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Revelação e Zezé Motta – Aglomerado

O Aglomerado recebe o grupo Revelação, formado em rodas de pagode em Engenho de Dentro e Pilares, no subúrbio carioca durante a década de 90. Junto com MV Bill e Nega Gizza, abrem o programa com a canção Pai, que fala das transformações ambientais e políticas da nossa atualidade.

O personagem do quadro ‘Guerreiros e Guerreiras’ é o Mestre Garrincha, fundador do grupo Senzala, que, desde os anos 60, vem lutando e moldando a forma de ensinar Capoeira no Brasil.

Já Nega Gizza percorre alguns becos do bairro mais tradicional da boêmia carioca, a Lapa , e confere a ‘Boa da Noite’: o Beco do Rato . Lá, ela encontra um verdadeiro ‘aglomerado’, juntando muito samba de raiz, pastel de angu e animação.

MV Bill vai até as pistas de atletismo da Vila Olímpica de Santa Cruz , zona oeste do Rio de Janeiro, para conhecer as expectativas e perspectivas de um jovem atleta : Marcos Vinicius.

O Aglomerado faz uma singela homenagem a uma figura feminina que, com força e graça, luta para que os artistas negros tenham espaço, oportunidade e tratamento igual nas mídias e meios de comunicação: a atriz e cantora Zezé Motta.

No Centro da cidade do Rio de Janeiro , no Largo São Francisco , houve um encontro internacional de palhaços . O Aglomerado esteve lá para trazer em matéria a história e tentar entender a alma do que é ser Palhaço.

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Crônica: “Iê” (*) – VIVA MEU MESTRE!

A Capoeira passa, nos últimos 20 anos, por uma expansão significativa: no Brasil cresceu, verticalizou  ao chegar na Universidade; no mundo, começa a horizontalizar.
 
A expansão  que resumimos, e mesmo por conta do crescimento vegetativo vem dar  margem à graduação de um maior número de Mestres. Neste avanço também   desponta o interesse e o envolvimento  comercial, aliás para expandir precisa criar um mercado. E como está o Mestre? A figura do Mestre? – vamos dizer assim do “Mestre dos novos tempos?” – aí é que nos interessa: A relação do  “capoeira” com o Mestre, e vice-versa.
O elemento motor da Capoeira,  é o Mestre. “O Mestre é uma marca de elevação, de supremacia, de predomínio, que nenhum outro ser humano consegue”, analisa  Mestre Benício.  E, é verdade: toda  relação de obediência   pressupõe uma troca que  traga um ganho, ou afaste um medo. Mesmo nas relações com Deus está escancarada a troca de qualquer favor ou fervor – pela salvação da alma; nas enfermidades – pela  cura, etc.; para com o feiticeiro – aquela mistura meio-deus/homem/diabo, dono de forças, situadas entre o divino e o temporal; entre o ético,  e o safado – a obediência   estava na base das  trocas de mesmo calibre: da  boa colheita, um bom emprego;  até à volta da mulher amada –  traidora,  corneadora  há  tanto tempo, mas gostosa.  Nas relações de Estado, não existe opção; nas relações de emprego, idem. Entre “os capoeiras” e o Mestre, não pressupõe troca alguma. Por que? –  Antes, porém: em que se apóia o Mestre de Capoeira para ser guardião de obediência, inclusive de quem não conhece?
 
-Na FAMA, se apóia na fama. Acho a explicação mais plausível. Se não, vejamos.
 
-“A superioridade cria inimigos”, este o mais geral princípio da guerra.
As relações entre o Mestre de Capoeira e os seus, é o ato mais voluntário dentre todas as relações humanas, (fora das relações estritamente familiares).  O capoeira orgulha-se em  reconhecer, delegar superioridade a “seu”  Mestre. Cada um  orgulha-se da fama do “meu” Mestre. Cada um  satisfaz-se, obediente, diante de um número qualquer de outros Mestres: Sem que haja o pedido da salvação da alma, o medo do inferno; ter de volta a namorada que outro tomou. Não há pedido, nem a expectativa de troca alguma.
 
-Dos Mestres, num encontro com tantos, não se espere mais que alguns minutos  do
saudar,  as alfinetadas, mútuas:  delicadas, sutis, maliciosas. Para que? – para atingir a FAMA do outro. Pela exibição intelectual. Nunca por superioridade, no sentido clássico. Sempre foi assim, mesmo antes das cordas e cordões, (que são novatos).
 
-Observa-se uma certa preocupação, por  “Mestres dos novos tempos” e até por
outros mais veteranos “em ser igual”, em “se mostrar igual” aos da Roda. Não! Não é. Nem pode  ser. Vejamos este exemplo, distante, mas serve como referência: Quando milhões de católicos conferem ao PAPA o seu grau de elevação, o fazem livremente. O Papa deixa de ser igual a outro padre, a outro bispo, etc. Dentre aqueles fiéis, quando alguém deixa de ser católico,  não lhe é imposta pena nem uma. Também o Papa não deixa de ser o Papa.
 
-Todo Mestre de Capoeira transita com a desenvoltura de qualquer um, em qualquer
lugar,. Mas não é igual:  ele recebeu a delegação, a autoridade,  “para não  ser igual”. Quando alguém resolver “sair”, romper o pacto,  o faz…. Mas, o Mestre continuará . E o pronome  “meu” é apenas um referencial: O Mestre é o Mestre, conquistou o título e recebeu a delegação para exerce-lo, se assim se pode dizer. Cada “capoeira” guarda o orgulho da superioridade do seu Mestre. Só assim continuará a Capoeira – encanto da alma.
 
-Por que choras Manavane? – Estou velho não posso cantar. – Tu gostas de cantar?
Perguntei-lhe num esforço, sem saber como agrada-lo. Imaginei-o cansado. O observava desde cedo. Eram cerca de 200 pares de dançarinos e numero incerto de guerreiros. Todo par ao entrar na dança passava diante do velho: afastavam-se dos corpos e lhe abriam os braços. O velho às vezes fazia um gesto, na maioria dos casos nem os olhava.  Os guerreiros cruzavam os braços e paravam por um instante na sua frente, às vezes em fila, às vezes individualmente… Ele me olha, pareceu-me tomado de cuidados comigo, e respondeu-me:   –  “Quando o preto canta, Chicuembo repousa… (Deus descansa).
 
-Crônica de um dos raros sábios portugueses que foi à África em data incerta, (talvez
fins do Séc. VI) narrando como   aquele povo obedecia à figura do Mestre. Aquele velho era um Mestre, o mais velho. Enquanto, por cansaço, ou por vontade, não ofertasse a outro Mestre, o lugar,  todos lhe rendiam reverências. E ele lembra que a figura do Mestre era igual em todos os lugares. Na Europa também o havia sido, dos ofícios às culturas.
 
(*) O “IE” entre aspas, indica que foi dito pelo Mestre, privativa do Mestre.
 
 
André Pêssego
Berimbau Brasil – SP/SP Grupo de Mestre João Coquinho.

Consciência Negra e Capoeira – prática constante

Nesta crônica estão apresentadas algumas considerações sobre o "Dia da Consciência Negra", chamando-se a atenção para a presença da Mulher – negra ou não – na luta pelas igualdades. Mestra Dandara (Por que não?) recebe justa homenagem!
Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br
Edição 51 – de 27/nov a 3/dez de 2005
Manchinha – GCAIG
Colaboração: Moleza
Nov-05, São Paulo SP


O dia da Consciência Negra passou. Mais uma data no calendário oficial, que nos sugere um dia especial no meio de semanas e dias de puro trabalho e pouca reflexão. Apesar de cada vez mais termos meios de acessar as informações, o que se pode fazer com elas é ainda muito pouco, uma vez que os esforços e espaços para debates e trocas são limitados.
Eleito o dia 20 de novembro para representar toda nossa História Negra, por ser o dia da morte do líder Zumbi da república quilombola dos Palmares, fundada em 1597 onde hoje é o Estado de Alagoas e Pernambuco, no período auge de nossa vida colonial, essa data tem muito a representar. Gostaríamos de falar brevemente sobre o que essa representação pode oferecer ao debate da Capoeira como uma manifestação dessa parte da nossa História e que só agora, passados séculos de debates não-oficiais, está entrando nos mecanismos de divulgação da História Oficial.
Se uma data como essa permite pensarmos a vida de uma grande liderança como foi Zumbi, gerando a idealização de sua figura como a de um herói que deve ser colocado entre os heróis de nossa pátria-mãe tão pouco gentil com seu povo oprimido, também deveria permitir a conscientização do papel dos que estiveram atuando ao lado dessa figura, especialmente as mulheres, às quais fazemos questão de destacar aqui nesse texto e em outros que temos assinado sobre a presença feminina nos contextos de que participamos.

Luiz Fernando Goulart, diretor do filme

depoimento do diretor:
O mundo da capoeira me era totalmente desconhecido até dois anos atrás quando fui convidado para dirigir MESTRE BIMBA – A Capoeira Iluminada. Mesmo me reconhecendo como um apaixonado pela cultura brasileira, confesso que a capoeira não me encantava até então. Pouca coisa sabia dela. Quando ouvi o nome Mestre Bimba apenas relacionei-o à capoeira, mas nem sei porque. Pedi dois dias para pensar e decidir se largaria os projetos aos quais me dedicava. Acho que a internet me salvou. Ao escrever num site de buscas o nome capoeira me vieram 1 milhão e 400 mil citações em praticamente todas as línguas. Bem, não consegui dormir esta noite e na primeira hora telefonei correndo para aceitar o convite. O universo da capoeira me pegara, ainda que de longe. Daí pra frente o meu envolvimento com o projeto foi total. Era como se eu estivesse vivendo realmente uma grande paixão, querendo descontar o tempo que eu perdera desconhecendo uma das maiores forças culturais e políticas que o nosso país possui. Passei a me corresponder, nas línguas possíveis, com capoeiristas de todo o mundo, assessorando o roteiro que estava sendo feito pelo Luiz Carlos Maciel e não vendo a hora de mergulhar no universo do Mestre Bimba. Decidi utilizar o meu grande desconhecimento da capoeira e da figura do Mestre Bimba como base para a narrativa do filme. Cheguei na Bahia, corri todas as rodas possíveis mas evitei falar de Bimba. Eu queria conhecê-lo quase que junto com o espectador. Eu tinha apenas a impressão que me encantaria por sua figura e sua história mas quis procurar mostrar, antes de tudo, a emoção e a magia que me tomavam naqueles momentos pré filmagens em Salvador. Começamos as filmagens pelos depoimentos dos alunos de Bimba. Depoimentos previstos inicialmente para meia hora, duravam 5 a 6 horas. Sempre que alguém se lembrava do Bimba que conheceu se emocionava e nos envolvia a todos, da equipe. Fui também me envolvendo com aquela história maravilhosa de um homem cujo grande ideal foi tirar a capoeira, um jogo proibido pelo código penal vigente em sua época, de baixo do pé do porco, como gostava de dizer. Um homem analfabeto mas que foi reconhecido “post mortem” como Doutor Honoris Causa de uma importante Universidade, por unânimidade, em reconhecimento ao seu trabalho de educador. Um homem que foi capaz de ver, ainda nos anos 30, a capoeira sendo jogada no mundo todo, como a única arte marcial que se joga acompanhada por música e uma das poucas onde o objetivo não é machucar ou agredir o adversário. A única pratica esportiva nascida em nosso país e que, presente no mundo todo, jamais deixou de ser brasileira e de falar português. Uma das maiores fontes de viabilização de cidadania para brasileiros desassistidos e jovens em situação de risco social. Vi muita história bonita sendo contada. Muitos olhos que brilhavam à simples referência do nome Bimba. Muita mente brilhante e realizada que nos disse, com lágrimas nos olhos, que tudo que conseguira na vida fora graças ao seu mestre. Tudo isso foi Bimba que propiciou, ao dar a sua luz à capoeira e ver nela o instrumento de educação que hoje, o mundo todo reconhece. E é isso que eu procurei passar para os que assistirem ao filme, a mesma emoção que eu vivi descobrindo Bimba e a capoeira.

BIMBA DESAFIA OS CAPOEIRISTAS BAHIANOS

          A capoeira é um jogo genuinamente brasileiro. Na Bahia, é o mesmo praticado em grande escala. Temos uma série de nomes de grande projecção na difficil lucta da "raspa e da queda".

         Infelizmente, quase que não se assiste a demonstrações desse jogo, que é aliás, bem interessante. Que se movimentam os nossos capoeiristas, para o soerguimento do jogo que abraçaram.

Um desafio

          Esteve, hontem, em nossa redacção o sr. Manoel dos Reis, mais conhecido nas nossas rodas desportivas por Mestre Bimba, que em palestra comnosco pediu que lançassemos em seu nome um desafio aos capoeiristas desta capital, dentre os quaes figura Samuel Pescador, Eugenio e Henrique Bahia, para a realização de um encontro que deverá effectuar-se no proximo domingo.

          Bimba espera que o seu desafio seja acceito.

Jornal Diário da Bahia – Salvador, 28/01/1936

Fonte: www.filhosdebimba.fhp.com.br