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Bahia: Grupos de capoeira fazem caminhada pela paz

Aproveitando o dia primeiro de janeiro, Dia da Paz Mundial, diversos grupos de capoeira de Feira de Santana fazem hoje, a partir das 16h, uma caminhada em direção à praça de alimentação da Avenida Getúlio Vargas, em Feira de Santana, 2º maior município da Bahia.

Com a palavra de ordem “Vista-se de branco e jogue limpo”, a reunião dos grupos termina numa Grande Roda de confraternização com a presença de capoeiristas de todas as idades e estilos.

Esta é a segunda edição da Campanha Cultura da Paz Capoeira, uma iniciativa do Instituto Odu Odara, ONG que trabalha com capoeira e educação em Feira de Santana.

Segundo o Instituto, a campanha é uma ação junto à comunidade capoeira da cidade para construir uma cultura de paz e diminuir as distâncias entre os grupos.

Entendemos que ações como esta são capazes de remover as barreiras para o desenvolvimento da capoeira integrando os capoeiristas entre si e com a comunidade – dizem os coordenadores da entidade.

A ONG espera que, a partir do sucesso da ação, grupos de capoeira de outras cidades reproduzam a iniciativa.

Fonte: http://jbonline.terra.com.br

Capoeira X CREF/CONFEF : Um jogo perigoso fora da roda

Neste artigo, o professor Acúrsio Esteves, autor do livro A "Capoeira" da Indústria do Entretenimento, faz uma análise crítica da questão Cref/Confef versus Capoeira.
 
Jornal do Capoeira –
www.capoeira.jex.com.br
Edição AUGUSTO MÁRIO FERREIRA – Mestre GUGA (n.49)
de 13 a 19 de Novembro  de 2005


 
Profº Acúrsio Esteves *
Salvador, BA
 
Uma situação preocupante parte das ações do sistema CREF/CONFEF. Este está exigindo que mestres e professores de capoeira, que já há algum tempo ministram aulas de capoeira em suas academias ou outras instituições, sejam seus afiliados, para que tenham direito a continuar seus trabalhos. Tal procela gerou um impasse, pois os profissionais da capoeira fundamentados na tradição, não querem aceitar este domínio alienígena sobre a sua arte. Pessoalmente, concordando com os capoeiras, acho que a ela deva continuar seu caminho independente de controle ou registro externo. Seria, em minha opinião, o mesmo que os Conselhos de Medicina exigir que as parteiras, para continuarem a exercer suas atividades, tivessem que se filiar a estas entidades.
 
Submetê-la a controle externo, principalmente dentro do contexto que se propõe é esvaziá-la do seu significado simbólico/cultural, é equipará-la a qualquer atividade meramente física como corrida, musculação, ginástica, é roubar-lhe a pujança e a representatividade que possuem os saberes populares. É transformá-la em mero movimento corporal com intenções de condicionamento físico.
Como professor de Educação Física, reconheço a importância de um órgão para regulamentar a profissão, porém, entendo que esta posição tomada pelo CREF/CONFEF é uma ação corporativa perpetrada contra a capoeira e representa espúrias pretensões comerciais de reserva de mercado. Paralelamente, reflete e tenta repetir a dominação secular das classes dominantes sobre o povo, se apropriando dos seus saberes construídos coletivamente expressos sob forma de cultura popular, folclore, religião, gastronomia ou de qualquer outra natureza interferindo nelas forma ostensiva, negativa, deflagrando o início do seu processo de enfraquecimento,  quiçá aniquilamento.
 
De forma subjacente, esta atitude corporativa contempla uma ação que de forma indevida expõe todos os profissionais de Educação Física às duras críticas dos setores acadêmicos e culturais comprometidos com as raízes da cultura popular. A pretensão de se criar uma reserva de mercado se apropriando de uma clientela formada com muito trabalho, perseverança e sacrifício por outras categorias de trabalhadores é antiética, imoral e configura uma apropriação indébita sob o beneplácito da lei.     
Quanto aos profissionais da capoeira, afirmo que a categoria deve estar permanentemente mobilizada para garantir a sua autonomia antes que ela se transforme em um simples apêndice da Educação Física. A sua principal frente de luta deverá ser a de preservar não só a autonomia dos profissionais que tem atuado historicamente, como principalmente, os que agora estão iniciando e os que virão. Entendemos que esta atitude pretendida pelos "senhores do movimento" pretende criar privilégios para uma determinada categoria profissional sobre um patrimônio cultural que pertence ao povo.
 
Esta autonomia foi conseguida após muito sacrifício durante séculos por parte de mestre, alunos, simpatizantes e intelectuais que travaram árduas batalhas para fugir às perseguições policiais, políticas e preconceituosas por parte de setores conservadores da sociedade. Estes mesmos setores agora querem de novo dominá-la através de dispositivos legais, por intermédio de parlamentares que representam a elite e o grande capital. Entendemos que a cultura e o trabalhador devam ser protegidos pelo estado e não por ele perseguidos e controlados, aliás, é o que determina a lei.
 
 

* O professor e pesquisador Acúrsio Esteves, é formado em Educação Física pela UCSal, com mestrado em Gestão de Organizações UNIBAHIA/UNEB e é professor da Secretaria Municipal de Educação de Salvador. Leciona também nas Faculdades Jorge Amado e Fundação Visconde de Cairu, respectivamente nos cursos de Educação Física e Turismo, sendo também autor dos livros Pedagogia do Brincar e A "Capoeira" da Indústria do Entretenimento, de onde foi retirado este fragmento de capítulo.
 
**  Ilustração: www.correiodabahia.com.br
 
Contactos: (71) 3233-9255 / 9946-4743 – acursio@oi.com.br

Convenção Internaciona de Capoeira, Bahia e o Candomblé

Estourou pelo mundo afora, mal foi anunciada esta Convenção, uma forte discussão. Alguns aplaudindo incondicionalmente, muitos impondo algumas condições para aplaudir.
 
Pelos artigos e notas que estamos publicando neste jornal e pelos sites de intercâmbio capoeirístico percebe-se que o maior número de  críticas está concentrado na falta de transparência, pelo menos inicial, do Evento.  Muitos estão criticando, também, a real representatividade que o evento terá para se autoproclamar de "Internacional". Ou seja, que mestres e demais especialistas, afinal, terão vez, voz e voto?
 
Não falta, como sempre, quem esteja querendo saber quem vai pagar essa conta?
 
Entendemos que esta reação é absolutamente normal e até previsível. Entendemos, também, que será positiva, pois dará preciosos subsídios para os encarregados do Planejamento da Convenção.  Particularmente, podemos garantir que a Sra. Marta Sales, uma das responsáveis pelo Evento, está reagindo muito bem e procurando incorporar ao seu trabalho toda e qualquer sugestão que seja viável, oportuna e que possa substanciar ainda mais o Evento.
 
Assim considerando, pinçamos para este pequeno artigo, mais um ponto que está despertando polêmica sobre este Evento previsto para dezembro próximo, em Salvador, Bahia: a programação sócio-religiosa que, segundo alguns, será embutida em algum momento do Evento.
 
Pela Internet circula uma lista de objetivos e programas já definidos para o Evento. Um deles é visitar algumas das internacionalmente famosas igrejas da Bahia. Embora aplaudindo, algumas lideranças da capoeira estranham a exclusão de visita similar às casas de candomblé igualmente famosas?
 
 Essas, inclusive, muito mais ligadas à  História da Capoeira.
 
Parece ser uma reivindicação justa que, seguramente, será considerada e adicionada à programação do evento.  Talvez até ensejando uma palestra sobre a "Influência das Religiões Africanas nas Américas, especialmente no Brasil". Palestra que abrangeria vários outros povos, como Cuba (Santeria). Palestra que abrangeria diversos estados brasileiros. Palestra, finalmente, que  discutiria algumas relações flagrantemente existentes entre Candomblé & Umbanda  e Capoeiragem.
 
Grandes nomes para esta conferência é que não faltam, grandes casas de candomblé para serem visitadas é que também não faltam.
 
Temos aí, portanto, mais uma sugestão para os programadores da Convenção.
 
Voltaremos a este assunto mais adiante, comentando alguns excelentes sites que podem e devem ser consultados por todo capoeira-pesquisador interessado.

ARPÃO-DE-CABEÇA

… um estranho giro vertical sobre os pés…
… com os braços abertos…
… aguardando uma cabeçada…
… anulada com uma joelhada na face do colega…
… que já entrava com as mãos cruzadas…
… em defesa do joelho hostil!
…!? ARPÃO?!…
…!? de CABEÇA !!!???…

No “Aurélio” encontramos…
ARPÃO: ferro em feitio de seta
fixado a um cabo para ser cravado na presa.
… entendemos!
… ” a seta é a cabeça”…
… “o cabo é o tronco encurvado”…
… “as pernas são a força propulsora…
… procurando cravar o arpão <a cabeça>…
… no peito exposto <braços abertos>…
… de quem pede”…
… assim é o “pedido de arpão de cabeça”!

ARPÃO-DE-CABEÇA

… um estranho giro vertical sobre os pés…
… com os braços abertos…
… aguardando uma cabeçada…
… anulada com uma joelhada na face do colega…
… que já entrava com as mãos cruzadas…
… em defesa do joelho hostil!
…!? ARPÃO?!…
…!? de CABEÇA !!!???…

No "Aurélio" encontramos…
ARPÃO: ferro em feitio de seta, fixado a um cabo para ser cravado na presa.
… entendemos!
.. " a seta é a cabeça"…
… "o cabo é o tronco encurvado"…
… "as pernas são a força propulsora…
… procurando cravar o arpão <a cabeça> …
… no peito exposto <braços abertos>…
… de quem pede"…
… assim é o "pedido de arpão de cabeça"!

Bahia quer tombar capoeira como patrimônio imaterial

Bahia quer tombar capoeira como patrimônio imaterial 
 
Depois do acarajé, a capoeira. O Ipac (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural) da Bahia publicou no "Diário Oficial" do Estado uma notificação –o primeiro passo para transformar a capoeira em patrimônio imaterial (manifestação artística que exerce uma forte influência sobre a cultura local).

De acordo com a Libac (Liga Baiana de Capoeira), o tombamento da arte legaliza o ofício de "professor" ou "mestre" de capoeira, sem a necessidade de graduação em educação física.

"A idéia de registrar a capoeira como patrimônio é conseqüência dos problemas que os mestres estavam enfrentando com os conselhos regionais de educação física. Além disso, o tombamento vai preservar a capoeira como patrimônio nacional", disse Carlos Ferreira da Silva Filho, diretor da Libac.

Segundo Filho, as exigências dos conselhos servem apenas para garantir "uma reserva de mercado". "Não temos nada contra os estudantes de educação física, mas entendemos de capoeira mais do que ninguém."

O presidente do Conselho Regional de Educação Física da Bahia, Carlos Pimentel, disse que mestres de capoeira não têm o direito de utilizar a arte como atividade física. "Os nossos fiscais nunca foram fiscalizar as rodas de capoeira em qualquer lugar de Salvador, pois entendemos que isso é uma manifestação cultural. Mas, por outro lado, não podemos admitir que as pessoas ganhem dinheiro e utilizem a capoeira como forma de condicionamento físico nas academias."

Os técnicos do Ipac ainda vão percorrer um longo caminho antes de a capoeira ser tombada como bem imaterial. A partir do início do próximo ano, os funcionários começam a preparar um relatório baseado em documentos históricos e entrevistas feitas com os mestres.

O documento será analisado pela Câmara de Patrimônio do Conselho Estadual de Cultura. Depois que todas as etapas estabelecidas pela legislação forem cumpridas, a capoeira ganha um registro definitivo de tombamento. "Queremos preservar a capoeira como bem cultural e nada mais", disse Júlio Braga, diretor do Ipac.

Além da capoeira, o Ipac também já iniciou o processo para registrar como patrimônio imaterial a festa de Santa Bárbara, que atrai milhares de fiéis todos os anos em Salvador (4 de dezembro). Outros três terreiros de candomblé também já foram tombados na capital baiana.
 

LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Salvador

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