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O Mestre e sua função

Ao falarmos sobre capoeira é quase inevitável pensarmos logo na figura do mestre. O mestre que também é uma figura muito comum na maioria das manifestações das culturas populares de todo mundo, é aquele considerado o guardião da memória, da tradição, dos saberes e fazeres de uma determinada comunidade.

É aquele que é respeitado por todos como alguém que com o tempo foi assumindo essa função, herdada de outro mestre mais antigo que delegou a ele essa responsabilidade. Mas sobretudo, é aquele que é reconhecido pela sua comunidade como alguém que tem a sabedoria de exercer essa função. E esse reconhecimento é algo adquirido ao logo do tempo, pacientemente, mais ou menos na mesma época em que vão chegando também as rugas no rosto e os primeiros fios de cabelos brancos.

O verdadeiro mestre é aquele que não tem pressa, que sabe que o tempo é quem vai dar-lhe as condições de exercer essa função quase sagrada, com toda a sabedoria que ela exige. E é muito difícil que isso aconteça antes que esse sujeito tenha uma experiência de várias décadas envolvido com essa manifestação.

Por isso é que ele não pode queimar etapas, ser afoito e precipitado. “A fruta só dá no tempo”, como diria mestre Pastinha, mas, no entanto, vemos hoje em dia uma disseminação de jovens capoeiristas na faixa dos 20 ou 30 anos, se auto-intitulando mestres de capoeira, que mal começam a adquirir experiência de vida, e já assumem a responsabilidade de exercer essa sagrada função de mestre perante jovens e adultos em todas as partes do mundo por onde a capoeira se espalhou.

Isso é preocupante, pois acaba ferindo alguns princípios muito valiosos da tradição e da ancestralidade da capoeira, que tem no mestre o seu principal veículo de transmissão e que se baseia, sobretudo, na experiência do mais velho, que é quem tem a autoridade e o reconhecimento para exercer tal função. Citando novamente o filósofo Vicente Ferreira Pastinha, ele dizia que “o mestre guarda segredos, mas não nega explicação”. A capoeira tem segredos, que só os mais velhos sabem decifrar. E é preciso muita paciência e sabedoria para alcançar essa condição.

Vivemos um tempo em que o mercado e a profissionalização do capoeirista, fazem com que sejam queimadas etapas muito importantes no processo de formação do mestre de capoeira. Muitas vezes a ganância e o desejo de lucro por parte de alguns grupos fazem acelerar demasiadamente esse ciclo, dando margem a uma proliferação de mestres de capoeira sem nenhum requisito, experiência, nem capacidade para exercer essa função, o que tem resultado num empobrecimento muito grande na capoeira que se tem visto por aí, mundo afora.

É preciso recuperar a dignidade da função do mestre de capoeira. Ele deve ser um exemplo de vida para seus discípulos, deve conhecer profundamente a capoeira em todos os seus aspectos, e não apenas ter a musculatura mais desenvolvida e ser aquele que salta mais alto. Tem que saber sentar e aconselhar com sabedoria àqueles que estão sob sua guarda, como faziam os velhos griôs* africanos.

Isso só se adquire com o tempo, com bastante tempo.

 

*Vem de griot, da língua francesa, que  traduz  a palavra  Dieli (Jéli ou Djeli), que significa o sangue que circula, na língua bamanan  habitante do  território  do  antigo  império  Mali  que  hoje  está  dividido entre varios  países do noroeste da África. Na tradição oral do noroeste da ÁFRICA, o griô é um(a) caminhante, cantador(a), poeta, contador(a) de histórias, genealogista, artista, comunicador(a) tradicional, mediador(a) político(a) da comunidade. Ele(a) é o sangue que circula os saberes e histórias, mitos, lutas e glórias de seu povo, dando vida à rede de transmissão oral de sua região e país.

Mestre Amaro: 30 anos da Academia Marinheiro em Suzano

Mestre Amaro, comemora este mes, 30 anos de atividades da Academia Marinheiro, fundada por ele em 1980.

“Na verdade é uma conjunção de duas celebrações. São três décadas de trabalho na capoeira no Alto Tietê, mais especificamente em Suzano, e muito mais de prática desta modalidade que tem me ajudado no aspecto disciplinar, físico, mental e social”, afirmou Mestre Amaro.
Sua história na verdade se confunde com o advento da capoeira em Suzano. Vim para São Paulo entre 1974 e 1976. Visitei uma série de academias de capoeira. Depois fui para Mogi onde passei a trabalhar com o mestre José Pereira, mais conhecido como mestre Pantera Negra, que teve formação com o mestre Canjiquinha da Bahia. Aprendi muito neste período”.

 

História:

Amaro Caetano de Souza, “MESTRE AMARO” de família baiana, em função de uma viagem de emergência à São Paulo, acabou por nascer prematuro de sete meses em São Paulo, em 1962. Voltou à Bahia, onde morou até os 12 anos. Em meados de 1967, tendo familiares capoeiristas, passou a tomar gosto pela arte, e assim sendo, nunca mais parou sua trajetória, no mundo da capoeira.

Por volta de 1974, volta à São Paulo, com a família, e conhece inúmeros capoeiristas, mais em particular o Mestre José Pereira, mais conhecido no mundo da capoeira como “Mestre Pantera Negra”, formado pelo famoso capoeirista Mestre Canjiquinha da Bahia. Com o qual passou a treinar até o ano de 1980, quando se formou. Passou a monitorar um trabalho paralelo ao do seu Mestre, por um período de seis meses, como filial da academia do mesmo. Mas ainda no ano 1980, em comum acordo com seu Mestre, funda a ACADEMIA MARINHEIRO, na cidade de Suzano/SP, com metodologia de ensino, totalmente voltada em não formar simplesmente um lutador, mas um cidadão de bem, para com a vida, e seus semelhantes.

Em verdade o Mestre Amaro, costuma dizer: “A Academia Marinheiro, não é somente uma academia, e sim uma extensão dos familiares dos alunos, que fazem parte do corpo presente da mesma. Hoje em nossa academia,procuro passar para os alunos conhecimento de vida, e até como se portar no seu dia-a-dia, e como se sair em uma possível entrevista de trabalho, pois haja visto que trabalhei na área de recursos humanos, comércio exterior, custos e controle empresarial, por mais de 12 anos. Assim procuro estar na melhor forma possível, ao lado de meus alunos. A Academia Marinheiro, hoje conta com inúmeros capoeiristas, com competência substâncial, para correr o mundo, e assim sendo temos projetos para se instalar em outros continentes. Do qual estaremos exportando toda nossa experiência capoeirista”.

Hoje após uma constante batalha, a Academia Marinheiro é destaque, e é considerada uma das melhores academias

de capoeira do Brasil. Em função de constantes pesquisas, realizadas pelas autoridades competentes e meios jornalísticos, o Mestre Amaro, constantemente é convidado a ministrar inúmeras palestras motivacionais, em empresas, universidades, escolas estaduais e municipais, além de ministrar cursos para outras academias, em todo o Brasil.

Está preparando-se para expor também seu trabalho por todo o mundo, como já ocorrido na década de 90, onde esteve na Argentina representando o Brasil, em um encontro mundial de artes marciais, do qual foi reconhecidamente aplaudido pelos presentes, durante sua apresentação.

O Mestre Amaro tem como meta, estar viajando por todos os continentes, onde estará fazendo contatos comerciais, para as instalações de franquias, pelo mundo.

e-mails: mestreamaro.marinheiro@gmail.com
e-mails:amaro@academiamarinheiro.com.br

A Academia Marinheiro, localizada na rua General Francisco Glicério, 354, 3º andar, sala 342, no centro de Suzano.

Tradições, Rituais e Estilos

Mestre Oto Malta, com mais de 50 anos de capoeira, começou a treinar com Mestre Bimba na Rua das Laranjeiras, em 1958, com 14 anos de idade. Nenel, hoje Mestre Nenel, filho de Bimba, não era nascido e Nalvinha, a filha, tinha um ano de idade. “Carreguei-a ainda de fralda mijada”, relembra Oto. “Tenho o privilégio da amizade de alguns alunos do Mestre Bimba que se formaram pouco tempo depois de mim, dedicaram-se ao ensino da capoeira e hoje são os Mestres Acordeon, Itapoan, Camisa Roxa, Saci, Xaréu e Salário”, declara. Mestre Oto continuou treinando capoeira regularmente até os 25 anos quando as “atribuições da vida”- profissão, família, viagens – foram reduzindo o tempo disponível para os períodos de treino. Deu aulas de capoeira em academias de amigos e na década de 1970 na sua própria residência, em Barra Grande, na ilha de Itaparica. No final da década de 1980 foi para São Paulo de onde só retornou em 2004 quando fez contato com o Mestre Nenel, voltando a jogar capoeira na Fundação Mestre Bimba. Para ele “a capoeira em si já é muito abrangente (arte, luta, dança, filosofia, visão de mundo) e no caso da Regional (capoeira regional) não é possível sintetizar o que os ensinamentos do Mestre Bimba significaram para todos os seus alunos. Mestre Oto é graduado em Administração de Empresas e pós-graduado em Marketing com Mestrado em Gestão Empresarial. Atualmente ensina na Faculdade IBES – ISEC.

 

TRADIÇÕES, RITUAIS E ESTILOS.

 

Antes de tudo, é necessário estabelecer o ordenamento conceitual.

As polêmicas, divergências e contradições que sempre surgem quando se trata de analisar origens e evolução da capoeira poderiam ser evitadas, existindo definição objetiva do que é tradição, ritual e estilo.

 

TRADIÇÕES.

São maneiras de pensar e agir relacionadas com a essência da capoeira, suas razões de ser:

1º A SOCIALIZAÇÃO – os africanos trazidos pelos portugueses para o Brasil eram de várias etnias (bantos, sudaneses, mandingas, malés, etc), não falando a mesma língua, com costumes e religiões diferentes; sem direitos de cidadania e em terra estranha surgiu a tendência do relacionamento e convivência para fortalecimento do grupo heterogêneo em defesa dos interesses comuns.

Até hoje, os capoeiristas de diversas procedências tendem a criar “irmandades” nos seus relacionamentos de aprendizado.

2º A RESISTÊNCIA À DOMINAÇÃO – não se trata do confronto aberto, que seria suicídio, mas da não aceitação da condição de escravo. Sobreviver na situação de dificuldade estrema, pensar a longo prazo nas próximas gerações, miscigenação, sincretismo religioso, quilombos, capoeira.

Hoje o afro descendente está integrado à sociedade e fica o exemplo para todo cidadão, independente da cor da pele, para a não aceitação de qualquer tipo de dominação, seja social, econômica ou política.

3º O DIVERSIONISMO – mais fácil de entender em campo de batalha: o exército menor cria uma estratégia de fuga ou falso ataque em um local para atrair o exército maior adversário a uma emboscada. A capoeira com suas gingas e negaças está sempre tentando iludir o oponente para levá-lo à derrota.

OBSERVAÇÃO:

Todo o processo cultural – do qual a capoeira faz parte – é evolutivo.

Afirmar que as tradições não mudam não está inteiramente correto. As tradições não mudam em função do Mestre, da Escola ou Academia, de ser Regional ou Angola.

As tradições se mantêm na sua essência e evoluem em função do tempo, como a socialização entre os colegas de capoeira e a resistência à dominação que sempre vão existir. A capoeira defensiva, a comunicação e o relacionamento que antes ocorriam entre os escravos nos engenhos, evoluíram para os contra ataques dos tripulantes das embarcações e os trabalhadores dos cais dos portos e espalhou-se pela zona urbana com maior iniciativa de ataque.

A troca de idéias e experiências de forma secreta na senzala, passou a ser feita hoje em eventos, conferências, publicações literárias, via internet.

Mas a essência do companheirismo, da camaradagem, bem como o propósito de repelir qualquer tentativa de manipulação ou dominação continuam sem alteração.

 

RITUAIS.

O ritual consiste em uma série de atitudes e ações sucessivas e pré estabelecidas, criadas para orientar um evento, cerimônia ou “rito”.

Mudam em função dos criadores e praticantes que podem ser o Mestre, o grupo que coordena uma escola, os discípulos mais antigos, os seguidores de um estilo, etc.

Entende-se como ritual o “batizado” a “formatura” a “troca de cordão”, a “chamada” de Angola, o jogo de formados com toque de Iúna da Regional.

 

ESTILOS.

Regional, Angola, Abadá são estilos.

Cada capoeirista também pode desenvolver um estilo próprio. A maneira de gingar, a forma de mover os braços, a altura da cintura, o ângulo do tronco com a cintura, tudo faz parte de uma maneira individual, um estilo próprio de jogar capoeira.

OBSERVAÇÃO:

A “sequência” da Regional não é ritual nem estilo, trata-se de uma metodologia, uma sistemática de ensino desenvolvida por Mestre Bimba.

 

* Elaborado por: Mestre Oto

A Mulher na Capoeira

Hoje em dia, é quase impossível assistir a uma roda de capoeira, em qualquer canto do mundo, onde não haja a presença feminina. As mulheres, com todo o direito, estão conquistando a cada dia, mais e mais espaço nesse universo que durante muito tempo foi predominantemente um espaço masculino.

A importância da mulher na capoeira vai muito além da graça e beleza que elas proporcionam a essa manifestação. A mulher sendo respeitada e valorizada numa roda de capoeira, garante que esse espaço seja cada vez mais um espaço democrático, onde a diversidade e a convivência harmoniosa entre os diferentes, significam um exemplo de tolerância e convívio social nesse mundo tão cheio de preconceitos e discriminações. Este exemplo é um dos ensinamentos mais importantes que a capoeira oferece às sociedades contemporâneas.

Além disso, a mulher é fundamental no trabalho de organização da capoeira. Não podemos pensar numa academia ou num grupo de capoeira, em que as mulheres não ocupem um papel estratégico nessa função. Talvez isso se dê pelo fato da mulher possuir essa capacidade de organização num grau mais desenvolvido que os homens, não sei. Só sei que sem as mulheres nessa função, a maior parte dos grupos de capoeira de hoje em dia não sobreviveriam por muito tempo.

Já temos também muitas mulheres com o título de “mestre” ou “mestra” de capoeira, como queiram. E são mulheres muito respeitadas no meio, que realizam trabalhos importantes e reconhecidos, apesar de ainda haver resistências por parte de alguns setores mais conservadores da capoeira. Mas é uma questão de tempo para que esse tipo de preconceito seja também superado.

Mas é bom lembrar que apesar do universo da capoeira ter sido predominantemente masculino, existiram muitas mulheres que deixaram seus nomes gravados na história da capoeiragem. Só para citar alguns nomes, a capoeira de outrora traz histórias impressionantes de valentia e destreza de algumas mulheres como: Maria Doze Homens, Salomé, Catu, Chicão, Angélica Endiabrada, Almerinda, Menininha, Rosa Palmeirão, Massú, entre muitas outras mulheres. Histórias que envolviam enfrentamentos com a polícia, brigas com navalha, e até mortes de valentões famosos como Pedro Porreta, que segundo algumas pesquisas indicam, foi de autoria da temida “Chicão”, conforme relatam jornais da época.

Vem jogar mais eu, mulher….vem jogar mais eu…que na roda de capoeira, o espaço também é seu !

 

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

Baiana defende título mundial

“Vai ser uma grande responsabilidade defender o título dentro de casa. Este ano vou estar com uma torcida muito grande”, diz a instrutora Moema Lúcia Ribas Duarte, campeã feminina dos Jogos Mundiais de Capoeira de 2005, única mulher a se classificar entre os 64 melhores capoeiristas da última edição do evento. Pelo regulamento da competição, homens e mulheres competem juntos.

Baiana, 34 anos e formada em educação física, ela contará com o apoio de seus mais de 100 alunos das rodas que orienta no Parque Júlio César, na Pituba, e na Baixa do Tubo, no Vale do Matatu. Torcida que, no entanto, estará desfalcada de seu maior incentivador: Muralha, marido e também instrutor da Abadá, partiu há seis meses para Palma de Mallorca, na Espanha, em busca de melhores condições de trabalho. “Aqui a nossa arte não é valorizada”, lamenta Moema, que ganha pouco mais de R$ 2 mil por uma jornada de 40 horas semanais de aulas em academias e escolas. Em dezembro, ela e a filha de 12 anos do casal devem partir para a Europa e juntar-se ao marido.

A decisão foi tomada justamente em função do dilema que vive entre a família e o trabalho. As poucas horas que tem para ver a filha, à noite, Moema divide com os treinamentos. Além de Moema, outra esperança baiana para o mundial na categoria adulto é Tijolinho, atual campeão do Norte-Nordeste.

Fonte: A Tarde Online – http://www.atarde.com.br/esporte/noticia.jsf?id=779468

Praia Grande: Feira reúne 130 capoeiristas na cidade

Em comemoração ao 119º ano da Abolição da Escravatura, a 1ª Feira de Capoeira de Praia Grande reuniu 130 capoeiristas em torno de mestres de renome nacional, como Lima, de Santos; Geraldo, de Cubatão, Caranguejo, de Praia Grande; e Jogo de Dentro, de Salvador. Realizado no Ginásio Rodrigão, o evento arrecadou cerca de 300 quilos de alimentos que foram doados à Casa da Criança e do Adolescente de Praia Grande.
Para o organizador do evento, José Roberto dos Santos, mais conhecido como professor Betinho, a idéia foi destacar a capoeira e mostrar aos seus praticantes o potencial do esporte na região. “É um orgulho recebermos um evento como este. Espero que esta tenha sido a primeira de muitas feiras. A intenção agora é tornar esse evento anual”, afirma.
 
A feira de Praia Grande, realizada no último domingo (13), foi a primeira do Estado. “A Cidade mais uma vez sai na frente no que diz respeito ao esporte”, destacou professor Betinho.
 
Além dos jogos, os capoeiristas participaram de cursos de aperfeiçoamento destinado a professores e praticantes. O público pôde conhecer instrumentos e objetos ligados ao esporte, como atabaques, agogôs, berimbaus, alem de revistas, cds e peças de vestuário.
 
– Tradição:
 
No final do século XIX, a capoeira era proibida em todo o País. Decretos impunham duras penas aos praticantes. A perseguição ocorria pelo fato de a capoeira ter em sua essência a liberdade. Apesar das provações, resistiu e sobreviveu até os dias atuais. De luta proibida, passou a ser um esporte nacional, genuinamente brasileiro.
Manifestação da cultura popular brasileira, a capoeira reúne características peculiares: é um misto de luta, jogo e dança. O ritmo e as características do jogo são regidos pelo toque do berimbau, instrumento preponderante na orquestra de capoeira, que inclui pandeiro, atabaque, agogô e reco-reco, entre outros.
 
Os cânticos (às vezes acompanhados de palmas) também têm função importante na determinação do tipo de jogo. É um excepcional sistema de autodefesa e treinamento físico, destacando-se entre as modalidades desportivas por ser a única originariamente brasileira e fundamentada em nossas tradições culturais.
 
O espaço em que se pratica a capoeira é a roda: círculo em torno do qual se sentam (ou apenas se agacham) os praticantes. Junto à entrada da roda ficam os instrumentos, com o berimbau ao centro, comandando a roda. Todos os participantes devem saber tocar os instrumentos, de modo que possam se revezar na função, permitindo assim que todos tenham sua vez de jogar.
 
As palmas são de responsabilidade daqueles que estão sentados assistindo, esperando sua vez de jogar, acompanhando sempre o ritmo ditado pelo berimbau. Todos devem responder em coro aos versos cantados. Uma boa roda de capoeira acontece quando todos os envolvidos, ainda que poucos, estiverem participando com vontade, dando corpo ao acompanhamento musical e aumentando assim a motivação daqueles que jogam.