Blog

elas

Vendo Artigos etiquetados em: elas

Lançamento do livro “Capoeira: uma herança cultural afro-brasileira” no Sesc de Piracicaba

Sesc de Piracicaba promoveu no dia 16 de novembrodas 10h às 12h, a sessão de autógrafos do livro Capoeira – Uma herança cultura afro-brasileira,  que acaba de ser lançado pela Selo Negro Edições. As autoras da obra, as pesquisadoras Leticia Vidor de Sousa ReisElisabeth Vidor, receberam os convidados no Ginásio de Eventos do Sesc, que fica Rua Ipiranga, 155 – Piracicaba – São Paulo.
Veja abaixo algumas fotos do lançamento, que aconteceu juntamente com o 9º Encontro de Capoeira Angola.

“A capoeira é ambígua, ao mesmo tempo jogo, dança e luta. Seus movimentos corporais privilegiam os pés e os quadris e, ao inverterem a hierarquia corporal dominante, colocam o mundo literal e metaforicamente de pernas para o ar”, explicam as autoras. Segundo elas, para entender o significado social e simbólico dessa inversão utiliza-se a linguagem do corpo como fonte principal de informação para enunciar as regras da gramática gestual da capoeira.Reconhecida hoje como um dos símbolos da cultura brasileira, a capoeira nem sempre teve esse status. Os adeptos foram perseguidos durante muitos anos, especialmente na passagem do Império para a República. Associada à vadiagem e à violência, a capoeira só deixou de ser considerada crime há pouco mais de 80 anos. Atendendo ao que preconiza a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino das culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas nas escolas, Elisabeth e Letícia decidiram se aprofundar no estudo do tema. No livro, elas retratam as origens sociais e culturais do movimento e mostram como a capoeira contribuiu para que os negros conquistassem e ampliassem seu espaço político e social no Brasil.

A partir de uma abordagem inovadora, é possível entender a capoeira também como uma forma de resistência do negro, desde o tempo da escravidão até os dias atuais. Entre as várias culturas de resistência negra desenvolvidas no país, a capoeira é uma das mais significativas, constituída com base em culturas provenientes da África. Dividido em três capítulos, o livro traz, com detalhes, a história da capoeira carioca no século 19. As autoras fazem uma interpretação antropológica dos movimentos corporais da capoeira para a compreensão da especificidade da relação entre negros e brancos no Brasil.

 

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//Capoeira

Foz do Iguaçu: Encontro Pedagógico de Capoeira

Mais de 700 alunos realizaram seu exame de faixa e puderam assistir a shows de grandes mestres de capoeira

Na tarde de sábado (27) o ginásio da faculdade Uniamérica recebeu o Encontro Pedagógico de Capoeira da escola Muzenza. Mais de 700 alunos de 15 escolas da cidade participaram da atividade e realizaram o exame de faixa.

O evento contou ainda com uma apresentação especial de Makulelê, outra de birimbau, e um show com grandes mestres de várias partes do Brasil. De acordo com o coordenador do projeto de capoeira pedagógica, Fabio Castilha, o objetivo deste evento é incentivar as crianças, “hoje elas vão ver alguns dos melhores mestres do Brasil dando um show de capoeira, elas percebem que qualquer um pode ser um mestre, basta ter força de vontade e não desistir”.

O projeto que leva capoeira para as escolas como parte da grade escolar já acontece há três anos. Os professores ensinam a tradição e os valores da capoeira para os pequenos que já se sentem motivados a continuar se dedicando a essa arte.

 

http://www.clickfozdoiguacu.com.br

Ponto de Cultura e Legião da Boa Vontade firmam parceria

Iniciativa dará continuidade a projeto de capoeira angola

O Ponto de Cultura ‘Batuque de Angola’ e a Legião da Boa Vontade (LBV) firmaram parceria para difundir a arte da capoeira angola. A iniciativa dá continuidade a um projeto que, durante os meses de agosto e setembro, ofereceu aulas de capoeira no espaço do Ponto de Cultura para crianças entre 7 e 11 anos atendidas pela LBV.

Segundo Jaquelene Linhares, coordenadora pedagógica do Ponto de Cultura, o projeto rendeu bons frutos. “As crianças mostraram muito interesse em continuar com as aulas de capoeira e a partir daí nós pensamos em abrir uma turma para que elas possam dar continuidade a essa aprendizagem”.

O projeto de extensão da LBV, coordenado pela educadora social Tatiane Souza, teve por objetivo passar conhecimento teórico e prático sobre a arte da capoeira para as crianças da instituição. “Elas adoraram as aulas. A maioria não conhecia e por não conhecer dizia que era chato, mas no final elas ficaram maravilhadas”, explica.

Para ela, o trabalho de divulgação da capoeira realizado pelo ‘Batuque de Angola’ despertou as crianças para a prática da atividade física aliada à difusão da riqueza da história e da cultura brasileira a partir das raízes africanas. “Durante a oficina elas puderam liberar as energias, conhecer os instrumentos e trabalhar questões como o respeito e a união”, destaca a educadora social.

Ponto

O Ponto de Cultura ‘Batuque de Angola’ atende a crianças e adolescentes do Bairro Industrial com aulas de capoeira e informática. O objetivo do projeto é promover o resgate da identidade cultural ligada às raízes africanas e a promoção da autoestima de jovens da comunidade.

A iniciativa do ‘Batuque de Angola’ é da Associação Abaô de Arte-Educação e Cultura Negra potencializada a partir da parceria da Secretaria do Estado da Cultura (Secult) e do Ministério da Cultura (Minc), através do Programa Cultura Viva. Em Sergipe, 30 instituições são beneficiadas pelo Programa ‘Pontos de Cultura’.

Através dessa parceria, iniciativas e projetos culturais já desenvolvidos por comunidades, grupos e redes de colaboração, são potencializados. Os Pontos de Cultura tem por finalidade fomentar a atividade cultural, aumentar a visibilidade das mais diversas iniciativas culturais e promover o intercâmbio entre diferentes segmentos da sociedade.

Fonte: Agência Sergipe de Notícias

Capoeira reciclada!!!

Hoje ao sair de casa para dar aula, queria fazer algo diferente, onde os alunos trabalhassem a percepção de atingir um objeto com uma tarefa simples de golpear algo. Mas a pergunta é: “Eu não possuo, nenhum aparador de golpes?” E agora!!! E infelizmente sabemos que investimentos com a Capoeira em Clubes, Escolas, Academias sempre são NULOS. Foi quando olhei para essas garrafas pets de refrigerante e tive uma grande ideia, quer dizer, não tão grande assim, e sim muito simples. Podemos usar essas garrafas de plástico, como aparador de golpes, Oh Oh Oh Oh Oh Oh!!! Olha só que utilização bacana. E com um pouco mais de trabalho, podemos deixar essas garrafas, como aparadores de chute, bem legais. Basta dar uma pintada, colocar um pedaço de cabo de vassoura, na boca da garrafa, para dar mais firmeza ao segurar, envolver com alguma fita e assim vai, o céu é o infinito. Basta ser criativo e lembrando para fazer isso, você pode ter a colaboração das crianças e explicando sobre meio ambiente, reciclagem, sustentabilidade e etc. Elas vão adorar…

Outra atividade que podem ser usadas essas garrafas pets, são como cones de treinamento, para fazermos golpes sobre os mesmos. Enchendo elas com areia para ficar mais pesada, se não vão sair voando pela sala. Mas lembrem-se, vocês estão dando aula para crianças, então, vede bem, se não essa areia, vai acabar pela sala toda.

Só mais uma dica, a segurança é de total importância. E como são crianças, as brincadeiras acontecem. Então conduza as atividades com total domínio e dinâmica do seu grupo e as crianças vão adorar e a Capoeira vai agradecer.

E agora é com você, comente aqui embaixo, como você poderia utilizar esse material de apoio para dar uma aula bem bacana e divertida de Capoeira Infantil. Pode ser qualquer tipo de aula, lúdica, técnica e etc. Use a criatividade e colabore com todos nós educadores, que utilizamos a Capoeira como meio. Abraços e até a próxima

Fonte: http://berimbrasil.com.br

Rodas femininas: incentivo ou discriminação?

Com a justificativa de incentivar a participação de mulheres na capoeira, muitos grupos fazem rodas femininas ou têm um momento na roda no qual só as mulheres jogam.
A intenção pode ser boa, mas separar às mulheres dos homens será mesmo um incentivo para que elas joguem?
É certo que algumas mulheres, normalmente as iniciantes, preferem jogar entre mulheres. Mas não seria mais adequado incentivá-las a superar esse receio jogando com todos, ao invés de acomodá-las nessa situação de insegurança?
A ideia de separar para incluir parece contraditória pois toda mulher capoeirista pode e deve jogar com os homens. Negar isso é  colocar a mulher em uma situação de inferioridade, portanto esta não é a melhor forma de mostrar às mulheres que elas também têm espaço na capoeira.
Fazer uma roda só de mulheres, como uma homenagem em uma data especial, é uma atitude legal, de reconhecimento e, portanto, muito bem vinda.
Mas alimentar hábito de fazer rodas separadas ou um momento à parte para as mulheres abre espaço para a discriminação.
É a união, e não a divisão, que anda de braços dados com a igualdade.


Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

I Batizado e Entrega de Cordas do Projeto Gingando pela Paz no Haiti

Após um ano de labuta realizamos o I Batizado e Entrega de Cordas do Projeto Gingando pela Paz no Haiti. Sem dúvida um momento que irá permanecer em nossas lembranças. Dentre os momentos mais emocionantes, a caminhada pelo bairro de Bel-Air, considerado zona vermelha pela ONU, e o batizado dos nossos alunos, que teve início com o batizado do pequeno Bimba. filho de haitiano e francesa, o pequeno foi registrado com o nome do grande mestre após seus pais assistirem ao documentário, exibido no Centro Cultural do Brascil no Haiti. Um momento marcante.

Mais infomações sobre o evento

Este primeiro ano foi repleto de lutas, muito trabalho, muitas dificuldades, foi sim. Porém, cheio de alegrias e realizações. As dificuldades serviram para testar nossa capacidade de seguir acreditando em nossos sonhos; nossas quedas, para nos ensinar a levantar, sacudir a poeira e seguir caminhando e nossas vitórias para nos mostrar que estamos no caminho certo e que nunca, “nunca-em-tempo-algum”, devemos desistir dos nossos sonhos (recordando Augusto Cury). Devemos seguir reinventando, recriando. Pois cada dia é novo, cada luta é nova e nos renova; cada sede é nova ( inspirado em belo, belíssimo poema de Elisa Lucinda). Devemos seguir nos apaixonando pela vida, pelo bem, pelo desejo de fazer o bem, renovando a nossa fé a cada instante, essa deve ser a nossa oração, sempre, estejamos caídos ou de pé.

Que este ano seja repleto de lutas, pois sem elas não há vitórias, realizações… E que o Grande Arquiteto do Universo nos permita ter sabedoria para elas; que saibamos a hora de pegar em armas e de esperar. E que nossas armas sejam:

C oragem: para arriscar

A stúcia: para enfrentar os obstáculos sem ir de encontro a eles.

P aciência: qualidade essencial para quem deseja ser um vencedor.

O uvir: pois a palavra é prata, mas o silêncio é ouro.

E sperança: sem ela não existe sonhos.

I nteligência: para transformar os momentos difícies em oportunidades de aprendizado.

R esponsabilidade: consigo e com os outros.

A mor: esta Energia maravilhosa capaz de realizar os maiores milagres, de mover a maior de todas as montanhas: a nossa própria vontade.

E, claro, muita Ginga pela Paz, pela Harmonia, pelas coisas bonitas (inspirado em música da Fernandinha Abreu)

Fraternal Abraço a todos em nome da família Gingando pela Paz!

Saudade
Contramestre em Capoeira
Coordonnateur Projet Gingando pela Paz
www.vivario.org.br
Mobile: (509) 38540202
http://flaviosaudade.wordpress.com

Alagoas: 1º Encontro Alagoano Feminino de Capoeira

A comunidade feminina capoeirista sabedor que o povo alagoano vem demonstrando cada vez mais um interesse por nossa cultura e tradição, sempre mantendo viva a chama do folclore brasileiro, vem pensando há tempos em realizar algo inédito no Estado de Alagoas: 1º Encontro Alagoano Feminino de Capoeira (1º ENAFEC).

Muitos eventos femininos já form realizados mas em Grupos de Capoeira e com presença dos homens. Este não tem Grupo e não terá participação masculina (exceto na roda mista). Nossa capoeiristas mostrarão neste evento que a mulher também tem um papel importante na capoeira.

Elas estarão se integrando e se conhecendo para que juntas possam mostrar sua força. Este evento será realizado no SESC Poço, nos dias 31/10 e 01/11/2009 e será uma forma de divulgar e conscientizar a população feminina como é importante a arte da capoeira.

Capoeira, prostitutas e ronaldinhos

Nesta matéria retirada do conceituado Jornal O Estado de São Paulo, Mônica Manir, faz uma dura critica a atual situação de rispidez” e o “espiríto da xenofobia e intolerância” que reina entre o Brasil e a Espanha. A jornalista ainda faz uma analogia ao estereótipo cultural brasileiro, produto de exporação e coloca a Capoeira junto com a MPB como nossa principal diplomata.

Leiam o texto e reflitam…

Luciano Milani

Para estudiosa da xenofobia, a imagem do País lá fora pode influenciar decisões na alfândega

Mônica Manir – O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – A professora da Unesp Dalva Aleixo Dias morou na Espanha de dezembro de 1996 a agosto de 1999. Foi fazer doutorado em ciências da informação, cujo foco era “imprensa e imigrantes, a questão da xenofobia e do racismo”. Confirmou o que supunha: muitos jornais associavam manchetes negativas ao imigrante, ainda que o imigrante estivesse apenas fazendo uma ingênua festa de aniversário na sua comunidade. Por uma ingenuidade, Dalba, como era oficialmente chamada, quase foi extraditada depois de uma resposta atravessada a um funcionário da estrangería, que desabafou: “Não preciso de documento algum seu, só quero que vocês todos voltem para o seu país”.

Conseguiu ficar até o final dos estudos. Conseguiu, inclusive, fazer amigos na Espanha. A lição que aprendeu é que a cultura da xenofobia contamina o institucional, principalmente em tempos de desemprego e de eleição no país de destino. Ainda que se cumpram as regras para passar pela fronteira, sobrevive uma imagem petrificada, que pode contaminar o futuro do imigrante. No caso do Brasil, a prostituição, o mundo do entretenimento e o futebol ainda compõem a moldura do nosso espelho. Que, aparentemente, deu uma trincada. Dalva reclama que só conhece acordos feitos para proteger o país de destino. “Tirando o dos exilados, não sei de um tratado que se preocupe com os imigrantes.”

A Espanha barrou a entrada de aproximadamente 950 brasileiros em pouco mais de dois meses, quase um terço do total de deportados ao longo de todo o ano passado. Há uma perseguição espanhola contra os brasileiros?

Existe uma lista de documentos que precisa ser preenchida quando se viaja para um determinado país. Ela deve ser cumprida, daqui para lá e vice-versa. A triagem, aliás, deveria ser feita no próprio consulado. Melhor do que deixá-la na mão de um funcionário da alfândega, que tem poder de polícia e pode barrar um imigrante durante 27 horas até a entrevista ou mesmo chamá-lo de cachorro (filhote) ou perro (cachorro). Muitas vezes esse funcionário não conhece a cultura do estrangeiro e baseia o aval ou a deportação numa visão preconceituosa.

Qual é a imagem dos brasileiros na Espanha?

Não somos vistos como latino-americanos, e sim como uma mescla de indígenas com africanos, junção de homem selvagem com homem irracional. Lembro de um documentário espanhol sobre o Brasil em que se lia a carta de Pero Vaz de Caminha com mulatas de fio dental ao fundo. Esse é o estereótipo. Quando vêem que alguns de nós têm traços que fogem ao padrão, recorrem a nossa ascendência para nos enquadrar como europeus. Vale a lei do sangue. Dizem: “Você não é mulata nem dança samba, então não é brasileira”. Mostrar que temos várias identidades, que as mulheres brasileiras podem, por exemplo, fazer faculdade, mestrado, doutorado parece inconcebível.

Contribui para esse estereótipo o fato de as brasileiras serem prostitutas muito requisitadas lá?

Sim, elas são as prostitutas mais bem-sucedidas. Recebem cerca de 20 salários mínimos por mês. Conheci cubanas que se faziam passar por brasileiras para conseguir mais clientes. A maioria já era prostituta no Brasil, algumas delas com filhos e muitas delas migrantes internas. Saem do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste em direção ao Rio e São Paulo atrás de um lugar para ganhar o pão. Quando requisitadas para trabalhar na Europa, vão contratadas legalmente como dançarinas. Trabalham de março a dezembro, das 22h às 5h, na sala de fiestas, onde fazem shows seguidos de programas. Ganham bem, mas à custa de uma vida socialmente clandestina.

Elas não são donas de seus passaportes?

Não. O passaporte é retido pelo proprietário da boate, para quem elas já partem daqui devendo o dinheiro da passagem. Vivem sob vigilância cerrada. Até mesmo o taxista que as leva para o apartamento onde moram é contratado pelo dono da sala. As prostitutas não saem por nada, não convivem com a comunidade, compras de supermercado chegam até elas. Passam o dia assistindo à televisão, onde a imagem que se vê do Brasil é das piores.

Saem enganadas daqui?

O jogo para elas é claro. E as condições ruins nas quais sempre viveram as mantêm, de certa forma, conformadas com a nova situação. Mas acalentam o sonho de comprar uma casa para a família que ficou no Brasil e de casar com um europeu que aceite seu filho.

Há muitos garotos de programa também?

Sim, embora eu saiba de mais garotos de programa em Portugal. São contratados como animadores de festas na Espanha. Vi muitos com 18, 20 anos. As prostitutas têm entre 21 e 32 anos, média de idade dos jogadores de futebol.

As brasileiras que seguem os jogadores na Espanha acentuam esse rótulo de “mulheres fáceis”?

Eu diria que é o contrário: as espanholas é que ficam doidas pelos jogadores brasileiros. O que acontece é que muitos desses jogadores também passam a imagem de escravos. Em geral ganham mais do que ganhavam no Brasil, mas sofrem uma pressão terrível – desde o processo de contratação, quando a imprensa noticia que um clube está oferecendo certa quantia, mas o outro pode cobrir a oferta milionária. Ao chegar, precisam mostrar forma física impecável e corresponder de imediato ao investimento. Como as prostitutas, também ficam isolados, concentrados, longe de sua cultura, de sua comida, da mãe e do pai. A gaiola parece de ouro, mas é uma gaiola.

Como vive o grande número de músicos que migra para a Espanha?

A MPB entrou no circuito do jazz, da elite. O samba é sinônimo de alegria, de liberação. A música é a nossa maior diplomata, ao lado da capoeira. Muita gente aprende o português só para jogar com os capoeiristas. A capoeira se expandiu na modalidade angolana e numa mais rápida, que envolve saltos mortais, lembrando o circo chinês. Os capoeiristas se apresentam em hotéis de luxo com maculelê, tudo bem bonito, mas depois fazem uma performance com danças tribais africanas. Estamos literalmente ligados à África, de novo. Vale lembrar que esses capoeiristas, quando se machucam, não têm apoio nenhum do governo nem de quem os contratou.

A Comissão Européia estuda um pacote de leis para penalizar quem emprega imigrantes ilegais até com a prisão. A senhora acredita que ela levará isso adiante?

A clandestinidade não interessa a ninguém, a não ser àqueles que se beneficiam da mão-de-obra barata. Se estão dispostos a legalizar os imigrantes, parabéns! A Europa precisa de trabalhadores estrangeiros para crescer, seja na agricultura, nos trabalhos ditos domésticos, na pesquisa científica. Há lista de espera de mais de seis meses na Espanha para contratar um pedreiro. Falta mecânico, encanador, empregadas domésticas, babás, até enfermeiras. Se legalizadas, essas pessoas passariam com dignidade pelas fronteiras, diminuiria o preconceito social. Elas poderiam dizer: eu contribuo, no mínimo, com a seguridade social, não sou um peso para seu país.

Fonte: Mônica Manir – O Estado de S.Paulo – http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup140915,0.htm

Capoeira & Campanha para combater o trabalho infantil

A estação ferroviária João Felipe, no Centro, foi o primeiro espaço da campanha. As mobilizações serão feitas no dia 12 de cada mês

A Estação Ferroviária João Felipe, no Centro da cidade, virou palco dos dançarinos e capoeiristas do projeto Vida Nova, que atende cerca de 800 crianças e adolescentes no bairro Parque São José. Eles participaram ontem de manhã do lançamento da campanha pelo combate ao trabalho infantil. Até dezembro, segundo a coordenadora do Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil (Peti), Alyne Almeida, atividades de mobilização serão realizadas sempre no dia 12 de cada mês – alusão ao 12 de junho, Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil.

A intenção da campanha, segundo ela, é mobilizar tanto crianças quanto adultos. A estratégia, para os primeiros, será realizar pré-cadastros para visitas e inclusão delas no Peti, que hoje atende a 2.256 crianças e adolescentes. Já para os adultos, pretende-se sensibilizá-los a não comprar produtos vendidos por crianças ou usufruir de serviços prestados por elas, como de engraxate ou de flanelinha, e incentivá-los a denunciar situações assim. A meta, até o fim do ano, é incluir mais mil crianças e adolescentes no Peti, que é coordenado pela Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci).

A Estação João Felipe não foi escolhida por acaso. Alyne diz que o espaço é local de fluxo intenso de passageiros e de pessoas que fazem vendas ou oferecem algum serviço, dentre elas crianças e adolescentes. Por dia, segundo o assessor de comunicação da Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor), Fernando Mota, 25 mil pessoas circulam por lá. A próxima atividade da campanha será na Praia do Futuro no dia 12 de abril.

A doméstica Luciene Matias aproveitou a espera pelo trem para assistir às apresentações. Ela conta que, de vez em quando, encontra crianças e adolescentes vendendo produtos dentro do trem. "Às vezes eu acabo comprando algo, mas acho que é preciso haver uma instituição onde elas fiquem e a gente tem que ajudar". Luciene tem três filhos, com idades de 9, 10 e 16 anos. Todos, conforme ela, só estudam. "E brincam. Afinal, são crianças", acrescenta.

Contribuição

Cássio Morais, de 26 anos, é professor de capoeira do projeto Vida Nova, mas há cerca de 15 anos, vivia, como ele mesmo relata, exposto a riscos. Chegou a catar lata para conseguir algum dinheiro. Entrou para o projeto em 1993. "Sou fruto do trabalho que hoje desenvolvo. Depois que comecei a trabalhar no projeto, percebi a importância dessa atividade". Ele conta que sempre prepara os alunos para que eles assumam turmas novas. Além de dança e capoeira, o projeto, que é conveniado com a Funci, também oferece atividades como informática e complemento escolar.

SERVIÇO

Os telefones para denúncia de trabalho infantil são (85) 3452 2345 e 3452 2349

Fonte: http://www.opovo.com.br/

A mulher comprou o jogo

Na belíssima crônica “Mulher na capoeira: Claudivina Pau-de-Barraca”, a capoeira brasileira Lúcia Palmares, radicada na França, nos brinda com um relato magnífico que bem ilustra a presença da mulher na capoeira de outrora. De acordo a autora, na capoeira de outrora as poucas mulheres que ousavam entrar na roda eram rejeitadas pelos homens, que viam nisso uma intrusão em seu “território”.

Para demonstrar que as mulheres souberem driblar o machismo e conquistar o seu espaço, Lúcia homenageia mulheres capoeiristas que alcançaram notoriedade como Claudivina Pau-de-Barraca, Rosa Palmeirão e Maria Doze Homens, pioneiras na arte da vadiação, terreno antes monopolizado pelos homens.

A crônica serve de alerta. “Conheci as dificuldades que as mulheres enfrentaram tanto olhares, agressões verbais e xingamentos como desrespeito no jogo de capoeira ou do batuque, por terem tido a ousadia de entrarem naquele mundo sagrado dos homens”, destaca a autora.

De fato, como destaca a autora, há 20 anos era rara a presença da mulher na capoeira. Hoje em dia, em muitas escolas e academias elas são maioria. Mestre Pastinha, disse certa vez, em seu saber profético, que a mulher ainda iria dominar a capoeira. Não é exagero afirmar que a mulher comprou o jogo, entrou na roda, mas não abriu mão de sua identidade. Ao contrário, ao interagir com o vigor masculino, levou para a ginga a sensualidade, o aspecto lúdico, a graciosidade e a beleza estética.

Em tempo de exacerbada da violência urbana, muitas mulheres buscam na capoeiragem um meio de defesa pessoal. Outras a adotaram como terapia para modelar corpo e tonificar a mente. Muitas educadoras ganham a vida no ofício de ensinar a capoeira, enquanto algumas se dedicam ao artesanato temático, fabricando cordas, instrumentos de percussão e indumentária para a prática esportiva. De uma forma ou de outra elas ajudam a redefinir o corpo social que hoje caracteriza a nossa arte.

No entanto, a presença da mulher nas rodas de capoeira ainda é desproporcional à sua participação em instâncias dirigentes como as federações e associações de capoeira. Para alguns camaradas, a presença da mulher é bem vinda na roda, mas vista com desdém em postos de comando. Essa situação tende a ser revertida, afinal, quem joga, quem ginga, também pode dar rasteira na discriminação – ancorada no frágil discurso contra o “sexo frágil” – e conquistar o seu lugar ao sol no que diz respeito à liderança na capoeira.

Quando os homens capoeiristas compreenderem que a presença da mulher em todas as instâncias da capoeira contribuirá para o fortalecimento de todos, essa dicotomia vai desaparecer, a exemplo do que ocorreu no mercado de trabalho e no controle familiar, onde os dois sexos atuam com igualdade de chances e responsabilidades.

(*) A autora é capoeirista, estudante de Direito e Presidenta da Associação de Capoeira Ladainha .