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Capoeira sem mestre

Temos visto ultimamente, principalmente em alguns países europeus, o surgimento de vários grupos de capoeira cuja característica é a de não se vincular a nenhum mestre. Grupos que se caracterizam pela autogestão, cujos próprios integrantes se revezam na tarefa de “puxarem” os treinos e comandarem as rodas. Grupos que não se vinculam a nenhuma “linhagem” de capoeira. Muitos desses grupos, inclusive, se baseiam em vídeos do YouTube e outras ferramentas virtuais para aprimorarem suas sequências de movimentos, golpes, etc.

Entendo que essa iniciativa é, a princípio, muito interessante, pois as responsabilidades são assumidas coletivamente, dentro do princípio de horizontalidade de poder, onde “ninguém manda em ninguém”, onde não existe hierarquia, a não ser pelo tempo de vivência na capoeira de cada um.

Todas as formas autogestionárias devem ser saudadas e valorizadas nesse mundo atual, pois significam formas alternativas de se viver em coletividade, criando novas sociabilidades que se contrapõem à perversa lógica do capitalismo, em que sempre tem que haver alguém para mandar (os que têm dinheiro, e consequentemente poder), e alguém para obedecer (os quem não têm).

Porém, não podemos esquecer que a capoeira não se trata de mera atividade física, ou outra atividade social qualquer. Trata-se de uma manifestação cultural originada de tradições muito profundas, com raízes na ancestralidade africana e na história de luta contra a escravidão no Brasil. Tudo que a capoeira é nos dias atuais, foi fruto de um processo histórico em que foram se acumulando vivências de homens e mulheres que muito sofreram e lutaram, para que essa tradição fosse mantida e chegasse até os dias de hoje.

O mestre de capoeira representa o elo entre esse passado de lutas e sofrimentos, e o presente onde se encontra a capoeira atualmente, espalhada pelos quatro cantos do mundo. O mestre de capoeira tem a missão quase sagrada, de não permitir que esse elo se rompa ! De garantir que os saberes envolvidos na prática da capoeira, sejam transmitidos de forma a respeitar esse passado, a valorizar essa história dessa gente, de manter a tradição viva, mesmo entendendo que a cultura é dinâmica e vai se transformando através dos tempos.

Arrisco dizer que existem princípios vinculados à prática da capoeira que, se não forem mantidos e respeitados, correm o risco de fazer essa tradição se transformar numa simples prática corporal, ou num mero produto comercial, ou ainda, apenas em mais uma modalidade olímpica (como aconteceu com o judô). E sabemos que a capoeira é muito mais do que isso !

Por isso, entendo que o papel do mestre é muito mais do que simplesmente ensinar um movimento ou um golpe. O mestre deve ser detentor de um conhecimento que vai sendo adquirido ao longo da vida, que vai muito além da sua capacidade física de realizar determinado movimento. Ele deve ser consciente sobre o papel de ser o responsável pela transmissão desses conhecimentos para as gerações mais novas. E por isso deve se preparar durante boa parte de sua existência para poder cumprir essa missão. Isso geralmente leva bastante tempo e por isso também não acredito em mestres de capoeira muito jovens. Eles ainda têm muito que aprender antes de se considerarem mestres.

Então, pergunto eu aqui com meus botões:  como esses grupos autogestionários lidam com isso ? Preocupam-se somente em aprender e aperfeiçoar os movimentos para aplicá-los no jogo ? E as questões históricas, ancestrais, ritualísticas, que peso têm para eles ? Que preparo possuem essas pessoas para lidarem com essas questões ?  O que a capoeira perde, quando é encarada somente como esporte ou prática corporal  ?

Ficam essas questões para reflexão, ou pra quem se aventurar a respondê-las !

Pedro Abib

* Sobre a Ilustração escolhida pelo Editor: Capoeira: sem mestre – Lamartine Pereira da Costa

Sobre o Autor:

O Professor Lamartine Pereira da Costa é um ícone da Educação Física Brasileira e faz parte do seleto grupo de profissionais que contribuíram decisivamente para a evolução acadêmica, técnica e científica dessa área.

O Livro:

O livro completou cinquenta e um anos de publicação. De uma certa forma, podemos dizer que o autor antecipou-se ao movimento de crescimento da capoeira e percebeu a importância que a capoeira viria a assumir no cenário cultural brasileiro.

A publicação é datada: é retrato de um momento em que se acreditava que a capoeira se fortaleceria como um método ginástico, ou como uma modalidade de luta, mais do que uma manifestação de forte conteúdo cultural, étnica e social. É um interessante registro de uma época da história da nossa capoeiragem.

Luis Renato Vieira

Palavra do Editor

Em tempo iremos publicar uma matéria mais ampla sobre o tema aproveitando esta fantástica chamada do nosso grande camarada Pedrão… que se esmerou na cronica… e fazendo a chamada!

Um tema nuclear, importante e que deve fomentar uma discussão mais aprofundada sobre o cenário do ensino da capoeiragem em todos os níveis.

Luciano Milani – Editor

TV Portal Capoeira: o novo canal da capoeira

Você faz o evento, no Brasil ou no exterior, e a gente vai lá registrar. Esse é o novo serviço que o Portal Capoeira oferece aos grupos, entidades e federações de capoeira. A partir de agora, você pauta o seu evento com pelo menos 30 dias de antecedência, para pautas no Brasil, e com 60 dias de antecedência, para pautas no exterior. E o Portal Capoeira desloca a sua reportagem da cidade de Brasília para qualquer parte do mundo para acompanhar ao vivo o seu Batismo, Troca de Cordas, Encontro ou Festival.

Essa é uma grande novidade em termos de cobertura jornalística, um serviço de reportagem especializado em capoeira. A TV Portal Capoeira já realizou coberturas experimentais nos festivais dos grupos Ibeca (Holanda e Alemanha), Alto Astral Capoeira (Portugal) e Aluá (Espanha). Veja como exemplo a reportagem sobre o grupo Aluá Capoeira no youtube (TVMano Lima).

A reportagem vai entrevistar o público, os promotores e os mestres e demais convidados de cada evento. Em seguida, as imagens são editadas e a matéria vai pro ar na página do Portal Capoeira e no youtube. A reportagem será supervisionada pelo jornalista Mano Lima, repórter de TV, colunista do Portal Capoeira, editor da revista Capoeira em Evidência e autor dos livros “Dicionário de Capoeira”, “Eu, você e a capoeira” e “A ginga dos mais vividos” e por Luciano Milani, editor do Portal Capoeira, professor e pesquisador.

Nessa parceria, o Portal oferece o serviço jornalístico gratuitamente. E o grupo que sugeriu a pauta arca com o transporte e estadia (alimentação e hospedagem) do repórter e, conforme a disponibilidade, do cinegrafista. A produção, será assinada pelo Portal Capoeira e editada em Português. Caso o grupo deseje e forneça um tradutor, será incluída uma legenda no idioma que o grupo indicar.

O vídeo editado poderá ser reproduzida e distribuído livremente, comercialmente ou não, pelo grupo. Com isso, os capoeiristas têm acesso a uma nova e eficiente mídia pra divulgar seus projetos e ações, com um investimento financeiro reduzidíssimo, uma vez que os custos de produção de vídeo são muitos altos, o que inviabiliza que os grupos menores tenham o seu próprio portfólio audiovisual.

 

Serviço:

Para agendar o seu evento e solicitar a presença da nossa reportagem, entre em contato com o jornalista Mano Lima, no email mano.lima@yahoo.com.br, ou nos telefones (61) 9190 4256 e 8101 0915 (Brasil), ou com Luciano Milani, editor do Portal Capoeira, no email mail@portalcapoeira.com, ou nos telefones + 351 938 304 080 e + 351 279 343 053 (Portugal)

Livro “A ginga dos mais vividos” é lançado na Bienal de Salvador

Não há limite de idade para a prática da capoeira. Esse é o tema do livro “A ginga dos mais vividos”, de autoria do jornalista brasiliense Mano Lima, colunista do Portal Capoeira e editor da revista Capoeira em Evidência.  O escritor está autografando a obra de 24 a 26 de abril de 2009, na Bienal do Livro, das 16 às 20 horas, no Centro de Convenções de Salvador (Bahia).

A obra aborda experiências de inclusão social com idosos a partir da capoterapia, terapia criada por Mestre Gilvan, baseada na capoeira e desenvolvida em vários estados brasileiros.  O livro está à disposição no estande da Editora IMEPH (estande 140).

Durante a sua permanência, na capital baiana, Mano Lima, que também é autor dos livros “Eu, você e a capoeira” e “Dicionário de Capoeira”, estará à disposição para participar de rodas e eventos de capoeira e divulgar suas obras.

Contatos com o autor: (71) 9158 7898, (85) 8796 3290, (85) 9981 0221, recados com Lucinda ou José. E-mail: mano.lima@yahoo.com.br.

Encomende e receba em casa meu livro “A ginga dos mais vividos” (capoeira na 3a. idade) Mano Lima – (61) 8407 7960

Editor da Revista Capoeira em Evidência. Colunista dos sítios  www.temnoticia.com.br e www.portalcapoeira.com
 
Blog:http://comunicacao.org.br/jk/content/blogcategory/42/41/

 

Blog do Portal – O Blog do Capoeirista

Um blog é um Web site de fácil utilização, onde pode publicar rapidamente pensamentos, interagir com pessoas e muito mais. Tudo GRATUITAMENTE.

Caracterização e Objetivos:

O “Blog do Portal” foi criado pensando na comunidade capoeirística e em todos os amantes da nossa CAPOEIRA, visando uma maior integração entre os capoeiristas dos quatro cantos do mundo.

Com o “Blog do Portal” voce estará conectado diretamente com outros capoeiristas e fará parte do grande universo de amigos e visitantes do Portal Capoeira, um dos mais conceituados e relevantes sites dedicados a nossa arte-luta.

O seu Web site grátis

Quando criar o seu blogue, pode alojá-lo gratuitamente no “Blog do Portal”. Basta escolher um URL disponível e está pronto para começar.

Pode escolher entre muitos modelos para o seu blogue; basta escolher aquele que melhor responde às suas necessidades. Para além disso, pode personalizar a estrutura do seu blogue, mudar o tipo de letra e as cores… tudo muito fácil. Se quiser um controle mais preciso sobre o esquema do seu blogue, também pode utilizar a funcionalidade Editar HTML.

Adicionar fotografias e vídeos à sua mensagem

Pode facilmente adicionar uma fotografia ao seu blogue, clicando no ícone de imagens na barra de ferramentas do editor de mensagens. As suas fotografias são então alojadas na sua conta. Adicionar um vídeo à sua mensagem é igualmente fácil. Para começar, basta clicar no ícone com a película que se encontra na barra de ferramentas do editor de mensagens ou nos icones no editor.

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Pode facilmente adicionar Mapas do Google ao seu blogue e em cada um de seus POSTS.
Para configurar esta ferramenta basta usar a Chave API do Google e configura-la em sua área de administração na aba WP-GEO.

Importar Posts de outros sistemas de Blog

Se você tiver posts ou comentários em outro sistema de blog ( Blogger, Technorati, DotClear, Greymatter, LiveJournal, Ultimate Tag Warrior, WordPress, Blogspot entre outros… ), o “Blog do Portal” pode importá-los para este blog de maneira simples e automatica. Para começar acesse sua area de administração e escolha o sistema a partir do qual pretende importar…

Criar o seu Blog em 3 passos simples:

  1. Criar uma conta
  2. Atribuir um nome ao seu blog
  3. Escolher um tema (+ de 100 temas a sua escolha!)

Agora que já conhece os 3 passos básicos, crie o seu Blog:

  1. CRIAR O SEU "BLOG DO PORTAL"

O Blog do Portal é mantido pelo Portal Capoeira – www.portalcapoeira.com

Tocantins: Entrevista com o Editor do Portal Capoeira: Luciano Milani

Entrevista realizada com o jornalista/editor do site Portal da Capoeira, Luciano Milani, que há 05 anos reside em Portugal, onde desenvolve pesquisas sobre a capoeira, sua história e seus desdobramentos. Tendo como fim único  repassar de forma clara e concisa aos internautas (capoeiristas ou não), dados, atualidades, história e informações maciças sobre essa cultura brasileira. Milani também é capoeirista e seu interesse inegável por esta arte, é exposto através de seu trabalho no site Portal Capoeira, no ar há quase três anos.
UFT – Universidade Federal do Tocantins
Campus Universitário de Palmas
TREJ 1 – 3º Período
Aryanna Barbosa de Carvalho
Aryanna:  Seu trabalho jornalístico é voltado para a edição do Site Portal da Capoeira?

Milani:   Sim, sou editor do Portal Capoeira….

Aryanna:  Fale mais sobre o jornalismo online.

Milani:   Olha me sinto pouco a vontade para responder…. já que não exerço a profissão, somente pela internet e dentro de um “target” muito especifico. Mas é claro que se você achar interessante, terei imenso gosto em ajudar.

Aryanna:  O que você considera mais importante no seu trabalho?

Milani:   Tenho como principal atividade profissional a qualidade (Responsável da Qualidade de uma Empresa). Sou professor de capoeira nas horas livres, e é claro jornalista “manco” ONLINE!

Aryanna:  Qual a maior dificuldade encontrada na sua profissão, ou seja jornalismo online?

Milani:   Falta de apoio e parcerias, a capoeira é mantida dentro de um grande véu de misticismo e  fantasias….

Aryanna:  Esses apoios (quando vêm) partem em sua maioria de empresas privadas ou governamentais?

Milani:   O apoio que me refiro é mão de obra, entenda que o Portal é hoje, sem falsas modéstias, um dos mais respeitados e importantes mecanismos online de informação direcionada. No entanto não temos parcerias financeiras ou apoios de empresas. O único meio de “sustento” do site é a propaganda gerada pelo Google.
Voltando ao apoio e a parceria, me referia á pessoas “qualificadas”, dispostas a somar e colaborar para a nossa arte. Acredite, faço tudo sozinho! Existem alguns grandes amigos e colaboradores, mas todo o trabalho de edição, revisão e diagramação é feito por mim. Nosso time tem 4 pilares: Prof. Acursio Esteves, o Jornalista Mano Lima, André Pessego, e Teimosia.

Aryanna:  Eles são seu ponto de apoio?

Milani:   Sim, depois tem os outros colaboradores que ajudam com menor intensidade mais são de fundamental importância para o conjunto. Minha principal bandeira é tentar trazer pessoas “qualificadas”, coerentes, para dentro do time. “Não esqueça de ver o quadro completo: sem verba, sem apoio, somente amor, e muita, muita força de vontade.”

Aryanna:  E este seria também um obstáculo para a manutenção do Portal?

Milani:   Sim, sem duvida.

Aryanna:  Há quanto tempo o Portal está no ar?

Milani:   O Portal está no ar, oficialmente há dois anos, irá completar 3 em agosto.

Aryanna:  Em todo esse tempo de funcionamento o assunto que você tenha abordado que considera mais relevante?

Milani:   A integração natural da capoeira na sociedade como poderosa arma de cidadania!

Aryanna:  Para que não ocorram certas violações no site Portal da Capoeira e a proliferação de pirataria em torno das músicas e artigos ali publicados, que medidas de   segurança são adotadas?

Milani:   Esta pergunta respondo com uma frase de um grande amigo, mestre e ser humano ímpar: “É preciso dar o exemplo. Fora isso não há mais nada que se possa fazer.” Existe outra pessoa que se me esquecesse de citar, estaria sendo muito injusto. Existe um amigo, que sem ele não existiria o Portal, um destes camaradas que nos espelhamos, um grande “mestre” da informação, pesquisador e também editor do Jornal do Capoeira, Miltinho Astronauta, sem ele nada seria como é, ele me ajuda sem querer. Ajuda com conversa, ajuda com motivação, ajuda como amigo. É claro que fomenta a pesquisa. Acredito que atualmente está aparecendo uma classe de capoeiristas preocupados com a pesquisa e a informação.

Aryanna:  Esse apoio é extramente significante, ainda mais como você anteriormente me  revelou, faz tudo sozinho…

Milani:   Veja casos de mestres de renome que tem tido uma enorme influencia na forma como a capoeira está fluindo. Cito alguns nomes: Mestre Berg, Mestre Kadu, Mestre Luiz Renato Vieira, mestre Zulu… Mestra Janja, entre tantos outros…

Aryanna:  Qual a indicação ou conselho que você deixaria para nós acadêmicos de jornalismo,  devido a suas experiências como tal?

Milani:   Vamos lá: Objetivo, antes de mais nada é preciso ter consciência do árduo caminho a percorrer. Força de vontade (qualidade de todo capoeirista), camaradagem (alguns poderiam chamar de politicagem) mais é fundamental criar um ambiente propício para a soma, para a possibilidade de alargar fronteiras…

Wellington e Milani
Aryanna Barbosa de Carvalho frequenta o curso de Jornalismo da UFT – Universidade Federal do Tocantins.

Dicionário da Capoeira recebe terceira edição

O Dicionário de Capoeira, escrito pelo jornalista e pesquisador Mano Lima, ganhou sua terceira edição, revista e ampliada. A obra foi lançada oficialmente no dia 24 de maio no II Festival Internacional Capoeira, em Roermond (Holanda).

Nessa terceira edição o Dicionário recebeu a colaboração, entre outros, do pesquisador Carlos Carvalho Cavalheiro que auxiliou na composição de mais de trinta verbetes.
 

Cavalheiro, pesquisador sério e dedicado da região do Vale do paraíba, contribuiu com informações sobre capoeiristas famosos como Mestre Damião, Mestre Ananias, Madame Satã, de pesquisadores com Pol Briand e Miltinho Astronauta (Editor do Jornal do Capoeira) e ainda sobre a capoeira, a pernada, a tiririca e outras formas regionais de capoeira.
  
Mano Lima (foto) atualmente está em viagem pela Europa para a divulgação dessa terceira edição do Dicionário. Pretende ainda, na volta para o Brasil, divulgar nas cidades brasileiras.
 

Os interessados em receber um exemplar em casa devem depositar a quantia de R$30 na conta do autor, Mano Lima, Banco do Brasil, agência 19, conta 21.987-8 e informar o endereço.
 

Mano Lima é jornalista, editor dos sítios www.portalcapoeira.com, www.jornalmundocapoeira.com
e  autor dos livros "Dicionário de Capoeira" e "Eu, você e a capoeira"
 

Monteiro Lobato: Futebol e Capoeira

Texto retirado do Site do meu grande camarada Miltinho Astronauta, que por agora anda muitíssimo ocupado com seus estudos, que no interesse da capoeira e da informação nos passou o berimbau enquanto termina seu mestrado.
Volte loga meu camarada pois o Jornal da Capoeira é um veicúlo fundamental dentro do universo capoeirístico.
Nós do lado de cá vamos segurar o jogo e continuar lutando e trabalhando para manter nossos leitores intretidos e repletos de informação.
 
Um grande abraço camarado…
 
Luciano Milani
Crônica extraída do livro Coleção dos Grandes Livros Brasileiros, volume V
 
Nota do Editor
 
Abrimos nossa série Clássicos da Literatura Capoeirística, com a famosa crônica "Nosso Jogo", de Coelho Netto.  O sucesso foi mais do que surpreendente, confirmando a importância de continuar a série. É o que fazemos hoje com outra famosa crônica, desta vez do extraordinário brasileiro, nacionalista, Monteiro Lobato " "O 22 da Marajó" (Coleção dos Grandes Livros Brasileiros " Volume V = Contos Leves. Companhia Editora Nacional, III Parte, 1935).
 
A exemplo da crônica de Coelho Netto, também esta, de Monteiro Lobato, já foi publicada em alguns jornais de capoeira, mas de modo incompleto, sem a primeira parte, onde Lobato faz uma interessante análise sobre o início da prática do futebol aqui no Brasil.  Nota-se aí, muito bem, o seu nacionalismo.  A Capoeira está fazendo trajeto inverso. O futebol veio de fora para dentro, Capoeira está saindo do Brasil para o mundo.  Pensando bem, isto não será um alerta para a nossa Capoeira?
 
Miltinho Astronauta
"O 22 da Marajó"  – Introdução
 

Esse delírio que por aí vai pelo futebol tem  seus fundamentos na própria natureza. O espetáculo da luta sempre foi o maior encanto do homem; e o prazer da vitória pessoal ou do partido, foi, é e será a ambrósia dos deuses manipuladas na terra. Admiramos hoje os grandes filósofos gregos, seus servos, porém admiravam muito mais aos atletas que venciam no estádio. Milon de Crotona, campeão na arte de torcer pescoços a touros, só para nós tem menos importância que seu mestre Pitágoras. Para os gregos, para a massa popular grega, seria inadmissível a idéia de que o filósofo pudesse um dia ofuscar a glória de lutador.
 
Em França, antes da surra homérica que lhe deu Dempsey, o homem verdadeiramente popular era George Carpenter, mestre em socos de primeira classe; e se dessem nas massas um balaço sincero  veriam que ele sobrepujava em prestigio aos próprios chefes supremos vencedores da guerra.
 
Nos Estados Unidos há sempre um campeão de Box tão entranhado na idolatria do povo que está em suas mãos subverter o regime político.
 
Entre nós há o exemplo recente de Friendenreich, um pé de boa pontaria pelo qual milhares de criaturas, sobretudo, crianças, são capazes de sacrificar a vida.
 
E os delírios coletivos provocados pelo embate de dois campeões em campo?  Impossível assistir-se a espetáculo mais revelador da alma humana do que o jogo de futebol em que disputam a primazia paulistas e italianos, em São Paulo.  Não é esporte, é guerra. Não se batem duas equipes, mas dois povos, duas nações, duas raças inimigas. Durante todo o tempo da luta, de quarenta a cinqüenta mil pessoas deliram, em transe, estáticas, na ponta dos pés, coração aos pulos e nervos tensos como cordas de viola.  Conforme corre o jogo, nas pausas de silêncio absoluto na multidão suspensa, ou deflagrações violentíssimas de entusiasmo que só a palavra delírio classifica.  E gente pacífica, bondosa, incapaz de sentimentos exaltados, sai fora de si, tornando-se capaz de cometer os mais horrorosos desatinos.
 
A luta de vinte e duas feras no campo transforma em feras os cinqüenta mil expectadores, possibilitando um esfaqueamento mútuo, num conflito horrendo, caso um acidente qualquer funda em corisco as eletricidades físicas acumuladas em cada indivíduo.
 
O jogo de futebol teve a honra de despertar o nosso povo de um marasmo de nervos em que vivia.  Antes d"ele, só nas classes médias a luta política tinha o prestígio necessário para uma exaltaçãozinha periódica.     É isso porque de todas os esportes tentados no Brasil só o futebol conseguiu aclimatar-se como o café. Hoje, alastrado de norte a sul, transformou-se quase em praga, conseguindo, só ele, interessar vivamente,  delirantemente, o nosso povo.
 
No Estado de São Paulo não há recanto, vilarejo, fazenda, bairro onde se não veja num chão plano e batido os dois retângulos opostos indicadores de um ground.  Pelas regiões novas, de virgindade só agora atacada pelos invasores, é comum topar-se de súbito. Em plena mata, uma clareira aberta e limpa onde, nas horas de folga, os derrubadores de pau vêm bater bola.
 
Já assistimos a um  match  em certa fazenda. Tudo muito bem arrumado; os players uniformizados, de meias grossas e botinas ferradas, tal qual nos clubes das cidades.  E falando em corners, goals, hands, half-times, a inglesia inteira dos termos técnicos.
 
Ao nosso lado o fazendeiro explicava:
 
– Aquele goal-keeper é carreiro; amanhã de madrugada está de pé no chão puxando lenha.  O center-half é madeireiro; está-me lavrando uma perobas na roça velha.  Os full-backs são tropeiros e os forwards, simples puxadores de enxada.
 
Era assombroso!  Estávamos diante da maior revolução de costumes jamais operada em terras de Santa Cruz. E tudo por arte e obra de uma simples esfera de estufada de ar…
 
Antes de futebol, só a capoeiragem [grifo do editor]conseguiu um cultuzinho entre nós e isso mesmo só nas classes baixas. Teve seus períodos áureos, produziu seus Friedenreichs, e afinal acabou perseguida pela polícia, com grandes magoados tradicionalistas que viam nela uma das nossas poucas coisas de legítima criação indígena.
 
Infelizmente não se guardou memória estreita desse esporte cujos anais se encheram de maravilhosas proezas.  Não teve poetas, não tem cantores, não teve sábios que as salvaguardassem do olvido; e de todo o nosso rico passado de rasteiras, rabos de arraias e soltas restam apenas anedotas esparsas, em via de se diluírem na memória de velhos contemporâneos. [grifo do editor]
 
Que se fixe, pois, em letra de forma, ao menos o caso do 22 da "Marajó", com tanto chiste narrado pelo maior humorista brasileiro, esse prodigioso Mark Twain inédito que é o Sr. Felinto Lopes.
Nota do Editor
 
Na semana passada publicamos a primeira parte do conto escrito por Monteiro Lobato (Coleção dos Grandes Livros Brasileiros " Volume V = Contos Leves. Companhia Editora Nacional, III Parte, 1935).  Na ocasião, levamos ao leitor a exposição apresentada pelo autor, onde mostrava o fascínio e intimidade que o brasileiro tinha com o futebol. Ao final daquele texto, Lobato faz uma crítica sobre a Capoeiragem que esta, naquela época (1935) em vias de ser esquecida.
 
De forma encantadora, Monteiro Lobato dá uma aula sobre Capoeira em seu conto que ora apresentamos ao Leitor.
 
Miltinho Astronauta
 
O Capoeira "O 22 da Marajó"  – O CONTO
 
O 22 da "marajó" era um imperial marinheiro, mestre em desordens e amigo de revirar de pernas para cima kiosques de portugueses. Rapazinho bonito, imperava na saída onde suas proezas de capoeira excepcional andavam de boca embora discutidas como façanhas de Rolando. E tais fez que o governo incomodado, deportou-o  para o norte, a servir no Alto Amazonas em canhoneira da flotilha estacionada no Pará.  A mudança de lima regenerou-se e o rapaz resolvendo tirar partido de seus dotes plásticos, ferrou namoro   com a mulher de um shipchandler, da qual se tornou amante.
 
O shipchamdler  morreu e o 22  casou-se com a viúva, herdeira de um paco de quatrocentos contos de reis.  Pediu baixa,  obteve-a e foi com a esposa em viagem de núpcias à Europa, onde permaneceu dois anos. Ao cabo regressou à pátria,  elegendo o Rio de Janeiro para residência definitiva.
 
Mas quanto mudara!  Transformado num perfeito gentleman, embasbacava a rua do Ouvidor com o apuro dos trajes, as polainas, as luvas, a cartola café-com-leite.
 
Quem é?  Quem é? Ninguém sabia.
 
– Algum fidalgo certamente cochichava.  Não vêem que modos distintos?
 
E o 22, impávido, patroneando, de monóculo no olhar, a olhar de cima para os homens e as coisas…
 
Tinha hábitos certos e todos os dias passava pelo Largo de São Francisco, como paca pelo carreiro.
 
Aconteceu, porém, que ali era ponto de uma roda de rapazes chiques, fortemente despeitados ante a esmagadora elegância do desconhecido, sinal perigoso, sem dúvida, em matéria de esporte feminino.       Os quais rapazes, depois de muito cochicho, deliberaram quebrar a proa ao novo concorrente, apenas aguardando para isso a boa oportunidade.
 
Certa vez em que o Petrônio passava mais imponente do que nunca, coincidiu aproximar-se da roda chique um capoeira mordedor, que se gabava de ser mestre em "soltas".
 
Quem sabe hoje o que é "solta", nesta época de kikees e shootes?  Solta era uma cabeçada sem hands, isto é, sem encostar a mão no adversário.
 
Mas o capoeira chegou e mordeu-os em cinco mil réis.
 
– Perfeitamente, responderam os rapazes, mas primeiro hás de sapecar uma solta naquele freguês que ali vai de monóculo.
 
– É já! Exclamou o capoeirista, gingando o corpo. E tirando o chapéu foi portar-se  na calçada  por onde vinha o 22, de martelo e monóculo sacudindo passos de lord, muito esticado dentro do seu croisé cortado em Londres.
 
– Um, dois,  três…Quando Petrônio o defrontou o capoeira avança e despeja-lhe uma formidável e primorosa cabeçada .
 
O desconhecido, porém, quebrou o corpo, e a cabeça do atacante foi de encontro à parede, ao mesmo tempo em que um pé bem manejado plantava-o no chão com elegantíssima rasteira.  O mordedor, tonto e confuso, ergueu-se para desabar de novo, cerceado por outra gentil rasteira.  Passara imprevistamente de agressor a agredido e, desnorteado, deu sebo às canalhas, indo apalpar o galo a cem passos à distância.
 
Enquanto isso o Petrônio, consertando a gravata com grande calma, dirigiu a palavra a assombradíssima roda elegante.
 
– Só  uma  besta  destas dá "soltas" sem negaças.  Já dizia o Cincinato Quebra-louças: soltas sem negaças só em lampião de esquina.
 
Comentário do Editor:
Reparem leitores, a lição de capoeira do "Mestre 22 da Marajó…
– Se "grampeasse", inda vá lá.  O Trinca-Espinhas, o Estrepolia, o Zé da Gamboa e outros praxistas admitem soltas neste caso, mas isto mesmo só quando o semovente não é "firme de letra".  E pirando a bengala  de unicórnio entre os dedos anelados, finalmente superior, concluiu num tom de saudade:
– Já gostei deste divertimento. Hoje minha posição social e o meio em que vivo não me permitem mais. Mas vejo com tristeza que a arte está decaindo…
E lá se foi, impertubável e superior, murmurando consigo:
 
– Soltas sem negaças…que  besta!
 
Os elegantes rapazes, passado o momento de estupor, planejaram solene desforra.  Contratariam o famoso Dente de Ouro da Saúde, para romper o baluarte e quebrar de vez a proa ao estranho personagem.     Tudo bem assentado, no dia do ajuste portaram-se no carreiro, com o rompe-e-rasga à frente.
É aquele! Indicaram-no, mal repontou a longe a cartola café-com-leite do Petrônio.   Dente de Ouro avançou "feito" para o desconhecido. Ao fronte-a-lo, porém, entreparou e abriu-se num grande sorriso palerma.
 
– Ó 22! … Você por aqui!?…
 
– Cala o bico moleque, e tome lá para o cigarro. Mas afaste-se, que hoje sou gente e  não  ando com más companhias, respondeu o Petrônio, correndo-lhe uma pelega de dez e seguindo caminho.
 
Dente de Ouro voltou para o grupo de elegantes, alisando a nota.
– Então? Perguntaram estes, desnorteados com o imprevisto desfecho.
 
– "Cês" tão bestas?  Pois aquele é o "22 da Marajó", corpo fechado p"ra sardinha e pé que  nunca "malou saque". Estrompear o 22 da "Marajó"?  Cês tão bestas!…

Músicas de Capoeira

 
Depois de uma pesquisa que fiz na internet, buscando músicas sobre Capoeira, consegui agrupar + de 100 músicas sobre o tema!

Este documento esta disponivel para download em nosso site na seção de Donwloads.

Se quiser ter s sua música publicada em nossa rádio, entre em contato atraves do seguinte endereço: mail@portalcapoeiras.com

 

* As musicas contidas neste documento (.pdf) são em sua maioria de domínio público.

Para baixar outras músicas e mídias para começar a cantar, Clique aqui.

 

 

 

Luciano Milani editor do Portal Capoeira, vive em Portugal é contramestre e pesquisador