a África vêm se aproximando. Em des anos, as trocas comerciais do Brasil com o continente africano saltaram de 5 para 26 bilhões de dólares, e o número de embaixadas brasileiras em solo africano subiu de 15 para 38.

É praticamente uma volta para casa, já que a capoeira, mesmo tendo sido criada no Brasil, tem as raízes na África.

Metade dança, metade luta, a capoeira se desenvolveu no século XIX na clandestinidade, em meio às populações escravas vindas da África. Como eram proibidos de lutar, os escravos escondiam sua luta com a dança.

 

Fonte: AFP – Agence France-Presse

Nota de Falecimento: Mestre Camisa Roxa

Capoeira Chora com o Falecimento do Mestre Camisa Roxa…

Nossos mais profundos sentimentos a toda família Abada-Capoeira pela perda deste grande Mestre, Camisa Roxa Ao que Sabemos o Mestre Sofreu uma queda de uma Laje resultando em sua Morte, mais uma triste noticia para a Capoeira, assim que tenhamos mais noticias informaremos a todos.

Lembrando: Edvaldo Carneiro e Silva (Mestre CamisaRoxa)
Mestre Camisa Roxa foi considerado o melhor aluno de Mestre Bimba. Grão-Mestre é Abadá-capoeira, título vida para o qual foi escolhido por um conselho de notáveis Mestres do conhecimento. Sua função é mentor e consultor,e seu título o mais alto grau na Abadá-capoeira. É o mais relatado capoeira Capoeira pelo mundo, viajou para mais de 50 países, trazendo uma manifestação da arte Capoeira e da cultura brasileira. 

Camisa Roxa nasceu em 1944, na Fazenda Estiva, no interior da Bahia. Ele começou a praticar capoeira aos 10 anos de idade como forma de entretenimento, que mais tarde foi copiado por todos os seus outros irmãos. Na década de 60, foi para Salvador para fazer o grau científico e começou a treinar na Academia de Mestre Bimba, onde ele treinou e foi considerado o melhor aluno de Mestre. Seus irmãos Ermival, Pedrinho e uma camisa também formaram na Academia de Bimba.

O Grão Mestre apelido surgiu devido ao fato de que ele sempre frequentava rodas de Capoeira da Bahia vestindo uma camisa roxa (roxa em Português), que ele gostava. Ela também gostava de jogar no tradicional Capoeira rodas de Mestre Pastinha academia eo rhodes de Mestres Waldemar e Traíra Rua Pero Vaz, onde era muito respeitado pela sua postura e possuidor de grande conhecimento dos fundamentos da Capoeira.
Camisa Roxa Capoeira pensar como um todo, reunindo Regional e Angola. “Na verdade, poucas pessoas entendem a verdadeira intenção de Mestre Bimba”, diz o Grão Mestre. “Primeiro ele ensinou seu método de Capoeira novamente elevado, mas com o tempo a pessoa deve aprender a jogar em” completa.

Camisa Roxa é responsável pela coordenação Abadá-capoeira na Europa, e realiza regularmente oficinas de reciclagem para instrutores e professores que agem dessa forma. Ele também é o organizador do Encontro de Primavera Capoeira na Europa e Jogos Europeu Abadá-capoeira. Estes eventos têm como objetivo a integração e atualização dos capoeiristas na Europa através de aulas teóricas e práticas ministradas por professores convidados do Brasil.

Hoje o Grão Mestre dedica grande parte de seu tempo para pesquisar a capoeira, sempre à procura de novas maneiras e aumentar a sua visibilidade no mundo. Para ele, no Brasil deveria ser mais unidade entre os diferentes grupos, para que seja possível estabelecer uma ordem nas atividades e ensinamentos. “Talvez uma Capoeira mais disciplina e unidade entre os líderes, produzindo uma Capoeira com mais responsabilidade e profissionalismo”, diz ele. Camisa Roxa diz passar sua experiência procura recompensar tudo o que deu Capoeira hoje.

 

Fonte: Equipe Rabo de Arraia – http://www.rabodearraia.com

Dia dos Pais: Arte e Capoeira em Família

Bruno, Rodrigo e Felipe seguem os passos do pai, o ator e capoeirista Beto Simas

Rio – Todo pai se enche de orgulho ao ver um filho escolher a mesma profissão que ele. Beto Simas pode multiplicar essa felicidade por três. Sortudo, o ator e mestre de capoeira é a maior influência de seus três garotos: Bruno Gissoni, 25 anos, Rodrigo, 20, e Felipe Simas, 19. Todos eles praticam a luta e agora até o caçula Felipe, que atua em sua primeira peça de teatro profissional, decidiu se dedicar à atuação.

“Eu fico muito orgulhoso de ver meus filhos seguindo meus passos. Mas confesso que tinha medo que eles fossem pelo caminho da capoeira porque, para mim, foi bem difícil ser aceito no meio”, assume Beto, conhecido também como Mestre Boneco. “O apelido veio porque, quando comecei, em 74, era branquinho de cabelo escorrido, diferente da maioria dos praticantes da época”, explica.

Apesar de todos os meninos serem atores — Bruno está no ar como Iran, de ‘Avenida Brasil’, Rodrigo será Bruno, na nova temporada de ‘Malhação’, e Felipe está em cartaz com a peça ‘Contos de Verão’ — é a capoeira que, definitivamente, une Beto a seus três filhos. “A capoeira está no nosso sangue e não tem jeito. Meu pai nunca obrigou a gente a fazer. Mas acho que o gosto veio como herança”, analisa Rodrigo.

Os nomes de batismo do trio também são curiosos. Na roda, Felipe é conhecido como Flecha, por ser ágil; Rodrigo é Tora, pois era o mais pesado e tinha um chute forte. Já Bruno é Empenado. “É que ele tinha a perna um pouco arqueada”, justifica Felipe. “Ele não gostava desse nome e até pensou em trocar. Mas a partir do momento que é batizado, não troca”, dedura o irmão, implicando com o brother mais velho.

Em casa, assim como durante a sessão de fotos que fizeram para a ‘Já É!’ no Clube Ginástico Português, na Barra, o clima é sempre o mesmo: um agarrado ao outro, brincando o tempo inteiro. Nem mesmo Bruno, que na verdade é enteado de Beto, se livra das implicâncias e piadas de família.

“Desde molequinho ele me escolheu como filho. Eu o considero meu pai mesmo, pois me criou desde pequeno e não tem como ser diferente. Às vezes eu fico confuso porque todo mundo pergunta: ‘E seu pai?’. Na hora eu falo do Beto”, diz Bruno. Mas para não criar constrangimentos, ele vai logo alertando. “É melhor não colocar isso, não. O meu pai biológico pode ficar chateado”, sorri, meio sem graça.

“Ele não veio de mim, mas é meu filho tanto quanto os outros”, frisa Beto, que cria Bruno desde que ele tinha 1 ano de idade.

E quando alguém cita a palavra padrasto para ilustrar a relação dele com o mais velho, a resposta está na ponta da língua. “Padrasto? Não sei nem o que é isso”, brinca Beto, completando: “Eu troquei mais fralda do Bruno do que do Rodrigo e do Felipe. Sabe como é, né? Para o primeiro filho você dá mais atenção, você tem mais cuidado. Com o segundo é tudo mais ou menos e no terceiro você já está craque, é bem tranquilo. Digo que o Bruno foi uma espécie de estágio para os outros dois”.

Sobre a inspiração para se tornarem atores, Bruno, Rodrigo e Felipe têm a resposta decorada: “Beto foi a inspiração e é nosso apoio”. O pai-coruja retribuiu. “O maior orgulho de um pai é saber que o filho está se encaminhando na carreia”, retribui.

 

Galãs que enlouquecem a mulherada

Em uma família de capoeiristas e ex-jogadores de futebol — Bruno e Felipe jogaram no Nova Iguaçu, mas trocaram os campos pelos palcos — ser ator foi o que realmente emplacou. Com a fama, o assunto em comum entre os três irmãos é o assédio das fãs.

“Às vezes, vamos fazer umas presenças no interior do Rio e, quando não tem segurança, a mulherada pula a cerca e vem para cima. Já chegaram para mim e falaram: ‘Deixa eu ser sua Suelen’”, diz Bruno, que está solteiro.

Para Rodrigo, as meninas tomarem a iniciativa pode ser bom. “Gosto quando a mulher é um pouco ousada”, analisa o rapaz, que se diz solteiro, apesar dos comentários de que ele estaria namorando Raquel Guarini, sua parceira do quadro ‘Dança dos Famosos’, do ‘Domingão do Faustão’. Na coreografia do funk, eles deram até selinho.

Já Felipe, o romântico da família, está estranhando o assédio. “Outro dia, uma menina gritou meu nome e eu pensei: ‘Será que é comigo?’. É gostoso, mas minha namorada fica com ciúme”, denuncia.

Para manter a forma e continuar arrasando por aí, cada um tem uma receita. Felipe diz que seu corpo foi esculpido pelo futebol. Bruno corre, joga futevôlei e capoeira. Já Rodrigo apela para alimentação saudável. “Amo um doce, mas não é sacrifício algum trocar por fruta. Mas, independentemente do que eu faça, minha estrutura é herança do meu pai”, avalia. E Beto? Como faz para manter o corpão aos 50 anos? “Faço musculação, mas tenho crédito por já ter malhado demais na juventude”, brinca.

 

Pai destaca as qualidades dos três filhos

Quem pensa que criar três filhos foi difícil para Beto Simas está enganado. “Foi um prazer, pois eles sempre nos acompanharam e sempre gostaram de estar comigo e com a Ana (mulher de Beto e mãe dos três)”, diz o eterno galã. E pai que é pai conhece bem as características de cada filho. A pedido da ‘Já É!’, Beto traçou um breve perfil de cada um deles.

BRUNO

“É o mais tímido de todos e o mais avoado também. Ele não está nem aí, não gosta de tirar foto, tem preguiça, sabe? Às vezes, para atender todas as fãs, junta todo mundo para uma foto só. É bem desligado também. Pode chover canivete ou pegar fogo em tudo que ele está tranquilão. Mas considero isso uma qualidade”.

RODRIGO

“É o meu filho mais persistente. Na capoeira, por exemplo, quando os três começaram, ele era pesado, gordinho e, por isso, tinha mais dificuldade. Ficava louco quando não conseguia aprender um golpe. Mas depois de crescido, continuou treinando e hoje é quem melhor joga capoeira”.

FELIPE

“Felipe é superdeterminado e rápido. É impressionante como ele aprende tudo de forma ligeira, no esporte e em questões de raciocínio. Na infância, ele aprendia qualquer esporte e jogava de igual para igual com os meninos maiores”.

 

Fonte: http://odia.ig.com.br

Centenário de Jorge Amado relembra escritor que ‘melhor escreveu um país’

“Não tenho nenhuma ilusão sobre a importância de minha obra”, afirmou Jorge Amado. “Mas, se nela existe alguma virtude, é essa fidelidade ao povo brasileiro.”

A intimidade com que expôs traços, costumes e contradições da cultura brasileira foram um dos fatores por trás da popularidade de que Amado desfrutou em vida.

Mas no centenário de nascimento do escritor baiano, celebrado nesta sexta-feira, o reconhecimento sobre a importância de sua obra continua a crescer no Brasil e no exterior.

Amado é um dos escritores brasileiros mais conhecidos internacionalmente, com obras publicadas em 49 línguas e 55 países.

O interesse aumentou com a aproximação do centenário. Nos últimos três anos, pelo menos 45 contratos foram fechados com editoras estrangeiras para a publicação de seus livros, conta Thyago Nogueira, editor responsável por sua obra na Companhia das Letras.

Países como Romênia, Alemanha, Espanha, Bulgária, Sérvia, China, Estados Unidos e Rússia são alguns dos que firmaram contratos recentes para lançar seus livros, diz Nogueira.

Para marcar a data, a prestigiosa coleção Penguin Classics está lançando dois de seus livros em inglês, A morte e a morte de Quincas Berro d’água e A descoberta da América pelos turcos. Amado é o segundo autor brasileiro publicado pelo selo, o primeiro foi Euclides da Cunha.

O centenário motivou uma série de seminários e eventos comemorativos em cidades como Salvador, Ilhéus, Londres, Madri, Lisboa, Salamanca e Paris.

A reverberação lembra a frase do escritor moçambicano Mia Couto, para quem Amado fez mais para projetar a imagem do Brasil lá fora do que todas as instituições governamentais reunidas.

“Jorge Amado não escreveu livros, escreveu um país”, afirmou Couto em 2008, em uma palestra em que prestou testemunho sobre a forte influência do autor sobre escritores africanos.

Amado nasceu em 12 de agosto de 1912 em Itabuna, na Bahia, e escreveu quase 40 livros, com um olhar aguçado sobre os costumes e a cultura popular do país. Ele morreu em 2001.

A fazenda de cacau em que nasceu, os terreiros de candomblé, a mistura de crenças religiosas, a pobreza nas ruas de Salvador, a miscigenação, o racismo velado da sociedade brasileira são alguns dos elementos que compõem sua obra, caracterizada por uma “profunda identificação com o povo brasileiro”, diz Eduardo de Assis Duarte.

“Ele tinha o compromisso de ser uma espécie de narrador do Brasil, alguém que quer passar o país a limpo”, diz o pesquisador, professor de Teoria da Literatura na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autor de Jorge Amado: Romance em tempos de utopia.

O baiano destacou a herança africana e a mistura que compõe a sociedade brasileira como valores positivos do país.

Ele adotava uma postura crítica dos problemas sociais do país e ao mesmo tempo retratava “um povo alegre, trabalhador, que não desiste”, diz Assis Duarte. “Para os críticos, ele faz uma idealização do povo.”

Amado leva para o centro de suas histórias heróis improváveis para seus tempos – um negro, uma prostituta, um faxineiro, meninos de rua, mulheres protagonistas.

“Ele traz o homem do povo para o centro do livro. Coloca-o como herói de suas histórias e ganha o homem do povo como leitor”, diz Assis Duarte.

Comunismo

Tanto a vida quanto a obra de Amado foram marcadas por sua militância no comunismo. Os livros do início de sua carreira eram fortemente ideológicos.

“Saíram livros bons dessa fase, mas também livros muito panfletários, maniqueístas, em que os ricos são todos maus e os pobres são todos bons”, comenta a antropóloga Ilana Goldstein, autora de O Brasil best seller de Jorge Amado: literatura e identidade nacional.

O baiano chegou a se eleger deputado em 1945 – seu slogan, lembra Ilana, era “o romancista do povo”. Apenas dois anos depois, porém, teve que partir para o exílio na França. Sob pressão da Guerra Fria, o Partido Comunista Brasileiro fora banido e seu mandato, cassado.

Durante os cinco anos de exílio, passados com a esposa Zélia Gattai na França e na antiga Tcheco-eslováquia, Amado viajou e ampliou seu círculo de amizades – conheceu Pablo Picasso, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir.

Nos anos 1950, época em que os crimes do líder soviético Josef Stalin vieram à tona, Amado rompeu com o partido. Iniciou-se uma nova fase em sua literatura, mais leve e bem-humorada, menos ideológica.

Para as massas

Amado gostava de se definir como um “contador de causos”. Mais do que explorar novas linguagens literárias, seu objetivo era conquistar leitores e alcançar a massa, diz Assis Duarte.

Sua linguagem era coloquial, simples, como a língua falada; sua forma de contar histórias era folhetinesca, com muitos personagens, ápices e acontecimentos.

Isso ajuda a explicar a rejeição da crítica acadêmica durante muitos anos. Também ajuda a entender as prolíficas adaptações de sua obra para filmes, novelas, peças e séries de TV.

“Sua literatura se aproxima da cultura de massa. São textos que parecem ter sido escritos para serem adaptados”, diz Assis Duarte.

Com a preocupação de proporcionar uma leitura agradável, Amado fez o que queria: conquistar leitores e contar suas histórias.

“Ele foi um escritor popular em um país onde não se lê muito, e que não tem uma tradição de leitura apesar de ter grandes escritores”, diz Milton Hatoum.

O escritor amazonense leu Jorge Amado pela primeira vez na escola de Manaus, aos 14 anos. A professora apresentou Capitães da Areia, logo cativando o interesse da classe ao contar que o livro havia sido queimado em Salvador em 1937, durante o Estado Novo.

“Eu era de Manaus, e para mim o Brasil era aquele mundo cercado de água e de floresta. A leitura de Capitães da Areia foi uma revelação de outra paisagem social e geográfica no mesmo país.”

Para Hatoum, o universo ficcional rico em tramas e personagens de Amado parece dar conta de toda a pirâmide social do Brasil, da elite política e econômica aos mais desvalidos.

Ele afirma quase poder tocar os lugares e personagens quando lê a obra de Amado. “O mundo que ele criou é cheio de personagens muito vivos, de um colorido, uma sensualidade que não é exótica. Quer dizer, é exótica, talvez, para quem não conhece a Bahia ou o Brasil.”

BBC – Brasil – http://www.bbc.co.uk/portuguese

Projeto de capoeira em Buriti do Tocantins vem fazendo a diferença entre a juventude local.

O berimbau toca. Os capoeiristas se reúnem em círculo ao seu redor. Após ser entoada uma ladainha, que pode ser uma exaltação à valentia do capoeira, um pedido de proteção ou um canto de lamento de um escravo com saudade de casa, dois adversários, ou “camarás”, como se diz na linguagem da luta, começam uma disputa de movimentos quase que coreografados. Um jogo de perguntas e respostas, de ataque e defesa, de ritmo e som.

Isso é a capoeira.

A teoria de que a capoeira foi desenvolvida por escravos há mais de 200 anos nas senzalas brasileiras é ainda a mais aceita por historiadores e estudiosos em geral. Estima-se que seja praticada por mais de 5 milhões de pessoas em todo o mundo. Graças à figura de Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba e Vicente Ferreira Pastinha, o mestre Pastinha, essa arte marcial que é um misto de dança e luta se difundiu pelo mundo, levando o legado brasileiro a países como Israel, Estados Unidos, França, Austrália e até China.

Na cidade de Buriti do Tocantins existe o projeto Educamará, que difunde a capoeirae a sua filosofia de vida. Liderado pelo professor Marcos Vinicius da Cruz Andrade, professorda rede estadual de ensino, o projeto, que é voluntario, atende a alunos da Escola VicenteCarlos de Sousa e também da comunidade em geral.

Atualmente com cerca de 20 alunos, são realizadas aulas três vezes por semana, onde os alunos aprendem os fundamentos dacapoeira, a tocar os instrumentos, cantar músicas e o principal: aprendem a conviver bemcom as outras pessoas. “Pratico capoeira desde os 12 anos e foi uma coisa que sempre gosteide fazer”, diz o professor Marcos. “Quando vim pra cá em 2008, vi muitos jovens ociosos edesestimulados na escola.

Achei que a capoeira poderia ensiná-los algo, como me ensinou”, completou.

Além dos treinos, os alunos assistem a palestras, filmes e documentários e quandopossível, realizam apresentações em Buriti e outras cidades.

Mesmo com todas as dificuldades, o projeto vem gerando bons frutos. Um dos pontos fortes é a diminuição da reprovação e evasão escolar. “Os alunos que participam das aulas de capoeira têm se mostrado mais participativos e vem apresentando melhora no desempenho escolar.” O professor acredita no potencial da capoeira como agente transformador social. “Seria interessante ampliar as ações do projeto, para atender mais crianças e adolescentes da cidade. Afinal, a capoeira é para todos, pois promove disciplina, saúde e inclusão social.” (Marcos Vinicius da Cruz Andrade)

 

Aluno de Mão Branca desponta no MMA

A nata do corpo a corpo no Canadá *

A Mixed Martial Arts (ou simplesmente MMA, como passou a se chamar o antigo vale-tudo) não para de crescer – tanto em quantidade de adeptos quanto no interesse do público. Amanhã, em Toronto, será realizado o UFC 129, programa de encher os olhos dos apreciadores desse coquetel de lutas, cujo programa principal inclui cinco combates reunindo alguns dos melhores lutadores da atualidade, dois deles por decisão de títulos. Em um, o brasileiro José Aldo enfrenta o canadense Mark Hominick pelo cinturão dos pesos penas. Outro brasuca em ação, Lyoto Machida, terá pela frente o norte-americano Randy Couture.

Em meio a esse boom dos combates corpo a corpo, com audiências impressionantes na TV, um paulista que se diz mineiro de coração, Cézar Mutante, de 26 anos, começa a despontar. Há 15 dias, disputou a primeira luta como profissional e venceu, com nocaute em 13 segundos, o norte-americano Sham Sins, em Denver. Só a estreia já lhe valeu um lugar na história, como protagonista de um dos 10 mais rápidos combates de todos os tempos.

Nascido em Catanduva, Mutante veio ainda adolescente para Belo Horizonte, a convite de Mão Branca, um dos maiores mestres da capoeira nacional. “Jogava capoeira desde os 6 anos. Mão Branca me viu e convidou para a academia dele, em BH. Não pensei duas vezes, conversei com a família e me mudei de mala e cuia, como se diz em Minas. Aqui fiz muitos amigos, me casei (com Poliana Giovana de Pádua). Moramos no Buritis e temos uma filha, Iara, de 3 anos.”


Aos 18 anos, um amigo convidou Mutante para ver uma apresentação de MMA. “Gostei e resolvi experimentar. Por coincidência, Vítor Belfort treinava na época no terraço do Diamond Mall, onde há um ringue feito especialmente por ele, que me viu e disse que seria meu treinador. Honrado, topei na hora.”

CRESCIMENTO NA CARREIRA Treinado por Belfort, Mutante fez algumas lutas amadoras no Brasil, principalmente no Rio, até que, na primeira oportunidade de um combate profissional, não perdoou o adversário. “Nos últimos meses, ele me levou para os Estados Unidos, onde passei a ser sparring de lutadores de renome, como Randy Couture, que fará sua última luta amanhã, contra Lyoto, outro astro do UFC. Espero crescer cada vez mais e seguir o caminho de outros brasileiros – Vítor, Anderson Silva, Lyoto, José Aldo… Enfim, quero o alto do pódio e um cinturão.”

 

* Fonte: http://www.superesportes.com.br

** Titulo do artigo adaptado para o contexto da “capoeira” ( Titulo Original do Artigo: A nata do corpo a corpo no Canadá)

Mato Grosso do Sul: 10º Festival de Artes Marciais e Lutas

Mestres e atletas de artes marciais repudiam associação do esporte com a violência

Durante o 10º Festival de Artes Marciais e Lutas de Mato Grosso do Sul, que acontece em Campo Grande neste fim de semana, estão reunidos no Ginásio Guanandizão 1.800 atletas, além de pais, treinadores e admiradores dos esportes.

Com as lutas em evidência no evento, o Midiamax foi conversar com pais, atletas e treinadores sobre a importância de ressaltar a prática esportiva e evitar as agressões físicas.

O professor Bento Vanildo Campos, de 52 anos, é proprietário de uma academia de boxe há dez anos em Ponta Porã e responsável por orientar vários atletas. Ele explica que nos treinamentos os alunos aprendem a não praticar violência e lutar por esporte, apenas.

“Quando um atleta se apresenta mais violento nós conversamos com ele e com os pais, dou exemplo de atletas renomados e fazemos treinamentos mais específicos com o aluno para ele gastar as energias dentro da academia”, destaca o professor.

Nauir Riods, de 14 anos, começou a treinar boxe com dois anos de idade, acompanhando sua irmã nas aulas. “Gosto de lutar, mas só dentro do ringue”, diz Nauir enquanto olha fixamente para o ringue, onde acontecia uma luta.

A mãe Marenil Fátima da Silva, de 45 anos, se enche de orgulho ao ver seu filho, atleta de karatê, Victor Hugo, de seis anos, ganhar uma luta no tatame. Marenil explica que seu filho começou a treinar no ano passado na escola e que adora o esporte.

Ela diz que Victor é um menino muito calmo e que o karatê ajuda em seu desempenho escolar e físico. “Não tenho medo dele se tornar violento, porque sei que o treinador ensina como ele deve agir”, destaca.

Já Lucas Ramos de Campos, de 23 anos, seis dos quais dedicados a capoeira e diz que aprendeu a modalidade em um projeto sócioeducativo da Capital. Para ele, pessoas que usam os golpes que aprendem nos esportes para brigar são covardes. “É uma covardia, porque a pessoa que luta sabe os pontos fracos do adversário e pode machucá-lo”, diz.

Lucas ainda ressalta que nunca se envolveu em brigas e nunca usou os golpes que aprende nas aulas de capoeira fora da academia, nem mesmo para defesa pessoal, além disso, explica que se alguém de seu grupo se envolver em brigas, é punido dentro da academia.

Atletas de 11 modalidades estão reunidas, sendo karatê oficial, kung-fu kuoshu, jiu-jitsu, taekwondo, muay-thai e judô, karatê tokay-kan, kung-fu wushu, lutas associadas e boxe.

 

Fonte: http://www.midiamax.com/

 

Niterói: Capoeira atravessa a fronteira e ganha adeptos no restante do mundo

Em Niterói, a ginga afro-brasileira vem se misturando com sotaques estrangeiros desde 1995, quando foi fundado o Instituto Zezeu de Capoeira Livre, idealizado por Mestre Zezeu.

Séculos atrás, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal, os negros foram trazidos da África para trabalharem como escravos à serviço do homem branco europeu. Além do trabalho forçado, os africanos também trouxeram seus costumes e cultura, que se manifesta até os dias atuais através de uma arte marcial que mistura música e ritmo a golpes mortais. Mais que isso, hoje a capoeira tornou-se patrimônio nacional, e é a grande responsável por difundir uma ideia que vem sendo cada vez mais explorada ao redor do mundo: a do intercambio cultural.

Em Niterói, a cantoria e ginga afro-brasileira vem se misturando com sotaques estrangeiros desde 1995, ano em que foi fundado o Instituto Zezeu de Capoeira Livre, iniciativa que conta hoje com cerca de dez a 15 estrangeiros aprendendo a luta. Idealizado por Mestre Zezeu, o capoeirista conta que o interesse de pessoas oriundas de outros países em entrar em contato direto com o mundo da Capoeira não é recente, porém sofreu um grande incentivo nos últimos anos.

“Isso sempre aconteceu, mas agora realmente aumentou muito. E é bom para todos, para Niterói, para o Brasil de modo geral e também para eles, que são muito bem recebidos pelos alunos. A recepção é excelente e o melhor é que é algo recíproco”, conta o professor, que vai além e diz que o principal objetivo do intercambio é o de promover uma integração entre culturas diferentes.

“Trabalhamos com todos os tipos de pessoas, com crianças, adultos, pessoas com necessidades especiais, sempre com todos participando da mesma roda de capoeira. O mais importante é acontecer essa integração entre todos”, completou.

Ginga europeia – O pensamento de Mestre Zezeu se traduz no ânimo que as tchecas Kristina Slezáková, de 32 anos, e Alice Brunova, 27, colocam em gingar ao som do berimbau. Mesmo separadas por um oceano de distância do Brasil, as duas conheceram a capoeira ainda na República Tcheca e se apaixonaram pela manifestação brasileira.

“Conheci através de um amigo que praticava capoeira na França. Como sou bailarina me interessei e quando ele começou a ensinar no meu país me juntei a ele”, diz Kristina, que fala português fluentemente. Alice, por sua vez, ainda não está familiarizada com o idioma, mas relata, em inglês, como foi seu primeiro contato.

“Um ex-namorado meu já praticava e foi natural o meu interesse em conhecer”, revelou. Apesar da adoração pela luta, elas contam que a capoeira ainda é algo pouco difundido em sua terra natal.

“A grande maioria das pessoas não tem opinião formada, elas encaram como apenas uma dança. Só quem está por dentro que conhece o que é de verdade”, diz Kristina.

Há ainda o caso da boliviana, descendente de palestinos, Yessica Abularach, que sempre viu a capoeira a seu alcance, mas, nunca havia encontrado a oportunidade de praticar. Seis meses após ter incorporado a arte marcial em sua rotina, ela destaca seus aspectos positivos. “Além dos benefícios físicos, como você melhorar o alongamento e trabalhar toda a musculatura, se sente muito mais confortável. É um desafio prazeroso. É um momento onde você quebra o ritmo, desestressa, relaxa”, destaca a economista de 25 anos.

Festival de Estilo Livre
A oportunidade de apresentar para estrangeiros um mundo completamente novo através da capoeira não limita-se apenas as aulas do Instituto Zezeu de Capoeira Livre. Em função da intensificação do interesse de pessoas do exterior pela arte marcial afro-brasileira, Mestre Zezeu promove, anualmente, um festival onde os amantes da luta podem aprender sobre as mais variadas manifestações dentro do universo do jogo. Batizado de Festival Interbairros de Capoeira Estilo Livre, o evento teve sua segunda edição no último sábado, e contou com a participação de capoeiristas de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Saquarema, Cabo Frio, entre outros locais, juntamente com estrangeiros.

A iniciativa, inclusive, premiou alguns mestres com o troféu Amigos da Capoeira, honraria concedida àqueles que ajudaram a promover o nome do esporte ao redor do mundo. Além disso, Mestre Zezeu revelou que em junho de 2011 Niterói irá receber a primeira Feira Internacional de Capoeira, realizado no Sesc e no Teatro Popular. O objetivo é tornar ainda mais forte o vínculo estrangeiro com todas as manifestações que envolvem a capoeira, a exemplo do maculelê e samba de roda.

O Fluminense – http://jornal.ofluminense.com.br/

Rio Pardo: Batizado de capoeira une gerações

ASSOCIAÇÃO PRETO RICO DE OXÓSSE FAZ, NESTE DOMINGO, TROCA DE CORDAS DE 70 ALUNOS DE PROJETOS SOCIAIS

Liberdade. Com essa palavra Genésio da Rosa Batista, popularmente conhecido como Mestre Jararaca, define o que a capoeira representa para as pessoas que a ela se dedicam. Em Rio Pardo, não são poucos os alunos atendidos pelo projeto da Associação Preto Rico de Oxósse. Aproximadamente 70 capoeiristas serão batizados neste domingo, depois de muitos anos de dedicação e força de vontade. O evento, que reunirá professores, mestres e contramestres de todo o Estado, será realizado no Ginásio Guerino Begnis, o Guerinão, a partir das 14 horas. Entre as pessoas que receberão novas cordas para designar o grau atingido, estão 15 alunos da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e Escola Especial Renascer, de Rio Pardo.

Segundo Genésio da Rosa Batista, as atividades terão a participação de mestres de várias cidades do Estado, entre eles Carcará (Lajeado), Pelé da Bomba (Porto Alegre), Pola e Ademir (ambos de Santa Cruz do Sul) e Neri Saldanha (Rio Pardo). “Esperamos que o público compareça, pois se trata de um momento único para esses dedicados alunos”, diz Batista. Além do batismo, haverá apresentações folclóricas da Associação Beneficente Reino de Oxum. “Faremos a troca da primeira corda até o nível de monitor”, explica Mestre Jararaca. Ele destaca que o esporte é muito bem aceito em Rio Pardo, sobretudo pelo trabalho desenvolvido ao longo de pelo menos 20 anos. “Temos de mostrar que é preciso valorizar a nossa cultura”, afirma. 

Para se tornar um aluno, salienta Genésio, é preciso somente boa vontade. “Aproveito a oportunidade para agradecer aos colaboradores e à Prefeitura, que sempre nos ajuda quando precisamos.” Para a professora de educação física da Escola Especial Renascer, Sandra Eisenhardt, o projeto de capoeira é importante para os alunos porque desenvolve habilidades físicas e motoras. “O aumento da sociabilidade é um dos pontos relevantes nesse aprendizado”, explica. O grupo de 15 estudantes da Apae já conseguiu, em 2008, um ótimo resultado dentro das Olimpíadas Especiais Estaduais, quando trouxe a Rio Pardo o primeiro lugar em capoeira. “A expressão corporal proporcionada pela dança e pela música é uma ferramenta ótima para esses educandos”, frisa Sandra. 

Para o estudante rio-pardense Lucas Azeredo, 20 anos, a capoeira é bem mais do que um simples esporte. Há oito anos, com bronquite, ele nem se imaginava fazendo tantos movimentos acrobáticos. “Depois que entrei no grupo, além de me tornar uma pessoa mais disciplinada também me curei dessa doença. É por isso que só tenho a agradecer.” Azeredo treina duas vezes por semana, mas diz respirar a arte até em casa. “A gente coloca as músicas típicas e fica brincando. Durmo e acordo pensando em capoeira”, diz. Todos os domingos, ele vive momentos especiais. “Nos reunimos e promovemos rodas de capoeira. Começo a semana muito bem.”

  • ALUNOS da Escola Especial Renascer desenvolvem atividades físicas com a participação no projeto e já conseguiram um prêmio em olimpíada estadual

Missão de viver e aprender

Uma das apoiadoras do projeto de capoeira é a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Viver e Aprender, com cinco anos de atuação em Rio Pardo. Além da capoeira, a instituição desenvolve atividades de ecoterapia, reciclagem, fabricação de bolas, entre outras. Segundo a presidente, Regina Tarantino, em dezembro a Viver e Aprender lançará um novo projeto, com o objetivo de reformular sua ação social por meio de uma nova estratégia de obtenção e gerenciamento de recursos. Trata-se de um plano voltado para a comunidade, com a geração de emprego e renda, além da divulgação das belezas do município. “O Clube do Bem Viver desenvolverá marcas baseadas na história de Rio Pardo”, salienta Regina. 

O gestor de projetos da Oscip, Magno Ferreira, lembra que a renda obtida com a venda de produtos da grife Rio Pardo será revertida aos outros projetos da entidade. “Não podemos depender somente de recursos públicos, pois as atividades não podem parar”, diz.

 

Fonte: www.gazetadosul.com.br