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Curso: Capoeira Um Instrumento Psicomotor para a Cidadania

No dia 29 de Março, das 8 às 16h, será oferecido o Curso Capoeira: Um Instrumento Psicomotor para a Cidadania, sob a coordenação do Mestre Gladson e do Professor Vinicius na Central de Cursos, Rua Treze de Maio, 681 – Bela Vista, São Paulo.

O curso versará sobre diferentes aspectos relacionados à Capoeira: aspectos históricos, ritualísticos e especialmente os aspectos pedagógicos – estratégias, metodologias, concepções, características, dinâmicas e objetivos envolvidos no processo educativo da Capoeira.

Maiores informações e oorientações para inscrições podem se obtidas no link http://www.posugf.com.br/site/curso.php?ID_Curso=323

Ou através do telefone 11-2714-5656

O valor do investimento é:

Até 20 dias antes do início do curso: R$ 20,00 + 1 X 60,00

Após 20 dias antes do início do curso: R$ 30,00 + 1 X 60,00

Pretende-se criar um espaço de vivência, de troca de informações e idéias entre professores, alunos e Mestres de Capoeira, profissionais que se dedicam ao ensino da Capoeira e acreditam nesta arte como um meio de educação e transformação social.

O Curso tem o mesmo título do livro Capoeira Um Instrumento Psicomotor para a Cidadania, publicado recentemente pela Editora Phorte e que tem tido uma repercussão bastante positiva no meio Capoeirístico, por contribuir para a reflexão e a prática pedagógica dos capoeiristas.

“Dois homens caminhando pela rua, cada um carregando um pão. Ao se encontrarem, trocam os pães entre si, cada um continua com um pão. No entanto, se dois homens caminham pela rua, cada um trazendo consigo uma idéia, se trocam idéias entre si, cada um sai com pelo menos duas idéias”.

Arpa ou berimbau?

 

O Prof. André Carvalho, em resposta a infeliz notícia* protagonizada pelo prof. Antonio Dantas, 69, responsável pelo curso de medicina da UFBA, que segundo Mestre Moraes já foi destituido do cargo,nos escreveu esta bem humorada e incisiva crônica.

* "Berimbau é instrumento de quem tem poucos neurônios", diz coordenador de medicina da UFBA

Leiam e reflitam…

Arpa ou berimbau?

Por André Carvalho

Mesmo sendo baiano da gema, acabo de comprar uma harpa. Fi-lo porque qui-lo, como diria o inteligentíssimo mato-grossense Jânio Quadros. Foi complicado encontrar uma harpa à venda aqui, na bendita cidade do Salvador.

Baiano não é muito chegado a essas coisas. As poucas existentes estão em museus e, sabe-se de uma, em casa de um professor, doutor, coordenador universitário.
Minha harpa tem quarenta e seis cordas e sete pedais e seu desenho é semelhante àquele usado nas harpas dos Caldeus, em 600 a.C.. Tive alguma dificuldade em contar todas as suas cordas. Confesso, escabreado, que me confundi umas três ou quatro vezes e que foi necessária a ajuda de um amigo, o Antônio, muito mais sagaz que eu, para a consecução da tarefa.

Apesar da passagem pela Universidade Federal da Bahia, nos idos de 70, empaco em coisas que dizem respeito à aritmética. A UFBA não tem culpa alguma, pois a questão é de QI. Também pudera, acostumado ao berimbaumonocó rdio, não podia ser diferente.

Optei pela harpa na esperança de elevar meu QI a números estratosféricos, seguindo uma nova teoria evolucionista que vem sendo elaborada e desenvolvida por médicos aqui da Bahia. Nunca dantes se viu coisa igual. A tese é a seguinte: quanto mais cordas você tocar, mais inteligente você é. Portanto, violonista que toca violão de doze cordas é mais inteligente do que o bandolinista que toca em oito cordas, que por sua vez é mais inteligente do que o baixista que é tão inteligente quanto o cavaquinista, e assim sucessivamente.

Como você já percebeu, na base da pirâmide do intelecto estão os tocadores de berimbau.

O que me encanta nos estudos científicos é a profusão de novas e revolucionárias idéias. Claro, pesquisa serve mesmo para isso. Pena o Brasil ter que reformar apartamentos de reitores magníficos e sobrar pouco recurso para as pesquisas. Com mais dinheiro poderíamos estudar a influência da percussão no resultado dos vestibulares, por exemplo. Bum, bum, bum, bum, bum ajuda ou atrapalha o batuqueiro a ingressar na universidade? Se ajudar, o faz mais em medicina ou engenharia? Outra pesquisa interessante seria relacionar curso a instrumento musical. Para direito é melhor tocar um instrumento de sopro, clarinete, talvez. Quer sucesso nas ciências econômicas, então toque oboé, e assim por diante.

Comprovadas estas hipóteses, melhorar-se- ia muito o desempenho dos alunos nos exames avaliatórios, tipo ENADE e OAB.

Apenas uma coisinha me intriga quanto ao resultado de tudo isso. É que dentre os instrumentos que conheço, o mais parecido com a harpa é o berimbau. Na verdade o berimbau é uma harpa de corda única. É uma prova de inteligência dos seus inventores; substituir quarenta e cinco cordas e sete pedais por uma cabaça, uma vareta, um caxixi e uma pedra, e tirar daí, os sons necessários para uma existência feliz é fantástico. O berimbau é mais barato, mais leve, portátil, de fácil manutenção e mercadologicamente mais demandado. Tirante eu ou outro insano qualquer, ninguém compra uma harpa eleva pra casa, mas todo o mundo compra um berimbauzinho de lembrança, não é mesmo?

Tocar berimbau não é para qualquer um. Dizem que é um dom de Deus. Extrair de uma única corda a profusão de sons que os tocadores conseguem deve ser mesmo obra dos deuses. Imagino um berimbau tocando os famosos e harmônicos temas natalinos!!! Maravilha!!! Ansioso, espero o desenrolar das novas etapas da pesquisa.

Fonte: Mestre Cobra Mansa – mestrecobramansa@yahoo.com.br

Edison Carneiro: BERIMBAU

Tão pouco se sabia do berimbau, fora da cidade do Salvador, que, no meu livro Religiões negras, 1936, achei conveniente dar uma descrição dele, em que o relacionava ao humbo e ao rucumbo de Angola, com a fotografia de um grupo de instrumentistas em ação numa roda de capoeira. Anotei, na ocasião, os sinônimos gunga e berimbau-de-barriga. Não preciso reproduzir agoraas palavras de há trinta anos. Quem, neste país, a esta altura do século, ainda não viu um berimbau?

O vocábulo era conhecido, mas prestava-se a confusões, pois designa, em geral, um instrumento aerofone, presente em todos os continentes, trazido para o Brasil pelos portugueses. Mário de Andrade se ocupou largamente dele. Os dicionários o registravam, e registram, nesta acepção. Por exemplo, o Pequeno dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, reimpressão de 1968, ensina: "Pequeno instrumento sonoro de ferro, que se toca segurando-o nos dentes e acionando a lingueta com o dedo indicador." Trata-se do berimbau-de-boca, variedade portuguesa, o mesmo com que, segundo Fernão Cardim, o irmão Barnabé alegrou o Natal dos jesuítas em fins do século XVI. Esse berimbau vivia, e vive, numa quadra jocosa:

Sua mãe é uma coruja
Que mora no oco do pau
Seu pai é um nego véio
Tocador de berimbau

e numa réplica popular da Bahia — Está pensando que berimbau é gaita? É difícil dizer exatamente como, quando e por que o apelativo de um instrumento aerofone acabou designando também um instrumento cordofone, tão diverso na sua estrutura e na sua função.

Chamando-o berimbau-de-barriga, os capoeiras o diferençavam e distinguiam do outro, de boca, e o descreviam melhor. Entretanto, a alternativa preferida parecia ser gunga, forma assumida no Brasil pela palavra angolana hungu, em que o h aspirado, como no exemplo clássico Dahomé / Dagomé, se transformou em g. É como gunga que ao berimbau se referem, como já acontecia na ocasião, muitas chulas de capoeira.

Eram escassas, antes de 1936, as menções ao berimbau.

1 – Em A Bahia de outrora, 1916, Manuel Querino o descreveu como "instrumento composto de um arco de madeira flexível, preso às extremidades por uma corda de arame fino", a que estaria ligada "uma cabacinha" ou uma moeda de cobre; o tocador o segurava com a mão esquerda e tinha, na direita, "pequena cesta contendo calhaus", chamada gongo, e um cipó fino, com que "feria a corda, produzindo o som". É possível que gongo, em vez de aplicar-se à cesta que agora chamamos caxxi e outrora era mucaxixi, fosse na verdade uma alternativa de berimbau.
2 – Leonardo Mota (Cantadores, 1921) viu, no morro do Moinho, Fortaleza, um negro octogenário, natural de Itapipoca, fazendo música com o seu berimbau-de-barriga.

3 – Luís da Câmara Cascudo, no ano seguinte, contou, num jornalzinho natalense, haver encontrado na feira do Alecrim "um negro gordo, papudo, velho", tocando um berimbau-de-barriga, descreveu o instrumento e intuiu a sua procedência africana.

4 – Não parece que Nina Rodrigues o tenha visto na Bahia, pelo que se depreende deste trecho de Os africanos no Brasil, publicação póstuma de 1932:

"No Maranhão ouvi em criança dar este nome [marimba] ao rucumbo, instrumentos dos negros angola, consistindo num arco de madeira flexível curvado por um fio grosso que fazem vibrar com os dedos ou com uma vareta. Na parte inferior do arco prendem uma cuia ou cuité que funciona como aparelho de ressonância e, aplicada contra o ventre nu, permite graduar a intensidade das vibrações."
Também Artur Ramos fizera mençãoao berimbau (O folclore negro do Brasil, 1935), mas de modo extremamente confuso. Como Nina Rodrigues, ainda não tivera oportunidade de vê-lo. Terminando a parte referente a instrumentos, escreveu (p.156):

"Restou-me falar no urucungo, também chamado gobo, bucumbumba e berimbau-de-barriga, que é o mesmo rucumbo (…) Hoje está quase desaparecido no Brasil…"

Há, no livro, uma longa citação de Luciano Gallet (Estudos de folclore, 1934) em que se incluem o birimbau (sic), sem qualquer explicação, e com base em Afonso Cláudio, o uricungo (sic), que também teria os nomes de gobo ou bucumbumba, mas este instrumento seria um arco de madeira "retesado por dois ou três fios", com "uma cuia oval" pendurada do centro. Na segunda edição de O negro brasileiro, 1940, Artur Ramos, após citar Religiões negras, reconheceu, novamente, que o berimbau "é o mesmo gobo ou bucumbunga (sic), é o urucungo dos tempos da escravidão, os mesmos rucumbo e humbo…" (p.243, nota). Na mesma página, porém, deixou ficar esta afirmativa da edição anterior, desmentida pelo berimbau:

"Os instrumentos cordofones pertencem a ciclos culturais mais adiantados; por isso os existentes primitivamente no Brasil não parecem ter origem negra, à exceção, talvez, da viola de arame."

Não há como classifcar o berimbau senão como instrumento cordofone. E, se podemos identificá-lo como o humbo e o rucumbo, não há razões válidas para negar sua origem africana.

Falta dizer que a viola de arame (que talvez fosse mesmo, como veremos, o berimbau) foi citada, igualmente sem qualquer explicação, por Luciano Gallet, como instrumento que os negros já usavam no Brasil — ou seja, como instrumento estranho às culturas africanas. Assim, Artur Ramos, não obstante o tenha citado em 1935, não tinha conhecimento direto do berimbau, nem o teve pelo menos até 1940. A área antiga do berimbau (que ainda não tinha este nome) compreendia a Bahia, o Maranhão, Pernambuco e o Rio de Janeiro — cobria exatamente os quatro grandes centros nacionais de distribuição de escravos.

Koster o registrou em Pernambuco, 1816, segundo a tradução de Luís da Câmara Cascudo, como

"um grande arco com uma corda tendo uma meia quenga de coco no meio, ou uma pequena cabaça amarrada. Colocam-na contra o abdômen e tocam a corda com o dedo ou com um pedacinho de pau."

O instrumento, com a cabeça "pendurada" da ponta superior do arco, ainda foi coletado em algum lugar ao norte da Guanabara, em 1937 ou 1938 (Oneida Alvarenga, Música popular brasileira, 1950, fig.1 — urucungo), mas, na forma afinal predominante no Brasil, mantém-se a cabaça amarrada ao arco.

Numa das suas Notas dominicais, datada do Recife, 1817, Tollenare dá, como instrumento musical dos negros, "uma corda de tripa distendida sobre um arco e colocada sobre um cavalete formado por uma cabaça". Não lhe anotou o nome, mas não parece que se chamasse berimbau, pois o parágrafo termina do seguinte modo:
"… não observei se a sua música servia para fazer dançar, e o mesmo digo do berimbau." Este último era o de boca.

Maria Graham (1822) refere, entre os instrumentos que examinou numa fazenda fluminense, do outro lado da baía de Guanabara (Diário de uma viagem ao Brasil, 1824):

"Um é simplesmente composto de um pau torto, uma pequena cabaça vazia e uma só corda de fio de cobre. A boca da cabaça deve ser colocada na pele nua do peito, de modo que as costelas do tocador formam a caixa de ressonância, e a corda é percurtida com um pauzinho."

Designando-o como urucungo, Debret, Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, 1834-1839, fixou-o numa das suas gravuras (prancha 41, negro trovador) com a seguinte explicação:
"Este instrumento se compõe da metade de uma cabaça aderente a um arco formado por uma varinha curva com um fio de latão sobre o qual se bate ligeiramente. Pode-se ao mesmo tempo estudar o instinto musical do tocador que apoia a mão sobre a frente descoberta da cabaça, a fim de obter pela vibração um som mais grave e harmonioso. Este efeito, quando feliz, só pode ser comparado ao som de uma corda de tímpano, pois é obtido batendo-se ligeiramente sobre a corda com uma pequena vareta que se segura entre o indicador e o dedo médio da mão direita."

(Por descuido do tradutor, ligeiramente está por levemente.)

É impossível, por enquanto, estabelecer os motivos pelos quais a área do berimbau se restringiu, finalmente, à Bahia.

Não há a menor dúvida — trata-se de um instrumento originário de Angola. Em outros pontos da África Ocidental, encontram-se instrumentos musicais com a mesma estrutura básica do berimbau — corda, cabaça, arco — mas provém diretamente do humbo e do rucumbo de Angola aquele que agora acompanha o jogo da capoeira.

Sobre o humbo há duas referências do cronista português Ladislau Batalha. Em Angola, Lisboa, 1889, escreveu ele:

"O humbo é o tipo dos instrumentos de corda. Consta geralmente da metade de uma cabaça, oca e bem seca. Furam-na no centro em dois pontos próximos; à parte fazem um arco como de flecha, com a competente corda. Amarram a extremidade do arco, com uma cordinha do mato, à cabaça, por via dos dois orifícios; então, encostando o instrumento à pele do peito, que serve neste caso de caixa sonora, fazem vibrar a corda do arco, por meio de uma palhinha."

Em Costumes angolenses (Lisboa, 1890), há uma menção incidental:

"…um negralhão toca no seu humbo, espécie de guitarra de uma só corda a que o corpo nu do artista serve de caixa sonora."

Os exploradores Capelo e Ivens (De Benguela às terras de Iaca, Lisboa, 1881) fizeram o desenho do berimbau dos bangalas de Angola (I, p.294), enquantoo major Dias de Carvalho (Etnografia e história tradicional dos povos da Lunda, Lisboa, 1890) o desenhou sozinho e com outros instrumentos registrados na sua área de pesquisa (p.370, 379). O major, ao contrário de Capelo e Ivens, que não dizem uma palavra sobre o instrumento, dedicou meia página ao rucumbo, que em nada difere do humbo de Ladislau Batalha, descrevendo a corda como "um fio grosso que [os povos da Lunda] já fazem do seu algodão", de que obtinham sons que "lembram os de uma viola".

Nina Rodrigues, no Maranhão ("um fio grosso"), e Tollenare, em Pernambuco ("uma corda de tripa"), tê-lo-ão visto, portanto, na sua forma orginal.

Segundo informação de Albano de Neves e Souza, de Angola, consultado por Luís da Câmara Cascudo (Folclore do Brasil, 1967), o instrumento, considerado "tipicamente pastoril", continua em uso, com uma área de incidência que atravessa o continente até a costa oriental, recebendo, de acordo com a região, os nomes de hungu e de m’bolumbumba.

E, do Álbum etnográfico de José Redinha (Luanda, sd, p.85), consta, em desenho, "um monocórdio, lucungo, com caixa de ressonância, constituída por um copo de cabaça".

Observe-se que, antes de Manuel Querino, ninguém se referia à moeda de cobre usada pelos capoeiras.

Humbo, rucumbo, hungu e lucungo, nas várias línguas que se falam em Angola, são os étimos de dois sinônimos de berimbau em uso no Brasil — gunga, na Bahia, e urucungo, na região centro-sul. Desde quando o berimbau está associado à capoeira?

Há notícia da capoeira desde a transferência da capital do país da Bahia para o Rio de Janeiro (1763), mas, tratando-se de uma forma de luta pela liberdade, não seria de esperar a presença de instrumento musicais. Estes só apareceriam mais tarde, quando os negros passaram a exercitar-se para embates futuros. Pertence certamente a essa fase a gravura Jogo de capoeira, de Rugendas, Viagem pitoresca através do Brasil, 1835, devendo-se notar, porém, que o único instrumento musical à vista é um tambor, que um negro toca com as mãos, cavalgando-o.

Tudo faz crer que o berimbau, primitivamente, era um instrumento solista — ou, para ser mais exato, uma viola africana, talvez a viola de arame notada por Luciano Gallet. Ladislau Batalha viu nele algo como uma "guitarra" monocórdia, enquanto o major Dias de Carvalho, para quem os sons do berimbau lembravam os de uma viola, escreveu, decisivamente:

"Os luandas chamam-lhe violán. Tocam-no quando passeiam e também quando estão deitados nas cubatas

" Era, então, "muito cômodo e portátil". Debret o pôs nas mãos de um negro cego, que esmolava cantando a sua desdita. Com "um fio grosso" ou "uma corda de tripa", e por vezes dedilhado, que mais poderia ser?

Das fontes citadas, apenas Manuel Querino o dá como acompanhamento musical da capoeira — e não do treinamento, digamos, de profissionais, mas de amadores. Fazia o ritmo para o brinquedo, antecessor da vadiação atual. É de supor que somente neste século, e na Bahia, o berimbau se tenha incorporado ao jogo de Angola, de maneira insubstituível, dominante e caracterizadora.

Foi a partir de então, provavelmente, que o instrumento se fez mais comprido, que o arame substituiu de vez a corda de fio ou de tripa e que o berimbau se enriqueceu com o caxixi e a moeda de cobre, dobrão, 40 réis ou dois vinténs do tempo do império, com que o conhecemos agora

(Carneiro, Edison. Folguedos Tradicionais. 2ª ed. Rio de Janeiro, Funarte, 1982, p.121-125)

Fonte: www.capoeira-infos.org

 

 

Edison Carneiro (1912-1972)

Advogado de formação, folclorista, historiador, jornalista, professor, etnólogo e escritor, Edison Carneiro teve a sua vida pautada pela defesa da cultura negra que à sua época era por demais perseguida pelas autoridades policiais e políticas, e discriminada pela sociedade que exaltava os valores eurocêntricos. Negro e carente de recursos materiais, como os valores que defendia, Carneiro teve muita dificuldade para ter o seu trabalho reconhecido pela sociedade em virtude do preconceito racial de que foi vítima. Criou a Comissão Nacional do Folclore e o Museu do Folclore dentre outras ações que visavam a preservação do nosso patrimônio imaterial (folclore), em particular da Capoeira Angola, que atinge esta condição especial por ser uma manifestação popular muito cara ao povo brasileiro.

Juntamente com intelectuais do quilate de Jorge Amado e Carybé, freqüentadores da academia de Mestre Pastinha e ainda o folclorista Manuel Querino, representou o esteio acadêmico sobre o qual a Angola se sustentou da rasteira social que a Regional de Bimba lhe aplicou, quando, como um rolo compressor, arrebatou a preferência popular em detrimento da arte de Pastinha. Fato este que quase a levou ao desaparecimento ao fim da primeira metade do século XX, tal como aconteceu de novo ao fim da década de 70. Vem deste apoio elitizado a condição de “capoeira mãe”, expressão muito usada ainda hoje que, em tese, lhe empresta uma superioridade cultural em relação à Regional.

Canal Brasil – Video Documentário: Papete, Berimbau e Suassuna

Matéria especial em homenagem ao Dia do Capoeirista

Através do camarada João Catira, conhecido na capoeiragem como Contramestre Catira, integrante do Associação de Capoeira Cordão de Ouro, que atualmente está desenvolvendo seu trabalho na região de Coimbra – Portugal, recebemos uma verdadeira pérola, uma raridade…

Trata-se de um Video Documentário do Canal Brasil, apresentado por Papete, um percussionista de grande renome, que tem o Berimbau, seus toques, origen e curiosidades como pano de fundo do documentário, além de falar do "instrumento maior da capoeira", o video também mostra o jogo da CAPOEIRA, representado por um dos principais expoentes da capoeira, Mestre Suassuna e sua turma na academia Cordão de Ouro em São Paulo. (o video é do final dos anos 70 / início dos anos 80)

De quebra ainda estamos publicando uma das fotos mais antigas da Associação de Capoeira Cordão de Ouro, datada de 1971, também nos oferecida pelo Contramestre João Catira. (Na Foto: Mestre Suassuna, João Catira, Malvina, Jurema, Laércio, Tarzam, Freguesia, Suassuninha, Japones, Rodolfo entre outros…)


Clique aqui para ver a foto no tamanho real.


Vale salientar a importância do documentário em seu mais amplo sentido… Saber entender a época e o contexto da narativa.

É preciso perceber que o apresentador (Papete) é um fantástico percussionista e não um capoeirista.

* abaixo segue maiores informações sobre Papete:

Grupo Cordão de Ouro - 1971Papete (José de Ribamar Viana) nasceu em 8/11/1947 na cidade de Bacabal no estado do Maranhão. é cantor e compositor e percussionista.

Papete trabalhou como produtor e arranjador. Foi eleito um dos três melhores percussionistas do mundo quando participou do Festival de Jazz de Montreux na Suiça em 82, 84 e 87.

Iniciou sua carreira artística aos 13 anos de idade, atuando como cantor na Rádio Gurupi em São Luis (MA). Apresentou-se na emissora até 1967 quando compôs sua primeira música, "O bonde".
 
Em 1969 Wanderley Cardoso gravou a música "Eu morro se perder você", foi a primeira vez que Papete teve registrado seu trabalho de compositor. Nessa época, já atuava como percussionista e violonista.
 
Atuou em shows e gravações com Rosinha de Valença, Marília Medalha, Hermeto Pascoal, Osvaldinho da Cuíca, Toquinho e Vinicius, Benito de Paula, Inezita Barroso, Diana Pequeno, Renato Teixeira, Almir Sater, César Camargo Mariano, Rita Lee, Sadao Watanabe, Ornella Vanone e Alex Acuña, entre outros.
 
Obteve notoriedade internacional por sua técnica no berimbau, segundo ele, seu instrumento preferido.
 

Alguns Álbuns do Músico:

PAPETE – BERIMBAU E PERCUSSÃO – 1975
PAPETE – PROMESSA DE PESCADOR – 1980

PAPETE – ÁGUA DE COCO – 1980

Assista ao Vídeo Documentário do Canal Brasil:

Nota da Redação:

Esperamos que outros capoeiristas abram os seus baús… e mostrem ao mundo documentos, fotos, filmes e artigos de grande valor histórico…

Como diria um grande Mestre, aluno de Bimba: "Boa informação é aquela que é compartilhada…"

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O Carimbó e o Mestre Verequete

Um homem simples, de chapéu na cabeça e voz firme se transforma em rei quando está em meio a tambores, numa roda de carimbó. Esse é Augusto Gomes Rodrigues, o Mestre Verequete, ícone da cultura paraense.

No próximo dia 15, nessa sexta feira, Tv capoeira (Instituto Jair Moura) exibirá o documentário chama Verequete falando sobre Carimbó com comentários do historiador Luis Augusto Leal….
 
Contamos com a presença de todos.

 

O CARIMBÓ E O MESTRE VEREQUETE

O termo "carimbó" aparece em seus primeiros registros como o nome de um instrumento musical de percussão. Sua definição mais antiga consta no Glossário Paraense de Vicente Chermont de Miranda, publicado em 1905. Conforme Chermont, o carimbó seria um “tambor feito de madeira oca e coberto, em uma de suas extremidades, por um couro de veado”. Tal definição, ainda hoje, serve para explicar o formato do instrumento e apresentar suas principais características.

No entanto, a palavra carimbó, na atualidade, significa muito mais do que apenas o nome do tambor. Abrange, na verdade, todo um conjunto musical que vai do instrumento à dança. Corresponde a um tipo de manifestação específica de algumas áreas do Pará e mesmo do Maranhão. Ele se caracteriza pela utilização de dois tambores (carimbós), que deram nome à música e à dança, além de outros instrumentos próprios como a onça (nome local dado à cuíca), o reco-reco (instrumento dentado feito de bambu), a viola, etc. Também se conhece uma variante musical do carimbó que possui o mesmo nome (chamado de “carimbó eletrônico”), mas que, ao invés da marcação rítmica com os tambores característicos, utiliza uma bateria eletrônica e guitarras.
 
Augusto Gomes Rodrigues – mestre Verequete nasceu em um lugar conhecido por "Careca" que fica localizado próximo à Vila de Quatipuru, no município de Bragança, em 26 de agosto de 1926. Seu pai, Antônio José Rodrigues, era oficial de justiça, marchante de gado e músico. Sua mãe, Maximiana Gomes Rodrigues, faleceu quando Verequete tinha apenas três anos de idade. Tal acontecimento antecedeu a primeira migração de Verequete para outro município. Ele, juntamente com seu pai, passou a residir no município de Ourém. Aos doze anos de idade mudou-se sozinho para Capanema, onde trabalhou como foguista, e em 1940 chegou a Belém, indo morar em Icoaraci (antiga Vila de Pinheiro). Neste período, Verequete trabalhou como ajudante de capataz na Base Aérea da cidade e subiu de posto até chegar a ser ajudante de agrimensor. Quando deixou de trabalhar na Base, Verequete exerceu outras atividades para garantir sua subsistência. Foi arremate de vísceras, açougueiro, marchante de porco e outros, no entanto a experiência de trabalho na Base Aérea marcaria para sempre sua vida, pois foi durante este trabalho que ele perdeu seu nome original (Augusto Gomes Rodrigues) e passou a ser identificado como Verequete. Por trás deste nome tão diferente existe uma história muito interessante que pode ser contada pelo próprio Augusto Gomes Rodrigues, ou Verequete. Uma história que ele não se cansa de contar:

 
Eu gostava de uma moça; então ela me convidou para ir ao batuque que eu nunca tinha visto. Umas certas horas da madrugada o Pai de Santo cantou "Chama Verequete". Eu era capataz da Base Aérea de Belém, na época da construção, cheguei na hora do almoço e contei a história do batuque… Quando acabei de contar, me chamaram de Verequete.

Chama Verequete, ê, ê, ê, ê
Chama Verequete, ô, ô, ô, ô
Chama Verequete, ruuuum
Chama Verequete…
Chama Verequete, oh! Verê
Oi, chama Verequete, oh! Verê
Ogum balailê, pelejar, pelejar
Ogum, Ogum, tatára com Deus
Guerreiro Ogum, tatára com Deus
Mamãe Ogum, tatára com Deus
Aruanda, aruanda, aruanda, aruanda ê
Mandei fazer meu terreiro
bem na beirinha do mar
mandei fazer meu terreiro
só pra mim brincar
 
Augusto Gomes Rodrigues - Mestre Verequete

 

Fonte: Instituto Jair Moura e Overmundo 

Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura e diversidade

Edison Carneiro, uma expressiva figura da cultura Brasileira, já foi alvo de outra matéria em nosso Portal Capoeira, matéria que para os mais interessados acompanhava uma grande surpresa: Um Documento Histórico de 1975 de título: Cadernos de Folclore – Capoeira (na época procurei o amigo e colaborador Acúrsio Esteves para prefaciar e apresentar o referido documento, já que se tratava de uma pérola para os capoeiras com sede de saber.)
 
Fica a dica de uma excelente atividade, uma visita ao MAO – Museu de Artes e Oficíos, afinal devemos estar sempre abertos para o conhecimento e novos saberes… e a cabaça, parte fundamental do "instrumento maior da capoeira", merece esta homenagem…
 
Luciano Milani

O Museu de Artes e Ofícios (MAO) recebe, dos dias 2 de maio a 10 de junho, a exposição Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura e diversidade. A exposição é itinerante e exibe o acervo do Museu de Folclore Edison Carneiro, do Rio de Janeiro, tendo como fio condutor um elemento que é encontrado com fartura nas cinco regiões do país e usado de diferentes formas: a cabaça.
 
"São cerca de 80 peças, que mostram como esse objeto é apropriado em várias situações, seja como instrumento de trabalho ou instrumento musical, como máscara, como recipiente para comida, roupas de orixás, entre outras", explica a Coordenadora de Museologia do Museu de Artes e Ofícios, Célia Corsino.
 
Conhecidos pelos nomes de cabaça, cuia, porongo, coité ou cuité, as entrecascas desses frutos multiformes constituem tanto objetos de uso corriqueiro quanto suportes de expressões que distinguem e identificam indivíduos e grupos da sociedade brasileira.

A exposição deseja mostrar que, justamente porque são, vivem e pensam de formas diferentes, os muitos grupos populares no Brasil dão usos e significados distintos a um amplo repertório de frutos que lhes parecem, em alguns aspectos, semelhantes. Fazendo isso, criam os muitos modos de ser, estar e trocar.
 
Assim, a exposição é um convite à apreciação da pluralidade cultural apresentada pelos inúmeros grupos sociais que vivem em solo brasileiro e, ao mesmo tempo, um estímulo à reflexão sobre aquilo que os une e identifica.

Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura e diversidade inaugura uma parceria entre o MAO, do Instituto Cultural Flávio Gutierrez (ICFG), e o Centro de Folclore e Cultura Popular, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
 
"Como objeto do cotidiano ou suporte de várias artes, este fruto de formas tão originais pode nos surpreender e emocionar com seus múltiplos usos e sentidos, seja no artesanato, na música, na cozinha ou nos brinquedos", declara Angela Gutierrez, presidente do ICFG.

A exposição faz parte de uma programação especial desenvolvida pelo MAO para a comemoração da Semana Nacional do Museu (14 a 20 de maio). Os ingressos custam um real.

Serviço

Exposição "Da cabaça, o Brasil: natureza, cultura, diversidade"
Dia 2, abertura para convidados.
Aberta ao público dos dias 3 de maio a 10 de junho de 2007.
Local: Museu de Artes e Ofícios (MAO)
Endereço: Praça da Estação, s/n°
Ingressos: R$ 1,00 – aos sábados a entrada é gratuita
 
Horário de funcionamento do Museu de Artes e Ofícios:
Terça, Quinta e Sexta-feira – das 12 às 19hs
Quarta-feira – das 12 às 21hs
Sábado, Domingo e Feriado – das 11 às 17hs
Os ingressos para a visitação serão vendidos até meia hora antes do horário de fechamento do Museu.

 
Patrocinadores do Museu de Artes e Ofícios
Master: Petrobras – Bndes
Patrocínio: Oi – Furnas
Apoio: Eletrobrás – Oi Futuro – Cemig
Institucional: Fundação Municipal de Cultura/Prefeitura Municipal de BH – CBTU
 
Fonte: MAO – http://www.mao.org.br/

Capoeira conquista adeptos no mundo árabe

Quando o berimbau começou a tocar, havia 26 pessoas na pequena sala de ginástica em Rabat: a maioria marroquinos, meia dúzia de refugiados do Congo e uma dezena de belgas, franceses, espanhóis e angolanos. Apenas três, incluindo Braz, um dos instrutores, eram brasileiros.
Mas quase toda a aula de capoeira, além dos cantos, foi em português, língua que muitos começam a dominar. 
Depois da Europa e dos Estados Unidos, a capoeira está ganhando adeptos no mundo árabe.
 
No Marrocos, onde acaba de ser realizado um encontro internacional, existem grupos em pelo menos quatro cidades: Casablanca, Essaouira, Salé e na capital, Rabat.
 
Mas a arte marcial brasileira, desenvolvida pelos escravos vindos da África, já fincou seus pés também na Argélia e no Egito.
 
Integração
 
Para o instrutor Zohir Lakhdar, mais conhecido como Saguim, "a capoeira é um instrumento de integração" num mundo marcado por tensões sociais, culturais e religiosas.
 
Nascido há 32 anos na Bélgica, de pais marroquinos, ele aprendeu capoeira e português em Bruxelas, com o mineiro Venceslau Augusto de Oliveira – o Braz. Em maio de 2005 resolveu mudar-se para o Marrocos e introduziu a capoeira em Rabat.
 
Seguindo o exemplo de Braz, Saguim incorporou a capoeira a projetos de integração social.
 
Funcionário do Ministério das Relações Exteriores e de Desenvolvimento do Marrocos, nas horas vagas ele dá aulas de capoeira numa academia, a um grupo de meninos pobres de Rabat, a outro de adolescentes de Salé e a cerca de 20 refugiados do Congo.
 
Foi ele que organizou o encontro internacional, realizado no início do mês, com a participação de capoeiristas da Bélgica, França, Espanha e Brasil.
 
"Com tanto conflito, desemprego e pobreza, os jovens de hoje precisam de um modelo, para não caírem no fatalismo e no desespero", diz Saguim, que dá suas aulas num português salpicado de francês e árabe.
 
Segundo o marroquino Driss Jaouzi, de 33 anos, nada mais natural do que ter aula numa língua estrangeira.
 
"É o que acontece no mundo islâmico. Existem muçulmanos de muitas nacionalidades, mas na hora de rezar todos rezam em árabe. Sendo assim, por que não jogar capoeira em português, já que a capoeira é brasileira?" pergunta Jaouzi, o Tijolo.
 
Projetos sociais
 
Aluno de Braz em Bruxelas, Tijolo é seu braço direito nos projetos sociais que está desenvolvendo, tanto no Brasil e na Bélgica quanto no Congo.
 
Em Bruxelas, eles trabalham com jovens de bairros pobres da periferia – muitos deles filhos de imigrantes marroquinos.
 
O próprio Braz conta que é "fruto de um projeto social". Ele praticava capoeira desde os seis anos de idade com seus irmãos em Vila Maria – uma favela de Belo Horizonte que virou bairro.
 
"Na época, havia tanta violência que a favela era conhecida como Poca Olho", lembra Braz. "Mas o Projeto de Integração da Criança pela Arte (Poca) transformou um nome de conotação pejorativa em algo positivo."
 
Foi graças a um intercâmbio cultural que Braz viajou para a Bélgica, onde formou-se em educação física e acabou se instalando. Mas ele continua promovendo projetos sociais em Minas Gerais e, a partir deste ano, começou a trabalhar no Congo, com "meninos soldados" e orfãos da guerra.
 
"A capoeira é mais do que uma disciplina esportiva. É um instrumento para estabelecer certos parâmetros e canalizar energia, num mundo de violência."
 
Nas aulas durante o encontro internacional, Braz explicava que na capoeira "ninguém luta, todos jogam" e que "não existem adversários, apenas parceiros".
 
O mesmo recado foi dado pelo instrutor espanhol David Balarezo, o Bala, que vive em Madrid e desembarcou em Rabat com um grupo de capoeiristas espanhóis e duas educadoras sociais.
 
Diálogo
 
Mesmo sem a presença de instrutores, grupos de capoeiristas estão brotando em diversas cidades.
 
É o caso da associação Capoeira Mogador, de Essaouira – cidade turística na costa marroquina. Foi formada por jovens que descobriram a capoeira na Internet, graças a sites como You Tube.
 
Um deles, Redouan, de 27 anos, fabricou um berimbau. "Tinha mil defeitos. A corda estava mal-amarrada, o som estava errado, mas um turista me viu andando na praia com o instrumento e me perguntou se eu era capoeirista", conta Redouan. "Para minha sorte, ele era capoeirista e nos deu algumas aulas."
 
No Cairo, um grupo de 20 pessoas está treinando sozinho, enquanto espera que alguém responda a um anúncio de "busca-se professor" no site www.capoeira.com
 
Segundo o capoeirista belgo-marroquino Jaouzi, o sucesso da capoeira é a sua versatilidade.
 
"A capoeira é um diálogo, aberto a todos. Reúne tradição e muitas formas de expresão: canto, percussão, ginga e acrobacia. Ou seja, é sempre possível encontrar alguma coisa para fazer."
 
* Monica Yanakiew
De Rabat
 
Fonte: BBC Brasil.com –
http://www.bbc.co.uk/portuguese/

Fundação AlphaVille promove batizado de capoeira do grupo Renascer

Capoeira pode ser luta, dança, esporte, jogo, defesa pessoal, ginástica, folclore, arte, educação física, brincadeira, arte marcial, dentre outras definições. Berimbau, pandeiro, atabaque, reco-reco, agogô são os instrumentos usados para ritmar este bailado que era praticado, escondido, nas senzalas como uma brincadeira de Angola, e atualmente é uma manifestação da cultura brasileira, uma forma bonita e alegre de expressão física e intelectual. A capoeira é também fator de transformação social e isto será comprovado, amanhã, 24 de fevereiro, às 18h00, no Centro de Referência Sócio Ambiental e Cultural Cuiabano da Fundação AlphaVille, braço social da AlphaVille Urbanismo. 
     
Num clima de alegria a comunidade assistirá o primeiro batizado da turma de capoeira do bairro Renascer. O grupo foi formado no ano passado para atender uma das reivindicações da população da região, durante o Fórum de Desenvolvimento Local realizado pela Fundação AlphaVille. 
     
Miriam Sewo, agente de Desenvolvimento do Centro de Referência Sócio Ambiental e Cultural Cuiabano, disse que o grupo foi formado em novembro do ano passado e conta com 20 integrantes entre adultos, jovens e crianças. “A capoeira foi muito bem aceita por todos no bairro. Neste curto período de atuação, já percebemos mudanças positivas nas atitudes dos integrantes, mais comprometimento, respeito e integração”, ressalta. 
     
O batizado de capoeira é uma festa de integração do calouro, é sua estréia na roda de capoeira. Durante o batizado do grupo Renascer os alunos jogarão com o mestre de Mirassol do Oeste, Valmir Salustiano – Jacaré, e o professor José Sidney Gonçalves de Oliveira que irão “batizá-los”, com a faixa da primeira graduação.
     
      Toques & instrumentos 
     
O toque dos instrumentos comanda o ritmo e as características do jogo. Entretanto, nem todos os toques que dizem ser da capoeira são utilizados nas rodas com jogos específicos para eles. Os toques têm uma característica interessante. Muitos deles têm nomes de santos católicos, como é caso do São Bento Pequeno, São Bento Grande, Santa Maria e Ave Maria. 
     
O Berimbau, instrumento africano, é o principal utilizado na capoeira, dita o ritmo do jogo, é ele que comanda o toque a ser executado. O pandeiro é uma evolução do adufe, um instrumento de proveniência mourisca e de termo árabe, e chegou no Brasil através dos portugueses. O Atabaque, é instrumento oriental muito antigo entre os persas e árabes, já era usado na poética medieval e era um dos preferidos dos reis, que o utilizavam em festas, jograis e nos conjuntos musicais. 
      
O Reco-Reco é feito de gomo de bambu com sulcos transversais sobre o qual se passeia uma haste. Existe um outro Reco- Reco, industrializado, de metal, mas seu som não serve para a capoeira. O Agogô é instrumento musical de percussão de ferro, entrou no Brasil por via africana. É bastante utilizado nos folguedos populares, no samba e nas cerimônias religiosas. 
     
A música também é um importante ingrediente numa roda, estimula os jogadores, agita o público e transmite mensagens através de suas letras. A capoeira é a única luta do mundo que tem acompanhamento musical. Atualmente os capoeiristas estão cada vez mais criativos. Na disputa de um novo mercado, o das gravações de CDs, muitas músicas têm surgido com temas bastante variados.

Mestre Jaime de Mar Grande: Oficina de Berimbaus da Linha Paraguaçu

Nosso grande Amigo e Parceiro, Mestre Jaime de Mar Grande está preparando uma oficina de Berimbaus muito especial já que para o Mestre Jaime existe uma enorme relevancia entre os aspectos que fazem parte da fabricação do Berimbau, muito antes do artesão começar a fabrica-lo: A forma, o clima, o local de origem da madeira, a preocupação ambiental, a energia de quem colheu a matéria prima, são apenas alguns dos aspectos importantes para que o instrumento possa ecoar…
 
Esta é uma excelente oportunidade para quem quiser vivenciar uma experiencia positiva dentro do processo de confeccionar o "instrumento rei" da capoeira", saborear um ótimo almoço e compartilhar da sempre agradavel e simpatica companhia do Mestre.
Fica aqui esta excelente dica!!! Participe!!!
Luciano Milani

A Associação Cultural de Capuêra Angola Paraguaçu
convida-a (o) para participar da
Oficina de Berimbaus da Linha Paraguaçu
Ministrada por Mestre Jaime de Mar Grande
Dia 13 de maio de 2006
 
OBJETIVO:
A oficina tem como objetivo fornecer informações necessárias nos mínimos detalhes (Incluindo informações referentes ao desmatamento), desde o momento da retirada da madeira, até a confecção do instrumento e conservação do mesmo.
 
CONTEÚDO:
Serão abordados assuntos comparativos a outros instrumentos que requerem os mesmos cuidados, quando da escolha da madeira (A exemplo da fabricação do violão), quanto ao tempo que a madeira deve ficar em estufa e, ainda, a qualidade e o peso da mesma.
Pois, para obtermos um instrumento de qualidade é preciso primeiro saber a época em que foi retirada  a madeira (O mês, a lua, a pessoa que está retirando, o corte, o diálogo entre o cortador e a árvore, a relação do ser humano cortador com o reino vegetal).
Como ninguém vive sozinho, falaremos agora da parte feminina da união que acontece no mesmo reino, o cuidado que deve ser seguido na escolha das cabaças. À exemplo da verga (Madeira), deve-se considerar a época do ano melhor para adquirirmos cabaças de qualidade, o clima que a matéria da cabaça fica mais consistente (O clima interfere em tudo: no tamanho, na estética, na consistência…).
Teremos três espécies de vergas: biriba, condurú e candeia. Quanto as cabaças, teremos três opções de tamanho: pequena, media e grande.
E ainda, antes da roda final, logo após o termino da produção dos instrumentos, uma aula de toques e dicas fundamentais e necessárias para facilitar o aprendizado.
Dentro deste mesmo trabalho, serão tratados vários outros assuntos dos nossos interesses. Será uma oportunidade de vivenciarmos um dia de muito aprendizado, onde todos poderão aprender, ensinar, brincar, dividir, somar, multiplicar, descontrair, reintegrar, confraternizar, jogar, sambar, dançar e amar. Num clima de muita alegria e de amizade.
 
PROGRAMAÇÃO:  dia 13 de maio de 2006
 
09h – Inicio da oficina
12h – Almoço no local do evento (Durante o almoço será exibida a fita da Roda do dia 11 de março de 2006.)
14h – Continuação da oficina
15h – Término da oficina e Roda de Capoeira
17h – Samba de Roda  
 
Local: Rua dos Lavapés, 89 – Cambuci.
 
INVESTIMENTO:
Não sabemos exatamente quando estamos ensinando ou, quando estamos aprendendo. Estamos na verdade fazendo as duas coisas ao mesmo tempo. Contudo, será solicitada uma taxa:
R$ 35,00 (Trinta e cinco reais) até 5/5
R$ 40,00 (Quarenta reais) após 5/5
 
        Valores referentes a participação em todo o evento, incluindo o almoço:  comida baiana.
 
A taxa poderá ser entregue ao Mestre Jaime de Mar Grande, às segundas-feiras e quartas-feiras das 19h30 às 21h30. Na Rua dos Lavapés, 89 – Cambuci. Ou, através de depósito bancário no Banco do Brasil, em nome de Jaime Lima. Agência:  0172-4 – Conta poupança: 10637-2.
 
O comprovante do depósito deverá ser enviado para o endereço eletrônico: jaimedemargrande@hotmail.com, juntamente com nome completo da pessoa inscrita.
Mestre Jaime, Mestre Cavaco, Gaucho e Ratão - Negaça
 
Maiores informações: (11) 9954-6668 / (11) 9560-3959
 
Axé!

A Musicalidade na Capoeira

Vários grupamentos sociais em diferentes locais e épocas sempre se utilizaram da dança e do canto com diversas finalidades. Dentre as mais comuns, destacamos as ligadas às atividades lúdicas como as cantigas de roda e as várias modalidades do nosso samba: o samba rural, o samba de roda e o samba de barreiro, cujo prazer da companhia é a tônica principal. Temos também as ligadas às celebrações religiosas, sejam nos pontos de Candomblé ou de Umbanda ou ainda nas manifestações de religiosidade populares como nas trezenas de Santo Antônio.
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