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Bora jogar?

Vem jogar mais eu, vem brincar mais eu…

Jogar, brincadeira de Angola, até vadiar:

Nos cantos de capoeira há poucas referencias à luta ou à competição, mesmo que a gente saiba que “também é luta”. Agora, no discurso da capoeira, luta muitas vezes é mais usado no sentido metafórico: a luta contra o opressor, contra o mal, a resistência. E quantas vezes já explicamos para o leigo, o iniciante ou até o camarada de roda: “Sim, capoeira tem dança, tem luta, tem acrobacia, música, e tudo mais. Mas é jogo.”

Mas porque um jogo? Porque a gente gosta de brincar? Porque o nosso professor fala isso? Ou porque a gente lê isso em muitos livros escritos sobre ela?

Para entender porque a capoeira é um jogo, precisamos entender o que é um jogo. O que é um jogo, se a capoeira então é um?

Sim, a gente sabe o que é um jogo em termos de experiência. Também sentimos quando o jogo acabou, e se torna algo mais sério. Será então que o jogo não é serio? Que é um passatempo mesmo?

A palavra jogo é originária do latim: iocus, ou ludus, que significa brinquedo, folguedo, divertimento, passatempo; mas sujeito à regras.

Nas línguas germânicas, como também no anglo-saxão, spel, spiel ou play, vem do plegan, que quer dizer ‘exercitar-se, mover rapidamente’, e associado disto é ‘dançar’. E no anglo-saxão quer dizer ‘um jogo, desporto’, que vem do latino plaga ‘um golpe’. Existe mesmo a idéia de um ‘luta ritualizada ou dançada’ que faz parte de conotação de palavra de ‘jogo’.

Vemos o Webster Dicionário, jogo é: 1. Ação, moção ou atividade, especialmente livre, rápido ou leve. Leve contra o ‘peso’ do trabalho, livre contra o caráter necessário ou obrigatório de trabalho, rápido contra o estilo cuidadoso, refletido de rotina de trabalho. 2. Liberdade ou possibilidades de movimento ou ação. 3. Atividade feito para divertimento ou recreação – de novo, atividades não conectado com necessidade ou obrigação. 4 diversão, brincar – focar no caráter lúdico.[1]

Como vemos, a etimologia da palavra ‘jogo’, dá uma descrição da capoeira! Então, o jogo não é somente uma categoria, a onde a capoeira cabe, mas parece que a relação entre o jogo e a capoeira vai muito além; vendo a etimologia eles parecem até sinônimos!

 

Vendo o lado funcional da palavra jogo na sociedade, podemos entrar no campo sociólogo e educativo. A obra mais referencial em termos de jogo é Homo Ludens, de Huizinga[2]. Huizinga descreve a importância do jogo e da brincadeira como elementos necessários na produção da cultura e para a sociedade. Ele definiu o jogo como algo que: É livre, de fato é liberdade; Não faz parte da vida ‘ordinária’; É distinto da vida ordinária em termos de espaço e tempo; Cria ordem, é ordem, e demanda um ordem absoluta e suprema; Não é conectado com interesse material, não pode dar lucro ou vantagem.[3]

Quer dizer, que o jogo pede certas condições, um ordem, que pode ser traduzida como ‘regras’, mas que muitos mestres gostam de traduzir em ‘tradição’. Nas minhas entrevistas as diferenças entre ‘regra’ e ‘tradição’ são muitas vezes explicadas como a regra sendo algo imposto, até inventado, que diz o que tu podes e não podes fazer. Enquanto a tradição é alguma coisa voluntária, onde você entra porque você quer, que cria uma estrutura. Vendo a explicação da palavra ‘jogo’, podemos então entender melhor o porque se submeter a tradição: porque dá jogo!

 

Depois de Huizinga, várias obras foram escritas sobre o jogo e o aspecto lúdico, que se tornou então algo sério. E na educação e pedagogia já se sabe há muito tempo que a melhor aprendizagem acontece no jogo. Muitos gênios, criadores na sua área, na maioria do tempo ficaram brincando com a sua matéria, e assim descobrem novas maneiras, combinações e etc.

O importante do jogo é que ele proporciona uma aprendizagem significativa. Ele coloca o conteúdo aprendido num contexto a onde ele faz sentido. E assim funciona como uma ferramenta para aumentar o processo de auto-aprendizagem. Aprendemos e absorvemos melhor os conteúdos quando sentimos prazer em aprender.
Agora, há mais um outro ponto importante histórico e social porque a capoeira é um jogo: muitas vezes costumamos contrapor o jogo contra a luta: “Capoeira não é luta, é jogo.” A diferença principal entre os dois parece ser o aspecto lúdico; de fazer brincando. A luta não tem nada de lúdico não.

Num certo sentido, o lúdico nos faz rir das situações sociais, sem necessariamente nos dar um alternativa de comportamento. Ele não diz o que fazer, só nos mostra o ridículo. E isso é muito importante, para dar espaço para uma critica social.

E por isso a capoeira não se pode transformar em luta: a luta, destrói o jogo, (e então o lúdico) e com isso tira a possibilidade da critica social que a capoeira tem.. Quando vira luta, o que resta é a verdade única forçado pelo mais forte. E como o escravo já sabia, isto é o domínio do senhor, do opressor. Que não dá para encarar. Mas com malicia, mostrando humor e elegância, se pode enganar e assim derrotar o adversário. A verdade única tem o perigo de ficar tirânica: ela tem que ser balanceada com humor, com a gargalhada.

 

[1] Webster Dictionary, (1934)

[2] Huizinga, Johan (1938) Homo Ludens, Haarlem, Tjeenk Willink & Zoon N.V.

[3] Idem, p. 13

2ª Edição: Sinhá Chamou pra Jogar

Acontecerá nos dias 10 e 11 de Maio de 2013, a 2ª edição do evento internacional de Capoeira, “Sinhá Chamou pra Jogar”. O evento, de realização do Grupo Capoeira Brasil, do renomado Mestre Boneco, é um encontro internacional de capoeira organizado por mulheres e direcionado a todos os capoeiristas.

Homens e mulheres poderão participar, mas o comando das rodas e as aulas serão de liderança inteiramente feminina. “O objetivo do evento é mostrar a força que a mulher exerce hoje, não só na capoeira, como em qualquer outra profissão”. – explica a Mestre Magali, idealizadora do evento.

“Sinhá Chamou pra Jogar” consiste numa homenagem a todas as mulheres capoeiristas do mundo e acontece no mês de Maio em comemoração a abolição da escravidão.  Serão dois dias de cursos, oficinas e rodas de capoeira com muita energia, que promoverão a interação entre capoeiristas de todo o mundo. “Sinhá” é como os escravos chamavam as mulheres de seus senhores e o evento representa a união das raças e a quebra de barreiras sociais.

Os cursos, oficinas e rodas acontecerão em lugares distintos da Barra da Tijuca de acordo com a programação abaixo:

6ª feira (10 de maio de 2013)

 

·         19:30 às 20:30 – Aulão de Maculelê com Professora Claudinha

·         20:30 às 22:00 – Rodão de Abertura

 

Sábado (11 de maio de 2013)

 

·         09:00 às 10:00 – Café da Manhã na Praça do Ó

·         10:00 às 12:00 – Aulão e Roda na Praça do Ó

·         13:00 às 14:30 – Almoço no Clube Oásis

·         15:00 às 15:40 – Vivência

·         15:40 às 16:20 – Aulão com Mestra Francesinha (Grupo A) / Aulão com Contramestra Sabrina (Grupo B)

·         16:20 às 17:00 – Aulão com Mestra Francesinha (Grupo B) / Aulão com Contramestra Sabrina (Grupo A)

·         17:00 às 18:00 – Roda de Encerramento

·         21:00 – Festa de Confraternização


Sinhá Chamou pra Jogar – Oásis Clube – Av. Prefeito Dulcídio Cardoso, 3007, Barra da Tijuca,  Rio de Janeiro , RJ –  CEP: 22630-021 / 09 a 12 de Maio / R$100 (evento completo + camisa) / R$80 ( evento completo sem camisa) www.sinhachamouprajogar.com.br

 

 

Júlia Rangel

Burbury Multicomunicação – www.burbury.com.br – facebook.com/burburymulticomunicacao

Qual é a sensação de jogar capoeira?

A grande sensação de jogar capoeira é saber que, em geral, todos os integrantes da roda são admiradores da serenidade, da confiança, do conhecimento, da cortesia, dos bons valores morais, do valor, da saúde, da bondade, da atenção, do falar, da beleza e da intensidade de um jogo pausado. Portanto, todos nós que somos jogadores de capoeira, sabemos que isso pode ser emitido pelo gingar do vai e vem do nosso jogar.

É prazerosa a sensação de saber que no jogo da capoeira habitam dois ícones em uma mistura de curiosidade, destreza e confiança, que exploram a experiência com dificuldade em um caminho feito por um jogo duvidoso, onde reina o perder e o ganhar.

Neste jogo que imita a vida, além de termos um coração que pode sentir a música, é primordial termos uma mente e um olho que saiba evoluir de oitiva para absorver as informações de um círculo mágico chamado roda. Uma alma que saiba cultivar as emoções e mãos que possam tocar um instrumento com discernimento e sabedoria para impulsar o jogo dos camaradas com motivação.

Nesta mistura intrigante entre dois corpos, é primordial termos também, uma mente que possa indagar e que saiba compreender as nuances de um simples jogo que alberga o ataque e contra-ataque surpresa de um verdadeiro jogador de capoeira.

Visto assim, podemos simplificar tudo isso dentro de uma alma que possa elevar-se dentro do próprio jogo. A alma de um corpo que sabe reagir com o tum marcado pelo atabaque. Uma alma que diz que estarmos dentro desse processo de jogar capoeira, pode ser simplesmente, conhecer a alegria e a tristeza em um mesmo segundo. Uma fração de um instante, onde se mantém a esperança de que tudo pode acontecer. De que tudo é válido e válido para melhor. Da mesma forma, diremos que dentro do jogo da capoeira é possível conhecer a desilusão de um jogo não realizado, assim como é possível a conquista por tê-lo realizado.

Com firmeza e definição em nossas palavras, expressamos que além da frustração, da desgraça, da satisfação, da impaciência, da expectativa, da apreensão, da música, do som, da arte e da harmonia, somos todos realmente conhecedores dos fracassos, das emoções, dos erros, do apreciar, do vislumbrar-se das maravilhas e da admiração por um sábio jogador de capoeira. Portanto, reconhecemos que, saber que tudo isso pode ocorrer a um jogador de capoeira é uma coisa, mas admitir que isso ocorre em nós é muito mais.

Por isso, a grande satisfação de jogar capoeira, é o grande desejo de saber que vale apena sonhar com um jogador que nos estimula a jogar e que compartilha os mesmos desejos.

É um sentimento positivo que surge quando um jogador experimenta uma atenuação em seu estado de mal-estar. É a sensação de ter atingido o objetivo ou a meta traçada.

Em resumo, a satisfação de jogar capoeira tem uma duração breve, ainda que ocasionalmente, pode ser como um estado de prazer intenso, de agradabilidade, satisfação, realização, motivação, maior tolerância à frustração, elevação da auto-estima, agilidade do processo cognitivo e de ajudar ao menos capacitado para realizar um jogo de capoeira.

 

Wellington de Oliveira Siqueira – Mestrando Cinzento – Valencia (Espanha).

www.aluacapoeira.com

Sinhá Chamou pra Jogar

Acontecerá entre os dias 09 e 12 de Maio de 2012, o evento internacional de Capoeira “Sinhá Chamou pra Jogar”. O evento, de realização do Grupo Capoeira Brasil, do renomado Mestre Boneco, é um encontro internacional de capoeira organizado por mulheres e direcionado a todos os capoeiristas.

Homens e mulheres poderão participar, mas o comando das rodas e as aulas serão de liderança inteiramente feminina. “O objetivo do evento é mostrar a força que a mulher exerce hoje, não só na capoeira, como em qualquer outra profissão”. – explica a Mestre Magali, idealizadora do evento.

“Sinhá Chamou pra Jogar” consiste numa homenagem a todas as mulheres capoeiristas do mundo e acontece no mês de Maio em comemoração a abolição da escravidão. Serão quatro dias de cursos, oficinas e rodas de capoeira com muita energia, que promoverão a interação entre capoeiristas de todo o mundo. “Sinhá” é como os escravos chamavam as mulheres de seus senhores e o evento representa a união das raças e a quebra de barreiras sociais.

Os cursos, oficinas e rodas acontecerão em lugares distintos da Barra da Tijuca de acordo com a programação abaixo:

4ª feira (9 de maio de 2012)

20h às 21h – Oficina de Maculelê (Professora convidada)

21h às 22h – Oficina de Capoeira e Roda (Formada convidada)

 

5ª feira (10 de maio de 2012)

20h às 21h – Oficina de Samba de Roda (Professora convidada)

21h às 22h – Oficina de Capoeira e Roda (Formada convidada)

 

6ª feira (11 de maio de 2012)

20h às 21h – Oficina de Tambor de Crioula (Professora convidada)

21h às 22h – Oficina de Capoeira e Roda (Formada convidada)

 

Sábado (12 de maio de 2012)

10h – Roda no Pepê

15h – Roda de encerramento e apresentação

 

Sinhá Chamou pra Jogar – Oásis Clube – Av. Prefeito Dulcídio Cardoso, 3007, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro , RJ – CEP: 22630-021 / 09 a 12 de Maio / R$100 (evento completo + camisa) / R$50 (aula avulsa + camisa) / R$30 (aula avulsa) / R$25 (camisa) / www.sinhachamouprajogar.com.br

José Evânio um Capoeira muito especial

Rede Record grava matéria com deficiente em Olho d’Água das Flores

A Rede Record esteve no município alagoano de Olho d’Água das Flores, na última sexta-feira, 19, para contar a história de superação do garoto José Evânio (Ninho), de 14 anos, portador de múltiplas deficiências físicas.

Ninho mora com a mãe e quatro irmãos, em uma casa alugada e a única renda da família é o salário que Ninho recebe do beneficio (BPC deficiente). Mesmo com as dificuldades o jovem é capaz de realizar tarefas como: jogar bola, jogar capoeira, tocar teclado e outras atividades realizadas com força de vontade.

O José Evânio exalta sua felicidade, é otimista em seus sonhos os quais busca diariamente e a reportagem se propôs a mostrar o segredo da ‘verdadeira felicidade’.

O José Evânio é otimista em seus sonhos os quais busca diariamente.

Nós do Portal Capoeira temos a imensa alegria de vos dar a conhecer José Evânio um Capoeira muito especial, mais um dos protagonistas de nossa seção: “Capoeira sem Fronteiras”

 

Fonte: http://minutosertao.com.br

RJ: Na roda com Théo

O gingado e a elasticidade não são os mesmos da adolescência, quando jogava capoeira em Brasília. Mesmo assim, Théo voltou no tempo e aceitou o convite para encontrar o Grupo Muzenza, do Mestre Burguês, numa roda no Aterro do Flamengo. Durante alguns momentos, o oposto da Seleção de vôlei e do RJX recordou a época de capoeirista e, ao falar do passado, comentou o grande ‘pulo do gato’ da sua carreira: ter virado atacante depois de ser levantador.

“Não dou conta de jogar capoeira mais, não”, brincou Théo, preocupado em não se machucar, depois de arriscar alguns movimentos para a sessão de fotos com o Grupo Muzenza.
Simpático, Théo logo se enturmou na roda e ganhou até apelido do Mestre Burguês, hábito comum entre os capoeiristas. “Poderia ser Coqueiro”, sugeriu o mestre, referindo-se aos 2,02m do jogador. “Não lembro do apelido que eu tinha, mas não tem muito como fugir disso. Quando parei com a capoeira, com 15 anos, já tinha mais de 1,90m”, recordou o oposto, melhor atacante da Liga Mundial.

Na vida de Théo, a capoeira deu lugar às quadras. Ele jogava vôlei no colégio em Brasília e foi chamado por um amigo para treinar num time.

“Lembro que, no primeiro dia, eu não fui porque estava na roda de capoeira”, recordou o atacante, que por pouco não iniciou sua carreira esportiva nas lutas. “Meu pai tentou me colocar no caratê. Ele comprou quimono, faixa, fez matrícula e, quando eu cheguei na porta da academia, desisti e voltei para casa. Acabamos entrando na capoeira eu, meus dois irmãos, Thiago e Samuel, e meu pai, Ronaldo, que gostava muito e era amigo do mestre”, contou Théo, orgulhoso com o presente que recebeu do Mestre Burguês: uma camisa do Grupo Muzenza. “Meu pai vai adorar”, comentou.

O destino de Théo era mesmo o vôlei. Começou no clube Sodeso, de Brasília, e teve uma experiência como levantador. Foi chamado nessa posição para a seleção infanto-juvenil, mas acabou cortado. Quando treinava na Ulbra, em 2004, veio a grande mudança. “Era para eu ser o terceiro levantador e comecei a atacar num treino. Foi aí que o Marcos Pacheco me passou para atacante. Tenho até que mandar um abraço para ele. Se não fosse ele, eu tinha parado de jogar”, brincou, aos risos.

Como atacante, sua carreira deslanchou, e Théo foi parar no Japão, atuando pelo Santory Sunbirds, na cidade de Osaka. “Lá é bom de morar, tranquilo”, elogiou o oposto, que não sentiu os efeitos do terremoto que devastou o país no início deste ano. “Eu estava longe de onde aconteceu. Mas é lógico que atrapalhou o país inteiro, os trens pararam”, lembrou ele, festejando a mudança para o Rio: “Aqui, no inverno faz sol. Lá, cheguei a pegar zero grau e até neve”.

A performance de Théo nas quadras do Rio pode ser conferida já na quinta-feira, quando o RJX disputa um amistoso contra a Cimed, no Maracanãzinho, com direito à participação do ex-jogador Nalbert.

 

Fonte: http://odia.terra.com.br/blog/sacaessa – referenciado pelo Mestre Burgues

Rodas femininas: incentivo ou discriminação?

Com a justificativa de incentivar a participação de mulheres na capoeira, muitos grupos fazem rodas femininas ou têm um momento na roda no qual só as mulheres jogam.
A intenção pode ser boa, mas separar às mulheres dos homens será mesmo um incentivo para que elas joguem?
É certo que algumas mulheres, normalmente as iniciantes, preferem jogar entre mulheres. Mas não seria mais adequado incentivá-las a superar esse receio jogando com todos, ao invés de acomodá-las nessa situação de insegurança?
A ideia de separar para incluir parece contraditória pois toda mulher capoeirista pode e deve jogar com os homens. Negar isso é  colocar a mulher em uma situação de inferioridade, portanto esta não é a melhor forma de mostrar às mulheres que elas também têm espaço na capoeira.
Fazer uma roda só de mulheres, como uma homenagem em uma data especial, é uma atitude legal, de reconhecimento e, portanto, muito bem vinda.
Mas alimentar hábito de fazer rodas separadas ou um momento à parte para as mulheres abre espaço para a discriminação.
É a união, e não a divisão, que anda de braços dados com a igualdade.


Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

A Mulher na Capoeira

Hoje em dia, é quase impossível assistir a uma roda de capoeira, em qualquer canto do mundo, onde não haja a presença feminina. As mulheres, com todo o direito, estão conquistando a cada dia, mais e mais espaço nesse universo que durante muito tempo foi predominantemente um espaço masculino.

A importância da mulher na capoeira vai muito além da graça e beleza que elas proporcionam a essa manifestação. A mulher sendo respeitada e valorizada numa roda de capoeira, garante que esse espaço seja cada vez mais um espaço democrático, onde a diversidade e a convivência harmoniosa entre os diferentes, significam um exemplo de tolerância e convívio social nesse mundo tão cheio de preconceitos e discriminações. Este exemplo é um dos ensinamentos mais importantes que a capoeira oferece às sociedades contemporâneas.

Além disso, a mulher é fundamental no trabalho de organização da capoeira. Não podemos pensar numa academia ou num grupo de capoeira, em que as mulheres não ocupem um papel estratégico nessa função. Talvez isso se dê pelo fato da mulher possuir essa capacidade de organização num grau mais desenvolvido que os homens, não sei. Só sei que sem as mulheres nessa função, a maior parte dos grupos de capoeira de hoje em dia não sobreviveriam por muito tempo.

Já temos também muitas mulheres com o título de “mestre” ou “mestra” de capoeira, como queiram. E são mulheres muito respeitadas no meio, que realizam trabalhos importantes e reconhecidos, apesar de ainda haver resistências por parte de alguns setores mais conservadores da capoeira. Mas é uma questão de tempo para que esse tipo de preconceito seja também superado.

Mas é bom lembrar que apesar do universo da capoeira ter sido predominantemente masculino, existiram muitas mulheres que deixaram seus nomes gravados na história da capoeiragem. Só para citar alguns nomes, a capoeira de outrora traz histórias impressionantes de valentia e destreza de algumas mulheres como: Maria Doze Homens, Salomé, Catu, Chicão, Angélica Endiabrada, Almerinda, Menininha, Rosa Palmeirão, Massú, entre muitas outras mulheres. Histórias que envolviam enfrentamentos com a polícia, brigas com navalha, e até mortes de valentões famosos como Pedro Porreta, que segundo algumas pesquisas indicam, foi de autoria da temida “Chicão”, conforme relatam jornais da época.

Vem jogar mais eu, mulher….vem jogar mais eu…que na roda de capoeira, o espaço também é seu !

 

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

Aconteceu: 1ª Roda de Estudos: Os Processos de Institucionalização da Capoeira

Universidade Federal do Paraná (UFPR): A Capoeira que ajuda a formar cidadãos

1ª. Roda de Estudos: Os Processos de Institucionalização da Capoeira, evento teve entrada franca, do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com a presença de Mestres da Velha Guarda da Capoeira do Paraná e convidados de Brasília, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Recife. O encontro faz parte da programação de 15 anos do Grupo Força da Capoeira, cuja cerimônia de troca de cordas será no sábado. Mestre Kinkas, fundador do Grupo, participa da primeira mesa, sobre história da luta brasileira. Junto, estará seu Mestre, o engenheiro Mario Ricardo Furtado, o Birilo, de Recife. Ele conta que em um dos berços da capoeira um problema é o crescimento desordenado, o que gera distorções. As pessoas não se deram conta, diz, de que o tombamento cultural foi “do saber do mestre e da roda”. “Valoriza o Mestre. É importante ressaltar isso porque tem muita gente que acha que já aprendeu tudo e não precisa mais deles”, observa, acrescentando uma alfinetada. “O tombamento como patrimônio cultural imaterial brasileiro se deu por força da Bahia, que já tinha feito isso antes, então ficou chato”.

Para ele, a globalização chegou na capoeira e trouxe um lado ruim, que é a perdas se perde a “gíria de cada local”. “Tem gente que se filia a um grupo que não é de sua cidade e nem conhece seu mestre”, comenta, indo contra, ainda, da unificação da graduação, que provocaria mais perda de personalidade. Questões, aponta, relacionadas a (falta de) Educação em geral. “Estava comprando sombrinha de frevo pra trazer e ninguém sabia, em Recife, que o frevo nasceu da capoeira”, indigna-se ele, que tem 30 anos de capoeiragem e é Mestre desde 85.A Capoeira que ajuda a formar cidadãos

Na mesa da 14h, estará o primeiro mestre formado pelo Força, José Edélzio, o Xangô, do Jogar Capoeira, de Niterói. O tema, A Capoeira nas Escolas e Universidades, é assunto que ele entende. A mestra Portuguesa, sua parceira, criou há 15 anos um método de educação infantil com capoeira para crianças a partir de 1 ano. A estratégia é: atividades lúdicas. “Brincadeiras com objetivo, que dão limites, noções de respeito, tudo com música”, explica. O olhar garante a fidelidade dos pequenos e abriu caminhos profissionais para o grupo, que está em 30 escolas.O envolvimento com o grupo acaba sendo natural porque os pais notam os resultados e levam as crianças para os eventos do Jogar.

Em várias escolas também, a capoeira do Jogar virou currícular. Nesta mesa estará também o catarinense Jose Luiz C. Falcão, da Universidade Federal de Santa Catarina. Entre os dados que traz está a informação de que 25 universidades brasileiras têm capoeira no currículo. “Não tem muita visibilidade, mas estão se desenvolvendo. E desde os anos 80 foram 83 dissertações e teses. A perspectiva da capoeira de trabalhar o ser de forma mais lúdica e integrada, de certa forma, questiona a formalidade exagerada de algumas instituições”, comenta, confirmando que “o conhecimento do mestre tradional está sendo preservado”. “Porém toda manifestação passa por resignificações e é impossível em sala de aula reproduzir o ambiente cultural de uma roda; são traduções”.

Só na grande Florianópolis, um levantamento apontou 32 grupos. “Que se articulam em entidades como a Confraria Catarinense da Capoeira, que trabalha com o resgate do saber popular, da cultura dos mestres, e de maneira bastante descontraída e informal”, diz. Quando ele veio de Brasília estava sensibilizado com a dificuldade de juntar forças e investiu nisso. “Farei um panorama histórico da escolarização, desde o começo do século retrasado, até a consolidação no século 20”, adianta Mestre Falcão.

Serviço
1ª Roda de Estudos. Dias 5 e 6 às 9h. Entrada franca. Anfiteatro 100 – Reitoria (R. Gal. Carneiro, 460).
Batizados: Hoje: 19h: Escola Rio Negro ( Sítio Cercado).
Dia 06: 15h – Grupo Força , com apresentações de coco, maculelê e frevo. Memorial de Curitiba (Largo da Ordem).
Ingresso: R$ 2( 1kg de alimento que será doado para as vítimas da enchentes em Santa Catarina)

Mestre Virgílio: Meio Século de Capoeira

Virgílio Maximiano Pereira, o popular Mestre Virgílio, recebeu nesta segunda-feira 15-09-08, na Câmara Municipal de Salvador, uma homenagem aos seus 50 anos de capoeira. A Sessão Especial será realizada a partir da 18:00 no auditório do Centro Cultural da Câmara e contará com a presença de diversos mestres antigos da ABCA (Associação Brasileira de Capoeira Angola). Fundada em 1989, a ABCA atua na defesa a promoção da capoeira tradicional baiana, e tem Mestre Virgílio como seu presidente.

Mestre Virgílio foi iniciado na capoeira angola por seu pai, o célebre Mestre Espinho Remoso, na década de 50, na Jaqueira do Carneiro, atrás do Retiro. ‘Ele não tinha escola de capoeira, tinha um quiosque e dia de domingo todos os amigos dele iam lá jogar’ relata Mestre Virgílio. Tendo treinado brevemente com Mestre Caiçara, Virgílio recebeu o título de Mestre de Capoeira Angola das mãos do finado Mestre Paulo dos Anjos, discípulo de Mestre Canjiquinha. Após o falecimento de seu pai, ele começou a dar aulas de capoeira na comunidade da Fazenda Grande do Retiro.

Há mais de 30 anos, desenvolve um trabalho social na Escola Profissional 1º de maio, na Fazenda Grande do Retiro. Em relação à homenagem, alegria e reservas: ‘Homenagens são boas, mas passam. Eu preciso hoje é de uma aposentadoria honesta pra levar o resto de minha vida’. A fala de Mestre Virgílio denuncia a sina dos antigos mestres de capoeira, reverenciados em seu auge e abandonados na velhice. Mestre Pastinha, em 1980, seu penúltimo ano de vida, cego, já denunciava: ‘A capoeira de nada precisa. Quem precisa sou eu!’. O registro da capoeira angola como patrimônio cultural brasileiro fortalece uma antiga bandeira de luta da ABCA, a aposentadoria especial para os antigos mestres, além do reconhecimento do seu notório saber para que possam dar aulas em escolas e universidades.

Quem quiser ver mestre Virgílio jogar a capoeira tradicional, que depois da criação por mestre Bimba da capoeira regional, em 1930, passou a ser chamada de capoeira angola, vá à sede da ABCA, na Rua Gregório de Mattos, 38, no coração do Pelourinho. Virgílio com seus velhos companheiros, como mestre Bigodinho, Nô, Boca Rica, Ângelo Romano, Pelé da Bomba, Augusto Januário, Pelé do Tonel, Raimundo Dias e tantos outros, mantém a tradição dos cantos e dos toques de berimbau, na formação da bateria e nos rituais da capoeira-mãe. Todas as SEXTAS FEIRAS ÀS 19 HS.

Paulo A. Magalhães Fº – DRT 11.374
Lucia Correia Lima – DRT 1046