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Capoeira revê cenário da escravidão em patrimônio histórico nos Jogos Abertos

Com um clima cultural, histórico e esportivo, em um dos barracões do Engenho Central de Piracicaba, durante todo dia de ontem cerca de 205 atletas se revezaram em duplas para mostrar o melhor da arte de jogar capoeira. Abrindo a competição, no segundo dia dos 72º Jogos Abertos do Interior (JAI) Horácio Baby Barioni, uma expressiva platéia observava atentamente os gingados de homens e mulheres que representavam 55 cidades.

Ao som do berimbau, comissão técnica, representantes de federações e amantes da capoeira, procuravam um espaço próximo das rodas para ver de perto os gestos e expressões de cada capoeirista que competia dentro das rodas.

Caracterizada como uma das expressões culturais mais significativas da história afro-brasileira, a capoeira remonta ao período de escravidão e opressão aos negros até o fim do século 19. Ainda ativa sob efeito dos valores que a criaram, a arte marcial vivenciou um profundo momento de revitalização histórica nos Jogos Abertos do Interior, em Piracicaba.

 

A competição foi sediada justamente dentro de um dos patrimônios históricos mais significativos da região: o Engenho Central, localizado às margens do rio Piracicaba. Desde sua construção, em 1881, o local tornou-se uma ponte histórica até o fim efetivo da atividade escravista no Brasil, sete anos mais tarde, com a criação da Lei Áurea.

As paredes de tijolo e os vidros quebrados em meio à área verde da região formaram o cenário ideal para a disputa competitiva da capoeira nos Jogos Abertos. O ambiente quente de um dos galpões adaptado de maneira rústica para receber o campeonato deu um charme extra ao torneio estadual.

"A capoeira é uma mistura de esporte e cultura. Ela tem esses dois lados. Levamos a modalidade ao Engenho para agregar esse lado esportivo com a cultura do local. Existe toda uma identificação com o esporte pela história do lugar e o que ele representa para a cidade", explicou Luiz Antônio Chorilli, diretor técnico da Secretaria de Esportes do município.

 

Jogos Abertos do Interior, em PiracicabaVinculada ao cultivo da cana em massa até o início do século 20, Piracicaba polarizou a economia da região no interior de São Paulo. O Engenho Central, fundado em 1881, foi o grande símbolo do desenvolvimento da cidade na época. Mais de um século depois, o local sobrevive como um patrimônio histórico e como anfitrião de eventos especiais, como festas e a própria disputa da capoeira nos Jogos Abertos.

O ambiente contagiou boa parte dos participantes, como o representante de Catanduva na categoria leve, Cícero Cerqueira Leite, de 27 anos. Experiente no assunto, o atleta perdeu o braço esquerdo em um acidente,12 anos atrás, quando cortava cana em uma ensiladeira (maquina picadora).

Apelidado de "Fera Negra" por sua persistência e por disputar a modalidade contra rivais sem deficiência, o capoeirista destacou a emoção de participar do torneio em um lugar de grande importância histórica para o açúcar brasileiro e, principalmente, a relação com as origens da capoeira, criada na época da escravidão.

"A capoeira é uma expressão de liberdade. Já sabia disso antes do meu acidente e percebi isso mais ainda depois dele. O esporte me ajudou muito e sou grato por poder ‘jogar’ de igual para igual com qualquer um em lugar como esse e em um torneio importante como os Jogos Abertos", declarou Cícero, momentos antes de ser eliminado da disputa pelos primeiros lugares.

Jogos Abertos do Interior, em PiracicabaO árbitro Orestes Ceroles concordou com o competidor. O juiz fez questão de destacar o aumento da popularidade da capoeira competitiva e defendeu que este tipo de integração histórica com o local da prática do esporte pode atrair ainda mais praticantes para a modalidade.

"É um esporte genuinamente brasileiro e é por causa do prestígio da capoeira que ela é disputada nos Jogos Abertos do Interior. Foi uma boa idéia trazer o torneio para cá. Aqui é tudo antigo e olha quanta gente atraiu", disse o árbitro, apontando para um grupo de oito pessoas que assistia ao torneio do lado de fora da entrada do galpão.

 

 

 

Fonte: http://esporte.uol.com.br/ – Gazeta de Piracicaba

Filme: Besouro Preto – Black Beetle

Besouro Preto, valente capoeirista de Santo Amaro no Recôncavo Baiano, tema que está sob a luz do holofote nos últimos tempos, acaba de ganhar uma versão para o teatro escrita por Paulo César Pinheiro (ver matéria), um cordel escrito pelo camarada Victor Garcia, mais conhecido na capoeira como Lobisomem (ver matéria), já foi alvo de um filme/documentário de 2003, dirigido por Salim Rollins, muito interessante e bem estruturado o filme trás grandes personagens da nossa capoeira assim como relatos de diversos estudiosos e pesquisadores.
 
 
Vale a pena assistir!!!
*Matéria sugerida por André Luiz, depois de ter comentado a matéria original da peça de teatro que fala sobre Besouro.
 
Escrito por André Luiz em 2006-12-08 22:28:38
 
"Só espero q acertem na contextualização histórica e não coloquem Besouro jogando Luta Regional Baiana e tão pouco Abada Style of Capoeira. Sejamos genuínos, não caiamos nos estereótipos amercianóides. Besouro e o Brasil agradecem. Axé!"
 
Escrito por Luciano Milani em 2006-12-08 22:33:44
 
"Sem dúvida é uma questão onde será preciso grande esmero e estudo do criador e da equipe de profissionais que estão preparando a peça…
 
Besouro, de Santo Amaro, é uma lenda entre nós capoeiristas.
 
Dica de um ótimo filme sobre Besouro: Black Beetle."
 
Escrito por André Luiz em 2006-12-09 20:10:58
 
"Olá Luciano;
 
O "post" acima é de minha autoria. Esta questão da identidade cultural de nosso povo é polêmica e apaixonante. É preciso tratar com muita lucidez o tema para que não nos equivoquemos.
Obrigado pela sugestão do filme "Black Beetle". Vc pode facilitar-me mais informações sobre o filme tais como Direção, produção ou mesmo um meio de consegui-lo de preferência pelo melhor preço do mundo?
 
Axé."
Caro André, leitores e visitantes do Portal Capoeira, abaixo maiores informações sobre o filme  BESOURO PRETO – "BLACK Beetle"
 
 
Besouro Preto
 
Dirigido por Salim Rollins
 
 
No estado da Bahia, nordeste do Brasil encontra-se uma região das terras férteis espalhadas em torno da cidade do Salvador, chamada o Recôncavo.  Durante o período da escravidão, a área foi reconhecida por seus rendimentos elevados do cultivo de Cana de Açúcar.   Da pequena cidade de Santo Amaro, situada no Recôncavo Baiano, vem a lenda de um homem embebido na tradição espiritual africana, um Capoeirista valente que desafiava as autoridades.   Alguns dizem que era nobre, outro um criador de problemas e confusões.  
 
Não há nenhuma dúvida que Besouro Preto (besouro preto) era uma figura histórica e respeitada no Recôncavo baiano. Mas onde a figura histórica e o mito começam?  
 
Besouro Preto olha profundamente o mundo misterioso de Capoeira, a evolução histórica, suas tradições espirituais/religiosas, sua filosofia, e a vida de um dos mais misteriosos capoeiristas: Besouro Preto. 
 
As entrevistas foram realizadas com os alguns dos mestres dos mais importantes da capoeira, assim como historiadores e religiosos.   Poucos documentários tentaram envolver o lado místico da Capoeira.   Com as histórias que são reveladas, uma nova luz vertente na história da Diáspora africana e tradições espirituais no Brasil.
 
Direção: Salim Rollins
Produtor Executivo: Gordon Parks
Fotografia: Joshua Bee Alafia
 
(No português com subtítulos em ingles)  
 
 


Besouro Preto
 
Directed by Salim Rollins
 
In the northeastern state of Bahia, Brazil lies a region of fertile lands spread around the city of Salvador, called the Reconcovo.  During slavery, the area was recognized for its high yields of sugarcane.  From the small town of Santo Amaro, located in Bahia’s Reconcovo, comes the legend of a man steeped in African spiritual tradition, a Capoeirista (practitioner of the movement/martial art Capoeira) who took it upon himself to challenge those who abused their  power.  Some say he was noble, others a troublemaker who disrespected the powers of authority. 
 
There is no doubt that Besouro Preto (Black Beetle) was a historic figure in Bahia’s Reconcovo. But where does the historic figure end and the myth begin? 
 
Besouro Preto looks deeply into the mysterious world of Capoeira, it’s historic evolution from Africa to Brazil, its spiritual/religious traditions, its  philosophy and then into the life of one of its biggest enigmas: Besouro Preto . 
 
In depth interviews were conducted with some of the most important Masters of the discipline as well as historic and religious scholars.  Few documentaries have attempted to delve into the world of Capoeira mysticism.  Through the stories and historic findings that are revealed, new light is shed on African Diaspora history and African spiritual traditions in Brazil.
 
Noted filmmaker Gordon Parks served as Executive Producer and Joshua Bee Alafia was the director of photography for Besouro Preto .
 
(In Portuguese with English subtitles)  

Gravação (Audio) Histórica do dia 31 de Maio de 1970

Em homenagem a capoeira, aos Mestres ( Suassuna, Silvestre, Almir, Limão, Gladson, Ananias, Pinatti, Joel, Melchiades, Brasília e tantos outros…), que lutaram para fazer valer e prevalecer esta arte, aos Filhos da Bahia que vieram para a terra da garoa mostrar e ensinar aos paulistanos a arte da capoeiragem, aos filhos de São Paulo que tomaram em seu corpo e em sua alma a “capoeira” e com mestria e muito amor partilharam e difundiram a nossa arte nas terras do café em uma época difícil onde a capoeira ainda era muito marginalizada e “vista pelas esquerdas” como diria Mestre Cúrio.

Uma Importante passagem dentro deste contexto de fortificação e divulgação da capoeira foi sem dúvida a apresentação de um grupo de capoeiristas no programa de auditório “Cidade contra Cidade”, comandado por Sílvio Santos, na antiga TV Tupi Canal 4 SP, no dia 31 de Maio de 1970, onde estavam presentes grandes nomes da capoeira ( Suassuna, Almir da Areias “Anande”, Paulo Limão e Jorge Melchiades).

É preciso salientar que para todo e qualquer capoeirista realmente interessado na história e na busca do conhecimento, a pesquisa é sua grande arma, seu principal ataque…
Enquanto que o seu bom senso e coerência, na caminhada incessante na busca do conhecimento é a sua principal esquiva!

Desta forma o Portal Capoeira trás para os leitores e visitantes do Portal este documento de áudio de Grande Valor histórico e ainda algumas fotos desta apresentação, para ilustrar de forma brilhante está matéria.

Em anexo, alguns trechos de reportagens dos jornais de Sorocaba, corroborando a importância do fato para a região e para a época.

Gravação Histórica:

Faixa gravada na madrugada do dia 31 de Maio de 1970, em antigo gravador portátil de “fita de rolo”, da apresentação do grupo de capoeira de Jorge Melchíades no programa de auditório “Cidade contra Cidade”, comandado por Sílvio Santos, na antiga TV Tupi Canal 4 SP
A pessoa que gravou, utilizou microfone, na saída acústica do aparelho de TV, as pilhas do gravador estavam com carga arriada, o que causou distorções irreparáveis de rotação. Ainda assim permanece documento histórica raro e de grande valor.

O áudio incidental na página principal do Portal Capoeira é parte da Gravação acima citada
Para Baixar esta Gravação, clique aqui.
Clique nas fotos para ver as imagens ampliadas.
Mestre Jorge falando com Sílvio Santos e a sua esquerda temos Mestre Paulo Limão e Suassuna. Com o Berimbau Mestre Anande (Almir) das Areias.
“Me lembro como se fosse hoje, tinha 7 anos e numa tarde de domingo o que se fazia naqueles longínquos anos 70? Assistia-se ao programa Sílvio Santos. De tantos programas que assisti, o que mais ficou gravado em minha memória foi justamente este programa onde pela primeira vez em minha vida tive contato visual com a capoeira, quanta satisfação ao ver esta foto e poder retornar no tempo. É evidente que muito mais importante que as recordações da infância, e o fato de que o momento está registrado na história para quem tiver o interesse em conhecer a verdadeira história, que neste caso retrata a coragem e o pioneirismo em se fazer capoeira numa época em que esta não era tão bem vista no contexto social, quebrando preconceitos a abrindo o caminho para o crescimento da verdadeira capoeira.”

João Vitor Schiezaro/Capoeira Mística


Galeria de Imagens anexas desta matéria (jornais):
Clique para ampliar…


Agradecimentos:

Mestre Jorge Melchiades
Wellington Tadeu Figueredo
Grupo Capoeira Mística

 

Caso exista interesse em adquirir o CD “Brincando na roda de Capoeira Mística”, do Grupo Capoeira Mística, clique aqui.

BIMBA

 
Bimba em 1939, detalhe da fotografia da formatura de Maia, Decanio e Onça Tigre

Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba, foi, sem dúvida alguma, o maior capoeirista de todos os tempos, o libertador da capoeira, o paladino da cultura negra, o criador da luta regional baiana ( cognome sob o qual a capoeira foi liberada, na década de 30, pelo interventor da Bahia, Ten. Juracy Magalhães, da proscrição pelo Código Penal).
Além de "tirar a capoeira de baixo da pata do boi", como dizia nas suas palavras simples, iniciou em 1946, durante o I Congresso Internacional de Neuropsiquiatria em Salvador, promovido pelos Profs. Edístio Pondé e Carlos Cerqueira (fundador do Sanatório Bahia), na casa do Babalorixá Camilo de Oxossi, na ladeira da Vila América (antiga ladeira do Currupio), as exibições públicas das manifestações culturais áfrico-baianas, que incluíram naquela data o samba de roda, a capoeira (regional naturalmente…) e o candomblé; deixando de incluir o maculelê, que foi recuperado na década de 50 graças a Tiburcinho de Jaguaripe, conduzido até Bimba por Decanio.
Sua importância histórica só encontra paralelo naquela de Mestre Pastinha, que conseguiu unir todos os demais Mestres de sua época em torno de sua figura carismática e conservar o primitivo jogo de capoeira sob o nome de "angola", fator de primordial valor na evolução evolução histórica desta brincadeira dos mestiços brasileiros.

DOWNLOADS

  • Envelhecimento e capoeira – Decanio Filho, A. A. (12/05/2003)
     
  • Evolução histórica da capoeira – Decanio Filho, A. A. (12/05/2003)
     
  • Falando de capoeira – Decanio Filho, A. A. (07/01/2003)
     
  • O Transe Capoeirano – Decanio Filho, A. A. (06/01/2003)
     
  • A Herança de Mestre Bimba – Decanio Filho, A. A.
     
  • A Herança de Mestre Pastinha – Decanio Filho, A. A.
     
  • Os Orixás – Ronilda Iakemi Ribeiro