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A Mata Atlântica finalmente desvelada

O parceiro e grande amigo Miltinho Astronauta que além de grande capoeira e pai dedicado é um dos maiores estudiosos na área do meio ambiente, acaba de ter um trabalho publicado na conceituada revista BIOLOGICAL CONSERVATION em parceria com outros dois pesquisadores que tem como tema A Mata Atlântica Brasileira: Quanto sobrou e como está distribuída a floresta remanescente? Implicações para a conservação. Fica a dica de leitura oportuna… aprovetando o Dia da Terra que será comemorado na próxima quarta feira – 22/04.

Luciano Milani

Na última quarta-feira (9), uma edição especial da conceituada revista Biological Conservation foi publicada na Internet e provou que a união entre sociedade civil, governo e centros acadêmicos pode render bons frutos para a natureza. Tudo graças ao artigo científico A Mata Atlântica Brasileira: Quanto sobrou e como está distribuída a floresta remanescente? Implicações para a conservação, escrito por profissionais da Universidade de São Paulo em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e com a não-governamental SOS Mata Atlântica. Nele, os autores fazem um raio-x completo e inédito sobre todos os remanescentes de um dos biomas mais ameaçados do planeta.

A idéia de se estudar a divisão geográfica dos fragmentos florestais da Mata Atlântica e as possíveis estratégias para sua conservação surgiu há quase dois anos, durante uma reunião dos editores da revista, na Europa. Entre eles, estava Jean Paul Metzger, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e responsável pela sugestão. “Eu propus uma edição especial com doze textos sobre o ecossistema. Ficou super completo, pois juntamos as melhores cabeças para falar do atual estado de preservação e o que devemos fazer”, explica.

Ao voltar para o Brasil, Jean questionou Milton Cézar Ribeiro, seu aluno de doutorado em Ecologia de Paisagens, sobre o interesse em desenvolver um trabalho amplo acerca dos fragmentos da floresta mais desmatada no país. Resposta positiva, eles convidaram outros três pesquisadores para completarem a equipe e iniciaram as análises com base em dados já coletados pelo Inpe e SOS – os mesmos que serviram para a confecção do último Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado em parceria pelas duas instituições.

De acordo com Flávio Ponzoni, pesquisador do Inpe e um dos autores do artigo, o atlas é apenas um diagnóstico do bioma como um todo. Muito diferente do que se vê na Biological Conservation. “Neste estudo o Milton foi bem além. Ele pegou os polígonos e fez uma abordagem mais ecológica disso. Viu os tamanhos, o efeito de borda e discutiu em quais sentidos os esforços para a conservação deveriam ser feitos”.

Surpresas e dificuldades

Os resultados de 18 meses de pesquisa são surpreendentes. “Até agora não existiam informações básicas atualizadas sobre o quanto, onde e como estavam distribuídos os remanescentes da floresta, o que dificulta o estabelecimento de políticas para cuidar das espécies”, disse a O Eco, do Canadá (onde faz parte da tese), Milton Ribeiro, autor principal do estudo. Segundo ele, trata-se da maior área já analisada com este nível de detalhamento em todo o mundo.

O trabalho seguiu padrões rígidos de qualidade. Além de incluir nas análises todos os fragmentos com menos de cem hectares (excluídos pela SOS no Atlas), os pesquisadores foram a campo verificar massas de vegetação teoricamente subestimadas pelo banco de dados disponível. O esforço teve recompensa: em vez de restar apenas 7% do ecossistema, como diz o senso comum, é possível que a Mata Atlântica cubra de 11,4 a 16% do seu território original.

“A notícia ruim é que há muitos fragmentos pequenos. Eles representam um terço da Mata Atlântica e eram excluídos de outros estudos. Achava-se que eles não tinham valor para a conservação, mas sabemos que não é bem essa a estratégia!”, diz Metzger, cuja opinião é compartilhada por Milton. Para o futuro doutor, os conjuntos de mata inferiores a cem hectares podem não ser suficientes para manter populações de animais e plantas estritamente florestais, mas são fundamentais para a dispersão de indivíduos, o fluxo gênico e a redução do isolamento entre frações maiores.

“Ao mesmo tempo, existem espécies que precisam de menos área disponível para sobreviver. Além disso, caso haja menos fragmentos, o sucesso no processo de dispersão diminui, o que pode reduzir a variabilidade genética em longo prazo e prejudicar a biodiversidade”, completa Ribeiro. Apesar da boa notícia em relação ao tamanho real da Mata Atlântica, uma informação tirou o sono dos autores do estudo: apenas 1% da floresta sobrevive em unidades de conservação, muito longe dos 10% recomendados internacionalmente.

Estratégias de conservação

Outras descobertas também apontam para um cenário difícil na proteção do bioma, rico em biodiversidade e em avanços de atividades insustentáveis. Quase a metade da vegetação em pé, por exemplo, sofre o “efeito de borda” por estar a menos de cem metros de ambientes alterados por ações humanas – sejam áreas agrícolas, urbanas ou pastagens. As conseqüências desta proximidade são perturbações como pragas, ventos mais intensos e série de outros problemas capazes de desestabilizar os ciclos naturais.

“Até podemos manter esta área produtiva, mas de outra forma. Algumas alternativas são agroflorestas, plantações de mudas exóticas, ou seja, algo que estimule sistemas que tenham misturas com componentes arbóreos. Basta tentar fazer com que o contraste seja menor”, avalia Metzger. Outro importante impasse é a distância média entre os derradeiros resquícios de árvores: quase um quilômetro e meio. A baixa conectividade, explica Ribeiro, pode causar extinções locais.  

O artigo científico, que também contou com a colaboração de Márcia Hirota (SOS Mata Atlântica) e Alexandre Camargo Martensen (USP), não faz apenas um diagnóstico, mas sugere caminhos para manter e restaurar o ecossistema. Um deles é criar unidades de conservação de proteção integral com os maiores fragmentos, como aqueles da Serra do Mar. No interior de estados como São Paulo, Minas gerais e Pernambuco, onde os resquícios são pequenos, é preciso interligar a mata com uma linha de mosaicos em parceria com propriedades privadas. Neste caso, as políticas públicas devem visar o suporte às reservas legais e a aquisição de novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).

Para tanto, uma das prioridades é definir onde estão as matas originais e em estágios sucessivos de crescimento. De acordo com Metzger, a diferença entre elas e as secundárias é grande. Mas nada que tire a importância das últimas. “Temos uma comparação boa em São Paulo entre esses dois tipos de vegetação. Enquanto na primária vivem 160 espécies de aves, na replantada, que é contínua, existem apenas cem”. Independente do valor é sempre melhor que a floresta esteja de pé, e não deitada.

 

Em homenagem ao Dia da Terra e ao amigo Miltinho Astronauta.
 
Ola Mestres Amigos,
 
Tudo bem!
 
JC, Milani, Joel,
 
Saiu na Folha.
Sabe como eh, sou capoeira, mas também sou dedicado ao meio ambiente (entenda-se proteger a capoeira, noutro sentido… mas sem extremismos).
 
Ai hoje ta “ecoando” um trabalho que encabecei a publicação [[A Mata Atlântica Brasileira: Quanto sobrou e como está distribuída a floresta remanescente? Implicações para a conservação; revista BIOLOGICAL CONSERVATION]]… Passeiem pelas paginas, se for o caso.
 
 

O Dia da Terra foi criado em 1970, pelo Senador norte-americano Gaylord Nelson, que convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição, protesto esse coordenado a nível nacional por Denis Hayes. Esse dia conduziu à criação da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

 

A partir de 1990, o dia 22 de Abril foi adoptado mundialmente como o Dia da Terra, dando um grande impulso aos esforços de reciclagem a nível mundial e ajudando a preparar o caminho para a Cimeira do Rio (1992). 

 

Actualmente, uma organização internacional, a  Rede Dia da Terra coordena eventos e actividades a nível mundial que celebram este dia.

 

 

Bairro de Fortaleza cria moeda própria e enriquece

Banco Palmas dá até 90 dias para pagar empréstimos e, acredite, sem juros. Moradores montam negócios e desenvolvem a região.

Em plena capital do Ceará, um bairro onde algo diferente passa de mão em mão. A palma é uma moeda que só circula no Conjunto Palmeiras. Cada palma equivale a R$ 1. Esse cantinho de Fortaleza ainda tem outra surpresa: um banco próprio, só dos moradores. A idéia surgiu há onze anos.

“A grande pergunta que nós nos fazíamos na época era: por que somos pobres? Nós já construímos um bairro e fizemos mutirões. A resposta mais simples era: nós somos pobres, porque não temos dinheiro. Se não temos dinheiro, somos pobres. Parecia óbvio”, lembra o coordenador do Banco Palmas, Joaquim Melo.

Só parecia. Uma pesquisa feita, na época, mostrou que o consumo de todos os moradores do bairro chegava a R$ 1,3 milhão por mês.

“O grande problema era que todos os produtos vinham de fora. Tudo se comprava, da coisa mais simples, como uma vassoura ou um sabão. Até mesmo um corte de cabelo era feito fora do bairro. Na verdade, as pessoas não eram pobres. Elas se empobreciam, porque perdiam as suas poupanças internas. Então, já tinha aqui uma base monetária que se esvaziava como um balde furado. Tudo ia para o ralo”, conta seu Joaquim.

Então, como segurar esse dinheiro dentro do bairro? E como incentivar o comércio e a criação de pequenas empresas no local? A resposta veio com o banco e com a nova moeda.

Funciona assim: o Banco Palmas recebe reais do Banco do Brasil e paga 1% de juro ao mês. Aí, o Banco Palmas empresta para os moradores que querem montar um negócio com juros mensais que variam de 1,5% a 3%. Essa diferença é o que sustenta o banco.

Darcília de Lima e Silva foi uma das primeiras clientes. Hoje, ela toca uma confecção, mas faz questão de contar como era a vida na região, quando ela chegou, há mais de 30 anos.

“Era uma favela dentro do mato, onde não tinha água encanada, não tinha saneamento, nem energia. A gente vivia dentro do mato mesmo”, lembra a microempresária.

Os moradores transformaram o que era uma grande favela em um bairro. Dona Darcília e mais 12 amigas conseguiram um empréstimo no banco e criaram a Palma Fashion, uma grife popular. No início, eram apenas três máquinas e alguns metros de tecido. Hoje, são 44. E elas chegam a entregar 2,5 mil peças por mês.

“Do lucro total, 50% são repartidos em salários. Com a outra parte, a gente faz investimentos”, revela dona Darcília, coordenadora do Palma Fashion.

Os jovens também têm vez. Com um empréstimo, um grupo criou a Palma Limpe, uma pequena fábrica de produtos de limpeza. Elias Lino dos Santos é o chefe da turma. Menino pobre, ele passou a infância trabalhando para ajudar a mãe. Mesmo assim, conseguiu entrar na Universidade Federal do Ceará (UFC), onde faz o curso de filosofia.

“Esse trabalho me dá o necessário, para que eu mantenha a minha vida, possa me alimentar, me vestir, ajudar a minha mãe e possa manter o curso que eu faço. Embora o curso seja em uma universidade pública, tenho muitos custos. E os custos são altos, como passagem, livros e xérox. Então, meu trabalho permite que eu faça isso, além de me dar uma responsabilidade”, explica o coordenador da Palma Limpe, Elias Lino dos Santos.

Os produtos são um sucesso no Conjunto Palmeiras. Da feira ao supermercado, eles já disputam espaço com outros de marcas famosas.

O banco também faz empréstimos pessoais, nesse caso, a moeda são as palmas. Os clientes têm até 90 dias para pagar e, acredite, sem juros.

A vendedora autônoma Sonivanda Holanda vende roupas e cosméticos. Ela pediu ajuda, porque o dinheiro para as despesas acabou antes do fim do mês.

Nome limpo no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), Serasa, comprovação de renda, avalista: o Banco Palmas não exige nada disso para conceder o empréstimo. Basta apresentar, no balcão, a identidade e o CPF. O mais importante é que tem que ser morador do bairro.

É claro que existem alguns cuidados para evitar o calote. Por exemplo, a ficha do cliente passa por uma análise, só que um jeito nada comum: quem dá as informações sobre a pessoa que está tentando o crédito é a própria comunidade. E aí, dependendo do que os vizinhos disserem, nada feito e adeus, dinheiro!

Givanilson Holanda, o Gil, é o analista de crédito do banco, o homem que libera o dinheiro. Uma das missões dele foi checar com os vizinhos a ficha de dona Sonivanda.

Uma vizinha conta que dona Sonivanda mora no bairro há muitos anos. Outra afirma que ela é uma boa cliente e que emprestaria R$ 100 a Sonivanda.

“A pergunta chave é: você teria coragem de emprestar tanto para ela? Dois vizinhos disseram que sim. Afirmaram, com certeza, que emprestariam. Por mim, o crédito dela está aprovado. Pode pegar o dinheiro”, explica Gil.

Já com as cem palmas na mão, ela foi direto ao mercado comprar os mantimentos que estavam faltando. Quem paga na moeda do bairro ainda ganha desconto.

“Tive um desconto de 5%. Foi ótimo! Gosto de comprar sempre com palmas, porque a gente tem dois meses de prazo. Mas eu sempre pago antes, porque o bairro cresce”, diz dona Sonivanda.

Pelo jeito, o supermercado atrai mais clientes e fatura mais.

“O concorrente que só aceitava real já dançou. Com a moeda palma, a gente põe combustível, paga água, luz, telefone e, se sobrar, a gente pode trocar por real. Não tem perda”, garante o comerciante Sena Pereira de Souza.

Em uma década, o Banco Palmas ajudou a criar 50 pequenas empresas e a experiência se multiplicou. Hoje, há outros 40 bancos comunitários em sete estados. No Conjunto Palmeiras, essa ideia provocou mudanças no dia a dia das pessoas. Mais que isso: incentivou muita gente a se valorizar.

“Acho que se eu pudesse reduzir em uma palavra seria superação, superação de preconceitos, por sermos jovens. É uma superação de desafios. É a prova de que nós somos capazes”, constata Elias Lino dos Santos, coordenador da Palma Limpe.

“Quando comparo a minha vida de quando cheguei aqui com a minha vida de agora, eu me lembro de uma canção que sempre gosto de cantar: ‘Sabor de mel’. ‘A minha vitória hoje tem sabor de mel’, como diz a canção. A minha irmã liga para mim, às vezes, e diz que quando lembra do sofrimento que passou aqui não tem nem vontade de passear por aqui. Eu digo para ela vir, porque agora está diferente. Agora, ela vai ver pelo Globo Repórter. Estou feliz por isso”, finaliza dona Darcília.

Fonte:

http://g1.globo.com/globoreporter/0,,MUL1052010-16619,00-BAIRRO+DE+FORTALEZA+CRIA+MOEDA+PROPRIA+E+ENRIQUECE.html

FSM aborda impactos e disputas no território quilombola

“A política para os negros no Brasil e no mundo e os impactos causados no território quilombola” foi o tema de uma palestra ontem (29), na Universidade Rural do Pará (UFRA). A atividade reuniu entidades negras de todo o país, como a Associação das comunidades negras rurais quilombolas do Maranhão (Aconeruc-MA) e o Quilombo de Jambuaçú, do município paraense de Mojú.

Durante o evento o professor Kabemgele Munanga, que nasceu na República Democrática do Congo e que há 35 anos vive no Brasil e ministra as disciplinas de Antropologia e Relações Raciais na Universidade de São Paulo falou sobre a demarcação do território quilombola e das leis que legitimam a posse dessas terras, ressaltando que a questão é polêmica.

“Entre a lei e o cumprimento existe um abismo, apesar de em alguns estados as famílias já terem a titulação. Mas, existem cerca de 2000 comunidades quilombolas no Brasil e menos de 10% tem o registro das terras. Ter o registro da terra não resolve muita coisa porque faltam escolas, saneamento básico, energia elétrica e muitos já foram expulsos por falsos donos e vivem sob ameaças de empresários”, conta.

De acordo com Benedito Cunha, coordenador da Aconeruc-MA, nos anos 80 o governo federal desapropriou do município de Alcântara terras de 300 famílias de 10 comunidades, para a implantação de um centro espacial. Atualmente, existem 22 mil habitantes distribuídos em 162 comunidades quilombolas nas imediações do centro, que lutam para receberem o título das terras, já que existe o projeto para a construção de uma base para lançamentos de foguetes no local.

Benedito Cunha, Coordenador da Aconeruc, falou sobre a luta pelas terras das comunidades quilombolas do Maranhão:

“Várias famílias foram deslocadas para propriedades menores e inférteis e sem terem emprego tiveram que ir para a capital morar em bairros periféricos. Interditamos as obras da base, tirando as máquinas e o Incra já fez o levantamento e nos deu a possa das terras, mas nosso medo é que tenhamos que sair por causa dos impactos, já que o centro fica praticamente nos nossos quintais”, esclarece.

Benedito Cunha ressalta ainda que “a empresa responsável pelas obras da base culpa as comunidades quilombolas, dizendo que elas atrasam o desenvolvimento do país”. “O Roberto Amaral, que é dono da empresa binacional ACS, que surgiu por causa de uma acordo firmado entre o Brasil e a Ucrânia tem espaço na mídia para dizer que somos culpados pelo atraso nas obras, mas queremos apenas nossos direitos”, destaca.
 
 
Texto e Fotos: Emanuelle Oliveira
Jornalista e integrante da Cojira-AL

Fonte:  www.cojira-al.blogspot.com

Conselho Nacional de Justiça cria programa que reúne projetos em defesa da infância

Brasília – Um programa que reúne o Cadastro Nacional de Adoção e projetos para registro civil de todas as crianças e adolescentes, combate à prostituição infantil, seqüestro internacional e reinserção social de menores em conflito com a lei. Essa é a definição do programa Nossas Crianças, lançado hoje (12), em Brasília, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Conselho Nacional de Justiça cria programa que reúne projetos em defesa da infância

Em parceria com o governo do Distrito Federal, essas ações serão planejadas num edifício próximo à rodoviária de Brasília, que fica no ponto mais central da capital do país. O edifício, que já foi sede do Touring Club do Brasil (de serviços automobilísticos), estava abandonado e servia de ponto para prostituição de menores, tráfico e consumo de drogas e abrigo para moradores de rua.

A idéia é que, por meio de parcerias com os governos estaduais, as ações do programa cheguem a todo o país. No Distrito Federal, o projeto é reforçado por meio de outro, também lançado hoje: o ExpressAção, com quatro unidades móveis que vão atuar na periferia, servindo de salas de aula para oficinas de capoeira, artes, esportes e atividades produtivas.

“Na verdade temos um regime de co-responsabilidade. Temos as Varas da Infância e da Adolescência. Então, temos aqui uma grande responsabilidade nesse setor. Só que não podemos fazer nada sozinhos, como o governo também não pode fazer nada sozinho. Temos que celebrar essas parcerias, de modo que não estamos fazendo crítica nenhuma e sim uma autocrítica”, afirmou o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, presente ao lançamento.

Apadrinhado pelo vocalista da banda de rock mineira Jota Quest, Rogério Flausino, o programa também conta com a parceria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) – os jogadores da seleção brasileira entrarão em campo com faixas sobre os direitos da criança na sociedade.

“Eu não tenho dúvida de que muito do que não acontece para esses meninos [em termos de oportunidade] é uma falta de atenção da sociedade. Às vezes, as famílias desses meninos já estão tão dilaceradas, muitas vezes porque o pai e a mãe vêm da mesma situação. A gente tem que ir lá, salvar esses garotos, por meio da escola, desses caminhões, que param e mudam a vida de um menino”, disse Flausino.

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, detalhou a atuação das unidades do ExpressAção: “As carretas têm professores de capoeira que vão para a periferia, aulas de todo tipo de esporte, aulas de dança, desenho, educação, tudo o que tem a ver com o resgate da criança para a cidadania. Aonde chegar uma carreta dessas, vai chegar alegria, esperança.”

Gilmar Mendes mencionou ainda outros projetos do CNJ, que devem chegar a todo o Brasil em breve: “No CNJ, há um banco de idéias. Por exemplo, há um programa aqui na Vara da Infância do Distrito Federal, chamado Anjos do Amanhã, que estamos tentando projetar para o Brasil todo. Esse é o nosso trabalho, um trabalho de mediação, de colocar esses programas à disposição de todos.”O Conselho Nacional de Justiça lançou um hotsite para o programa Nossas Crianças. Para acessá-lo, clique aqui. Nele, é possível obter informações sobre como se tornar voluntário.

Morillo Carvalho
Repórter da Agência Brasil – http://www.agenciabrasil.gov.br

Não deixem o Tendal Fechar – Tendal da LAPA em sp

NÃO POUPE TEMPO, NEM ESFORÇOS…
Após 16 anos de existência, o Espaço Cultural Tendal da Lapa corre o risco de fechar.
A Prefeitura do Município,  o Estado  e a Subprefeitura Lapa, propõem que o Tendal seja transformado em um poupatempo, ignorando sua história e sua importância não só
para a região, como para toda a cidade de São Paulo.
Atualmente o espaço cultural oferece  24 oficinas gratuitas  para para a população, do teatro à escultura, passando pela dança, graffiti, canto, circo, mosaico e gaita.
Além de oferecer espaço para ensaios, exposições, shows, teatro, concertos e convivência. Tudo sempre gratuito.
Se você não concorda com o fim da Casa de Cultura, envie um email de protesto para as autoridades abaixo, com cópia para vivaotendal@uol.com.br . Eles são os responsáveis pelo fechamento da Casa de Cultura.
 
Paulo Magalhães Bressan – Subprefeito da Lapa
lapa@prefeitura.sp.gov.br , paulobressan@prefeitura.sp.gov.br 
Roberto Nappo – Chefe de Gabinete da Subprefeitura Lapa
rnappo@prefeitura.sp.gov.br 
Rosângela Mota Zanetti – Coordenadoria de Ação Social – Sub Lapa
rzanetti@prefeitura.sp.gov.br  
Carlos Augusto Calil – Secretário – Secretaria Municipal da Cultura – SMC
ccalil@prefeitura.sp.gov.br
Celino Cardoso- Deputado Estadual PSDB
ccardoso@al.sp.gov.br   – (11) 3886-6772/3886-6773
Vera Lucia Tokairim – Superintendência Poupatempo
vtokairim@sp.gov.br
Getúlio Cesar de Paula – Ouvidor do Poupatempo
gpaula@sp.gov.br
Acesse tambémo site:  www.vivaotendal.cjb.net e saiba como contribuir para que o tendal não feche. Seu apoio é muito importante!
O Tendal da Lapa fica na rua Guaicurus, 1100 – Lapa – SP
vivaotendal@uol.com.br

Assinatura decreto lei nº156/05 em homenagem a Zumbi dos Palmares

Olá todas e todos
 
A entidade A Mulhereda e O Movimento de Entidades Populares  de Salvador vem através desta comunicar  que a data da assinatura decreto lei  nº156/05  em homenagem a Zumbi dos Palmares lider negro responsável pela libertação dos negros no regime de escravidão do Brasil  através da inauguração  sua estatua na Praça da Sé, foi adiada.
 
O QUE :  Assinatura decreto lei  nº156/05  em homenagem a Zumbi dos Palmares
 
DATA: 25 DE NOVEMBRO DE 2005
 
LOCAL: Gabinete da Prefeitura Municipal de Salvador com a presença do Sr. Prefeito João Herinque, estarão presente nesta solenidade Ubiratã Castro ( Fundação Palmares), Jorge Conceição(Uniran)  Sergio Brtio ( Secretario de Governo), Sergio Barradas  (Vereador), Mônica Kalile (A Mulherada) Lazaro Duarte   (A Mulherada) Vania Galvão ( Vereadora)  João Bacelar(  Vereador), Gilmar Santiago (  Semur) , Valmir Assunção( Deputado Estadual) Walmir Castro ( Sky Reggae)  Jussara Santana  (Aspiral Do Reggae ) Ana (Acbantu) , Raimundo Bujão(Secad) Jaime Sodré(  Professor Historiador ) Gody    (Historiador  entre outras autoridades)
 
    cordialmente
    
    Monica Kalile
    Presidente
    
    www.amulherada.org.br
    7133267166/99259529
 
    Tema: Carnaval 2006 – Capoeira – Herança Africana
    Inscreva se já  carnaval 2006 – Campo Grande – Barra

Poupa tempo sim… no Tendal NÃO!!!

Olá Rui, olá a todo o pessoal que ocupa um espaço tão nobre, repleto de cidadania e cultura… 
O Tendal é assim!
No final da década de 90 e inicio de 2000 tive o imenso prazer de fazer parte desta "turma" fui membro da Escola Paulista de Circo e o Tendal funcionava a todo vapor.
É uma pena que o governo esteja a pensar em transformar o Tendal no Poupatempo da Lapa…
Abaixo segue o texto apresentado pelo amigo Rui Takeguma, responsável por ministrar aulas de Capoeira no Tendal. ( vale aqui fazer uma observação: As aulas, assim como as demais atividades oferecidas pelo Tendal da Lapa são para a comunidade… e inteiramente grátis! ), o texto aborda uma solução alternativa que ao meu ver serve com sobras e muito mais objetividade à implantação do Poupa tempo…
 
Luciano Milani


POUPATEMPO NA REGIÃO OESTE … POR QUE NÃO NA BARRA FUNDA?
De acordo com a Superintendência Poupatempo, do governo do Estado, uma pesquisa por eles realizada aponta a necessidade de um Poupatempo na região Oeste, mais precisamente na Lapa de Baixo. E os motivos que levaram à escolha do Espaço Cultural Tendal da Lapa para "sediar" este  novo Poupatempo são os seguintes:
 
• Proximidade com as estações de trens, Mercado da Lapa e terminal de ônibus.
• Área mínima de 6.500 m², com terreno disponível para vistoria de veículos.
 
Desta maneira, o futuro Poupatempo poderá atender não somente os moradores da região oeste, como também municípios vizinhos, e moradores de baixa renda servidos pelo transporte público da região.
Outro motivo que justifica a desativação do Espaço Cultural para a implantação do Poupatempo, ainda segundo a Superintendência Poupatempo, é o alto investimento. Seria dada a preferência para a recuperação de um patrimônio público, podendo assim contribuir com sua preservação, ao invés de um imóvel da iniciativa privada.
 
As informações prestadas pela Superintendência, via e-mail de sua ouvidoria, finaliza informando saber da importância das atividades culturais do Tendal da Lapa, e da garantia que tiveram da Subprefeitura Lapa, de que estas seriam mantidas em outros equipamentos públicos, nas proximidades do Tendal.
Apresentamos agora argumentos que de monstram claramente que, caso o Poupatempo seja instalado ao lado do Terminal Intermodal Barra Funda (que fica a menos de 3Km do Tendal), todos os quesitos acima serão contemplados e ainda se ganhará outras vantagens.
 
O Poupatempo Barra Funda estará ao lado das mesmas linhas de trens que na Lapa.
 
O Poupatempo Barra Funda estará ao lado da Av. Francisco Matarazzo, onde passam os ônibus que passam no terminal Lapa. E também estará ao lado de um terminal de ônibus (Terminal Barra Funda) com várias outras linhas, ou seja, mais linhas além daquelas que teria à disposição na Lapa.
O Poupatempo Barra Funda estará ao lado do Metrô, por onde passam mais de 140 mil pessoas por dia, o que não ocorre na Lapa.
 
O Poupatempo Barra Funda estará ao lado de um terminal rodoviário intermunicipal e interestadual, o que também não ocorre na Lapa. De acordo com o site do Metrô são 168 linhas de ônibus que atendem a 466 cidades.
 
Ou seja, na Barra Funda, o Poupatempo além de poder atender um número muito maior de cidadãos e cidadãs, não somente da cidade (trens, ônibus e metrô), como de municípios vizinhos e distantes, e também (porque não?) de outros estados, servidos pelos ônibus interestaduais do terminal.
Quanto à área disponível: exatamente ao lado do Terminal Barra Funda, existem terrenos ociosos dos Governos Estadual e Municipal com metragem superior a 6.500m². Outros terrenos públicos não ociosos mas explorados por empresas de estacionamento, também estão ao lado do Terminal. O que é preferível, desativar um estacionamento privado, ou uma casa de Cultura que oferece dezenas de cursos, shows e exposições para a população, sempre gratuito?
 
Na Barra Funda, poderá ser construído o prédio do Poupatempo com as características adequadas ao cotidiano do trabalho que lá será desenvolvi do, diferente do Tendal, onde o prédio terá de ser adaptado tendo que respeitar as limitações impostas pelo processo de tombamento pelo qual o Tendal passa. Pode ser que se gaste um pouco mais para construir o prédio na Barra Funda, mas será mais funcional, mais adequado.
 
Outras vantagens do Poupatempo Barra Funda, pensando no licenciamento de veículos, é que existem muito mais rotas de acesso na Barra Funda que no Tendal da Lapa. Na Barra Funda temos acesso pelos viadutos Antártica e Pacaembu, Avenida Marquês de São Vicente, Av. Francisco Matarazzo, Av. Pacaembu, além de maior proximidade com a Marginal Tietê. Já no Tendal temos a R. Guaicurus extremamente saturada e constantemente congestionada, infelizmente.
 
Na Barra Funda, o Poupatempo terá uma visibilidade política muito mais interessante!! Estará ao lado do Terminal Intermodal Barra Funda, do Memorial da América Latina, do Parque da Água Branca, do Espaço das Américas, Villa Country, Porto Alcobaça e Univer sidade Nove de Julho.
 
Com relação à mudança das atividades da casa de cultura para outro(s) local(is), isto é bem improvável. Primeiro é importante frisar que um Espaço Cultural não é um aglomerado de atividades. Existe o intercâmbio, a vivência com a diversidade, algo que ocorre no Espaço Cultural por excelência. Os demais espaços existentes próximos não têm condição de abraçar as atividades culturais do Tendal. Primeiro porque são muitas e com público numeroso. Segundo porque certas atividades lá acontecem justamente porque o local propicia seu desenvolvimento. Sair de lá é desaparecer. Mesmo assim é importante lembrar que as duas bibliotecas infanto juvenis são pequenas e já têm suas programações e especificidades. O Teatro tem sua programação e é de responsabilidade de Secretaria Municipal de Cultura. De qualquer forma lá não caberá as atividades do Tendal. A Biblioteca Francisco Pati está com seu auditório totalmente inutilizado, virou um depósito de inservíveis. Isso sem contar com a constante falta de verba e interesse pela Cultura.
 
Por fim, uma questão sempre levantada, mas nunca discutida: as enchentes no Tendal da Lapa. Como ficarão o Poupatempo e os carros vistoriados durante as enchentes? Boiando?
Nada melhor que termos na região um Poupatempo – na Barra Funda – e um Espaço Cultural, onde já está.
Viva o Tendal!
Movimento contra a desativação do Espaço Cultural Tendal da Lapa
 
visite o site: www.vivaotendal.cjb.net
vivaotendal@uol.com.br

Seminário Análise Conjuntural – Direitos das Crianças e Adolecentes

 
Convite

 

Seminário Análise Conjuntural
“15 Anos de Luta pela Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente”
 
O Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do DF convida para o Seminário Análise Conjuntural “15 Anos de Luta pela Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente”, a realizar-se no dia 13 de julho de 2005, às 9:00 hs, no Auditório da Legião da Boa Vontade, Quadra 915 Sul, Lote 75/76  Brasília/DF.
 
Solicitamos confirmar presença nos telefones (61) 3347 8524, ou por e-mail: forumdcadf@terra.com.br.
 
Programação:
9:00    Abertura
9:15    Conferência Magna “ Conjuntura dos 15 Anos de Criação do Estatuto da Criança e do Adolescente”
10:00  Desafios para Implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente no âmbito do Congresso Nacional
10:30  Coffee Break
10:45  Avaliação da Implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente no olhar dos Jovens
11:45  Posse do Fórum DCA-DF
12: 15 Encerramento      
 

Gilvan Alves de Andrade

Secretário Geral

Os males da Dioxina

Redação/Editoração/Formatação modificadas por AADF

 

 

Não é a toa que a Coca-Cola está voltando com as garrafas de vidro!

 

 

A Dioxina é uma substância carcinogênica que causa principalmente câncer de mama

Dioxinas são carcinógenos altamente tóxicos

 

 

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Edward Fujimoto, médico e gerente do Programa de Bem Estar/Programa de Promoção da Saúde do Castle Hospital, entrevistado por um programa de TV fez as seguintes advertências:

 

 

Ø      Não congele a sua água em garrafas ou utensílios de plástico, pois isso provoca a liberação de dioxina do plástico.

Ø   Não esquente alimentos em vasilhames de plástico no forno de microondas, especialmente alimentos que contêm gordura.

o        A combinação de gordura, alta temperatura e plástico, libera a dioxina no alimento que vai parar nas células do nosso corpo.

o        Use vasos de vidro refratário, pirex ou porcelana para aquecer alimentos.

§         Você tem o mesmo resultado… sem as dioxinas.

Ø   Sopas Lamen que adicionam água quente no invólucro de isopor ou qualquer tipo de comida semi-pronta/congelada com invólucro de plástico, próprio para ir ao forno ou microondas, devem ser removidas para um tipo de vasilhame mencionado acima para serem aquecidas.

o        Invólucro de papel não é ruim, mas não sabemos o que o papel pode conter, pelo que é mais seguro utilizar refratário de vidro, pirex ou porcelana.

o        Alguns restaurantes fast-food (MacDonalds) trocaram o invólucro de isopor pelo de papel por causa da dioxina.

Ø   O filme-plástico (saran wrap) utilizado para proteger e cobrir alimentos, quando aquecidos podem na verdade liberar, junto com o vapor condensado, a toxina do plástico no alimento.

o        Use papel toalha, é mais seguro.

Passe esta informação para os seus amigos e parentes

 

 

 

 

Prof. Luiz Fernando cref1 2873-T / RJ

Crença disfarçada

 
Apenas 0,49% da população de Salvador, considerada a cidade mais negra do país, se declara adepta das religiões afros
 

Adriana Jacob
 
Mãe Carmen do Gantois diz que muitos filhos do candomblé não se assumem como tal

Pouca gente sabe, mas a cidade gaúcha de Rio Grande é o município brasileiro onde mais pessoas afirmam ser adeptas de religiões afro-brasileiras. O dado consta no estudo Retrato das religiões do Brasil, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Na pesquisa, Salvador, que costuma ser considerada uma espécie de Meca quando o assunto são as religiões de matriz africana, aparece numa modesta 172a posição.

É isso mesmo. Menos de 1% dos soteropolitanos se declaram adeptos de religiões afro-brasileiras. No percentual exato, 0,49% da população da cidade mais negra do Brasil afirma crer na religião dos orixás, inquices e voduns. Entre os 5.507 municípios pesquisados, a capital baiana perde no item em questão para 171 localidades. No ranking das "dez mais", aparecem lugares de muito menos visibilidade, como Dezesseis de Novembro (RS), Carnaubeira da Penha (PE) e Divino de São Lourenço (ES).

O estudo, feito através do processamento dos microdados do Censo Demográfico 2000, causou polêmica entre babalorixás, ialorixás, e pesquisadores baianos. "Isso para mim não é surpresa nenhuma. Nossos ancestrais mascararam a religião, colocaram santos de igreja no lugar dos orixás, tiveram que negar sua origem. Isso se infiltrou no sangue e na mente de seus descendentes até hoje. Os próprios filhos do candomblé não se assumem como tal. Eu não condeno ninguém, são os resquícios da escravidão", afirma mãe Carmen Oliveira da Silva, ialorixá do Terreiros do Gantois, casa fundada em 1849.

Ela conta a história de uma adolescente que teve a foto publicada no jornal, associada a um terreiro. "Quando perguntaram na escola, ela disse que não era ela, negou. Muita gente não assume que é do candomblé, mas você vai numa festa para orixás e a casa está cheia", diz a sacerdotisa.

"Como o negro e sua cultura foram por demais desvalorizados, o que ocorre é que muitas pessoas preferem dizer que são da Igreja Católica. No fundo, é o racismo, a vergonha de sua condição de afro-brasileiro. Ainda existem aquelas pessoas que querem disfarçar", analisa a escritora, advogada e agbeni Xangô do também tradicional terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, Cléo Martins. "Já no Rio Grande do Sul, onde mais pessoas afirmam ser adeptas, a maioria é branca, então eles não têm essa crise de identidade".

O presidente da Fundação Palmares do Ministério da Cultura e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ubiratan Castro de Araújo, questiona a metodologia da pesquisa. "Se você perguntar qual a religião de uma pessoa na Bahia, a maioria ou não sabe, porque tem uma religião muito aberta, composta por várias coisas – ela vai no candomblé, na igreja, no centro espírita e na messiânica – ou diz que é católica porque foi batizada. A pesquisa em si é algo discutível, eu questiono essa metodologia porque ela não consegue perceber esse fenômeno sentido na Bahia", analisa o historiador.

Ele cita a si próprio como exemplo: "Eu integro a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos, no Pelourinho, e vou me tornar ogã de Obaluaê de um terreiro. A minha religião é de dupla pertença, ligada aos negros católicos e à tradição afro. O ideal então seria perguntar quais são suas religiões, no plural", afirma.

Cléo Martins considera que, entre algumas pessoas existe uma síntese entre o candomblé e o catolicismo. "O coração da gente é livre, mas essas pessoas que são realmente praticantes das duas religiões jamais vão declarar que são adeptas das religiões afro-brasileiras", opina a agbeni Xangô, que é responsável pelo Alaiandê Xirê do Afonjá.

Em algumas situações, a discriminação chega a se concretizar. O babalorixá Balbino Daniel de Paula conta que uma das suas filhas-de-santo perdeu o emprego depois que a fotografia dela, vestida com roupas do candomblé, apareceu em um jornal. "Ela tinha um bom emprego num escritório, mas depois disso foi demitida", conta Balbino, que pe responsável por outro respeitado terreiro, o Ilê Axé Opô Aganju, em Lauro de Freitas.

Na opinião do antropólogo e ogã de um dos mais antigos terreiro de Salvador, a Casa Branca, Ordep Serra, muita gente ainda é hostilizada pelo preconceito e pela intolerância religiosa. "Em Salvador e região metropolitana, a gente tem mais de dois mil terreiros, não é possível que o número de adeptos seja tão pequeno. Essas estatísticas não trazem a realidade. Acho que muita gente não se declara como praticante do candomblé até por influência africana, onde não existe essa coisa excludente de ser apenas de uma religião".