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Associação Abadá Capoeira Ações Sociais e Cidadania

Não é de hoje que diversos grupos tem utilizado o enorme poder e penetração social da nossa arte-luta como uma poderosa ferramenta de cidadania. Por diversas vezes nosso portal publicou iniciativas louváveis e sempre bem-vindas dentro deste contexto…

Fica aqui mais duas exelentes iniciativas sob a tutela do ABADÁ CAPOEIRA, que há muito vem investindo nesta faceta da responsabilidade social, inestimável da nossa capoeira, sigam o exemplo e extrapolem o ambiente da academia… Sinta e viva a capoeira de forma mais ampla…
  • Rio Claro: Mobilização contra a dengue no Jardim Público

A iniciativa é realização conjunta do grupo Abada Capoeira, Centro de Controle de Zoonoses e Fundo Social de Solidariedade.

Mobilização contra a dengue marca a manhã deste sábado no Jardim Público de Rio Claro. Das 10 horas ao meio dia acontece apresentação que reúne capoeira, conscientização e dicas contra o mosquito transmissor da doença.

A iniciativa é realização conjunta do grupo Abada Capoeira, Centro de Controle de Zoonoses e Fundo Social de Solidariedade.

O instrutor Baiano e os alunos do Abada Capoeira, grupo que associa a capoeira à ações de cidadania, fazem apresentação desse sábado especialmente para promover as atividades anti-dengue no Jardim.

O Centro de Controle de Zoonoses estará no local com o boneco “Agente Cabeção” distribuindo folhetos informativos, exibindo amostras do ciclo do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, e fazendo esclarecimentos gerais sobre a doença.

O Fundo Social de Solidariedade também exibirá trabalhos relacionados ao tema.

Com o aumento dos casos de dengue em várias regiões do país, Rio Claro está intensificando a mobilização contra a doença, e precisa da colaboração contínua da comunidade.

Ações como colocar o lixo em locais corretos para não aumentar criadouros e eliminar os pontos de água parada, são fundamentais para a dengue não se alastrar.

 

  • Angra dos Reis: campanha “Doe Sangue, Doe Vida”

A Associação Abadá Capoeira, de Angra dos Reis, e a Federação Abadá, do Estado do Rio, com o apoio da prefeitura de Angra lançaram ontem (14), a 12ª Campanha de Sangue, “Doe Sangue, Doe Vida”. A entidade realiza o evento sempre antes do Carnaval, em razão do grande fluxo de turistas que chega à cidade para o feriado prolongado.

Os interessados devem se dirigir até o dia 25 de fevereiro, à sede do Hemocentro Municipal Costa Verde, na Rua Manoel do Rosário, 67, atrás do Hospital Codrato de Vilhena. O horário de atendimento é das 8h às 12h e das 13h às 17h. Os doadores devem ter entre 18 e 65 anos e pesar mais de 50 quilos. No ano passado mais de 300 pessoas participaram da iniciativa.

O encerramento da campanha será no dia 25, a partir das 17h, com roda de capoeira e corte de bolo.

 

Fontes:

http://diariodovale.uol.com.br/

http://jornalcidade.uol.com.br/rioclaro/

Pequeno capoeirista de Torres é exemplo de superação

Menino de 11 anos se esforça para vencer dificuldades impostas por doença

As palmas batem enquanto o pandeiro e o berimbau tocam. João Gabriel Schultz crava as mãos ao chão e com um misto de força e concentração joga as pernas para o ar. O menino de 11 anos surpreende a roda de capoeira com mais um movimento próximo da perfeição. Ele volta a “ficar de pé”, engatinha para as bordas da roda e observa os colegas naquela que é uma das aulas em que mais gosta.

A cena descrita poderia ser costumeira entre as tantas escolas de Torres em que é possível praticar capoeira como atividade complementar. Para João Gabriel, fazer parte desta rotina faz com que a palavra “costumeira” ganhe outro significado. Ele sofre de uma doença chamada artrogripose. Nasceu assim. O atrofiamento dos membros inferiores se deu quando o cordão umbilical enrolou-se em seus calcanhares e impediu o desenvolvimento das pernas durante a gestação.

— Ele acabou nascendo de cesária. Dificultou demais o parto. No pré-natal os médicos não viram nada, estava com peso bom, com tudo certinho — explica a mãe, Sônia Souza.

João Gabriel nasceu com 3,220 quilos e 49 centímetros em 23 de novembro de 1999. Passou três dias no hospital sem que os médicos conseguissem diagnosticar que tipo de doença fazia com que os dois pés ficassem dobrados para dentro. A mãe conta que passaram a entender o problema dele apenas um mês e 15 dias depois do nascimento.

— Tenho de correr a Porto Alegre porque o médico não conhece o problema dele.

João Gabriel usa as mãos para se locomover. Engatinha com desenvoltura pelos corredores da Escola Estadual de Ensino Fundamental Manoel João Machado. Isso quando não está ziguezagueando pelos colegas dirigindo seu triciclo – adaptado para os pedais serem usados com as mãos. Normalmente, chama atenção dos pais dos colegas e acaba ganhando a simpatia dos adultos. É o caso de Amilton Teixeira. Pai de uma menina que também estuda na Manoel João Machado, ele se encantou pelo guri ao vê-lo passar voando com o triciclo em uma noite de poesias. Acabou virando uma espécie de “padrinho” de João Gabriel. Teixeira e alguns amigos se juntaram e deram ao menino um computador, uma mesinha e uma cadeira. Ainda falta o triciclo novo que já mandaram encomendar.

— Eu vi aquele menininho abaixado. Depois descobri que ele não conseguia andar. Ele é cativante, um exemplo de vida. Me emociono de ver a perseverança dele. Acho que me ajudou mais do que estou ajudando ele — revela Teixeira.

Em dezembro, dois acontecimentos serão decisivos para João Gabriel. Colorado fanático, ficará de olho no Mundial de Clubes em Abu Dhabi, de camisa do inter e bandeira na mão. No final do mês, dia 22, terá uma consulta no Hospital São Lucas da PUCRS para definir como poderá ser feita a “remodelagem” das pernas. Como já foram feitas duas cirurgias nos pés, a única chance de ele vir a andar seria a colocação de um fixador na lateral dos membros inferiores. A mãe já faz contas: o aparelho custa entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.

— O médico não garantiu e falou até na possibilidade de amputar, porque o problema é a canela e o pé. Se der certo em uma das perninhas, fazemos a outra, se não, temos de ver — projeta Sônia.

 

Alexandre Ernst | alexandre.ernst@zerohora.com.brhttp://zerohora.clicrbs.com.br/

Fortaleza: Capoeira contra a Dengue

Jovens se mobilizam contra a desinformação

Diário do Nordeste – Fortaleza
http://diariodonordeste.globo.com

Capoeiristas da comunidade fazem "Roda de Capoeira" para ajudar no Combate ao Mosquito da Dengue.

Voluntários da Igreja Batista Central de Fortaleza e moradores da Vila Pery realizaram ações de combate à dengue

O quintal de Wilson e Lúcia Peixoto é um dos maiores da Rua do Cruzeiro, em Pedras. Nele, existe até criação de galinhas e horta. Apesar de estar em uma das áreas de maior incidência da dengue, o casal afirma que procura manter o procedimento correto para evitar focos do mosquito Aedes aegypti.

A residência deles foi uma das visitadas por um grupo de voluntários da Igreja Batista Central de Fortaleza (IBC), em mutirão realizado ontem nos bairros do Novo Ancuri, Santa Fé e Pedras. A operação foi batizada de “Eu amo seu quintal” e teve o objetivo de visitar os quintais das casas para conscientizar a comunidade quanto às medidas de controle e combate à dengue.

Antes de entrar em ação, o grupo de 60 jovens recebeu orientação específica sobre os mitos da reprodução do Aedes aegypti do biólogo Ricardo Marques. Além da entrega de dois mil folders educativos e de 500 sacos de lixo, houve orientações sobre a manutenção da limpeza das ruas e uma apresentação de peça teatral com palhaços. A ação contou com o apoio da Secretaria Executiva Regional VI.

Outra igreja que também andou se mobilizando contra a doença foi a de São Raimundo, no bairro Rodolfo Teófilo. Lá, a homilia do padre Raimundo Kavanagh deu lugar a uma palestra sobre o ciclo do mosquito transmissor; ao crescente número de casos no bairro; e às formas de evitar a doença.

Além da ação durante as missas desse fim-de-semana, palestras semelhantes devem ocorrer na próxima quarta-feira, durante as novenas na igreja. Conta o sacerdote que a idéia partiu de um outro padre da paróquia, depois de uma reunião sobre dengue numa unidade de saúde do bairro. “Um padre e um seminarista redentoristas nossos tiveram dengue, o que nos preocupou ainda mais”, lembrou.

A professora Ivanete Gomes, de 43 anos, aprovou de pronto a iniciativa. “O fato de as pessoas ainda impedirem a entrada dos agentes sanitaristas nas casas é um grande empecilho para evitar a reprodução do mosquito. Acho também que levar esse assunto para as igrejas pode ajudar a acabar com isso”, disse. A palestra na igreja foi resultado de uma parceria entre a paróquia, a Regional III e a Guarda Municipal.

Vila Pery

Por avançar cada vez mais na lista dos bairros da Secretaria Executiva Regional IV que registram casos de dengue, a Vila Pery disse não à dengue nesse fim-de-semana. Com letras de combate à doença em forma de marchinhas de Carnaval e forrozinho pé-de-serra, moradores puxados pelo bloco Pery Boneco percorreram ruas do bairro estimulando a adesão de voluntários à causa.

A concentração ocorreu no cruzamento das ruas Estênio Gomes e Dom Henrique, com direito à roda de capoeira do Grupo Legião Brasileira de Capoeira. Enquanto percorriam ruas como Gabriel Fiúza e Costa Freire, os foliões da luta contra a dengue distribuíam 10 mil panfletos com dicas de alerta a alguns sintomas da doença, além de cinco mil adesivos.

Segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado, o bairro já apresenta 54 casos de dengue em 2008, ocupando o sexto lugar na lista dos 19 bairros da Regional VI com casos da doença. “A dengue pode te pegar / A dengue pode te matar / Se deixar água parada / Ela pode te pegar / Não esqueça a caixa d’água / Use roupa adequada / Não vá vacilar”, dizia um dos trechos do forró.

Com apoio da Prefeitura de Fortaleza, a caminhada não pôde contar com o reforço da Guarda Municipal, antes confirmado, porque os guardas ficaram envolvidos na ação de vedação de caixas d’água que tem ocorrido nos fins-de-semana em Messejana, bairro que mais concentra casos da doença na Capital. “Mas isso não nos enfraqueceu. Vamos conseguir mobilizar, pelo menos, 300 pessoas e afastar de vez esse mosquito”, disse o coordenador do bloco, Jaymes Alves.

MUNICÍPIO – 18 postos de saúde vão estar funcionando hoje

Hoje, feriado de Tiradentes, 18 Centros de Saúde da Família da rede municipal estarão abertos para atender à população. Estavam previstos para funcionar 19, mas o Centro de Saúde Paulo Marcelo, no Centro, não funcionará. A abertura dos postos se deve ao grande número de pessoas com suspeita de dengue.

Os Centros vão funcionar em regime de plantão, das 7h às 19h. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, eles contarão com uma equipe composta por médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem. A população deve procurar atendimento nos locais mais próximos de suas residências.

LÊDA GONÇALVES E LUDMILA WANBERGNA
Repórteres

Diário do Nordeste – Fortaleza
http://diariodonordeste.globo.com

SOM E IMAGINAÇÃO

Como os sons envolvem o cérebro e a imaginação
 

O sentido da audição tem 300 milhões de anos, mas a música complexa é muito mais recente, com cerca de três mil anos. O fascínio produzido pelos sons envolve áreas como ciência, psicologia e filosofia e, como mostra Robert Jourdain nas 425 páginas do livro "Música, cérebro e êxtase" (Editora Objetiva), captura de maneira diversa a imaginação de cada ser humano.
Pianista profissional e compositor que há 20 anos trabalha com inteligência artificial, Jourdain é criador de software sintetizador de música e autor de cinco obras sobre computação. Nesse livro – cujo maior defeito, em português, é não ter índice remissivo – ele acompanha a evolução da música desde seus primórdios e examina a maneira como o cérebro processa as hierarquias de som. Além disso, conta a história de personagens fascinantes, como Mozart, que começou a tocar cravo aos 3 anos, e Ravel, que aos 58 anos tornou-se vítima de amusia, uma doença rara em que o paciente perde as habilidades musicais.
Na amusia, acontece a perda, decorrente de lesão cerebral, de uma ou mais habilidades musicais, sejam as exigidas para ouvir música (como a capacidade de ouvir intervalos harmônicos), sejam as exigidas para fazê-la (como a leitura de partituras). O problema de Ravel não era de controle físico e ele conseguia tocar qualquer escala num teclado de piano. A memória também não era deficiente. Mas suas lesões progressivas no hemisfério esquerdo varreram uma área do córtex cerebral onde os lobos temporais encontram-se com o córtex parietal e ele tornou-se incapaz de transpor para a realidade objetiva – no caso, o papel – as imagens musicais de sua mente.
Na maioria das pessoas, o lado direito do cérebro favorece a análise da harmonia e do contorno melódico e o esquerdo mostra especial talento para processar o ritmo. Os músicos profissionais costumam ser tão analíticos, em sua percepção de melodias, que ocorre neles uma dominância do cérebro esquerdo.
Mesmo assim, uma lesão no hemisfério cerebral direito pode prejudicar a vida deles. Jourdain conta como isso aconteceu com um professor de música que sofreu um derrame no lado direito do cérebro.
Com o hemisfério esquerdo intacto, manteve suas capacidades intelectuais e logo voltou a ensinar, reger e escrever livros, embora a paralisia parcial prejudicasse suas aptidões como intérprete. É claro que um paciente de amusia não pode se beneficiar muito com um tratamento baseado em vozes ou instrumentos. Mas outras doenças, como o mal de Parkinson e o autismo, usam a música como terapia auxiliar poderosa. Os sons são capazes de evocar reações estimulantes:

– A música nos tira de nossos hábitos mentais congelados e faz nossas mentes se movimentarem como habitualmente não são capazes. Quando somos envolvidos por música bem escrita, temos uma compreensão que supera a da nossa existência mundana e, em geral, está além da lembrança. Quando o som cessa, voltamos para nossas cadeiras de rodas mentais – diz o pianista.

Várias experiências científicas confirmam o poder terapêutico da música. Pacientes que acabam de ouvir Mozart se saem melhor em alguns tipos de testes de raciocínio que os que não ouviram música alguma ou ouviram música popular simples. O neurologista Oliver Sacks fala de um paciente gravemente retardado, que só era capaz de desempenhar tarefas complexas se ouvisse música. Isso acontece porque, para esse tipo de indivíduo, a música organiza o cérebro de uma forma que a experiência comum, caótica, não consegue fazer.
Outra paciente de Sacks, com mal de Parkinson, testemunhou o imenso poder da música sobre ela, comparando o seu movimento ao movimento da própria vida. Obviamente, a música não repara os neurônios defeituosos que causaram a doença, mas ajuda o parkinsoniano a vencer seus sintomas ao transportar o cérebro para um nível de integração acima do normal.  Mas a música só pode ajudar um paciente com Parkinson se for de um tipo que corresponda ao seu gosto, afirma Jourdain. Música clássica poderia fazer maravilhas, num caso, enquanto em outro só um rock teria resultado. Isso mostra, acrescenta o pianista, que a música não funciona de forma passiva como remédio, mas exige que o paciente participe, gerando um fluxo de antecipações musicais. É mais ou menos o processo que acontece com qualquer bom ouvinte.
Na ABBR, os grupos de vítimas de acidente vascular cerebral confirmam a teoria. Como no caso do engenheiro A.R., os pacientes das sessões de musicoterapia se animam quando a profissional toca ao iano alguma canção que os marcou na juventude. A partir daí, procuram atiçar a memória, articulando com crescente eficiência frases que remetem a um período anterior à doença. Isso pode não ser a cura, diz Paula, mas é um salto importante na qualidade de vida.
Embora o gosto musical seja importante no tratamento, a música não é uma panacéia universal, segundo Jourdain:

– O paciente, antes de mais nada, precisa ser musicalmente sensível e tem de estar na disposição de espírito certa, para ser dominado pela música. E a música tem de ser exatamente do tipo certo. Ritmo percussivo agudo pode fazer um paciente entrar em espasmos, como uma marionete, e canto monótono revela-se fraco demais para trazer benefício.

Jourdain vai além na comparação entre tipo de música e comportamento. Em anos recentes, conta ele, donos de lojas descobriram que transmitir música clássica para a rua afasta traficantes de drogas. E Mozart tem sido tocado em shopping centers europeus para expulsar adolescentes ociosos.

Estresse: O Assassino Silencioso

Na segunda quinzena de julho, o mundo surpreendeu-se com a notícia de que a espaçonave russa, a estação espacial Mir (paz), ficara sem energia por uma ordem errada do comandante Vladimir Tsibliev.

O médico, que cuida dos tripulantes, Igor Goncharov, explicou, com a maior naturalidade, que o engano fora resultante do estresse do comandante. Nunca a palavra estresse ganhou tamanha notoriedade em circunstâncias tão dramáticas.

Formatação/Editoração modificada por AADF

E o que é estresse? Não há ainda uma definição para o mesmo nos compêndios de patologia médica. É o dicionário Aurélio que nos diz que o estresse (em bom português) é "o conjunto de reações do organismo a agressões de ordem física, psíquica, infecciosa, e outras capazes de perturbar a homeostase" (equilíbrio).

Hoje o termo estresse é amplamente usado na linguagem atual e nos meios de comunicação. Designa uma agressão, que leva ao desconforto, ou as conseqüência desta agressão. É uma resposta a uma demanda, de modo certo ou errado.

O estresse corresponde a uma relação entre o indivíduo e o meio. Trata-se, portanto, de uma agressão e reação, de uma interação entre a agressão e a resposta, como propôs o médico canadense Hans Selye, o criador da moderna conceituação de estresse. O estresse fisiológico é uma adaptação normal; quando a resposta é patológica, em indivíduo mal-adaptado, registra-se uma disfunção, que leva a distúrbios transitórios ou a doenças graves, mas, no mínimo agrava as já existentes e pode desencadear aquelas para as quais a pessoa é geneticamente predisposta. Aí torna-se um caso médico por excelência. Nestas circunstâncias desenvolve-se a famosa síndrome de adaptação, ou a luta-e-fuga (fight or flight), na expressão do próprio Selye.

Segundo a colocação dada ao estresse por este autor, num congresso realizado em Munique, em 1988, "o estresse é o resultado do homem criar uma civilização, que, ele, o próprio homem não mais consegue suportar". E, em se calculando que o seu aumento anual chega a 1%, e que hoje atinge cerca de 60% de executivos (veja uma pesquisa anexa), pode-se chamar de a "doença do século" ou, melhor dizendo, " "a doença do terceiro milênio". Trata-se de um sério problema social econômico, pois é uma preocupação de saúde pública, pois ceifa pessoas ainda jovens, em idade produtiva e geralmente ocupando cargos de responsabilidade, imobilizando e invalidando as forças produtivas da nação; e é mais importante ainda no Brasil que, por ser um país ainda jovem, exclui da atividade pessoas necessárias ao seu desenvolvimento. Não se sabe exatamente a incidência no Brasil, mas nos Estados Unidos gastam-se de 50 a 75 bilhões de dólares por ano em despesas diretas e indiretas: isto dá uma despesa e 750 dólares por ano por pessoa, que trabalha.

A vulnerabilidade hereditária, mais a preocupação com o futuro, num tempo de incertezas, de um o país que estabiliza a moeda, mas aumenta o número de desempregados, ao mesmo tempo em que a qualidade de vida piora, existem os medos do envelhecimento em más condições, e do empobrecimento, além de alimentação inadequada, pouco lazer, a falta de apoio familiar adequado e um consumismo exagerado. Todos são fatores pessoais, familiares, sociais, econômicos e profissionais, que originam a sensação de estresse e seu conseqüente desencadeamento de doenças, de uma simples azia à queda imunológica, que pode predispor infecções e até neoplasias.

A Universidade de Boston elaborou um teste rápido e auto-aplicável (anexo), onde você pode "medir" o nível de seu estresse.

Se você passou incólume, pare de ler o artigo.

Mas, se você se "encontrou" nos itens apontados, mesmo em nível baixo, siga cuidadosamente a exposição.

O Que Provoca o Estresse?

São os grandes problemas da nossa vida que, de modo agudo, ou crônico, nos lançam no estresse. Diversos pesquisadores notaram que a mudança é um dos mais efetivos agentes estressores. Assim, qualquer mudança em nossas vidas tem o potencial de causar estresse, tanto as boas quanto as más. O estresse ocorre, então, de forma variável, dependendo da intensidade do evento de mudança, que pode ir desde a morte do cônjuge, o índice máximo na escala de estresse, até pequenas infrações de trânsito ou mesmo a saída para as tão merecidas férias.

Certos eventos em nossas vidas são tão estressantes, que caracterizam a situação de trauma (lesão ou dano) psíquico. Recentemente as ciências mentais reconheceram uma nova síndrome, batizada de Distúrbio de estresse pós-traumático, uma verdadeira doença, pertencente ao estudo da angústia. Tornou-se bem sistematizada a partir da volta dos "viet-vets", ou veteranos da guerra do Vietnam. Esta doença ocorre com quadros agudos de angústia, grave e até invalidante, quando a ex-vítima é exposta a situações similares, tornando a desencadear todos os sintomas ansiosos severos, que conheceram durante a violência a que estiveram submetidos: são os "flash-backs", que revivenciam as situações traumatizantes.

Isto não é aplicado apenas a veteranos de guerra; vejam-se os crescentes índices de violência urbana e as suas vítimas, que vivem quadros de desespero permanente, quando não atendidos adequadamente em serviço psiquiátrico de reconhecida competência na área. Bombas, acidentes automobilísticos ou aéreos, desabamentos, assaltos com extrema violência, seqüestros prolongados, estupros, etc. são causas comuns do distúrbio de estresse pós-traumático. O tratamento costuma ser demorado, mas tende a um bom prognóstico.

Quais São as Bases Funcionais do Estresse ?

Da Silva, um cirurgião americano do século passado, foi o primeiro a perceber que soldados feridos só caíam prostrados após alcançarem a meta: isto é, lutavam ainda sob efeito de ‘adrenalina’. O fisiologista Walter Cannon observou que as reações alerta/luta e fuga em animais desencadeavam um maciço aumento das catecolaminas urinárias (substâncias decorrentes do metabolismo da adrenalina).

O cientista que estudou pela primeira vez o estresse, Hans Selye descreveu uma resposta fisiológica generalizada ao estresse, caracterizada pela seguinte seqüência:

A percepção de um perigo eminente ou de um evento traumático é realizado pela parte do cérebro denominado córtex; e interpretado por uma enorme rede de neurônios que abrange grandes partes do encéfalo, envolvendo, inclusive, os circuitos da memória;

Determinada a relevância do estímulo, o córtex aciona um circuito cerebral subcortical, localizado na parte do cérebro denominada sistema límbico, através das estruturas que controlam as emoções e as funções dos sistemas viscerais (coração, vasos sanguíneos, pupilas, sistema gastrintestinal, etc.) através do chamado sistema nervoso autônomo. Estas estruturas são a amídala e o hipotálamo, principalmente. A ativação dessas vias vai causar alterações como dilatação pupilar, palidez, aceleração e aumento da força das batidas cardíacas e da respiração, ereção dos pelos, sudorese, paralisação do trânsito gastrintestinal, secreção da parte medular das glândulas adrenais (adrenalina e noradrenalina), etc.; e que constituem os sinais e sintomas da ativação tipo luta-ou-fuga descrevidos por Cannon;

Ao mesmo tempo, o hipotálamo comanda uma ativação da glândula hipófise, situada na base do cérebro, com a qual tem estreitas relações. No estresse, o principal hormônio liberado pela hipófise é o ACTH (o chamado hormônio do estresse), que, carregado pelo sangue, vai até a parte cortical (camada externa) das glândulas adrenais (situadas sobre os dois rins), e provocando um aumento da secreção de hormônios corticosteróide. Estes hormônios têm amplas ações sobre praticamente todos os tecidos do corpo, alterando o seu metabolismo, a síntese de proteínas, a resistência imunológica, as inflamações e infecções provocadas por agressões externas, etc. O seu grau de ativação pode ser avaliado medindo-se a quantidade de cortisol no sangue.

Essa descarga dupla de agentes hormonais de intensa ação orgânica: de um lado a adrenalina, pela medula da adrenal, e de outro, os corticóides, pela sua camada cortical, levaram os cientistas a caracterizar essas glândulas como sendo o principal mediador do estresse.

Essas respostas são normais em qualquer situação de dano, perigo, doença, etc. Assim, dizemos que existe um certo nível de estresse que é normal e até importante para a defesa do organismo, ao qual denominamos de eustress. O perigo para o organismo passa a ocorrer quando a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal se torna crônico e repetido. Nesse momento, começam a surgir as alterações patológicas causadas pelo nível constantemente elevado desses hormônios.

Assim, reconhece-se que o estresse tem três fases, que se sucedem quando os agentes estressores continuam de forma não interrompida em sua ação:

A fase aguda

Esta é a fase em que os estímulos estressores começam a agir. Nosso cérebro e hormônios reagem rapidamente, e nós podemos perceber os seus efeitos, mas somos geralmente incapazes de notar o trabalho silencioso do estresse crônico nesta fase.

A fase de resistência

Se o estresse persiste, é nesta fase que começam a aparecer as primeiras conseqüências mentais, emocionais e físicas do estresse crônico. Perda de concentração mental, instabilidade emocional, depressão, palpitações cardíacas, suores frios, dores musculares ou dores de cabeça freqüentes são os sinais evidentes, mas muitas pessoas ainda não conseguem relacioná-los ao estresse, e a síndrome pode prosseguir até a sua fase final e mais perigosa:

A fase de exaustão

Esta é a fase em que o organismo capitula aos efeitos do estresse, levando à instalação de doenças físicas ou psíquicas.

Problemas Causados pelo Estresse

O estresse pode ser causador e/ou agravador de uma série de doenças, que vão da asma, às doenças dermatológicas, passando pelas alérgicas e imunológicas; todas elas relacionadas de alguma forma à ativação excessiva e prolongada do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.

Na área do sistema digestivo, é sabido por todos que o estresse pode desencadear desde uma simples gastrite, até uma úlcera: o famoso cirurgião Alípio Corrêa Neto, da USP e da Escola Paulista de Medicina (hoje Universidade Federal de São Paulo), dizia que se alguém afirmasse, há 20 anos atrás, que a úlcera péptica era psicossomática (leia-se somatoforme), ririam dele; hoje, se deixasse de dizê-lo, ririam dele.

Mas, é principalmente em nível de coração, ou mais precisamente, em nível das coronárias, que o estresse pode ser um matador silencioso.

Uma ativação repetida e crônica do sistema nervoso autônomo, numa pessoa que já tenha problemas de lesão da camada interna das artérias coronárias (aterosclerose), provocadas por fumo, gordura excessiva na alimentação, obesidade ou colesterol elevado, etc., vai levar a muitos problemas, tais como diminuição do fluxo sanguíneo adequado para manter a oxigenação dos tecidos musculares cardíacos (miocárdio). Isso leva à chamada isquemia do miocárdio, que é acompanhada de dores no coração (angina), principalmente quando se faz algum esforço, e até ao infarto do coração (ataque cardíaco), provocado pela morte das células musculares do coração, por falta de oxigênio. A adrenalina tem o poder de contrair esses vasos, agravando o problema de quem já os tem com o diâmetro reduzido pelas placas. O resultado para essas pessoas pode ser até a morte, que muitas vezes acompanha um estresse agudo.

Outros problemas comuns são a ruptura da parede dos vasos enfraquecidos pela placa aterosclerótica, ou a trombose (entupimento completo do vaso coronariano). Um pequeno coágulo (trombo) pode desencadear uma cascata de coagulação, que também pode levar à morte. O nível elevado de adrenalina também pode provocar alterações irregulares do ritmo cardíaco, denominadas de arritmias ("batedeira"), que também diminuem o fluxo de sangue pelo sistema cardiovascular.

Outros sintomas

No campo clínico (somático) os distúrbios ainda ditos ‘neuro-vegetativos’ são comuns: quadro de astenia (sensação de fraqueza e fadiga), tensão muscular elevada com cãibras e formação de fibralgias musculares (nódulos dolorosos nos músculos dos ombros e das costas, por exemplo), tremores, sudorese (suor intenso), cefaléias tensionais (dores de cabeça provocas pela tensão psíquica) e enxaqueca, lombalgias e braquialgias (dores nas costas e nos ombros e braços), hipertensão arterial, palpitações e batedeiras, dores pré-cordiais, colopatias (distúrbios da absorção e da contração do intestino grosso) e até dores urinárias sem sinais de infecção.

O laboratório clínico fornece outros detalhes indicativos da intensa ativação patológica no estresse: aumento da concentração do sangue e do conteúdo de plaquetas (células responsáveis pela coagulação sangüínea), alteração do nível de cortisol, alterações de catecolaminas urinárias e alterações de hormônios hipofisários e sexuais, além dos aumentos de glicemia (açúcar no sangue) e colesterol, este por conta do LDL, ou o ‘mau colesterol’.

Sintomas psíquicos

Nas ocasiões estressantes, e mesmo fora delas, manifesta-se uma gama de reações de ordem psicológica e psiquiátrica. Ou, pelo menos temporárias, perturbações de comportamento ou exacerbação de problemas sociopáticos.

Os problemas ansiosos com a sintomatologia clínica, além de irritabilidade, fraqueza, nervosismo, medos, ruminação de idéias, exacerbação de atos falhos e obsessivos, além de rituais compulsivos, aumentam sensivelmente. A angústia é comum e as exacerbações de sensibilidade com provocações e discussões são mais freqüentes.

Do ponto de vista depressivo, a queda ou o aumento do apetite, as alterações de sono, a irritabilidade, a apatia e adinamia, o torpor afetivo e a perda de interesse e desempenhos sexuais são comumente encontrados.

Existem também as "fugas", que todos conhecemos. Quando não se apela para a auto-medicação com ansiolíticos (um perigo!), a pessoa refugia-se na bebida e mesmo no consumo de drogas ilícitas de uso e abuso, além de aumentar a quantidade de cigarros fumados, quando for fumante.

São estas as condições da derrocada à qual o estresse leva a pessoa, principalmente quando esta tiver uma personalidade hiperativa.

Como Diminuir o Estresse ?

Em um excelente artigo sobre estresse, principalmente no trabalho (e a maior parte de nós trabalha), o psiquiatra Cyro Masci sugere medidas profiláticas iniciais, secundárias e terciárias. Mas, em resumo, quando possível, devemos parar para pensar; para nos darmos a liberdade de termos um tempo para refletir sobre cada um de nós e seus esquemas pessoais, familiares, sociais, de trabalho, de estudos e até econômico-financeiros. Devemos reformular a vida, procurando reduzir as áreas geradoras de estresse. Um bom psiquiatra pode nos ajudar nesta tarefa.

Muitas vezes haverá a necessidade de uso concomitante de um tratamento medicamentoso, geralmente através dos modernos antidepressivos serotoninérgicos (ISRS) com ou sem ansiolíticos e/ou beta-bloqueadores por um tempo definido: começo, meio e fim.

Quando já existe um quadro orgânico instalado, desde uma simples gastrite a asma ou alteração cardiorrespiratória, a busca de atendimento clínico é fundamental. A correção da alteração clínica é imprescindível. E esta pode ir de um simples a complexo tratamento ou resumir-se somente às necessárias mudanças do modo de viver, incluindo lazer ou uma pequena prática esportiva constante (porque não uma caminhada diária?, que faz bem a qualquer um de nós).

Mas, a principal atitude ainda é um alerta ao modo de viver e de trabalhar com as vivências e com as emoções que a vida nos proporciona. E aí está verdadeira e milenar sabedoria.


[1] DR. VLADIMIR BERNIK, Médico psiquiatra (pela AMB/ABP e pelo CFM). Coordenador da Clínica de Estresse de S. Paulo. Ex-Professor Regente de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas de Santos (até 1995). Consultor do Comitê Centre for Health Economics da Organização Mundial da Saúde junto à Universidade de York. ex-presidente da Sociedade de Hipnose Médica de São Paulo e ex-vice-presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose. Médico do Trabalho (MTb – 1982) e integrantes da primeira turma de Especialistas em Medicina do Trabalho da AMB/ANAMT (janeiro de 1984). Ex-médico perito do Instituto Médico Legal de S. Paulo e perito judicial. Autor do "Primeiro Curso de Psiquiatria para o Médico Clínico" e de mais 158 trabalhos científicos. publicados.