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UFMT exibe dois documentários em Cuiabá sobre a história da capoeira

Exibição faz parte do projeto de extensão ‘Quilombo Angola’ da UFMT. Interessados também podem se inscrever para praticar capoeira angola.

Dois documentários sobre capoeira foram exibidos gratuitamente segunda-feira (18) no campus de Cuiabá da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A exibição, que faz parte do projeto de extensão “Quilombo Angola – Capoeira Antiga da Angola”, ocorreu as 18h no Centro Cultural da UFMT. O primeiro filme será “A capoeiragem de um mestre e seu bando anunciador” e, o segundo, “Mestre Felipe e Faca de Ticum”, ambos dirigidos por Gabriela Barreto.

No primeiro filme a diretora aborda a trajetória de Gilson Fernandes, o mestre Lua Rasta, que iniciou na capoeira com o mestre Bimba e depois viajou o mundo difundindo a cultura baiana. Além de mestre de capoeira, Lua Rasta também é artesão e pesquisador de instrumentos de percussão, músico e desenvolveu sua experiência de utilização da capoeira como linguagem teatral. Já o documentário “Mestre Felipe e a Faca de Ticum” retrata a tradição cultural de Santo Amaro e mostra a atmosfera em que o Mestre Felipe vive.

Durante todo este ano, o projeto de extensão Quilombo Angola apresentará toda primeira segunda-feira de cada mês um filme ou documentário que conta a história da capoeira e de seus principais mestres. O projeto é coordenado pelo professor Éverton Medeiros, que além de fazer exibições, abre oportunidades aos interessados de praticar capoeira angola mediante inscrições prévias.

Os candidatos em praticar capoeira angola e participar do projeto de extensão devem procurar o professor Éverton Medeiros no Centro Cultural da UFMT, às segundas, quartas ou sextas-feiras, a partir das 17h30.

 

http://g1.globo.com

Dia dos Pais: Arte e Capoeira em Família

Bruno, Rodrigo e Felipe seguem os passos do pai, o ator e capoeirista Beto Simas

Rio – Todo pai se enche de orgulho ao ver um filho escolher a mesma profissão que ele. Beto Simas pode multiplicar essa felicidade por três. Sortudo, o ator e mestre de capoeira é a maior influência de seus três garotos: Bruno Gissoni, 25 anos, Rodrigo, 20, e Felipe Simas, 19. Todos eles praticam a luta e agora até o caçula Felipe, que atua em sua primeira peça de teatro profissional, decidiu se dedicar à atuação.

“Eu fico muito orgulhoso de ver meus filhos seguindo meus passos. Mas confesso que tinha medo que eles fossem pelo caminho da capoeira porque, para mim, foi bem difícil ser aceito no meio”, assume Beto, conhecido também como Mestre Boneco. “O apelido veio porque, quando comecei, em 74, era branquinho de cabelo escorrido, diferente da maioria dos praticantes da época”, explica.

Apesar de todos os meninos serem atores — Bruno está no ar como Iran, de ‘Avenida Brasil’, Rodrigo será Bruno, na nova temporada de ‘Malhação’, e Felipe está em cartaz com a peça ‘Contos de Verão’ — é a capoeira que, definitivamente, une Beto a seus três filhos. “A capoeira está no nosso sangue e não tem jeito. Meu pai nunca obrigou a gente a fazer. Mas acho que o gosto veio como herança”, analisa Rodrigo.

Os nomes de batismo do trio também são curiosos. Na roda, Felipe é conhecido como Flecha, por ser ágil; Rodrigo é Tora, pois era o mais pesado e tinha um chute forte. Já Bruno é Empenado. “É que ele tinha a perna um pouco arqueada”, justifica Felipe. “Ele não gostava desse nome e até pensou em trocar. Mas a partir do momento que é batizado, não troca”, dedura o irmão, implicando com o brother mais velho.

Em casa, assim como durante a sessão de fotos que fizeram para a ‘Já É!’ no Clube Ginástico Português, na Barra, o clima é sempre o mesmo: um agarrado ao outro, brincando o tempo inteiro. Nem mesmo Bruno, que na verdade é enteado de Beto, se livra das implicâncias e piadas de família.

“Desde molequinho ele me escolheu como filho. Eu o considero meu pai mesmo, pois me criou desde pequeno e não tem como ser diferente. Às vezes eu fico confuso porque todo mundo pergunta: ‘E seu pai?’. Na hora eu falo do Beto”, diz Bruno. Mas para não criar constrangimentos, ele vai logo alertando. “É melhor não colocar isso, não. O meu pai biológico pode ficar chateado”, sorri, meio sem graça.

“Ele não veio de mim, mas é meu filho tanto quanto os outros”, frisa Beto, que cria Bruno desde que ele tinha 1 ano de idade.

E quando alguém cita a palavra padrasto para ilustrar a relação dele com o mais velho, a resposta está na ponta da língua. “Padrasto? Não sei nem o que é isso”, brinca Beto, completando: “Eu troquei mais fralda do Bruno do que do Rodrigo e do Felipe. Sabe como é, né? Para o primeiro filho você dá mais atenção, você tem mais cuidado. Com o segundo é tudo mais ou menos e no terceiro você já está craque, é bem tranquilo. Digo que o Bruno foi uma espécie de estágio para os outros dois”.

Sobre a inspiração para se tornarem atores, Bruno, Rodrigo e Felipe têm a resposta decorada: “Beto foi a inspiração e é nosso apoio”. O pai-coruja retribuiu. “O maior orgulho de um pai é saber que o filho está se encaminhando na carreia”, retribui.

 

Galãs que enlouquecem a mulherada

Em uma família de capoeiristas e ex-jogadores de futebol — Bruno e Felipe jogaram no Nova Iguaçu, mas trocaram os campos pelos palcos — ser ator foi o que realmente emplacou. Com a fama, o assunto em comum entre os três irmãos é o assédio das fãs.

“Às vezes, vamos fazer umas presenças no interior do Rio e, quando não tem segurança, a mulherada pula a cerca e vem para cima. Já chegaram para mim e falaram: ‘Deixa eu ser sua Suelen’”, diz Bruno, que está solteiro.

Para Rodrigo, as meninas tomarem a iniciativa pode ser bom. “Gosto quando a mulher é um pouco ousada”, analisa o rapaz, que se diz solteiro, apesar dos comentários de que ele estaria namorando Raquel Guarini, sua parceira do quadro ‘Dança dos Famosos’, do ‘Domingão do Faustão’. Na coreografia do funk, eles deram até selinho.

Já Felipe, o romântico da família, está estranhando o assédio. “Outro dia, uma menina gritou meu nome e eu pensei: ‘Será que é comigo?’. É gostoso, mas minha namorada fica com ciúme”, denuncia.

Para manter a forma e continuar arrasando por aí, cada um tem uma receita. Felipe diz que seu corpo foi esculpido pelo futebol. Bruno corre, joga futevôlei e capoeira. Já Rodrigo apela para alimentação saudável. “Amo um doce, mas não é sacrifício algum trocar por fruta. Mas, independentemente do que eu faça, minha estrutura é herança do meu pai”, avalia. E Beto? Como faz para manter o corpão aos 50 anos? “Faço musculação, mas tenho crédito por já ter malhado demais na juventude”, brinca.

 

Pai destaca as qualidades dos três filhos

Quem pensa que criar três filhos foi difícil para Beto Simas está enganado. “Foi um prazer, pois eles sempre nos acompanharam e sempre gostaram de estar comigo e com a Ana (mulher de Beto e mãe dos três)”, diz o eterno galã. E pai que é pai conhece bem as características de cada filho. A pedido da ‘Já É!’, Beto traçou um breve perfil de cada um deles.

BRUNO

“É o mais tímido de todos e o mais avoado também. Ele não está nem aí, não gosta de tirar foto, tem preguiça, sabe? Às vezes, para atender todas as fãs, junta todo mundo para uma foto só. É bem desligado também. Pode chover canivete ou pegar fogo em tudo que ele está tranquilão. Mas considero isso uma qualidade”.

RODRIGO

“É o meu filho mais persistente. Na capoeira, por exemplo, quando os três começaram, ele era pesado, gordinho e, por isso, tinha mais dificuldade. Ficava louco quando não conseguia aprender um golpe. Mas depois de crescido, continuou treinando e hoje é quem melhor joga capoeira”.

FELIPE

“Felipe é superdeterminado e rápido. É impressionante como ele aprende tudo de forma ligeira, no esporte e em questões de raciocínio. Na infância, ele aprendia qualquer esporte e jogava de igual para igual com os meninos maiores”.

 

Fonte: http://odia.ig.com.br

Aconteceu: Encontro Cultural Capoeira Angola Brasil

O Evento ocorreu  com muita energia muito aprendizado, agradecemos a todos pela participação, mesmo aqueles que não estavam presente Obrigado…

Mestre Felipe 83 anos com muita disposição de fazer capoeira mostrando sua persistencia e resistencia da continuação da Capoeira. Obrigado MESTRE FELIPE.

Mestre Nô com seus 65 anos com  uma grande vivencia na arte da capoeira nos deixou  sua sabedoria das rodas da ” Capoeira na roda e na vida”OBRIGADO MESTRE NÔ

Mestre Braulino com seus 57 anos de idade mostrando sua Capoeira No Jogo, No Ritmo e no Canto demonstrando sua simplicidade de ser CAPOEIRA “Simplesmente   SER Capoeira” OBRIGADO MESTRE BRAULINO

Mestre Heitor com sua personalidade e responsabilidade na Capoeira e na Vida OBRIGADO MESTRE EITOR

Mestre Alfredo mesmo com sua  maneira de ser ausente e acompanhar tudo sem compromisso, tambem contrubuiu deixando o evento com mais vida e deixando os convidados bem a vontade OBRIGADO MESTRE ALFREDO

 

3° Encontro de Capoeira do Recôncavo

O 3° Encontro de Capoeira do Recôncavo homenageia Mestre Felipe de Santo Amaro da Purificação, importante mestre da velha guarda, artesão e cantador da capoeira.

Esta é uma proposta itinerante que busca revelar e valorizar o movimento existente entre a capoeira urbana e a rural do Recôncavo Baiano.
O evento acontecerá em Salvador, Santo Amaro e Santiago do Iguape, pequena vila de pescadores e agricultores quilombolas, entre os dias 27 e 29 de novembro 2009.

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO :

1º Dia – 27/11 – SALVADOR

10:00 – Abertura e recepção das crianças capoeiristas alunos de Mestre Ivan (ACANA)
vindas de Santo Amaro, na Faculdade de Educação/UFBA
10:30 – Exibição e bate papo sobre o DVD “A CAPOEIRA DE UM MESTRE E O
SEU BANDO ANUNCIADOR” na Sala de Cinema da UFBA/Faced.
14:00 – Oficina de Percussão com Mestre Lua / Praça do Pelourinho
16:00 – Atividade lúdica para as crianças (pintura da faixa em homenagem a Mestre Felipe);
18:00 – Desfile do BANDO ANUNCIADOR
com o grupo de crianças capoeiristas de Santo Amaro;
20:00 – Roda de Capoeira no Terreiro de Jesus;
22:00 – Confraternização com mesa de frutas após a Roda.

2º Dia – 28/11 – SANTO AMARO

8:00 – Saída para Santo Amaro;
11:00 – Chegada na Praça da Matriz com Roda de boas vindas;
14:30 – Oficinas de Capoeira Angola com Mestre Ivan e
Maculelê com Prof. Erisivaldo no Barracão de Mestre Ivan;
16:00 – Lanche e atividade lúdica para crianças (brincadeira de ciranda, cantigas e pintura);
17:00 – Bate papo no Barracão, com Mestre Felipe e velhos mestres
de capoeira do Recôncavo – Roda
20:30 – Mostra Cine Cult Pop Afro-Brasileiro:
“Tributo a Mestre Bigodinho” e “Umbigada” (Praça da Matriz)

3º Dia – 29/11 – SANTIAGO DO IGUAPE

9:00 – Café coletivo na Casa do Samba
9:40 – Saída para Santiago do Iguape;
10:30 – Chegada + Roda de capoeira e confraternização
com velhos mestres da comunidade;
13:00 – Almoço em Santiago do Iguape
14:00 – Oficina de Berimbau e Cantigas com Mestre Felipe
16:00 – Retorno para Santo Amaro;
17:00 – Roda de encerramento na Casa do Samba
18:30 – Retorno para Salvador.
VALOR DA INSCRIÇÃO R$ 130.00
incluindo alimentação, transporte, hospedagem , oficinas e camisa.

Postado por LUA RASTA

Natal: Conexão Felipe Camarão – Capoeira & Cidadania

 

Problemas se proliferam na Zona Oeste de Natal

A zona Oeste de Natal engloba 10 bairros, onde moram cerca de 200 mil pessoas, quase 30% dos habitantes da capital. Nas Quintas, Bom Pastor, Nossa Senhora de Nazaré, Felipe Camarão, Cidade Nova, Guarapes, Planalto, Nordeste, Cidade da Esperança e em Dix-Sept Rosado vive uma população com renda média, de acordo com o último Censo do IBGE, de 2,92 salários mínimos, a menor de Natal e igual à da zona Norte. A TRIBUNA DO NORTE percorreu a região para conhecer de perto a realidade enfrentada por esses moradores e as principais demandas dessa parcela de Natal:

Casa própria é sonho de moradores do Guarapes Fábio José da Silva, de 29 anos, abandonou a casa onde morava de aluguel para ir viver em um casebre de taipa, no bairro Guarapes. “Era R$ 100 por mês e não tinha mais condições de pagar”, lembra. O pai de família é apenas um dos milhares da zona Oeste que têm de colocar os parentes sob um teto longe do ideal, enquanto sonha com a casa própria. Na região estão localizadas algumas áreas ocupadas por centenas de sem-tetos, como o “Leningrado” e a ocupação “8 de outubro”. Foi vizinho a esta última que Fábio José ergueu sua moradia de apenas dois vãos, que divide com dois filhos e a esposa, grávida do terceiro.

Desempregado, ele já se cadastrou em alguns programas habitacionais, mas afirma não ter idéia de quando vai poder ganhar um teto melhor. “Desde criança morei em Natal e nunca tive uma casa minha mesmo”, lamenta o jovem, que atualmente mantém a família com o dinheiro de alguns “bicos” que realiza diariamente. Assim como a residência improvisada de Fábio José, muitas outras podem ser vistas nos bairros da zona Oeste, onde também se multiplicam favelas como a do Detran, em Cidade Nova, e a Wilma Maia, no Felipe Camarão.

De acordo com dados de 2005, um total de 24 das 66 favelas de Natal se encontram nos 10 bairros da região, abrangendo quase 6 mil casebres e uma população de 23 mil pessoas. Porém, a precariedade das moradias não é o único problema. A zona Oeste de Natal é aquela na qual há a maior média de habitantes por moradia, acima de quatro por casa (4,12 segundo o Censo 2000). Neste quesito, o Guarapes surge mais uma vez como destaque negativo, com média de 4,3 moradores por domicílio, abaixo apenas de Santos Reis (zona Leste) e Salinas (zona Norte).

A família de Kíria Ferreira dos Santos, de 55 anos, é um exemplo disso. A casa dela é dividida por nada menos de 10 pessoas, incluindo os oito filhos e um neto. Vivendo há 19 anos no Guarapes e há cinco no conjunto Dinarte Mariz, onde ganhou o imóvel da Prefeitura, a dona-de-casa acompanha seus descendentes crescerem, sem ter como deixar o local.

“Meu filho mais velho tem 35 anos, outro tem 24, alguns já trabalham, mas nenhum ainda tem condições de comprar suas próprias casas”, reconhece Kíria Ferreira. Ela lembra que emprego é algo difícil de se conseguir e geralmente os disponibilizados aos moradores da região costumam oferecer salários baixos e poucas oportunidades de crescimento profissional. “Por isso, a gente segue dividindo todo mundo dentro de casa, do jeito que pode”, resume.

Faltam opções de lazer e educação

O aposentado Pedro Barbosa do Nascimento, de 80 anos, resume sua vida escolar: “Nunca freqüentei colégio. Meu estudo foi o cabo da enxada e a chibanca (instrumento agrícola).” O exemplo do ex-agricultor não é um caso isolado no bairro de Bom Pastor, onde quase 27% da população é analfabeta, índice igual ao do bairro de Felipe Camarão e inferior apenas aos de Salinas e Guarapes em toda Natal. A zona Oeste como um todo, aliás, é a que apresenta maior índice de analfabetismo na capital, com mais de 21% dos moradores sem saber ler ou escrever.

A história de Pedro Barbosa representa um exemplo comum entre milhares de moradores da área. Agricultor da região de Baixa Verde, ele começou a trabalhar na roça em João Câmara desde que “se entende por gente”, até conseguir um emprego em uma usina de cana-de-açúcar, onde se aposentou. Já idoso, veio para a capital e hoje se divide entre uma casa no Guarapes e a outra, da filha, em Cidade Nova. Apesar do tempo livre, nunca teve oportunidade de aprender a escrever, porém reconhece que hoje isso é imprescindível. “Não sei nem meu nome, mas agora é diferente, só não estuda quem não quer”, ressalta. Mesmo com quase metade da idade, a dona-de-casa Maria Socorro de Lima, de 41 anos, também não vê motivos para retornar aos bancos escolares. Apesar de ter freqüentado colégios em sua infância, hoje se limita apenas a assinar o próprio nome. “Não tenho tempo para aprender, tenho de cuidar das crianças, pois meu emprego é menino para criar”, diz a senhora, que se orgulha, ao menos, de ter todos os filhos matriculados em escolas.

Porém, mesmo as crianças que estudam nos colégios da região também sofrem com outra carência antiga em Cidade Nova: a falta de opções de lazer. Uma duna localizada na entrada do bairro é a única alternativa. No espaço, quatro traves foram levantadas e demarcam os dois campos improvisados. Ginásio ou quadra pública, nenhum dos dois existe. Aliás, uma quadra que seria erguida por um candidato a vereador terminou se resumindo à primeira fileira de tijolos e montes de areia e metralha, que agora ocupam o espaço onde os jovens improvisavam uma quadra de vôlei de areia. O pequeno Guilherme Oliveira, de 12 anos, resume a situação: “Só tem mesmo o morro para a gente pular”, diz , no intervalo entre uma pirueta e outra, para as quais, felizmente, não precisa de estrutura nenhuma. Seu colega, Deílson dos Santos, de 17 anos, confirma a falta de opções enfrentada pela juventude local: “Cidade Nova não tem lazer. Nem quadra, nem campo, nem nada.” De acordo com dados da Semsur, referentes a 2007, a zona Oeste é também a que apresenta o menor número de praças, somente 17 das 194 da capital, ou seja menos de 10% do total (na Sul são 68, na Leste 62 e na Norte 47). Na região, três bairros são apontados como não tendo nenhum espaço público desse tipo: Cidade Nova, Dix-sept Rosado e Planalto.

Bom Pastor tem uma das piores rendas

A zona Oeste divide com a zona Norte de Natal um título nada animador: o de regiões com menor renda média por família na capital, exatamente 2,92 salários mínimos. A população de Bom Pastor apresenta valores ainda menores (2,23 salários mínimos de média) e aparece na 32ª posição nesse quesito, entre os 36 bairros de Natal. Subempregos e o comércio informal fazem parte da realidade de boa parte dos moradores da área.

O vendedor de CDs e DVDs Luciano da Silva Macedo, é um exemplo disso. Aos 28 anos, ele nunca teve carteira assinada e sequer aprendeu a ler e escrever. Além do analfabetismo, o jovem enfrenta outra dificuldade na busca por uma vaga de trabalho fixo. “Não tenho nem mesmo meus documentos completos”, revela. Diante disso, só restou mesmo trocar os bicos temporários pelo carrinho de vendas com o qual circula pelo bairro e por toda a cidade, até o final do dia.

“Só termino por volta das 7h da noite. Em uma semana boa consigo fazer uns R$ 100 a R$ 150”, calcula. Seu sonho, contudo, vai bem além e é de conseguir um emprego em uma firma que lhe permita manter a esposa e a mãe, com quem mora. A escola que freqüenta atualmente é a bíblica, onde aprende sobre a religião, mas não tem aulas de leitura e escrita. “Se aparecesse um curso, se a Prefeitura me desse condições para estudar, eu topava”, garante.

Situação ainda pior é a de grande parte dos moradores da Baixada Frei Damião, também no Bom Pastor. Muitos dependem do lixo reciclável, catado no antigo terreno da Chesf, por trás do cemitério do bairro. É o caso de José Alves, que há mais de 10 anos tira o sustento do local e parece já ter perdido as esperanças quanto a dias melhores. “Meu sonho era mesmo ser gerente de banco, mas não acho que o futuro seja esse, porque sai prefeito, entra prefeito, sai governo, entra governo, e nada muda, nunca vi nenhuma melhora pra gente”, reclama.

Tendo deixado o emprego de servente de pedreiro há um ano para catar material reciclável no local, Francisco Assis dos Santos, de 34 anos, diz não ter perdido a esperança de conseguir um novo trabalho com carteira assinada, mas não reclama da nova atividade. “Pelo menos aqui posso chegar mais cedo em casa”, compara. Emprego, porém, não é a única coisa que falta no bairro, segundo o catador. “Bom Pastor precisa de saneamento, moradia, água, luz, quase tudo que a gente da baixada não tem direito.”

Ruas de terra causam transtornos

Diversos projetos de pavimentação e drenagem foram desenvolvidos nos últimos anos nos bairros da zona Oeste de Natal, porém esse investimento não foi suficiente para transformar em exceção o cenário das ruas de barro, onde no verão a poeira invade casas e causa doenças respiratórias, e no inverno se transformam em verdadeiras lagoas, impedindo a passagem dos veículos e até mesmo das pessoas.

Até o final de 2007, o bairro do Planalto era apontado como o segundo de menor percentual de ruas drenadas e pavimentadas em Natal, 12% e 6% respectivamente, acima apenas dos números do bairro de Lagoa Azul, na zona Norte de Natal (5% e 10%). Um serviço recém executado em uma das principais vias do Planalto, a Engenheiro João Hélio, ampliou um pouco esses percentuais, mas os muitos moradores que não foram beneficiados continuam sofrendo com a poeira e os alagamentos.

Na rua Araguaiana, a revolta é grande. “Aqui é os meninos doentes por conta da poeira, mas na época da chuva é que é fica ruim mesmo”, aponta o desempregado Geraldo Luiz de Queiroz, de 55 anos. Ele acredita que só quando algum político tomar “vergonha na cara” vão resolver o problema do local, onde água servida é despejada no meio da rua, formando verdadeiros esgotos a céu aberto, que acabam se transformando também em espaço de despejo de lixo, exalando um fedor constante. A também moradora Francisca Maria Galdino, 55 anos, afirma que nem mesmo os ônibus transitam pela rua, por conta da falta de asfalto, ou pelo menos de paralelepípedos. “Aqui tudo acaba ficando longe”, explica. Já a dona-de-casa Edna Santos, de 32 anos, lembra, que calçamento é apenas uma das várias demandas da população do Planalto.

Investimentos são necessários para combater insegurança

O trabalho do mestre de capoeira Marcos Antônio Gomes, diretor da organização não-governamental Conexão Felipe Camarão, é ainda um oásis em meio à falta de políticas públicas de combate à criminalidade na região Oeste de Natal. No bairro onde funciona a ong, os assassinatos são uma triste rotina com a qual convivem os moradores. “Alguns policiais já me disseram que mal dá para investigar os casos de homicídio, quanto mais os de furtos, roubos, drogas”, lamenta “mestre Marcos”.

O Conexão tem apoio da Petrobras e atende cerca de 400 crianças e jovens de Felipe Camarão, com atividades esportivas, culturais e musicais. São aulas de capoeira, mamulengo, coral, boi de reis, rabeca, luteria (fabricação de instrumentos) e inclusão digital. Porém, nem mesmo esforços como esse impedem o assédio da criminalidade aos adolescentes da região. “É um trabalho difícil. Às vezes a gente oferece uma música, mas e se eles preferirem o baseado? Mas continuamos assim, perdendo um, ganhando dois”, resume.

Hoje, o trabalho desenvolvido pela organização é elogiado e até defendido pela população. “Eles nos apoiam, mas o fato é que o policiamento é mesmo muito pequeno no bairro. Fazemos um trabalho preventivo, mas também é preciso o repressivo”, lembra. A realidade é confirmada por quem já foi vítima da violência. O motorista Roberto Carlos Rodrigues mora em Cidade da Esperança, mas trabalha na linha de Felipe Camarão. “Não sei onde é mais perigoso, se lá onde moro, ou aqui”, afirma.

Ele já sofreu três assaltos e acredita que seriam necessárias mais viaturas nas ruas para poder coibir esses crimes. Porém, o cenário é distante disso, já que até mesmo o posto policial do terminal rodoviário está fechado. “Não se vê um policial. Se matam alguém, leva horas para a polícia chegar”, descreve. O terminal é muito movimentado, reúne comércios e passageiros à espera dos coletivos e, por isso mesmo, também atrai os marginais. Porém, a porta do posto policial se mantém trancada e sem qualquer sinal dos PMs.

Para o agente de Polícia Civil Joab dos Santos Costa, da Delegacia de Felipe Camarão, os desafios da futura Secretaria Municipal de Segurança não são poucos, em relação à região. “É preciso investir principalmente em educação. Muitas crianças estão fora da escola. As áreas de lazer aqui são poucas e também é necessário dar alternativas aos jovens, como opções de emprego e mesmo de qualificação”, observa.

O número de homicídios é elevado, porém os criminosos não começam suas vidas como assassinos. O agente lembra que muitas vezes os jovens chegam à delegacia após ser presos por pequenos furtos, porém aos poucos vão se envolvendo com outros criminosos e mesmo com o mundo das drogas. “E depois que entra para a marginalidade é difícil sair”.

 

Fonte – Tribuna do Norte – Wagner Lopes – Repórter

Maranhão: Mestre Felipe morre aos 84 anos

Faleceu por volta das 20h30 de ontem, aos 84 anos de idade, Felipe Neres Figueiredo, o Mestre Felipe, um dos maiores mestres de tambor de crioulas do Maranhão. Ele estava internado no Hospital Universitário Presidente Dutra há duas semanas e ontem teve uma parada cardíaca, em decorrência de um efizema pulmonar e uma obstrução na uretra.

Mestre Felipe era natural de São Vicente Férrer e começou a tocar tambor aos três anos de idade. Atualmente ele comandava o Tambor de Crioula União de São Benedito – Mestre Felipe, com vários CDs gravados.

O corpo de Mestre Felipe deveria ser levado ainda na madrugada de hoje para a casa dele, na rua São Jorge, número 5, na Vila Conceição/Coroadinho, próximo à Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Mas será trasladado para a sua terra natal, à tarde ou amanhã, para ser sepultado, pedido feito pelo mestre.

Fonte: Jornal Pequeno – http://www.jornalpequeno.com.br

Foto:G.FERREIRA

Capoeira & Campanha para combater o trabalho infantil

A estação ferroviária João Felipe, no Centro, foi o primeiro espaço da campanha. As mobilizações serão feitas no dia 12 de cada mês

A Estação Ferroviária João Felipe, no Centro da cidade, virou palco dos dançarinos e capoeiristas do projeto Vida Nova, que atende cerca de 800 crianças e adolescentes no bairro Parque São José. Eles participaram ontem de manhã do lançamento da campanha pelo combate ao trabalho infantil. Até dezembro, segundo a coordenadora do Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil (Peti), Alyne Almeida, atividades de mobilização serão realizadas sempre no dia 12 de cada mês – alusão ao 12 de junho, Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil.

A intenção da campanha, segundo ela, é mobilizar tanto crianças quanto adultos. A estratégia, para os primeiros, será realizar pré-cadastros para visitas e inclusão delas no Peti, que hoje atende a 2.256 crianças e adolescentes. Já para os adultos, pretende-se sensibilizá-los a não comprar produtos vendidos por crianças ou usufruir de serviços prestados por elas, como de engraxate ou de flanelinha, e incentivá-los a denunciar situações assim. A meta, até o fim do ano, é incluir mais mil crianças e adolescentes no Peti, que é coordenado pela Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci).

A Estação João Felipe não foi escolhida por acaso. Alyne diz que o espaço é local de fluxo intenso de passageiros e de pessoas que fazem vendas ou oferecem algum serviço, dentre elas crianças e adolescentes. Por dia, segundo o assessor de comunicação da Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor), Fernando Mota, 25 mil pessoas circulam por lá. A próxima atividade da campanha será na Praia do Futuro no dia 12 de abril.

A doméstica Luciene Matias aproveitou a espera pelo trem para assistir às apresentações. Ela conta que, de vez em quando, encontra crianças e adolescentes vendendo produtos dentro do trem. "Às vezes eu acabo comprando algo, mas acho que é preciso haver uma instituição onde elas fiquem e a gente tem que ajudar". Luciene tem três filhos, com idades de 9, 10 e 16 anos. Todos, conforme ela, só estudam. "E brincam. Afinal, são crianças", acrescenta.

Contribuição

Cássio Morais, de 26 anos, é professor de capoeira do projeto Vida Nova, mas há cerca de 15 anos, vivia, como ele mesmo relata, exposto a riscos. Chegou a catar lata para conseguir algum dinheiro. Entrou para o projeto em 1993. "Sou fruto do trabalho que hoje desenvolvo. Depois que comecei a trabalhar no projeto, percebi a importância dessa atividade". Ele conta que sempre prepara os alunos para que eles assumam turmas novas. Além de dança e capoeira, o projeto, que é conveniado com a Funci, também oferece atividades como informática e complemento escolar.

SERVIÇO

Os telefones para denúncia de trabalho infantil são (85) 3452 2345 e 3452 2349

Fonte: http://www.opovo.com.br/

Tambor de Crioula do Maranhão é reconhecido como patrimônio imaterial

Maranhão: Um show de cultura…
 
Cultura são todos os traços, os costumes, as práticas, e também o folclore. A formação cultural do Maranhão está bem servida, pois tem influência das raças indígena, negra e branca (predominantemente portugueses).
 
O Maranhão conserva muitas tradições folclóricas, como o Bumba-Meu-Boi e o Tambor-de-Crioula, mas não deixa de assimilar o moderno: São Luís é considerada a capital brasileira do reggae.
 
O Convento das Mercês,situado na Praia Grande, é uma grandiosa obra da arquitetura religiosa mercedária inaugurada em 1654 pelo Padre Antônio Vieira.
 
O Convento abriga a Fundação da Memória Republicana, o Memorial José Sarney, o Centro Modelador de Pesquisa da História Republicana e o Instituto da Amizade dos Povos de Língua Portuguesa.
 
O Convento abriga a Fundação da Memória Republicana, o Memorial José Sarney, o Centro Modelador de Pesquisa da História Republicana e o Instituto da Amizade dos Povos de Língua Portuguesa.
 
O Maranhão abriga o primeiro teatro multimídia do país, equipado com aparelhos de som, iluminação e vídeo de última geração. Estamos falando do Teatro Arthur Azevedo, um dos maiores espetáculos de São Luís. Restaurado e todo reformado, sua fachada é digna do rico projeto arquitetônico clássico.
 
Este é o Maranhão, um Estado onde o passado se confunde com o presente e o progresso não apaga o brilho da tradição.

Manifestação popular é executada há mais de 300 anos por dezenas de grupos maranhenses
 

 

Brasília – O Maranhão está em festa, dia 18 de junho, o Tambor de Crioula, uma das manifestações culturais mais antigas, autênticas e originais do Estado e do País, passa a ser reconhecido como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
 
"Será a realização do sonho de nossos antepassados", afirma Paulinho di Maré, presidente da Associação Cultural de Tambor de Crioula do Estado do Maranhão (Actasema), criada em janeiro deste ano.
 
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, participará da solenidade de entrega do registro aos grupos de Tambor de Crioula pelo Iphan. Também estarão presentes no evento, que acontece a partir das 15 horas na Casa das Minas: o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida; o governador do Maranhão, Jackson Lago; o prefeito de São Luís, Tadeu Palácio; e representantes de mais de 80 grupos da capital maranhense e do Estado.
 
Os mestres mais antigos de São Luís vão apresentar o Tambor de Crioula na solenidade. Na ocasião também será lançado pelos Correios um selo comemorativo ao reconhecimento.
 
Após a cerimônia, 62 grupos realizarão cortejo em homenagem a São Benedito – os tocadores e dançarinos são devotos desse santo – na Rua de São Pantaleão. O local será fechado e estará decorado com flores, chita e 50 painéis fotográficos com os principais mestres e integrantes dos grupos do Tambor de Crioula.
 
Em seguida, as autoridades vão visitar o Centro de Referência Azulejar e a Oficina-Escola São Luís, onde estudam jovens em situação de risco social, entre 18 a 25 anos. Ao longo de dois anos, esses jovens recebem bolsa mensal de R$ 300, formam-se no ensino médio e tornam-se profissionais de marcenaria, carpintaria, azulejaria e alvenaria. Depois de receber o certificado, começam a trabalhar na restauração do centro histórico da capital maranhense.
 
Raízes africanas – Fruto do sincretismo religioso, o Tambor de Crioula é uma louvação a São Benedito no Maranhão, praticada há mais de três séculos pelos descendentes dos negros, sob a forma de canto, toque de tambor e dança. Os ritmos e as danças têm identidade e estilo próprios. As variações rítmicas ocorrem entre os grupos, que são compostos por 'coreiros' – os tocadores de tambor e as dançarinas.
 
Costuma-se dizer que seus integrantes 'brincam', em vez de tocar, cantar e dançar. A data tradicional da homenagem a São Benedito é a segunda-feira de Aleluia, isto é, depois do domingo de Páscoa. Devido ao sucesso do Tambor de Crioula, os grupos têm sido contratados para apresentações a turistas e em eventos diversos.
 
Para alguns membros dos grupos, receber dinheiro é uma profanação. Foi preciso tempo para aceitarem pagamento pelas apresentações fora da época da festa de São Benedito. Muitos grupos surgiram como parte de promessa feita por seus fundadores ao santo.
 
Novos negócios e mais renda – O Sebrae no Maranhão apóia e trabalha para fortalecer os grupos de Tambor de Crioula.
 
Nos últimos três meses, eles foram mapeados pelos técnicos da Instituição. Estima-se que, somente em São Luís, existam 86 deles, integrados por 3,6 mil pessoas.
 
Inicialmente, o Projeto de Cultura do Sebrae/MA capacitará 28 grupos da ilha, composta pelos municípios de São Luís, Raposa, Paço do Lumiar e São José de Ribamar. Grupos de Alcântara, localizado no continente, também serão apoiados.
 
A partir de julho, a Instituição vai levar oficinas sobre cultura, artesanato, turismo, história do Tambor de Crioula, empreendedorismo e gestão de negócios aos 'coreiros', tanto nas cidades como no meio rural.
 
"Nosso objetivo é apoiar os empreendimentos que vão surgir e gerar renda para as comunidades de Tambor de Crioula", explica Keila Pontes, gerente do escritório regional do Sebrae em São Luís. As apresentações da dança para turistas, a venda da indumentária (saias, blusas, turbantes) e do artesanato em cerâmica, feito nas comunidades, são alguns dos produtos a serem organizados e comercializados.
 
"O apoio do Sebrae é promissor. Acredito que novas fontes de renda vão surgir nas comunidades apoiadas", prevê o presidente da Actasema, Paulinho di Maré. Nas oficinas da Instituição, será possível formar novos produtores dos tambores de madeira. Atualmente os instrumentos são feitos apenas no interior do Estado.
 
A confecção das saias coloridas e blusas das 'coreiras' (dançarinas) para venda é outra atividade produtiva a ser desenvolvida nos grupos com a consultoria do Sebrae/MA. As saias são em chita florida. As blusas brancas, com seus babados e acabamentos em finas rendas de bilro e bordado richelieu, encantam as platéias. Os turbantes usados pelos integrantes dos grupos de Tambor de Crioula também são desejados pelos que conhecem a dança. Segundo Paulinho di Maré, esses produtos já são demandados, principalmente pelos turistas.
 
Mestre Felipe – Mestre Felipe será um dos que vão se apresentar na solenidade desta segunda-feira. Ele é o segundo mais velho dos mestres de São Luís. Com 83 anos, está muito feliz devido ao reconhecimento do Iphan à cultura negro-maranhense. Conta que 'brinca' de Tambor de Crioula desde os três anos. "Aprendi com minha avó, meu pai e minha mãe", revela.
 
Ele revela que foi carpinteiro e lavrador durante toda a vida. Criou sete filhas e um filho e nunca ganhou dinheiro com o Tambor de Crioula. Havia só nove grupos em São Luís até alguns anos atrás, lembra o mestre, que fica surpreso ao saber que, atualmente, existem mais de 80.
 
Hoje Mestre Felipe só canta, por causa da idade. "Não bato mais", comenta, explicando que não toca mais tambor. Em sua casa, no bairro Vila Conceição, se reúne o grupo União de São Benedito, um dos mais antigos da capital maranhense.
 
"Meu ritmo é de São Vicente de Ferro, da baixada maranhense", informa, referindo-se a sua cidade natal. Mestre Felipe ensinou sua arte para tanta gente, que perdeu as contas. Antigamente o Tambor de Crioula só podia ser tocado, cantado e dançado por afro-descendentes.
 
"Hoje é tudo misturado, branco e preto tocam. Tem branco que toca melhor do que preto", observa. O mestre fala que já ensinou o ritmo do seu grupo até para duas japonesas e uma suíça.

Segundo o mestre, outra diferença dos dias atuais é a participação feminina. Antes, os homens cantavam e tocavam tambores e as mulheres cantavam e dançavam. "Agora, tem umas mais salientes que batem tambor", conta, admirado. "As coreiras também eram mais graúdas", comenta. "Elas rodavam as saias coloridas com tanta força, que se a gente encostasse, era capaz de nos derrubar". "Hoje, as mulheres são miúdas", compara.
 
Iphan/MA – (98) 3231-1388 / 1295| Por: Vanessa Brito/Sebrae Nacional
 
Fonte: Revista Fator – Sao Paulo