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Mestre Brasília: “50 anos sem tirar a mão do chão”

“Antonio Cardoso Andrade”, conhecido como Mestre Brasília, capoeirista e artista de primeira grandeza, é  uma importante figura no cenário de São Paulo. Além de mestre de capoeira, que ensina esta arte de origem negra para muitas gerações, é também pesquisador da cultura e criador de músicas e letras. Baiano de Alagoinhas, de família simples, trabalhou como sacoleiro de feira, transportador de água, sapateiro, funileiro, mecânico, pedreiro, pintor, etc. com 19 anos descobriu a capoeira como missão da sua vida e tornou-se discípulo do famoso Mestre Canjiquinha.

Logo foi convidado por seu mestre para realizar apresentações de capoeira em toda a Bahia e outros estados, atividades que desenvolveu durante seis anos. Em 1965 veio para São Paulo e abriu a Academia Cordão de Ouro com o Mestre Suassuna e,  um ano depois inaugurou o seu próprio espaço cultural, a Associação de Capoeira São Bento Grande, hoje ainsa em pleno funcionamento com o nome Capoeira Ginga Brasília.

A sua arte não ficou restrita ao Brasil, pois, desde a década de 70, tem-se apresentado em vários países e realizado cursos e oficinas no Japão, onde chegou a viver durante 3 anos, retornando várias vezes (1973, 1974, 1975, 1986, 2000, 2002, 2008, 2009, 2010), na Alemanha (1987), nos Estados Unidos (1995, 1997, 2008 ), na Itália ( 1999 ). Em 1990 lançou seu primeiro disco, “Ginga Original”, com músicas e letras de sua autoria. Seguiram-se outros trabalhos como Cds e DVD.

Ao longo da sua carreira tem também preparado atores de teatro, como é o caso da inesquecível peça “Capitães da areia”, baseada no célebre livro de Jorge Amado.

Mestre Brasília é contemporâneo de uma geração  brilhante de capoeiristas brasileiros: do lendário mestre Pastinha, do Mestre Waldemar, capoeirista, cantador e fabricante de berimbau, do Mestre Canjiquinha, seu mestre, que participou do “Barravento” e o “Pagador de promessas”, filmes de Glauber Rocha, do Mestre Caiçara um dos mais famosos mestres de Angola., Mestre Bimba, que criou a regional, e outros.

Mestre Brasília, ao longo de sua vida, tem sido um Mestre na acepção da palavra, pois orienta os seus discípulos não apenas passando seus ensinamentos artísticos e técnicos com regras morais de um bem-viver e conviver em sociedade, valores éticos, traço marcante de sua personalidade e de suas lições.

Uma longa e conquistada trajetória.
Neste ano, comemora 50 anos de capoeira, e realizou o evento “50 ANOS SEM TIRAR A MÃO DO CHÃO”.

Bahia: Inclusão, Surdez e Capoeira

Professores graduados em  diversas especialidades, profissionais de teatro e de capoeira, instrutores, estudantes convidados especiais participam a partir das 13h de hoje, no auditório do Centro de Educação Especial da Bahia (Ceeba), ao lado do Jardim Zoológico, em Ondina,  do seminário Caminhos para a inclusão do surdo, durante o qual   farão uma ampla reflexão  sobre as condições socioeducacionais do surdo no Brasil, especialmente na Bahia.
A promoção, cercada de grande expectativa pelos profissionais da área, é do Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez Wilson Lins (Cas/Ba) que, com o apoio do Ceeba, da Associação Educacional Sons no Silêncio e da Associação de Intérpretes da Bahia, pretende enfocar o surdo em sua dimensão humana,  histórica, cultural e identitária, na construção da educação bilíngüe.
 
Os trabalhos serão abertos às 13h, com a execução do Hino Nacional, a que se seguirá a mensagem de boas-vindas da diretora do Cas Wilson Lins, a mestranda em educação Simone Andrade. Logo depois, às 13h30,  os profissionais da Associação Educacional Sons no Silêncio subirão ao palco para a encenação da peça teatral A história do ciclete.
 
Às 14h, a doutora em educação pela Ufba e coordenadora do projeto Eu Surdo, Nilda de Sá, fará uma conferência sobre Surdez e inclusão social do surdo. Às 15h, o professor Neemias Sant’Ana, graduado em letras libras e história, interpretará a palestra O papel do intérprete na inclusão escolar do surdo, seguindo-se um debate de meia hora sobre o tema.
 
Após um breve intervalo, os trabalhos serão retomados, às 16h15, com o espaço reservado a três mesas-redondas, a primeira das quais sobre o povo surdo e a educação , sob o tema A história narrada e a história negada, coordenada pelo pedagogo em educação especial e professor de libras Milton Bezerra Filho; a segunda, coordenada pelo graduado em letras e instrutor de libras Marcelo Silveira de Jesus, girará em torno do tema Referências culturais e identitárias. Fechando o ciclo das mesas-redondas, a estudante Michele Estrela, do 1º ano do ensino médio, falará sobre Relato de vida. Seguem-se os debates, até as 17h45, quando o grupo de capoeira Cas Wilson Lins se apresenta, encerrando os trabalhos.
 

O seminário foi organizado pelas profissionais Iraudice Madalena Nunes, Márcia Sílvia Carvalho, Maria Angelina Ladeia, Maria Sueli Pereira da Silva, Marta Maria Dantas Martins e Josélia Cristina Moura Pinheiro. A diretoria do Cas Wilson Lins é integrada por Simone Barbosa de Andrade,  que o dirige, assessorada por quatro vice-diretoras: Alzira Guanabara Rodriguez, Iraneide de Freitas Gonçalves e Maria Angelina Ladeia.

Fonte: Correio da Bahia – http://www.correiodabahia.com.br

Lobisomem: Capoeira e Cordel

Histórias populares, no mundo inteiro, são sempre maniqueístas, variações de lutas entre um bem e um mal, moralidades rígidas por um lado mas suficientemente elásticas por outro para incluir mau-caratismos e espertezas várias quando se trata de um “fraco” vencer um “forte”.

E aí vem o Brasil, a capoeira e a literatura de cordel, e o bem e o mal começam a negociar.

No cordel de apresentação de seu personagem, Lobisomem, o capoerista e cordelista Victor Alvim Itahim Garcia, do grupo Abadá Capoeira, diz a respeito de si mesmo: ninguém lá é perfeito. Ele lê este verso e começa a jogar sua capoeira dançada, uma negociação entre investidas e defesas. Mais (ou menos) do que uma luta, uma longa conversa de pernas e pés com seu oponente-parceiro.

Dele também, os versos de abertura do cordel Zumbi & Bimba:

É claro que não podemos
Nunca generalizar
A minha intenção não é
De querer polemizar
Pois todos têm liberdade
Pra sua versão contar

Ou, no cordel em que ele homenageia Mestre Camisa, fundador do grupo:

Como todo ser humano
Muitos defeitos tem
Como ninguém é perfeito
Ele erra muito também
Mas a sua intenção
É sempre fazer o bem

É uma distância grande em relação a, por exemplo, os contos de fada originados na Europa, onde um desfile de fracos-bons e fortes-ruins têm, depois de várias crueldades de parte a parte, seu destino modificado graças à intervenção sobrenatural. Ou aos contos hollywoodianos contemporâneos, que seguem o mesmo molde.

Lobisomem: Victor Alvim Itahim Garcia, do grupo Abadá Capoeira

Relatos populares têm finalidades precisas. São ensinamentos de sobrevivência e resistência para situações limites e, dentro dessa estratégia, são também instrumentos de integração universalistas. Neles, personagens locais se ligam a arquétipos universais e o indivíduo, eivado de estereótipos psicológicos e sociais – heróis, cenários específicos como encruzilhadas ou estradas, e um tempo colocado em um passado distante ou, no caso hollywoodiano um futuro igualmente distante – se transforma em um ator que exerce sua subjetividade como em um teatro. O problema é que tal linguagem anuncia a crítica e ao mesmo tempo a cancela. Ao se tornar uma encenação que se repete, mesmo se variando detalhes do rito, o relato mostrará uma crítica não mais sobre o poder que oprime o grupo social naquele momento, mas a partir de um poder, o do mito.

O que o sotaque brasileiro traz de interessante é que, ao tornar falível o bem e palatável o mal, não abre espaço para o conceito de que haja algo perfeito de antemão, algo que nós, humanos, devemos nos esforçar para alcançar e uma vez lá, não mais modificar. Sem perfeição à mão, entra obrigatoriamente a negociação.

Viva nóis.

 
Elvira Vigna é escritora e crítica de arte, com formação em letras e arte, e mestrado em teoria da significação pela UFRJ. Último livro publicado: "Deixei ele lá e vim", 2006, Companhia das Letras

Fonte: Aguarrás – http://aguarras.com.br/

Gato de Botas, Crianças & Capoeira: Projeto comemora o 6º aniversário

{jgquote}Doutores da alma: Crianças atendidas pelo Gato de Botas em aula de capoeira: projeto comemora o 6º aniversário e já atendeu mais de 1,2 mil crianças, utilizando de diversas formas de interagir e fomentar a ludicidade nas crianças. Vale ressaltar a introdução da CAPOEIRA no projeto e suas mais valias como forte aliada no processo de motricidade e poderosa ferramenta de inclusão social.
 
Luciano Milani{/jgquote}
  
Especialistas do projeto Gato de Botas tratam 1,2 mil crianças com dificuldade de aprendizagem; 40% têm distúrbios.
 
A falta de tratamento em estudantes com dificuldade de aprendizagem pode levar à marginalidade. A afirmação é da psicopedagoga Ângela Maria Traldi Cecato, diretora do projeto Gato de Botas em Rio Preto.
O projeto completa seis anos hoje e já atendeu 1,2 mil alunos com dificuldade de aprendizado matriculados na rede pública de ensino na cidade.
Segundo o médico José Alexandre Bastos, chefe do serviço de neurologia infantil da Famerp (Faculdade de Medicina de Rio Preto), cerca de 40% das crianças com mau rendimento escolar apresentam algum tipo de distúrbio mental.
O mais comum, segundo ele, é a dislexia [dificuldade na leitura e escrita], que atinge até 6% das crianças. A discalculia [dificuldade em lidar com os números] aparece em segundo e atinge até 3% dos alunos. Em seguida aparece a disgrafia [alteração de sílabas e letras] e distúrbios secundários como epilepsia, problemas de audição entre outros.
 
“Se a criança não for tratada ela se sente excluída, isolada e busca uma inclusão fora do meio escolar. Daí a facilidade para entrar no submundo”, explica o neurologista.
Ele explica ainda que 60% dos alunos com mau rendimento escolar apresentam dificuldade de aprendizado por razões sociais.
“São causas não cerebrais. Por exemplo, estrutura familiar deficitária, pressão escolar, perda de alguém querido e até mesmo a ausência dos pais”, explica a diretora.
 
Atualmente são atendidas pelo Gato de Botas 300 crianças. Outras 200 aguardam na fila. “O sucesso do projeto é fruto do trabalho multidisciplinar.”
 
Pais participam do tratamento
Além das crianças, o bom resultado do tratamento depende a participação dos pais. “O acompanhamento é importante para os pais compreenderem o problema e auxiliar na motivação do filho”, diz a diretora.
A filha da cobradora Maria Ângela Pereira da Costa foi uma das primeiras a participar do Gato de Botas.
Ela conta que a filha Mariana tem dislexia e que percebeu a dificuldade de aprendizagem quando ela ainda estava na pré-escola.
“Ela não gostava da escola, confundia o nome das furtas e não conseguia reconhecer as letras.”
Mariana estuda hoje na 6ª série da escola Noêmia Bueno do Vale e já comenta em ser fisioterapeuta.
“Ela é outra pessoa hoje. É participativa, gosta de estudar e apaixonada por gibis. Ela já tem uma coleção com mais de 200”, diz.
 
Aprendizagem
 

Projeto
Voltado para crianças de 7 a 12 anos matriculadas na rede pública com dificuldade de aprendizagem. Encaminhamento é feito por professores. No Gato de Botas é feito o diagnóstico e uma equipe multidisciplinar trata o problema
 
Equipe
É formada por pedagogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta, neurologista, neuropsicólogo, psiquiatra e professores
 
Atividades
As crianças freqüentam o Gato de Botas duas vezes por semana, sempre em horário alternado ao da escola. Elas recebem atendimento de especialistas, participam de aulas de recreação (para melhorar coordenação motora), artes e informática. Os pais se reúnem uma vez por semana
 
Tratamento
Depende do problema diagnosticado. Em casos mais complexos as crianças são atendidas por até dois anos. A fila de espera chega a 200 crianças
 

Capoeira como ponte para o português

Aula de capoeira não é mais novidade na Europa.
Junto com a prática do esporte, alunos europeus se interessam em estudar a língua portuguesa.
Hoje em dia, já é muito comum encontrar academias de capoeira em diversos lugares da Europa, inclusive em pequenas cidades.
Um dos países onde a capoeira vem se expandindo é a Alemanha. Porém, os alunos vêm se interessando também em aprender a língua-mãe da "dança".
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FESTIVAL DE CANTIGAS – “CAPOEIRA PELA PAZ”

O festival de cantigas "CAPOEIRA PELA PAZ", tem como objetivo incentivar os professores, monitores, graduados, alunos e estudiosos da capoeira a refletirem, compreenderem e a desenvolverem cantigas de capoeira que apresentem mensagens de conscientização e de críticas sociais acerca dos diversos problemas encontrados na atual sociedade que afetam diretamente as crianças, os adolescentes e a maioria dos jovens.
 
Ao compreendermos as mensagens nas cantigas de capoeira de maneira crítica e consciente, estaremos contribuindo para a formação de cidadãos autônomos, emancipados e críticos, pois na capoeira as cantigas representam um valioso instrumento para diversas reflexões sendo muito mais do que ritmos envolventes. Suas letras e mensagens nos dizem sobre os acontecimentos histórico e sociais brasileiros e poderão nos ser bastante úteis para a construção de uma sociedade mais justa e democrática afim de solucionar e acabar de uma vez por toda com esses problemas.
 
Neste sentido, torna-se necessário valorizar e ao mesmo tempo resgatar as tradições, os fundamentos, os conhecimentos e os saberes proporcionado pela capoeira, esta manifestação da cultura popular e de origem afro-brasileira que em sua particularidade apresentam os aspectos de conformismo e resistência, na qual possibilita reverter determinada situação por meio do seu jogo, luta e dança.
 
Para tanto, ressaltamos que tantos os adeptos quantos os profissionais da capoeira, precisarão compreender esta manifestação da cultura popular brasileira como um riquíssimo instrumento educativo e como um veículo que transmite conhecimentos, pois a capoeira se caracterizou como uma prática desenvolvida fora de um ambiente formal como uma atividade de desordeiros e vagabundo desenvolvida em um ambiente não-formal, ou seja, nas ruas e nas praças no qual os conhecimentos, os saberes, os rituais e os valores da capoeira eram transmitidos de maneira oral pelos velhos mestres.
 
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