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Rio: III Capocabana

Associação Brasileira de Capoterapia realiza III Capocabana

A III Copacabana (Capoterapia em Copacabana) será realizada de 19 a 24 de outubro de 2001 na cidade do Rio de Janeiro. A promoção é da Associação Brasileira de Capoterapia, fundada por Mestre Gilvan.

Participarão grupos de terceira idade e capoeiristas do DF, GO e MG, mas a excursão é aberta a pessoas de todas as idades. A viagem inclui passeios a Petrópolis, Corcovado/Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Maracanã, Sambódromo.

A programação inclui oficinas de capoterapia nas praias de Ipanema, Copacabana e Leblon, com mestres Gilvan e Cafunga. E muitas brincadeiras, forró e sorteio de brindes.

 

Reserve sua vaga! Inscrições e informações com:

 

a) Mano Lima (61) 9190 4256    e    (61) 8101 0915   mano.lima@yahoo.com.br

b) Sônia e Mestre Gilvan (61) 9962 2511   (61) 3475 2511

c) Mestre Cafunga (38) 3675 1615 e 9996 2790

RJ: 10º Batizado e Encontro Ecológico de Capoeira

O nosso X BATIZADO e ENCONTRO ECOLÓGICO DE CAPOEIRA ocorrerão nos dias 18 e 19 de setembro no Clube do Condomínio Novo Leblon e no Bosque da Barra, ambos situados na Barra da Tijuca.

O ENCONTRO ECOLÓGICO é um evento cultural e de educação ambiental, criado pelo professor Feinho em 2001 e visa despertar valores como a preservação e valorização da cultura popular bem como dos indivíduos da sociedade e do meio ambiente.

O BATIZADO é um evento tradicional onde o aluno iniciante é reconhecido como capoeirista pela comunidade da capoeira. No evento, mestres e professores são convidados para batizar os alunos, reconhecendo os esforços dedicados por este à capoeira. O Batizado ocorre juntamente com a troca de graduações (corda), que indica o nível do aluno nesta arte.

Juntamente com o BATIZADO e o ENCONTRO ECOLÓGICO, faremos um SHOW DE CULTURA POPULAR PARA A PAZ no Restaurante do Clube do Condomínio Novo Leblon logo após o Batizado.

No domingo teremos uma RODA em comemoração às novas graduações recebidas por nossos aprendizes. À tarde acontecerá uma atividade extra, nós faremos parte do evento Aldeya Jacarepaguá, na Escola SESC de Ensino Médio, onde ministraremos uma oficina de berimbau (cada participante construirá e levará o seu berimbau para casa – vagas limitadas –

 

inscrições através do e-mail assessoriadeculturaesem@gmail.com

 

PROGRAMAÇÃO:

18/09 – Sábado

Manhã

Encontro Ecológico – Bosque da Barra

9:00 – Chegada

9:15 – Oficina de Cultura Popular  Brasileira

( p/pais e filhos)

10:30 – Lanche

10:45 – Aula de Capoeira c/ M.Peixinho p/ adultos

e Prof Renata p/ crianças.

11:45– Roda das manifestações populares brasileiras

12:40 – Encerramento manhã

Tarde

Batizado e Troca de Cordas – Novo Leblon

15:00 – Batizado e Troca de Graduações

17:00 – Lanche e Entrega de Certificados

18:00 – Show de Cultura Popular para a Paz

19/09 – Domingo

Manhã

Praia da Barra Posto 7

10:00 ás 12:00 –  Roda Comemorativa

Tarde (Atividade Extra)

Escola SESC de Ensino Médio – Aldeya Jacarepaguá

14:00 – Oficina de Berimbau  

(vagas limitadas)

SARAU do Quilombo do Leblon

O Centro Cultural Quilombo do Leblon, localizado nas dependências do Clube Campestre da Guanabara – Alto Leblon – RJ, lançará no próximo dia 28 de março às 11hs, o projeto “Sarau do Quilombo do Leblon”, um evento de preservação e divulgação das culturas populares. Em sua primeira edição o tema será a “Viola e o Cordel”.

Teremos a participação de poetas, cantadores e violeiros, além de uma exposição de Cordéis.

O projeto acontecerá sempre no ultimo domingo de cada mês com entrada franca.

Venham participar e não deixem de conhecer o restaurante Café do Alto, um excelente representante da culinária pernambucana.

Até lá.

Leonardo Dib (Boiadeiro)

CAMÉLIAS DO LEBLON

Demorou 121 anos para que as Camélias da Liberdade voltassem a florir no Quilombo do Leblon. Resultado do projeto, “As Camélias estão Voltando”, lançado no ano de 2006 pelo professor de capoeira Leonardo Dib (Boiadeiro), o Clube Campestre da Guanabara no Alto Leblon, já conta com duas Cameleiras repletas de botões.

No dia 13 de maio é realizado o evento CAMÉLIAS DO LEBLON, a festa consiste em uma celebração que busca divulgar a história de um dos movimentos abolicionistas mais importantes da história da abolição, o QUILOMBO DO LEBLON.

A data é repleta de atrações e a cada ano uma personalidade negra é homenageada. Já foram saudadas personalidades como Mestre Bimba em 2006, Mestre Pastinha em 2007 e Solano Trindade em 2008. No ano de 2009 o homenageado é Ataulfo Alves, um dos maiores sambistas da história, compositor e intérprete de pérolas da musica popular brasileira.

Teremos um batizado de capoeira, apresentação de parte da peça teatral CAMÉLIAS DA LIBERDADE com alunos da oficina de teatro e dança do núcleo de arte do Leblon, apresentação de JONGO e SAMBA DE RODA além da presença dos filhos de Ataulfo Alves.

O cartaz do evento foi feito por um Angolano, Augusto Lopes Delgado, morador da Ilha de Luanda é estudante de designer publicitário e fez questão de elaborar essa linda arte para o “CAMÉLIAS DO LEBLON 2009”.

 

At.

Leonardo Dib                                                                                                              

Coordenador do Centenário de Ataulfo Alves

Quilombo no Leblon foi o primeiro abolicionista no país

RIO – O primeiro quilombo abolicionista conhecido pela história brasileira, membro ativo na luta pela extinção imediata do sistema escravista, deu origem ao que hoje é o bairro do Leblon, metro quadrado mais caro da cidade.

Antiga fortaleza do quilombo do Leblon, o Clube Campestre Guanabara representa atualmente o berço de um dos capítulos mais secretos do abolicionismo no Brasil: nele eram cultivadas as camélias, plantas então raras e indicativas do apoio declarado aos ideais de liberdade e igualdade.

Eduardo Silva, pesquisador da Casa de Rui Barbosa que estuda há mais de 30 anos temas como a escravidão e a cultura negra, publicou a desconhecida relação das flores com o movimento pelo abolicionismo incondicional – ou seja, sem o pagamento de indenização aos antigos proprietários de escravos – no livro As Camélias do Leblon e a Abolição da Escravatura.

O historiador explica que os 2.700 mil metros quadrados do quilombo do Leblon, que já havia servido de residência para um francês de mesmo nome, foi comprado em 1878 pelo comerciante português José de Seixas Magalhães, que viria a se tornar chefe do quilombo e grande fomentador da aliança entre brancos e escravos negros na luta pela abolição.

– Um francês deu nome à chácara, que deu nome ao quilombo e, por fim, ao bairro mais chique da cidade. O quilombo do Leblon foi revolucionário porque não se isolou e tentou eliminar, de forma ativa, a sociedade escravista daquela época – lembra o pesquisador, ressaltando que o local foi o centro da faceta mais radical do movimento.

– Tudo começou no quilombo do Leblon. Existia uma ligação direta entre os quilombolas e a princesa Isabel, que recebia deles as camélias plantadas no quilombo. Além de assinar a lei, ela estava secretamente aliada ao movimento subversivo pela abolição.

Ponto de cultura eternizada

No Clube Campestre Guanabara, o professor de capoeira Leonardo Dib, 30 anos, é o responsável pela perpetuação da tradição africana. Desde 2006 ele organiza um evento anual em comemoração à assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888.

Com demonstrações de jongo, capoeira, maculelê e maracatu, Leonardo tenta preservar a memória do quilombo que deu origem ao bairro símbolo da boemia carioca.

– Sempre procurei inserir nas aulas temas como a história dos quilombos e como surgiu a capoeira, por exemplo. Hoje, nem acredito que esteja dando aulas em um quilombo – revela o professor, que chega a atender a até 20 crianças entre 3 e 12 anos.

Leonardo afirma ainda que pretende inscrever o Clube Campestre Guanabara no processo seletivo do edital de Pontos de Cultura, ação prioritária do Programa Cultura Viva, do Governo Federal. Uma vez firmado o convênio, o local recebe R$ 185 mil, divididos em cinco parcelas, para investimento no projeto de cultura.

Fonte: Jornal do Brasil

Do quilombo ao Leblon

Na semana em que comemoramos os 120 anos da Lei Áurea, a coluna “Histórias do Rio” visitou um lugar na Zona Sul da cidade que guarda a marca dos abolicionistas. O repórter Márcio Gomes foi até o Alto Leblon, onde no fim do século 19 foi criado um movimento de resistência à escravidão. ( Para ver o vídeo da matéria, clique aqui )

O som que invade as ruas estreitas e íngremes do Alto Leblon ecoa pelo tempo. O instrutor de capoeira Leonardo Dib Boiadeiro sabe que, mais do que ensinar a ginga, está mantendo uma tradição que começou aqui no século 19.

A história do Quilombo do Leblon veio à tona quando o escritor Eduardo Silva lançou o seu livro “As Camélias do Leblon e a abolição da escravatura – uma investigação de história cultural”. Na ocasião o instrutor de capoeira Leonardo Dib conhecido como Boiadeiro, estava desenvolvendo um trabalho de capoeira e valorização da cultura afro brasileira nas dependências do Clube Campestre da Guanabara. Ao tomar conhecimento do livro percebeu que o espaço onde estava atuando estava intimamente ligado as suas propostas de trabalho. Assim começou o projeto Camélias do Leblon. Em sua primeira edição que foi realizada no dia 13 de maio de 2006 o capoeirista realizou o plantio de uma Cameleira para marcar o retorno das “Camélias da Liberdade”. O evento foi seguido de apresentações de Jongo, Capoeira, Samba de Roda, Maculêlê e uma feijoada, desde então sempre no dia 13 de maio é realizado o “Camélias do Leblon” que este ano homenageou em sua 3ª edição o grande poeta negro, Solano Trindade, que faria 100 anos.

Solano Trindade era poeta, pintor, teatrólogo, ator e folclorista. Nasceu no dia 24 de julho de 1908, no bairro de São José, no Recife, capital de Pernambuco. Era filho de Manuel Abílio, mestiço, sapateiro, e da quituteira Merença (Emerenciana). Estudou até completar um ano de desenho no Liceu de Artes e Ofício. A partir de então, começa a escrever.

Solano Trindade foi o poeta da resistência negra por excelência.

História:

Quilombo na Zona Sul produzia as camélias, símbolo do movimento abolicionista

Existia no Alto Leblon, no século XIX, um "sítio encantador, de cujo plateau se descortinava um dos mais belos e dos mais empolgantes panoramas (…), em cujo meio vicejavam camélias brancas, aparecidas nas festividades promovidas com escopos liberatórios", na época do movimento da Abolição da escravatura no Brasil. Era na verdade, segundo o depoimento do jornalista Brício Filho, "a afamada chácara – batizada sob o nome de Quilombo do Leblon – benéfico esconderijo dos perseguidos pela ferocidade dos escravocatas". A história desse pequeno, mas fundamental quilombo – criado numa época em que havia centenas de outros no país, formados por escravos que naqueles anos fugiam em massa de seus senhores – é contada pelo historiador Eduardo Silva em As camélias do Leblon e a abolição da escravatura – Uma investigação de história cultural (Companhia das Letras), que será lançado na Bienal do Livro (entre 15 a 25 de maio).

Pela primeira vez, os segredos da camélia, o símbolo do movimento abolicionista, são desvendados. Quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, ganhou de presente dois buquês de camélias: um de flores artificiais, da Confederação Abolicionista, e outro de flores naturais, cultivadas pelos negros do Quilombo do Leblon. Quem a presenteou foi o dono da chácara subversiva, o comerciante de malas José de Seixas Magalhães, um português que mantinha uma loja na elegante Gonçalves Dias. Na sua pesquisa, Silva, historiador da Casa de Rui Barbosa, logo viu que o mistério das camélias nunca seria desvelado se ele não destrinchasse as atividades clandestinas do quilombo que Seixas protegia, na então bucólica Zona Sul do Rio.

– Foi um quilombo fundamental para a assinatura da Lei Áurea – afirma o historiador, que começou a se interessar pelo assunto quando reparou, certo dia, com olhar de suspeita, os três pés de camélias do jardim da casa de Rui Barbosa, até hoje no mesmo lugar onde floresciam, com sua beleza desafiadora, quando o eminente intelectual lá vivia: dois na frente, avistados por quem passa pela São Clemente, e outro embaixo da janela do quarto dele.

Assim como eram uma senha para os abolicionistas se identificarem, exibidas na lapela, as camélias foram a porta que o historiador abriu para se lançar na pesquisa sobre o quilombo, que teve, como conta o livro, uma ligação secreta com a influente Confederação Abolicionista. O jornal A Gazeta da Tarde, chefiado por José do Patrocínio, era o órgão oficial da Confederação, que "por detrás dos panos ajudava a organizar e a manter o Quilombo do Leblon".

– É importante fazer essa ligação entre a elite, que defendeu a Abolição no Parlamento e nos jornais, com a luta dos negros, nos quilombos. A Abolição foi uma conquista, não uma benesse da princesa. Foi a elite e o povão negro que fizeram a Abolição – diz Eduardo Silva.

Sendo flores delicadas e "cheias de melindres com o sol dos trópicos", segundo o historiador, as camélias exigiam técnicas modernas e cuidados especiais: para o seu cultivo, "somente um trabalhador livre de todas as amarras".

– Ninguém tinha levado tão a sério o simbolismo das camélias, a ponto de estudá-lo. Mas, por trás do simbolismo, está o Quilombo do Leblon. Para pesquisar algo tão secreto, só mesmo encontrando uma porta, como foram as camélias da casa de Rui Barbosa no meu caso. É um livro bem pequeno (140 páginas, boa parte de apêndices), mas deu muito trabalho. Para mim, foi também uma revelação – conta Silva.

O quilombo das camélias é mencionado en passant em cartas, como na correspondência entre Seixas e Rui Barbosa, citado em charges de Ângelo Agostini – muitas das quais ilustram o livro -, descrito em depoimentos orais que tiveram alguma forma de registro. Até a literatura ajudou Silva. Em A conquista, Coelho Neto, que trabalhou na Gazeta da Tarde, escreve que "para os lados da Gávea, em frente ao mar, havia um quilombo mantido pela Confederação Abolicionista e, no escritório da Gazeta da Tarde, (…) negros e negras sentados melancolicamente fumavam esperando que lhes dessem destino".

Diferentemente da maior parte dos quilombos, que Silva chama de "quilombos-rompimento", lugares para onde os escravos fugiam para se esconder e morar, o Quilombo do Leblon seria do tipo abolicionista, que contava com a proteção de pessoas influentes. Rui Barbosa, que lançou em 1869 a tese de que a escravidão era ilegal, foi uma dessas pessoas, segundo os indícios levantados por Silva. O livro mostra que a tese de Barbosa fez a Abolição, no Brasil, ser decretada sem indenização aos proprietários de escravos. Outro quilombo-abolicionista seria o de Jabaquara, em Santos, organizado em terras cedidas por um abolicionista, abrigo para milhares de negros.

Nova história do negro muda Brasil pela raiz: Ação de José do Patrocínio e de André Rebouças e o destemor dos escravos foram decisivos para a Abolição

Resgatar a história dos quilombos, segundo Eduardo Silva, é uma maneira de modificar o Brasil pela raiz.

– É humilhante para os negros, na sua condição atual, dizer que eles não tiveram papel na Abolição. Porque eles tiveram um papel preponderante. O lado subversivo do abolicionismo, esse lado secreto, tem de ser destacado. O fim da escravidão foi conquistado. E a elite negra, liderada por José do Patrocínio e André Rebouças (engenheiro que foi tesoureiro da Confederação Abolicionista), desempenhou papel muito importante. Eles influenciaram a princesa Isabel e ela adotou, corajosamente, a causa abolicionista – diz o historiador.

Com o respaldo dos abolicionistas, aumentou o destemor dos negros.

– Os escravos fugiam em massa. As fazendas amanheciam vazias – destaca Silva.

Curiosidade sobre os quilombos cresceu em 1988
A curiosidade sobre os quilombos, no Brasil, tem crescido desde a Constituição de 1988, que reconheceu, no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o direito à posse da terra de remanescentes de quilombos. Em alguns casos, há comunidades negras que vivem há 300 anos em seus lotes. Eram pessoas que permaneciam invisíveis para a sociedade e que passaram a se reconhecer e a se identificar, orgulhosamente, como quilombolas. Sua história, que também estava invisível, começa a ser contada. Nas biografias de Patrocínio, por exemplo, não há referência ao Quilombo do Leblon.

– É uma história invisível, até porque eles não queriam ser descobertos. Mas isso mudou de forma perceptível. É por isso que cada geração precisa reescrever a História. O movimento negro avançou muito, e isso é um sinal da transformação da sociedade brasileira – destaca Silva, que em As camélias do Leblon sugere muitas outras pesquisas a serem feitas sobre quilombos e mocambos.

No momento em que os quilombolas travam batalhas judiciais pela posse de terras, o livro de Eduardo Silva ganha um contorno social.

– Eu tenho esse compromisso. É preciso fazer a política de ação afirmativa no sentido simbólico, porque os negros não entraram na nossa História – destaca o historiador, autor de Dom Obá II d’África, o príncipe do povo, no qual conta a história do príncipe africano que foi um personagem pitoresco do Rio, no fim do Império, muito ativo na conquista da sua liberdade. – O que tento fazer, e isso também no livro sobre dom Obá, é contar a nova história do negro, porque ele foi um agente ativo na História. É impossível, hoje, continuar a se ter a interpretação tradicional. É preciso rever o racismo entronizado na nossa História.

E como sinal de que a releitura do passado pode mudar a cultura popular, a história de dom Obá, embora tenha sido tema de uma tese de doutorado, inspirou o samba da Mangueira de 2000. Se Zumbi é símbolo de luta pela liberdade, não pode ser considerado um símbolo do movimento abolicionista. Já a nova história dos quilombos pode ajudar a compreender o papel dos negros naquele momento crucial da História do Brasil.

Fonte: http://rjtv.globo.com/

Capoeiranato e a Ponte Leblon & Jarinu

Não basta você escolher a Capoeira, é importante que também a Capoeira escolha você! O sr. Wandenkolk Manuel de Oliveira é mais radical pois defende que “você não escolhe a Capoeira, A Capoeira é que escolhe você”.
 
A julgar pela própria trajetória de vida do senhor Oliveira, ninguém poderá dizer qual das duas frases é a mais acertada.
 
E nem teremos aí um impasse relevante, como extremamente relevante tem sido, relevem a repetição, a vida do senhor Oliveira, que poucos conhecem; o que já não acontece se o apresentamos com o seu nome de batismo no Mundo da Capoeira: mestre Preguiça. Um dos pioneiros do Grupo Senzala, do Rio de Janeiro, peça fundamental para divulgação do estilo “Regional”, atualmente trabalhando em parceria com o angoleiro Mestre Mola.
 
Depois de reveillon muito especial, quando fomos surpreendidos por rápida, mas fraterna visita do Cel. Elton Neves (Queixada) e a sua simpática esposa Dora, dias depois, tivemos o prazer de receber para longa e proveitosa conversa, o senhor mestre Preguiça.
 
Vejam a coincidência, Elton Queixada foi aluno de Preguiça.
Esperava um Preguiça envelhecido, afinal, não o via desde 2001, quando estive em São Francisco, Califórnia, e o vi quase ofendido por eu não aceitar seu generoso oferecimento para ficar hospedado em uma de suas casas (era muito longe da “muvuca” e minha família, com toda razão, exigiu hospedagem em ponto mais central).
 
Preguiça, realmente, pouco envelheceu, em grande parte pela dieta quase religiosa que segue. Mas amadureceu, e muito, apresentando planos que merecem todo tipo de admiração e apoio.
 
Mestre Preguiça, um capoeira nato, simplesmente pensa construir e administrar em Natal, no Rio Grande do Norte, uma casa muito especial para crianças de rua. A educação, em grande parte, será através dos ensinamentos da capoeira-gem – fundamentos, música e prática. Teremos, pois, um orfanato muito especial, idealizado e administrado por um capoeira nato, um verdadeiro capoeiranato (minha sugestão para batizar a nova casa-missão de Preguiça).
Para tanto, com toda razão, Mestre Preguiça vai procurar resgatar a verdadeira História da Capoeira, até agora, como todos sabem, muito mal contada, com muita fantasia, marketing desmedido, malversação de verbas públicas, fundamentos embranquecidos e aburguesados, falastrões e falsos valentões, ritmo e canto desembestados, vacilações éticas, regionalismos, corporativismos…
 
Não por acaso, esse quadro volta a ser o mote principal da nova Apresentação para a terceira edição do meu cordel, que sai agora em janeiro de 2007. Não por acaso, também, esse mote foi o pano de fundo permanente do Jornal da Capoeira, durante muito tempo editado pelo doutorando Milton César Ribeiro. Mais conhecido como Miltinho Astronauta, atualmente exclusivamente dedicado ao seu doutorado, mas, certamente para relaxar, desenvolvendo seu lado de pintor. Como prova recente foto que recebi, lembrando alguma coisa do Impressionismo, especialmente, salvo engano, Paul Cezánne. Confira você mesmo, leitor.
 
Mas, voltando ao mestre Preguiça, quem pagará essa conta, quem patrocinará o interessante projeto sócio-capoeirístico do sr. Wandenkolk que, além de capoeira, é professor de educação física, formado em Direito? Muito simples.
 
O caramanchão em Natal será um misto de orfanato e retiro do guerreiro solitário Preguiça, que, entretanto, não abrirá mãos de continuar percorrendo o mundo, supervisionando as dezenas de grupos que andou criando ao longo de sua vida de professor de educação física, advogado e mestre de capoeira. Começando certamente por San Francisco da Califórnia, Preguiça continuará pelos cinco continentes, visitando periodicamente seus alunos graduados que estão ensinando a fascinante Arte Afro-Brasileira da Capoeiragem pelo mundo afora.
 
Com toda razão Preguiça emocionou-se quando passei para ele alguns registros do passado (em DVD), especialmente a filmagem que mestre João Grande teve a gentileza de fazer documentando uma de minhas visitas a sua famosa academia em Manhattam, Nova Iorque. É que nesse filme jogo um pouco com João e, para compensar meu “jogo de turista”, tratei de inserir pequeno trecho de velhíssima filmagem feita de uma roda de Capoeira em plena rua do Rio de Janeiro. Nessa inserção é possível apreciar uma “vorta do mundo” de Preguiça, simplesmente, com André Lace. Uma raridade, portanto, que Preguiça levou, de presente, para seu apartamento também aqui no Leblon.
 
Durante a conversa, embora não esteja muito enfronhado, tratei de passar para mestre Preguiça algumas idéias e algumas sugestões para pleitear apoio financeiro dos governos brasileiros (municipais, estaduais e, sobretudo, federal). Apoio que alguns “mestres” de capoeira sabem explorar muito bem.
 
Entendo, por exemplo, que Preguiça poderia e deveria pleitear apoio para o lançamento de uma versão brasileira do livro que publicou nos Estados Unidos (foto).
 
Relembrando alguns nomes da capoeiragem, antigos e recentes, Preguiça demonstrou exemplar comportamento ético, elogiando quase todos e, mandingueiramente, silenciando sobre alguns. Sem citar nomes, e com razoável bom humor, comentamos sobre os “mestres-mercantis” (algum com problema de prestação de contas, aqui e no exterior), sobre os “mestres-plagiadores”, sobre os “mestres-falso-valentões” e sobre “os métodos confusos de ensinamentos” utilizado por parte desses mestres. Aproveitei para voltar a recomendar os dois projetos básicos que, há décadas, preparei e continuo a recomendar como de fundamental importância para a Capoeira e para os capoeiristas.
 
Comentamos, finalmente, fora do Mundo da capoeiragem, o mundo da burocracia, particularmente no que tange ao registro de filhos de brasileiros nascidos no exterior. Passei por essa roda kafkaniana, décadas atrás, por causa de minha filha Daniela, nascida em Nova Iorque, e Preguiça está sofrendo na carne agora, em função de esforço similar par registrar um de seus filhos.
 
Que 2007 seja o ano de mestre Preguiça realizar esse seu elogiável projeto Capoeiranato, sem dúvida, um retrato social amadurecido de sua própria vida.
 
Ponte Leblon & Jarinu
 
O artigo já estava pronto quando decidimos realizar  meteórica, mas extremamente importante e lucrativa viagem a São Paulo. O que nos permitiu pernoitar em São José dos Campos e conversar com o doutorando Miltinho Astronauta, um dos maiores pesquisadores de  capoeira da atualidade, já mencionado acima.  Sempre acompanhado de sua simpática e inteligente Keila Brilhante, Milton teve por bem interromper seus estudos por um tempo. Vamos ao breve relato da viagem.
 
Finalmente foi reconstruída a Ponte Leblon & Jarinú, cidade paulista que, segundo dados da Unesco, é dona de um dos melhores climas da terra, além de possuir um hotel cinematográfico – Paradies – que recomendo.
 
Em Pontexistencial histórica (utilizando expressão de André Freire) estamos chegando de lá. Viagem curta, mas intensa, que relatarei oportunamente. Mas posso e devo adiantar que meus livros e artigos sobre capoeiragem já estão em mãos competentes e correndo o mundo. Menciono essa viagem, então, mais pelo pernoite que fizemos em São José dos Campos, onde, mais uma vez, tivemos o casal Miltinho & Keila como cicerone na cidade.
 
Para desespero das respectivas esposas, como sempre a conversa girou sobre capoeiragem, valendo destacar para os leitores, os pontos nucleares que foram abordados e que merecem aprofundamento de todos nós:
 
1. Discussão sobre o Livro “O Selvagem”;
2. O Retrato Falado de Juca Reis – finalmente! – público em Jornal da época;
3.  O texto de Carmem Lemoine sobre a prisão de Juca Reis;
4. Carta do Conde Matosinho revelando que o verdadeiro motivo da prisão de Juca Reis pelo Delegado Sampaio Ferraz, foi uma namorada que aquele tirou desse;
5. Ao visitar o Museu Espacial da Aeronáutica, considerando que Santos Dumont viveu na mesma época de Cyriaco, especulou-se sobre a possibilidade do golpe “Vôo do Morcego” ter nascido de uma conversa entre os dois. Concluiu-se que, brevemente, a famosa “máfia”  explicará o que realmente aconteceu.
 
Enquanto conversávamos, aqui no Rio de Janeiro estava ocorrendo – espero eu – marcante mobilização da capoeirada carioca e fluminense, tendo como objetivo principal tomada de posição em relação ao Pan Americano de 2007. Assunto da próxima crônica.