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Capoeira ajuda a “Integrar Jovem na Sociedade”

Líder comunitário, Davison Coutinho discorre sobre a importância do esporte na inserção social de jovens moradores de favelas, em texto publicado pelo Jornal do Brasil. “A prática esportiva faz com que tenham uma melhor autoestima e se sintam capazes e integrados socialmente. O esporte, juntamente com a educação, evita que esse jovem tenha sua vida aliciada pelas vias do crime”, argumenta. O autor cita projetos bem-sucedidos como o grupo Acorda Capoeira e a escolinha de futebol de Condy Ximenes

Favela 247 – Membro da Comissão de Moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, Davison Coutinho destaca a importância do esporte na integração na sociedade de crianças e jovens oriundos de favelas. Em artigo publicado na coluna Comunidade em Pauta, do Jornal do Brasil, na última quinta-feira (dia 19), o líder comunitário apresenta o trabalho sociocultural desenvolvido na Rocinha pelo grupo Acorda Capoeira, com mais de 60 participantes, e pela escolinha de futebol liderada pelo morador Condy Ximenes.

“A prática esportiva faz com que tenham uma melhor autoestima e se sintam capazes e integrados socialmente. Quando um jovem sente-se fracassado na busca por um emprego, ou no aprendizado escolar, representa uma porta aberta para os caminhos errados, e o esporte, juntamente com a educação, evita que esse jovem tenha sua vida aliciada pelas vias do crime, oferecendo um futuro mais digno e humano”, argumenta Coutinho.

 

Esporte e educação: caminhos para transformação e inclusão social

A educação que uma criança recebe em seus primeiros anos é um legado que é levado por toda sua vida. Cada ensinamento, por mais simples que seja, é a semente que irá brotar no coração dos futuros cidadãos de nossa sociedade. O esporte é um excelente caminho para a criança ocupar a mente e desenvolver o corpo. É essencial para o crescimento da criança como um todo. Uma criança que pratica esporte apende a trabalhar em equipe e compreende a importância do próximo no convívio social.

O esporte tem a capacidade de integrar crianças e jovens das comunidades na sociedade, transformar suas vidas e reduzir os preconceitos e estereótipos. A prática esportiva faz com que tenham uma melhor autoestima e se sintam capazes e integrados socialmente. Quando um jovem sente-se fracassado na busca por um emprego, ou no aprendizado escolar, representa uma porta aberta para os caminhos errados, e o esporte, juntamente com a educação, evita que esse jovem tenha sua vida aliciada pelas vias do crime, oferecendo um futuro mais digno e humano.

O grupo Acorda Capoeira desenvolve um trabalho sociocultural na Rocinha e em comunidades parceiras, desde sua formação em 2004. No entanto a capoeira já é ensinada as crianças da comunidade há mais de 30 anos pelo percussor e fundador do grupo Mestre Manel que chegou da Bahia, ainda jovem e despertou o afeto da criançada ensinando capoeira. As aulas acontecem na Escola Municipal Paula Brito, são mais de 60 participantes, muitos alunos já viraram multiplicadores desta ação e levaram a capoeira para outras comunidades e até mesmo para Noruega, China e Itália.

“Comecei dando aula no Centro Comunitário da Rua 02, há 34 anos e depois o projeto foi crescendo e indo para outros locais. Eu fazia muitas rodas no largo do Boiadeiro e quase toda galera da Rocinha foi meu aluno. Tenho alunos viajando para fora do Brasil, levando capoeira. Estou formando aqui professores e cidadãos para vida. A capoeira é uma riqueza para esses jovens, aqui ele aprende falar inglês, tocar instrumentos e aprendem nossa cultura. Meu sonho é poder ter uma sede aqui dentro para ministrar diversos cursos para criançada, com lanche e almoço, um espaço com diversos saberes”, diz Mestre Manel, fundador do Acorda Capoeira.

Entre os participantes mais antigos o grupo tem o mestrando Caixote que aprendeu a capoeira com o Mestre Manel há mais de 20 anos e hoje está a caminho de ser mestre na área. “Eu conheci a capoeira, aqui no local onde a gente treina, eu tinha oito anos, quando o mestre Manel fez um trabalho voluntário na escola… continuei treinando e estou com ele até os dias de hoje, são mais de 20 anos. Sou aluno que virou professor. Graças a Deus nosso trabalho vem sendo reconhecido não só no Brasil, mas em outros países. Com todo esforço do nosso trabalho a capoeira proporciona a esses jovens a disciplina, educação, saúde e incentiva o esporte”, diz mestrando Caixote do Grupo Acorda Capoeira.

A Escolinha de futebol liderada pelo morador Condy Ximenes também é um projeto esportivo que tem oferecido muitas oportunidades aos jovens da comunidade. São diversos os campeonatos e participações que os alunos fazem. O futebol promove uma integração entre jovens de diversas classes sociais, o que rola dentro do campo é algo único, onde o preconceito e as diferenças ficam de lado e dão lugar ao espirito esportivo, onde o trabalho em equipe é fundamental.

A libertação por meio do esporte e educação vem como resultado de um viver criativo e cheio de emoções, permitindo o esquecimento das grandes dificuldades, dando esperança ao amanhã. Quando se transforma o indivíduo através dessa associação, se muda o todo, permitindo assim que ele possa ampliar sua capacidade de percepção e potencializar seus conhecimentos.

O esporte não se limita apenas aos benefícios físicos em relação a saúde, sua potencialidade, pelo contrário ele ultrapassa e promove a construção social e o desenvolvimento do cidadão de maneira geral, melhorando seu convívio familiar, escolar e social. Então, vamos lá comunidade, vamos inscrever nossas crianças e jovens em projetos de esporte e educação para que tenham um futuro promissor.

*Davison Coutinho, 24 anos, nasceu e mora na Rocinha. Bacharel em Desenho Industrial, mestrando em Design, funcionário da PUC-Rio, membro da Comissão de Moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária

Jornal do Brasil

Casal de Itaúna comemora união com capoeira

No Dia dos Namorados, casal de Itaúna comemora união com capoeira. Filipe Carvalho e Pamela Sousa, de Itaúna, namoram há oito anos e fazem da arte da ginga um elo para a relação. Casal relata experiências envolvendo o esporte

O esporte é aliado quando o assunto é unir casais apaixonados. Afinal, um carinho entre um jogo e outro é um incentivo a mais para se sair bem nos combates. Filipe Carvalho, de 28 anos, e Pamela Sousa, de 26, sabem bem o que é construir uma relação unida não só pelo amor, mas também pelo esporte. O casal de Itaúna faz da ginga da capoeira um elo a mais entre os dois, Filipe é o professor de capoeira da amada há oito anos e foi através do esporte que os dois já viveram belos momentos juntos.

Foi na faculdade, em 2006, que eles se conheceram. Ela, estudante de Engenharia de Produção; ele estudando Educação Física. Olhares nos corredores fizeram com que Filipe procurasse saber mais sobre aquela jovem e então ele contou com a ajuda de uma amiga para apresentar os dois e dar início ao romance.

No começo, ao começarem a namorar, Filipe já era adepto a capoeira. Ele conta que nos passeios com Pamela sempre surgiam assuntos relacionados ao esporte e que isso a incentivou conhecer a arte da capoeira.

– Pratico a capoeira há 14 anos e quando conheci minha namorada já dava aulas dessa arte, então não tinha como fugir. Era até engraçado, pois a gente saía para tomar um sorvete, falava de capoeira, saía para jantar, o assunto era capoeira. Até em festa com amigos novamente a capoeira era nosso assunto principal. Não tem jeito, o esporte nos uniu e une até hoje – comentou.

Após tanta propaganda positiva que Filipe fazia da capoeira, Pamela decidiu conhecer mais sobre a arte um mês depois do início do namoro. Porém ela não foi sozinha, levou os irmãos para fazerem parte do mais novo desafio. A irmã praticou durante três meses, o irmão durante um ano e ela está há a oito anos fazendo da capoeira uma filosofia de vida.

– São amores paralelos. Fiquei encantada pelo Filipe, e ele me fez apaixonar pela capoeira. Meu avô já praticava o esporte, mas foi por influência do meu namorado que conheci todas as maravilhas que essa arte envolve. – contou Pamela.

Não bastasse apenas namorado, Filipe também é o professor de Pamela, e ele admite que ela é mais cobrada que os outros alunos e que pega firme nas aulas com a namorada.

– Eu sei que as pessoas já vão jogar com ela sabendo que ela é a namorada do professor, então intuitivamente já imaginam que ela tenha um bom jogo, por isso pego firme com ela nas aulas. A Pamela reclama por ser mais duro com ela, mas só faço isso porque sei que ela é uma excelente aluna e tem muita facilidade de pegar as novidades de movimentos sequências – explicou.

E como em toda relação, a do casal de capoeiristas também é feita de altos e baixos. Entretanto eles têm uma “carta na manga” e fazem do esporte uma bela desculpa para se verem e se unirem novamente. Pamela conta já foi necessário dar um tempo na relação. Durante seis meses eles ficaram separados, mas os encontros nas rodas de capoeira continuavam, o que foi crucial para se reaproximarem.

– Durante o tempo que ficamos separados ele continuou sendo meu professor e sempre nos encontrávamos nos eventos de capoeira e foi através de um desses encontros que reatamos. Acho que a partir dessa história dá para as pessoas perceberem o quanto o esporte é importante na nossa relação – analisou.

HOMENAGEM ROMÂNTICA

Em abril deste ano, o casal conquistou a graduação na capoeira juntos. As graduações no esporte têm várias etapas. Primeiro, a formação de aluno, depois instrutor, professor, contra-mestre e mestre.

Na ocasião, Pamela se tornou formou como aluna e Filipe como instrutor. Mas para serem nomeados, eles tiveram que programar uma apresentação com danças e ritmos relacionados ao esporte como maculele, puxada de rede, congado, chorinho, samba e samba de roda.

Filipe aproveitou a formatura e fez uma homenagem à amada. O capoeirista romântico passou o seu cordão, um grande símbolo na capoeira, para a namorada. Pamela diz que foi um dos momentos mais emocionantes da sua vida.

– Foi lindo! Uma surpresa e tanto quando recebi o cordão que ele conquistou. É um dos melhores presentes que Filipe já me deu, tudo isso tem um grande significado para nós e tenho certeza que sempre ficará marcado na nossa história – recordou emocionada a jovem.

*Colaborou Bárbara Almeida sob supervisão de Vanessa Pires

 

Fonte: GloboEsporte.com*Divinópolis, MG

GRÃO-MESTRE – “SER OU NÃO SER”

Camisa Roxa, segundo me falaram, ao ser indagado num evento realizado em Siribinha – BA sobre o título de Grão-Mestre que recebera havia pouco tempo, respondeu: “existem tantos mestres de capoeira hoje em dia, que parece com a areia de um oceano! Eu sou apenas um grão desta areia”.

Muito interessante e sábia a resposta!

Conhecendo mestre Camisa Roxa, como o conheci, pois na década de 70 tive o prazer do primeiro contato com ele, quando precisou da ajuda para montar um show do seu grupo folclórico “Olodumaré”, aqui em Brasília, show do qual também participei e que depois fomos nos apresentar em Belo Horizonte. Entretanto, quando o grupo foi para o exterior, apesar do convite do Camisa, eu amarelei, fiquei no Brasil.

Interessante registrar um episódio que aconteceu, no momento em que fui recebê-lo na antiga rodoviária de Brasília, junto com mestre Adilson, quando numa daquelas coincidências ímpares, vem na nossa direção caminhando, o grande mestre Bimba, que também tive a oportunidade de ser apresentando pelo próprio Camisa, que em tempo, de maneira nervosa me disse: “não diga ao mestre qual o motivo da minha vinda aqui em Brasília”.

Naquele momento eu ainda não sabia das intenções do Camisa, uma vez que tinha acabado de conhecê-lo!

A preocupação do Camisa Roxa era a de que o mestre Bimba soubesse que ele estava montando um espetáculo de capoeira, perto do show que ele iria dar! Diga-se de passagem, que esse “perto” correspondia a 200 km de distância, que é a distância de Brasília à Goiânia, onde seria o seu show!

O que eu pude observar desse comportamento do Camisa Roxa, claro, foi o grande respeito e consideração que tinha para com o mestre Bimba!

Tenho certeza que se pudéssemos criar uma atmosfera desse encontro que já se passou o que hoje é impossível, uma vez que os dois estão no andar de cima, com toda certeza mestre Camisa Roxa, teria me pedido: “não fale nada ao mestre Bimba do título de Grão-Mestre que recebi”, pois como poderia ele explicar que seu título era superior ao do Mestre Bimba!

Por esta razão, achei interessante a resposta do mestre Camisa Roxa a respeito do grão de areia, que na verdade é um daqueles “bom rolê” do capoeira, visto que, no universo da capoeira, esse título ainda nem existe.  Portanto, a resposta em forma de brincadeira, faz sentido, tem sabedoria!

O fato de existirem muitos mestres de capoeira hoje em dia, não acho que deva ser um motivo de incomodo, como alguns mestres assim enxergam.   Isso porque, assim como existem “artistas” e artistas, “médicos” e médicos, “mestres” e mestres, assim como também existem “cachorros vira-lata” e cachorros vira-lata, quero dizer que em todos esses exemplos, sempre se sobressaem os que são “especiais”!

Mestre é um título de ofício, de trabalho, de um pescador que se destaca dentre todos na sua comunidade e é consagrado por todos! E assim acontece com todos: pintor, músico, capoeira, etc. É preciso que haja uma força maior a fim de que defina quem deva ter essa consagração dentro da comunidade que atua!

Grão-Mestre, para mim, é um título místico, dado principalmente pela maçonaria, entidade que existe há muito na nossa sociedade e que de forma secreta e fechada, tem uma normatização própria que confere esse título a alguém dos seus membros.

Recentemente um discípulo meu, que também é mestre, mestre Skysito,afirmou que o que está acontecendo na capoeira: é porque ela não tem dono!

Respondi ao “gafanhoto”, que era isso que eu achava interessante na capoeira, ela não precisa de dono, nós que vivenciamos dentro da sua energia, percebemos de maneira empírica, quando ela determina, adequa as normas, mesmo de maneira implícita, mas que sentimos que tem força de fato!

Percebo que não é preciso ser doutor na capoeira para entender isso, a grande maioria sabe diferenciar muito bem, por terem um olhar crítico natural, a capacidade de identificar o que é certo e desconfiar do que é errado!

Trago essa discussão à tona antes que algum aventureiro embarque neste navio, quando ainda há tempo de não cair nesta cilada.

Também chamo a atenção essa inversão de valores que está começando a aparecer no nosso meio! Quem está graduando o Grão-Mestre, são os próprios alunos daquele mestre e isso é no mínimo estranho, pois nesse momento, essa consagração é reconhecida somente por aqueles que estão envolvidos diretamente com o seu mestre, o universo da capoeira, não participa deste evento!

Vamos esperar meus camaradas, que como um capoeira de coração e atitude, sejamos algum “Capoeira Especial”!

 

Brasília, DF, 1 de janeiro de 2014

HÉLIO TABOSA DE MORAES- Mestre Tabosa

Fonte: http://mestretabosa.blogspot.com.br/

Centro de Capoeira São Salomão & Projeto Caxinguelês

Mais uma bela história de Capoeira…

Ontem dia 12 de dezembro de 2013, por volta das 21:00h, eu, Mestre Mago, minha companheira, Contramestra Bel e nossas filhas, Gabi e Belinha testemunhamos um dos momentos mais importantes dos quase dezessete anos do Centro de Capoeira São Salomão e do Projeto Caxinguelês.
Esse momento se refere ao coroamento de Othon que ingressou no Projeto Caxinguelês aos oito anos e hoje aos 17 anos fecha o ciclo da sua educação escolar e da participação no Caxinguelês com chave de ouro.

São muitos os elementos que precisam se harmonizar para que o desafio da educação/formação de uma criança dê certo. Mas com certeza dois, são pilares fundamentais: a família e a escola. No entanto, para crianças e jovens que vivem em situação de risco social e pessoal provocado pela pobreza e seus efeitos danosos é necessário mais um elemento para formar um tripé e melhorar a base de sustentação dessas crianças e jovens. É aí que entra a Capoeira e o Projeto Caxinguelês.

O Projeto Caxinguelês há quase dezessete anos atende crianças/jovens, dos 6 aos 18 anos de idade, com necessidades diversas de aprendizagem e comportamentais, num sistema de jornada escolar ampliada, em uma parceria com as escolas públicas do bairro. Até novembro deste ano atendíamos a comunidade do Pina, através de suas escolas Novo Pina, Osvaldo Lima Filho e João Cabral.

Othon chegou pra gente, pela sua extrema timidez ou quase prisão interior. Uma criança que desde cedo apresentou grande potencial na escola, com uma família atuante, mas rodeado por uma comunidade violenta, cheia de perigos e armadilhas e que não oferece condições para que as crianças cresçam em segurança. Então foi na Capoeira, no Projeto Caxinguelês, que ele encontrou essa segurança, esse espaço de expressão e crescimento. 
Othon passou por uma transformação radical de sua personalidade dentro do Projeto Caxinguelês, quebrando as grades de sua timidez que o impedia até de reagir fisicamente em momentos que eram necessários para manutenção do seu espaço. Teve uma fase, inclusive, que ele se tornou agressivo, causando assim, preocupação da escola e dos familiares, que nos procuraram achando que a Capoeira e o Projeto poderiam está prejudicando já que ele era tão comportado e agora estava rebelde e agressivo. Então eu disse, calma, isso vai passar, ele está apenas envergando a vara para o outro lado. Isso é necessário para que ela volte ao meio e encontre o ponto de equilíbrio. Ficará tudo bem! Essa agressividade que parece ser ruim nesse caso é positiva, ele precisa desenvolvê-la, confiem; e eles confiaram… E lá se foi Othon crescendo, desenvolvendo-se e como eu previ, equilibrando-se, sem perder o seu talento para a escola. Quando chegou ao Ensino Médio resolvemos estabelecer uma parceria com o Colégio Ideia, que é uma das melhores escolas de Ensino Médio de Recife, que topou a proposta na hora doando uma bolsa de estudos para Othon.
Othon tinha a difícil missão de ter sucesso nessa etapa da sua escolaridade no Colégio Ideia. Ele era o primeiro aluno que indicávamos para sair da escola pública, que apesar de todo esforço dos seus profissionais, é muito deficitária, por problemas estruturais no sistema público de ensino, para uma escola particular de alto nível. No entanto, os desafios dessa mudança não eram apenas intelectuais eram de toda ordem, mas acreditávamos na sua capacidade e sabíamos que ele ia ter êxito nessa missão.

Othon já estava nessa época, com seis anos de Projeto Caxinguelês e se apresentava como um jovem equilibrado e com condições psicológicas para enfrentar tal desafio. Não deu outra, ele chegou lá e logo venceu as primeiras dificuldades, que talvez tenham sido as maiores, pois foi essa transição do mundo da escola pública e da comunidade que a rodeia para o mundo da escola particular de classe média alta. Já adaptado a esse novo universo foi cada vez mais se desenvolvendo e focando nos estudos. Melhorou seu desempenho em todas as áreas e no final dessa jornada de três anos nos brinda com uma tremenda vitória!!!

Othon Vinícios, para nós da Capoeira, Enferrujado, formou-se no ensino médio sendo o homenageado da turma como aluno Laureado, ou seja, alcançou a melhor média geral: 9,1 de toda turma nos três anos de ensino médio. Além disso se apresenta como um jovem bonito, equilibrado, seguro, tranquilo, saudável, muito bem educado e formado, pronto para ingressar no mundo dos adultos e fazer a diferença na sua família e comunidade e porque não dizer no mundo. Quebra-se aqui, mais uma vez, através da Capoeira e do Projeto Caxinguelês o ciclo da pobreza e suas mazelas, que esmaga a maioria do nosso povo, missão cumprida!!!

Não temos como expressar tal alegria… Somente podemos compartilhá-la com quem sempre colaborou e torceu pelo nosso trabalho. Apresentamos por isso, mais uma prova material do que a Capoeira e o Projeto Caxinguelês fizeram, fazem e sempre tentará fazer, a diferença na vida das crianças e jovens que ingressam nessa aventura de se formar como cidadãos plenos, enfrentando as dificuldades e se tornando fortes para construir um mundo melhor de se viver. Parabéns Othon! Parabéns família de Othon! Parabéns aos professores e professoras das escolas que ele passou! Parabéns a nossa equipe do Projeto Caxinguelês! 
Hoje afirmamos em nós que vale a pena lutar pela educação através da nossa arte de fazer gente: a Capoeira!

Dedicamos esse momento e esse texto a Dona Elly, nossa fada Madrinha, que de lá do outro lado do oceano, na Holanda, tem se esforçado sobre humanamente para levantar recursos e financiar nosso Projeto aqui no Brasil. Obrigado!!!! Valeu à pena tudo!!!! 

Mago 
13/12/2013 – 00:30

Pierre Verger

 

Sua obra fotográfica, baseada nas mais de 64.000 fotografias cadastradas em seu acervo, foi construída a partir das viagens que ele fez aos cincos continentes entre o ano de1932 e o final dos anos 1970. Nos primeiros anos, suas fotos foram publicadas apenas em livros de viagens, jornais e revistas franceses e, a partir do final dos anos 30, suas fotos foram utilizadas também em publicações de países de língua inglesa, espanhola e alemã. Nessas primeiras publicações, ele contribuiu apenas como fotógrafo, não interferindo na concepção e produção dos textos.

 

Biografia:

Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996) foi um fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês que viveu grande parte da sua vida na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, no Brasil. Ele realizou um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e nas culturas populares dos cinco continentes. Além disto, produziu uma obra escrita de referência sobre as culturas afro-baiana e diaspóricas, voltando seu olhar de pesquisador para os aspectos religiosos do candomblé e tornando-os seu principal foco de interesse

Verger nasceu em Paris, no dia quatro de novembro de 1902. Desfrutando de boa situação financeira, ele levou uma vida convencional para as pessoas de sua classe social até a idade de 30 anos, ainda que discordasse dos valores que vigoravam nesse ambiente. O ano de 1932 foi decisivo em sua vida: aprendeu um ofício – a fotografia – e descobriu uma paixão – as viagens. Após aprender as técnicas básicas com o amigo Pierre Boucher, conseguiu a sua primeira câmera fotográfica, uma Rolleiflex. Com o falecimento de sua mãe, sua última parente viva, Verger decidiu se tornar naturalmente um viajante solitário e levar uma vida livre e não conformista. Apesar de esse desejo ter surgido tempos antes, Verger tomou essa decisão apenas após a morte da mãe no intuito de não magoá-la.

De dezembro de 1932 até agosto de 1946, foram quase 14 anos consecutivos de viagens ao redor do mundo, sobrevivendo exclusivamente da fotografia. Verger negociava suas fotos com jornais, agências e centros de pesquisa. Fotografou para empresas e até trocou seus serviços por transporte. Paris, então, tornou-se uma base, um lugar onde revia amigos – os surrealistas ligados a Prévert e os antropólogos do Museu do Trocadero – e fazia contatos para novas viagens. Trabalhou para as melhores publicações da época, mas como nunca almejou a fama, estava sempre de partida: “A sensação de que existia um vasto mundo não me saía da cabeça e o desejo de ir vê-lo me levava em direção a outros horizontes”, afirmou ele.

As coisas começaram a mudar no dia em que Verger desembarcou na Bahia. Em 1946, enquanto a Europa vivia o pós-guerra, em Salvador era tudo tranquilidade. Ele foi logo seduzido pela hospitalidade e riqueza cultural que encontrou na cidade e acabou ficando. Como fazia em todos os lugares onde esteve, preferia a companhia do povo e dos lugares mais simples. Os negros, em imensa maioria na cidade, monopolizavam a sua atenção. Além de personagens das suas fotos, tornaram-se seus amigos, cujas vidas Verger foi buscando conhecer com detalhes. Quando descobriu o candomblé, acreditou ter encontrado a fonte da vitalidade do povo baiano e se tornou um estudioso do culto aos orixás. Esse interesse pela religiosidade de origem africana lhe rendeu uma bolsa para estudar rituais na África, para onde partiu em 1948.

Foi na África que Verger viveu o seu renascimento, recebendo o nome de Fatumbi, “nascido de novo graças ao Ifá”, em 1953. A intimidade com a religião, que tinha começado na Bahia, facilitou o seu contato com sacerdotes e autoridades e ele acabou sendo iniciado como babalaô – um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso às tradições orais dos iorubás. Além da iniciação religiosa, Verger começou nessa mesma época um novo ofício, o de pesquisador. O Instituto Francês da África Negra (IFAN) não se contentou com os dois mil negativos apresentados como resultado da sua pesquisa fotográfica e solicitou que ele escrevesse sobre o que tinha visto. A contragosto, Verger obedeceu. Depois, acabou se encantando com o universo da pesquisa e não parou nunca mais.

Apesar de ter se fixado na Bahia, Verger nunca perdeu seu espírito nômade. A história, os costumes e, principalmente, a religião praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África Ocidental e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de suas pesquisas e sua obra. Ele passou a viver como um mensageiro entre esses dois lugares: transportando informações, mensagens, objetos e presentes. Como colaborador e pesquisador visitante de várias universidades, conseguiu ir transformando suas pesquisas em artigos, comunicações e livros. Em 1960, comprou a casa da Vila América. No final dos anos 70, ele parou de fotografar e fez suas últimas viagens de pesquisa à África.

Em seus últimos anos de vida, a grande preocupação de Verger passou a ser disponibilizar as suas pesquisas a um número maior de pessoas e garantir a sobrevivência do seu acervo. Na década de 1980, a Editora Corrupio cuidou das primeiras publicações no Brasil. Em 1988, Verger criou a Fundação Pierre Verger (FPV), da qual era doador, mantenedor e presidente, assumindo assim a transformação da sua própria casa na sede da Fundação e num centro de pesquisa. Em fevereiro de 1996, Verger faleceu, deixando à Fundação Pierre Verger a tarefa de prosseguir com o seu trabalho.

WIKI:

Pierre Edouard Leopold Verger (Paris, 4 de novembro de 1902 — Salvador, 11 de fevereiro de 1996) foi um fotógrafo e etnólogo autodidata franco-brasileiro. Assumiu o nome religioso Fatumbi.

Era também babalawo (sacerdote Yoruba) que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana – o comércio de escravo, as religiões afro-derivadas do novo mundo, e os fluxos culturais e econômicos resultando de e para a África.

Após a idade de 30 anos, depois de perder a família, Pierre Verger exerceu a carreira de fotógrafo jornalístico. A fotografia em preto e branco era sua especialidade. Usava uma máquina Rolleiflex que hoje se encontra na Fundação Pierre Verger.

Durante os quinze anos seguintes, ele viajou os quatro continentes e documentou muitas civilizações que logo seriam apagadas através do progresso. Seus destinos incluíram:

 

  • Taiti (1933)
  • Estados Unidos, Japão e China (1934 e 1937)
  • Itália, Espanha, Sudão, Mali, Níger, Alto Volta (atual Burkina Faso), Togo e Daomé (atual Benim) 1935)
  • Índia (1936)
  • México (1937, 1939, e 1957)
  • Filipinas e Indochina (atuais Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã, 1938)
  • Guatemala e Equador (1939)
  • Senegal (como correspondente, 1940)
  • Argentina (1941)
  • Peru e Bolívia (1942 e 1946)
  • Brasil (1946).

 

Suas fotografias foram publicadas em revistas como Paris-Soir, Daily Mirror (com o pseudônimo de Mr. Lensman), Life, e Match.

Na cidade de Salvador, apaixonou-se pelo lugar e pelas pessoas, e decidiu por bem ficar. Tendo se interessado pela história e cultura local, ele virou de fotógrafo errante a investigador da diáspora africana nas Américas. Em 1949, em Ouidah, teve acesso a um importante testemunho sobre o tráfico clandestino de escravos para a Bahia: as cartas comerciais de José Francisco do Santos, escritas no século XIX.

As viagens subseqüentes dele são enfocadas nessa meta: a costa ocidental da África e Paramaribo (1948), Haiti (1949), e Cuba (1957). Depois de estudar a cultura Yoruba e suas influências no Brasil, Verger se tornou um iniciado da religião Candomblé, e exerceu seus rituais.

Definição de Verger sobre o Candomblé: “O Candomblé é para mim muito interessante por ser uma religião de exaltação à personalidade das pessoas. Onde se pode ser verdadeiramente como se é, e não o que a sociedade pretende que o cidadão seja. Para pessoas que têm algo a expressar através do inconsciente, o transe é a possibilidade do inconsciente se mostrar”.

Durante uma visita ao Benin, ele estudou Ifá (búzios – concha adivinhação), foi admitido ao grau sacerdotal de babalawo, e foi renomeado Fátúmbí (“ele que é renascido pelo Ifá”).

As contribuições de Verger para etnologia constituem em dúzias de documentos de conferências, artigos de diário e livros, e foi reconhecido pela Universidade de Sorbonne que conferiu a ele um grau doutoral (Docteur 3eme Cycle) em 1966 — um real feito para alguém que saiu da escola secundária aos 17.

Verger continuou estudando e documentando sobre o assunto escolhido até a sua morte em Salvador, com a idade de 94 anos. Durante aquele tempo ele se tornou professor na Universidade Federal da Bahia em 1973, onde ele era responsável pelo estabelecimento do Museu Afro-Brasileiro, em Salvador; e serviu como professor visitante na Universidade de Ifé na Nigéria.

Verger se apaixonou pela Bahia lendo “Jubiabá” e se tornou amigo das maiores personalidades baianas do século XX, como o próprio Jorge Amado, Mãe Menininha do Gantois, Gilberto Gil, Walter Smetak, Mário Cravo, Cid Teixeira, Josaphat Marinho, dentre outros notáveis. Seu trabalho como fotográfo influênciou notadamente nomes consagrados da fotografia contemporânea como Mário Cravo Neto, Sebastião Salgado, Vitória Regia Sampaio, Adenor Gondim e Joahbson Borges, sendo que este foi seu último assistente, apontado pelo próprio Verger como sucessor natural.

Na entidade sem fins lucrativos Fundação Pierre Verger em Salvador, que ele estabeleceu e continuou seu trabalho, guarda mais de 63 mil fotografias e negativos tirados até 1973, como também os documentos dele e correspondência.

No Brasil, foi homenageado como tema de carnaval (Rio de Janeiro, 1998) do GRES União da Ilha do Governador, cuja letra fala da Trajetória de Pierre Verger a Fatumbi.

Jérôme Souty publicou um ensaio muito documentado sobre a obra e a vida de Verger : Pierre Fatumbi Verger. Do olhar livre ao conhecimento iniciático, São Paulo, Terceiro Nome (446 p., 23 fotos, em português) ; Pierre Fatumbi Verger. Du regard détaché à la connaissance initiatique, Paris: Maisonneuve & Larose, 2007 (520p., 144 fotos, em francês).

 

Capoeira e Shakespeare moldaram Loki

Capoeira e Shakespeare moldaram Loki, diz ator que faz vilão de Thor

Ao G1, Tom Hiddleston cita vilões favoritos e justifica fama de ‘showman’. – Inglês interpreta personagem pela 3ª vez em ‘Thor: o mundo sombrio’.

Tom Hiddleston surgiu como o invejoso e traidor Loki em “Thor” (2011), mas se tornou uma das maiores estrelas dos filmes da Marvel após enfrentar todos os super-heróis de “Os vingadores” (2012), filme dono da terceira maior bilheteria da história. E esse sucesso, que o ator garante ter sido “algo totalmente além e acima” de suas expectativas, deve aumentar ainda mais a partir de sexta (1º), quando ele poderá ser visto pela terceira vez no papel do “deus da trapaça” e elemento chave no roteiro de “Thor: o mundo sombrio”. Em entrevista por telefone ao G1, concedida enquanto estava na Alemanha divulgando o filme, o inglês de 32 anos não só declarou seu amor pelo personagem, mas também explicou como suas aulas de capoeira e sua experiência com Shakespeare ajudaram a compor sua versão de Loki. “Pensei em como a capoeira é tão elegante… e se Thor é como um bloco de granito, Loki é como o vento”, justificou, logo depois de citar as características dos vilões shakespearianos que o influenciaram.

Shakespeare, aliás, é uma das figuras mais importantes na carreira do ator, que já foi premiado por sua atuação em peças do dramaturgo, interpretou Henrique V em uma série da BBC no ano passado e se prepara para voltar aos palcos como protagonista de “Coriolanus”. E, indiretamente, foi também Shakespeare que o levou aos filmes da Marvel, já que o também shakespeariano Kenneth Branagh, diretor de “Thor”, foi quem fez questão de tê-lo no elenco.

Mas, além de falar sobre Loki e sua versátil carreira, que inclui papéis como F. Scott Fitzgerald em “Meia-noite em Paris”, de Woody Allen, um capitão em “Cavalo de Guerra”, de Steven Spielberg, e um vampiro no ainda inédito “Only lovers left alive”, de Jim Jarmusch, o ator justificou ainda porque se tornou um dos novos favoritos também da imprensa.

Extremamente atencioso e gentil, explicou que não se incomoda nem um pouco ao atender todos os pedidos para que cante, dance ou faça alguma de suas já famosas imitações durante entrevistas. Além disso, ensaiou algumas palavras em português e se revelou nitidamente sem graça ao falar sobre ter sido o segundo colocado na lista de “100 astros de cinema mais sexy” da revista “Empire”.

G1 – “Thor” precisava apresentar ao público o universo de Asgard e mesmo seus atores, já que você e Chris Hemsworth ainda não eram tão famosos. E em “Thor: o mundo sombrio”, qual foi o maior desafio?
Tom Hiddleston –
Acho que o maior desafio foi trazer algo novo e empolgante. Pessoalmente, foi o ponto no qual mais me esforcei. Queria ter certeza que apresentaríamos algo que soasse inovador, diferente e cativante, algo que o público ainda não tivesse visto.

G1 – E a familiaridade do público com os personagens facilita ou faz com que exista mais pressão?
Tom Hiddleston –
Em certo nível fica mais fácil, porque tenho mais confiança no personagem, ele já está estabelecido, todo mundo sabe quem ele é. Então posso me divertir com isso, porque posso fazer certas coisas mais afiadas e com cores mais brilhantes, mas também posso mudar e surpreender as pessoas, tentar descobrir todas as características que ainda não mostrei. E acho que isso é uma das coisas mais empolgantes deste filme. Loki é o mesmo cara de “Os vingadores”, mas ele está um pouco diferente, ele é perigoso de uma forma diferente, engraçado de uma forma diferente. Eu amo interpreta-lo, espero que as pessoas consigam perceber o quanto me divirto.

“Pensei em como a capoeira é tão elegante, quase um tipo de balé. Se Thor é como um bloco de granito, Loki é como o vento, meio que dançando ao redor”Tom Hiddleston, ator de ‘Thor'”

G1 – A cada vez que vemos Loki ele parece mais confiante. Agora que, tentando não revelar spoilers, podemos dizer que ele consegue algo que desejava, como você imagina que será seu futuro? O que ainda podemos esperar de Loki?
Tom Hiddleston –
Acho que é interessante perguntar o que acontece quando você ganha um jogo, porque acredito que Loki é um personagem que se satisfaz mais em jogar do que em ganhar ou perder. Estou interessado em saber o que vai acontecer a seguir e tenho algumas ideias malucas para ele… mas, em geral, acho que existe uma frase chave neste filme, que é quando ele diz “satisfação não faz parte da minha natureza”. Satisfação não o fará feliz. Ele nunca fica parado. Ele é como mercúrio, como um elemento, e sempre que você pensa que o pegou, ou sempre que pensa que Loki é algo sólido, ele muda sua forma e te engana. E ele é um encrenqueiro nato.

G1 – Ao aceitar o papel, você imaginava que Loki seria tão querido pelo público? E por que você acha que isso acontece?

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Tom Hiddleston –
Eu não fazia ideia. Foi algo totalmente além e acima das minhas expectativas e tem sido extraordinário. Sempre que você assume um personagem espera que ele vá estabelecer uma conexão com o público, mas nunca tive nada parecido antes. As pessoas costumam me perguntar sobre isso, e nunca tenho muita certeza sobre qual a resposta. Acho que talvez seja porque existe tanta diversão inerente ao personagem. Thor é o deus do trovão, Loki é o deus da trapaça, e se você procurar a palavra “mischief” no dicionário vai ver que está escrito algo como “inclinação para travessuras, brincadeiras”. Então é minha tarefa surgir e me divertir. E ele é muito charmoso, é um rebelde. Loki gosta de provocar o caos, mas, ao mesmo tempo, é também muito vulnerável e motivado por fraquezas humanas. Ele é furioso e solitário e triste, disfarça sua mágoa e seu coração partido. Espero que, mesmo que o público não tenha uma simpatia profunda por ele, ao menos entenda porque ele é quem é.

G1 – Loki pertence a uma classe de vilões queridos pelo público. Quais são seus vilões favoritos do cinema? E quais vilões te influenciaram?
Tom Hiddleston –
Amo os dois Coringas, Jack Nicholson e Heath Ledger são extraordinários interpretando o mesmo personagem de formas diferentes, eles estão certamente no topo da lista (veja no quadro acima os outros vilões favoritos do ator). Mas, acho que minha inspiração veio, em sua maior parte, de vilões shakespearianos. Loki tem muito de minha experiência acumulada com Shakespeare. Ele é obsessivo pela ambição, o que é bem “Macbeth”. É manipulador e dissimulado, como Iago em “Otelo”. É um filho que tem inveja de seu irmão mais velho, como Edmund em “Rei Lear”. E tem muito de Cassius em “Julio Cesar”, com seu olhar faminto. Acho todas essas coisas muito inspiradoras, elas foram uma espécie de ponto de partida. Mas Loki tem seu próprio repertório de truques.

Ele é como mercúrio, como um elemento, e sempre que você pensa que o pegou, ou sempre que pensa que Loki é algo sólido, ele muda sua forma e te engana”Tom Hiddleston, ator de ‘Thor’

G1 – É verdade que você treinava capoeira e usou isso quando estava se preparando para o papel? Como foi?
Tom Hiddleston –
Sim, eu treinei, foi maravilhoso. Acho que é uma arte marcial extraordinária. Eu pratiquei pela primeira vez quando estava na escola de teatro, quando tinha vinte e poucos anos. Tinha um amigo que adorava capoeira e íamos treinar em uma academia em Londres para manter a forma. Então, quando comecei a imaginar o estilo de luta de Loki, pensei nisso. Chris Hemsworth estava treinando boxe com pesos-pesados, você pode ver que Thor gira seu martelo como um boxeador, um peso-pesado, ele tem um estilo de luta muito atlético, forte, firme, e eu queria ser diametralmente oposto a isso. E pensei em como a capoeira é tão elegante, quase um tipo de balé. Se Thor é como um bloco de granito, Loki é como o vento, meio que dançando ao redor. Então sim, eu quis usar um pouco de capoeira.

G1 – E você é bom nisso?
Tom Hiddleston –
Er…não (risos). Eu era apenas ok. Mas, de qualquer forma, quando tive que vestir o figurino percebi que “hmm… é, acho que não vou conseguir mais jogar capoeira” (risos).

G1 – Embora Loki seja um personagem tão popular, você conseguiu não ficar marcado apenas por ele, fazendo filmes de vários gêneros e com diretores como Woody Allen e Steven Spielberg. Qual seu critério na hora de escolher seus trabalhos?
Tom Hiddleston –
Bem, eu sempre tento buscar uma experiência nova, todas as vezes. E acho que isso é bastante útil, já que significa que estou sempre procurando, sempre sendo curioso e aprendendo. Então tento escolher coisas que sejam completamente diferentes, porque, na verdade, não há nada que eu adore mais do que aprender algo novo, estudar uma nova pessoa, uma nova história. E, no final, é sempre uma coisa instintiva. Leio um roteiro e simplesmente sei que quero ou não explorar aquela possibilidade. Em meu próximo trabalho eu vou voltar aos palcos, serei Coriolanus (mais um personagem de Shakespeare) no teatro, em Londres. Depois, vou trabalhar com Guillermo del Toro em um romance gótico (“Crimson peak”), uma história muito, muito sofisticada sobre uma casa assombrada.

G1 – Em “Crimson peak” você vai fazer um papel que inicialmente seria de Benedict Cumberbatch, um dos atores mais requisitados atualmente por Hollywood. E, assim como você, ele tem esse perfil tão tipicamente britânico. Você acha que este é especificamente um momento de “alta” para os ingleses?
Tom Hiddleston –
(risos) Talvez. Mas acho que sempre há atores britânicos por aí, não penso que seja algo específico em relação a mim e Benedict, que, aliás, é meu amigo desde que fizemos “Cavalo de guerra” juntos. No próprio “Thor: o mundo sombrio” temos Anthony Hopkins e ele é brilhante e tem sido há tanto tempo. E eu já trabalhei também com Jeremy Irons e Kenneth Branagh, e temos ainda pessoas como Alan Rickman, Hugh Laurie, Andrew Lincoln, Tom Hardy e Michael Fassbender (nascido na Alemanha, mas criado na Irlanda). Então acho que sempre há atores ingleses fazendo trabalhos brilhantes. Mas, se é que este é realmente um momento especial, fico feliz por fazer parte dele, juntamente com Benedict. Não sei o que estão colocando na água, mas está funcionando (risos).

G1 – Mas são você e ele os dois primeiros colocados na lista “100 astros de cinema mais sexy” da  “Empire”.
Tom Hiddleston –
(risos) Sim, eu sei, isso é muito embaraçoso (risos). Vai servir como combustível para incendiar a zombaria das minhas irmãs para o resto da minha vida.

G1 – Bem, há alguns leitores contestando a escolha de Benedict, mas não me lembro de ver ninguém reclamando sobre você.
Tom Hiddleston –
(risos) Sério? Não sei o que dizer sobre isso (risos).

G1 – Suas imitações tem feito sucesso na internet, e existem vídeos com você cantando, dançando e falando outros idiomas em entrevistas e, aparentemente, se divertindo em todos eles. Mas, agora que isso se tornou uma espécie de tradição, não se cansa do fato de as pessoas sempre te pedirem alguma “gracinha”?
Tom Hiddleston –
Bem, aí é que está. O que eu mais amo em relação a atuar é criar uma conexão. Talvez eu acredite na velha escola do entretenimento, adoro entreter as pessoas. Então acho que não, não me incomoda. Tudo que você pode desejar como ator é se conectar com as pessoas e parte da diversão proporcionada pelas turnês de divulgação é que você tem a chance de conhecer o público. E eu tenho mesmo essa coisa de tentar aprender o idioma das pessoas com quem estou falando. Então é por isso que falo em francês e espanhol nesses vídeos (risos). Mas meu português não é assim tão bom, sabe… sei dizer “obrigado” (risos). Lembro-me de que meus avós moravam em Portugal e eles costumavam dizer “dois mais” (ele fala com o sotaque de um português de Portugal) quando queriam mais dois copos de vinho ou algo assim. Mas, sabe, amo aprender idiomas, é realmente uma grande curiosidade que eu tenho. E a razão pela qual adoro fazer imitações é que sou interessado em gente, me interesso pelo modo como as pessoas se sentam, caminham e falam, e isso é parte da razão pela qual amo ser um ator.

Fabiana de CarvalhoDo G1, em São Paulo

Fonte: http://g1.globo.com

Bahia – Histórias de Resistência: Mestre de capoeira enfrenta desafios para preservar herança africana

João Carlos Lopes Almeida é o cordão branco do grupo Kilombolas, nome que faz referência a outro tipo de resistência do povo negro

João Carlos Lopes Almeida, 47 anos, funcionário público, ou simplesmente João do Morro, mestre de capoeira. O cordão branco do grupo Kilombolas abriu as portas de um dos seus núcleos, na escola Madre Judite, no Alto da Bola, no bairro da Federação, para o iBahia e contou as dificuldades que enfrenta todos os dias para manter o projeto social e fazer com que uma das maiores heranças africanas no Brasil resista ao tempo.

“Nasci no bairro da Fazenda Garcia e tive pais linha dura. Só pude praticar capoeira quando tive meu primeiro emprego, já que, enquanto eu era dependente deles, era regulado para onde eu iria. Minha liberdade eu só conquistei quando passei a trabalhar”, apresentou-se.

Para a capoeira, ele se apresentou aos 18 anos e, desde então, não se vê sem a roupa branca. O agente de fiscalização de meio ambiente já está à frente do projeto Kilombolas há 23 anos, mas tornou-se mestre apenas em 2013. Segundo João do Morro, o trabalho é árduo e por vezes já pensou em desistir, mas a consciência e a necessidade de resistir sempre falou mais alto. “Eu fui convidado por alguns amigos para participar de uma lavagem aqui no Alto da Bola, que existia na época. Dessa lavagem, o pessoal gostou e quis colocar a capoeira em um patamar mais sério dentro da comunidade, por não existir nenhum tipo de cultura do gênero. Eu aceitei e fui ficando, ficando. Não vivo da capoeira, o que é até bom para mim. Se eu vivesse talvez não desse para fazer isso com o amor que eu faço. Saio da minha casa todos os dias para dar aula às crianças às 18h e só retorno às 22h, então é cansativo, mas é gratificante”, diz.

Para João, o tempo no projeto foi importante para ele entender a importância da sua presença na vida dos seus alunos. O mestre do Morro viu de tudo em seu centro cultural — nome dado por ele mesmo —, mas graças a sua persistência e resistência, pôde participar ativamente da formação de jovens que hoje já cursam o nível superior. 

“A estrada foi longa e encontrei muitas pedras. Comecei novo com esse trabalho e foi muito difícil porque a área aqui é muito violenta. Perdi alunos por causa das drogas, com os policiais agindo, às vezes, até de forma truculenta. Isso me fez pensar por vezes em desistir. Muitas vezes, eles se envolvem [com o crime] porque dá o que a capoeira não dá, que é a parte financeira, aí o aluno cai no erro. Isso me deixava muito triste, então foi difícil segurar isso. Hoje, sou feliz porque tenho alunos que estão em faculdade federal, estadual. Para mim, isso é gratificante porque quer dizer que mudei um pouco a visão da comunidade aqui”, revelou.

Consciência x Preconceito

Para João, o Dia da Consciência Negra representa mais um dia de reflexão e resistência aos preconceitos e dificuldades enfrentados pelo povo negro até aqui. “A consciência está na cabeça de cada um. Temos que ter consciência do que é certo e do que é errado, mas no geral, só é certo quando não afeta negativamente uma outra pessoa. É uma data simbólica, que está aí para a gente lembrar e está cada vez mais alerta. A gente precisa refletir. Não é só esse momento de euforia, de festa, como muitos estão vivendo a data. É o ano todo, todos os dias, temos que ter consciência e buscar fazer sempre o melhor. Se todos buscarem o seu objetivo, como eu tive o da capoeira, não tem preconceito que derrube”, analisa.

“A capoeira me fortaleceu muito em relação ao preconceito, pois é o local onde eu sinto que tenho mais valor. Onde eu chego sou respeitado. Ganhei um título através da capoeira e me sinto potente por causa dela. Sempre que presencio uma atitude racista eu penso: ‘poxa, sou um mestre de capoeira’. Isso tem valor para mim, então preconceito nenhum me abate”, acrescentou. A luta do Mestre João do Morro não acontece dentro da roda de capoeira. Na opinião dele, uma das grandes brigas que ele tem é com o preconceito de outras classes sociais à prática: “eles gostam do esporte, da luta, da dança, mas tem medo da origem. O que gera medo ou receio é de onde a capoeira vem”, opina.

Dificuldades

Sem muitos recursos para melhorar o projeto, João conta que a união sempre fez a força no grupo. “O projeto é de graça para todos os alunos. O pessoal não paga nada, mas muitas vezes arrumei um parceiro que arrumava as calças, as camisas. Hoje em dia, treinam filhos de ex-alunos meus e eles têm uma consciência. Eles viraram homens aqui, começaram a trabalhar. Não vou dizer que eles pagam, mas colaboram sempre para manter a escola. O que a escola nos oferece é apenas o espaço físico. Tudo o que temos é com o nosso próprio custo. Tem a manutenção no banheiro, água para os meninos beberem, instrumento para eles aprenderem a tocar e tudo isso é com o nosso próprio bolso. Eu, quando posso, compro, mas geralmente chamo os meus alunos mais antigos, fazemos uma vaquinha e compramos os materiais”, revelou.

O mestre acredita que o esporte pode tirar as pessoas da criminalidade e das drogas, mas finalizou a conversa com o iBahia fazendo uma crítica à falta de apoio do poder público aos projetos sociais. “A capoeira já está no mundo todo. Fiz um evento que a Bahia toda estava lá, mas isso ainda não foi visto pelos órgãos públicos. Acho que está faltando um apoio. O povo criou uma consciência aqui de que eu estou contribuindo para a formação desses jovens, mas eu não sei até quando eu vou aguentar isso. Tenho a minha vida particular, que às vezes fica até à parte. Posso até não chegar em casa porque, infelizmente, a violência está aí, mas sinto que se eu não estivesse aqui seria pior. Então queria que existisse um apoio dos órgãos públicos, para que isso se torne maior e melhor ainda”, pediu.

Mestre João do Morro segue em frente com duas certezas: o trabalho desenvolvido por ele é de fundamental importância para os jovens da comunidade e tem papel fundamental na preservação da cultura negra ao resistir a qualquer tipo de dificuldade financeira e ao mais perverso preconceito. Mais um exemplo de resistência e consciência a ser aplaudido.

*Sob a orientação de Diego Mascarenhas e Rafaele Rego.

Fonte: http://www.ibahia.com/

Frede Abreu: O Grande pesquisador da Capoeira

Todos aqueles que amam a capoeira e se interessam em conhecê-la mais a fundo, suas histórias, seus personagens, os fatos importantes, enfim, todos aqueles que buscam compreender melhor essa rica manifestação da cultura afro-brasileira, devem muito àquele que foi um dos maiores, senão o maior pesquisador da capoeira de todos os tempos: Frederico José de Abreu, ou simplesmente Frede Abreu, como era conhecido no meio.

Frede Abreu não está mais entre nós, partiu pras “terras de Aruanda” em julho de 2013, mas deixou como legado uma obra importantíssima, através dos muitos livros, artigos, crônicas e textos que escreveu, além de um enorme e rico acervo organizado por ele composto de documentos, livros, fotografias, filmes, revistas, jornais, etc., que pode ser considerado o maior acervo sobre capoeira existente.

Mas o mais importante, é que Frede sempre foi um sujeito muito generoso. Ele sempre abriu as portas de sua casa – onde todo esse acervo era guardado – pra qualquer um que desejasse pesquisar e se aprofundar no conhecimento sobre a capoeira. Ele sempre acolheu de forma muito amável todos que o procuravam: pesquisadores, estudantes, capoeiristas, historiadores, e contribuiu de forma efetiva para a maior parte de toda a pesquisa produzida sobre capoeira no Brasil e também no exterior. É muito difícil encontrar algum livro, artigo, documentário, tese de mestrado ou doutorado sobre capoeira no qual ele não seja citado ou não tenha colaborado de alguma forma.

Frede viajou por todo o Brasil e também para o exterior, onde sempre era convidado a participar de eventos, conferências, seminários, palestras ou simples “bate-papos” sobre capoeira. E fazia isso sempre com muita boa vontade, prazer, simpatia e bom humor que caracterizavam esse baiano que nunca se recusou a dividir o seu amplo conhecimento sobre a nobre arte da capoeiragem, quando era requisitado, por quem quer que fosse.

Mas a contribuição de Frede Abreu para a capoeira vai ainda mais além: ele foi um dos responsáveis pelo retorno do mestre João Pequeno à capoeira. João tinha se afastado  da capoeira no início da década de 1980, depois da morte de Pastinha, e se dedicava a vender legumes e verduras numa barraca na Feira de São Joaquim, junto com sua esposa, a querida  “Mãezinha” como é conhecida por todos. Frede então articulou a volta de João, e foi o responsável pela organização da sua academia, que foi instalada no Forte Santo Antonio além Carmo, e se constituiu como o centro de todo o movimento de recuperação da capoeira angola, que nessa época passava por um momento difícil, num processo de franca decadência. Pela academia e sob a liderança de João Pequeno, passaram todos os mestres que foram importantes para o movimento de renovação e revigoramento da capoeira angola, desse período histórico em diante.

Há alguns anos, Frede conseguiu apoio do governo federal para enfim organizar o seu vasto acervo, criando o Instituto Jair Moura que durante algum tempo funcionou no bairro do Garcia em Salvador. Mas esse apoio não teve continuidade e todo o acervo voltou para a sua casa, num quarto onde tudo continua a ser guardado com muito zelo pela sua família.

Esperamos que as autoridades se sensibilizem com a importância da preservação e organização desse verdadeiro tesouro sobre a memória da capoeira que Frede reuniu com  tanto carinho e dedicação, durante tantos anos, e está ameaçado de se degradar pela falta de um local adequado sob a orientação de profissionais especializados.

Frede se foi, mas seu sorriso franco, seu fino senso de humor, sua disponibilidade e generosidade, seu carisma como ser humano e seus inestimáveis serviços prestados à capoeira ficarão eternizados entre todos aqueles que valorizam a memória social de um país que sofre de “esquecimento crônico”, como é o caso do Brasil.

Um axé meu amigo, onde quer que você esteja !

Jovens pacientes superam limites em aulas de capoeira inclusiva na AACD

Inclusão através do esporte para a superação de muitos limites. Essa é a fórmula para um grupo de 35 jovens pacientes da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), na Ilha Joana Bezerra, Zona Central do Recife. Todas as segundas, das 14h às 15h, eles têm encontro marcado com o mestre de capoeira voluntário Severino Santos de Almeida Júnior, o Mestre Júnior, responsável por levar ao universo das crianças a adaptação, do jogo, da luta, da tradição da Capoeira, criada pelos escravos africanos e trazida ao Brasil na época em que o País era uma colônia portuguesa.

O projeto, chamado de capoeira inclusiva, foi levado à entidade em Pernambuco pelo mestre em 2006, após um evento sobre a prática da capoeira na AACD de São Paulo, focada em pacientes amputados. “O que começou meio suspeito é, hoje, uma verdade”, comemora Mestre Júnior, de 44 anos, também professor de educação física e história, com 35 anos voltados à prática desse esporte e sua história, onde ele cita a seguinte máxima dita pelo Mestre Pastinha: “Capoeira é tudo que a boca come”. Confira videorreportagem do NE10:

A dinâmica da aula é desenvolvida após análise da ficha médica de cada aluno, assim como as atividades fisioterapêuticas desenvolvidas com a equipe da AACD. A partir dessa avaliação, o professor trabalha o lado lúdico do esporte e o enriquecimento muscular, já que a Capoeira trabalha o sistema Cardiovascular, Sistema auditivo que por sua vez aguça os reflexos do paciente e o Sistema Neurológico, através da música com os instrumentos da Capoeira (berimbau, pandeiro, atabaque e etc.) e ao som mecânico com CDS de Capoeira, associado aos valores desenvolvidos nos atletas: disciplina, superação e motivação. Apesar das diferentes especificidades, mestre Júnior garante: “A aula de um é para todos”. Para um dos alunos, Pedro Lucas, de 9 anos, conseguir entrar nas aulas, há três anos, foi a realização de um desejo. Entre risos envergonhados, o jovem afirma: “Eu queria muito entrar nesse grupo e minha mãe conseguiu”, conta. Quando questionado sobre de qual parte gosta mais, é taxativo: “Gosto mais de cantar”.

A capoeira inclusiva, além de desenvolver a habilidade social, auxilia na fisioterapia recomendada para cada aluno e contribui com a reabilitação do paciente. É o caso de Brenda Carlla, uma das mais velhas do grupo. “Eu percebi que desenvolvo mais. Antes da capoeira, eu caía muito quando pegava carona em bicicleta, agora não caio mais”, conta a jovem de 17 anos, que desde os dois anos de idade faz tratamentos na AACD e começou as aulas com o mestre Junior há seis anos. As aulas semanais são aguardadas ansiosamente não apenas pelos alunos, mas também por suas mães. Para Jacira Muniz, 45 anos, mãe de Thiago, de 14 anos, os resultados são gratificantes. “A gente que é mãe vê a evolução. A questão que ele faz de vir. Ele até mostra os movimentos que aprendeu. A capoeira faz a diferença”, comemora Jacira, que se dedica exclusivamente aos cuidados com o filho.

Marília Lima, 31 anos, mãe de José Ricardo, 7 anos, chegou a pensar em desistir de acompanhar os filhos na aula. O pequeno é portador da Síndrome de Lesch-Nyan, uma doença hereditária e metabólica rara que causa disfunção neurológica, cognitiva e alterações de comportamento. “Eu queria desistir, mas o mestre não deixou. Com a continuidade, ele melhorou bastante. Antes de entrar na capoeira, quase não tinha contato com outras pessoas. Agora, ele até pede para vir”, conta.

“Para mim foi muito importante. O pouco que eu consegui é muita coisa”

O outro filho, Matheus Guilherme, de apenas um ano e nove meses, também é portador de Lesch-Nyan. Se depender da mãe, será o mais novo paciente a ser apresentado ao poder de reabilitação da capoeira inclusiva.

Pedro Lucas já participa da capoeira inclusiva há três anos. O que mais gosta nas aulas é de cantar

AULAS – Para participar das aulas, o aluno precisa ser paciente AACD e enfrentar uma fila de espera com cerca de 70 pessoas. O requisito para começar o tratamento na entidade é a apresentação de um laudo médico que comprove a necessidade do paciente em realizar procedimentos de reabilitação física.

 

Além das aulas semanais, a instituição promove o Encontro de Capoeira Inclusiva. O evento marca o batismo e a troca de cordas das crianças e adolescentes que formam o grupo de capoeira da AACD. “Temos desde a graduação infantil especial, que são seis cordas, até a graduação adulta, com nove cordas”, explica Severino Júnior.
A Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) é uma instituição sem fins lucrativos que atende crianças e jovens de 0 a 16 anos com deficiência física e adultos amputados e lesionados.

Inaugurada em 1999, a AACD Pernambuco já ultrapassou 149 mil consultas clínicas e 833 mil terapias realizadas para crianças de todo o Norte e Nordeste. Atualmente, é mantida através de parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS) e realização de projetos com venda revertida à instituição.  Para marcar a triagem específica para cada patologia na AACD, o paciente ou seu responsável deve apresentar ao setor de Serviço de Atendimento Médico e Estatístico (Same) um relatório médico que descreva o diagnóstico e tratamento realizado na fase aguda ou inicial da doença, além das condições atuais em que o paciente se encontra. Após avaliação de uma equipe multidisciplinar, será elaborado o tratamento de reabilitação na AACD. Se por acaso a patologia não for tratada na associação, o paciente e família são orientados a realizarem o tratamento em instituições especializadas na deficiência relatada.

 

AACD Pernambuco
Endereço: Avenida Advogado José Paulo Cavalcanti, 155, Ilha Joana Bezerra Recife  Telefone: 3419.4000

Mestre Junior: (81)977018889/86192109

Foto: Malu Silveira / NE10

 

Africa: A Capoeira ajuda as crianças de rua em Kinshasa

Na praça do centro de Limete, um bairro popular de Kinshasa, a capoeira encontrou praticantes inesperados: as crianças de rua.

A capital da República Democrática do Congo, com seus 12 milhões de habitantes, é a segunda cidade do mundo, logo atrás do Rio de Janeiro, em número de crianças abandonadas.

As estimativas variam de uma fonte à outra, mas a ONG francesa Médecins du Monde (Médicos do Mundo, MDM) estima que são cerca de 20.000. Algumas largaram as famílias, outras foram abandonadas.

Estas crianças são chamadas de “shégués” (crianças de rua em lingala), um nome que é sinônimo de “ladrão”, já que elas vivem essencialmente de roubos e furtos. Elas recusam a ajuda de dezenas de ONG e acabam muitas vezes caindo na prostituição, na desnutrição e na violência.

Algumas, porém, deram sentido às suas vidas graças à disciplina e a energia da capoeira.

As crianças a praticam na rua com Yannick N’Salambo, um técnico em computação congolês de cerca de 30 anos de idade que se apaixonou por esta luta misturada com dança ensinada por um viajante brasileiro. Três vezes por semana, ele vai a Limete e encontra um lugar no meio dos comerciantes de carvão e de legumes, dos engraxates e dos vendedores de crédito para celular.

Munidos de um berimbau e de um reco-reco, Yannick e seus assistentes começam o aquecimento. Em seguida, dois de cada vez, eles começam. Fortes e atléticos, eles exibem seus movimentos plásticos.

Às vezes, um dos participantes acaba entrando no ritmo do adversário e atingindo-o. “Malembe!” (cuidado!), avisa o mestre, que toma seu lugar e mostra como se deve agir sem machucar o companheiro.

Em volta, cerca de dez crianças, entre 5 a 13 anos, assistem com atenção.

Descalços, vestindo roupas comuns como camisetas e calças largas, os dois param após alguns minutos, sendo imediatamente substituídos por outros dois parceiros que tentam mostrar que aprenderam como se faz.

A aula dura duas horas e termina com a lembrança do que se espera dos jovens alunos: seguir as obrigações escolares, ter um comportamento digno, respeitar as funções de cada um perante o grupo e ser pontual.

“Eu vi uma grande evolução”, diz Yannick. “Eu tinha crianças que não obedeciam, eram agressivas, mal-educadas. A capoeira reestruturou seus lados psicológicos”.

A capoeira ensina os jovens de rua o que nem a escola, nem a família conseguiu ensinar.

Um dos assistentes, Ninja, de 30 anos, saiu das ruas graças à esta prática. Fechado, tímido, ele viveu sem lar por 20 anos.

“A capoeira permitiu a ele se expressar”, explica Yannick, que ganha um pouco de dinheiro dando aulas aos estrangeiros.

“É um esporte que nos ensina a amizade”, diz Jérémie Tchibenda, de 14 anos. Francis, de 9 anos, “se sente bem” quando pratica capoeira.

Nem todos vem da rua, alguns têm família e moram por perto. Alex Karibu, de 25 anos, tinha quinze anos e já era órfão quando começou.

O jovem embaixador do Brasil no país, Paulo Uchoa, se sente orgulhoso de ver esta atividade brasileira encontrando público no Congo e ajudando estas crianças.

“Vou fazer de tudo para ajudar”, garantiu o diplomata, lembrando que o Brasil e a África vêm se aproximando. Em des anos, as trocas comerciais do Brasil com o continente africano saltaram de 5 para 26 bilhões de dólares, e o número de embaixadas brasileiras em solo africano subiu de 15 para 38.

É praticamente uma volta para casa, já que a capoeira, mesmo tendo sido criada no Brasil, tem as raízes na África.

Metade dança, metade luta, a capoeira se desenvolveu no século XIX na clandestinidade, em meio às populações escravas vindas da África. Como eram proibidos de lutar, os escravos escondiam sua luta com a dança.

 

Fonte: AFP – Agence France-Presse