Blog

fundo

Vendo Artigos etiquetados em: fundo

Associação Abadá Capoeira Ações Sociais e Cidadania

Não é de hoje que diversos grupos tem utilizado o enorme poder e penetração social da nossa arte-luta como uma poderosa ferramenta de cidadania. Por diversas vezes nosso portal publicou iniciativas louváveis e sempre bem-vindas dentro deste contexto…

Fica aqui mais duas exelentes iniciativas sob a tutela do ABADÁ CAPOEIRA, que há muito vem investindo nesta faceta da responsabilidade social, inestimável da nossa capoeira, sigam o exemplo e extrapolem o ambiente da academia… Sinta e viva a capoeira de forma mais ampla…
  • Rio Claro: Mobilização contra a dengue no Jardim Público

A iniciativa é realização conjunta do grupo Abada Capoeira, Centro de Controle de Zoonoses e Fundo Social de Solidariedade.

Mobilização contra a dengue marca a manhã deste sábado no Jardim Público de Rio Claro. Das 10 horas ao meio dia acontece apresentação que reúne capoeira, conscientização e dicas contra o mosquito transmissor da doença.

A iniciativa é realização conjunta do grupo Abada Capoeira, Centro de Controle de Zoonoses e Fundo Social de Solidariedade.

O instrutor Baiano e os alunos do Abada Capoeira, grupo que associa a capoeira à ações de cidadania, fazem apresentação desse sábado especialmente para promover as atividades anti-dengue no Jardim.

O Centro de Controle de Zoonoses estará no local com o boneco “Agente Cabeção” distribuindo folhetos informativos, exibindo amostras do ciclo do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, e fazendo esclarecimentos gerais sobre a doença.

O Fundo Social de Solidariedade também exibirá trabalhos relacionados ao tema.

Com o aumento dos casos de dengue em várias regiões do país, Rio Claro está intensificando a mobilização contra a doença, e precisa da colaboração contínua da comunidade.

Ações como colocar o lixo em locais corretos para não aumentar criadouros e eliminar os pontos de água parada, são fundamentais para a dengue não se alastrar.

 

  • Angra dos Reis: campanha “Doe Sangue, Doe Vida”

A Associação Abadá Capoeira, de Angra dos Reis, e a Federação Abadá, do Estado do Rio, com o apoio da prefeitura de Angra lançaram ontem (14), a 12ª Campanha de Sangue, “Doe Sangue, Doe Vida”. A entidade realiza o evento sempre antes do Carnaval, em razão do grande fluxo de turistas que chega à cidade para o feriado prolongado.

Os interessados devem se dirigir até o dia 25 de fevereiro, à sede do Hemocentro Municipal Costa Verde, na Rua Manoel do Rosário, 67, atrás do Hospital Codrato de Vilhena. O horário de atendimento é das 8h às 12h e das 13h às 17h. Os doadores devem ter entre 18 e 65 anos e pesar mais de 50 quilos. No ano passado mais de 300 pessoas participaram da iniciativa.

O encerramento da campanha será no dia 25, a partir das 17h, com roda de capoeira e corte de bolo.

 

Fontes:

http://diariodovale.uol.com.br/

http://jornalcidade.uol.com.br/rioclaro/

Fundo Internacional para a Diversidade Cultural

Financiamento para programas e projetos de promoção e proteção da diversidade cultural

O Fundo Internacional para a Diversidade Cultural criado pela Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, já entrou em sua fase piloto de funcionamento, com a divulgação de um formulário de pedidos de financiamento para programas e projetos.

Poderão ser financiados programa e projetos relativos à implementação de políticas culturais e ao fortalecimento de infraestruturas institucionais correspondentes; ao fortalecimento das capacidades culturais; ao fortalecimento das indústrias culturais existentes; à criação de novas indústrias culturais; e à proteção de expressões culturais comprovadamente em risco de extinção, conforme o artigo 8 da Convenção.

As solicitações poderão ser apresentadas por governos dos países em desenvolvimento membros da Convenção,  ONGs nacionais da área da cultura, grupos vulneráveis ou outros grupos sociais minoritários. Os pedidos serão avaliados por um painel de seis especialistas nomeados pelo Comitê Intergovernamental da Convenção, formado por 24 países, dentre os quais o Brasil.

O Fundo da Diversidade Cultural dispõe atualmente de US$ 2.391.489 (dois milhões, trezentos e um mil, quatrocentos e oitenta e nove dólares). A Convenção integra, atualmente, 109 países, dos quais a maioria é de países em desenvolvimento.

No Brasil, os pedidos devem ser enviados até o dia 15 de junho deste ano, para a Divisão de Assuntos Multilaterais Culturais (DAMC) – veja o endereço abaixo.

De acordo com decisão do Comitê Intergovernamental da Convenção, a prioridade de utilização dos recursos do Fundo é financiar projetos apresentados por países em desenvolvimento. Por este motivo, o Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SID/MinC) Américo Córdula, avalia que projetos brasileiros não terão prioridade, já que o Brasil é visto como um dos países em desenvolvimento em melhor situação econômica, e existem poucos recursos. O Secretário explica que, para financiar programas e projetos de promoção e proteção da diversidade cultural brasileira, o Ministério da Cultura está propondo a criação de um Fundo Setorial da Diversidade e Acesso, que faz parte da reforma da Lei de Incentivo – Procultura, atualmente em processo de tramitação no Congresso Nacional.

Os formulários só poderão ser preenchidos em francês ou em inglês.

O endereço para envio dos pedidos é:

DAMC – Ministério das Relações Exteriores
Palácio Itamaraty – Esplanada dos Ministérios – Bloco H
Brasília – DF – Brasil
CEP 70.170-900

 

Mais informações e/ou esclarecimentos podem ser obtidos com o ponto focal da Convenção no Brasil, Giselle Dupin – Coordenadora de Fomento à Identidade e Diversidade da SID/MinC, pelo endereço eletrônico: giselle.dupin@cultura.gov.br, ou pelo telefone: (61) 2024 2368.

Clique aqui para acessar o formulário de pedidos de financiamento (em francês e inglês).

Clique aqui para acessar o texto completo do Procultura.

(Comunicação/SID)

II Encontro da Música Atual e Tradicional da Capoeira

II Encontro da Música Atual e Tradicional da Capoeira apresenta:

II Festival de Ladainha, Corrido e Quadra ou Chula

Inscrições abertas para o Prêmio

Tributo aos Mestres Pastinha e Bimba

tudo sobre o Festival, o Prêmio e o Projeto www.colecaoemiliabiancardi.blogspot.com

Maiores informações:
71-8847-0925 ou 71-8732-2476
colecaoemiliabiancardi@gmail.com

Realização:
Projeto de Implementação da
Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais
Emília Biancardi

Apoio Fundo de Cultura / Governo da Bahia

A CAPOEIRA ESTÁ EM FESTA, É ANIVERSÁRIO DE MESTRE PINATTI

Para comemorar o aniversário deste Gigante da Capoeira Paulista, um dos principais precursores da capoeiragem na terra da Garoa, o Portal Capoeira separou dois textos:

O Primeiro de autoria de Marta Sales, onde o Mestre é homenageado e o segundo de Autoria de Miltinho Astronauta onde o autor nos leva a decada de 60 e conta um pouco da história da criação da famosa "Academia de Capoeira Regional de Elite de São Paulo" e dos treinos de Pinatti e Suassuna no fundo do quintal da Familia Pinatti.

Um grande abraço meu Amigo Djamir, muita saúde e capoeira e que venham mais e mais voltas ao mundo…. Um dos meus maiores prazeres nesta viagem de férias ao Brasil é poder estar com o senhor e dar este abraço pessoalmente…
Luciano Milani

A CAPOEIRA ESTÁ EM FESTA, É ANIVERSÁRIO DE MESTRE PINATTI

Queremos registrar o aniversário de um dos mais conceituados e respeitados Mestres de Capoeira e aproveitar para desejar muita paz, saúde e muitos anos de vida e de Capoeira. Que Deus lhe abencoe Mestre e muito obrigado por toda a contribuição que o senhor deu e ainda está dando para esta arte. Feliz aqueles que lhe tem como orientador, amigo, companheiro e pode desfrutar de sua presença. Seja Feliz, o senhor merece tudo de bom, que a sua postura sirva de exemplo para todos os capoeiristas deste maravilhoso planeta terra.

Marta Sales – Portugal


CA P O E I R A G E M – Da "Volta do Mundo" no fundo de um quintal paulista à  "Volta ao Mundo de Meu Deus"
"O que é isto meu amor
Venha me dizer
Isto é Fundo de Quintal
É pagode (Capoeira?) pra valer"
 
Assim seria a versão de um dos sambas da grande compositora mangueirense (Grêmio Recreativo Estação Primeira da Mangueira, Rio de Janeiro) Leci Brandão (foto, à direita) , caso tivesse passado pela Rua Comendador João Gabriel, 56-fundos, Bairro Mirandópolis, no ano de 1965, São Paulo.
 
Acontece que naquele endereço, mais precisamente no quintal, a céu aberto da casa de dona Alice Furtado Pinat (Mãe de Mestre Pinatti), estava se formando um dos primeiros grupos de Capoeira paulista.
 
Tratava-se na verdade de um espaço cedido pela família dos Pinatti – tradicional família italiana que veio da região de Ribeirão Preto para a capital paulista " para que um de seus filhos, o Djamir, juntamente com seu novo amigo Reinaldo, fundasse a "Academia de Capoeira Regional de Elite de São Paulo".
Mestre Pinatti " ou mais precisamente Pinat " guarda com carinho uma carteirinha remanescente daquela época, sendo que a mesma ilustrará o livro que ele está escrevendo sobre a Capoeira Paulista. Conhecendo-o bem, como estou aprendendo a faze-lo, certamente o título deverá ser algo como "Capoeira Paulista " do Fundo do Quintal ao Fundo da Alma".
 
No seu livro, de maneira emocionada, Pinatti começa contando como foi sua iniciação na Arte da Capoeiragem. Com detalhes preciosos que vão surpreender o mundo, como, por exemplo, a o perfil do seu primeiro parceiro na ousada empreitada, um jovem chamado Reinaldo, de sobrenome Ramos Suassuna, hoje, mundialmente conhecido como Mestre Suassuna.
Na ocasião Pinat trabalhava em um banco, e convenceu a família a permitir que alguns amigos se reunissem, duas ou três vezes por semana, para aprender, com eles, as artimanhas da Capoeiragem.
 
Suassuna, de maneira apaixonada, era o responsável por grande parte dos treinos. Estivesse frio ou calor, lá estava ele e os alunos treinando e se aperfeiçoando na rasteira, na cabeçada, no aú e na armada. Exímio jogador e também grande na cantoria.
 
Até em dia de chuva, lá no quintal, estavam os intrépidos capoeiras. Para não perder tempo, eles se protegiam na entrada de uma das portas da casa, onde, numa parte coberta tinha um tanque de lavar roupa, e ali ensaiavam toques de berimbau e pandeiro e ensaiavam cantos de capoeira. Cessando a chuva a roda recomeçava.
Vez ou outra, apareciam convidados especiais, grandes capoeiras como Paulo Gomes, Paulão, Marcão, Lopes, Brasília, Zé de Mola e outros. Nomes que, diga-se de passagem, merecem também um espaço próprio.
 
Em outras ocasiões, parte do grupo, normalmente sob o comando de Suassuna e do próprio Pinatti, caiam para as bandas do Brás (Rua Bresser), onde iam visitar a "academia" do Mestre Zé de Freitas, ou então testavam suas capoeiras na academia do Mestre Waldemar Alfaiate " vindo do Rio de Janeiro, com academia na Rua Bela Cintra, Bairro do Bexiga.
 
Mestre Zé de Freitas, aliás, que hoje vive em Alagoinha, na Bahia, é um dos pioneiros da Capoeira em solo paulista e merece ser devidamente entrevistado, tendo seus depoimentos documentados para que parte da Memória da Capoeira Paulista não se perca com o tempo. Chegaremos lá.
Este "modelo de treinamento", registre-se, não é, nem foi exclusividade paulista. A bem da verdade, esses tipos de treinos aconteciam bem antes da era das Academias de Capoeira. O uso de locais improvisados para treino e rodas foi comum nos tempos antigos. Senão, vejamos.
Mestre Waldemar da Liberdade tinha seu Barracão de Capoeira Angola (década dos 50), onde mestres como Nagé, Traira e o próprio João Grande vadiavam nos finais de semana, mormente nos dias de domingo e dias santos.
 
Antes disso, no Rio de Janeiro, o saudoso Mestre Sinhô (o paulista-carioca Agenor Sampaio), natural de Santos, conhecido também, simplesmente como Sinhozinho, formava alguns campeões em diversas modalidades de luta e/ou esportiva.
André Lace, em seu livro "Capoeiragem no Rio Antigo" (2002) relata que, nos idos de 1930, Sinhozinho preparava seus alunos em um terreno baldio, improvisando equipamentos de forma simples e engenhosa. Por exemplo, um cabo de vassoura com um sapatão acoplado na base transforma-se em perfeito equipamento para se treinar e aperfeiçoar as entradas e saídas das rasteiras.
 
O mesmo livro, registra a importância do livro de Zuma Burlamaqui (1928), o confronto do campista Cyríaco Macaco Velho (1909) , e o misterioso livro de ODC (1907)
Voltando à atualidade paulista, dia desses, Suassuna e Pinatti, ambos consagrados pela excelência de seus trabalhos e pelas incessantes lutas pela causa Capoeira, tiveram um encontro inesperado no saguão do aeroporto de Guarulhos. Suassuna estava regressando de Israel. Pinatti indo para uma de suas freqüentes viagens internacionais, talvez Amsterdã.
 
Mestre Pinatti, em tom emocionado, comenta ao colega das antigas: "Suassuna, você já parou para pensar que daquele quintal da… você e eu alcançamos fama e glória com nossa Capoeira?".
E mais ainda, que se imortalizariam na História da Capoeira Paulista!
 

CÂNTICOS

O conteúdo dos cânticos exalta as qualidades do chefe da roda, relata a sua origem ou se refere a fato, personagem ou ocorrência notáveis, atuais ou históricos.
A forma de cantar valoriza o tom das vogais antes que a pronúncia correta das consoantes, adquirindo sonoridade mântrica, em harmonia com o tom do berimbau. O canto e som do berimbau se fundem, no estilo angola, numa toada monótona, em que a presença do refrão empresta semelhança à ladainha, dum caráter suave, pacífico, extremamente cativante, permitindo movimentos mais lentos, relaxados, controlados, de grande belez. Enquanto no estilo regional, o ritmo marcial, mais acelerado, impõe maior velocidade aos movimentos, tornando-os mais agressivos, de caráter reflexo, instintivos e obrigando a maior afastamento entre os parceiros. Cada mestre tem um estilo próprio de tocar e cantar, modificando tema e conteúdo dos cânticos, os quais passam então a identificar cada roda pelo seu fundo cultural litero-filosófico, destacando-se o curto improviso, a chula1, reliquat da dança popular portuguesa deste nome.
Além desta, encontramos como categorias de cânticos, o corrido2, as quadras3 e a ladainha4.
O conteúdo dos cânticos geralmente faz parte do repositório da comunidade a que pertence a roda ou repertório própria roda, tais como referências a fatos, personagens históricos, reverenciando-os consoante sua livre escolha, tecendo comentários de conteúdo filosófico ou ligados à sabedoria popular, ditos e axiomas. Destacamos o oriki (chamado de chula pelo Mestre Bimba nos primórdios da regional, conhecido como ladainha entre os atuais angoleiros), a louvação africana, saudação laudatória aos mestres, à terra natal, aos amigos, a Deus, aos Santos e aos orixás, que empresta caratér individual a cada grupamento ou roda.
O coro, ritornelo, refrém, estribilho ou refrão, une todos os presentes num canto orfeônico extremamente contagiante, criando uma atmosfera energética que transforma o grupamento social numa entidade global, capaz de geral um estado transional coletivo.

Consoante o estilo e o temperamento do mestre e, portanto, da roda, há uma nítida preferência pelo suavidade e lentidão da ladainha (predominante entre os angoleiros) ou pelo calor e velocidade do corrido (mais a gosto dos regionais).

1-Curto "improviso" de apresentação ou identificação entoado pelo cantador a título de abertura da sua composição. Geralmente faz a louvação dos seus mestres, da sua origem, da cidade, de fatos históricos, de algum outro elemento do fundo cultural da roda. Freqüentemente os cantadores usam uma chula como introdução aos corridos e às ladainhas, durante a qual é sugerido ou indicado refrão a ser entoado pelo coro.

2-A própria denominação já traduz, ou lembra, a aceleração do ritmo que o caracteriza, juntamente com o nexo entre o verso do cantador e o refrão do coro que o repete parcial ou totalmente. O cantador entoa versos de frases simples, curtas, freqüentemente repetidas, e cujo conjunto é usado como refrão pelo coro da roda. O conteúdo do trecho cantado pode ser retirado duma quadra, dum mote, duma ladainha, dum corrido, ou do fundo comunal litero-filosófico da roda ou grupo social. A diferenciação no entanto só aparece com nitidez durante a audição do conjunto, pois o mesmo conteúdo poderá ser cantado numa ou noutra categoria conforme a impostação da voz, ritmo, compasso e aceleração que o cantador, a orquestra, coro vocálico e o acompanhamento das palmas, além da própria estrutura, emprestam ao trecho.

3-Curta estrofe de quatro versos, sem interrupção, de conteúdo variável, algumas vezes fazendo sotaques ou advertências jocosas a algum companheiro ou a fatos ou lendas da roda. Geralmente termina com uma chamada ou advertência ao coro, como "Camará!", "Vorta du mundu!", "Aruandê!", "Aruandi!", "Iêê!", "Êêê!", entre tantas outras.

4-A ladainha é o ritmo dolente, lento, como na reza de mesmo nome na igreja católica, o coro repetindo o refrão independentemente do trecho entoado pelo cantador. O conteúdo da ladainha corresponde a uma oração longa, mensagem, desdobrada e relatada em curtas estrofes entrecortadas pelo refrão.

Capoeira – de fundo do quintal à gloria mundial

CA P O E I R A G E M – Da "Volta do Mundo" no fundo de um quintal paulista à  "Volta ao Mundo de Meu Deus"
 
"O que é isto meu amor
Venha me dizer
Isto é Fundo de Quintal
É pagode (Capoeira?) pra valer"
 
 
 
Assim seria a versão de um dos sambas da grande compositora mangueirense (Grêmio Recreativo Estação Primeira da Mangueira, Rio de Janeiro) Leci Brandão (foto, à direita) , caso tivesse passado pela Rua Comendador João Gabriel, 56-fundos, Bairro Mirandópolis, no ano de 1965, São Paulo.
 
 
Acontece que naquele endereço, mais precisamente no quintal, a céu aberto da casa de dona Alice Furtado Pinat (Mãe de Mestre Pinatti), estava se formando um dos primeiros grupos de Capoeira paulista.
 
Tratava-se na verdade de um espaço cedido pela família dos Pinatti – tradicional família italiana que veio da região de Ribeirão Preto para a capital paulista " para que um de seus filhos, o Djamir, juntamente com seu novo amigo Reinaldo, fundasse a "Academia de Capoeira Regional de Elite de São Paulo".
 
Mestre Pinatti " ou mais precisamente Pinat " guarda com carinho uma carteirinha remanescente daquela época, sendo que a mesma ilustrará o livro que ele está escrevendo sobre a Capoeira Paulista. Conhecendo-o bem, como estou aprendendo a faze-lo, certamente o título deverá ser algo como "Capoeira Paulista " do Fundo do Quintal ao Fundo da Alma".
 
No seu livro, de maneira emocionada, Pinatti começa contando como foi sua iniciação na Arte da Capoeiragem. Com detalhes preciosos que vão surpreender o mundo, como, por exemplo, a o perfil do seu primeiro parceiro na ousada empreitada, um jovem chamado Reinaldo, de sobrenome Ramos Suassuna, hoje, mundialmente conhecido como Mestre Suassuna.
 
Na ocasião Pinat trabalhava em um banco, e convenceu a família a permitir que alguns amigos se reunissem, duas ou três vezes por semana, para aprender, com eles, as artimanhas da Capoeiragem.
 
Suassuna, de maneira apaixonada, era o responsável por grande parte dos treinos. Estivesse frio ou calor, lá estava ele e os alunos treinando e se aperfeiçoando na rasteira, na cabeçada, no aú e na armada. Exímio jogador e também grande na cantoria.
 
Até em dia de chuva, lá no quintal, estavam os intrépidos capoeiras. Para não perder tempo, eles se protegiam na entrada de uma das portas da casa, onde, numa parte coberta tinha um tanque de lavar roupa, e ali ensaiavam toques de berimbau e pandeiro e ensaiavam cantos de capoeira. Cessando a chuva a roda recomeçava.
 
Vez ou outra, apareciam convidados especiais, grandes capoeiras como Paulo Gomes, Paulão, Marcão, Lopes, Brasília, Zé de Mola e outros. Nomes que, diga-se de passagem, merecem também um espaço próprio.
 
Em outras ocasiões, parte do grupo, normalmente sob o comando de Suassuna e do próprio Pinatti, caiam para as bandas do Brás (Rua Bresser), onde iam visitar a "academia" do Mestre Zé de Freitas, ou então testavam suas capoeiras na academia do Mestre Waldemar Alfaiate " vindo do Rio de Janeiro, com academia na Rua Bela Cintra, Bairro do Bexiga.
 
Mestre Zé de Freitas, aliás, que hoje vive em Alagoinha, na Bahia, é um dos pioneiros da Capoeira em solo paulista e merece ser devidamente entrevistado, tendo seus depoimentos documentados para que parte da Memória da Capoeira Paulista não se perca com o tempo. Chegaremos lá.
 
Este "modelo de treinamento", registre-se, não é, nem foi exclusividade paulista. A bem da verdade, esses tipos de treinos aconteciam bem antes da era das Academias de Capoeira. O uso de locais improvisados para treino e rodas foi comum nos tempos antigos. Senão, vejamos.
 
Mestre Waldemar da Liberdade tinha seu Barracão de Capoeira Angola (década dos 50), onde mestres como Nagé, Traira e o próprio João Grande vadiavam nos finais de semana, mormente nos dias de domingo e dias santos.
 
Antes disso, no Rio de Janeiro, o saudoso Mestre Sinhô (o paulista-carioca Agenor Sampaio), natural de Santos, conhecido também, simplesmente como Sinhozinho, formava alguns campeões em diversas modalidades de luta e/ou esportiva.
 
André Lace, em seu livro "Capoeiragem no Rio Antigo" (2002) relata que, nos idos de 1930, Sinhozinho preparava seus alunos em um terreno baldio, improvisando equipamentos de forma simples e engenhosa. Por exemplo, um cabo de vassoura com um sapatão acoplado na base transforma-se em perfeito equipamento para se treinar e aperfeiçoar as entradas e saídas das rasteiras.
O mesmo livro, registra a importância do livro de Zuma Burlamaqui (1928), o confronto do campista Cyríaco Macaco Velho (1909) , e o misterioso livro de ODC (1907)
 
Voltando à atualidade paulista, dia desses, Suassuna e Pinatti, ambos consagrados pela excelência de seus trabalhos e pelas incessantes lutas pela causa Capoeira, tiveram um encontro inesperado no saguão do aeroporto de Guarulhos. Suassuna estava regressando de Israel. Pinatti indo para uma de suas freqüentes viagens internacionais, talvez Amsterdã.
 
Mestre Pinatti, em tom emocionado, comenta ao colega das antigas: "Suassuna, você já parou para pensar que daquele quintal da… você e eu alcançamos fama e glória com nossa Capoeira?".
 
E mais ainda, que se imortalizariam na História da Capoeira Paulista!
 
 
Capoeiristicamente,
 

Na foto: Mestres Pinat & Limão, Praça da República, 1969.
 
{mos_sb_discuss:12}
Read More