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A Pedagogia do Jogo na Capoeira

A Pedagogia do Jogo na Capoeira

Dentre as diversas potencialidades da capoeira no âmbito educativo, destacaremos algumas de suas possibilidades tomando como foco principal o jogo, evidenciando traços de interlocução com africanidades e a formação humano no espaço escolar.

Aprender fazendo

A capoeira nos ensina que todo aprendizado deve emergir de uma experiência vivenciada, ou seja, a perspectiva eurocêntrica do aprendizado por abstração intelectual, que nos foi apresentada na escola, não atende as necessidades funcionais da arte, pois não consegue dar conta das subjetividades pulsantes de se aprender a tocar tocando, cantar cantando, jogar jogando, e de todo o fluxo interativo de um aprendizado vivo e significativo.
Valorização do mais antigo

Socialmente fomos adestrados a encarar a pessoa mais velha como um fardo social, algo inútil, pois sua capacidade produtiva e de gerar renda estariam em franco declínio, ledo engano, pois a capoeira nos ensina que sem o mais antigo não existirá continuidade de construção do conhecimento, pois perderíamos o acesso a todo acumulo de experiências destes indivíduos. Desta forma, na roda, o mais experiente é sempre o mediador dos processos, cabendo a ele a responsabilidade da garantia da construção do novo, estando este adaptado as necessidade conjunturais de cada tempo, sem contudo, perder de vista a conexão ancestral com os fundamentos estruturantes da arte.

Perder e ganhar

Na capoeira aprendemos que o ganhador não será necessariamente aquele que anula o outro, pois o jogo nos ensina que a verdadeira vitória só surge pelo signo da dupla, ou seja, o vencedor sempre será aquele capaz de deixar o parceiro sem respostas para suas perguntas e ainda ansioso e capaz de continuar tentado responder, pois é preciso vencer em franco fluxo da dinâmica do jogo, ganhando não aquele que finaliza o outro, mas sim aquele que mantem o outro em atividade e com a crença de que poderá vencer.
Com certeza, para muitos, é difícil entender a explicação acima, pois fomos educados a pensar em uma única perspectiva de competição, aquela que para garantir a vitória precisa anular e/ou subjugar o oponente da peleja, pois esta é a lógica do sistema capitalista, privilegiando um em detrimento de todos os outros, matando a noção de comunidade e construção coletiva para o bem comum.

Respeito as diferenças

Vivemos em um mundo que tenta a todo o momento nos enquadrar, criando padrões que facilitem o controle e nos tornem presas fáceis do consumismo, e a escola não tem, historicamente, fugido a esta lógica, pois diversos são os elementos que homogeneízam os indivíduos e tentam anular as diferenças em seu cotidiano.
Na roda de capoeira ser diferente é condição primordial, pois só poderemos constituir uma boa dinâmica, na medida em que pessoas diferentes possam executar funções diferentes, alguns tocando, outros cantando e uma dupla jugando, ou seja, a diversidade é o catalizador de aprendizado pela complementariedade que o outro, diferente de mim, poderá aportar para resolução de problemas que auxiliarão a todos daquele contexto. Desta forma, a roda de capoeira funciona como uma metáfora da roda da vida, explicitando que os diferentes são complementares para o bom andamento da dinâmica social.

O corpo como registro do saber

O nosso corpo foi historicamente negligenciado como repositório de um saber ancestral, pois o mesmo sempre foi tido como uma espécie de simples suporte para sustentar o intelecto, ou seja, um corpo para suor e músculos, como sustentáculo de uma cabeça, única responsável para construção do conhecimento. Neste sentido, crescemos com a ideia equivocada de subutilização da corporeidade como estratégia de construção do saber, negligenciando as potencialidades do movimento na pedagogia para emancipação humana.

Em capoeira aprendemos que o corpo pensa e fala por seus movimentos, interpretando realidades, expressando sentimentos e trazendo encaminhamentos para os diversos conflitos de uma dada comunidade, pois este corpo passa a ser entendido como um repositório de experiências educativas, como uma espécie de biblioteca ambulante, ratificada pela difusão de conhecimento a partir da simples observação de um grande mestre jogando.
Diversos são os exemplos de interlocução do jogo da capoeira com os processos educativos formais, portanto, acima destacamos apenas alguns, contudo, estes só terão a eficácia desejada no chão da escola, na medida em que esta se transforme numa espécie de extensão da própria comunidade, contextualizado conteúdos e atuando de forma fluida e dinâmica em favor dos anseios de cada tempo histórico.

Sonhamos com a capoeirização da escola, pois estamos cansados da inoperância transformadora da escolarização da capoeira.

 

Mais sobre: Mestre Jean Pangolin

 

 

AO PÉ DO BERIMBAU

AO PÉ DO BERIMBAU

AO AGACHARMOS AO PÉ DO BERIMBAU, JÁ COMEÇOU O JOGO !

Desabafo de Mestre Geni:

ALI ACONTEÇE TUDO, CONCENTRAÇĀO, CANTICOS, DESAFIOS, LOUVAÇÕES, ESTUDO, MANHA, MALÍCIA, MANDINGA, ENERGIA, AXÉ E MUITO MAIS…

PRINCÍPIOS, FUNDAMENTOS E TRADIÇÕES QUE VEEM SE PERDENDO AO LONGO DOS ANOS !

HOJE EM DIA, ABAIXA-SE AO PÉ DO BERIMBAU, POR ABAIXAR, ONDE SE FAZ ATÉ FILA E ALGUNS SENTAM AO CHĀO, NUM ATO DESRESPEITOSO E DESCABIDO !

CHORA BERIMBAU CHORA QUE NOSSAS TRADIÇÕES E FUNDAMENTOS TĀO INDO EMBORA!!!

Mestre Geni.

 

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1º Jogos Energia Pura de Capoeira no Amapá

Treze grupos confirmaram presença no campeonato, além de uma equipe do Pará

Muito ginga e maculelê (luta com bastões praticada em conjunto com os movimentos e o ritmo da capoeira) são esperados para os próximos sábado (19) e domingo (20), em Macapá, durante o primeiro Jogos Energia Pura da Capoeira. Além de difundir a capoeira, a competição será um momento de grande oportunidade de troca de experiência entre os grupos da capital e interior do estado.

De acordo com Claudio Leônidas, que organiza a competição, treze grupos se inscreveram no campeonato. As disputas serão nas categorias infantil, juvenil e adulto – masculino e feminino. Além de competidores do Amapá, uma equipe paraense também confirmou participação.

– A gente espera que os grupos de capoeira façam jogos bonitos e disputados. Um banca de capoeiristas experientes será responsável em avaliar o desempenho de cada jogo e dos atletas – disse Claudio.

Segundo a organização, o objetivo maior da competição é divulgar o esporte e atrair cada vez mais praticantes. No Amapá, existem dezenas de grupos espalhados pela capital e interior, responsáveis pela divulgação da capoeira, além de contribuírem para a melhoria da qualidade de vida dos praticantes.

Os vencedores serão premiados com uma quantia em dinheiro, além de troféus e medalhas. Os jogos iniciam a partir das 9h da manhã na Academia Energia Pura, localizada no bairro Marabaixo 2, na rua Maria Nair de Souza, nº 391, Zona Oeste de Macapá.

 

Fonte: http://globoesporte.globo.com/

A Capoeira Angola segundo Mestre Pastinha

Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, conhecido como Mestre Pastinha, nasceu em 1889, em Salvador, aprendeu a lutar com um negro de nome Benedito, que, ao vê-lo apanhar de um garoto mais velho, resolveu ensinar-lhe os golpes, guardas e malícias da Angola.

Mestre Pastinha começou a ensinar capoeira em 1910, depois de um período de oito anos na Marinha de Guerra do Brasil. Seu primeiro discípulo foi Raimundo Aberê, que, por sua vez, se tornou um exímio capoeirista, conhecido em toda a Bahia.

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Vídeo de 1991, comemorativo dos Dez Anos de Atividades do Grupo de Capoeira Angola Pelourinho do Rio de Janeiro, realizado por Antonio Carlos Muricy. 
Editado a partir de uma seleção de vídeos VHS dos arquivos do grupo, reúne grandes bambas, grandes angoleiros, cariocas ou não, como os Mestres Moraes, Neco Pelourinho, Zé Carlos, Braga, Marco Aurélio, Armandinho, Angolinha, Lumumba, Rogério, Valmir, Brinco, Manoel, entre outros.

Apesar da precária qualidade técnica, retrata momentos extraordinários da Capoeira Angola carioca, e inclusive jogos raros, como o “Jogo do Dinheiro”, aqui registrado em dois grandes momentos, um o jogo de Mestre Neco Pelourinho com Mestre Braga, e o outro um jogo entre o Mestre Armandinho e Mestre Zé Carlos.

Traz também um momento raro de violência em uma roda de Angola, quando Mestre Rogério aplica um rabo de arraia em Mestre Lumumba e o atinge em cheio. É extraordinária a calma e serenidade de Lumumba, em se recuperar e responder no jogo, na Capoeira, a Rogério.

Traz reflexões de Mestre Pastinha, o Guardião da Capoeira Angola, e uma pequena história da Capoeira, narrados por Mestre Brinco e Mestre Neco Pelourinho.
Memória da Capoeira Angola carioca, ouro puro.

Entrevista: Mestre Adilson

 

Mestre Adilson concede entrevista a Mestre Kadu, no I Encontro Interno do Grupo Gunganagô, em dezembro de 2012.

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Capoeira: o esporte da mente, do corpo, da alma e do coração

Se o papel da escola é educar e os princípios ultrapassam a sala de aula e envolvem respeito e coleguismo, tudo através de aulas de capoeira, os alunos do mestre Lindomar Nascimento Saraiva, que ensina o jogo no Colégio Hermann Spethmann, de Criciúma, estão no caminho certo para serem cidadãos do bem.

Eles ainda são bem pequenos. Mas a agilidade é de gente grande. São aprendizes com um sonho em comum, jogar capoeira. “É até difícil resumir os benefícios que a capoeira traz. O esporte desenvolve a habilidade motora, a elasticidade e ajuda a manter o equilíbrio, é preciso misturar atenção, habilidade, agilidade e ginga, pois acima de tudo, a capoeira é uma dança. Faz bem para a saúde, para o corpo e também para a mente e o coração”, explica Saraiva, que pertence ao Grupo Senzala. “Além da dança, nós ensinamos também princípios. O respeito é fundamental, seja ele na escola com os colegas, na aula de capoeira, ou em casa. O que eles aprendem aqui acaba refletindo no cotidiano de cada um”.

Enquanto os alunos praticam os primeiro passos, pais e mães acompanham de fora, orgulhosos, o desempenho dos esportistas. José Anselmo é o pai do Cristopher, de quatro anos, que pratica capoeira desde o ano passado. “A vontade de jogar partiu dele. Logo nos primeiros dias percebemos uma diferença no comportamento que ele tinha em casa. Incrivelmente ele melhorou o senso de disciplina e organização. Dou total apoio para que ele siga adiante. A prática do esporte é importante para o desenvolvimento dele, é fundamental para manter uma boa saúde”, atesta Anselmo. “Acho que ficou uma união perfeita, aquilo que eu e a mãe dele passamos em casa se junta ao que ele aprende aqui e assim ele cresce um cidadão com um caráter melhor”, complementa o pai.

A capoeira – A capoeira é um dos mais antigos esportes brasileiros, surgiu quando o país ainda era colônia de Portugal. Foram os escravos que criaram. Eles eram proibidos de lutar pelos seus senhores. Sendo assim, criaram uma espécie de “dança lutada”. Foi a maneira encontrada por eles de tornar os sofridos dias mais divertidos. Os negros vindos da África eram muito festeiros e gostavam de dança. Com a capoeira não esqueciam suas raízes e ainda cuidavam do corpo. Foi proibida no país por muito tempo, hoje é tradição no Brasil e conhecida no mundo todo. Sem música, não existe jogo, não existe dança e não existe capoeira. O som que acompanha o esporte é tocado no berimbau, um instrumento de corda de origem angolana que é considerado por alguns como um instrumento sagrado. Ele é reverenciado no início de cada luta e comanda o ritmo e o estilo de jogo. O berimbau vem ainda acompanhado do pandeiro e, muitas vezes, do atabaque. Sem contar nas palmas dos jogadores que ajudam no clima do jogo.

Saiba mais – Em Criciúma as aulas do Grupo Senzala são oferecidas pelo Colégio Hermann Spethmann, no Centro da cidade. É uma das atividades extracurriculares oferecidas pela escola. Podem frequentar as aulas os alunos da escola e a comunidade. Informações podem ser obtidas no colégio, ou ainda pelo telefone (48) 3437-8037

Colaboração: Ioton Neto/Comunicação Colégio Hermann Spethmann

http://www.engeplus.com.br

Iê dá volta ao mundo camará!

Da senzala para o mundo, a capoeira conquistou nações com sua arte, história, força e malandragem. Hoje, é o ritmo que o planeta não consegue deixar de amar

“Esta é a prova de que o mar leva… e o mar devolve: saímos dos porões amargurados dos navios negreiros e voltamos consagrados pela fraternidade da arte. Resistência da Capoeira… “, essas palavras fazem parte de um discurso do então Ministro da Cultura, Gilberto Gil, na sede da ONU em Genebra. E naquele dia, 19 de agosto de 2004, a Organização das Nações Unidas foi presenteada com uma roda de capoeira, com a presença de capoeiristas de várias partes do mundo. Mestres de capoeira e figuras políticas entusiasmaram-se com o ato, considerado o início do reconhecimento do movimento para a história do Brasil.

Desde que Getúlio Vargas retirou do código penal a punição pela prática da capoeiragem, considerada crime pelos anos de 1890, os capoeiristas resistiram às imposições governamentais de transformar a sua prática cultural em mero desporto regulado em papel, o que poderia descaracterizar o jogo de suas origens. Durante o período da ditadura, entre os anos de 1964 e 1985, houve uma série de projetos dos militares para os esportes em geral, inclusive a capoeira. Criou-se o Departamento Especial de Capoeira, vinculado à Confederação Brasileira de Pugilismo, coordenado por um militar. A Aeronáutica promoveu simpósios no Rio de Janeiro com o objetivo de homogeneizar as nomenclaturas de golpes e graduações para unificar a capoeira como arte de campeonato, como explica a historiadora e doutoranda, pela Fundação Getúlio Vargas, Vivian Fonseca.

– Ela foi reconhecida durante a década de 1970 como esporte, foi feito um regulamento técnico; não encontrou muito eco dentre os capoeiristas, mas de qualquer maneira foram ações que estiveram em pauta. Eu costumo dizer que neste período houve uma atuação muito autoritária sobre a capoeira. Nos simpósios foram chamados os mestres pra ouvir o que eles pensavam, só que havia uma proposta independente das opiniões divergentes. Na verdade, ele não conseguiu se concluir, mas houve essa tentativa de levar à frente e não teve uma consulta pública pra esse campo.

Após a ditadura, a capoeira já fazia sucesso no Brasil e no exterior e muitas vezes suas apresentações integravam parte dos cronogramas oficiais de grandes eventos, inclusive do governo, mas sem obter uma proposta de valorização para a arte genuinamente brasileira, como esclarece Vivian. Para a historiadora, a partir do governo Lula há um novo olhar pra capoeira, com uma maior percepção dos atores envolvidos, buscando a discussão e construção de uma política não autoritária, de cima pra baixo: “A partir do mandato da presidente Dilma, as ações ficaram meio desarticuladas, mais em função de cortes de orçamentos, rearranjo de prioridades, mas ainda há mobilização”.

Quatro anos depois do Ministro discursar na ONU, a capoeira finalmente se tornou Patrimônio Cultural Brasileiro, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN. Antes disso, porém, os capoeiristas ainda precisaram se organizar para ter suas demandas respeitadas. É o que conta a pesquisadora Vivian.

– Houve uma disputa com os conselhos de educação física sobre quem teria o direito de ministrar aula de capoeira, se seria o bacharel em Educação Física ou o mestre de capoeira. A partir daí houve um rearranjo no campo e os capoeiristas começaram a se articular um pouco mais politicamente.

 

ORIGEM E LEGADO

A capoeira surge com a escravidão, tendo seus primeiros registros encontrados a partir dos anos 1810. Ela se desenvolve na senzala como forma disfarçada de brincadeira, mas que serviria para a própria defesa dos escravos. A prática de jogos como a capoeira se desenvolveu em diversas partes do país, cada qual ao seu jeito, inspirada em diferentes lutas africanas.

No início do século XX, Manoel dos Reis Machado, mais conhecido como mestre Bimba, começou a desenvolver um novo estilo de jogo, que fundia movimentos da capoeira antiga, conhecida como Capoeira Angola, com o Batuque, jogo violento de pernadas praticado por seu pai. Mestre Bimba desenvolveu uma prática de capoeira mais voltada para a luta, atraindo muitos alunos, inclusive filhos de doutores e universitários, para sua academia. A esse estilo, mestre Bimba chamou Capoeira Regional. Ele desenvolveu técnicas e disciplinas e foi consagrado por seus discípulos como grande homem, lutador e sábio, que tornou aceitável para a sociedade brasileira muitos aspectos da cultura negra. Bimba cultivou 7 toques que determinavam o jogo de sua capoeira: São Bento (jogo rápido e duro), Cavalaria (também violento), Santa-Maria (que permite os floreios, acrobacias), Benguela (mais próximo da Capoeira Angola), Idalina (jogo alto e malicioso), Amazonas (sutileza e variação) e Iúna (para a exposição dos conhecimentos em ocasiões de festas). Bimba preservava as práticas do Candomblé e outros costumes antigos como, puxada-de-rede, samba-de-roda e maculelê.

Por outro lado, Vicente Ferreira Pastinha, mestre Pastinha, conseguiu manter viva a tradicional Capoeira Angola, sendo atualmente as principais vertentes praticadas da Capoeira aquelas preservadas ou desenvolvidas por ele ou Mestre Bimba, a Angola e a Regional.

Muniz Sodré, jornalista e emérito professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está entre aqueles que treinaram com Mestre Bimba na juventude. Ele escreveu o livro Corpo de Mandinga, que inspirou o documentário sobre o capoeirista lançado em 2007. Há uma grande admiração pelo mestre de Capoeira, sendo indiscutível o consenso entre seus alunos, doutores ou não, sobre a inteligência e sabedoria de Bimba. Muniz Sodré compara seu mestre ao filósofo alemão, quando diz em seu livro que “Bimba jamais ouviu falar de Nietzsche, mas filosofava de jeito parecido, porque jogava do lado do corpo, do pensamento não-conceitual, do sentimento do instante”. E, com empolgação, o ex-Diretor da Biblioteca Nacional discorre sobre a cultura de sua origem e de seu mestre:

– Eu percebi que, mesmo na esfera do que é ágrafo, que não tem escrita, do analfabeto, na esfera mais rudimentar aparentemente da cultura popular, há uma erudição. A capoeira tem um aspecto erudito por detrás. Bimba era analfabeto, mas era um sábio, realmente sábio, até falando, no comportamento dele. A capoeira junto com o candomblé me mostraram a força da cultura do povo. E isso mudou a minha vida… Porque eu estudei na Europa, sou professor de cultura europeia, mas minha visão, minha perspectiva vem daí, do candomblé e da capoeira.

Além de Muniz Sodré, Bimba fez discípulos que permanecem na capoeira até hoje, tanto na Bahia, preservando a capoeira Regional, tal como ele criou, como pelo resto do país e mundo afora. Hoje, nome dos mais conhecidos da capoeira e grande propagador da arte pelo mundo, Mestre Camisa, que também foi aluno de Bimba – seguindo mais que os passos, a forma inovadora de pensar de seu mestre – é o fundador do grupo Abadá Capoeira, conhecido por ter um jogo próprio, que mescla as sequências de Bimba com novos estilos de esquiva e de golpes. Ele chegou ao Rio de Janeiro em 1972, com 17 anos, e logo começou a ensinar o que sabia de capoeira, um pouco do que tinha aprendido com o mestre somado à capoeira de rua que praticava antes da mãe permitir que frequentasse a academia. Mestre Camisa diz que a proibição de treinar com Bimba por parte de sua mãe era uma espécie de castigo, “não tá indo bem na escola, então não vai pra capoeira”.

Camisa começou ensinando aos colegas no bairro da Lapinha, em Salvador o que tinha aprendido na rua e, ao adquirir mais conhecimentos na escola de Bimba, reforçou para seus primeiros alunos como se jogava a capoeira. Bimba desenvolveu seu método em 8 sequências básicas, de onde resultava todo o jogo da capoeira Regional, e era isso que Camisa ensinava na primeira escola em que começou a dar aula, assim que chegou ao Rio. Ele conta que sentia falta de alguma coisa, de um jeito novo, esclarecimento, experiência, porque era muito jovem:

– Comecei a dar aula numa escola aqui no Rio e fui adaptando ao meu jeito, pela deficiência… ele tinha uma estrutura lá, com vários alunos formados e aqui eu não tinha nada. Passei a dar aula em outros lugares e a encontrar capoeiristas também, que jogavam de uma forma diferente. E com o tempo, eu fui tirando a experiência e o resultado de cada lugar. Fazia as rodas no fim de semana e cada um ia trazendo alguma coisa, de forma espontânea e fui estudando em cima disso, da necessidade, porque era meu ganha-pão. Tinha que ter resultado.

Mestre Camisa, ora questionado por alguns capoeiristas, que o consideram um transgressor da Capoeira tradicional, ora admirado como uma extensão de Bimba, por continuar a criar e instituir formas e regras numa nova escola de aprendizagem, faz crescer por todo o mundo a Abadá Capoeira, criando mecanismos de comprometimento social e ambiental, pensando formas de expandir a profissionalizar a capoeira. Um de seus próximos planos é criar uma escola profissionalizante da Abadá Capoeira, com categorias que atendam aos diversos níveis de escolaridade de seus capoeiristas, e que seja reconhecida pelo Ministério da Educação. Dentre aqueles que o apoiam e enxergam em Camisa um eco do grande espírito de Bimba, está o professor Muniz:

– Mestre Camisa tem no mundo mais de 40 mil alunos, é mais que uma universidade! Onde estão esses alunos? Na China, no Japão, em Israel, na Rússia, na Hungria. São alunos de alunos e ele é chamado constantemente pra fazer batizado, pra dar curso nesses lugares, vive viajando. É uma universidade invisível que ele comanda. Eu vi na Alemanha, na França, moças jogando capoeira muito bem e cantando chulas de capoeira sem saber falar português, mas cantando sem sotaque em português. Isso foi uma coisa que me emocionou muito, aqueles gringões grandes, fortes, jogando capoeira. E você vê que é uma coisa que não se enraizou, não foi a partir de adido cultural de embaixada, não foi a partir do nível escrito, foi dessa prática que não envolve dinheiro – claro que se eles vão dar um curso, eles vão cobrar, mas não é dinheiro que se contabiliza como investimento, é o salário dele. É uma arte que se propaga sem dinheiro, não é como o espetáculo do futebol… E isso vai penetrando. Já se disse que a capoeira ia acabar, com a vinda dessas artes marciais, como karatê, jiu-jitsu, mas, pelo contrário, a capoeira vai crescendo porque ela tem esse fundo cultural. A capoeira não é só luta. É luta, dança, canto… Talvez seja a única arte marcial que se pratica de forma alegre… Todo capoeirista que jogou com Bimba era um fominha de jogar. É como o Camisa conta, quando subia a escada e ouvia o berimbau tocar, o coração começava a bater bum bum bum bum bum bum… Todo mundo queria jogar!

 

DO BRASIL PARA O MUNDO

Lila Sax é americana e reside na Alemanha há 12 anos, mesmo tempo em que começou a jogar capoeira. Ela conta que estranhamente a capoeira foi a sua porta de acesso para a sociedade alemã, tendo inclusive aprendido o idioma a partir do esporte. Foi na capoeira que fez seus primeiros amigos e que encontrou um espaço naquele país. Hoje ela é antropóloga mas seus planos são de prosseguir com o jogo e se profissionalizar cada vez mais no esporte. Ela é uma das mulheres mais graduadas na Europa e, por conta de suas viagens pelo continente para competições e eventos, tornou-se muito conhecida no meio, inclusive no Brasil. Ela faz parte do grupo Abadá Capoeira. A principal bandeira levantada por Lila tem relação com o fato de ser mulher. Ela acha importante que as pessoas saibam que todo mundo pode jogar capoeira, que uma mulher estrangeira é capaz de jogar bem, cantar bem, tocar instrumento, como qualquer outro capoeirista.

– A diferença da capoeira, e eu acho que isso que atrai muito as pessoas, é que tem um lugar pra todo mundo. Se você não gosta de lutar, você vai dar mais ênfase ao lado musical da capoeira, vai aprender as músicas, as acrobacias e a história da capoeira; se você não gosta de música nem da acrobacia, vai dar mais ênfase ao lado da luta, vai chutar, dar galopante, banda… E é por isso que o pessoal lá fora, que faz judô, muay thai, eles vem pra capoeira e veem que tem um espaço pra todo mundo e que todos são aceitos, o que muitas vezes não é possível em outros esportes. E o legal que, independente de idade, altura, de flexibilidade, de deficiência, as pessoas fazem capoeira.

Já Luiz Carlos dos Santos Sobrinho, mais conhecido como Cao Capoeira, saiu do interior do estado do Rio, Campos dos Goytacazes, em busca de oportunidades para desenvolver suas ideias que desde muito jovem envolvem a Capoeira. Por causa do jogo, ele se formou em Educação Física e, no meio de sua graduação, fez um intercâmbio pela Alemanha, onde conheceu excelentes universidades que, segundo ele, valorizam bastante a pesquisa, principalmente na área técnica. No Brasil, ele chegou a conseguir uma bolsa para pesquisar na área de História da Capoeira, mas o projeto não conseguiu ir adiante, por falta de apoio. Após concluir o bacharelado, retornou à Alemanha e apresentou uma proposta de projeto para mestrado ao Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, uma universidades de elite no país. Sua ideia, que logicamente envolvia capoeira, foi aceita. Morando há quase dois anos na Alemanha, ele já pensa em temas para prosseguir com o doutorado em Karlsruhe:

– Infelizmente no Brasil a gente vê que não tem assim um apoio tão grande pra essa área de pesquisa. O conhecimento que tenho desenvolvido no Instituto, aplico na minha dissertação de mestrado, que é sobre capoeira, suas esquivas e o nível de lesão mecânica que essas esquivas podem causar principalmente nas articulações do joelho e do tornozelo. É do senso comum que capoeira faz mal pro joelho, pelos seus movimentos baixos, de chão. E a minha ideia é quantificar a lesão mecânica que ocorre nas articulações quando o capoeirista realiza esquivas específicas, entender isso melhor. Esse é um primeiro passo para mais tarde a gente otimizar a técnica, talvez alterar pequenas coisas, adaptar a capoeira para que pessoas de mais idade ou com problemas articulares também possam praticar de forma menos lesiva e, quem sabe mais à frente, usar esse conhecimento no desenvolvimento de uma metodologia de capoeira reabilitativa, para pessoas que tem problemas em joelho, tornozelo, aplicar a capoeira de forma adaptada e dosada como forma de reabilitação.

 

A CAPOEIRA EXPORTADA

Segundo o professor Acúrsio Esteves, formado em Educação Física pela Universidade Católica de Salvador e pesquisador da arte da Capoeira, o jogo começou a ganhar asas para fora do país a partir da década de 1950. Ele conta que mestre Bimba, mestre Pastinha e alguns outros mestres de Salvador, começaram a fazer, além da capoeira que eles ensinavam em suas academias, shows folclóricos que tinham como público-alvo os turistas que vinham conhecer o Brasil. Com uma visão crítica sobre a exportação da capoeira como elemento exótico do nosso país, o professor escreveu o livro A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento. Ele sintetiza suas conclusões sobre a origem da difusão mundial da capoeira, a partir da formação de grupos parafolclóricos, formados no Brasil e levados para outras partes do mundo, a convite de estrangeiros. Para Acúrsio, esses grupos começaram a se estabelecer no exterior e seus integrantes iniciaram uma nova vida nesses países, dando aulas de capoeira para estrangeiros. O professor elenca o que considera os grandes difusores da capoeira pelo mundo afora, em ordem cronológica:

– Elas saíam do grupo e começavam a desenvolver uma atividade própria, particular. Depois vieram as academias de capoeira, que foram criando filiais no Brasil inteiro. E o processo foi esse, de uma forma bem resumida: primeiro pelo viés da cultura, depois pelas academias e, em terceiro plano, começaram a vir as publicações, os livros, e por último o cinema. Outro viés muito importante e bem recente é a divulgação pela internet, através de sites como o Portal Capoeira, do Professor Luciano Milani. Desde 2005 que Luciano Milani, capoeirista brasileiro, residente em Portugal há 10 anos, criou o Portal Capoeira, principal meio de comunicação direcionado ao capoeirista na atualidade, com uma média de 3 a 4 mil acessos por dia, segundo o editor do site. Atualmente, o Portal possui cerca de 20 colaboradores, sendo os mais atuantes o jornalista de Brasília Mano Lima e os professores baianos Pedro Abib e Acúrsio Esteves. Desde quando criou o site, ele mantém contato com capoeiristas do mundo todo, principalmente do Brasil, a fim de fortalecer as trocas sobre toda a cultura que envolve a capoeira. Dessa forma ele desenvolveu uma sólida amizade com mestre Decânio, discípulo de Bimba e médico em Salvador, foi o grande responsável e incentivador que possibilitou a criação do portal, diz Milani:

– A ideia básica do Portal é reunir o maior número de informações possíveis. Nós temos trabalhos de teses, mestrados, doutorados, livros, músicas, vídeos, matérias mesmo, subdivididas em diversas categorias. A nossa ideia é criar esse núcleo de cultura e conhecimento da maneira mais vasta possível, porém com coerência e muita responsabilidade. Aqui na Europa eu percebo que há muita preocupação com a pesquisa. Tenho muitos amigos desse meio que são professores, bastante preocupados com a disseminação da capoeira no sentido cultural mais aprofundado. Foi a partir de 2007 que o site ganhou importância, por conta do filme mestre Bimba, Capoeira Iluminada. O filme Mestre Bimba Capoeira Iluminada é um documentário de 2007 realizado pelo carioca Luiz Fernando Goulart que conta a história de Bimba através de seus antigos discípulos, historiadores e antropólogos, suas ex-esposas. Ele é rico em imagens antigas, inclusive vídeos feitos do próprio mestre. Ele é inspirado no livro Corpo de Mandinga, do Muniz Sodré. Sobre o Mestre Pastinha existe o documentário “Pastinha! Uma Vida Pela Capoeira”, realizado por Antonio Carlos Muricy, no ano de 1998.

 

CAPOEIRA E FILOSOFIA

Em 12 de junho de 1996, a Universidade Federal da Bahia concedeu, após 22 anos de sua morte, o título de Doutor Honoris Causa a Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba. Por tudo que aquele negro forte e mitológico representou para o reconhecimento da capoeira, desde a atração que exerceu sobre os doutores que depois vieram a ser capoeiristas, até o reconhecimento por Getúlio Vargas da capoeira como cultura popular e não mais crime, conforme registrava o código penal. Pela institucionalização da capoeira com regras e disciplina, sem perder, no entanto, a alegria.

O professor Muniz Sodré, que parece simpatizar bem com o alemão Friedrich Nietzsche, principalmente quando fala de mestre Bimba, também diz em seu livro que o filósofo “jogava capoeira com o pensamento, em especial quando se referia ao corpo como ‘um edifício coletivo de diversas almas’”. E Muniz prossegue no mesmo livro: “Na capoeira, assim como na filosofia de Nietzsche, o corpo pensa. Pensamento e corpo pertencem à ordem do diverso, isto é, a uma simultaneidade de coisas compreensíveis e incompreensíveis que raramente passam pela consciência. “

 

 

Áurea Maria Xavier Pereira Gomes

aureamariaxavier@gmail.com

 

O que é mesmo a capoeira?

Jogo… Dança…. Luta….

É do senso comum dos capoeiristas pensar na Capoeira como uma prática polissémica que é simultaneamente um jogo, uma dança e uma luta. Se perguntarmos a um mestre mais experiente bem como a um novo praticante ambos podem sentir algum desconforto em classificar a capoeira em um campo estrito e preciso. Não sabemos conceituar o que somos ou no que nos tornamos mas sabemos o que não queremos ser. É essa forma enigmática do “decifra-me ou devoro-te” que torna certamente a capoeira uma arte instigante e curiosa.

Há uma certeza entretanto que nos acalenta e que também é do consenso geral dos praticantes, é de que a capoeira é uma arte. Sendo uma arte, concebemo-la como algo do campo da criatividade, da reinvenção e do imaginário. Convém deixar claro que se por um lado a polissemia da capoeira é algo delicioso é também angustiante e pouco didático. Sempre que tencionamos explicar a alguém, não capoeirista, o que ela é, caímos em explicações vagas que ela é uma dança em que se luta, um jogo em que se dança e por ai seguem as combinações. Para além disso o jogo do “ ser ou não ser “ deixa alguma angústia, afinal a pergunta fica sempre por responder. Sou daqueles que acredita que é bom ter certezas no que toca as nossas identidades, mesmo que sejam invenções confortantes.

Para mim há poucas dúvidas de que a capoeira, sendo uma arte, é uma arte marcial. Isso não exclui as suas peculiaridades e ligações mais intrínsecas ao campo da cultura, afro-brasileira em particular, nem tão pouco a restringe a parâmetros mais limitados que possamos conceber as artes marciais em geral, em particular as de origem oriental. Alguns pensam-na como uma filosofia, a da malandragem, como concebe o Mestre Nestor capoeira.

Foi exatamente o Mestre Nestor, cujos livros ainda fazem a cabeça de muitos praticantes no mundo, que primeiro lançou o lema: “No oriente existe o Zen, a Europa desenvolveu a psicanálise, no Brasil temos o jogo da capoeira”. Ora, quando falamos do Zen ou da psicanálise, falamos respetivamente de práticas de meditação, religião e ciência que permitem discernir a natureza humana, trata-la, fazê-la evoluir para níveis mentais mais elevados. Será que podemos enquadrar a capoeira nessa perspetiva atualmente? Ao compreende-la como uma arte marcial podemos conceber que ela pode cumprir esse papel emancipador do ser humano? No íntimo eu tenho as minhas dúvidas, mais por mero capricho prefiro acreditar que sim.

É possível aplicar a capoeira um conjunto de questões fundamentais que circundam também a existência humana, a vida. De onde vem a capoeira? Como ela se formou e o que ela se tornará? Não sabemos responder com total segurança a essas questões, tudo que se diga poderá ser mera especulação, ainda que tenha o crive acadêmico. Mas podemos acalentar algumas certezas a de que ela tem dado contributos importantes para as questões sociais e culturais das sociedades onde ela faz se presente.

Perguntei certa vez a um amigo estudioso do assunto qual era para ele, e até onde o seu conhecimento poderia alcançar, a origem da capoeira. Ele me respondeu que no seu entendimento não era uma questão histórica, que se podia provar por papéis a documentos acadêmicos, isso pouco interessava. Na verdade era uma questão ideológica, pois se dissermos que ela é afro-brasileira, por exemplo, estamos afirmando o papel do negro na sociedade brasileira e conferindo-lhe um certo grau de cidadania. Ou seja é enfim um posicionamento político.

De volta a frase do Mestre Nestor penso que caberá nas nossas reflexões sobre a capoeira questões mais profundas que, certamente os menos reflexivos sentirão dificuldades em compreender e acharão banais, pois a capoeira afinal joga-se apenas na roda e não carecerá de introspeção alguma. A capoeira ultrapassou limites inimagináveis, fronteiras geográficas, territórios culturais, limitações de gênero, classe, idade, enfim todas as contingências possíveis. Tudo isso por força de sua capacidade intrínseca de adaptar-se as mais hostis circunstâncias. No fundo, para quem as pratica sobretudo, ela diz muito sobre as nossas frágeis existências humanas e nos novos tempos globais que vivemos torna-se plena de significados.

Nesse novo encantamento do mundo inúmeras práticas ganham sentido, profanas e sagradas. O indivíduo ou os indivíduos buscam novas significações para as suas existências, novas formas de existir e ser para além das que habitualmente nos são concedidas a nascença. Somos brasileiros, espanhóis ou alemães por que nascemos em um determinado país que nos concedeu a cidadania, somos homens ou mulheres por que nossos órgãos genitais indicam um determinado género, somo brancos ou negros por que nossa pigmentação da pele assim o indica. Apesar desses traços indeléveis poucos somos tal como “naturalmente “ nos é concebido, mais ainda, somos o que nós construímos em nossas biografias. No jogo do “ser ou não ser “ a capoeira acaba por ter um papel determinante nos tempos pós-modernos e líquidos em que construímos a nossa maneira as nossas próprias identidades.

Semeando 2013/14 – VIII Encontro Internacional de Capoeira Angola

Semeando 2013/14 – VIII Encontro Internacional de Capoeira Angola

Evento realizado pelo Grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola vai reunir alunos, Contra Mestres e Mestres de vários países

Entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014 acontece o Semeando – Encontro Internacional de Capoeira Angola, realizado pelo Grupo Semente do Jogo de Angola. O objetivo do evento é reunir alunos de vários estados brasileiros e de outros países, além de capoeiristas interessados em aprender e trocar informação sobre a história Afro-Brasileira. A programação vai incluir Capoeira Angola, Dança Afro, Samba de Roda, Maculelê, Oficinas de Berimbau, Caxixi, Atabaque, Percussão, Palestras, Mostras de Vídeo, Afoxé e Caminhada Ecológica.

O Encontro é realizado de 2 em 2 anos, desde 2004, em Salvador e na Ilha de Cacha Pregos (BA), onde está sendo construída a sede do Grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola. Em 2013, o evento vai ampliar as atividades para dois lugares históricos: Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, e Chapada Diamantina. A ideia não é só jogar Capoeira, mas levar todos os interessados para vivências em lugares históricos, tais como: Baixa do Sapateiro, Lagoa do Abaeté, Ilha de Itaparica, Santo Amaro, Cachoeira, São Félix, Lençóis e Vale do Capão. 

O Grupo de Estudos dos Núcleos Semente de Angola apresentará um trabalho teórico sobre História do Brasil até 1808/1810, data da chegada da Família Imperial no Rio de Janeiro. Este acontecimento histórico coincide com o começo da perseguição policial aos negros e capoeiristas. Este trabalho, o qual será apresentado por alunos do Grupo, permanecerá no Espaço na Ilha para estudos. As aulas de Capoeira durante o Encontro serão ministradas pelo Mestre Jogo de Dentro, Contramestres do Grupo Semente do Jogo de Angola e Mestres presentes. 

INFORMAÇÕES 

Site: http://www.sementedojogodeangola.org.br
Telefone: (71) 8727 7127 / 3319 0227

 

Fonte: http://www.iteia.org.br

Livro Jogo de Discursos é lançado em Pernambuco e Minas Gerais

O livro Jogo de Discursos: A disputa por hegemonia na tradição da capoeira angola baiana, de autoria do jornalista e capoeirista Paulo Magalhães, terá dois lançamentos nacionais neste mês de maio.

No dia 18, sábado, a partir das 19:00, o lançamento será em Olinda (PE), no 1º Encontro da ACANNE Pernambuco. Realizado nos dias 17, 18 e 19 pela Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro, no Espaço Alternativo, o evento contará com oficinas do Mestre Renê Bitencourt (BA) e rodas de capoeira angola. O evento é organizado pelos capoeiristas Eduardo Ramos (Baygon) e Marco Antônio (Baixinho), e constitui um marco na articulação de mais uma linhagem angoleira no estado de Pernambuco.

No sábado seguinte, dia 25, a partir das 14:00, o lançamento ocorrerá na Gruta da Lapinha, em Lagoa Santa (MG), durante X Encontro de Culturas de Raiz – Lapinha Museu Vivo. Em seguida, haverá a mesa redonda: “Cultura de Raiz e Globalização”, com a participação dos mestres Zé do Lenço (BA), Dunga (MG) e Ernestino (PI), representantes da velha guarda do samba, do reinado de N. Srª do Rosário, pesquisadores e representantes do poder público. O evento é organizado pela Associação Cultural Eu Sou Angoleiro, sob a direção do Mestre João Bosco, e a programação completa pode ser encontrada no endereço http://www.eusouangoleiro.org.br/.

O livro Jogo de Discursos: A disputa por hegemonia na tradição da capoeira angola baiana trata da diversidade de concepções sobre a tradição na capoeira angola, a partir de mestres representantes de diferentes linhagens. As estratégias políticas de legitimação da capoeira angola e) as disputas em torno de sua organização ao longo da história são discutidas, utilizando fontes como jornais, observação direta e cerca de 20 entrevistas com mestres angoleiros renomados.

 

Maiores informações:

Paulo Magalhães: (71) 8741-1251 / 9273-7765

Eduardo Ramos (Olinda): (81) 9882-7467

Gercino Alves (Lagoa Santa): (31) 8561-5456

 

Serviço

 

Pernambuco:

O quê: Lançamento de Jogo de discursos: a disputa pela hegemonia na tradição da capoeira angola baiana no 1º Encontro da ACANNE

Quando: 18 de maio, a partir das 19h

Onde: Espaço Alternativo (Av. Guararapes, 847 – Jardim Atlântico – Olinda – PE)

Quanto: entrada gratuita

 

Minas Gerais:

O quê: Lançamento de Jogo de discursos: a disputa pela hegemonia na tradição da capoeira angola baiana no X Encontro de Culturas de Raiz – Lapinha Museu Vivo

Quando: 25 de maio, a partir das 14h

Onde: Museu da Lapinha (Gruta da Lapinha, acesso pelo km 44 da MG-010, direção Serra do Cipó – Lagoa Santa – MG)

Quanto: entrada gratuita