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Estrangeiros visitam a Bahia para aprender Capoeira

A cidade de Salvador está recebendo 15 estudantes universitários que estão na cidade para conhecer um pouco mais da Capoeira de Angola. O grupo foi trazido pelo Departamento de Estudos Afro-Americanos da faculdade de Oberlin College, de Boston (EUA) e fazem parte do curso de sociologia e neurologia. Além dos americanos, outro grupo, com sete colombianos, também visita a cidade para aprender mais sobre o esporte. Os visitantes fazem parte do Grupo de Capoeira Volta ao Mundo, de Bogotá.

“A Capoeira Angola está bem representada aqui, por isso sempre tivemos a Bahia como referência. Além disso, a cidade tem uma agenda cultural muito rica e o lugar é muito gostoso. Vamos ficar para aproveitar mais a cidade e conhecer o Carnaval”, disse o colombiano Juan Pablo, 25 anos.

 

De dança ou luta proibida pelas autoridades, a Capoeira virou patrimônio cultural brasileiro, tornou-se grande atrativo da Bahia e tem seduzido turistas de todos os lugares do mundo, como o grupo de estudantes norte-americanos, da Oberlin College, que veio a Salvador aprender os segredos da Capoeira Angola.

Há duas semanas na capital baiana, os estudantes aproveitaram para conhecer alguns dos principais pontos turísticos de Salvador como o Pelourinho, o Mercado Modelo e o Elevador Lacerda. Segundo o coordenador da Acanne, Mestre Renê Bitencourt, as aulas se dividem em teoria e prática.

“Temos a aula teórica sobre história da Acanne, do samba de roda e do mestre Paulo dos Anjos, que inspirou a criação da associação. Nós trabalhamos o movimento em torno da ginga que o baiano tem para deixar o corpo solto, além de aula de berimbau”, explica Bitencourt.

Já os primeiros passos no esporte estão sendo iniciados com os mestres da Acanne, grupo que há 25 anos leva a Capoeira Angola e os ensinamentos do mestre Paulo dos Anjos a alunos de Minas Gerais e  do Rio Grande do Sul, no Brasil, além da França e Estados Unidos.

Sete colombianos também visitam a cidade e estão aprendendo mais sobre a capoeira. Eles fazem parte do Grupo de Capoeira Volta ao Mundo, de Bogotá, vieram à Bahia de forma independente participar de um evento em dezembro, mas, encantados com a cidade, resolveram permanecer até o Carnaval.

“A Capoeira Angola está bem representada aqui. Por isso sempre tivemos a Bahia como referência. Além disso, a cidade tem agenda cultural muito rica. Vamos ficar para aproveitar mais a cidade e conhecer o Carnaval”, disse o colombiano Juan Pablo, 25 anos.

 

Dança, canto e sagacidade

 

Para a superintendente de Serviços Turísticos da Secretaria de Turismo da Bahia, Cássia Magalhães, a Bahia, conhecida internacionalmente como a ‘Meca da Capoeira’, contribui de forma importante para o fluxo turístico do Estado.

“A Capoeira –  ao lado do Candomblé – é o principal elemento cultural e étnico capaz de disseminar a cultura baiana. É um sistema de valores que mistura dança, canto e sagacidade. E, por isso, um instrumento turístico muito significante para o estado”, diz.

 

Fonte: http://www.mercadoeeventos.com.br/ – http://www.nordesturismo.com.br

O Mestre e sua função

Ao falarmos sobre capoeira é quase inevitável pensarmos logo na figura do mestre. O mestre que também é uma figura muito comum na maioria das manifestações das culturas populares de todo mundo, é aquele considerado o guardião da memória, da tradição, dos saberes e fazeres de uma determinada comunidade.

É aquele que é respeitado por todos como alguém que com o tempo foi assumindo essa função, herdada de outro mestre mais antigo que delegou a ele essa responsabilidade. Mas sobretudo, é aquele que é reconhecido pela sua comunidade como alguém que tem a sabedoria de exercer essa função. E esse reconhecimento é algo adquirido ao logo do tempo, pacientemente, mais ou menos na mesma época em que vão chegando também as rugas no rosto e os primeiros fios de cabelos brancos.

O verdadeiro mestre é aquele que não tem pressa, que sabe que o tempo é quem vai dar-lhe as condições de exercer essa função quase sagrada, com toda a sabedoria que ela exige. E é muito difícil que isso aconteça antes que esse sujeito tenha uma experiência de várias décadas envolvido com essa manifestação.

Por isso é que ele não pode queimar etapas, ser afoito e precipitado. “A fruta só dá no tempo”, como diria mestre Pastinha, mas, no entanto, vemos hoje em dia uma disseminação de jovens capoeiristas na faixa dos 20 ou 30 anos, se auto-intitulando mestres de capoeira, que mal começam a adquirir experiência de vida, e já assumem a responsabilidade de exercer essa sagrada função de mestre perante jovens e adultos em todas as partes do mundo por onde a capoeira se espalhou.

Isso é preocupante, pois acaba ferindo alguns princípios muito valiosos da tradição e da ancestralidade da capoeira, que tem no mestre o seu principal veículo de transmissão e que se baseia, sobretudo, na experiência do mais velho, que é quem tem a autoridade e o reconhecimento para exercer tal função. Citando novamente o filósofo Vicente Ferreira Pastinha, ele dizia que “o mestre guarda segredos, mas não nega explicação”. A capoeira tem segredos, que só os mais velhos sabem decifrar. E é preciso muita paciência e sabedoria para alcançar essa condição.

Vivemos um tempo em que o mercado e a profissionalização do capoeirista, fazem com que sejam queimadas etapas muito importantes no processo de formação do mestre de capoeira. Muitas vezes a ganância e o desejo de lucro por parte de alguns grupos fazem acelerar demasiadamente esse ciclo, dando margem a uma proliferação de mestres de capoeira sem nenhum requisito, experiência, nem capacidade para exercer essa função, o que tem resultado num empobrecimento muito grande na capoeira que se tem visto por aí, mundo afora.

É preciso recuperar a dignidade da função do mestre de capoeira. Ele deve ser um exemplo de vida para seus discípulos, deve conhecer profundamente a capoeira em todos os seus aspectos, e não apenas ter a musculatura mais desenvolvida e ser aquele que salta mais alto. Tem que saber sentar e aconselhar com sabedoria àqueles que estão sob sua guarda, como faziam os velhos griôs* africanos.

Isso só se adquire com o tempo, com bastante tempo.

 

*Vem de griot, da língua francesa, que  traduz  a palavra  Dieli (Jéli ou Djeli), que significa o sangue que circula, na língua bamanan  habitante do  território  do  antigo  império  Mali  que  hoje  está  dividido entre varios  países do noroeste da África. Na tradição oral do noroeste da ÁFRICA, o griô é um(a) caminhante, cantador(a), poeta, contador(a) de histórias, genealogista, artista, comunicador(a) tradicional, mediador(a) político(a) da comunidade. Ele(a) é o sangue que circula os saberes e histórias, mitos, lutas e glórias de seu povo, dando vida à rede de transmissão oral de sua região e país.

Capoeira, Esporte, Lazer e Inclusão Social do Nordeste de Amaralina

Iniciação esportiva beneficia mais de seis mil soteropolitanos

À tarde da última segunda-feira (29) foi muito especial para as crianças e jovens de três bairros carentes de Salvador, Nordeste de Amaralina, Plataforma e Ribeira, justamente no dia do aniversário da capital baiana. O Centro Social Urbano (CSU), do Nordeste de Amaralina sediou um evento do Programa de Iniciação Esportiva e Inclusão Social, com a presença dos secretários estaduais do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, do Desenvolvimento Social, Valmir Assunção, e das Relações Institucionais, Rui Costa, além do ex-nadador baiano Edvaldo Valério, campeão olímpico em 2000, e do diretor-geral da Superintendência de Desportos da Bahia (Sudesb), Raimundo Nonato Tavares (Bobô).

Os alunos do curso de capoeira do Projeto Esporte, Lazer e Inclusão Social do Nordeste de Amaralina fizeram uma apresentação, enquanto os meninos do Projeto Bola da Vez, também realizado em parceria com o Governo do Estado, pela Associação Bom Samaritano, no bairro de Plataforma, marcaram presença. A Associação Beneficente de Educação Arte e Cidadania (Abeac) renovou o convênio, por mais seis meses, do projeto que já funciona no bairro da Ribeira e agora irá beneficiar 2,4 mil pessoas, o dobro do período anterior, quando 1,2 mil baianos foram atendidos. Com isso, o governo passa a beneficiar mais de seis mil pessoas com os três projetos que fazem parte do Programa de Iniciação Esportiva e Inclusão Social.

Para a aluna do curso de capoeira do projeto, Monalisa dos Anjos, o evento serviu como divulgação para os pais saberem que existe esse projeto gratuito e que seus filhos podem praticar esporte em um bom ambiente, com pessoas sérias. “A capoeira, para mim, representa um alicerce porque vai encaminhar as pessoas para, no futuro, poderem até tê-la como profissão. Eu pratico para me manter em forma, mas ela também serve para tirar os jovens das ruas”.

Risco Social

Presidente da Associação Bom Samaritano, que realiza o Projeto Bola da Vez, em parceria com a Sudesb, Rita da Anunciação deu depoimentos sobre a real importância de iniciativas como essa. “Muitos pais não cansam de nos procurar com medo de perder os filhos para o mundo do crime ou das drogas, mas depois que os filhos começam a participar das aulas eles já não têm mais do que reclamar”. Anunciação disse que alguns meninos já conseguiram largar as armas ou a cola de sapateiro depois que passaram a praticar atividades saudáveis no programa.

Atleta de futebol do projeto Bola da Vez, Mateus Santana subiu ao palco principal para falar sobre a importância dessas ações. “Gostaria de agradecer a Bobô e à Sudesb por apoiar o nosso projeto que agora está prosperando, fazendo com que continuemos juntos do lado certo da comunidade e não do lado errado”, disse. Quem também subiu para dar um depoimento foi a atleta de basquete do projeto que acontece na Ribeira, em parceria com a Abeac, Luana Lima. “Foi muito bom participar do basquete, lá eu me encontrei. Por isso, sempre digo que aproveitem”, disse.

Carine Cardoso, que pratica natação no projeto do Nordeste de Amaralina, reconhece a importância dessa ocupação. “Eu venho sempre nadar para não ficar na rua, fazendo coisas erradas. Eu também sonho em ser atleta profissional e a presença de um atleta com a história de Edvaldo Valério aqui incentiva a gente a seguir nesse caminho”, disse. Tainan Viana, também aluno da natação, segurava orgulhoso o troféu que ganhou em uma Maratona Aquática. “Esse projeto é muito importante porque eu não fazia nenhum esporte, mas eu comecei aqui e ganhar esse troféu já dá um estímulo maior para continuar”.

Edvaldo Valério valorizou a estrutura do CSU. “Quando cheguei aqui, senti uma inveja saudável, depois de ver uma piscina linda e bem tratada como essa construída pela Sedes”. Ele lembra que também nasceu e cresceu em um bairro carente, mas não teve uma oportunidade como essa. “A mensagem que eu deixo é que aproveitem essa chance. Eu acredito muito no esporte como uma ferramenta importante de inclusão social. Eu, graças à natação, fiz grandes amigos e vivi em um ambiente saudável”.

Programas esportivos geram emprego e renda

Para Bobô, o CSU serve como referência para todos da Bahia e os projetos desenvolvidos em bairros carentes fazem parte da política do Governo, já que o governador Jaques Wagner cobra constantemente essas ações. “Os projetos não servem apenas para dar oportunidade e ocupação para as crianças ou para a terceira idade, mas geram emprego também porque os instrutores fazem parte da comunidade, o que acaba movimentando a economia local”. “Eu estive aqui no lançamento desse programa e, de lá para cá, temos percebido o crescimento do projeto. A gente pensa em 2016 como algo muito longínquo, mas é essa turma que vai fazer o Brasil brilhar na Olimpíada do Rio de Janeiro”, disse o secretário Nilton Vasconcelos.

 

Fonte: http://www.jornalfeirahoje.com.br

Bahia: Grupos de capoeira fazem caminhada pela paz

Aproveitando o dia primeiro de janeiro, Dia da Paz Mundial, diversos grupos de capoeira de Feira de Santana fazem hoje, a partir das 16h, uma caminhada em direção à praça de alimentação da Avenida Getúlio Vargas, em Feira de Santana, 2º maior município da Bahia.

Com a palavra de ordem “Vista-se de branco e jogue limpo”, a reunião dos grupos termina numa Grande Roda de confraternização com a presença de capoeiristas de todas as idades e estilos.

Esta é a segunda edição da Campanha Cultura da Paz Capoeira, uma iniciativa do Instituto Odu Odara, ONG que trabalha com capoeira e educação em Feira de Santana.

Segundo o Instituto, a campanha é uma ação junto à comunidade capoeira da cidade para construir uma cultura de paz e diminuir as distâncias entre os grupos.

Entendemos que ações como esta são capazes de remover as barreiras para o desenvolvimento da capoeira integrando os capoeiristas entre si e com a comunidade – dizem os coordenadores da entidade.

A ONG espera que, a partir do sucesso da ação, grupos de capoeira de outras cidades reproduzam a iniciativa.

Fonte: http://jbonline.terra.com.br

Feliz Aniversário: MESTRE VIRGÍLIO DA FAZENDA GRANDE

VIRGÍLIO MAXIMIANO FERREIRA (MESTRE VIRGÍLIO DA FAZENDA GRANDE)

Nasceu em 03.12.1944 em Salvador-Bahia e começou na capoeira angola em 1954 com o seu pai Mestre Espinho Remoso

O mestre Virgílio como seu pai, é um grande baluarte da capoeira e zelador da arte no bairro da Fazenda Grande do Retiro, onde ensina aos seus alunos na Academia de Capoeira Angola Primeiro de Maio, onde forma a mais de trinta anos uma roda de capoeira aos domingos.

Atualmente faz parte da Diretoria da ABCA

Fonte: CapoWiki

PERDÃO POR DIVULGAR TÃO EM CIMA DA HORA

Mas amanhã DOMINGO FINAL DA TARDE será comemorado os 64 aniversários de Mestre Virgilio; filho do famoso Espinho Remoso uma figurinha carimbada da capoeira da Bahia.

Em breve vamos mandar para todos um texto sobre a vida do mestre Virgilio na capoeira.

Em breve vamos comemorar também sua posse na PRESIDENCIA DA HISTÓRICA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CAPOEIRA ANGOLA QUE está sendo reconstruída com a elegância e equilibrio do mestre da Fazenda Grande e mais uma equipe de mestres fundamentais na capoeira angola da Bahia, como Mestre Nô, Mestre Augusto Januário, Boca Rica, Odilon, Pelé da Bomba e do Tonel; Angelo Romano; Zé do Lenço e tantos mestres que fazem parte da história da entidade como Moraes, Curió, Rene, Moa sem falar do primeiro presidente mestre João Pequeno.

ENDEREÇO RUA JOSÉ DANTAS DE OLIVEIRA Nº 05 – É UMA ESCOLA Fim de Linha de Fazenda Grande. referência: Rua proximo a EGBA – gráfica do Estado e a escola fica perto da padaria IRARÁ.

FONE DO MESTRE: 9133.1238

Lucia Correia Lima

Brasileiros mostram Axé no Festival Latino em Boston

 

O grupo Afro Brazil apresenta-se na sexta-feira, 11, às 21 horas, no Jorge Hernández Cultural Center e é peça fundamental da série de performances latinas do “Café Teatro”, da temporada da primavera 2008. A Casa de La Cultura/ Center for Latino Arts e Inquilinos Boricuas en Acción (IBA) adicionaram no festival a diversidade da música e da dança herdada da cultura afro-brasileira.

A apresentação, intitulada AXÉ, inclui, além da batucada mágica do Afro Brazil, a Capoeira Camará Angola do Centro Cultural Brasileiro da Nova Inglaterra. E os organizadores fazem questão de pontuar: “AXÉ significa a origem de todas as coisas, a fonte da vida, a energia da vida”.

Se o nome do festival por si só promete uma onda eletrizante de energia boa, a cultura peculiar do Brasil é ótima referência. O show inclui expressões artísticas nascidas da religião e do folclore popular e contemporâneo da comunidade africana do Brasil como Candomblé, Maracatú, Ijexá, Capoeira, Forró e ritmos do carnaval.

“Essa festa mostra a riqueza da nossa cultura. O próprio brasileiro conhece novas expressões e os estrangeiros se encantam com tanta variedade vinda de um só país”, garante Marcus Santos, percussionista e diretor artístico do Afro Brazil.
Os artistas que participam do AXÉ também fazem uma matinê para as crianças das escolas do South End no mesmo dia.
O Jorge Hernández Cultural Center fica no 85 West Newton Street, South End, Boston.

Para mais informações, visite www.claboston.org ou ligue 617-927-1717

Fonte: Brazilian Voice – http://www.brazilianvoice.com/

 

Teatro & Homenagem a Mestre Pastinha: Quando as Pernas Fazem Miserê

“Quando as Pernas Fazem Miserê”, montagem elaborada pelo diretor teatral Luís Carlos Nem, conta a história da capoeira pela visão do mestre Pastinha, um dos maiores mestres do país. A proposta é mostrar ao público a história de uma das mais respeitadas expressões artísticas da cultura nacional.

O espetáculo tem o patrocínio da Petrobrás e é uma homenagem a Vicente Ferreira Pastinha, grande mestre da Capoeira Angola, que dedicou toda a vida na atitude de manter acesa a chama da autêntica capoeira. O espetáculo é resultado da pesquisa feita em parceria com os atores/capoeiristas Angoleiros de Campinas, integrantes do Grupo de Capoeira Sementes do Jogo de Angola, liderados pelo Mestre “Jogo de Dentro”, formado pelo Mestre João Pequeno, hoje com 87 anos, ainda em atividade em Salvador.

Quinta 21h e Sexta ás 21:30

13 e 14 de setembro
Únicas apresentações

 

 

Um espetáculo visual

A concepção do espetáculo é baseada na malícia do jogo e na dança da capoeira. Juntos, esses elementos contribuem para construção de uma cena poética perfeita. Um ”espetáculoroda”, que oscila entre o universo lúdico teatral, com os elementos que compõe o espetáculo, e uma roda de capoeira angola, onde o jogo e a relação entre os protagonistas torna-se vivo e autêntico a cada instante. Tem na mistura de linguagens e na improvisação o alicerce que faz do espetáculo uma surpresa a cada encenação, Cada centímetro do espaço é utilizado pelos intérpretes. O chão parece ganhar vida a cada passagem. E o público é levado a entrar na arena, senão fisicamente, certamente toda a sua emoção. A utilização de recurso audiovisual é outro ingrediente do espetáculo. Imagens da Bahia, das ladeiras do Pelourinho, das Festas de Largo e de outros capoeiristas serão projetadas em um telão branco durante cada bloco enquanto os intérpretes estão em cena.

 
 
 

Mestre Pastinha

Nascido em 1889, dizia não ter aprendido capoeira na escola, mas sim com a sorte. Afinal, foi o destino o responsável pela iniciação do pequeno Pastinha, ainda garoto, no jogo. Em depoimento prestado no ano de 1967, no Museu da Imagem e do Som, mestre Pastinha relatou a história da sua vida: “Quando eu tinha uns 10 anos – eu era franzininho – um outro menino mais taludo do que eu tornou-se meu rival. Era só eu sair para rua – ir na venda fazer compra, por exemplo – e a gente se pegava em briga. Só sei que acabava apanhando dele, sempre. Então eu ia chorar de vergonha e de tristeza”. A vida iria dar ao moleque Pastinha a oportunidade de um aprendizado que marcaria todos os anos da sua longa existência.

 

Foi através do preto Benedito, um escravo alforriado, que o mestre começou a descobrir a malícia e o poder de enfrentar um adversário bem mais forte do que lhe parecia. Pastinha começou a freqüentar o cazuá de Benedito, e pouco tempo depois sairia considerado pronto pelo mestre e seguiria fortalecendo a fama de imbatível pelas ruas e ladeiras da capital baiana.

Ao longo dos anos, a competência maior foi demonstrada no seu talento como pensador sobre o jogo da capoeira e na capacidade de comunicar-se. Os conceitos do mestre Pastinha formaram seguidores em todo país. A originalidade do método de ensino, a prática do jogo enquanto expressão artística formaram uma escola que privilegia o trabalho físico e mental para que o talento se expanda em criatividade.

Vicente Ferreira Pastinha morreu no ano de 1981. Mesmo completamente cego, não deixava seus discípulos. E continua vivo nas rodas de capoeiras, nas cantigas, no jogo. “Tudo o que penso da capoeira, um dia escrevi num quadro que está na porta da minha Academia. Em cima, só estas três palavras: Angola, Capoeira, Mãe. E embaixo, o pensamento: Mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista”.

 
 

Crônica: “Menino, qual é teu grupo?”

A vida consiste em mudanças. É ordem natural. Muda-se, às vezes, para adequações, sustentações de privilégios ou simplesmente para ir de encontro às imposições sociais. Mudar se torna sinônimo de evolução se o camarada leva em conta a escala humana. Na nossa Capoeira, mudar ganha um significado quase unânime: mudança significa acrescentar mais um número no censo dos grupos.
 
Diversos motivos são encontrados para tal fato: ideologias conflitantes, filosofias arranhadas, vergonhas à lama, inconsistências de caráter, inveja, incompreensão… Enfim, uma gama de motivos que separam o que antes parecia ser integrante, carta do mesmo baralho.
 
Não generalizo. Há casos em que o afastamento se dá por motivos nobres como uma continuação de um belo trabalho apenas com outra estampa na camisa. Mas, infelizmente, são raros casos. Quase lendários…
 
As mudanças atingem nossa arte-ginga em várias frentes. Seja num toque variado, um estilo novo de jogar, um evento com outros atributos afros… Fica a critério de cada grupo. Critérios, aliás, que variam sobremaneira de grupo para grupo… Outro ponto de eterna discussão… Pluralidade cultural ou "invencionice" de pessoas querendo aparecer mais do que as outras? Fica a resposta no ar…
 
"Montar um grupo" parece ter virado o hobbie de muitos candidatos a "mestres" oportunistas. Enchem o papo com palavras que nem eles entendem, pegam um punhado de alunos com lavagem cerebral, distribuem cordas nada merecidas, montam um símbolo no "paint" e pronto. Mais um grupo de Capoeira na área!
 
Filosofias? Comprometimento com a história? Vínculos com o fator social que a Capoeira carrega? Nada disso. O intuito é criar rixa com outros grupos e, de preferência, com o antigo Mestre… A bobagem e a inconseqüência são as palavras que carimbam o símbolo deste grupo…
 
Ressaltando que existem casos que merecem parágrafos por serem exceções!  Existem ótimos "suplentes" de Mestres que fazem mais do que os próprios. Mas quem ganha todo o mérito? Sim… ele…o "mestre" de mentirinha…
 
Esses que crescem e fazem a Capoeira crescer é que devem mesmo se desvencilhar desses maus mestres… Montem seus grupos e levantem suas bandeiras que tem no centro a essência insubstituível da Capoeira! Competência e vontade: atributos que não faltam para essas pessoas que não se acham acima da nossa arte!
 
Que os novos grupos ofereçam idéias para organizar nossa arte, mostrar que o amadorismo não domina a Roda! Comportar-se como profissionais para refletir respeito! Chamar a atenção tanto dos incentivos particulares como governamentais. Mas para isso, deve haver organização interna. Sem isso, nada feito! É soco em ponta de faca com ferrugem.
 
Axé e muita mandinga para o surgimento dos grupos que renovam com respeito a Capoeira com preceitos e resgate de fundamentos vitais para nossa arte. Declínio sem compaixão para os grupos que se acham donos de uma patente que leva o nome de Capoeira! Acordem!
 
A história exemplifica… Impérios ditos invencíveis caíram! Pois nada fincado em pés de barro garante consistência duradoura! E diante disso, vem o alívio para o bom Capoeira!
 
Shion 
Fundação Arte Brasil Capoeira – Parnaíba / Piauí
www.flogao.com.br/fundacaoartebrasil
        

CAPOEIRAGEM, A VERDADE DE CADA UM

Fórum Virtual, março, 2007
 
A terceira edição, em português, do meu “cordel” Capoeiragem no Rio de Janeiro, no Brasil e no Mundo será lançada em Abril. Com nova capa (que logo será plagiada como as anteriores) e várias outras alterações.
Acrescento nova Apresentação que, tenho certeza, reacenderá boas e saudáveis polêmicas. Acrescento, também, mais dois extraordinários mestres – Camaleão e Pedrinho de Caxias. No primeiro caso, reparo grave injustiça, pois, Seu Camaleão deveria estar presente desde primeira edição, vez que acompanho o seu bom trabalho há muito tempo, e tenho respeitável acervo fotográfico comprobatório.
Tanto assim que, na revisão final, tratei de substituir a foto tirada no Museu do Louvre, junto ao intrigante trabalho de Borghese (foto que poderia ter entrado no Código da Vinci…) por uma outra, onde Papai Camaleão (Marselha, França!) aparece com sua linda recém-nascida filhinha, Mademoiselle Yara Marisa. Que Deus abençoe especialmente essa família!
Quanto ao Pedrinho, atualmente brilhando na Espanha, deixa sempre, em suas andanças pelo mundo,
as portas abertas para voltar. Como constatei recentemente, em Buenos Aires, conversando com duas lindas ex-alunas do jovem Mestre.
 
Mestre  CamaleãoComo não poderia deixar de ser, dei mais relevância ao espaço de Mestre Marujo que tão prematuramente resolveu nos deixar. Para tanto tive que sacrificar o espaço de Mestre Chaminé, excelente figura, meu vizinho, o que lamento muito. Corte que me dá oportunidade de reafirmar a limitação do meu “Cordel”, que não pode, em hipótese alguma, ser avaliado como se fosse um Atlas da Capoeiragem no Rio de Janeiro. Projeto que idealizei e elaborei há mais de quatro décadas e que, finalmente, em vários estados, começa a sair do papel. Esses ATLAS ESTADUAIS, sim, poderão e deverão contemplar todos os mestres que estão ou passaram por cada estado.
 
Meu cordel, que nem chega a ser um cordel de verdade, como tão bem fazem os paraibanos (tanto assim que vários deles inspiraram e inspiram cantigas de capoeira), apenas cita uns poucos mestres. Utilizei, sobretudo, critérios jornalísticos, procurando ao mesmo tempo dar espaço para alguns extraordinários capoeiras que desconhecem ou não podem usar esquemas marqueteiros quase diabólicos (como alguns fazem).
O que aumenta a Torre de Babel dentro da Capoeira, as versões e as polêmicas excessivamente apaixonadas, onde o fanatismo e mercantilismo se unem para vencer a corrida a qualquer preço.
É “a verdade de cada um”, que só pode ser combatida, pacientemente, utilizando-se o genial entendimento de Pirandelo (“Assim é, se assim lhe parece”) e, de modo firme e sereno, continuando a luta pela verdade verdadeira. Mostrando as incongruências de certas versões e, sobretudo, mostrando provas irrefutáveis sobre a verdadeira História da Capoeiragem no Brasil.
 
Mestre  CamaleãoPerco, aqui e ali, uma batalha, mais ao final, não tenho dúvida, sobreviverá apenas a história verdadeira. Aonde, aliás, todos ficam muito bem.
Praticamente todos novos livros e trabalhos a universitários já estão dedicando espaços, cada vez maiores, à Capoeira Utilitária de Sinhozinho, e à importância da capoeiragem do Rio Antigo na formação da capoeira contemporânea etc.
Começa-se a discutir, também, agora com seriedade, o que será, final, “eficácia na capoeira”?
Tais temas, fundamentais, já podem ser encontrados, como adiantei, em trabalhos acadêmicos recentes, como é bom exemplo a monografia “Capoeira: Jogo Atlético Brasileiro (EEFD/UFRJ)”, do Professor Joel Pires Marques, Diretor Cultural da Federação Fluminense de Capoeira, bacharel em Direito e contramestre de capoeira.
Quem estiver interessado em ler o trabalho bastará acessar http://www.capoeirajogoatletico.com/.
 
Mestre  CamaleãoOutro bom exemplo, embora ainda embrionário, é o trabalho de pesquisa que o Professor Ricardo Lussac, Mestre Teco, está fazendo para a cadeira História do Esporte (Professor Doutor e Orientador Professor Doutor Manoel José Gomes TUBINO). Dentro do tema geral da pesquisa – “Aspectos Filosóficos e Sociais do Esporte” – Ricardo Teco escolheu o mote: Irradiação & Atração Sócio-Cultural, Esportiva e Econômica das Cidades Maiores – Mestre Sinhozinho no Rio de janeiro”.
 
Em suma, a preocupante mesmice na qual os livros e artigos estavam se atolando, começa a ser eliminada. Isso será extremamente benéfico para a Capoeiragem e para os capoeiras.
 
Em seguida ao Cordel, estarei lançando meu primeiro livro de literatura pura, no Iate Clube do Rio de Janeiro, mas isso, concordo com vocês, não tem nada a ver com a nossa querida Capoeiragem.
Ou tem?

VI oficina internacional – évora 2005

Companheiros capoeiristas,

Finalmente, tá chegando o Nosso Encontro.

Me alegro mais uma vez em lançar o desafio de mais uma oficina.

Nos dias 09. 10 e 11 de Setembro estaremos realizando nosso sexto encontro nas piscinas municipais de Évora e vocês, que fazem esse encontro ser efectivamente o "nosso", ficam, desde já, intimados a juntarem- se a nós mais uma vez.

Como falei na minha carta passada, eu considero o Nosso Encontro, uma homenagem que todos juntos prestamos à capoeira praticada em Portugal e um espaço onde os grupos em Portugal se juntam, confraternizam e passam um bom tempo, um bom final de semana, dão e recebem, trocam conhecimentos, saindo todos, alunos, professores, contramestres e mestres mais realizados enquanto capoeiristas que somos.

Teremos nossa, já conhecida, Roda na Praça do Giraldo, aulas de capoeira ao lado das piscinas, aulas de danças, vendas de materiais de capoeira, muita animação, festa no Sábado à noite, cine-capoeira, muitas rodas e nossa conversa final onde poderemos ouvir e conversar com os mestres, contramestres e professores presentes.

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