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Método Brincadeira de Angola: Capoeira para Crianças a partir de um ano

Apresentarei neste artigo o método “BRINCADEIRA DE ANGOLA – capoeira para crianças”, que poderá ser utilizado para subsidiar professores que sentem necessidade de embasamento na sua prática com crianças pequenas, a partir de um ano. “-UM ANO??? COMO EH QUE PODE, ELES NÃO FAZEM NADA AINDA!!! NÃO EH POSSÍVEL ENSINAR CAPOEIRA PARA CRIANÇAS DE UM ANO!”, é a reacção que sempre recebo ao apresentar o método. Lembro a todos que, há duas décadas, diziam o mesmo sobre aulas para crianças de 4 ou 5 anos…

Desde os anos 90 vemos um crescimento enorme das aulas de capoeira para crianças, crescimento este que não foi acompanhado por uma preparação pedagógica dos professores, inclusive este que vos escreve.

Como a maioria dos professores, comecei a dar aulas muito jovem e, sem um prepare específico, me vi perdido nos primeiros dias. Isto foi em 1995… na época em que ligávamos para uma escola oferecendo capoeira e eles dizia: “capoeira não, vocês não tem judo?”…

Com o passar dos anos, me especializei em capoeira para crianças e desenvolvi o método “BRINCADEIRA DE ANGOLA-Capoeira para crianças”. Continuei pesquisando e,  sentindo a necessidade de maior aprendizado, ingressei no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde me formei e por onde publiquei diversos artigos sobre capoeira e educação no meio academico.

O método BRINCADEIRA DE ANGOLA foi criado pela necessidade de se ultrapassar as aulas clássicas de capoeira para crianças, aulas estas muitas vezes adaptadas de jogos da Educação Física Escolar(EFE).

O intuito foi elaborar uma Pedagogia da Capoeira, especifica desta arte, tendo por base o estudo do ethos da capoeira, do que a distingue de outros campos do saber: a ancestralidade como base, os Mestres como meio e a emancipação como fim.

O método utiliza conhecimentos de diversas áreas academicas, reconhecendo o valor da EFE, da Psicologia, da Pediatria etc, mas eh fundamentalmente baseado nos conhecimentos ancestrais da Capoeira, divididos em 4 áreas complementares:  Movimento, Musica, Social, Afetiva.

Falarei neste artigo somente do aspecto psicomotor, de forma resumida. Sobre maiores detalhes podem contatar-me ou visitar o  site www.brincadeiradeangola.com.br – “Capoeira para crianças no Rio de Janeiro”.

MOVIMENTO NATURAL

Observando o jogo de Capoeira Angola de mestres como João Pequeno, impressiona a simplicidade dos movimentos utilizados e a ausência de estresse muscular, em posições corporais naturais ao corpo humano, como queda-de-quatro, cocorinha, rabo-de-arraia etc. A Capoeira Angola, praticada desta forma, eh  a base da simplicidade do método BRINCADEIRA DE ANGOLA  para crianças a partir de um ano, pois a maioria das crianças nesta idade já dominou os 5 estágios necessários para se mover com um repertório corporal similar ao utilizado pelo mestre João Pequeno e outros grandes mestres de capoeira Angola, que sabiamente chegam a uma idade avançada ainda vadiando capoeira.

Relaciono estes estágios com o mundo animal:

  1. Animais aquáticos: Contração e expansão.
  2. Repteis: Arrastar-se
  3. Quadrúpedes: Andar em quatro apoios
  4. Símios: acocorar-se
  5. Humano: Eretibilidade

 

Fases: 1- Animais aquáticos: Contração e expansão. 2- Repteis: Arrastar-se. 3- Quadrúpedes: Andar em quatro apoios. 4- Símios: acocorar-se. 5- Humano: Eretibilidade

Fase 1 – Animais aquáticos

Nesta fase acompanhamos os primeiros movimentos que a criança utilizou em seu desenvolvimento uterino, um meio aquático: contracao e expansão.
Preservar estes movimentos é essencial para a saúde corporal e para isso utilizamos materiais simples como colchões ou rolos de espuma, auxiliando as crianças a realizar rolamentos laterais ou frontais, como cambalhotas. Futuramente estes movimentos darão lugar a formas mais elaboradas de contração e expansão, como queda-de-rim.

Fase 2- Réptil

O arrastar eh a próxima fase no desenvolvimento motor da criança, quando ela realiza movimentos de oposição entre braços e pernas para se locomover.  Trabalhamos esta fase incentivando a criança a arrastar-se sobre rampas e colchões, preservando o movimento natural que futuramente será utilizado no jogo de chão da capoeira, como na “tesoura de Angola”.

Fase 3 – Quadrúpede

O andar em quatro apoios e crucial para a saúde da coluna vertebral, pois eh nesta fase que se definem as curvaturas lombares e cervicais. Nas aulas de capoeira eh extremamente simples utilizar jogos com animais para se trabalhar este movimento.

Fase 4- Símios

O acocorar confortavelmente, com a planta dos pés completamente chapadas no chão, eh um dos movimentos mais preciosos no repertório corporal humano e, infelizmente, devido ao mau uso de cadeiras e outros apetrechos modernos, extremamente árduo para adultos com encurtamentos musculares. Estes mesmos adultos que hoje não conseguem fazer uma simples cocorinha (mesmo que consigam fazer um mortal parafuso), perderam algo valioso no caminho: a naturalidade do movimento.
A evolução natural do movimento passa necessariamente do acocorar para o ficar de pé, ou seja, toda criança com desenvolvimento saudável, ira equilibrar-se primeiro de cócoras, para depois se levantar.
Nas aulas de capoeira eh possível intervir precocemente para a manutenção deste precioso movimento, nossa “cocorinha”.

Fase 5 – Eretibilidade

Em torno de um ano de idade a criança já se levanta e ensaia o seu futuro andar, que será dominado quando a oposição entre o movimento dos braços e das pernas for alcançado. Se simplesmente o professor de capoeira tocar seu berimbau e deixar a criança dançar livremente, sem apresentar modelos pré-determinados de ginga, ele verá o nascimento de uma ginga espontânea, criativa e natural ao corpo da criança.

Para pensar…

A criança de um ano de idade já tem domínio de todas estas fases, estando apta a ser iniciada no mundo da capoeira.
Fica para o professor a prazerosa missão de ser o catalisador deste processo, criando as condições necessárias para um aprendizado autêntico, emancipador e autónomo, pois construído de forma harmonica entre a naturalidade da evolução motora infantil e a sabedoria da gestualidade da capoeira.

 

Omri Breda (Ferradura) – Rio de Janeiro – omriferra@yahoo.com – www.brincadeiradeangola.com.br

Raízes do Brasil realiza IX Batizado de Capoeira em Luzilândia.

Grupo de capoeira faz batizado e integra alunos ao projeto "Esporte para o Futuro"

O grupo Raízes do Brasil realizou no início da noite de sábado, o IX Batizado de Capoeira em Luzilândia, no Ginásio Dr. Vilarinho, envolvendo alunos dos projetos "Corpo Ativo", de São Bernardo (MA) e "Esporte para o Futuro". O batizado também fez parte da programação de aniversário de Luzilândia. A Associação Cultural de Capoeira do Piauí, Raízes do Brasil, realizou ontem, 8, no ginásio de esportes Dr. José Vilarinho, em Luzilândia, o IX Batizado de Capoeira, que teve a coordenação do professor Mucuim e do mestre Tucano.

O evento, que também fez parte da programação de aniversário da cidade, em seus 118 anos, reuniu, além das dezenas de alunos atendidos pelo projeto "Esporte para o Futuro", desenvolvido pela municipalidade, várias pessoas da sociedade. O Portal Luzilândia.com foi convidado para o evento que iniciou logo no início da noite, com a apresentação do projeto e dos resultados que a capoeira vem apresentando em Luzilândia, pelo professor Mucuim, acompanhado da palavra da prefeita Janaínna Marques.

A capoeira é e continuará sendo uma das ferramentas de inclusão e revolução cultural e esportivas de jovens e adultos, estejam em situação de risco ou na vulnerabilidade. Uma comitiva especial de Teresina veio para o batizado dos alunos luzilandenses.

O Grupo Raízes do Brasil tem como filosofia contribuir para a formação de valores humanos éticos, baseados no respeito, na socialização e na liberdade. Tentamos despertar em nossos capoeiristas uma visão ampla do universo em que a capoeira está inserida, priorizando a conscientização nos aspectos da defesa da natureza; valorização da cultura brasileira e integração social.

O maior objetivo de qualquer capoeirista, dentro de qualquer capoeirista, dentro de qualquer grupo de capoeira é chegar a ser um mestre de capoeira. No grupo Raízes do Brasil não é diferente. Toda graduação do grupo caminha para esse objetivo. Contudo, para ser um mestre de capoeira no Raízes do Brasil é preciso muito mais do que força, malícia, flexibilidade, gingado ou qualquer outro talento.

Tanto o grupo quanto o projeto "Esporte para o Futuro", da administração municipal, tem como grande objetivo a valorização do ser humano, do indivíduo, do aluno, desde iniciante até graduado, e a capoeira ajudará a atingir esse objetivo.

O desenvolvimento da arte da capoeira, por meio de profissionalização do capoeirista; elevação do nível técnico e teórico no ensino da capoeira, bem como sua utilização como recurso pedagógico, artístico e/ou cultural.

Consideramos a capoeira a expressão viva da liberdade de um povo, uma arte ancestral que deve ser praticada com reverência e merece respeito e atenção. Preservar seus valores é uma de nossas metas. Nosso trabalho aponta para a necessidade de valorizar o ser humano e o capoeirista.

 

Fonte. http://www.tvcanal13.com.br

Foto: Antonio Neto

Nova coluna: Capoeira sem fronteiras…

Estamos inaugurando uma nova coluna no Portal Capoeira: Capoeira sem fronteiras: A Capoeira para Portadores de Deficiência.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pessoas portadoras de necessidades especiais (PPNEs) já são + de 23 milhões de brasileiros (as).
 
O número de capoeiristas envolvidos com este belo processo tem aumentado a cada dia… o trabalho tem se especializado… passando da esfera das experiências… para algo comprovado… É a nossa capoeira como arma de INCLUSÃO, como uma magia… como algo sem fronteiras e barreiras… é o ser humano… é a prática da cidadania!!!

Livro sobre Capoeira Angola

Release do livro recém-lançado, versando sobre Capoeira Angola & Cultura Popular, de autoria de Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno de Pastinha).
 
 Capoeira Angola: cultura popular e o jogo dos saberes na roda
Neste trabalho o autor sugere ao leitor algo além de uma simples e boa etnografia. Sugere mesmo algo mais do que a tomada de algum ângulo novo, pouco explorado entre autores antecedentes. O trabalho revela dimensões da experiência da criatividade e do aprendizado humano. Resulta de pesquisa de vários anos e também da vivência pessoal do autor no universo da cultura popular, sobretudo no âmbito da capoeira Angola não apenas na condição de pesquisador como também como praticante.
Informações: pedrabib@ufba.br