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A capoeira desde o descobrimento do Brasil – A Origem da Capoeira

A CAPOEIRA DESDE O DESCOBRIMENTO DO BRASIL: A CAPOEIRA sem sombras de dúvidas é uma arte genuinamente brasileira, ou seja, uma arte criada no Brasil.

Embora seja uma arte riquíssima que existe nela, música, dança, luta, artezanato, composição, poesia, literatura, história, filosofia de vida e muito mais valores, tem a sua origem despersa, onde estudiosos no assunto buscam respostas para essa questão, A ORIGEM DA CAPOEIRA.

Em várias revistas, livros, sites de grupos de capoeira, podemos observar um texto de autoria desconhecida que diz o seguinte:

“A discussão é interminável: pesquisadores, folcloristas, historiadores e africanistas ainda buscam resposta para seguinte questão: a Capoeira é uma invenção africana ou brasileira? Teria sido uma invenção do escravo com fome de liberdade? Ou uma invenção do indígena?

As opiniões tendem para o lado brasileiro e aquí vão alguns exemplos: no livro A Arte da Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil, do Padre José de Anchieta, editado em 1595, há uma citação de que “os índios tupi-guarani devertiam-se jogando Capoeira”. Guilherme de Almeida no livro Música no Brasil, suatenta serem indígenas as raízes da Capoeira. O navegador português Martim Afonso de Souza observou tribos jogando Capoeira. Como se não bastasse, a palavra Capoeira (Caá-Puera) é um vocábulo tupi-guarani que significa “mato ralo” ou “mato que foi cortado”…”

Fui a campo para pesquisar as referências do texto, e tive acesso a obra original do Jesuita, o livro A ARTE DA GRAMÁTICA DA LÍNGUA MAIS USADA NA COSTA DO BRASIL, editado em 1595, desta primeira edição, impressa em Coimbra por Antonio de Mariz, são conhecidos doze exemplares, lí o livro umas quarenta veses, trata-se de um livro escrito em um portugues muito antigo, além de várias citações em Latim, tem apenas 60 páginas, e trata-se de um livro espécie de dicionário traduzindo e ensinando a língua Tupi guarani, que na época do descobrimento era um dialeto falado pela maioria dos povos indígenas, só que a citação que índios divertiam-se jogando capoeira não existe, algo que me espantou, por eu ser um defensor de que a capoeira seja dos índios brasileiros, e sempre ter usado tal referência em debates sobre a origem. Procurei então pesquisar o navegador Martim Afonso de Souza que também é citado no texto, e descobri que todos os detalhes sobre a primeira expedição colonizadora, fora relatado pelo irmão do navegador e não por Martim Afonso de Souza, e os relatos encontram-se no diário de bordo de Pero Lopez, onde algumas veses é relatado o contato com os índios, mas em nenhum momento ele relata sobre tribos jogarem Capoeira, mas uma vez fiquei espantado pelo que não achei, e então fui até a casa Guilherme de Almeida no bairro de Sumaré em São Paulo/SP para pesquisar o livro Músicas no Brasil, e fui informado que não existe nenhuma obra do autor com esse tema, por fim uma coisa é certa sobre o texto acima, a palavra CAPOEIRA, é sim de origem Tupi guarani, mas preciso descobrir agora além da Origem da CAPOEIRA, o autor de tal texto que usou tais inexistentes referência, como sou um jóvem historiador com apenas 18 anos de pesquisas sobre a origem da capoeira, venho através deste artigo, esclarecer esses fatos citados, e ainda dizer que vestígios indígenas sobre a origem da capoeira, encontrei muitos, mas nenhum com certeza absoluta, e de certeza absoluta, apenas minha opinião de que a capoeira já existia no Brasil na época do descobrimento, essa opinião, é pelo fato de que além de historiador, sou também capoeirista, e quando pesquiso livros antigos, artigos, cartas, tudo que possam me levar a alguma pista, observo com olhar técnico de conhecedor da arte Capoeira, onde encontrei inclusive, no que se diz a certidão de nascimento do Brasil, ou seja, a Carta do escrivão Pero Vaz de Caminha, alguns indícios relatado por ele, que para mim possa ser Capoeira.

Não posso deixar de citar, que houve no Brasil, mais de 200 anos de escravidão indígena, e abolida inicialmente pelo Marques de Pombal, mas no início da colonização do Brasil, os colonos portugueses escravizaram os índios, e de 1556 a 1567, ocorre a primeira grande guerra em terras brasileiras, conhecida na história por CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS, onde a maioria dos Tupinambás, que foram os primeiros índios a serem escravos no Brasil, são dizimados quase que no total, e os poucos índios sobreviventes da guerra foram feitos escravos, e é nessa época que inicia-se a diáspora africana para o Brasil, pois os portugueses achavam que os negros eram mais dóceis para lidar do que os indígenas, e índios e negros são colocados juntos nas senzalas.

Em livros históricos sobre A CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS, também encontrei vestígios sobre a presença da capoeira, e novamente olhando com olhares técnicos, nota-se isso no livro Duas viagens ao Brasil, escrito por Hanz staden, publicado orinalmente em 1557, Hanz Stadem foi um alemão que ficou refém dos Tupinambás por quase dois anos. este livro conheceu sucessivas edições onde existem descrições de costumes exóticos e rituais antropofágicos.

Por outro lado e lógica quando afirmo que a CAPOEIRA SEJA UMA ARTE GENUINAMENTE BRASILERIA E QUE JÁ EXISTIA NO BRASIL NA ÉPOCA DO DESCOBRIMENTO, a começar é pela própria palavra que é de origem indígena, pois se fosse oriunda da Africa ou de misturas de artes africanas, a lógica é que a CAPOEIRA teria também um nome africano, coisa que não ocorre, outro aspecto muito lógico também, é que as etnias de negros trazidas para o Brasil para serm escravos, também foram levados para vários outros países para também serem escravos, e a capoeira nunca veio a se manifestar em algum outro lugar a não ser no Brasil, além de que nunca existiu CAPOEIRA na Africa, a não ser atualmente que existe, devido a brasileiros terem levados a CAPOEIRA para lá.

Algumas outras lógicas interessantes: Queixada, que é um golpe de capoeira, tem seu nome originado também do Tupi guarani, e significa aquele que corta, bem típico do movimento, IÊ, que é uma palavra muito usada em rodas de capoeira como um alerta, também é uma palavra oriunda do Tupi Guarani, e seu sigificado é o mesmo das rodas de capoeira, significa: Olhe, veja, preste atenção, interessante isso, e além todas estas lógicas, pessoas ainda buscam a origem do berimbau, que é o instrumento principal das rodas de capoeira, onde sua aparição em rodas também não sabe-se ao certo, e muitas teorias surgem sobre a semelhança com o URUCUNGO que é um instrumento africano, mas tocado parecidamente como se toca um violino, então o violino teria que ser oriundo do urucungo e não o berimbau, pois berimbau sempre foi berimbau e nunca derivou de nenhum outro instrumento, e berimbau também é uma palavra Tupi guarani, que significa do morro furado.

Embora as lógicas são tantas, infelizmente ainda ensistem brasileiros com falta de conhecimento e patriotismo, que preferem falar que a nossa rica CAPOEIRA seja oriunda de transformações de culturas vindas da africa.

 

Douglas Tessuto (PROFESSOR PELICANO, Historiador da arte CAPOEIRA)

 

Agradecimentos ao Mestre Wellington pela oportunidade de expôr este assunto tão polêmico que é a origem da CAPOEIRA.

 

Fonte: http://www.rabodearraia.com/capoeira/blog

Cartilha Ilustrada da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas

Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas

Publicação foi traduzida para o Guarani e será lançada, hoje, no Mato Grosso do Sul

Será realizado nesta quinta-feira, dia 1º de julho, o lançamento da primeira Cartilha Ilustrada da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. A Cartilha, cuja ilustração foi produzida a partir de um concurso, aberto à participação dos países do Mercosul e realizado dentro do projeto cultural Ava Marandu – Os Guarani convidam, foi editada em guarani, português e espanhol.  O Projeto Ava foi realizado de janeiro a junho deste ano e teve a participação direta de sete aldeias Guarani do Mato Grosso do Sul.

Além do lançamento da Cartilha, a cerimônia, que será realizada na sede do Pontão Guaicuru, terá ainda a premiação dos vencedores dos concursos de Redação, Poesia, História em Quadrinhos e Desenho – Cultura e Direitos Humanos dos Povos Guarani, também realizados no âmbito do Projeto Ava Marandu, e do vencedor do Concurso de Ilustração da Cartilha da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. A Cartilha foi traduzida para o Guarani pela equipe de professores da aldeia Te’ýikue formada por Eliel Benites, Edson Alencar, Cajetano Vera e Lídio Cavanha Ramires.

“Além de contribuir significativamente para a divulgação da Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, esta publicação, também na língua Guarani, oferece ao povo desta etnia uma ferramenta que poderá ser utilizada nas escolas indígenas, permitindo a apropriação do conteúdo da declaração, e contribuindo para o fortalecimento desta que é uma das línguas mais faladas no Brasil, e uma das línguas oficiais do Mercosul”, afirmou o ministro da Cultura, Juca Ferreira, ao comentar a importância da publicação do documento.

O Pontão Cultural Guaicuru justifica no texto de apresentação da Cartilha que “a primeira tradução do texto da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas para a língua Guarani kaiowá é uma conquista do Projeto Ava Marandu e ajudará crianças, jovens, adultos e idosos da etnia a conhecer e lutar para fazer valer os direitos humanos e o respeito ao universo indígena”.

A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas foi adotada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em 13 de setembro de 2007. De acordo com o Diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC), Giancarlo Summa, ela é um instrumento para ser usado na luta dos povos indígenas do mundo inteiro pela afirmação de seus direitos. “É importante que a Declaração se torne cada vez mais conhecida e difundida e seja traduzida no maior número possível de línguas indígenas”, lembrou Summa.

“Conhecer nossos direitos, na nossa própria língua, é o primeiro passo para que esses direitos sejam efetivamente respeitados. A tradução para o Guarani da Declaração, realizada no âmbito do projeto Ava Marandu, é de extrema relevância, prática e simbólica, e merece o reconhecimento, e o agradecimento, de todos”, completou o diretor do UNIC.

Pontão de Cultura Guaicuru fica na Rua Treze de Maio, 727, Vila Santa Dorothéia, em Campo Grande – MS.

(Heli Espíndola/Comunicação/SID)

 

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Cultura: Boletim da SID nº 04

Cultura e Educação

SID/MinC participa de oficina, realizada pela OEA, na República Dominicana

Os Ministérios da Cultura e da Educação participarão, em São Domingo, República Dominicana, da oficina O papel das artes e dos meios de comunicação na educação para uma cultura democrática, que será realizada pela Comissão Interamericana de Cultura da Organização dos Estados Americanos(CIC/OEA) de 16 a 18 de junho de 2010.

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Culturas Indígenas

Guarani é oficializado como segunda língua em município do Mato Grosso do Sul

O guarani é a segunda língua oficial do município de Tacuru, no Mato Grosso do Sul. O município é o segundo do país a adotar um idioma indígena como língua oficial, depois da sanção, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 24 de maio, do Projeto de lei que oficializa a língua guarani em Tacuru. Com a nova lei, os serviços públicos básicos na área de saúde e as campanhas de prevenção de doenças neste município devem, a partir de agora, prestar informações em guarani e em português.

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Professores do DF participarão de Fórum de Atualização sobre Culturas Indígenas

Curso visa formar docentes para ministrar aulas sobre o assunto no Ensino Fundamental

Os professores das escolas públicas e privadas de Brasília participam, de 16 a 18 de junho, na Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EAPE), do Fórum de Atualização sobre Culturas Indígenas – Módulo II. O evento integra o Projeto Séculos Indígenas no Brasil, que chega a sua terceira edição em 2010 e tem como objetivo preparar os professores do Distrito Federal para ministrar aulas de Cultura Indígena no Ensino Fundamental.

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Encontro dos Povos Guarani da América do Sul

11.500 refeições foram servidas durante o Encontro dos Povos Guarani

Um dos pontos altos da organização do Encontro dos Povos Guarani da América do Sul, foi o momento das refeições, servidas aos 800 indígenas e mais de 120 não indígenas, das equipes de apoio que trabalharam no evento. “Foram produzidas 11.500 refeições, entre café da manhã, almoço e jantar, durante os três dias do evento, além de um jantar de boas vindas no dia anterior, totalizando nove toneladas de alimento”, conta João Gonçalves, Coordenador-Geral de Promoção da Diversidade, Difusão e Intercâmbio Cultural da SID/ MinC.

Para isso, foi montada uma praça de alimentação na aldeia Tekoha Añetete com estrutura de cozinha e um espaço de buffet com 200 mesas e 800 cadeiras. Uma equipe de 30 pessoas foi contratada especialmente para elaborar as refeições.

Segundo Gonçalves, o cardápio, elaborado pelos próprios Guarani, tinha como ponto forte uma grande quantidade de verduras, frutas e legumes. “As frutas, como mamão, laranja, melancia e maçã, ficavam disponíveis na tenda de alimentação o dia todo, principalmente para que as mães pudessem oferecer às cerca de 150 crianças presentes”.

No almoço e jantar, além de legumes, como beterraba, aipim (mandioca), cenoura, batata e abóbora, acompanhavam o arroz e o feijão, macarrão e algum tipo de carne. Foram consumidos 1.000 quilos de peixe, 500 quilos de frango e 1.200 quilos de carne de boi. A erva mate, servida como chimarrão e como tereré, também foi colocada à disposição dos participantes durante todos os dias do Encontro, totalizando 240 quilos de erva, acrescentou João Gonçalves.

A xixa, uma bebida elaborada a partir da fermentação da canjica e consumida pelos indígenas durante os rituais de reza, era oferecida nas cerimônias religiosas realizadas após o jantar. A bebida era servida numa cuia, que circulava na roda de oração, passando de mão em mão. A xixa foi elaborada pelos anfitriões.

Além da estrutura montada para alimentação, foi contratada uma equipe médica e uma ambulância que ficou a postos 24 horas por dia. Além disso, uma equipe de limpeza formada por indígenas da aldeia anfitriã garantiu o bom estado do local durante o Encontro. Não houve nenhuma ocorrência médica.

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Encontro dos Povos Guarani

O registro audiovisual do Encontro dos Povos Guarani da América do SulAty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa será realizado por uma equipe indígena Kaiowá, formada por Devanildo Ramires e Elivelton Souza , do Ponto de Cultura Teko Arandu que atua na aldeia Te’ýikue, no município de Caarapó, no Mato Grosso do Sul.

Devanildo e Elivelton aprenderam, em 2008, as técnicas de filmagem, incluindo fotografia, edição de vídeo, software livre e photoshop, nas oficinas do Ponto de Cultura Teko Arandu. As oficinas, realizadas numa parceria do Ministério da Cultura com a Universidade Católica Dom Bosco, fazem parte do Núcleo de Estudos e Pesquisas Indígenas (NEPPI) e são coordenadas pelos professores Antônio Brand e Neimar machado de Sousa, formados em História Indígena.

A gestão é dividida entre a comunidade e a escola indígena Nhandejara Pólo, onde funciona o Ponto de Cultura Teko Arandu. No local, são oferecidas também aulas de informática aos alunos indígenas da escola.

Todo o material produzido por eles até agora tem sido veiculado no YouTube e foi gravado em DVD. Dentre os trabalhos mais significativos da dupla Kaiowá estão o filme Viagem de Intercâmbio Guarani gravado em 12 aldeias do Brasil, Paraguai e Argentina.

As filmagens sobre o Encontro dos Povos Guarani da América do Sul (Aty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa), pelas câmeras de Devanildo e Elivelton,  resultarão num documentário que será editado posteriormente.

 

* Evento será filmado por uma equipe Guarani Kaiowá

 

O endereço eletrônico da página do Ponto Teko Arandu é www.tekoarandu.org.

(Heli Espíndola, Comunicação SID/MinC)

Mulheres Indígenas no contexto sócio educacional brasileiro

Aconteceu no dia 09/03/2009 no auditório Horácio Macedo na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) pela ocasião das comemorações do Dia da Mulher, o evento “Mulheres Indígenas no contexto sócio educacional brasileiro”, apoiado pelo Centro de Estudos Afrânio Coutinho/Faculdade de Letras.

Organizado pela UFRJ e a Rede GRUMIN de Mulheres Indígenas os participantes discutiram sobre a inserção da mulher indígena no mercado de trabalho, sobre saúde e educação; sobre a violência e o preconceito sofrido ainda hoje; trouxeram suas próprias experiências e seus exemplos de conquista.

O evento aconteceu somente para indígenas do Rio de Janeiro, como as guaranis da Aldeia de Paratimirim e de Camboinhas, indígenas da ocupação do antigo Museu do Índio e indígenas que vivem na cidade, entre outros indígenas, como uma prévia da Quarta Mesa de Trabalho Rumo ao Fórum Nacional da Mulher Indígena para novembro de 2009. Essa 4ª Mesa de Trabalho acontecerá no início de maio com a participação de indígenas de outros Estados e três indígenas internacionais.

Envolvidos com o tema e com o apoio e presenças dos homens indígenas, Cristino Wapixana do Nearin (Núcleo de escritores e artistas indígenas) do INBRAPI (Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual) homenageia as mulheres com trechos de seu poema e sua flauta:

“Mulher morena, amarela, vermelha, parda, branca pele, peso leve. É brisa branda, ventania, belas formas, linda lua, soberana estrela nua!”.

Tini-á Fulni-ô disse que no seu povo a sociedade é matriarcal, e nos contou histórias sobre a força feminina fulni-ô. Disse que aos nove anos de idade perguntou à sua mãe como ele nasceu. Seus pais mostraram-lhe naturalmente a beleza do ato sexual, que é um ato de amor, e logo depois lhe contaram que foi assim que ele nasceu, comparando a mulher à terra. Já a líder guarani de Camboinhas, Dona Lídia disse que as mulheres da sua aldeia ouvem seus conselhos, pois no seu povo o mais velho é respeitado e passa valores aos mais jovens.  A curandeira disse contente junto às suas filhas presentes, que no próximo evento falará bem mais, e se desculpou por não dominar a língua portuguesa. A professora Vera Kauss, uma das organizadoras do evento, ressaltou a importância de se registrar e publicar as histórias indígenas, que trazem o conhecimento, a sabedoria dos povos indígenas, tão necessária à sociedade ocidental. Também foi importante a fala das jovens guarani, de Paratimirin. Evaneide falou sobre a importância do curso que está fazendo de reciclagem de papéis, onde tivemos a oportunidade de ver uma bela agenda feita no referido curso. A jovem guarani nos disse que dos cinco alunos do curso, ela é a única mulher.

Evanilde nos contou sobre o treinamento da saúde da mulher guarani, do qual ela participou. Ela respondeu a perguntas do público sobre métodos anticoncepcionais, que não são aceitos pela comunidade. Ela nos disse que  o pré-natal é feito com sucesso na aldeia. Silvia Nobre Wajãpi fez um oportuno comentário sobre a fala da jovem guarani, dizendo que hoje o infanticídio tem diminuído  com relação às crianças que nascem com deficiências nas aldeias, pois são realizados tratamentos médicos com essas crianças, para que se tornem saudáveis. A fala de Silvia foi confirmada pela agente de saúde guarani. A professora Nelilda Ormond disse que o que importa é que este evento será registrado, estando a universidade ciente da realização do mesmo e que está fazendo todo o empenho para apoiar os eventos do GRUMIN e NEARIN. Nelilda é a coordenadora geral do evento. Eliane Potiguara apresentou os instrumentos jurídicos nacionais e internacionais como caminhos para a garantia dos direitos das mulheres indígenas, além de citar os avanços após a Constituinte de 1988 e avanços após a Declaração Universal dos Direitos Indígenas que ajudou a escrever nas décadas passadas, além de agradecer o “finca pé” que estão realizando como parceria com a UFRJ. O líder Darci Guarani enfatizou a importância dos cânticos e coral indígenas, assim como Xohã frisou os traços, o design indígena como uma marca da ancestralidade. O evento ocorreu num clima de muita paz e respeito entre todos e todas. Tajira Kilima secretariou o evento e recolheu assinaturas para a constituição dos “AMIGOS DO GRUMIN”. O GRUMIN, UFRJ e parceiros partem agora para a realização da 4ª Mesa de Trabalho Rumo ao Fórum Nacional da Mulher Indígena, para início de maio de 2009.

Release escrito por ELIANE POTIGUARA*

    *   Escritora, professora e ativista indígena coordenadora do GRUMIN e Diretora do INBRAPI

www.grumin.org.br
www.elianepotiguara.org.br
www.inbrapi.org.br

CAPOEIRA: Origem e Significado do Vocábulo

Matéria retirada do Jornal do Capoeira, www.capoeira.jex.com.br
Mantendo a colaboração e a parceria estabelecida entre estes dois meios de comunicação, o Portal Capoeira selecionou uma matéria interessante… vale a pena conhecer… e refletir…
Luciano Milani

Esta crônica foi a primeira enviada pelo Capoeira-Pesquisador Raphael Pereira Moreno, de São Carlos-SP. Na verdade é ela que inaugura a série “Toques de Capoeira”, que o autor, gentilmente, estará enviando para nosso “Jornal do CAPOEIRA”.
Do minidicionário de língua portuguesa Aurélio Buarque de Holanda Ferreira:

ca.po.ei.ra.1
s. f. 1. Gaiola grande onde se criam e alojam capões e outras aves domésticas. 2. O conjunto das aves domésticas.
ca.po.ei.ra.2
Bras. s. f. 1. Terreno onde o mato foi roçado e/ou queimado para cultivo da terra, ou outro fim. 2. Jogo atlético individual, com um sistema de ataque e defesa. * S2g. 3. Quem o pratica.
Do dicionário eletrônico Michaelis:

ca.po.ei.ra.1
s. f. 1 Mato de pequeno porte que nasceu nas derrubadas da mata virgem. 2. Esp. Jogo atlético de ataque e defesa.
ca.po.ei.ra.2
s. f .2. Jacá para transportar galinhas.

José de Alencar, primeiro estudioso a analisar a palavra CAPOEIRA, em 1865, propôs para a origem do vocábulo o tupi CAA-APUAM-ERA, traduzido por ilha de mato já cortado. A composição da palavra ainda não foi totalmente esclarecida existindo diversas possibilidades para a montagem do vocábulo. Seguindo na proposta de origem em um vocábulo tupi-guarani, as opções mais aceitas pelos pesquisadores são CAÁPUÊRA e COÓPUERA.
Analisando CAÁPUERA, origem proposta em 1880 por Macedo Soares, nas palavras portuguesas de origem guarani, a sílaba CÁ, do guarani CAÁ, significa coisa de mato, planta, floresta virgem ou erva. Enquanto que o adjetivo PUÊRA significa a expressão do pretérito, que quer dizer o que foi, não existe mais. Portanto, pode-se aceitar como significado para a palavra capoeira mato extinto.
Tomando como partida a palavra COÓPUERA,onde COÓ significa roça, a palavra CAPOEIRA tem como significado roça abandonada. Para quem defende essa segunda versão, a palavra passaria de coópuera para capoeira, como evolução natural, assim como já aconteceu com outras palavras.
Também se atribui a palavra CAPOEIRA ao nome popular de uma ave (Opontoohorus Capueira, Soix), também conhecida por URU ou URU-DO-NORDESTE. É uma ave que vive no chão, muito semelhante ao faisão e CAPOEIRAS também eram chamados os caçadores desta ave. Em outro sentido para capoeira, Macedo Soares nos conta que os moleques ou pastores que vigiavam gado, para chamarem uns aos outros e também ao gado, reproduziam o canto da capoeira (URU) assobiando. Dessa forma o moleque que tinha essa missão era chamado capoeira.
Hoje em dia, existem mais de 25 definições para a palavra capoeira, porém na grande maioria, com significados em algum tipo de mato ou ave.
Aqui também podemos abrir um espaço para uma outra face interessante dessse assunto, que são as diferentes formas faladas ou escritas, já com a intenção de designar a arte da Capoeira. Em registros do início do século passado e em alguns nem tão antigos (anos 60) encontramos as formas CAPUEIRA, CAPUERA, CAPOERA e CAPOEIREIRO designando o jogo ou os praticantes. CAPOEIRAGEM é outra forma bastante utilizada, principalmente ao analisar os registros do Rio de Janeiro antigo.
Com a origem e o significado morfológico da palavra CAPOEIRA não completamente resolvidos, porém em parte entendidos, podemos começar a analisar a ligação entre o nome tupi-guarani e o nosso “jogo de pernas pro ar”.
Ainda que existam pesquisadores que relacionem o jogo da capoeira que nós conhecemos com o comportamento ciumento da ave protegendo seu território, de todas as definições já apresentadas por folcloristas e estudiosos, acredito que duas podem realmente nos levar a origem do nome dessa nossa luta-dança-esporte-música afro-brasileira.
Na primeira delas, os negros escravos, durante suas horas de folga (que de fato eram muito poucas) se reuniam num local de mato rasteiro, já cortado, onde realizavam suas danças, resquícios de um passado livre na África. Danças inofensivas aos olhares dos ioiôs, iaiás e feitores. Nesse ritual, os negros camuflaram um treinamento de luta, e mais do que isso, mantiveram uma ligação entre o processo de aculturação – os horrores na senzala – imposto pela escravidão e as manifestações culturais nativas de seus  povos.
Na segunda, os negros escravos ou forros levavam gaiolas de aves para serem vendidas nos portos e mercados, e enquanto estes não abriam suas portas, os negros se divertiam numa brincadeira de pernadas e cabeçadas.
Neste momento chegamos a um conflito histórico e muito discutido pelos capoeiras e historiadores. Se seguirmos a primeira ligação, onde o negro escravo na senzala se utilizava da dança como um treinamento camuflado visando a liberdade, acabamos por definir o surgimento da capoeira como um fenômeno estritamente rural que foi se expandindo até atingir as cidades. Em contrapartida, adotando a explicação das brincadeiras nos portos, chegamos a um surgimento urbano da capoeira.
Há também quem diga que na origem da capoeira existiu forte influência indígena… mas é inegável a presença dos valores africanos nos rituais… porém, essa discussão já é assunto para um próximo texto! (ler: Brasil ou África: onde nasceu a capoeira?)
Sagu ” raphaelmoreno@yahoo.com.br
São Carlos – 20/09/2004
Fontes consultadas:
1. Waldeloir Rego. “Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico”, Ed. Itapoan, Salvador, 1968.
2. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Mini dicionário da língua brasileira Escolar.
3. Michaelis. Dicionário eletrônico.
4. Alceu Maynard Araújo. “Folclore Nacional”, 1967.
Aproveite e consulte o Dicionário da Capoeira, uma ferramenta interativa com vocábulos pertencentes ao mundo da capoeira